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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Mundo - Refugiados mudam a vida
na fronteira - 15/07/2012 ***
Transcrita em 15/7/2012






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Refugiados mudam a vida na fronteira

Sem conseguir trabalho, muitas mulheres srias acabam se prostituindo na
Turquia por pouco mais de R$ 10

Cai nmero de turistas em Antakya, centro de peregrinao de catlicos
que visitam a igreja de So Pedro




 Tolga Bozoglu - 18.mar.2012/Efe 
[Dois refugiados srios cruzam a fronteira com a Turquia na regio de Antakya, que j v queda no nmero de turistas] 
Dois refugiados srios cruzam a fronteira com a Turquia na regio de
Antakya, que j v queda no nmero de turistas

COLABORAO PARA A FOLHA , EM ANTAKYA E DE GAZIANTEP (TURQUIA)


A fronteira da Turquia com a Sria  uma espcie de Louvre a cu aberto
para apreciadores de mosaicos romanos.

O estilo de arte em que pastilhas coloridas compem uma imagem abunda
nas runas de cidadelas antigas como Zeugma ou em colees nas cidades
modernas.

 no museu de Gaziantep que est pendurada a "Menina Cigana", obra
considerada a "Monalisa" dos mosaicos. Mas outras garotas tm roubado a
ateno da obra, dizem os moradores locais: so refugiadas srias que se
prostituem.

"H dois meses, comearam a aparecer mulheres na garagem", diz o taxista
Dicle Karaoglu, que no conta explicitamente o que elas fazem por l.
Mas o guia turstico Can Ildin conta: "So moas que ficaram sem
trabalho, muitas sem marido, e esto oferecendo seu corpo. Nunca paguei
por isso, por Al".

Ildin afirma que algumas mulheres cobram 10 liras turcas (pouco mais de
R$ 10) por programa.

Pelo sim, pelo no, a dona de casa Ayse zgl passou a sair no banco do
carona com o marido taxista. Ela, como muitos habitantes de Hatay, tem
ascendncia sria e fala rabe, alm do turco local.

"No acredito que essas pessoas tenham feito nada de mau. So como ns.
E no as culpo quando digo que a cidade mudou."

Pudera: mais de 30 mil refugiados foram registrados pelo governo local
at dia 15 de junho, quando a reportagem da Folha visitou a provncia de
Hatay. E o nmero continua crescendo, com o governo acolhendo srios que
atravessem a fronteira.

MORTOS

A revolta contra o ditador srio, Bashar Assad, j deixou mais de 10 mil
mortos, segundo estimativas da ONU. A oposio fala em 17 mil mortos.
Enquanto cresce o nmero de srios no sul da Turquia, parece diminuir o
de visitantes de outras partes do mundo. "H menos turistas. Bem menos",
diz o garom Yusuf, na cidade de Antakya, a 180 quilmetros de
Gaziantep.

O governo local ainda no tem nmeros da variao desde o comeo do ano.

" vero. Os hotis costumam estar todos cheios nesta poca, mas hoje
estamos com 20 dos 42 quartos livres", diz um funcionrio do hotel
Antique. Ele prefere no ser identificado.

TEMPLO

Guias tursticos de Hatay disseram que o fluxo de viajantes  cidade s
no caiu mais por conta dos peregrinos que visitam a igreja de So
Pedro, um dos primeiros templos catlicos do mundo.

"Isso est nos custando pessoalmente", diz um dos guias, Uvan Onan.

"Mas  um preo que vale pagar. Amanh haver mais dinheiro, mas nossos
irmos da Sria podem no estar mais aqui se no os ajudarmos hoje",
afirma.

(CHICO FELITTI) Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar
Erros 






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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Mundo - Turquia se divide sobre
ao militar contra Sria - 15/07/2012 ***
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Turquia se divide sobre ao militar contra Sria

Possibilidade de ataque a Assad domina as discusses nas ruas

Tenso entre os dois pases teve incio com derrubada de caa turco;
Istambul afirma que ato ter resposta CHICO FELITTI
COLABORAO PARA A FOLHA , EM ISTAMBUL (TURQUIA)


Dois homens brigam enquanto escolhem cerejas num mercadinho de Beyoglu,
bairro rico de Istambul.

