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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - New York Times - No Congo, o
fardo de ser mulher - 09/07/2012 ***
Transcrita em 15/7/2012






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No Congo, o fardo de ser mulher




 Boryana Dzhambazova/The International Herald Tribune    
[Cesarine Maninga carrega um fardo pesado pelo qual ganha US$1 ou US$2 por dia.] 
Cesarine Maninga carrega um fardo pesado pelo qual ganha US$1 ou US$2
por dia.



Por BORYANA DZHAMBAZOVA e PAULIN BASHENGEZI

BUKAVU, Repblica Democrtica do Congo - s 6h da manh Cesarine
Maninga, 43, amarra um fardo de 50 kg de carvo s suas costas e parte a
p para Bukavu, capital da provncia de Kivu do Sul, no leste do Congo.

Maninga  uma das centenas de mulheres que fazem esse trabalho todos os
dias, carregando cargas de at 100 kg por distncias curtas. Nessa
manh, ela espera vender a "makala" -o carvo seco usado na cozinha e
para aquecimento. Ela vai caminhar quase 10 km com sua carga.  uma
distncia que ela cobre pelo menos duas vezes por semana.

"No tenho escolha", ela fala em tom de resignao amarga. "Preciso
alimentar minha famlia" -11 filhos e um marido desempregado.

Mulheres como ela so vistas comumente em Bukavu. As carregadoras so
"animais de trao" humanos.

Vrias pesquisas internacionais j classificaram a Repblica Democrtica
do Congo como o pior lugar do mundo para mulheres. De acordo com um
estudo publicado no ano passado pelo "American Journal of Public
Health", 48 congolesas so violentadas por hora. Vrios grupos rebeldes
e milcias vm h anos usando o estupro como arma para destruir
comunidades.

Durante anos de guerra em toda a parte oriental do Congo, as mulheres
passaram a carregar um fardo adicional: literalmente, a carregar cargas
pesadas nas costas. Cavalos, burros e caminhes custam caro demais,
dizem os congoleses. As estradas, quando existem, so quase
intransitveis, exceto a p.

Na cidade, as carregadoras transportam pesos entre o porto  margem do
lago e o mercado, alm de fazerem entregas para consumidores em situao
financeira melhor. Carregam mandioca, bananas, cana de acar, farinha,
carvo, areia e lenha.

Cada mulher carrega centenas de quilos por semana. No h pausas para
comer ou para descanso -apenas mais quilmetros a percorrer para receber
US$ 1 ou US$ 2 por dia, valor que mal  o suficiente para comprar um
pouco de farinha ou arroz.

Nesta regio, onde a guerra nos anos 1990 dizimou o que existia em
matria de indstria ou agricultura, os alimentos so trazidos de outros
lugares e,por essa razo, so relativamente caros.

Foram os anos de guerra, quando os homens foram mortos ou ento voltaram
para casa e no encontraram trabalho, que deram ao Congo oriental suas
multides de mulheres carregadoras.

Entre 4 milhes e 5 milhes de pessoas morreram na violncia ou de
doenas e fome, e muitos homens estavam longe de casa, combatendo.

Embora o ndice de alfabetizao aqui chegue a 67% da populao adulta,
segundo a Unesco, muitas meninas no frequentam a escola, porque seus
pais tm dificuldades em pagar as mensalidades. As mulheres esto mal
representadas nas instituies polticas.

Essa situao vem mudando, mas, para ativistas dos direitos das
mulheres, as mudanas so lentas demais.

"Infelizmente, isso virou moda na RDC", comentou Solange Lwashiga,
secretria de uma ONG local, o Caucus de Mulheres Congolesas de Kivu do
Sul pela Paz. "As mulheres tomaram o lugar de mquinas. Tomaram o lugar
de veculos."

Esperance Lubondo  dona de embarcaes que transportam mercadorias para
o porto de Bukavu. Ela se cansou de ver mulheres disputando espao para
descarregar seus barcos. "Esse trabalho desumaniza a pessoa", disse.
Lubondo criou a Associao de Carregadoras, cujo objetivo  melhorar as
condies das mulheres.

Financiado por doadores e contribuies minsculas de suas scias, o
grupo oferece a congolesas microcrdito no valor de US$ 50 ou US$ 100
para que possam deixar o trabalho de carregadoras e tentar encontrar
outras maneiras de ganhar a vida. "H mulheres de esprito empreendedor
na RDC", disse Lwashiga. "Se voc der US$ 10 a uma congolesa, dentro de
um ms haver US$ 30."

Stella Yanda, diretora da ONG Initiatives Alpha, disse que isso tambm
pode ajudar a acabar com o que ela considera ser uma discriminao
dupla.

"Os homens recebem mais que as mulheres para carregar os mesmos volumes
de mercadorias", disse ela -eles recebem mil francos congoleses, ou
cerca de US$ 1, enquanto as mulheres mal conseguem ganhar 500 francos
congoleses. Yanda e Lwashiga tambm defendem a criao de uma lei que
limite em 50 kg o peso permitido das cargas.

No  fcil conseguir trabalho como carregadora. Numa das maiores feiras
de Bukau, a de Beach Muhanzi, as carregadoras esperam horas. "Carregamos
areia dos barcos para a feira", contou Jeanette Cibalonza. "Carregamos
fardos de 50 quilos de areia" por dia. Outra mulher contou que 
carregadora h 32 anos e que ganha o suficiente para um prato dirio de
farinha de milho.

O fato de carregar fardos pesados inevitavelmente afeta a sade das
mulheres, desde dor muscular e cimbras at dores fortes nas costas e
pescoo e danos ao crebro causados pelas cordas amarradas  testa para
dividir o peso.

Cesarine Maninga volta para casa exausta. Ela se queixa de dores
constantes na cabea e nas costas; certa vez, quebrou o brao carregando
um fardo.

"s vezes carrego um fardo sem ter comido nada. Quando tiro o fardo das
costas, fico tonta. Mas estou acostumada. No posso parar." Lwashiga
concorda. "No vejo esse trabalho deixando de existir, a no ser que
tenhamos mais mulheres na poltica", disse. Prximo Texto | ndice |
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No Congo, o fardo de ser mulher




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Cesarine Maninga carrega um fardo pesado pelo qual ganha US$1 ou US$2
por dia.



Por BORYANA DZHAMBAZOVA e PAULIN BASHENGEZI

BUKAVU, Repblica Democrtica do Congo - s 6h da manh Cesarine
Maninga, 43, amarra um fardo de 50 kg de carvo s suas costas e parte a
p para Bukavu, capital da provncia de Kivu do Sul, no leste do Congo.

Maninga  uma das centenas de mulheres que fazem esse trabalho todos os
dias, carregando cargas de at 100 kg por distncias curtas. Nessa
manh, ela espera vender a "makala" -o carvo seco usado na cozinha e
para aquecimento. Ela vai caminhar quase 10 km com sua carga.  uma
distncia que ela cobre pelo menos duas vezes por semana.

"No tenho escolha", ela fala em tom de resignao amarga. "Preciso
alimentar minha famlia" -11 filhos e um marido desempregado.

Mulheres como ela so vistas comumente em Bukavu. As carregadoras so
"animais de trao" humanos.

Vrias pesquisas internacionais j classificaram a Repblica Democrtica
do Congo como o pior lugar do mundo para mulheres. De acordo com um
estudo publicado no ano passado pelo "American Journal of Public
Health", 48 congolesas so violentadas por hora. Vrios grupos rebeldes
e milcias vm h anos usando o estupro como arma para destruir
comunidades.

Durante anos de guerra em toda a parte oriental do Congo, as mulheres
passaram a carregar um fardo adicional: literalmente, a carregar cargas
pesadas nas costas. Cavalos, burros e caminhes custam caro demais,
dizem os congoleses. As estradas, quando existem, so quase
intransitveis, exceto a p.

Na cidade, as carregadoras transportam pesos entre o porto  margem do
lago e o mercado, alm de fazerem entregas para consumidores em situao
financeira melhor. Carregam mandioca, bananas, cana de acar, farinha,
carvo, areia e lenha.

Cada mulher carrega centenas de quilos por semana. No h pausas para
comer ou para descanso -apenas mais quilmetros a percorrer para receber
US$ 1 ou US$ 2 por dia, valor que mal  o suficiente para comprar um
pouco de farinha ou arroz.

Nesta regio, onde a guerra nos anos 1990 dizimou o que existia em
matria de indstria ou agricultura, os alimentos so trazidos de outros
lugares e,por essa razo, so relativamente caros.

Foram os anos de guerra, quando os homens foram mortos ou ento voltaram
para casa e no encontraram trabalho, que deram ao Congo oriental suas
multides de mulheres carregadoras.

Entre 4 milhes e 5 milhes de pessoas morreram na violncia ou de
doenas e fome, e muitos homens estavam longe de casa, combatendo.

Embora o ndice de alfabetizao aqui chegue a 67% da populao adulta,
segundo a Unesco, muitas meninas no frequentam a escola, porque seus
pais tm dificuldades em pagar as mensalidades. As mulheres esto mal
representadas nas instituies polticas.

Essa situao vem mudando, mas, para ativistas dos direitos das
mulheres, as mudanas so lentas demais.

"Infelizmente, isso virou moda na RDC", comentou Solange Lwashiga,
secretria de uma ONG local, o Caucus de Mulheres Congolesas de Kivu do
Sul pela Paz. "As mulheres tomaram o lugar de mquinas. Tomaram o lugar
de veculos."

Esperance Lubondo  dona de embarcaes que transportam mercadorias para
o porto de Bukavu. Ela se cansou de ver mulheres disputando espao para
descarregar seus barcos. "Esse trabalho desumaniza a pessoa", disse.
Lubondo criou a Associao de Carregadoras, cujo objetivo  melhorar as
condies das mulheres.

Financiado por doadores e contribuies minsculas de suas scias, o
grupo oferece a congolesas microcrdito no valor de US$ 50 ou US$ 100
para que possam deixar o trabalho de carregadoras e tentar encontrar
outras maneiras de ganhar a vida. "H mulheres de esprito empreendedor
na RDC", disse Lwashiga. "Se voc der US$ 10 a uma congolesa, dentro de
um ms haver US$ 30."

Stella Yanda, diretora da ONG Initiatives Alpha, disse que isso tambm
pode ajudar a acabar com o que ela considera ser uma discriminao
dupla.

"Os homens recebem mais que as mulheres para carregar os mesmos volumes
de mercadorias", disse ela -eles recebem mil francos congoleses, ou
cerca de US$ 1, enquanto as mulheres mal conseguem ganhar 500 francos
congoleses. Yanda e Lwashiga tambm defendem a criao de uma lei que
limite em 50 kg o peso permitido das cargas.

