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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Cincia + Sade - Empreendedor
ambiental leva R$ 1 milho - 15/07/2012 ***
Transcrita em 15/7/2012






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[Cincia + Sade] 




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Empreendedor ambiental leva R$ 1 milho

ONG e banco se uniram para premiar seis ideias inovadoras que ajudam a
preservar a biodiversidade no Brasil

Objetivo  que ganhador use o dinheiro para ampliar o projeto; todos os
principais biomas foram contemplados




 Edson Grandisoli
[Slvio Marchini, vencedor da categoria Amaznia, e colegas] 
Slvio Marchini, vencedor da categoria Amaznia, e colegas

GIULIANA MIRANDA
DE SO PAULO


O conceito de empreendedorismo saiu da economia e invadiu a esfera
ambiental. Pessoas com ideias criativas e inspiradoras para proteger a
biodiversidade agora so chamadas de empreendedores da conservao. E j
tm at um prmio que celebra as melhores iniciativas.

O programa E-Cons (Empreendedores da Conservao) escolheu seis
lideranas para dividir R$ 1 milho em seus projetos de preservao.

" uma nova abordagem. Valoriza indivduos com aes inspiradoras e com
potencial de se expandir e ter desdobramentos concretos", explica Clvis
Borges, diretor executivo da ONG SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida
Selvagem e Educao Ambiental), que comanda a iniciativa junto com o
HSBC.

Foram escolhidos projetos de todo o Brasil, nos biomas cerrado,
Amaznia, Pantanal e caatinga. Por suas caractersticas, a mata
atlntica tem dois vencedores, sendo um na categoria urbana.

Manter a floresta de p e preservar espcies nativas em algumas regies
do pas  um desafio. A conservao esbarra em interesses econmicos e,
no raro, no prprio desconhecimento dos moradores.

So essas as barreiras que a biloga Bianca Reinert, uma das premiadas
na mata atlntica, luta para eliminar.

BICUDINHOS

Apaixonada pelo estudo de aves, ela se encantou por um pssaro exclusivo
de parte do Paran e de Santa Catarina: o bicudinho-do-brejo, ameaado
sobretudo pela destruio de seu habitat.

Para tentar salvar a ave, Bianca investiu no estudo da espcie e fez
mestrado e doutorado sobre ela. O entusiasmo pelo bicho acabou
contagiando outros pesquisadores, os quais, por influncia da biloga,
tambm se dedicaram ao estudo do bicudinho.

Em 2009, ela e outras quatro pessoas compraram uma rea na regio de
Guaratuba (PR), um dos pontos com maior concentrao do passarinho, e a
transformaram em RPPN (Reserva Particular do Patrimnio Natural).
Incentivados pela iniciativa, quatro proprietrios vizinhos tambm
fizeram o mesmo.

"Eu expliquei que, para salvar o bicudinho, eles no precisavam fazer
nada alm de conservar. E, se sem apoio a resposta j tem sido muito
boa, eu acho que agora, com o prmio, as chances de que isso se
multiplique so muito grandes", diz Bianca.

A tambm paranaense Terezinha Vareschi seguiu caminho parecido.
Vencedora na categoria mata atlntica urbana, ela mora em uma rea de 36
mil m de mata nativa em plena Curitiba.

Ela decidiu ignorar a presso da especulao imobiliria e transformou
seu terreno em rea de proteo. Em 2011, criou com outros proprietrios
a Apave (Associao dos Protetores de reas Verdes Relevantes de
Curitiba e Regio Metropolitana), que se rene para discutir e cobrar
solues para incentivar os proprietrios a preservarem as reas de mata
restantes.

Preocupado com a matana de lobos-guars por parte de fazendeiros,
irritados com as constantes invases que esses animais fazem a seus
galinheiros, o bilogo Jean Pierre Santos, vencedor da categoria
cerrado, usou a criatividade para tentar resolver o problema.

ORDEM NO GALINHEIRO

Ele desenvolveu um novo modelo de galinheiro, mais difcil de ser
arrombado, praticamente  prova de lobos-guars. Com isso, as mortes dos
candeos foram reduzidas. O galinheiro j  replicado em outras
localidades.

Na caatinga, Weber Andrade de Giro e Silva tenta salvar outro animal, o
soldadinho-do-araripe -passarinho, endmico da chapada do Araripe, no
Nordeste. H 15 anos, ele se dedica  conscientizao de moradores e 
preservao das reas de florestas e nascentes de rio onde os bichos se
reproduzem.

Alm de atrair outros pesquisadores e proprietrios rurais para a causa,
ele tambm foi um dos responsveis por colocar o soldadinho na bandeira
da regio.

No Pantanal, o trfico de animais silvestres  uma das maiores ameaas,
e o papagaio-verdadeiro, uma das maiores vtimas. A vencedora no bioma,
a zootecnista Glucia Seixas, comanda h 15 anos um projeto para
preservar a espcie em seu ambiente natural. Ao longo do tempo, outras
espcies foram sendo incorporadas.