Os berros no so os costumeiros, motivados por trnsito ou futebol, at
porque a Super Liga Turca terminou em meados de maio com vitria do
Galatasaray.

Atacar ou no a Sria  a questo do debate. No apenas na frutaria, mas
na cidade toda, desde 22 de junho.

H quase um ms, a Sria derrubou um caa F-4 Phantom turco sem armas e
matou seus dois tripulantes.

O governo turco diz desde ento que seu jato foi derrubado por um mssil
enquanto sobrevoava guas internacionais. J o Exrcito srio sustenta
que derrubou a aeronave com artilharia anti-area, dentro do territrio
do pas, por pensar que se tratava de um avio israelense.

"Eles fizeram duas famlias turcas chorar, e esse sangue no ser de
graa", diz o empresrio Emre Unal, um dos debatedores da quitanda. Ao
que responde seu interlocutor e dono da mercearia, Kemal Pasmu: "Foi
uma provocao do nosso governo. Se atacarmos agora, Erdogan vai
conseguir o que queria, uma guerra para mostrar poder".

O poltico a quem Pasmu se refere  Recep Tayyip Erdogan,
primeiro-ministro do pas h nove anos e lder do Partido Justia e
Desenvolvimento (AK Parti).

Sua poltica  marcada pela proximidade com setores religiosos -ele
declarou ser contra o aborto, que h dcadas  legal no pas at o
terceiro ms de gravidez.

A aprovao do poltico em junho era de 59%, segundo pesquisa do centro
americano Pew. Mas passeatas dirias na avenida Istiklal, a via mais
simblica de Istambul, mostram o grau da insatisfao dos outros 41%.

MSSIL OU NO

Os dois grupos dividem o pas num Fla-Flu. De um lado, apoiadores de
Erdogan tendem a aprovar uma ofensiva contra a Sria. Do outro,
oposicionistas dizem que o governo quer uma guerra.

Quando o lder da oposio no Congresso turco, Kemal Kilidaroglu, no
apoiou o deslocamento de tanques e jatos para a fronteira dos dois
pases, o primeiro-ministro o acusou de "dar voz" ao ditador srio,
Bashar Assad.

"Fomos muito rapidamente de melhores amigos da Sria ao seu crtico mais
virulento", diz  Folha o ex-ministro das Relaes Exteriores turco
Ilter Trkmen.

As palavras tm um qu de literal: at h menos de dois anos, o
primeiro-ministro turco e o ditador srio eram amigos. Erdogan e Assad
chamavam um ao outro de "irmo" e passaram frias juntos no mar Negro,
norte da Turquia. Hoje, esto em p de guerra.

EXRCITO NACIONAL

"Guerra  a coisa que fazemos melhor", diz o estudante Burak Anasayfa,
19, na fila para assistir pela terceira vez a "Fetih 1453". O filme
narra a conquista de Constantinopla (hoje Istambul) pelos turcos
otomanos.

O sucesso cinematogrfico reflete uma sociedade que valoriza a nao, a
guerra e o seu Exrcito, que rene 700 mil homens, o equivalente a 1% da
populao.

Saiu das Foras Armadas o fundador da repblica turca, Mustafa Kemal
Atatrk, idolatrado at hoje no pas.

Moradores de Istambul a favor do ataque  Sria e contra a ao ouvidos
pela Folha disseram qual seria sua escolha: "Era o que Atatrk faria".

Um deles foi o aposentado Mehmet Canli, que justifica: "Foi um ataque 
nossa honra e passou em branco. No pode ficar sem castigo".