No  fcil conseguir trabalho como carregadora. Numa das maiores feiras
de Bukau, a de Beach Muhanzi, as carregadoras esperam horas. "Carregamos
areia dos barcos para a feira", contou Jeanette Cibalonza. "Carregamos
fardos de 50 quilos de areia" por dia. Outra mulher contou que 
carregadora h 32 anos e que ganha o suficiente para um prato dirio de
farinha de milho.

O fato de carregar fardos pesados inevitavelmente afeta a sade das
mulheres, desde dor muscular e cimbras at dores fortes nas costas e
pescoo e danos ao crebro causados pelas cordas amarradas  testa para
dividir o peso.

Cesarine Maninga volta para casa exausta. Ela se queixa de dores
constantes na cabea e nas costas; certa vez, quebrou o brao carregando
um fardo.

"s vezes carrego um fardo sem ter comido nada. Quando tiro o fardo das
costas, fico tonta. Mas estou acostumada. No posso parar." Lwashiga
concorda. "No vejo esse trabalho deixando de existir, a no ser que
tenhamos mais mulheres na poltica", disse. Prximo Texto | ndice |
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solteira no Ir - 09/07/2012 ***
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Mulher e solteira no Ir

Mulheres solteiras comeam a ser mais aceitas no Ir

Por THOMAS ERDBRINK

Teer

Shoukoufeh  estudante de literatura inglesa vinda de uma cidade do
interior do Ir. Quando ela decidiu alugar um apartamento para viver na
capital, passou primeiro numa joalheria e comprou uma aliana de
casamento por US$ 5.

Acostumada a conviver com mentiras para conseguir driblar a etiqueta da
sociedade iraniana, onde tradicionalmente se espera que as mulheres
vivam com seus pais ou com seu marido, a estudante de 24 anos fazia
questo de mostrar a aliana falsa a corretores imobilirios e locadores
que, de outro modo, relutariam em alugar um apartamento a uma mulher
solteira.

"Para eles e para meus vizinhos, minha colega de apartamento e eu somos
duas mulheres casadas que se afastaram temporariamente dos maridos em
funo dos estudos", explicou ela. "Na realidade, somos solteiras."

No existem estatsticas oficiais sobre o nmero de mulheres que vivem
sozinhas nas grandes cidades do Ir. Mas professores universitrios,
corretores imobilirios, famlias e muitas jovens dizem que um fenmeno
que h dez anos era muito raro hoje est se tornando comum, impulsionado
pelo fluxo contnuo de mulheres que ingressam nas universidades e pelo
aumento no ndice de divrcios.

A mudana deixou clrigos e polticos esforando-se para lidar com uma
gerao de jovens que criam vidas independentes, longe do controle de
pais ou maridos, numa sociedade dominada por tradies. Na nsia de
impedir que a tendncia se alastre, o governo lanou uma campanha para
promover casamentos rpidos e a baixo custo -mas, segundo especialistas,
a campanha teve efeito contrrio ao desejado, na medida em que aviltou
uma instituio profundamente enraizada na cultura milenar iraniana.

Com isso, as jovens so obrigadas a desenvolver estratgias para cuidar
delas mesmas numa sociedade em que muitas das normas sociais so
baseadas numa desconfiana profunda da sexualidade feminina. Shoukoufeh,
que no quis dar seu nome completo por medo de perder seu contrato de
aluguel, disse que, quando ela anda pelo corredor do prdio, olhos
curiosos a espreitam pelos vos das portas. Mas ela afirma que deriva
sua fora de seus pais, que apoiaram sua deciso.

"Eles sabem que eu quero ser independente", disse ela em tom decidido.
"Compreendem que os tempos mudaram."

No passado no to distante, as mulheres solteiras eram fortemente
estigmatizadas, suspeitas de imoralidade ou tachadas de solteironas que
no estavam cumprindo seu papel na vida.

Tudo isso vem mudando nas grandes cidades, porm, devido ao nmero
grande de solteiras, mas tambm graas  presena da televiso via
satlite, das mdias sociais e do baixo custo das viagens para fora do
pas. So fatores que, para muitos iranianos, ajudam a mudar as
atitudes.

Nos ltimos dez anos, o nmero de estudantes matriculados em
universidades vem subindo muito e hoje as mulheres respondem por quase
60% do total.

No mesmo perodo, o ndice de divrcios subiu 135%, obrigando a
sociedade a comear a aceitar mais a presena de mulheres solteiras.
"Muitos de minhas amigas esto vivendo sozinhas, especialmente as que
vieram de cidades pequenas para estudar em Teer", comentou Shoukoufeh.

Para ela, a vida na cidade grande, com suas oportunidades e suas
liberdades, criou novas ambies. "Quando minha me era jovem, casar-se
e ter filhos era o nico sucesso que a mulher podia ter", comentou
Shoukoufeh, que pretende deixar o pas para seguir adiante com seus
estudos. "Hoje, pelo menos para mim, isso  o menos importante."

Para as autoridades, que promovem a maternidade como virtude sagrada mas
tambm enxergam o ensino superior como ambio nacional, o casamento  a
nica soluo possvel para o nmero cada vez maior de solteiras. "Os
jovens no casados esto nus. O casamento  como uma roupa divina",
disse no ms passado o aiatol Kazem Saddighi.

As cerimnias de casamento tradicionais so caras e complicadas no Ir,
o que dificulta as coisas para muitos solteiros que querem se casar.

Para tentar barrar a tendncia, o governo lanou campanha para promover
casamentos rpidos e baratos. Mas o efeito foi o contrrio do desejado.
"Ao invs de tornar o casamento mais atraente, o converteram em fast
food", afirmou Mohammad Amin Ghaneirad, chefe da Associao Sociolgica
Iraniana. "Os casamentos so dissolvidos to facilmente quanto so
celebrados."

No passado, as mulheres divorciadas eram condenadas a vidas de solido,
escondidas na casa de seus pais, onde a sociedade previa que ficassem.
Mas o aumento muito grande nos divrcios, alm dos salrios mais altos
que acompanham um diploma universitrio, esto permitindo que muitas
mulheres redefinam o sucesso.

"Para minha surpresa, meus pais tambm queriam que eu vivesse sozinha",
disse Nazanin, 35. Como gerente de uma empresa de cosmticos, sua renda
lhe permitiu alugar um apartamento, aps deixar seu marido dependente de
drogas. "Creio profundamente em Deus", disse ela. "Ele quis isto para
mim. Minha vida como solteira  to melhor."

Nazanin, que no quis que seu sobrenome fosse citado, contou que todo o
mundo em seu trabalho  divorciado. "A sociedade no tem outra opo
seno nos aceitar", ponderou. "Espero que o Estado faa o mesmo."

Somaye Malekian colaborou com reportagem

FATOR FEMININO Artigos desta srie expoem recentes mudanas de poder,
proeminncia e impacto das mulheres em vrias sociedades ao redor do
mundo e tentam mostrar a influncia crucial das mulheres no incio deste
sculo 21

Para ver outros artigos da srie: nytimes.com Busque, em ingls, por
"female" e "factor" Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar
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Lente

Novas formas de mudar o mundo

Para sorte do mundo, existem autnticos gnios buscando a paz global, a
cura do cncer e a energia limpa ilimitada. Mas pessoas comuns tambm
podem mudar o mundo: pergunte  multido que, brandindo seus celulares,
revirou o mundo rabe de ponta-cabea.

A boa notcia  que alguns mtodos para consertar o mundo no incluem
levar cacetadas da polcia na cabea. Em alguns casos, nem  preciso
abandonar o conforto da sua cadeira.

Jane McGonigal acredita que jogadores compulsivos possam ser uma fora
para a transformao e a soluo de problemas reais. Numa palestra em
2010 para o site TED, ela estimou que os seres humanos passem 3 bilhes
de horas por semana jogando na internet, celulares ou videogames. "Se
quisermos resolver problemas como fome, pobreza, mudana climtica,
conflito global e obesidade", argumentou ela, esse nmero deveria
crescer para 21 bilhes.

"O que os jogos fazem com sucesso  ajudar voc a aproveitar certos
traos dos jogadores, como otimismo, perseverana e aprender com o
fracasso, que so realmente teis de ter ao lidar com um desafio
difcil", afirmou ela ao "Times".

No ano passado, o trabalho coletivo dos jogadores resolveu em 15 dias um
problema que intrigou os cientistas por 15 anos. Num site chamado
Foldit, os participantes mapearam uma enzima relacionada ao HIV,
seguindo um processo anlogo a um jogo, desenvolvido pelo cientista da
computao Zoran Popovic.

No jogadores podem optar por aplicar dinheiro nos seus ideais. O
"Times" noticiou a criao de ttulos financeiros de impacto social. Em
Peterborough, na Inglaterra, um grupo chamado Social Finance obteve
cerca de US$ 8 milhes de investidores para combater a reincidncia
entre prisioneiros libertados. Se em dois anos as taxas de reincidncia
carem, o governo britnico ressarcir o valor aos investidores, com
juros (quanto menor for a taxa de reincidncia, maior o lucro dos
investidores).

Outros pases, incluindo EUA, Austrlia, Canad e Israel, tambm esto
explorando esse tipo de papel.

Se ficar na poltrona jogando ou assinar cheques ainda for atividade
fsica demais, sempre haver os bons pensamentos. James Atlas escreveu
no "Times" que um retiro budista do qual ele participou em Vermont
tratava do tema de como os nossos pensamentos podem criar muitos dos
maiores problemas da humanidade. "O que est afetando o mundo  o estado
no saudvel da mente", destacou um professor, citando uma ladainha de
graves problemas decorrentes das atitudes humanas: "Violncia, horror,
preconceito, catstrofe ecolgica, toda a gama de dores humanas". Quanto
mais mentes forem acalmadas pela meditao, argumentam os budistas, mais
pacfico ficar o planeta.

Outros guerreiros espirituais preferem bater perna por a. A freira
franciscana Nora Nash, da Filadlfia, lidera suas colegas e questiona as
prticas morais de empresas como Goldman Sachs, McDonald's e Wells
Fargo, informou o "Times". Usando suas penses e aposentadorias, elas
compram aes em volume suficiente para apresentar resolues em
assembleias de acionistas. Elas tambm pressionam para se reunir com
executivos e, se necessrio, recorrem ao tradicional escracho pblico.

"No estamos aqui para derrubar as corporaes", disse a irm Nora ao
"Times". "Estamos aqui para melhorar seu senso de responsabilidade." E
talvez, discretamente, mudar o mundo.