Por acreditar que o desmatamento , em sua raiz, um problema de
educao, o bilogo Silvio Marchini, vencedor na Amaznia, criou em 2002
a Escola da Amaznia.

O projeto j atendeu mais de 2.000 crianas no chamado arco do
desmatamento, uma das reas mais crticas de destruio da mata.

Alm de conscientizar os jovens sobre a importncia social e econmica
de manter a floresta de p, Marchini est envolvendo pessoas de outras
regies, chamando a ateno para a situao da conservao no bioma.

"Todos os escolhidos j fazem a diferena. Agora, esperamos que, com a
verba e a divulgao do E-Cons, eles consigam ir muito alm. Porque
todas as inciativas tm condies de estourar e ir bem alm", afirma
Clvis Borges, da SPVS. Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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proibida a reproduo do contedo desta pgina em qualquer meio de
comunicao, eletrnico ou impresso, sem autorizao escrita da
Folhapress .

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Empreendedor ambiental leva R$ 1 milho

ONG e banco se uniram para premiar seis ideias inovadoras que ajudam a
preservar a biodiversidade no Brasil

Objetivo  que ganhador use o dinheiro para ampliar o projeto; todos os
principais biomas foram contemplados




 Edson Grandisoli
[Slvio Marchini, vencedor da categoria Amaznia, e colegas] 
Slvio Marchini, vencedor da categoria Amaznia, e colegas

GIULIANA MIRANDA
DE SO PAULO


O conceito de empreendedorismo saiu da economia e invadiu a esfera
ambiental. Pessoas com ideias criativas e inspiradoras para proteger a
biodiversidade agora so chamadas de empreendedores da conservao. E j
tm at um prmio que celebra as melhores iniciativas.

O programa E-Cons (Empreendedores da Conservao) escolheu seis
lideranas para dividir R$ 1 milho em seus projetos de preservao.

" uma nova abordagem. Valoriza indivduos com aes inspiradoras e com
potencial de se expandir e ter desdobramentos concretos", explica Clvis
Borges, diretor executivo da ONG SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida
Selvagem e Educao Ambiental), que comanda a iniciativa junto com o
HSBC.

Foram escolhidos projetos de todo o Brasil, nos biomas cerrado,
Amaznia, Pantanal e caatinga. Por suas caractersticas, a mata
atlntica tem dois vencedores, sendo um na categoria urbana.

Manter a floresta de p e preservar espcies nativas em algumas regies
do pas  um desafio. A conservao esbarra em interesses econmicos e,
no raro, no prprio desconhecimento dos moradores.

So essas as barreiras que a biloga Bianca Reinert, uma das premiadas
na mata atlntica, luta para eliminar.

BICUDINHOS

Apaixonada pelo estudo de aves, ela se encantou por um pssaro exclusivo
de parte do Paran e de Santa Catarina: o bicudinho-do-brejo, ameaado
sobretudo pela destruio de seu habitat.

Para tentar salvar a ave, Bianca investiu no estudo da espcie e fez
mestrado e doutorado sobre ela. O entusiasmo pelo bicho acabou
contagiando outros pesquisadores, os quais, por influncia da biloga,
tambm se dedicaram ao estudo do bicudinho.

Em 2009, ela e outras quatro pessoas compraram uma rea na regio de
Guaratuba (PR), um dos pontos com maior concentrao do passarinho, e a
transformaram em RPPN (Reserva Particular do Patrimnio Natural).
Incentivados pela iniciativa, quatro proprietrios vizinhos tambm
fizeram o mesmo.

"Eu expliquei que, para salvar o bicudinho, eles no precisavam fazer
nada alm de conservar. E, se sem apoio a resposta j tem sido muito
boa, eu acho que agora, com o prmio, as chances de que isso se
multiplique so muito grandes", diz Bianca.

A tambm paranaense Terezinha Vareschi seguiu caminho parecido.
Vencedora na categoria mata atlntica urbana, ela mora em uma rea de 36
mil m de mata nativa em plena Curitiba.

Ela decidiu ignorar a presso da especulao imobiliria e transformou
seu terreno em rea de proteo. Em 2011, criou com outros proprietrios
a Apave (Associao dos Protetores de reas Verdes Relevantes de
Curitiba e Regio Metropolitana), que se rene para discutir e cobrar
solues para incentivar os proprietrios a preservarem as reas de mata
restantes.

Preocupado com a matana de lobos-guars por parte de fazendeiros,
irritados com as constantes invases que esses animais fazem a seus
galinheiros, o bilogo Jean Pierre Santos, vencedor da categoria
cerrado, usou a criatividade para tentar resolver o problema.

ORDEM NO GALINHEIRO

Ele desenvolveu um novo modelo de galinheiro, mais difcil de ser
arrombado, praticamente  prova de lobos-guars. Com isso, as mortes dos
candeos foram reduzidas. O galinheiro j  replicado em outras
localidades.

Na caatinga, Weber Andrade de Giro e Silva tenta salvar outro animal, o
soldadinho-do-araripe -passarinho, endmico da chapada do Araripe, no
Nordeste. H 15 anos, ele se dedica  conscientizao de moradores e 
preservao das reas de florestas e nascentes de rio onde os bichos se
reproduzem.

