



Reportagem

... e o Maraca veio abaixo


Um obiturio do cone do esporte brasileiro


 Marcel Gautherot/Acervo Instituto Moreira Salles
[] 




RESUMO O estdio do Maracan se imps como um dos principais smbolos da
cultura brasileira no sculo 20. Recentemente implodido para ser
reconstrudo para a Copa de 2014, apesar de tombado pelo Patrimnio
Histrico, o estdio deixa marcas na memria de uma gerao de
esportistas, artistas, escritores e jornalistas.

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ALVARO COSTA E SILVA

O QUE HAVER DE sentir aquele -craque ou perna-de-pau- que marcar o
primeiro gol do novo Maracan?

Didi, que fez o gol inaugural do velho estdio, sentiu desconfiana.
"Isso vem abaixo", profetizou. Era o dia 17 de junho de 1950, uma semana
antes do incio da Copa do Mundo, e enfrentavam-se as selees de novos
do Rio e So Paulo, com portes franqueados ao pblico e 3 a 1 para os
paulistas.

Cerca de 200 mil pessoas viram Didi, aos 9 minutos do primeiro tempo,
tabelar com Silas, seu companheiro no Fluminense, e, segundo os
cronistas esportivos, "meter uma curvazinha na bola, que entrou na
forquilha". A multido explodiu: "Foi um urro, um eco tremendo. O
Maracan balanou e fiquei tonto", relembrou o craque.

Aquela vertigem, nunca mais. A reconstruo por que passa o estdio
comporta um sistema de amortecimento que vai acabar com a sensao de
que o Maracan tambm vibra com os gols.

Debaixo da estrutura principal das arquibancadas, os operrios
construram um contraforte, camada de sustentao de cinco metros de
largura por trs de altura que suporta oscilaes de at 6Hz
(equivalentes as de um show de heavy metal). O curioso  que o sistema
foi preenchido com os restos da marquise e das fundaes que sobraram do
antigo estdio.

O desaparecimento das marquises  um dos pontos mais polmicos da obra.
Desde 2000 o Estdio Mario Filho est inscrito no Livro do Tombo
Arqueolgico, Etnogrfico e Paisagstico, o que lhe confere o status de
nico estdio de futebol tombado no Brasil.

Em reunio do conselho consultivo do Iphan (Instituto do Patrimnio
Histrico e Artstico Nacional), em agosto de 2011, um grupo de
conselheiros classificou a reforma como "crime". O projeto havia sido
aprovado pelo ento superintendente do rgo no Rio, Carlos Fernando
Andrade. Em agosto de 2010, timidamente, comearam as obras, com a
retirada das cadeiras azuis do anel inferior.

O primeiro a falar no tombamento foi o ex-presidente da Academia
Brasileira de Letras Marcos Vinicios Vilaa, em 1983, logo aps um
empate sem gols entre Brasil e Argentina no qual o lateral canarinho
Jnior tropeou no gramado ruim. Vilaa era secretrio de cultura do MEC
e props no s a preservao do Maracan, "smbolo sociolgico marcante
no pluralismo cultural brasileiro", como tambm a do terreiro de
candombl da Me Tet, na Bahia. O terreiro foi tombado no ano seguinte;
o estdio, s 17 anos depois.

"Houve muita resistncia dentro do Iphan, que s se dobrou mais tarde",
diz o imortal. "No opino sobre a atual reforma, pois no conheo
detalhes da planta. Mas acho que deveriam reformar sem alterar. E
construir para a Copa um novo estdio na Barra."

H cinco anos, desde que o Brasil foi escolhido como sede do Mundial de
2014, aps a desistncia da Colmbia, ficou bvio que o Maracan,
durante anos o maior e mais famoso estdio de futebol do mundo, seria o
cenrio da entrega da taa. Era s cumprir com as (no poucas)
exigncias da Fifa. Acabar com a diviso entre arquibancadas e cadeiras
foi a principal, criando um novo grau de inclinao que facilite a
visibilidade e deixe o estdio com um nico lance de assentos -todos
individuais e numerados, com encosto de pelo menos 30 cm de altura.

Na cadeira mais prxima ao gramado, a distncia para o campo ter 12
metros. Antes, a distncia entre o pblico e o campo era mediada pelas
chamadas gerais que, rebaixadas, ficavam quase ao nvel do p dos
jogadores. Sero seis rampas de acesso -quatro novas e duas reformadas-
para que os quase 80 mil torcedores saiam em at oito minutos.

Autor de "Maracan: Meio Sculo de Paixo" (DBA), o jornalista Joo
Mximo considera que o estdio no  exatamente um monumento histrico:
"No se trata de uma torre Eiffel ou uma Esttua da Liberdade. O que me
incomoda  elitizao do espao esportivo. Por que no poderamos ter,
ao menos, 130 mil lugares?".

"E nada garante que o torcedor ver o jogo melhor depois da reforma",
assevera. "No sou viva do velho Maracan. Sou viva do tempo em que a
seleo jogava e ganhava copas no exterior. No se submetia  ganncia
da Fifa."

Assim que as obras iniciaram, os cariocas se assustaram com o ritmo da
destruio.

"Foi com espanto que, da janela de um avio, me deparei com as runas do
Maracan. Protegido pelo Iphan, ele foi demolido para a construo de
outro estdio, de mesmo nome e no mesmo lugar", lamenta o escritor Joo
Paulo Cuenca. "Alm do desrespeito ao patrimnio da cidade, a operao
me parece ter sido feita s pressas e s escondidas. No deu tempo nem
para me despedir."

A pressa continua. No momento, os operrios trabalham no processo de
instalao dos cabos de ao que vo sustentar a nova cobertura. Os
andaimes para apoi-los esto sendo montados. Os cabos esto sendo
erguidos, todos ao mesmo tempo, por 120 macacos hidrulicos.

Confeccionada em fibra de vidro e teflon, a cobertura ter 68,4 metros
de comprimento -38,4 metros a mais que a antiga. O campo tambm comea a
ganhar forma. Sua demarcao, terraplanagem e nivelamento j comearam.
Segundo o governo no Rio, cerca de 70% do novo Maracan est pronto. Na
reta final, o nmero de trabalhadores ser de 5.200.

A um custo que pode ultrapassar R$ 1 bilho, a reforma est prevista
para acabar em fevereiro, teoricamente podendo receber clssicos do
Campeonato Carioca de 2013. O jogo de abertura, talvez em maro, dever
ser um amistoso da seleo brasileira. A prova de fogo ser a Copa das
Confederaes, prvia do Mundial, com abertura em 16 de junho do ano que
vem.

FICHINHA Apesar de enorme, a expectativa em torno da obra fica longe da
comoo nacional que envolveu a construo do Maracan para a Copa do
Mundo de 1950. Ergu-lo no foi fichinha.

Quando a candidatura do Brasil para sediar a quarto mundial foi aceita,
pensou-se logo na construo. A turma do contra reuniu-se em torno de
Carlos Lacerda. Vereador, o futuro rival de Getlio Vargas era
partidrio de que se fizesse um complexo esportivo em Jacarepagu, no
outro extremo da cidade. Na Cmara Municipal, Lacerda travou inflamados
debates com o compositor Ary Barroso.