KEVIN DELANEY

Envie comentrios para nytweekly@nytimes.com Texto Anterior | Prximo
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Inteligncia/Leta Hong Fincher

As excludas do boom imobilirio

Xangai

Wendy  gerente de vendas em Xangai e at o ano passado controlava o seu
destino. Wendy, cujo nome foi trocado para preservar sua identidade,
poupou dezenas de milhares de yuans desde que se formou, e estava
prestes a realizar o sonho da casa prpria ao dar entrada num
apartamento na cidade.

Mas a seus pais a convenceram de que seria melhor ela ajudar um primo
homem a comprar um imvel.

"Meu 'biao ge' [primo mais velho] j tem 34 anos e no consegue arrumar
esposa", disse Wendy, 28, que  filha nica. "Meus pais acharam que, se
o ajudssemos a comprar uma casa, ele poderia conseguir se casar."

Apesar da abertura econmica chinesa das ltimas dcadas, a maioria das
mulheres ainda tem pouco poder econmico.

A discriminao de gnero impede a ascenso delas a altos cargos de
gesto, provoca um forte aumento da disparidade de renda entre homens e
mulheres e as priva de acumular patrimnios imobilirios, num momento em
que o governo tenta desinflar uma bolha nesse setor.

A disparidade de riquezas entre homens e mulheres  mais do que uma
questo de tratamento justo. Se no for enfrentada, ela pode atrapalhar
uma economia que j est se desacelerando. O potencial econmico pleno
das mulheres precisa ser transformado em realidade, especialmente porque
a populao da China est envelhecendo e sua fora de trabalho vai
encolher.

A histria de Wendy contradiz o argumento de que a draconiana poltica
chinesa do filho nico foi uma ddiva para as filhas urbanas. A ideia 
que essas jovens so as mais qualificadas da histria chinesa e que
parte da razo para o seu sucesso educacional  que elas no precisaram
competir com seus irmos pelos investimentos dos pais.

A teoria pode ser correta no que diz respeito  educao, o que pode ser
atribudo ao princpio maosta da igualdade entre os gneros. Mas,
quando se trata das grandes quantias envolvidas na compra de um imvel
residencial, as jovens urbanas ainda precisam competir com outros homens
na famlia estendida.

Se os pais tm um filho e uma filha, eles geralmente compram uma casa s
para o filho. Mas ainda mais perturbador  o fato de que alguns pais se
negam a ajudar sua filha nica a dar entrada num imvel, especificamente
por ela ser mulher.

Em vez disso, os pais dessas moas empregam valores substanciais -com
frequncia mais de 100 mil yuans, ou dezenas de milhares de dlares-
para comprar uma casa para outro parente homem.

 o caso de Linda (tambm um nome fictcio), 27, que trabalha com
tecnologia da informao em Xangai. Seus pais ajudaram um primo homem a
comprar um imvel  vista, mas no quiseram fazer nem sequer uma pequena
contribuio para que ela desse entrada numa casa prpria.

Se Linda se sente injustiada? Ela diz que no, j que desde pequena se
acostumou  ideia de que  essencial que os homens da sua famlia
estendida tenham uma casa.

"Meus pais no tm obrigao de me ajudar a comprar uma casa, mas meu
'biao ge' no tem onde morar", disse Linda.

Essas histrias ilustram apenas uma das formas pelas quais as mulheres
da China so excludas do que  provavelmente o maior acmulo de
patrimnio imobilirio na histria, somando mais de US$ 17 trilhes em
2010, segundo o banco HSBC.

Mesmo com regras rgidas para a compra de imveis, a China ainda tem o
maior mercado imobilirio residencial do mundo e o nmero de pessoas com
casa prpria recentemente chegou a 90%, segundo o Banco Central chins
(embora nas grandes cidades a cifra seja menor).

Os imveis so a maior fonte de riqueza em cidades como Xangai, segundo
dados recentes da "Hurun Report" e da Gao Fu Wealth Management. A nica
maneira de moradores "comuns" comprarem imveis  reunindo economias e,
numa sociedade profundamente patriarcal, isso significa que o patrimnio
imobilirio acaba concentrado entre os homens.

A mais recente pesquisa governamental sobre as mulheres mostra que quase
dois teros dos homens possuem imveis sozinhos ou em sociedade, contra
apenas cerca de um tero das mulheres. Mas esses nmeros no mostram at
que pontos os imveis so propriedade exclusiva dos homens. Muitos dos
imveis residenciais de propriedade masculina foram fortemente
financiados por economias arduamente acumuladas pelas mulheres.

 claro que algumas chinesas so capazes de resistir s poderosas foras
sociais que as compelem a ceder o seu patrimnio mais precioso -a
propriedade imobiliria- aos homens. Toro para que mais pais percebam a
importncia de ajudar suas filhas a comprarem uma casa.

Mas, por enquanto, histrias como a de Wendy so muito comuns. Wendy
est ansiosa por se casar, pois teme virar uma "sheng n" -
"encalhada"-, embora no tenha nem chegado aos 30 anos. Ela rejeitou uma
lucrativa promoo porque seu noivo quer que ela passe mais tempo com
ele e o casal agora procura um imvel para comprar. Ela vai ajudar a dar
a entrada e pagar as prestaes, embora seu noivo at agora no tenha
aceitado incluir o nome dela no contrato.

Enquanto isso, o primo de Wendy continua sem noiva. Mas, graas ao
dinheiro que ela e seus pais lhe deram, ele agora  o proprietrio de
uma casa nova.

Leta Hong Fincher Fincher  doutoranda em sociologia na Universidade
Tsinghua, em Pequim, onde estuda a desigualdade entre os gneros. Envie
comentrios para intelligence@nytimes.com Texto Anterior | Prximo Texto
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Indianas lutam por mais banheiros

Por JIM YARDLEY

MUMBAI, ndia - Homens e mulheres nesta metrpole com cerca de 20
milhes de habitantes, a maior cidade da ndia, parecem unidos por ao
menos uma misria em comum: gente demais dividindo banheiros de menos.

Mas h uma diferena -ao contrrio dos homens, as mulheres com
frequncia precisam pagar para urinar. Por isso, h meses ativistas como
Minu Gandhi mobilizam a cidade argumentando que essa disparidade  uma
forma de discriminao e pedindo s mulheres que lutem por um direito
que a maioria nunca pensou que existisse: o direito ao xixi.

"Sentimos que esse  um direito civil bsico, um direito humano", disse
Gandhi.

Dados recentes do censo mostram que mais de metade dos lares indianos
no tem banheiro, ndice que na verdade piorou na ltima dcada, por
causa da expanso das favelas e de outras formas precrias de moradia
urbana, apesar do crescimento econmico da ndia.

Nas aldeias, homens e mulheres costumam urinar ao ar livre, nos campos.
Mas elas s vezes enfrentam insultos e at violncia sexual. Muitas
camponesas urinam em pequenos grupos, antes do alvorecer, para se
protegerem do assdio.

Em Mumbai (ex-Bombaim), milhes de pessoas dependem de sanitrios
pblicos, geralmente escuros e sujos. A prefeitura oferece 5.993
banheiros pblicos masculinos e apenas 3.536 femininos. Os homens tm 
disposio ainda 2.466 mictrios. Em Nova Dli, um estudo de 2009
apontou um desequilbrio ainda maior, com 1.534 banheiros pblicos
masculinos e 132 femininos.

Quase sempre, um zelador homem cuida desses banheiros, cobrando
ingresso. A pequena corrupo  disseminada na ndia e os banheiros
pblicos no so exceo: os homens precisam pagar para usar o banheiro,
mas os mictrios so gratuitos (porque esses lugares, geralmente uma
parede com uma vala de drenagem, no precisam de gua). J as mulheres
regularmente tm de pagar para urinar, apesar de regulamentos em
contrrio.

"Mesmo que voc diga que est s urinando, eles dizem: 'Como vamos
saber?'", disse Yagna Parmar, outra ativista envolvida na campanha.

Na favela Shivaji Nagar, pelo menos 350 mil pessoas -ou talvez at o
dobro disso- vivem ao lado de um dos maiores lixes da cidade. O nmero
exato de banheiros pblicos  desconhecido, mas estima-se que no haja
mais do que um para cada 300 pessoas. As mulheres precisam adaptar seu
cotidiano a isso e muitas vo ao banheiro bem cedo para evitar filas e
olhares indiscretos. Elas evitam beber muita gua. E andam com trocados.

Um miniescndalo pipocou em Nova Dli no ms passado por causa dos cerca
de US$ 54 mil gastos pela Comisso de Planejamento da ndia para
reformas em seus banheiros.

A campanha comeou no ano passado, numa reunio de ativistas de todo o
Estado de Maharashtra, onde fica Mumbai. "Inicialmente, isso foi
considerado um pouco frvolo", disse Mumtaz Sheikh, uma das
organizadoras. "Mas dissemos s pessoas: 'No, essa  uma questo
importante e queremos trabalhar nela'."

As mulheres constituem atualmente quase metade da fora de trabalho da
cidade, mas muitas delas labutam em locais sem acesso a um banheiro. As
ativistas j reuniram mais de 50 mil adeses em um abaixo-assinado para
que o governo local pare de cobrar das usurias que vo urinar, construa
mais banheiros, mantenha-os limpos, oferea papel e lata de lixo e
contrate zeladoras mulheres.

A mdica e pesquisadora Kamaxi Bhati vinculou a situao dos banheiros
em Mumbai diretamente aos problemas de sade femininos, especialmente 
alta incidncia de infeces de bexiga e do trato urinrio. Bhati disse
que beber gua  vital para evitar tais infeces, mas que muitas
mulheres tentam reduzir seu consumo para limitar as idas ao banheiro.
No beber gua suficiente  ainda mais perigoso em Mumbai, onde as
temperaturas podem chegar a cerca de 40C.

" responsabilidade do governo oferecer banheiros", disse ela. "Suponha
que meu filho esteja com diarreia. O que eu fao se no puder pagar?"

As autoridades aceitaram divulgar estatsticas sobre o nmero de
banheiros pblicos na cidade, mas no quiseram comentar o assunto.

A tarifa dos banheiros pode ser considerada simblica, entre 2 e 5
rupias (US$ 0,04 a US$ 0,09). Mas a linha de pobreza  to baixa que o
governo recentemente definiu como pobres urbanos aqueles que vivem com
menos de 29 rupias por dia.

" caro para mim", disse Shubhangi Gamre. Ela mora em Shivaji Nagar e
ganha cerca de US$ 27 por ms trabalhando numa pequena drogaria. "Isso
ameaa nosso dinheiro da comida. Como podemos pagar tudo?"