Alm de atrair outros pesquisadores e proprietrios rurais para a causa,
ele tambm foi um dos responsveis por colocar o soldadinho na bandeira
da regio.

No Pantanal, o trfico de animais silvestres  uma das maiores ameaas,
e o papagaio-verdadeiro, uma das maiores vtimas. A vencedora no bioma,
a zootecnista Glucia Seixas, comanda h 15 anos um projeto para
preservar a espcie em seu ambiente natural. Ao longo do tempo, outras
espcies foram sendo incorporadas.

Por acreditar que o desmatamento , em sua raiz, um problema de
educao, o bilogo Silvio Marchini, vencedor na Amaznia, criou em 2002
a Escola da Amaznia.

O projeto j atendeu mais de 2.000 crianas no chamado arco do
desmatamento, uma das reas mais crticas de destruio da mata.

Alm de conscientizar os jovens sobre a importncia social e econmica
de manter a floresta de p, Marchini est envolvendo pessoas de outras
regies, chamando a ateno para a situao da conservao no bioma.

"Todos os escolhidos j fazem a diferena. Agora, esperamos que, com a
verba e a divulgao do E-Cons, eles consigam ir muito alm. Porque
todas as inciativas tm condies de estourar e ir bem alm", afirma
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Marcelo Gleiser

A iluso do saber

Tanto Newton quanto Maxwell estavam certos: a luz  tanto uma partcula
quanto uma onda

Muitas vezes o familiar oculta os maiores mistrios. Esse  o caso da
luz, um fenmeno to comum que quase ningum d muita bola para ele.
Acordamos com ela todos os dias, ligamos e desligamos lmpadas com
descaso, raramente refletindo sobre a sua natureza, sobre o que est por
trs dessa intensidade visvel, porm impalpvel, etrea, porm
concreta, discreta, porm essencial.

No seu tratado sobre a luz intitulado "ptica", publicado em 1704, Isaac
Newton defende sua crena de que a luz  constituda de pequenas
"partes": "No so os raios de luz corpsculos diminutos emitidos por
corpos brilhantes?", pergunta. Sugere, alm disso, que a luz viaja com
velocidade finita, fazendo referncia aos resultados de Ole Roemer, o
qual, em 1676, mediu a velocidade da luz usando o eclipse de Io, uma das
luas de Jpiter.

Em 1865, James Clerk Maxwell publicou o tratado "Teoria Dinmica do
Campo Eletromagntico", no qual descreve a luz como ondulaes do campo
eletromagntico.

A teoria explica conjuntamente a eletricidade e o magnetismo como
manifestaes do campo eletromagntico: uma carga eltrica produz um
campo eltrico  sua volta, como cabelos rodeando uma cabea. Tal como a
gravidade, seu efeito cai com o quadrado da distncia. Campos magnticos
so gerados quando cargas eltricas so aceleradas.

Uma rolha oscilando numa piscina cria ondas circulares. Imagine que a
rolha  uma carga eltrica; ao oscilar, ondas eletromagnticas so
irradiadas concentricamente. (A carga as emite em trs direes, e no
duas.) Se a rolha subir e descer rpido, as ondas estaro prximas,
tero frequncia alta; se lentamente, a frequncia ser baixa.

Algo assim ocorre com as ondas eletromagnticas, que podem ter altas e
baixas frequncias: o que chamamos de luz visvel  um tipo de onda com
frequncias entre 400 e 790 Terahertz (1 Terahertz=1.012
ciclos/segundo). J os raios X e gama tm frequncias bem mais altas,
enquanto o infravermelho e as micro-ondas tm frequncias mais baixas.

Maxwell imaginou que, tal como ondas na gua ou de som, a luz precisasse
de um meio para se propagar. Esse era o estranho ter: transparente,
impondervel e muito rgido, uma quase impossibilidade. Mas todos
acreditavam nele, mesmo aps os experimentos de Michelson e Morley no o
terem encontrado.

S em 1905 o jovem Einstein descartou o ter com a sua teoria da
relatividade: ao contrrio de todas as outras, as ondas eletromagnticas
podem se propagar no vazio. ( possvel que ondas gravitacionais tambm
o faam, assunto que fica para outra semana.)

Para complicar, a luz no tem massa. "Como algo que no tem massa pode
existir?", perguntaria o leitor. Em fsica, energia  mais til que
massa. E a luz tem energia, podendo ser descrita como onda ou partcula:
Newton e Maxwell estavam corretos. As partculas de luz, os ftons, tm
energia proporcional  frequncia. (V-se logo a estranheza: uma
partcula com frequncia, que  propriedade de onda!)

Lembro-me das palavras de Daniel Boorstin: "O maior obstculo  novas
descobertas no  a ignorncia;  a iluso do saber". Mesmo que saibamos
tanto sobre o mundo, sabemos ainda to pouco.

MARCELO GLEISER  professor de fsica terica no Dartmouth College, em
Hanover (EUA), e autor de "Criao Imperfeita". Facebook: goo.gl/93dHI
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