O maior defensor da construo no terreno do antigo Derby Club -"o
centro geomtrico da cidade"- foi o jornalista Mario Filho. Seus artigos
publicados no "Jornal dos Sports", a partir de maio de 1947, batizaram o
movimento de "A Batalha do Estdio".

O jornal encomendou uma pesquisa, prtica pouco comum  poca, que ouviu
mais de mil pessoas entre o pblico geral e os aficionados por futebol:
79,2% daqueles disseram-se favorveis ao estdio; 95% destes aprovaram a
construo. Em 20 de janeiro de 1948 lanou-se a pedra fundamental do
Estdio Municipal do Maracan (que s na dcada de 1960 passou
oficialmente a Estdio Mario Filho, mas assim s chamado pelo irmo
dele, Nelson Rodrigues).

Em menos de duas horas, mais de 200 operrios se apresentaram.
Calcula-se que uns 10 mil deles estiveram direta ou indiretamente
ligados  obra, revolvendo 500 mil sacos de cimento (dois Pes de
Acar), 10 milhes de quilos de ferro, trs milhes de tijolos e outro
tanto de madeira, terra e areia.

O "Gigante do Derby" ocuparia uma rea de 200 mil metros quadrados, dos
quais 130 mil pelo estdio propriamente dito, em sua ousada forma
elptica (317 metros no eixo maior, 279 no menor e um permetro de 945)
e a marquise sem pilastras internas, desobstruindo a viso do torcedor.

Aos 14 anos, Joo Mximo morava ali perto, em Vila Isabel, e tinha um
programa sagrado aos sbados, no fim da tarde, aps a pelada: espiar com
os amigos o andamento da obra -hoje, com o estdio em transformao, se
faz isso pela internet. "Tnhamos o maior Carnaval do mundo,
acreditvamos ter o melhor futebol tambm", diz Mximo. "A conquista da
Copa ia sacramentar essa certeza."

Para ficar quase pronto -h quem diga que jamais ficou-, o Maracan
levou um ano e dez meses, a um custo total de 350 milhes de cruzeiros
da poca (o equivalente a R$ 283 milhes). A capacidade total declarada
era de 183.354 espectadores. S as arquibancadas pegavam 120 mil; as
gerais, 32 mil. (No Maracan da Fifa cabero 78.639 pessoas.)

"MARACANAZO" Mais de 200 mil espectadores estiveram na final da Copa de
50 -oficialmente, foram registrados 173.850. Depois de campanha
convincente -um 2 a 2 com a Sua e quatro vitrias, sendo o ponto alto
a goleada imposta  Espanha na semifinal (6 a 1), numa tarde em que o
pblico invadiu o estdio, atropelando catracas e parte da muralha
externa- o Brasil chegou  deciso com a vantagem do empate.

quela altura, duvidar do ttulo, quem havia de? Pois aconteceu o que se
sabe. A trave  direita das tribunas de honra ficou conhecida como Gol
do Ghiggia, lembrando o placar adverso de 2 a 1. Cinquenta anos depois,
Zizinho, o craque daquele time, reconheceria: "Os uruguaios eram
melhores".

O "maracanazo" -que cevou nosso complexo de vira-lata diagnosticado por
Nelson Rodrigues- ganhou minuciosa reconstituio em "Anatomia de uma
Derrota", de Paulo Perdigo, no fim da qual o jornalista, como que de
mos amarradas, valeu-se de uma fico  H. G. Wells para explicar o
inexplicvel: o conto "O Dia em que o Brasil Perdeu a Copa", narrado
pelos olhos de um menino, depois transformado no curta-metragem
"Barbosa", por Jorge Furtado.

Expresso perfeita em si mesma, o futebol frequenta pouco a literatura
brasileira. Entre os escassos exemplos, um se destaca e elege como tema
o Mundial de 50: tragdia dentro da tragdia, o relato "Dia dos Mortos",
de Srgio Faraco, no mostra sequer um lance de bola rolando, nem uma
batida de lateral. A ao decorre no entorno do Maracan, na triste hora
da sada: "Os dois jovens iam devagar, como todos, e em silncio, como
quase todos. Quem falava, fazia-o em voz baixa, cautelosa".

"Na Boca do Tnel", de Srgio Sant'Anna, confere ao futebol e ao
Maracan o merecido tratamento, sofisticado, mas elitista -e que, nas
nossas letras, esteve mais presente na pena dos cronistas esportivos: os
irmos Nelson e Mario, sobretudo. O conto flagra a angstia do tcnico 
beira do campo, impotente diante da goleada sofrida por um time pequeno
-o bravo So Cristvo, campeo de 1926.

Prmio Casa de las Amricas de 1980, "Maracan, Adeus", de Edilberto
Coutinho,  uma "avis rara": um livro de contos inteiramente dedicado ao
futebol. So 11 histrias, como os 11 jogadores de um time, a primeira
delas chamada "Preliminar". A ltima, que d ttulo  antologia, narra a
trajetria de um atacante cuja carreira foi interrompida pelo
alcoolismo.

Mais atual, impossvel: "O sobretudo era porque sentia frio, mas estava
servindo tambm para ocultar a garrafa de cachaa, que havia trocado
pelo tico-tico Fil num botequim. O estdio vazio, eta mundo do Maraca.
Tudo agora silencioso, cad a galera gritando meu nome, eu ainda garoto,
19 anos se tanto".

Cantado e adaptado nas arquibancadas, "Samba Rubro-Negro", aquele que
diz "Flamengo joga amanh/ Eu vou pra l/ Vai haver mais um baile/ No
Maracan", no deu sorte ao autor, Wilson Batista. Pelo menos no
primeiro momento.

Numa indita promoo, Wilson levou o cantor Roberto Silva no meio do
campo para o lanamento do disco. Depois, viu seu time perder (2 a 1) o
Fla-Flu de 1955.

CRAQUES Trs nomes se impem na galeria de craques do Maracan: o de
Garrincha, que, embora atuando com a camisa 7 do Botafogo, conseguiu a
proeza de levar torcedores de outros clubes ao estdio especialmente
para v-lo entortar joes. O de Zico, maior artilheiro da sua histria,
com 333 gols marcados em 435 partidas

E, naturalmente, o de Pel. Foi ali que, em maro de 1961, ao driblar
nove adversrios antes de chutar para as redes e encarar a torcida do
Fluminense que minutos antes o vaiava, surgiu a expresso "gol de
placa", ou seja, merecedor de uma placa no estdio.

Tambm foi ali que o Rei marcou o milsimo gol da sua carreira, na noite
de 19 de novembro de 1969, de pnalti, e venceu o goleiro argentino
Andrada, do Vasco. No dia em que o nmero recorde de pagantes (183.342)
teria sido registrado, Pel deixou o dele -de bico- contra o Paraguai,
classificando a Seleo para a Copa de 70.

Se no h dvida quanto ao gol, h quanto ao pblico: para o pesquisador
Ivan Soter, autor da "Enciclopdia da Seleo", outro Brasil x Paraguai,
em 1954, teria sido assistido no estdio por mais gente: 195.514
pessoas.

De acordo com os dados de Soter, foram 104 jogos da seleo no estdio:
75 vitrias, 22 empates e apenas sete derrotas. Estatstica to
favorvel periga no se repetir em 2014: o Brasil s jogar no Maracan
se chegar  final. Um tropeo nas oitavas, quartas e semifinais, e
tchau. Salvo se houver mudanas na tabela, o que est em estudos.

