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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Ilustrada - Receita do sucesso
- 09/07/2012 ***
Transcrita em 15/7/2012






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Receita do sucesso

O francs Erick Jacquin, comandante do La Brasserie, d os ingredientes
para se tornar um chef de mo cheia MILLOS KAISER
COLABORAO PARA A FOLHA


A fala carregada de erres e os cigarros consecutivos no escondem: Erick
Jacquin  francs.

"Mas ao contrrio da maioria dos meus conterrneos, no mudei para o
Brasil porque me apaixonei por uma mulata", esclarece, quando Yasmin
Milani, 19 anos, pergunta por que ele trocou a Frana, to orgulhosa de
sua "cuisine", pelo Brasil.

Lus da Silva, 20, Letcia Ferreira, 17, Francis Akuta, 20, e Eliane
Silva, 18 -todos estudantes de gastronomia- no conseguem segurar a
gargalhada.

Jacquin, hoje proprietrio do La Brasserie, mudou-se para c 17 anos
atrs, quando um amigo italiano convidou-o para comandar a cozinha de
seu restaurante.

No tardou para cair dentro da nossa feijoada: "Naquela poca, ela era
muito melhor. No tinha essa coisa de tudo "light". Onde j se viu
feijoada sem gordura?!"

Aos sete anos de idade, na diminuta comuna de Don Sur Auron, de apenas
4000 habitantes, ele j virava sozinho suas panquecas na frigideira. A
inspirao era a me, exmia pilota de fogo.

Com 13, passou as frias de fim de ano estagiando no bistr de um amigo
do pai. Acordava s trs e meia da manh para fazer bolos, tortas e
sobremesas.

Seu primeiro salrio foi... uma caixa de chocolates e uma quantia
equivalente a R$50. "No incio, a profisso tira muito mais do que d",
alerta Jacquin.

Depois, conseguiu seu primeiro emprego fixo, em Paris. "Esquea roupas
novas e carro prprio. Namorada, s se ela no se importar de sair com
um cara duro", avisou o senhor que o contratou.

"Valeu a pena. Eu tinha uma proposta para ganhar quatro vezes mais em
outro lugar. Mas ia passar o resto da vida cozinhando sempre os mesmos
pratos."

J calejado, matriculou-se em um curso avanado de culinria -na poca,
no havia faculdade de gastronomia. "Hoje, que existe, tem que fazer",
defende.

A teoria, porm, no substitui a prtica: "Voc pode se formar em
gastronomia. Mas s ser um chef de cozinha de verdade depois que ralar
muito em uma".

Alm de geralmente quentes e apertadas, cozinhas so tambm ambiente
tensos. Presso no falta.

"Ouvi dizer que tenho fama de bravo, mas o ambiente  que  muito
estressante. Se o restaurante est vazio, voc fica desesperado. Se est
cheio e cada pessoa pede um prato diferente, tambm."

FEIJO COM ARROZ

Os cinco jovens acham que falta nacionalismo na gastronomia do pas.
Erick concorda. E complementa: "Voc tem que saber no que voc  bom.
Eu, por exemplo, nunca tentei ser mestre em comida brasileira".

Tambm no pode ser vtima da moda. Antes de tentar fazer espuma de sei
l o qu, reduo de sei l o que outro, tem que ser craque no arroz e
feijo: "Para ser moderno, tem que ser clssico antes".

Em sua opinio, o maior entrave para o avano da gastronomia brasileira
 o pblico consumidor, que no veria a atividade como arte.

"Um dia, um cliente me pediu um tiramissu igual ao do Fasano. O que eu
fiz? Liguei para l e encomendei um delivery da sobremesa. Na hora da
conta, cobrei R$120. Ele reclamou. Mas expliquei que o frete  que era
caro." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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