No ms passado, ativistas se reuniram com autoridades municipais que
lhes apresentaram planos para a construo de centenas de banheiros
pblicos femininos na cidade toda. Alguns legisladores locais agora
prometem construir banheiros para mulheres em cada um dos seus
distritos.

" claro que  uma sensao boa", disse Supriya Sonar, integrante da
campanha, dizendo que o grupo do direito ao xixi est sendo pressionando
para que mulheres sejam contratadas nos projetos propostos. "Nosso
trabalho real comea agora."

Sruthi Gottipati colaborou com reportagem Texto Anterior | Prximo Texto
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shoppings no Iraque - 09/07/2012 ***
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A era dos shoppings no Iraque

Por TIM ARANGO

BAGD - So bons lugares para se escapar do calor do deserto e em uma
cultura islmica conservadora so dos poucos lugares onde os jovens
casais flertam e as mulheres fumam em pblico.

Os shoppings em estilo americano, comuns  maioria dos ricos vizinhos do
Iraque no golfo Prsico, chegaram atrasados  Bagd destruda pela
guerra.

Grandes shoppings esto sendo construdos em toda a capital. O maior
deles incluir um hotel cinco estrelas e um hospital. Em outro, j em
operao, toda semana chega um caminho carregando Big Macs congelados
de um McDonald's na Jordnia.

O boom da construo  geralmente saudado como prova do progresso do
Iraque e seu retorno  estabilidade, mais de nove anos depois da invaso
americana e seis meses aps a partida das ltimas tropas de combate. Mas
economistas e outros especialistas veem um lado ruim. Eles dizem que a
cultura de consumo emergente mascara problemas fundamentais em uma
economia que sufoca o empreendimento produtivo ao contar quase somente
com os lucros do petrleo e os milhes de salrios do governo que esses
lucros financiam como parte do vasto sistema clientelista do pas.

"Basicamente, o Iraque est tentando construir uma sociedade de consumo,
no baseada no capitalismo de Estado como na China, mas no socialismo",
disse Marie-Hlne Bricknell, representante do Banco Mundial no Iraque.

Um dos objetivos de Washington era desenvolver uma economia de livre
mercado aqui. Mas com tanta riqueza do petrleo  mo, os lderes
iraquianos deram poucos passos para desenvolver um setor privado. Mais
de 90% das receitas do governo iraquiano derivam do petrleo, e com a
produo se expandindo rapidamente as receitas anuais do pas podero
triplicar em cinco anos, para mais de US$ 300 bilhes. Uma das grandes
perguntas que o pas enfrenta  o que far com todo esse dinheiro.

Os diplomatas geralmente so pessimistas em acreditar que o dinheiro
ser usado para desenvolver um setor privado ou pagar por um ambicioso
programa de obras pblicas -algo de que o pas, onde 40% da populao
no tm acesso  gua potvel, precisa desesperadamente. Em vez disso,
os especialistas temem que ele v financiar mais corrupo e aumentar a
folha de pagamentos do governo.

O ministro do Planejamento iraquiano diz que quase um tero da mo de
obra trabalha para o governo. So 5 milhes de pessoas e o nmero est
aumentando.

Como os salrios do governo so muito maiores do que os do setor
privado, as empresas independentes operam em desvantagem. O Banco
Mundial classifica o Iraque em 153 entre 183 pases sobre a facilidade
de fazer negcios.

"Construir uma sociedade de consumo em cima de nada  como construir uma
bolha que vai estourar no futuro", disse Bricknell. Com os shopping
centers, "voc basicamente est colocando um verniz sobre um ncleo que
est apodrecendo".

Por enquanto, porm, esse verniz parece muito bom em um lugar que sofreu
tanto.

Lamiya al Rifaee, 40, me e empresria, fazia compras recentemente em um
shopping que tinha um controle de segurana. Ela se queixou de que o
shopping no era to grande ou bonito quanto os que ela havia visitado
em Dubai, Emirados rabes Unidos ou Turquia. Mas para o Iraque, ela
disse,  um bom comeo. Aqui "eu posso ver meus filhos brincando em
segurana e conseguir tudo de que preciso nas lojas", ela disse. E
acrescentou: "As iraquianas realmente tm a doena das compras".

Yasir Ghazi e Omar al Jawoshy colaboraram com reportagem Texto Anterior
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debatem modelo de "vestibular" do pas - 09/07/2012 ***
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Chineses debatem modelo de "vestibular" do pas

Por EDWARD WONG

PEQUIM - Milhes de colegiais em toda a China esto ligando furiosamente
para "linhas 0800" telefnicas ou se reunindo com membros da famlia ao
redor do computador domstico nos ltimos dias, em um ritual no muito
diferente daquele de esperar por um nmero vitorioso na loteria.

O nmero, neste caso,  a nota do que  geralmente considerado o teste
mais importante que qualquer cidado chins pode fazer -o gaokao, o
exame de entrada na faculdade (aos moldes do vestibular brasileiro).

Em um pas onde a educao  muito valorizada, a nota que um estudante
tira define sua vida. A nota determina no apenas se um jovem ir para
uma universidade chinesa, mas tambm para qual -uma escolha crucial para
as perspectivas profissionais.

Mas o debate parece ter se tornado mais acalorado ultimamente sobre o
valor do gaokao. Crticos dizem que o exame promove o tipo de
aprendizado decorado que  endmico na educao chinesa e que
desvaloriza a criatividade. Ele causa um enorme estresse psicolgico nos
estudantes. E o sistema favorece os estudantes das grandes cidades e das
famlias ricas, apesar de ter sido projetado para criar possibilidades
de acesso universitrio para toda a juventude chinesa.

Em junho, um programa na TV criticando o exame por Zhong Shan, um
anfitrio de programa de entrevistas, tornou-se um ponto focal de fria
contra o gaokao e o sistema educacional chins.

Talvez mais chocante tenha sido a histria de Liu Qing, uma estudante
cuja famlia e professores lhe esconderam durante dois meses o fato de
que seu pai tinha morrido. Eles no queriam perturb-la antes do exame.

"Ser que no h uma maneira de podermos evitar que a gerao mais
jovem, o futuro de nossa nao, cresa em uma atmosfera to temvel,
desesperada e cruel?", disse Zhong em seu programa.

Os defensores dizem que o teste  um componente crucial em uma
meritocracia, permitindo que estudantes de regies pobres ou das reas
rurais disputem lugares nas melhores universidades. No importa que um
sistema de cotas baseado na residncia signifique que  muito mais fcil
para os candidatos de cidades como Pequim e Xangai entrarem nas
universidades de l, consideradas as melhores da China.

Uma reportagem da agncia de notcias estatal Xinhua disse que dos 9,15
milhes de estudantes que fizeram o gaokao neste ano, cerca de 75%
seriam admitidos em universidades na China continental. Depois que os
estudantes recebem as notas, eles apresentam s autoridades educacionais
uma lista de universidades, classificadas por ordem de opo.

Muitas universidades reservam alguns lugares para estudantes admitidos
com base em mrito especial, como talento musical, habilidades com
lnguas estrangeiras ou proezas atlticas, como nos EUA. Os estudantes
de minorias tnicas s vezes conseguem uma vantagem.

Tambm houve uma crescente tendncia de os estudantes chineses se
inscreverem em universidades fora do territrio continental. Muitos pais
-incluindo altos lderes do partido- no apenas valorizam um diploma
estrangeiro, como tambm querem que seus filhos evitem o estresse do
gaokao. Gao Haicheng, um estudante de terceiro ano colegial em Kunming,
disse que pretendia se inscrever em universidades no exterior. Embora
evitar o gaokao no seja seu principal objetivo, Gao disse que o exame
" um grande problema no sistema educacional da China".

"Na China, eles s usam notas para explicar alguma coisa", acrescentou
ele.

Todo ano, escndalos de cola tornam-se muito falados na China. Uma
ttica comum  os estudantes darem sua carteira de identidade para
pessoas parecidas que fazem o teste. Em 2008, trs garotas da provncia
de Jiangsu foram apanhadas com minicmeras dentro de seus sutis. Elas
iam transmitir imagens para pessoas fora da sala de aula, que ento lhes
enviariam as respostas. Neste ano, o grande escndalo envolveu
estudantes de Huanggang, na provncia de Hubei. Dezenas deles foram
apanhados usando pequenos monitores, que custam US$ 2.500 e parecem
borrachas, que permitiam aos estudantes receberem mensagens com
respostas do exame.

Zhang Qianfan, um professor de direito na Universidade de Pequim, disse
que apesar do boom na construo de universidades na China, ainda faltam
lugares nas universidades. Neste ano, h 7 milhes de vagas, 2 milhes a
menos que o nmero de alunos que prestam o exame gaokao.

Yang Taoyuan, 18, estudante de Kunming, disse que colocara como sua
principal opo a Universidade de Xangai para Cincia e Tecnologia. Mas
disse que se tivesse se sado melhor poderia ter colocado a Universidade
da Aviao Civil da China em Tianjin.

"Eu fui o melhor aluno da minha classe, por isso estou bastante feliz
com o resultado", disse. "Mas no  o suficiente para me colocar na
faculdade que desejo cursar." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - New York Times - Mercado negro
de rgos humanos cresce na Europa - 09/07/2012 ***
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Mercado negro de rgos humanos cresce na Europa POR DAN BILEFSKY


BELGRADO, Srvia - Pavle Mircov e sua parceira, Daniella, verificam
nervosamente sua caixa de e-mail a cada 15 minutos, desesperados pela
salvao: um comprador disposto a pagar quase US$ 40 mil por um de seus
rins.

O casal, que tem dois filhos adolescentes, colocou seus rgos  venda
em um site de anncios seis meses atrs, depois que Mircov, 50 anos,
perdeu o emprego em uma fbrica de carne aqui. Ele disse que no
conseguiu encontrar trabalho e ficou desesperado.

"Quando voc precisa colocar comida na mesa, vender um rim no parece um
sacrifcio to grande", disse.

Enfrentando a pobreza esmagadora, alguns europeus esto vendendo seus
rins, pulmes, medula ssea ou crneas, informam especialistas. Esse
fenmeno  relativamente novo na Srvia, pas que foi massacrado pela
guerra e luta com a crise financeira que varreu o continente.

A disseminao da venda ilegal de rgos na Europa foi facilitada pela
internet, a escassez global de rgos para transplantes e traficantes
prontos para explorar a misria econmica.

Na Espanha, na Itlia, na Grcia e na Rssia, anncios de pessoas que
vendem rgos -assim como cabelo, esperma e leite materno- aparecem na
internet. Os preos chegam a US$ 250 mil para um pulmo.