Pel (sempre ele) marcou mais gols com a camisa canarinho no Maracan:
29. Depois, Zico (14). Seguem Rivelino, Jairzinho e Tosto (12), Ademir
(9), Romrio (8).

Mas cada torcedor tem o seu jogo e o seu gol inesquecvel. O primeiro
tricampeonato rubro-negro conquistado em 1955; os 6 a 2 do Botafogo no
Fluminense na final de 1957, com cinco gols de Paulinho Valentim, um
deles de bicicleta; a vaia, o gol de raiva e os aplausos para Julinho em
1959.

O ltimo campeonato do Amrica em 1960; o bi mundial do Santos (sem
Pel) em 1962; a vitria do Bangu (3 a 0) sobre o Flamengo no ttulo de
1966, com pancadaria generalizada, que comeou com Almir Pernambuquinho
dentro de campo; os 6 a 0 do Botafogo em cima do Flamengo em 1972.

E a goleada de volta do Flamengo, pelo mesmo placar, em 1981. "Naquele
ano, tive permisso de meus pais para ir sozinho ao Maracan. E, deitado
confortavelmente no duro degrau de cimento, vi Andrade, o camisa seis,
marcar o sexto gol. Que forra!", conta o artista plstico Raul Mouro.

A polmica vitria (3 a 2) do Flamengo sobre a Atltico-MG, na deciso
do Campeonato Brasileiro de 1980,  a partida inolvidvel do escritor
Alberto Mussa: "Marquei com minha turma do Andara para ver o jogo. Um
dos nossos parceiros de sueca [jogo de cartas], o saudoso Mamo, era
bilheteiro e deixava a turma pular a roleta da geral".

"S que naquele dia a confuso foi tanta que, primeiro, me perdi de todo
mundo; depois perdi os chinelos. Nunca havia visto a geral to cheia",
relembra Mussa. "Acabei ficando encostado no ferro em frente ao fosso,
torcendo sozinho. Eu estava na exata posio, com um ngulo de viso
perfeito, para acompanhar um dos maiores momentos da histria do
Flamengo: vi todo o lance do gol do Nunes, o terceiro, como se ele
estivesse jogando para mim, para aquele espectador descalo e solitrio,
no meio da massa. Quando o jogo acabou, comecei a chorar. Dois
torcedores que estavam do meu lado, vendo minha emoo, me convidaram
para tomar com eles a cerveja do ttulo".

Ainda os gols de Rivelino em 1975 (com direito a elstico, drible em que
o atacante conduz a bola para um lado e, rapidamente, a leva para o
oposto enganando o defensor), de Roberto Dinamite em 1976 (com matada no
peito e lenol, quando se passa a bola por cima do adversrio, como se o
envolvesse num lenol), de Romrio em 1993 (com drible de corpo no
goleiro uruguaio), de Renato Gacho (com a barriga) no Fla-Flu de 1995.
Sem falar na invaso corintiana de 1976, nos shows de Frank Sinatra e
Paul McCartney, na missa do papa Joo Paulo 2. e na chegada do Papai
Noel de helicptero.

O Maracan, tal como o conhecemos e curtimos, no existe mais. Ins 
morta e agora  o futuro. Fica uma enorme saudade. Inclusive do
churrasquinho de gato ou cutia, que ser proibido na Copa.

"Se no me engano, ainda no chamvamos o Maracan de Maracan.
Dizamos, simplesmente, Estdio Municipal. Mais uma oportunidade para
meu tio fazer-me torcedor do Vasco. Meu tio devia ter alguma importncia
porque fomos para a tribuna. A subida era pelo elevador. Dei de cara com
o conjunto do estdio. O que vi mudou minha vida: as cadeiras azuis
combinando com o verde do gramado. Imediatamente me apaixonei pelo
Maracan, que passou a ser a minha casa", relembra Ivan Soter.

"Estaria aboletado, no restante da minha infncia e juventude, na
arquibancada junto  torcida do Flamengo, atrs da baliza, que chamavam,
naquele tempo, de Gol do Friaa. Do outro lado, ficava a torcida do
Vasco, onde meu tio se esforou para que eu ficasse, correspondendo ao
Gol do Ghiggia. A minha presena naquele posto era to indiscutvel que
eu chegava a marcar encontros no local, mesmo com o estdio apinhado.
Todos sabiam onde me achar."

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Debaixo da estrutura das arquibancadas, os operrios construram um
contraforte, que suporta oscilaes de at 6Hz (equivalentes as de um
show de heavy metal)

Vereador, Carlos Lacerda era partidrio de que se fizesse um complexo
esportivo em Jacarepagu. Na Cmara, Lacerda travou inflamados debates
com Ary Barroso

quela altura, duvidar do ttulo, quem havia de? Pois aconteceu o que se
sabe. A trave  direita das tribunas de honra ficou conhecida como Gol
do Ghiggia, lembrando o 2 a 1

O Maracan, como o conhecemos e curtimos um dia, no existe mais. Fica
uma enorme saudade. Inclusive do churrasquinho de gato e de cutia, que
ser proibido na Copa
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Ilustrssimos amor e sexo


O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAES



LIVRO | O LIVRO DO AMOR Amor, desejo, sexo e casamento so temas que a
psicanalista carioca Regina Navarro Lins debate nesta obra em dois
volumes. O primeiro destaca o perodo da Pr-Histria  Renascena; o
segundo, que vai do Iluminismo  atualidade, descreve como o amor
romntico se transformou e chegou  contracultura do sculo 20 e de
nossos dias atuais. BestSeller | 364 pgs. (cada) | R$ 21 (vol. 1) e R$
29,90 (vol. 2)*

LIVRO | 50 VERSES DE AMOR E PRAZER Da veterana Ceclia Prada ("Eu
pensava: no gosto dessa freira, detesto. E encontrava o seu olhar de
jiboia faminta sobre mim")  revelao Juliana Frank ("Boceta bandida,
vai me trair novamente?"), passando por Ana Miranda e Heloisa Seixas,
Rinaldo de Fernandes reuniu 13 escritoras contemporneas nesta antologia
de contos erticos e pornogrficos. Gerao | 358 pgs. | R$ 34,90

LIVRO | EU, DOMMENIQUE "Estou aqui para me satisfazer com seu corpo e
sua mente", anuncia Dommenique Luxor, 34, "dominatrix" gacha que
escreveu uma cartilha de prticas sadomasoquistas para fazer do leitor
seu escravo. Se a voltagem literria  baixa, pelo menos as histrias
so reais, diz Domme -e suas travessuras deixam o best-seller britnico
"50 Tons", de E. L. James, no chinelo. Lua de Papel | 192 pgs. | R$
19,90

LIVRO | TUDO O QUE VOC NO QUERIA SABER SOBRE SEXO A antroploga Mirian
Goldenberg reuniu suas pesquisas qualitativas e quantitativas sobre
temas relacionados a sexo, casamento, infidelidade e desejo. Os
resultados foram transformados em cartuns e quadrinhos pelo cartunista
da Folha Ado Iturrusgarai. Record | 240 pgs. | R$ 44,90