O governo parece concordar. Em comunicado sobre o incidente, afirma: "O
ato no passar sem resposta". Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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Refugiados mudam a vida na fronteira

Sem conseguir trabalho, muitas mulheres srias acabam se prostituindo na
Turquia por pouco mais de R$ 10

Cai nmero de turistas em Antakya, centro de peregrinao de catlicos
que visitam a igreja de So Pedro




 Tolga Bozoglu - 18.mar.2012/Efe 
[Dois refugiados srios cruzam a fronteira com a Turquia na regio de Antakya, que j v queda no nmero de turistas] 
Dois refugiados srios cruzam a fronteira com a Turquia na regio de
Antakya, que j v queda no nmero de turistas

COLABORAO PARA A FOLHA , EM ANTAKYA E DE GAZIANTEP (TURQUIA)


A fronteira da Turquia com a Sria  uma espcie de Louvre a cu aberto
para apreciadores de mosaicos romanos.

O estilo de arte em que pastilhas coloridas compem uma imagem abunda
nas runas de cidadelas antigas como Zeugma ou em colees nas cidades
modernas.

 no museu de Gaziantep que est pendurada a "Menina Cigana", obra
considerada a "Monalisa" dos mosaicos. Mas outras garotas tm roubado a
ateno da obra, dizem os moradores locais: so refugiadas srias que se
prostituem.

"H dois meses, comearam a aparecer mulheres na garagem", diz o taxista
Dicle Karaoglu, que no conta explicitamente o que elas fazem por l.
Mas o guia turstico Can Ildin conta: "So moas que ficaram sem
trabalho, muitas sem marido, e esto oferecendo seu corpo. Nunca paguei
por isso, por Al".

Ildin afirma que algumas mulheres cobram 10 liras turcas (pouco mais de
R$ 10) por programa.

Pelo sim, pelo no, a dona de casa Ayse zgl passou a sair no banco do
carona com o marido taxista. Ela, como muitos habitantes de Hatay, tem
ascendncia sria e fala rabe, alm do turco local.

"No acredito que essas pessoas tenham feito nada de mau. So como ns.
E no as culpo quando digo que a cidade mudou."

Pudera: mais de 30 mil refugiados foram registrados pelo governo local
at dia 15 de junho, quando a reportagem da Folha visitou a provncia de
Hatay. E o nmero continua crescendo, com o governo acolhendo srios que
atravessem a fronteira.

MORTOS

A revolta contra o ditador srio, Bashar Assad, j deixou mais de 10 mil
mortos, segundo estimativas da ONU. A oposio fala em 17 mil mortos.
Enquanto cresce o nmero de srios no sul da Turquia, parece diminuir o
de visitantes de outras partes do mundo. "H menos turistas. Bem menos",
diz o garom Yusuf, na cidade de Antakya, a 180 quilmetros de
Gaziantep.

O governo local ainda no tem nmeros da variao desde o comeo do ano.

" vero. Os hotis costumam estar todos cheios nesta poca, mas hoje
estamos com 20 dos 42 quartos livres", diz um funcionrio do hotel
Antique. Ele prefere no ser identificado.

TEMPLO

Guias tursticos de Hatay disseram que o fluxo de viajantes  cidade s
no caiu mais por conta dos peregrinos que visitam a igreja de So
Pedro, um dos primeiros templos catlicos do mundo.

"Isso est nos custando pessoalmente", diz um dos guias, Uvan Onan.

"Mas  um preo que vale pagar. Amanh haver mais dinheiro, mas nossos
irmos da Sria podem no estar mais aqui se no os ajudarmos hoje",
afirma.

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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Mundo - Rebeldes eram o alvo de
ataque em aldeia, diz ONU - 15/07/2012 ***
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Rebeldes eram o alvo de ataque em aldeia, diz ONU DAS AGNCIAS DE
NOTCIAS


O ataque que matou dezenas de pessoas na aldeia sria de Tremseh, na
ltima quinta, teve ativistas e rebeldes como os principais alvos, de
acordo com observadores da ONU.

"Existiam poas e respingos de sangue ao lado de cartuchos nos quartos
de vrias casas", disse Sausan Ghosheh, porta-voz da ONU, indicando que
algumas pessoas foram mortas  curta distncia.