No fim de maio, a polcia israelense deteve dez membros de uma rede
criminosa internacional suspeita de trfico de rgos na Europa, segundo
autoridades da Unio Europeia. Os suspeitos visavam pessoas pobres na
Moldvia, no Cazaquisto, na Rssia, na Ucrnia e em Belarus.

"O trfico de rgos  uma indstria em crescimento", disse Jonathan
Ratel, um promotor especial da UE que est conduzindo um caso contra
sete pessoas acusadas de atrair vtimas pobres da Turquia e ex-pases
comunistas para Kosovo, para vender seus rins, com falsas promessas de
pagamentos de at US$ 20 mil. "Grupos do crime organizado esto atacando
os vulnerveis dos dois lados da rede de suprimentos: pessoas muito
pobres e pacientes ricos e desesperados que faro qualquer coisa para
sobreviver."

Os principais pases fornecedores tm sido tradicionalmente a China, a
ndia, o Brasil e as Filipinas. Mas especialistas dizem que os europeus
so cada vez mais vulnerveis.

Estima-se que de 15 mil a 20 mil rins sejam vendidos ilegalmente em todo
o mundo por ano, segundo a Organs Watch, um grupo de direitos humanos em
Berkeley, Califrnia, que acompanha o comrcio ilegal de rgos. A
Organizao Mundial da Sade estima que apenas 10% das necessidades
globais para transplantes de rgos esto sendo supridas.

O comrcio de rgos na Srvia  ilegal e pode ser punido com at dez
anos de priso. Mas isso no desanima a populao de Doljevac, uma
cidade pobre com 19 mil habitantes no sul da Srvia, cujo governo
recusou uma tentativa dos moradores de registrar uma agncia local para
vender seus rgos no exterior.

Violeta Cavac, dona de casa que defende a rede, disse que a taxa de
desemprego em Doljevac  de 50% e que mais de 3 mil pessoas queriam
participar. Segundo ela, privados de um canal legal para vender seus
rgos, os moradores agora tentam vend-los na vizinha Bulgria ou em
Kosovo.

"Eu venderei meu rim, meu fgado ou qualquer coisa para sobreviver",
disse ela.

As autoridades insistem que a Srvia no  to pobre que as pessoas
precisem vender seus rgos e informam que nenhum caso de trfico de
rgos na Srvia foi processado nos ltimos dez anos. Especialistas que
estudam a venda de rgos ilegais disseram que os processos so raros
porque os transplantes ocorrem em terceiros pases, tornando difcil
rastre-los.

A economia em crise da Srvia leva ao desespero Texto Anterior | Prximo
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Monglia cobiam seus minrios - 09/07/2012 ***
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Vizinhos da Monglia cobiam seus minrios

Por DAN LEVIN

TAVAN TOLGOI, Monglia - "Para garimpar aqui, voc s precisa de uma
p", disse com assombro um gestor de investimentos indiano, olhando, na
companhia de dezenas de executivos internacionais, para a imensa mina de
carvo a cu aberto.

A Monglia, um pas de pastores, tem carvo suficiente para abastecer
por 50 anos a demanda chinesa. Alm disso, tem files de cobre, ouro,
urnio e outros minerais cobiados pelo mundo todo.

Os 3 milhes de habitantes da Monglia enfrentam um dilema geopoltico:
sem acesso ao mar, todos os caminhos para a prosperidade passam pelo
territrio dos poderosos dois nicos vizinhos do pas, a China e a
Rssia, que esto dispostos a cobrar caro por isso.

Tal realidade fica clara aqui em Tavan Tolgoi. Seu subsolo abriga o
maior depsito inexplorado de carvo do mundo, a apenas 225 km da
fronteira com a China.

Temendo que Pequim obtenha uma influncia poltica indevida, o governo
mongol h anos faz uma dana diplomtica para decidir quem ir
desenvolver uma parcela desse depsito estimada em 816 milhes de
toneladas, no qual grande parte  de carvo coque, essencial na
indstria siderrgica. Os dois principais candidatos so a estatal
chinesa Shenhua Energy e a americana Peabody Energy, que possui filial
em Brisbane, na Austrlia. Um consrcio russo-mongol e empresas do Japo
e da Coria do Sul tambm demonstraram interesse.

Washington, importante doador e aliado diplomtico, faz lobby pela
Peabody, e observadores dizem que o futuro das relaes entre EUA e
Monglia depende em grande parte desse contrato. A China tambm est
intensificando a presso diplomtica. Mas disputas internas na
democracia mongol perturbam a definio de um acordo sobre Tavan Tolgoi.

"Somos um pas pequeno ensanduichado entre dois elefantes", disse
Puntsag Tsagaan, assessor presidencial para assuntos de minerao. "No
podemos ir  guerra e lutar, ento temos de assegurar nosso crescimento
econmico pela diplomacia."

Mas os nacionalistas mongis esto cada vez mais poderosos e inflamados.
E eles tm muito do que se queixar. Suspeitas de corrupo pairam sob
todos os contratos do governo com multinacionais e com potncias
estrangeiras. A imprensa mongol narra histrias terrveis sobre pastos
estragados pela minerao. A maioria dos mongis pouco se beneficia das
riquezas tiradas da sua terra.

Muitos esto insatisfeitos com um acordo de 2009 que cedeu  canadense
Ivanhoe Mines 66% de Oyu Tolgoi, maior jazida inexplorada de cobre e
ouro no mundo. A Ivanhoe, que tem como maior acionista a australiana Rio
Tinto, est gastando US$ 4 bilhes para desenvolver a mina.

O Parlamento aprovou neste ano, aps longa tramitao, uma lei que
probe empresas estrangeiras de adquir participao majoritria em
setores "estratgicos" sem aval do governo. Na campanha para a eleio
parlamentar de 28 de junho, muitos candidatos prometeram mais dividendos
para a Monglia.Porm, as minas podem seguir inexploradas se no houver
mais ajuda externa.

Analistas dizem que os mongis precisam aceitar um preo 30% inferior ao
atual nas suas commodities. "Se a China fechasse as fronteiras,
morreramos de fome", disse Zolboo Bataa, 34, gerente de contas de uma
multinacional em Ulan Bator, a capital.

"Estamos tentando fazer um acordo com as potncias mundiais que esteja
alinhado com nosso interesse nacional", disse o presidente da Monglia,
Tsakhia Elbegdorj. "Chegar a um consenso  complicado."

Contra o domnio chins, a Monglia iniciou obras de US$ 7 bilhes para
ampliar sua rede ferroviria com a Rssia, dando ao pas acesso direto a
mais clientes.

"A Monglia est sem dvida obtendo mais respeito das potncias
mundiais", disse John Johnson, executivo da consultoria de minerao CRU
em Pequim. "Porque ela tem algo de que todos necessitam." Texto Anterior
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eficaz no trabalho, faa pausas - 09/07/2012 ***
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Para ser mais eficaz no trabalho, faa pausas

Por PHYLLIS KORKKI

Aumenta o nmero de evidncias de que fazer pausas regularmente nas
tarefas mentais melhora a produtividade e a criatividade -e que pular as
pausas pode causar estresse e exausto. A concentrao mental 
semelhante a um msculo, diz John P. Trougakos, um professor assistente
na Universidade de Toronto Scarborough e na Escola de Administrao
Rotman. Ele diz que fica cansado depois de um uso intenso e precisa de
um descanso para se recuperar -mais ou menos como um levantador de pesos
precisa descansar antes de fazer uma segunda rodada de exerccios na
academia.

As pausas podem induzir  culpa porque so "um pequeno osis de tempo
pessoal que tiramos enquanto estamos nos vendendo para outra pessoa",
diz o professor Trougakos. Mas isso  exatamente o que interessa.

Segundo ele, os empregados geralmente precisam se afastar de seu
trabalho e de seu espao de trabalho para recarregar seus recursos
internos. As opes incluem caminhar, ler um livro em outra sala ou
fazer a fundamental pausa para o almoo, que oferece recarga nutricional
e cognitiva.

Experimente fazer uma pausa antes de chegar ao fundo de seu barril
mental. Os sintomas de exagero incluem vagar em pensamentos e sonhar
acordado.

No h necessidade de fazer uma pausa se voc estiver em um turno,
aconselha o professor Trougakos. Trabalhar por um perodo prolongado
pode ser revigorante -se for a sua opo. Mas, segundo ele, o que mais
esgota a energia  forar-se a continuar.

O excesso de pausas, porm, pode gerar preguia. "Qualquer coisa ao
extremo no  boa", diz ele.

A maioria dos trabalhadores no tira pausas suficientes -especialmente
as que envolvem movimento, diz James A. Levine, professor de medicina na
Clnica Mayo em Rochester, Minnesota. Ele fez estudos que mostram que os
trabalhadores que so sedentrios o dia todo prejudicam sua sade. "O
projeto do ser humano  uma entidade mvel", diz o doutor Levine, que
tambm prope que as pessoas caminhem enquanto trabalham e durante
reunies.

O doutor Levine  um defensor de pausas para cochilar, mas somente se
forem permitidas pela gerncia. De outro modo, os cochiladores podero
ser vistos como desleixados -apesar de a pesquisa mostrar que os
cochilos aumentam a produtividade.

A direo tambm deveria encorajar os funcionrios a elaborar pausas
eficazes individualmente, diz o doutor Levine. Mas ele tambm tem
algumas diretrizes: experimente trabalhar em picos intensos de 15
minutos, pontilhados por pausas, em ciclos repetidos durante o dia todo.
Isso funciona porque "o processo de pensamento no foi criado para ser
contnuo", diz ele. "Longas horas no significam bom trabalho -um
trabalho altamente eficiente e produtivo  mais valioso."

As pausas tambm estimulam aqueles flashes de gnio que os empregadores
valorizam tanto, acrescenta ele, notando que Albert Einstein teria
concebido a teoria da relatividade enquanto andava de bicicleta. Texto
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aposta em hardware - 09/07/2012 ***
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Microsoft aposta em hardware

Por NICK WINGFIELD

SEATTLE - Quando o iPad foi lanado, mais de dois anos atrs, os
executivos da Microsoft ficaram surpresos ao saber que a Apple tinha
comprado grande quantidade de alumnio de alta qualidade de uma mina
australiana para criar os exclusivos estojos do iPad, segundo um
ex-funcionrio da Microsoft envolvido nas discusses.

Os executivos ficaram surpresos ao ver que a Apple estava investindo
fundo na cadeia de suprimentos global para garantir materiais inovadores
e encurralar o mercado nesses suprimentos. Os executivos da Microsoft
temeram que os fabricantes de PCs para Windows no estivessem fazendo o
mesmo tipo de aposta.