LIVRO | FRIEDRICH NIETZSCHE "O amor e o dio no so cegos, mas
ofuscados pelo fogo que trazem consigo" -eis um dos "100 Aforismos sobre
o Amor e a Morte" que Paulo Csar de Souza garimpou em suas tradues do
filsofo alemo e reuniu neste volume da coleo Grandes Ideias.
Penguin/Companhia | 72 pgs. | R$ 10,90

LIVRO | A EVOLUO DO SEXO Professor emrito da Universidade de Sussex,
o britnico John Maynard Smith (1920-2004) partiu de uma pergunta
biolgica para escrever este livro de 1978: "Que foras seletivas mantm
a reproduo sexuada e a recombinao gentica na natureza?" Ele aborda
questes como hermafroditismo, seleo sexual e o incesto. trad. Antonio
Carlos Bandouk Editora Unesp | 262 pgs. | R$ 29

LIVRO | CHARLES BUKOWSKI "Bukowski  ainda mais genial nos poemas que na
sua angustiada prosa comedora de gente", diz o escritor Xico S no texto
de orelha de "Amor  Tudo que Ns Dissemos que No Era", antologia de
poesia amorosa do norte-americano (1920-94). Seleo e traduo de
Fernando Koproski. A editora tambm relana o volume de poemas "Essa
Loucura Roubada..." 7 Letras | 294 pgs. | R$ 49

LIVRO | OS GRANDES FILSOFOS QUE FRACASSARAM NO AMOR Albert Camus
(1913-60) terminou o casamento ao descobrir que sua primeira mulher,
viciada em morfina, trocava favores sexuais pela droga com seu mdico.
Com bom humor, Andrew Shaffer narra esta e outras anedotas sobre a vida
sexual e amorosa de 37 grandes pensadores. trad. Marcelo Barbo | Leya |
208 pgs. | R$ 19,90

LIVRO | AMOR, UMA HISTRIA Nesta elogiada histria intelectual do amor,
o professor do King's College Simon May parte da filosofia grega e das
escrituras hebraicas para chegar a autores modernos, como Schopenhauer,
Nietzsche, Freud e Proust. Na discusso, conceitos como altrusmo,
beleza, doao e os inevitveis equvocos que podem se associar a eles.
trad. Maria Luiza X. de A. Borges Zahar | 376 pgs. | R$ 59,90
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Ilustrssimos desta edio



ALVARO COSTA E SILVA , o "Marechal", 49,  jornalista.

CARLA CAFF , 47, autora de "Avenida Paulista" (Cosac Naify), participa
neste sbado (1) da exposio coletiva que inaugura o museu Gabinete do
Desenho.

CLUDIO OLIVEIRA , 44,  professor de filosofia da UFF (Universidade
Federal Fluminense), trabalha na traduo de "A Comunidade Que Vem"
(Autntica), de GIORGIO AGAMBEN.

CLAUDIUS CECCON , 74,  arquiteto e cartunista.

FERNANDA EZABELLA , 32,  correspondente da Folha em Los Angeles.

MARCEL GAUTHEROT (1910-96), nascido em Paris, mudou-se para o Brasil em
1940. Sua obra fotogrfica  um dos mais importantes registros do
patrimnio histrico e da vida cotidiana brasileira.

MICHEL LAUB , 39,  autor de "Dirio da Queda" (Companhia das Letras).
Seu conto "Animais" foi selecionado para a edio "Os 20 Melhores Jovens
Escritores Brasileiros" da revista literria "Granta" (Alfaguara)

RAFAEL CAMPOS ROCHA , 42,  autor de "Deus, Essa Gostosa" (Quadrinhos na
Cia.)

RUBENS VALENTE , 42,  reprter da sucursal da Folha em Braslia.
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Na internet



STANLEY KUBRICK Fotos de exposio sobre o cineasta em Los Angeles com
objetos pessoais e de seus filmes mais famosos

FOLHA.COM/ILUSTRISSIMA Atualizaes dirias da pgina da "Ilustrssima"
no site da Folha

ADO ITURRUSGARAI Galeria com ilustraes do livro da antroploga Mirian
Goldenberg

GIORGIO AGAMBEN Fotos do filsofo durante encontro com o professor
Cludio Oliveira

folha.com/ilustrissima
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Memria

Nostalgia ambgua


Os ltimos dias do estdio do Grmio

RESUMO Romancista gacho escreve suas reminiscncias do Olmpico, que
desde os anos 1950 sediou as partidas do Grmio no RS e ser
reconstrudo. A demolio suscita reflexes sobre as transformaes
culturais no futebol e na memria afetiva da cidade e do escritor. Leia
a ntegra em folha.com/ilustrissima

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MICHEL LAUB

H VRIOS CEMITRIOS nas proximidades do estdio Olmpico, em Porto
Alegre. Tambm um crematrio e funerrias. Tambm casas e ruas onde
eventualmente algum infarta, leva um tiro ou  atropelado.

Mas o luto que impregna a regio por estes dias  mais amplo: um mundo e
um tempo esto morrendo  medida que o Grmio joga suas ltimas partidas
em sua sede histrica. A partir de 8/12 ela ser substituda pela Arena,
na zona norte, e a construo ovalada onde o clube gacho fez suas
principais campanhas ao longo de 109 anos de existncia ser implodida.

Na quarta-feira, 5/9, fui pela ltima vez ao Olmpico. Considerando que
estive em 90% das partidas do time na cidade entre 1985 e 1997 (quando
vim morar em So Paulo), e calculando uns 25 jogos por ano, mais uns
tantos antes e depois desse perodo, a vitria contra o Atltico
Goianiense pela 22 rodada do Campeonato Brasileiro foi algo como minha
300 visita ao local.

Muita coisa mudou em trs dcadas, e em vrios sentidos ir a um estdio
se tornou mais civilizado. No h mulheres assediadas, racismo em voz
alta, sacos de urina voadores. No h superlotao, correrias porque
algum puxou uma faca, gente desabando de marquises. As arquibancadas
no balanam como se fossem cair, e a violncia quase sempre acontece
longe, em brigas agendadas pelas redes sociais.

ANACRONISMO Mesmo assim, resqucios de uma poca em que o futebol era
menos organizado e mais provinciano, um circo amador comparado 
eficincia mercantil e globalizada de hoje, so visveis no entorno do
Olmpico. A avenida Azenha ainda tem lojas de nomes como Perucas Jurema
e Tch Pastel. Na Jos de Alencar, as casas ainda fazem de suas garagens
estacionamentos improvisados. No largo dos Campees, ainda d para comer
espetinho com um pedao de gordura para dois de carne dura e seca. A
velha polcia a cavalo observa o movimento de bbados e biscateiros.

"No faz sentido manter um estdio deficitrio, que existe basicamente
para receber jogos", diz o jornalista Marcelo Ferla. Autor do
recm-publicado "Jogos Monumentais" (Ed. Arquiplago), livro sobre os 15
maiores momentos do Olmpico, que sucedeu ao antigo Estdio da Baixada
(1904-54), ele e a maioria dos gremistas apoiam a cesso do terreno para
a construtora OAS, que em troca ergueu a Arena e explorar seu entorno
-uma srie de construes residenciais e comerciais cercadas pelo que
hoje  uma favela.