Segundo relatrio dos observadores das Naes Unidos (que ontem
conseguiram entrar na cidade de 11 mil habitantes), uma srie de
armamentos foi usada no massacre, como morteiros e armas leves.

Ainda no foi feito um levantamento sobre o nmero de mortos em Tremseh,
mas os observadores deveriam voltar hoje ao local. Grupos opositores
dizem que mais de 200 pessoas morreram naquele que teria o pior massacre
desde o incio dos confrontos, em maro de 2011.

Segundo a mdia estatal, as tropas srias s entraram na aldeia aps
pedido de ajuda dos moradores e que a culpa das mortes  de
"terroristas". Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros







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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Mundo - "O Lbano vive em
estabilidade muito precria", diz ex-premi - 15/07/2012 ***
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"O Lbano vive em estabilidade muito precria", diz ex-premi

Michel Aoun critica 'inflitrao' do Exrcito Livre da Sria no pas
KAREN MARN
COLABORAO PARA A FOLHA , EM BEIRUTE


Michel Aoun, 76, foi premi do Lbano de 1988 a 1990. Detido e exilado
pela Sria, retornou em maio de 2005, quando ocorreu a retirada das
tropas srias de ocupao. Seus seguidores o descrevem como "o
reformador da sociedade".

Aoun comanda o principal partido de oposio, o Movimento Patritico
Livre -uma coalizo majoritariamente crist, mas com viso laica da
poltica, hoje aliada ao

Hizbollah, cujo brao armado  financiado pelo Ir, com a conivncia da
Sria.

"O general", como seus seguidores o chamam, se nega a descrever a
milcia islmica como terrorista e a define como movimento de
resistncia.

A Folha o entrevistou em sua lendria residncia em Rabieh, uma
fortaleza protegida por medidas de segurana dignas de um chefe de
Estado, com barreiras militares, seguranas pessoais e modernos
dispositivos eletrnicos.

-

Folha - Qual  a atual situao poltica do Lbano?

Michel Aoun - Vivemos em estabilidade muito precria. Manter o Lbano
estvel e no permitir que seja influenciado pelos movimentos que nos
cercam custa muito esforo.

Temos infiltraes em territrio libans pelo chamado Exrcito Livre da
Sria, o que poderia causar um confronto com o Exrcito libans.

No mbito poltico, tentamos no interferir na disputa sria, no
confronto de srios contra srios, e nos mantemos  margem disso.

Por que a crise na Sria est acontecendo?

Os Estados Unidos so o primeiro pas a apoiar essa crise, em companhia
da Unio Europeia. H dois motivos: o primeiro  a segurana de Israel e
o segundo  o petrleo.

Tambm seria uma maneira de cercar o Ir?

A crise  um ataque ao povo iraniano. O Ir est em um processo de
gerao de energia nuclear e lhes foi ditado que deixem de faz-lo.

Vemos essa guerra como uma maneira de tentar controlar toda a regio. 
um conflito entre dois grandes [EUA e Rssia] pelo qual pagamos.

Quem lidera essa guerra?

O pas fundador dessa guerra  Israel, porque  um Estado racista e
deseja criar uma regio racista. E h tambm os interesses ocidentais
que tm Israel como base.

 possvel prever quanto tempo vai durar essa crise?

Difcil prognosticar quando o fim chegar, porque a crise sria  uma
luta entre grandes foras. No se trata de um conflito entre o povo
srio e o seu governo.

Esse estado de conflito pode gerar guerra civil no Lbano?

H intenes internacionais de que volte a surgir uma guerra civil no
Lbano. Mas a estabilidade poltica impede que um novo confronto interno
seja deflagrado.

Quais foram os custos polticos que o sr. teve de pagar pelo acordo com
o Hizbollah?

No Lbano, perdi 18 pontos percentuais de popularidade ao assinar o
acordo com o Hizbollah. Mas no vejo o resultado como custo ou perda,
porque o pas ganhou estabilidade, abertura e, o mais importante,
unidade nacional.

 claro que o acordo encontrou repercusso negativa nos Estados Unidos,
que caracterizam o Hizbollah como parte do eixo do mal.