O incidente foi um dos muitos que levaram a Microsoft a criar seu
prprio computador tablet, o Surface, revelado em junho.  a primeira
vez que a empresa vende seu prprio hardware de computador, competindo
diretamente com os fabricantes de PCs que usam seu sistema operacional
Windows.

Para os fabricantes de hardware, o mercado de PCs h muito tempo  uma
luta porque a Microsoft e a Intel, que fabrica os microprocessadores que
movem a maioria dos computadores, h muito obtm a maior parte dos
lucros da indstria, deixando pequenas margens para as empresas que os
fabricam. Os fabricantes pagam taxas elevadas para licenciar o Windows
da Microsoft, o que os pressiona a produzir computadores por um preo
menor, usando peas encontradas no comrcio.

Isso, por sua vez, limitou sua capacidade de assumir riscos em inovao
de hardware. Alm disso, com o iPad, a Apple provou que h vantagens em
desenhar hardware e software juntos. Quando empresas separadas tratam
dessas tarefas, integrar hardware e software pode ser mais difcil.

"Voc tem uma estrutura de parceria esclertica, em que os parceiros no
tm oxignio para inovar", disse Lou Mazzucchelli, ex-analista de
tecnologia que hoje  empresrio em um fundo de capital de risco apoiado
pelo Estado de Rhode Island. "Eu acredito que a Microsoft estava
encurralada", disse. "Se eles no se movessem depressa, a Apple teria
uma tal liderana que seria quase impossvel recuperar."

Mesmo antes do anncio do iPad em 2010, a Microsoft compreendeu que os
computadores estavam  beira de uma revoluo, de teclados e mouses para
controles  base de toque. Uma dcada antes, Bill Gates, o presidente da
Microsoft, havia chegado a apresentar um precursor do iPad -chamado
Tablet PC-, mas o produto, fabricado por outras empresas de hardware,
era desajeitado e fracassou.

Mais tarde, com rumores crescendo sobre a iminente apresentao do iPad
pela Apple, a empresa Hewlett-Packard e a Microsoft tentaram criar um
novo computador tablet.

Quando chegou a hora de fazer um dispositivo acabado, porm, o tablet HP
comeou a mudar para pior, segundo o ex-executivo da Microsoft e
ex-executivo da HP que trabalhou no projeto. O produto foi
"completamente arruinado" quando a organizao de manufatura da HP
comeou a encomendar as peas que considerava suficientes para acionar o
dispositivo, disse o ex-funcionrio da Microsoft.

Afinal, o tablet da HP era grosso, seu processador Intel esquentava o
aparelho e o software e hardware da tela no funcionavam bem juntos,
causando respostas demoradas aos toques na tela. Esse tipo de problema
era inaceitvel, especialmente depois que Steven P. Jobs, ento
presidente da Apple, apresentou o primeiro iPad, com resenhas
excelentes, apenas trs semanas depois que o equipamento da HP foi
lanado.

A Microsoft trabalhou com outros parceiros de hardware para criar
produtos que fossem competitivos com o iPad, mas entrou em discusso
sobre projetos e preos.

A HP ficou furiosa com a Microsoft por no criar um software Windows
melhor adaptado a dispositivos "touch screen". A Microsoft se recusou a
aplicar recursos significativos para ajudar a HP, em parte porque a
empresa estava dedicando sua energia ao Windows 8, uma nova verso de
seu sistema operacional sob medida para equipamentos com toque de tela.

Em abril de 2010, a HP adquiriu a Palm, fabricante do sistema
operacional WebOS para dispositivos mveis, e fabricou seu prprio
tablet. Mas ele no vendeu bem.

A Microsoft, por sua vez, comeou a investir mais para desenvolver seu
prprio hardware para tablet. Steven Guggenheimer, vice-presidente da
companhia, disse que os parceiros de hardware da Microsoft no
influenciaram em sua deciso de criar um tablet prprio.

A Microsoft comeou a estudar materiais que poderiam ser usados para
criar um estojo exclusivo para um tablet. Ela escolheu o magnsio, um
metal leve que pareceu bom para os testadores quando o seguraram, disse
Guggenheimer. Em junho, executivos da companhia passaram parte de sua
apresentao descrevendo o estojo do Surface, forte e resistente. "O
estojo  nico", disse Sinofsky, mostrando o dispositivo cinza. Texto
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personalizado na internet pode ser oportunidade ou risco - 09/07/2012
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Marketing personalizado na internet pode ser oportunidade ou risco

Por NATASHA SINGER

Dmitri Siegel, que at o ano passado era executivo de marketing na rede
de roupas Urban Outfitters, teve uma ideia que achou inovadora:
personalizar o site da empresa na internet para se adaptar aos
consumidores frequentes. Ele modificaria os produtos exibidos pelo site
para que se adequassem ao gnero do cliente, de modo que consumidoras
tivessem acesso  moda feminina e homens vissem as roupas masculinas.

"Se fosse possvel parar de oferecer vestidos a homens, seria timo",
Siegel comentou em junho, falando de sua ideia na poca.

Com a ajuda da Monetate, empresa de otimizao de sites na internet,
Siegel fez um experimento com personalizao por gneros no site. Mas a
experincia fracassou. Muitas freguesas regulares da Urban Outfitters
costumavam comprar artigos para homens e se sentiram ofendidas. "Vimos a
frustrao dos consumidores pesar mais que qualquer benefcio possvel",
contou Siegel, que hoje  vice-presidente de comrcio eletrnico global
na Patagnia. "Um erro que voc cometesse pesava mais que dez acertos."

Hoje, a personalizao maior est realizando a sintonia fina do comrcio
eletrnico, com experincias de compra customizadas. As empresas
varejistas analisam os locais em que os consumidores vivem, suas
aquisies passadas e suas atividades on-line atuais para poder adaptar
seu contedo aos indivduos, em tempo real.

Mas muitas pessoas no tm conscincia de que os sites podem lhes
mostrar materiais distintos daqueles que seus vizinhos vem nos mesmos
sites. Mahender Nathan, vice-presidente de comrcio eletrnico na
Godiva, acha que a personalizao deveria ser como um bate-papo. "Numa
conversa, se voc achar estranho saber algo sobre uma pessoa que essa
pessoa no lhe contou, no mencione essa informao", explicou.

Metade dos maiores varejistas on-line dos Estados Unidos recorreu a
alguma personalizao no ano passado, contra 33% no ano anterior,
segundo o "Internet Retailer's Top 500 Guide". A Monetate (sediada em
Conshohocken, Pensilvnia) criou uma tecnologia que pode ser usada por
executivos de marketing para modificar seus sites, usando linguagem
natural, e no cdigo de computador. Um marqueteiro pode customizar um
site instantaneamente, por exemplo, para agradar a fregueses de Los
Angeles, pessoas que se interessam por relgios de pulso, oferecendo a
esse segmento especfico um desconto de US$ 50 sobre uma compra de US$
500 ou mais. O painel mapeia os resultados, mostrando o impacto de
modificaes nos sites sobre novas compras, os valores mdios por compra
por consumidores, as vendas totais e o retorno sobre o investimento.

Kurt Heinemann, presidente de marketing da Monetate, diz: " como um
lojista dos anos 1950, que conhecia seus fregueses e podia lhes mostrar
coisas que sabia que eles gostariam".

A Patagonia est fazendo experimentos com customizao, mostrando
equipamentos  prova d'gua a consumidores em Seattle e bermudas de
surfista a usurios no sul da Califrnia. Siegel diz que o fato de saber
onde vive um consumidor permite mais preciso quanto aos prazos de
entrega.

"Existe uma moda muito grande em torno da personalizao", afirmou
Siegel. "Quanto a mim, sou muito ctico. A grande pergunta agora :
'Isso  bom para minha empresa,  bom para o meu fregus?'." Texto
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passarela em Nova York - 09/07/2012 ***
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Ensaio - Guy Trebay

Praia vira passarela em Nova York

"Os nova-iorquinos podem no ser melhores que as outras pessoas", disse
Kenny Hargrove. "Apenas nos vestimos melhor."

Parado no calado da praia de Rockaway no bairro de Queens, em Nova
York, em um sbado veranil de brisas frescas e ondas suaves sob um cu
cheio de nuvens que pareciam pratos, Hargrove tinha formulado uma boa
tese.

Ele estava vestido com uma camisa de jeans Levi's com bolsos em ponta e
botes de prola, uma bermuda de algodo listrado e um amplo chapu de
palha que comprou na semana anterior em uma loja de bugigangas, com um
chaveiro de corrente dourada ao redor do pescoo.

Antigamente, as pessoas se vestiam bem para sair na cidade. Nos anos
1960, os homens costumavam usar todo dia ternos e as mulheres, chapus e
luvas. At pouco tempo atrs, os nova-iorquinos tendiam a guardar os
shorts e as camisetas apenas para a praia.

Hoje, o uniforme de vero urbano  to casual e suburbano que a Quinta
Avenida parece pouco diferente da rea de jogos eletrnicos no shopping
center.

Mas, em um trecho do calado de Rockaway, os nova-iorquinos mostram que
um passeio  praia  a melhor ocasio para ficar seminu em pblico e, ao
mesmo tempo, exibir seu prprio senso de moda.

S porque voc est na praia, no h motivo para abandonar seu prprio
estilo. "Eles se ajustam melhor ao corpo", disse a professora Zena Verda
Pesta, sobre os shorts de cintura alta em estilo Betty Grable que estava
usando.

"Eu no tenho muita cintura, e eles me do mais cintura", acrescentou
Verda Pesta, cuja amiga Lisa Ramsey estava ao seu lado no passeio em
shorts de jeans cortados e desabotoados, sobre um conjunto de spandex
Black Milk com estampa de esqueleto.

"Pode ler devagar", disse Philip MacRuari a um reprter que verificava
seu torso depilado, tatuado da clavcula at a cintura de seu bermudo
O'Neill com o eplogo da pea de William Saroyan "The Time of Your
Life", de 1939.

"Sou um narcisista", explicou MacRuari.

 s em Nova York que os narcisistas se decoram com dilogos de peas
vencedoras do Pulitzer, textos que nos encorajam a tratar cada momento
como o melhor de nossas vidas, "de modo que naquele tempo maravilhoso
voc no aumente a tristeza e a dor do mundo, mas sorria para seu
infinito deleite e mistrio"?

Talvez no. Mas seria difcil encontrar outra praia na regio onde os
deleites sejam to amplamente dispostos quanto em Rockaway.