O novo estdio no sediar partidas da Copa do Mundo -eles sero no
Beira Rio, do Internacional-, mas tem modelo semelhante ao de projetos
que esto sendo executados por todo o pas: da casa presenteada ao
Corinthians em Itaquera aos novos Maracan, Mineiro e Fonte Nova, ir a
um jogo no Brasil ser uma experincia de conforto, segurana e acesso
semelhante  que se tem na Europa.

J o Olmpico fica para trs levando uma nostalgia ambgua: ao mesmo
tempo em que no se lamenta a substituio dos tneis estreitos,
banheiros sujos e concreto rachado por infiltraes,  como se o espao
fsico anacrnico simbolizasse um modo tambm anacrnico de viver o
futebol.

ALMA CASTELHANA Foi ali que se criou uma espcie de "ethos". H fatores
histricos que contriburam para a imagem (ou clich) do Grmio como
clube-smbolo do futebol aguerrido, obstinado e "imortal" -da origem
alem dos fundadores ao estilo de tcnicos vitoriosos como Osvaldo Rolla
e Luiz Felipe Scolari.

H tambm eventos de jogo: viradas espetaculares, gols no ltimo minuto,
oscilaes heroicas e trgicas que levaram o clube do ttulo mundial 
Segunda Diviso. E h fatores extracampo, diretamente ligados ao
ambiente do Olmpico: invases e interdies, juzes sitiados nos
vestirios, a torcida e sua "avalanche" rumo ao poo.

Claro que  uma especificidade construda, e nada impede que ela seja
reproduzida na Arena, mas um dos riscos de obsolescncia se deve 
uniformizao crescente do esporte.

A "alma castelhana" do Grmio, em litgio eterno contra a CBF, rbitros
e imprensa do centro do pas, orgulhosa de haver estragado tantas festas
de adversrios mais ricos e melhores -o Flamengo de Zico nos anos 1980,
o Palmeiras da Parmalat nos 1990-, combina pouco com uma era em que no
se diferenciam o discurso dos atletas, os mtodos de preparao fsica,
as estratgias de marketing das diretorias.

As bravatas sobrevivem, mas dentro de campo o time seguir como qualquer
outro, com variaes tticas ditadas por tcnicos que trocam de emprego
entre si, com dolos que seis meses antes vestiam outra camisa e seis
meses depois vestiro uma terceira.

BANGUELAS Nesse contexto, seria estranho se o perfil das torcidas no
tivesse acompanhado as mudanas. Um dos efeitos da transformao do
futebol em negcio bilionrio foi o deslocamento da receita dos clubes,
antes quase toda sada da bilheteria, para cotas de TV, patrocnios e
licenciamentos, quadro social e venda de jogadores.

No h mais lugar para o lmpen avulso, banguela e espontneo que
aparece segurando um radinho de pilha em vdeos dos anos 70 e 80. Ele
foi substitudo pelo scio de classe mdia e, na imensa maioria, pelo
espectador de sof, cuja ao se d pelo consumo -no "pay per view" ou
indiretamente, como audincia que gera publicidade. Isso torna mais
elitizadas -e parecidas em sua identidade- as agremiaes que canalizam
as energias de um esporte popular e tribal.

Desde que vim para So Paulo, fao parte dessa massa difusa, cuja
relao mais prxima com outros torcedores so xingamentos pela janela
do prdio. Num tempo com tantas opes de lazer,  difcil convencer
algum de que um programa de domingo ou quarta era caminhar por uma hora
e meia, s vezes na chuva, no frio e na escurido, para ver partidas de
fases classificatrias de campeonatos gachos destinados ao
esquecimento.

A precariedade do Olmpico ajudava a compor essa relao direta: um
porto s vezes destrancado dava acesso aos vestirios, e os jogadores
andavam sozinhos pelo ptio na sada dos jogos. Vai saber quanto de meu
envolvimento no se deve a sensaes alheias a quem cresceu vendo o time
em HD: a escala integral do campo, o som amplificado da charanga, o
cheiro de plvora dos rojes, o gosto de bergamota e amendoim vencido.

LUNATISMO Se a identificao com um clube se deve tanto a questes
geogrficas, tnicas, culturais e de classe quanto a resultados de
campo, com as torcidas guardando em sua composio etria o que Jos
Miguel Wisnik chama de "espectro da histria dos campeonatos", d para
transferir o critrio estatstico para a massa gremista do futuro. Ela
ser dividida entre os que conheceram ou no o atual estdio. Os que
viveram ou no um outro futebol e uma outra cultura.

 uma espcie de solido tambm: entre os 46.309 presentes em Grmio x
Atltico Goianiense, quantos lembrariam de como surgiu a tese "goleiro
no pode ter bigode"? Ou da cor da camisa da sorte usada pelo "Doutor
Gre-Nal"? Ou do que sonhou o centroavante Lima na noite anterior a um 3
a 3, 1988, em que o zagueiro Alosio fez um gol contra desviando uma
cobrana de falta?

Encolhido na cadeira G-190, vivi aquela ltima noite tentando abstrair
os indcios de um ciclo que se encerra: a miopia recente que dificulta a
viso noturna, a estranheza de ver lances sem o replay que esclarece
dvidas, a ausncia do companheiro mais frequente em partidas na
infncia -meu irmo, cuja primeira filha nasceria na manh seguinte.

H muitas maneiras de se sentir velho, e uma delas  confundir a prpria
decadncia com a decadncia do universo. Antes de passar pela roleta,
subir a escada e ver o gramado que nunca mais verei, estive no memorial
que o Grmio mantm com trofus, fotos, uniformes antigos.

Uma TV passava vdeos de jogos histricos, e me vi antecipando para um
gordinho de uns dez anos o placar e os autores dos gols. A melancolia da
cena no era apenas pelo estdio que ir ao cho, nem pela cidade onde
no vivo mais, nem pelo que o pai do gordinho devia estar pensando de um
luntico capaz de recitar todos aqueles nomes e histrias, mas porque
estou chegando aos 40 e isso talvez tenha mesmo perdido o sentido.

Ento resta virar a pgina e fazer o registro derradeiro. Placar do
ltimo embate: 2 a 1. Autor do ltimo gol que assisti ao vivo: Marino,
do Atltico Goianiense. Autor do ltimo gol do Grmio: Elano.

Adeus, Olmpico, e obrigado por tudo.

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O time seguir como qualquer outro, com variaes tticas ditadas por
tcnicos que trocam de emprego entre si, com dolos que seis meses antes
vestiam outra camisa

A massa gremista do futuro ser dividida entre os que conheceram ou no
o atual estdio. Os que viveram ou no um outro futebol e uma outra
cultura.
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Diplomacia

De Golbery a Dirceu


A poltica brasileira nos telegramas dos EUA

RESUMO Telegramas diplomticos revelam cenas da relao Brasil-EUA: o
apoio de Kissinger a Golbery, as conexes de Jos Dirceu com Washington,
o ltimo jantar de Collor como presidente com diplomatas
norte-americanos, a trs dias do impeachment, e as relaes de Marta
Suplicy com a embaixadora Donna Hrinak.

-

RUBENS VALENTE

O GOVERNO DOS EUA liberou para consulta, em setembro, um lote de
telegramas diplomticos sigilosos que descrevem encontros de seus
representantes com polticos brasileiros. Os telegramas trazem detalhes
de diferentes momentos histricos, da abertura durante a ditadura
militar (1964-85)  aproximao do PT com o Partido Republicano, em
2002, quando Lula chegava ao poder.