O que o sr. pensa sobre a comunidade libanesa no Brasil?

A dispora libanesa em todo o mundo, e especialmente no Brasil,
desempenha papel importante nas eleies, caso possam votar em seus
pases de residncia ou se vierem ao Lbano. Mas eles precisam saber que
tero de prestar contas sobre suas decises.

Eles tm que pensar com cuidado e contemplar o que acontece ao nosso
redor, no norte do Lbano e na regio, antes de decidir.

Traduo de PAULO MIGLIACCI Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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Frases



"Israel tem o poder militar para destruir o Lbano. J o fez antes e
nada pode impedir que volte a faz-lo. Mas ter de enfrentar graves
perdas"

"A Sria era um pas muito estvel. Essa crise atual foi criada pelos
Estados Unidos [...] O que se l no  informao, mas propaganda" Texto
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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Mundo - Universidade tunisiana
reflete embate entre secular e religioso - 15/07/2012 ***
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Universidade tunisiana reflete embate entre secular e religioso

 Folha decano narra conflito com alunos salafistas no campus DIOGO
BERCITO
DE SO PAULO


Os olhares da comunidade internacional j no esto mais pousados na
Tunsia, pas que deu a largada para a Primavera rabe ao destronar o
ditador Zine El Abdine Ben Ali, em janeiro de 2011.

Mas, enquanto observadores esto agora atentos aos desenlaces violentos
na Sria, o pequeno pas africano ainda debate seu futuro poltico.

Uma questo-chave tem sido o papel que o islamismo vai ocupar -no
apenas nas cadeiras do Parlamento, mas tambm na vida pblica.

A Universidade Manouba tornou-se, nesse contexto, um exemplo da
dificuldade de agradar salafistas (ultraconservadores) e seculares.

Desde o ano passado, essa universidade tem vivido embates entre
estudantes islmicos e Habib Kazdaghli, decano da Faculdade de Letras.

 Folha ele narra algumas das agresses pelas quais passa por tomar
decises controversas no pas em construo -por exemplo, proibir o vu
na sala de aula.

Em maro, Kazdaghli suspendeu duas estudantes pelo uso do niqab,
vestimenta que oculta o rosto. "Em objeo, alunos vieram  minha sala
para protestar. Quando eu pedi que sassem, eles destruram meu
escritrio", diz.

O vu  considerado "indefensvel" pelo corpo docente. "Como podemos dar
aula para uma aluna quando no vemos seu rosto?", indaga.

PROJETO SOCIAL

Kazdaghli  criticado dentro do pas por no chegar a um acordo com os
alunos islmicos -que reivindicam, tambm, espao reservado s oraes
na universidade.

A Tunsia, em geral, luta para acomodar a diversidade religiosa e
reconhecer as necessidades de grupos islmicos.

Para Kazdaghli, a questo envolve "pessoas externas usando a
universidade e uma minoria de estudantes para atingir um objetivo", j
que "para salafistas, o ambiente universitrio  um bastio do
secularismo estatal".

"Eles exigem a segregao dos alunos homens e mulheres", afirma. "A
questo  complexa e reflete o novo projeto social proposto por grupos
conservadores."

A Tunsia elegeu, no fim de 2011, um Parlamento com maioria de
islamitas.

Kazdaghli diz ter chamado a polcia em diversas ocasies para conter os
protestos, sem ter sucesso. "Nenhuma instituio est disposta a tomar
posio", afirma.

O decano diz que h hoje em seu pas uma "guerra de ideologias".
"Estamos vendo a expresso do que foi reprimido", diz, referindo-se s
dcadas de ditadura de Ben Ali. "A violncia ideolgica  o resultado de
dcadas de frustrao e de humilhao." Texto Anterior | Prximo Texto |
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diviso do mundo - 15/07/2012 ***
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Clvis Rossi

Lbia, Sria e a diviso do mundo

Sem o ex-ditador Muammar Gaddafi, o pas est melhor, mas o modelo no
est servindo para Damasco

A eleio do dia 7 na Lbia demonstrou que, por mil e um problemas que o
pas tenha, est melhor hoje do que estava com Muammar Gaddafi no poder.