"Ns amamos cultura -nativa americana, indiana, asitica", disse Amber
Canti, que com sua amiga Luna Fernandez veio vestida com uma saia longa
estampada no estilo hippie, um top de biquni e (no caso de Fernandez)
um par de brincos candelabro do sul da sia.

Onde alm de Rockaway algum se vestiria para ir  praia como Nikki
Sneakers, em botas de couro pretas de cano mdio, casaco preto e ligas
pretas? Ela poderia parecer uma anomalia entre os deuses bronzeados com
seus cabelos desbotados e corpos torneados.

O que  realmente maravilhoso em Rockaway, disse Ryan Bucci, um surfista
que diz cavalgar as ondas diante da praia da 90th Street h mais de 20
anos, " que voc tem esse estilo Nova York da velha escola", um tipo
cada vez menos encontrado na comunidade atrs de grades que Manhattan
corre o risco iminente de se tornar.

"Sabe aquele sabor?", disse Bucci, cujos amigos o chamam de "Booch". "
isso, uma mistura de tudo." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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arquiteto-chefe do Imprio Otomano - 09/07/2012 ***
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Ensaio - Andrew Ferren

O arquiteto-chefe do Imprio Otomano

Fui  Turquia numa peregrinao arquitetnica. Embora o design e a arte
contempornea estejam em alta por l, eu ansiava por saber mais sobre o
trabalho de Sinan (1490-1588), chefe dos arquitetos e engenheiros civis
do Imprio Otomano. Seus patres, o sulto Suleyman, o Magnfico, e seus
descendentes, eram os homens mais poderosos da Terra.

Os guias costumam compar-lo ao seu contemporneo Michelangelo, mas
Michelangelo fez contribuies espetaculares a alguns poucos prdios em
Roma e Florena, enquanto Sinan construiu cerca de 300 estruturas no
Leste Europeu e Oriente Mdio, das quais centenas continuam em uso.

"Como na [praa] So Pedro, em Roma, seu olho  atrado para a prpria
cpula", disse Dogan Kuban, autor de muitos livros sobre arquitetura
islmica. "As cpulas rasas de Sinan, porm, com sua decorao abstrata
pintada, parecem flutuar magicamente. Em vez da estrutura, voc
contempla o espao."

Visitei mais de uma dzia dos seus edifcios em Istambul, uma cidade com
quase 3.000 mesquitas, para melhor compreender como a sua experimentao
com composies geomtricas complexas transformou grossas paredes de
pedra em colunas, arcos e abbadas -e em coisas chamadas trompas e
tmpanos- na hora de fazer a transio vertical do piso quadrado das
mesquitas para os seus tetos redondos.

A mesquita Sehzade, em Edirnekapi, foi concluda em 1548, no comeo da
carreira de Sinan. Nas paredes exteriores da mesquita, Sinan organizou
habilmente os contrafortes que sustentam a cpula sobre as colunas. Para
criar simetria, ele posicionou portas no centro delas. Mas, dentro da
mesquita, as portas faziam os fiis entrarem e sarem no meio da sala, e
no pelo fundo. "Um local sagrado destinado  orao e contemplao se
tornou um corredor", disse meu guia, "um erro que ele nunca mais
repetiria".

Perto dali fica a mais importante mesquita de Sinan em Istambul.
Encomendada por Suleyman para ser a sua prpria tumba, e concluda em
1558, a mesquita Suleymaniye est entre os monumentos mais visveis da
cidade. Sinan modulou a altura dos quatro minaretes, reforando a iluso
de que a mesquita flutua sobre a cidade.

A mesquita Rustem Pasha fica no movimentado mercado de especiarias da
cidade. Sinan enfrentou os desafios de construir neste lugar no
exatamente pacato elevando todo o complexo acima do nvel da rua.

Uma serena praa flutua sobre a algazarra. No interior, os brilhantes
azulejos de Iznik, do sculo 16, criam um jardim de tulipas encarnadas,
turquesas e cobalto.

A mesquita Mihrimah Sultan, em Edirnekapi, foi encomendada por Mihrimah,
filha de Suleyman. Decoradas com vitrais e vidros translcidos, as
paredes so uma maravilha da alvenaria.

Dizem que Sinan estava apaixonado por Mihrimah, mas, como ela se casou
com o gro-vizir de Suleyman, ele se contentou em fazer a mesquita ser a
mais luminosa possvel, de modo a refletir o nome dela, que significa
"sol e lua".

Meu guia, adequadamente chamado Sinan Yalcin, tambm me contou que, no
dia em que um novo sulto era proclamado, seus irmos eram mortos, para
evitar disputas de poder.

A mesquita Sokollu Pasha tambm  famosa por seus azulejos. A chegada
oferece uma vista impressionante do amplo teto que protege a fonte das
ablues, em primeiro plano, e a repetio aparentemente infinita de
cpulas e arcos da mesquita.

No outro lado do Bsforo, no lado asitico de Istambul, fica a mesquita
Semsi Pasha, verso em miniatura de templos enormes como a famosa
Mesquita Azul. Seu discreto interior  uma elegante e comedida evocao
do paraso terrestre.

A trs horas de carro de Istambul, em Edirne, ex-capital otomana perto
da fronteira com a Bulgria e a Grcia, fica a mesquita Selimiye. Com
seus quatro esguios minaretes, ela coroa o centro da cidade. Sinan a
considerava a sua obra-prima.

Em 2011, o conjunto foi tombado pela Unesco como Patrimnio Mundial da
Humanidade.

 primeira vista, ela parece uma tensa mistura de esferas, cones e
cilindros, nas cores bege ou cinza escuros.

Mas a complexidade artstica das paredes externas aparentemente
impenetrveis se dissolve em um bordado de colunas e arcos de pedra que
abraam um espao vasto e harmonioso.

Apesar da sua escala impressionante -a cpula ultrapassa em alguns
centmetros a da Hagia Sfia, em Istambul-, nenhum detalhe era pequeno
demais para escapar  ateno de Sinan. Texto Anterior | Prximo Texto |
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movido a cerveja - 09/07/2012 ***
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Um hbrido movido a cerveja

Por SALLY McGRANE

AMSTERD - Espcie de bar movido a pedal, a "beer bike" ("bicicleta da
cerveja") j pode ser vista nas ruas da Europa e EUA.

Inventada na Holanda no fim da dcada de 1990, a "beer bike" tem sido
promovida por estimular a sociabilidade, por permitir um turismo sem
poluio e por queimar calorias que ficariam intactas na mesa de um bar.

"Os turistas gostam de conhecer Amsterd de um jeito novo", disse Ard
Karsten, que comeou a fabricar "beer bikes" e organizar tours na cidade
em 2005.

Karsten instalou um novo barril de chope sobre a sua reluzente mquina
azul de 6 metros de comprimento e cerca de 700 kg, capaz de atingir 8
km/h e acomodar at 12 passageiros em selins montados em torno de um
balco de madeira, onde o chope  servido.

Um guia se encarrega do guido e um banco traseiro oferece lugares
adicionais.

"Recebemos pedidos de pases dos quais nunca nem ouvi falar", disse o
holands Zwier van Laar, que diz ter inventado a "beer bike" em 1997
para ajudar na divulgao de um novo bar.

O advogado alemo Udo Klemt viu uma "beer bike" pela primeira vez
durante uma viagem  Holanda. "Imediatamente me apaixonei", disse ele,
que importou um modelo de Van Laar para Colnia em 2005.

Dois anos depois, Klemt fundou a empresa BierBike, que oferece passeios
com "beer bikes" holandesas em cerca de 30 cidades da Alemanha, mais
Budapeste.

"S sei que  realmente divertido passear numa dessas", disse ele.
"Tenho planos para levar o projeto para o mundo todo."

De forma similar, o americano James Watts, antes empregado no ramo de
desenvolvimento de softwares, conheceu a "beer bike" h dois anos,
quando esteve em Colnia de frias. "Eu disse: 'Vou levar uma dessas l
para o Oregon'."

O interesse despertado pelas "beer bikes", porm, continua sendo um
grande mistrio.

"Ela meio que inspira uma sensao de bobeira", disse Luke Roberson,
cuja verso londrina s vezes tambm serve champanhe. Ele contou que uma
vez um policial parou um passeio, pediu um carto e fez reserva para o
dia seguinte.

Bart Sallets, que faz passeios de "beer bike" na Blgica, contou que a
situao s vezes foge ao controle. Como quando um belga de meia-idade
vestindo um "kilt" (saia escocesa) quase ateou fogo  bicicleta durante
a sua despedida de solteiro.

A polcia conseguiu prender o noivo em flagrante. Mas todos os outros
convidados saram correndo, deixando o guia sozinho com a bicicleta, que
 pesada demais para ser conduzida por uma s pessoa. Ele acabou preso
junto.

H pouco tempo, outro noivo fez a despedida de solteiro na bicicleta de
Karsten. "Se a minha mulher me visse agora me largaria imediatamente
-pareo estpido demais", disse rindo o cineasta Julien Paumelle, de
Paris. Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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sobrevive o fantstico - 09/07/2012 ***
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Na tragdia, sobrevive o fantstico

Por RACHEL ARONS

MONTEGUT, Louisiana - O cineasta Benh Zeitlin possui uma maneira
intuitiva de deixar que pessoas e lugares reais penetrem nas histrias
mticas de sua imaginao. Seu curta-metragem "Glory at Sea" (2008)
conta a histria de pessoas que constroem um barco feito de destroos
colhidos aps uma tempestade e vo resgatar seus entes queridos presos
debaixo d'gua.

Zeitlin, 29, tinha planejado filmar fora dos Estados Unidos. Mas, ao
visitar Nova Orleans em 2006, sentiu que a histria que tinha na cabea
guardava uma relao com o perodo ps-furaco Katrina, que devastou a
cidade em 2005.

A premissa era que os moradores de uma comunidade se uniriam "num
movimento louco e insensato de esperana", contou ele. "E eu senti isso
comear a acontecer quando vim para c."

Seu primeiro longa metragem  "Beasts of the Southern Wild", em cartaz
no momento nos Estados Unidos, destaque do festival de cinema de Munique
em 30 de junho e que chegar aos cinemas da Europa neste ms. O filme
cria mais um universo imaginativo baseado na conexo do diretor com um
local real e seus moradores. O filme recebeu prmios em Sundance e
Cannes. Manohla Dargis escreveu no "New York Times" que o filme 
"assombrosamente belo, tanto visualmente quanto na ternura que revela em
relao aos personagens", e A.O. Scott, tambm no jornal, o descreveu
como "uma exploso de alegria pura e improvvel".