Leia abaixo duas dessas histrias e, em folha.com/ilustrissima ,
telegramas sobre encontros de diplomatas dos EUA com Marta Suplicy,
Fernando Collor de Mello e dom Paulo Evaristo Arns.

-

BRASLIA, 1976. "Estou lisonjeado por voc ter vindo", agradeceu o
general Golbery do Couto e Silva a Henry Kissinger, no Palcio do
Planalto. Foi o primeiro encontro no Brasil entre o conspirador do golpe
de 64, criador do SNI (Servio Nacional de Informaes) e homem forte do
ditador Ernesto Geisel (1974-1979), e o norte-americano, principal
executor da poltica externa dos EUA no cargo de secretrio de Estado
dos EUA do governo Gerald Ford (1974-1977).

Aquela era a primeira viagem de Kissinger ao Brasil desde 1962. Ele
disse se recordar dos "estudantes fora de controle". Imaginando uma
ditadura de esquerda, do tipo "peronista", ele atacou: "[o presidente
Joo] Goulart, eu acho, ou era um homem perigoso ou lhe faltava
compreenso".

 vontade, Golbery fez a primeira confidncia da manh: "Ns estvamos
esperando. Ns queramos manter a presidncia de Goulart at o ltimo
instante". Kissinger confortou-o: "Eu fui solidrio com o que vocs
fizeram".

Golbery entrou no ponto central do que seriam suas preocupaes. Admitiu
que, "numa primeira etapa", o Brasil viveu sob uma "ditadura militar".
Mas isso seria passado. Agora ele diria que o pas atravessava um
perodo to somente "autoritrio". Do qual enfrentava "problemas" para
sair.

Kissinger concordou: "Evoluo sem caos, esse  o problema de fato".
Golbery contemporizou: "Ns no podemos abrir o processo muito
rapidamente. Ns temos uma poltica gradualista [de abertura]".

O secretrio de Estado deu ento uma garantia e uma orientao. "Bem,
vocs no recebero nenhuma presso dos EUA. Cabe a vocs decidir a taxa
de velocidade com a qual vo se movimentar".

Golbery respondeu que o pas estava sob "alguma presso, por causa da
imagem do pas mundo afora". A reunio ocorreu meses aps as mortes do
jornalista Vladimir Herzog (1937-1975) e do operrio Manoel Fiel Filho
(1927-1976) nos pores da ditadura.

Kissinger novamente tranquilizou o general: " claro, ser bom para voc
se moverem naquela direo [abertura poltica], mas a taxa pela qual
vocs se movem  uma deciso do Brasil". O maior aliado brasileiro
deixou assim clara a sua tolerncia com a ditadura. O pas viveu mais
nove anos sob o jugo militar at a eleio de Tancredo Neves, em 1985.

Autor de "Kissinger e o Brasil" (Zahar), o professor da FGV e colunista
da Folha Matias Spektor disse que os cinco telegramas recm-liberados
pelos EUA sobre conversas de Kissinger so inditos, incluindo o que
cita Golbery. Dessa conversa, s era conhecida a verso brasileira.

SO PAULO, 2002. No comeo da campanha presidencial, o PT tinha um
problema: deixar claro que no daria uma guinada  esquerda na poltica
econmica -um analista do banco Goldman Sachs chegou a criar um
"lulmetro" para medir os riscos de uma possvel vitria de Lula. O PT
precisava urgentemente "acalmar os mercados".

Como parte desse esforo, Jos Dirceu, ento coordenador da campanha,
foi a um almoo secreto com a embaixadora dos EUA, Donna Hrinak, no
escritrio do empresrio Mario Garnero, do grupo Brasilinvest. Dirceu
chegou a bordo do helicptero privado de Garnero ao 21 andar da sede do
banco, na avenida Faria Lima.

A cena deixou a embaixadora confusa, como ela registrou: " uma imagem
muito diferente para um partido de 'trabalhadores'". A prpria
identidade do responsvel pelo encontro a impressionou. "Mario Garnero 
um dos principais lderes empresariais do Brasil e poderia parecer uma
escolha estranha ser algum capaz de intermediar encontros para o PT."

Garnero e Lula se conheceram na poca nas greves dos operrios do ABC,
quando o banqueiro liderava a associao das montadoras de veculos.
Desde ento construram "um relacionamento de respeito mtuo", anotou
Hrinak.

O contedo do encontro entre Dirceu e Donna ficou sob sigilo por uma
dcada, at aparecer no telegrama agora liberado pelos EUA. Garnero
contou  Folha que os participantes queriam a imprensa longe. "Acho que
seria constrangedor para todos se algum soubesse, poderia atrapalhar a
conversa. O pessoal do PT manteve mesmo o sigilo", disse o banqueiro.
Ele leu as seis pginas do telegrama e considerou o contedo
extremamente fiel  conversa.

O encontro, segundo Garnero, ocorreu a pedido de um amigo de Dirceu,
Luiz Carlos Gaspar. Na reunio, segundo Hrinak registrou no telegrama,
Dirceu considerou o almoo uma oportunidade para reafirmar que "o PT
est pronto para formar um governo nacional maduro sem um vis
anti-EUA". E reconheceu: "Dirceu comentou que, olhando em retrospecto,
foi uma sorte o PT ter perdido a campanha presidencial de 1989, porque
na poca no tinha a necessria experincia para governar."

A embaixadora quis saber "quem falava pelo PT", pois um deputado do
partido havia comparado o presidente George W. Bush com "tila, o Huno",
o que no seria de modo algum "um sinal de interesse em manter boas
relaes com os EUA". Os dois no mencionaram o nome do petista, mas se
trata de Paulo Delgado (PT-MG).

Dirceu desqualificou a crtica de Delgado a Bush: "Vocs no tm tambm
seus 'malucos' nos partidos polticos americanos?".

Donna cobrou informaes de que o PT seria um dos autores da ideia de um
plebiscito sobre a Alca (rea de Livre Comrcio das Amricas, que os EUA
tentavam implantar), organizado pela CNBB (Conferncia Nacional dos
Bispos do Brasil). Dirceu afastou a dvida: "H pouco tempo para educar
os eleitores sobre o assunto".

As conversas entre petistas e agentes do governo dos EUA se estenderam
pelos dias seguintes. Garnero se incumbiu de entregar cartas pessoais de
Dirceu a figuras proeminentes dos EUA, como Dick Chenney, o
vice-presidente, e Ronald Evans, secretrio do Departamento de Comrcio.
Em duas semanas, o PT divulgaria a Carta ao Povo Brasileiro, que, ao
falar "em crescimento econmico com estabilidade e responsabilidade
social", acalmou os mercados.

Dez anos depois, Dirceu disse  Folha , por meio de sua assessoria: "O
objetivo da reunio foi buscar uma aproximao com o Partido Republicano
dos EUA, com o qual o PT no mantinha nenhuma relao. Como
desdobramento daquele encontro, ele [Dirceu] programou uma viagem aos
Estados Unidos para apresentar o PT e as propostas de governo do ento
candidato Lula  Presidncia a um grupo de empresrios, banqueiros e
representantes do governo do ento presidente George W. Bush. Garnero
era interlocutor frequente dos republicanos. O ex-ministro no tem
lembrana de como foi o encontro com a embaixadora".