O que significa que a interveno militar defendida pelos grandes pases
ocidentais, aceita a contragosto por China e Rssia, mas rechaada pelo
Brasil, produziu, sim, resultados positivos.

No foi, como no poderia ser, um passeio no bosque, claro. Mas a
alternativa para a comunidade internacional era cruzar os braos e ser
testemunha passiva de outra Ruanda, outra Srebrenica.

A edio desta semana da revista "The Economist" revisita esse dilema
para concluir: "Imagine como a Lbia estaria hoje se Gaddafi tivesse
conseguido reimpor seu regime de terror e loucura. A carnificina teria
sido incontrolvel. Seu povo teria sido atirado a uma escurido mais
completa do que nunca".

No s tamanho horror foi evitado, como a Lbia est conseguindo fazer
uma transio razoavelmente organizada.

Escreve por exemplo Frederic Wehrey, do instituto Carnegie para a Paz
Internacional, um desses intelectuais que no ficam no escritrio
produzindo "papers", mas vo a campo examinar a situao:

"Acho que d para ser cautelosamente otimista sobre a transio na
Lbia", por um lado, por ter organizado eleies bastante limpas para um
pas submetido a absoluto controle durante dcadas; por outro, "porque a
produo de petrleo excede as expectativas ao j superar os nveis
pr-guerra, fornecendo fundos muito necessrios para ajudar a
estabilizar a economia e o Estado".

Wehrey, como muitos outros, aponta como o grande deficit na transio a
segurana pblica e a contnua atividade das milcias (so cerca de 60,
em cujas mos fica boa parte das 20 milhes de armas que a guerra deixou
soltas).

Ou, como prefere editorial de "El Pas", "no se trata de uma transio
 democracia, mas de construir um Estado. E os lbios partem
praticamente de zero".

S partem porque houve a interveno militar externa.  um tremendo
contraste com a situao da Sria, em que a comunidade internacional
assiste ao banho de sangue que soube evitar em Benghazi.

No caso da Sria, est ocorrendo o que Michael Ignatieff, ex-lder do
Partido Liberal canadense, hoje professor na Universidade de Toronto,
define como a diviso do mundo em duas partes:

"O conflito srio disparou algo mais fundamental do que uma diferena de
opinio sobre interveno, algo mais que um debate sobre se o Conselho
de Segurana deveria autorizar o uso da fora. A Sria  o momento em
que o Ocidente deveria ver que o mundo se partiu efetivamente em dois.
Uma aliana frouxa de democracias capitalistas em dificuldades agora se
encontra face a face com dois despotismos autoritrios -Rssia e China-,
algo novo nos anais da cincia poltica: cleptocracias que misturam
economia de mercado e Estado policial. Esses regimes apoiaro tiranias
como a da Sria onde for de seu interesse".

Est na hora de o Brasil definir claramente de que lado desse mundo
partido quer ficar.

crossi@uol.com.br

AMANH EM MUNDO Luiz Carlos Bresser-Pereira Texto Anterior | Prximo
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duvida de governo - 15/07/2012 ***
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Islndia cresce, mas duvida de governo

Ressentimento com setores poltico e financeiro segue alto, num pas que
antes da crise era habituado a confiar

Ex-premi Geir Haarde foi condenado em julgamento recente por ignorar os
sinais bvios antes da derrocada BRUNO FARIA LOPES
COLABORAO PARA A FOLHA, EM REYKJAVK


As sagas nrdicas e os livros do Nobel de Literatura Halldor Laxness so
clssicos nas casas dos islandeses, mas, desde 2010, tm uma nova e
extica companhia: um relatrio de auditoria.

" como ler fico, h uma grande histria", garante, sem ironia, Gudrun
Ingvarsdttir, 39, arquiteta.