Rodado no remoto sul do Louisiana, com oramento limitado e atores no
profissionais, "Beasts"  ambientado numa baa pantanosa mtica chamada
Bathtub ("banheira", em ingls) -um local utpico e inclemente isolado
da civilizao por uma barragem, mas cheio de beleza natural e movido
pelo esprito contestador de seus moradores. No cerne do filme est a
pequena Hushpuppy (representada por Quvenzhan Wallis, que tinha apenas
6 anos na poca) e sua maneira mgica de encontrar sentido em seu mundo:
a ausncia de sua me, os problemas de sade de seu pai, Wink (Dwight
Henry), e a tempestade que ameaa destruir seu mundo.

"Se voc olhar o mapa, ver a Amrica mais ou menos se desfazendo na
regio do Golfo, onde a terra est sendo consumida [pelo mar]", disse
Zeitlin. "Fiquei fascinado por essas estradas que vo at a parte mais
ao sul da Amrica, e no que h no fim delas." O que ele encontrou foram
as vilas pesqueiras da parquia de Terrebonne. Relativamente intocada
pelo Katrina, mas fortemente atingida por furaces subsequentes,
Terrebonne possui uma cultura vibrante que se estende at a margem dos
pntanos do delta do Mississippi, que esto desaparecendo. Em sua
primeira visita  rea, Zeitlin percorreu uma estrada estreita que leva
 minscula ilha de Jean Charles, que apenas 40 anos atrs era um lugar
em crescimento, habitado por indgenas americanos de lngua francesa. A
ilha, na qual restam duas dzias de famlias, est se desintegrando no
golfo do Mxico. A ilha de Jean Charles deu a Zeitlin os paradigmas da
surreal precariedade ecolgica de Bathtub e a determinao de seus
moradores de permanecerem nela.

Zeitlin e Lucy Alibar adaptaram o roteiro da pea de Alibar e Zeitlin
disse que seu objetivo foi captar "verdades emocionais" que a mera
realidade da perda de terra ou da destruio provocada por furaces no
consegue transmitir. "Qual  a sensao de perder o lugar onde se vive,
um pai, uma me ou uma cultura? Como voc reage emocionalmente para
sobreviver a isso?", perguntou.

Zeitlin herdou de seus pais, folcloristas, a paixo por encontrar arte e
poesia na vida cotidiana. Ele produziu o roteiro em oito meses em
Terrebonne, onde foi praticamente adotado por uma famlia. As cenas em
Bathtub canalizam a sensao de estar em um bar da baa e em um dos
exuberantes festejos do sul da Louisiana, uma das maneiras mais fortes
em que a regio enfrenta suas tragdias. "No coloquei no filme nada nem
ningum pelos quais eu no sinta amor e respeito", disse o diretor.

O clima de intimidade do filme deve-se muito aos atores amadores. Dwight
Henry  padeiro e Quvenzhan Wallis, "uma garotinha que prende a ateno
da cmera com uma facilidade carismtica que faria estrelas de cinema
adultas chorarem de inveja", segundo o "New York Times". Ela foi
escolhida entre cerca de 3.500 crianas de Louisiana.

No primeiro dia de filmagens ocorreu a exploso da plataforma
petrolfera Deepwater Horizon no golfo do Mxico, e os responsveis pelo
filme receberam a notcia de que a mancha de leo poderia acabar com a
pesca na regio por anos. "Eu reescrevi as cenas  medida que
filmvamos, baseado nos momentos de pavor que estvamos vivendo", contou
Zeitlin.

Mas a histria que ele conta no deixou de ser esperanosa: sobre o
poder de uma pequena subcultura de resistir a foras naturais tremendas.
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homem por trs das msicas - 09/07/2012 ***
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Ensaio - Jon Caramanica

Em busca do homem por trs das msicas

Est l, gorda e suculenta, entre as faixas de "Fortune", o novo lbum
de Chris Brown: uma cano chamada "Don't Judge Me" ("No me Julgue").
Desde que se declarou culpado por agredir a ento namorada Rihanna, em
2009, Brown lanou trs lbuns timos, todos eles oportunidades para que
o ouvinte buscasse pistas sobre seus conflitos interiores. Uma msica
chamada "Don't Judge Me" est gritando por mais considerao. Talvez
Brown esteja finalmente disposto a partilhar algo.

Nenhum gnero parece exigir com tamanha frequncia essa espcie de lupa
quanto o R&B contemporneo. Brown, Usher e R. Kelly, os trs maiores
astros masculinos do estilo, todos com lbuns novos, enfrentaram crises
morais nos ltimos anos, o que alterou a direo das suas carreiras.
Suas atribulaes deixaram marcas nas suas imagens.

Para Brown, a agresso a Rihanna continua pairando como uma nuvem,
embora sua popularidade tenha aumentado. Kelly tomou outro rumo desde
que foi absolvido, em 2008, de acusaes envolvendo pornografia infantil
e enfatiza um soul clssico e neutro, em vez das msicas mais picantes
de antes. S Usher encarou suas polmicas -acusaes de infidelidade, um
divrcio turbulento-, embora, para ser honesto, fossem problemas morais
e pessoais, no penais.

Dos trs artistas, tambm s Usher oferece uma possibilidade de ser
ouvido com distanciamento. Com o passar dos anos, sua voz se cristalizou
como uma das mais apaziguadoras do R&B, e em "Looking 4 Myself" -o seu
novo lbum, com momentos timos- ele abarca vrios estilos.

Os vocais de Usher revelam pouco, ao passo que suas letras entregam
tudo, mas esse  provavelmente o seu trabalho menos intimista desde o
sucesso de "Confessions", em 2004. Ele  o mais flexvel astro do R&B e
tambm o mais  vontade. "Climax", primeiro single do novo lbum,
transmite uma tranquila seduo na voz, mas a letra  trgica. "Eu dei o
melhor de mim/no foi suficiente", murmura ele. "Fizemos uma baguna do
que costumava ser amor/ento por que eu vou ligar?", acrescenta.

Usher  um raro artista aperfeioado por seus tropeos. Kelly, por outro
lado, parece acovardado pelos seus. Sua resposta implcita s
turbulncias foi limpar totalmente a sua msica. Usher fez o contrrio,
limpando a si mesmo pela confisso.

"Write Me Back", novo lbum de Kelly,  tecnicamente competente, mas sem
os vocais insinuantes e as temticas lbricas que marcaram sua fase mais
virtuosa. Seus problemas judiciais, embora resolvidos, parecem ter
acabado com a capacidade de Kelly de ser romanticamente incisivo, ou de
usar alguma das lamentveis metforas que vinculam o sexo  violncia.

Brown foi o menos articulado na resposta s suas aes, enfiando
sorrateiramente letras ressentidas em seus lbuns, mas sem tratar
publicamente at agora dos fatos que fizeram dele quase um pria.

Hbil, cheio de energia, "Fortune" segue nessa tendncia. E, no, "Don't
Judge Me" no  sobre a sua imagem pblica. Pelo menos no essa parte da
sua imagem pblica. "Voc tem ouvido rumores sobre mim", canta ele, "e
voc no engole a ideia/de algum tocando o meu corpo/quando voc est
to perto do meu corao". At nas confisses Brown precisa se gabar das
suas proezas sexuais.

Ouvir Brown no seu nvel mais profundo  equilibrar os prazeres
estticos, quando eles existem, com uma autoproteo (coisa do superego)
contra se alinhar demais a algum que faz coisas to hediondas. Texto
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Eyre" para adolescentes - 09/07/2012 ***
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Vendendo "Jane Eyre" para adolescentes

Por JULIE BOSMAN

Os teens continuam a ler os clssicos. S no querem que os livros
paream to... to clssicos.

 essa a teoria de editores que comearam a lanar verses de "Emma" e
"Jane Eyre" em invlucros novos: capas modernas e provocantes, em tons
ousados de vermelho e verde limo, visando adolescentes que leem
"Crepsculo" e "Jogos Vorazes".

As novas verses vm substituir as capas tradicionais que acompanham os
clssicos h dcadas -aquelas imagens srias de mulheres em trajes
cheios de babados. Ao invs delas, agora vemos imagens como a de Romeu
com a barba por fazer, usando uma regata branca colada ao corpo, numa
nova edio de "Romeu e Julieta" lanada pela Penguin.

A ideia  que as capas aproveitem a popularidade crescente do gnero
literrio adulto jovem, a categoria editorial que vem crescendo mais
rapidamente. Nos ltimos dez anos, as editoras vm injetando recursos e
energia em livros para teens, lanando mais ttulos a cada ano.

Depois da sensao criada pela srie "Crepsculo", de Stephenie Meyers,
os romances paranormais viveram um boom. A HarperCollins lanou uma
edio de "O Morro dos Ventos Uivantes" com capa de fundo preto simples,
com uma rosa vermelha em close e a legenda "o livro favorito de Bella e
Edward". Crticos consideraram que foi uma explorao de "Crepsculo".

As vendas de algumas edies para adultos jovens vm sendo boas. A
edio de "Morro dos Ventos Uivantes" publicada pela HarperCollins
vendeu 125 mil exemplares desde seu lanamento em 2009, um nmero fora
do comum que fez o livro voltar para as listas dos mais vendidos. Como
muitas obras da literatura clssica j fazem parte do domnio pblico,
qualquer editora pode lanar uma verso, deixando o texto dos livros
intocado mas redesenhando a capa.

Em maro, a Splinter, um selo da Sterling Publishing, comeou a publicar
a srie Classic Lines, feita de edies de romances clssicos com capas
moles, guardas dobradas e, nas capas, ilustraes delicadas que parecem
aquarelas.

Mas alguns teens rejeitam as edies novas. Na Book Passage, na
Califrnia, os romances clssicos em "embalagens" novas no andam
vendendo bem. Segundo sua proprietria, Elaine Petrocelli, "se um jovem
quer ler 'Emma', quer comprar o livro na seo para adultos, no na
seo para teens. Os teens no gostam de sentir que esto sendo
manipulados."

Tess Jagger-Wells, estudante de 15 anos de San Rafael, Califrnia, disse
que "Jane Eyre"  um de seus livros favoritos. Ela aprecia a histria
por seus momentos antiquados, "encantadores", "pelos quais voc tem que
esperar -eles no so dados de bandeja". No caso de obras clssicas como
esse livro e "Orgulho e Preconceito", Tess contou que prefere edies de
capa dura com desenhos de flores, e no as verses novas.

" legal ter os originais em casa para olhar e mostrar aos outros",
explicou. "Isso combina com a sensao de que um livro clssico  algo
de valor, algo a conservar. As novas capas fazem os livros parecer
romances baratos." Texto Anterior | ndice | Comunicar Erros 






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