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Kissinger deu uma garantia e uma orientao. "Bem, vocs no recebero
nenhuma presso dos EUA. Cabe a vocs decidir a taxa de velocidade com a
qual vo se movimentar"

Dez anos depois, Dirceu disse: "O objetivo da reunio foi buscar uma
aproximao com o Partido Republicano dos EUA, com o qual o PT no
mantinha nenhuma relao"

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Dirio de Los Angeles


O MAPA DA CULTURA

Teer  aqui


Um caldeiro cultural chamado Tehrangeles

FERNANDA EZABELLA

AHMED FAZ A pizza e o milk-shake, limpa as mesas e toma os pedidos.
Explicar do que  feita a sobremesa, no entanto,  tarefa impossvel.
Ele mal fala ingls, e eu nem falo farsi. Estamos em Los Angeles, cidade
caldeiro cultural como muitas outras, mas com a maior comunidade de
iranianos fora do Ir. O resultado  um bairro onde se fala muito pouco
ingls (e espanhol) chamado "Tehrangeles", mistura de Teer (Tehran em
ingls) com Los Angeles.

Tehrangeles, reconhecido recentemente pelo Google Maps, se espalha por
dois quilmetros da Westwood Boulevard, com destaque para os mercados e
restaurantes de comidas tpicas ou "americanizadas".

Ahmed trabalha no Caf Glac, provavelmente o nico lugar nos Estados
Unidos que faz "pizza persa", j que o estabelecimento registrou tal
nome no ano passado. A pizza parece mais uma torta, com uma fina camada
de queijo por cima. Mais incrvel  o milk-shake majoon, feito com
banana, tmaras, leite, sorvete e pistache. Lembra de longe uma baklava
lquida.

A lanchonete Attari tambm  bem popular com seus sanduches feitos na
baguete. Os mais pedidos so feitos de lngua, quase sempre acompanhados
da sopa de lentilha osh, com alho frito e feijo.

Nos mercados, d para encontrar uma boa variedade de halvas -massa doce
feita de sementes de gergelim modas, farinha e mel-e sorvetes, muitos
"made in California", apesar dos rtulos em farsi. Para restaurantes
mais tradicionais e grandes pratos de kebab com arroz basmati, o Flame e
Baran so os mais indicados. Na frente do Baran est a padaria Pink
Orchid, com uma vitrine repleta de doces rabes e especialidades persas.
Veja fotos em folha.com.br/ilustrissima .

CORREDOR KOSHER Tambm vive por aqui uma grande comunidade de iranianos
judeus, cuja cultura  foco de uma curiosa exposio "Lights and
Shadows" no Museu Fowler da Ucla (Universidade da Califrnia, Los
Angeles), at maro do ano que vem.

H artefatos arqueolgicos, manuscritos, instrumentos musicais e roupas
cerimoniais para contar a complexa histria de uma das comunidades
judaicas mais antigas do mundo.

Ainda no esprito tour gastronmico, Los Angeles tambm tem uma rua
conhecida como "corredor kosher", a dez minutos de carro de Tehrangeles,
ao longo da West Pico Boulevard. D para encontrar de pizza kosher a
comidas mexicana e chinesa kosher, alm de sushi e os tradicionais
kebabs, tudo feito obedecendo as leis judaicas, um ao lado do outro.

Sempre cheio est o Jeff's Gourmet Sausage Factory, com uma enorme
seleo de linguias: italianas, polonesas, russas e, claro, alems.
Como seu prprio nome diz, a lanchonete tem uma fbrica aos fundos onde
produz suas prprias carnes.

ODISSEIA STANLEY KUBRICK O museu Lacma apresenta at junho de 2013 uma
retrospectiva do diretor americano (1928-99), abordando desde suas
fotografias nos anos 40 at seus projetos interrompidos, como o pico
"Napoleon" e o drama sobre o Holocausto "Aryan Papers".

H objetos pessoais, como seu tabuleiro de xadrez e diversas cmeras, e
muitas curiosidades de seus filmes mais famosos. Esto l o beb de
grandes olhos de "2001: Uma Odisseia no Espao" (1968), os vestidinhos
azuis das irms de "O Iluminado" (1980), a muleta-espada do manaco de
"Laranja Mecnica" (1971), e mscaras das orgias de "De Olhos Bem
Fechados" (1999).

O museu realiza uma srie de eventos relacionados  exposio, como
conversas com colaboradores de Kubrick e jantares com comidas inspiradas
em seus filmes, servidas aps a exibio do mesmo. "Spartacus" (1960),
por exemplo, teve um clssico banquete romano. Entre sexta e 1 de
dezembro, o cardpio traz "Dr. Fantstico" (1964) e "2001".

GAME OVER Um dos fliperamas mais antigos do sul da Califrnia, o Family
Fun Arcade, em Granada Hills, fecha suas portas no final deste ano,
encerrando 40 anos de histria. Para comemorar a arte quase extinta dos
fliperamas, o semanrio "LA Weekly" montou uma lista com os dez melhores
de Los Angeles.

Em primeiro lugar est o Round 1, no shopping Puente Hills Mall, a 30
minutos de carro do centro da cidade. Alm das centenas de mquinas, tem
boliche, karaok e cabines de fotografia. Depois das 22h, s  permitida
a entrada de maiores de 18 anos. Veja a lista completa em
bit.ly/laarcades .
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Arquivo aberto


MEMRIAS QUE VIRAM HISTRIAS

O indito de Agamben


Veneza, 2007

CLUDIO OLIVEIRA

Tive meu primeiro contato com a obra do filsofo italiano Giorgio
Agamben no incio dos anos 90. Alberto Pucheu, poeta, ensasta,
professor de teoria literria e grande amigo, tinha me dado de presente
uma edio especial, numerada a mo, de "La Fine del Pensiero", um texto
que logo depois saiu como anexo do livro "A Linguagem e a Morte",
publicado pela primeira vez na Itlia em 1982. Meu exemplar  o de
nmero 141.

Quando fomos pegar Agamben no aeroporto Santos Dumont, em setembro de
2005, eu e Pucheu tivemos a mesma ideia e levamos nossos exemplares para
ele autografar. Ao v-los em nossas mos, perguntou surpreso: "onde
vocs conseguiram isso?" A partir dali, construiu-se uma relao de
amizade entre ns que perdura at hoje.

Conheci a obra de Agamben no mesmo momento em que me aproximava da
psicanlise de Jacques Lacan e desde o incio percebi uma conexo ntima
(mas nebulosa) entre os escritos de ambos. Em um almoo durante os cinco
dias que Agamben passou no Rio em 2005, perguntei a ele sobre a
conferncia que ele fizera no colquio "Lacan avec les Philosophes",
realizado pelo Collge International de Philosophie, em Paris, quando
ele era um dos seus diretores de programa.

Publicado em 1991, pela Albin Michel, o livro, que rene as conferncias
proferidas durante o colquio, traz na apresentao uma nota de rodap
onde se l: "O professor G. Agamben no enviou sua comunicao para a
edio". Perguntei a ele por que no o enviara e ele respondeu que o
texto ainda se encontrava escrito  mo, que ele jamais o tinha
digitado. Disse ento que iria a Veneza para conhecer esse texto. E
assim o fiz.

Em 2007, vindo de Florena, passei dois dias em Veneza e o procurei.
Encontrei-o s margens do Grande Canal, no terrao de um restaurante,
com dois estudantes. Ele estava bronzeado do vero da Itlia (era julho)
e muito bem-humorado. Digo a ele que vim a Veneza conhecer o manuscrito.

Aps o jantar, caminhamos  noite pelos labirintos desertos de Veneza
que Agamben conhece como ningum e combinamos de eu ir almoar em sua
casa no dia seguinte para ver o texto. Cheguei ao seu apartamento, em
Dorsoduro, e encontrei o tradutor alemo de "O Reino e a Glria", que
estava em Veneza para tirar dvidas com o autor sobre a traduo.

Agamben preparava um peixe cuja receita aprendera em sua recente visita
a Lisboa. Durante os preparativos do almoo, tirei algumas fotos dele
cozinhando, sem nenhum protesto de sua parte.

Ele me mostra o manuscrito, diz que tem coisas muito boas e promete
enviar uma cpia para mim pelo correio to logo eu voltasse ao Brasil.
Nunca o fez, o que me obrigou a retornar a Veneza no inverno de 2009,
por um perodo de trs semanas, para ter encontros quase dirios com
ele, em que conferamos a digitao do texto que eu fazia durante o dia.
Concludo o trabalho, ele ficou de me enviar a verso final do texto
para ser publicada no Brasil. Mais uma vez, no o fez.

Em 2011, em Perugia, participando de um Simpsio Internacional de
Fenomenologia, ligo para ele, que estava numa casa de campo de uma amiga
nas proximidades de Roma. Sem que eu pergunte nada, ele me diz: "sabia
que peguei o ensaio sobre Lacan para trabalhar outro dia?" Contentei-me
em dizer um "Da vero?" em resposta.

O destino do texto ainda parece uma incgnita. Tenho comigo uma
fotocpia do original manuscrito que folheio s vezes. Mas, para mim,
tudo parece se justificar pelas fotos tiradas durante o almoo no
terrao de seu apartamento em Veneza. Uma delas viria a figurar, anos
depois, na capa da traduo brasileira, feita por mim, de "O Homem Sem
Contedo" (Autntica).

(Coincidentemente, h alguns dias, depois de j ter escrito este texto,
recebi um e-mail de Agamben dizendo que me enviar a verso final do
ensaio em poucos dias. Ser?)
http://www.sul21.com.br/blogs/pqpbach/
xxxx    *



Imaginao


PROSA, POESIA E TRADUO

O texto abaixo contm um Erramos, clique aqui para conferir a correo
na verso eletrnica da Folha de S.Paulo.

O velho Maracan em 20 frases

1. ACREDITAR NO MARACAN  ACREDITAR NO BRASIL. Mario Filho , jornalista

2. CUMPRI MINHA PROMESSA CONSTRUINDO ESTE ESTDIO. AGORA, FAAM O SEU
DEVER GANHANDO A COPA DO MUNDO. Mendes de Moraes , prefeito do Rio

3. NO HOUVE APLAUSOS, TAMPOUCO VAIAS. O MARACAN SIMPLESMENTE EMUDECEU.
Zizinho , craque da seleo de 1950

4. O MAIS ESPETACULAR SILNCIO DA HISTRIA DO FUTEBOL. Eduardo Galeano ,
escritor uruguaio

5. DUZENTAS MIL DECEPES ESCOARAM EM SILNCIO PELAS RAMPAS,
AMALDIOANDO O VICE, TRISTE CONSOLO DOS VENCIDOS. Villas-Boas Corra ,
jornalista

6. NO MARACAN, ESSE MONSTRO DE AREIA, FERRO, PEDRA E CIMENTO, EST A
ALMA DO FUTEBOL. Oduvaldo Cozzi , loucutor

7. DEIXE DE ACREDITAR EM DEUS NO DIA EM QUE VI O BRASIL PERDEU A COPA DO
MUNDO NO MARACAN. Carlos Heitor Cony , escritor

8. O MAIOR ESTDIO DO MUNDO TEM HOJE O SEU NOME. PENA  QUE NO O TENHAM
ENTERRADO L. COM O MARACAN POR TMULO, MARIO FILHO MERECERIA QUE O
VELASSEM MULTIDES IMORTAIS Nelson Rodrigues , escritor

9. SE EU FOSSE COISA NA VIDA MANDAVA COLOCAR UMA PLACA EM QUALQUER LUGAR
DO ESTDIO PARA QUE O GOL DE DIDI, O PRIMEIRO NA HISTRIA DO MARACAN,
SE TRANSFORMASSE NUM FATO TO ETERNO QUANTO OS SCULOS. Nelson Rodrigues

10. DAQUI H 200 ANOS, A CIDADE DIR, MORDIDA DE NOSTALGIA: "AQUELE
FLA-FLU!". AH, QUEM NO ESTEVE ONTEM NO ESTDIO MARIO FILHO NO VIVEU!
Nelson Rodrigues

11. TODO MUNDO ENTENDE DE FUTEBOL. A NICA QUE NO ENTENDIA ERA A
GR-FINA DAS NARINAS DE CADVER. UM DIA, ELA ENTROU NO ESTDIO MARIO
FILHO E PERGUNTOU: 'QUEM  A BOLA?' Nelson Rodrigues

12. MARACAN  MARACAN. UMA VITRIA ALI VALE POR DUAS EM QUALQUER OUTRO
ESTDIO DO MUNDO. Pel

13. FICA! FICA! FICA! Torcida brasileira , em 18 de julho de 1971, dia
da despedida de Pel

14. MY GOD! Frank Sinatra , ao pisar o palco do Maracan diante de 175
mil pessoas

15. ESTE  O MAIOR MOMENTO DE MINHA VIDA COMO CANTOR PROFISSIONAL. Frank
Sinatra , no show de 1980

16. E PORQUE S UMA PARTE DA MINHA MEMRIA/SEGUIREI CANTANDO, COMIGO, A
MELODIA DE TEU DOCE NOME:/MARACAN, MARACAN Armando Nogueira ,
jornalista

17. SEU NOME  A CARA DO BRASIL/ QUE UM PASSARINHO ANUNCIOU Paulo Csar
Pinheiro , letrista

18. QUANDO AS PIRMIDES DO EGITO FOREM ESQUECIDAS E O COLISEU NO PASSAR
DE UM MONTCULO DE P, AINDA SE FALAR DO MARACAN. Aldir Blanc ,
compositor

19. O MARACAN  O SANTURIO DE BOM JESUS DE MATOSINHOS, ONDE JEREMIAS E
DANIEL BAILAM NO AR COMO ZIZINHO E DIDI BAILARAM NAS QUATRO LINHAS.  O
TERREIRO DO OP AFONJ, ONDE XANG DANOU PELO CORPO DE ME ANINHA COMO
ADEMIR, FEITO RAIO, RASGOU O CAMPO EM DIREO AO GOL. Luiz Antonio Simas
, historiador

20. O MARACAN DEVE SER IMPLODIDO. Joo Havelange , ex-presidente da
Fifa