O relatrio de oito volumes expe a gesto fraudulenta dos bancos,
acompanhada por cumplicidade e negligncia do poder poltico.

Com os islandeses pagando o preo da crise, o impacto da auditoria 
devastador. "Como  possvel dizer que a Islndia  um pas bem
classificado nos rankings internacionais de corrupo?", indaga
Ingvarsdttir. "Ns vivemos no pas mais corrupto da Europa."

Quem chega a Reykjavk v escassos sinais do histrico colapso
financeiro que abalou o pas em 2008.

Os cafs e restaurantes esto apinhados de turistas atrados pela
desvalorizao de 50% da moeda.

Mas o ressentimento com a classe poltica e o setor financeiro continua
muito alto, num pas que, at a crise, estava habituado a confiar.

Uma pesquisa recente indica que s 10% dos entrevistados confiam no seu
Parlamento.

O recente julgamento do ex-premi Geir Haarde (2006-2009) foi para o
governo um passo importante a caminho da reconciliao nacional.

Haarde, 61, foi absolvido das acusaes mais graves de negligncia, mas
condenado por ignorar os sinais bvios antes da crise.

A Justia tem acusaes formalizadas contra banqueiros, as nicas
figuras na Islndia mais impopulares do que os polticos.

Mesmo que os processos tenham alguma influncia, a chave para a
reconciliao est na melhoria da economia. No papel, o pas parece
estar em um bom caminho: cresceu 3,1% em 2011 e deve avanar 2,5% neste
ano. Mas h desafios enormes.

"O que est fervendo sob a superfcie  a dificuldade das famlias que
esto sobrecarregadas com os emprstimos para habitao e com a reduo
de 20% a 30% no poder de compra", diz Karl Blondal, editor do
"Morgunbladid", o principal dirio islands.

A desvalorizao da coroa ajudou as exportaes, mas fez disparar a
inflao no pas para 16% em 2009 (ficou em 4% em 2011). O sismo trouxe
ainda o 'tsunami': 75% dos emprstimos para compra de casa esto
indexados  taxa de inflao, e o restante, ligado a cestas de moedas
estrangeiras.

No primeiro caso, a prestao da casa incha muito. No segundo, explode
para o dobro ou o triplo.

REESTRUTURAO

At aqui, o governo j reestruturou  2 bilhes (R$ 5 bi) de dvida das
famlias, -cerca de 20% do PIB do pas.

Mas o endividamento ainda supera 200% da renda das famlias. "O problema
 que mais reestruturao significa gastar mais dinheiro dos
contribuintes", diz o ministro do Estado Social, Gudbjartur Hannesson.
"Sabemos que haver presso e que o debate est ainda longe do fim."

Para Gudrun Ingvarsdttir, que viu a prestao mensal de sua casa subir
40%, os critrios usados para perdoar as dvidas so injustos.

Foram concedidos em primeiro lugar aos devedores em moeda estrangeira.
" uma m lio que o governo d."

Apesar dos bons sinais, ser preciso ainda muito tempo at as feridas
cicatrizarem -no bolso e na confiana. Texto Anterior | Prximo Texto |
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revoluo criativa no pas - 15/07/2012 ***
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Crise abre espao para revoluo criativa no pas COLABORAO PARA A
FOLHA, EM REYKJAVK


Qual o pior momento para lanar um negcio?

Na Islndia, a resposta bvia seria outubro de 2008, ms do estouro de
uma das maiores bolhas financeiras da histria.

Foi quando Hgrun e Magni, um casal de designers de moda, deu um passo
decisivo no seu negcio: lanar uma linha de sapatos de desenho arrojado
para vender nas suas lojas.

"No sabamos, mas foi o momento perfeito", conta Hgrun, 34, com um
largo sorriso no rosto.

"Houve um grande ressurgimento da procura por produtos islandeses e
design local -a linha foi um sucesso."

A queda de 50% da coroa islandesa e a interrupo da ascenso agressiva
dos bancos esto dando espao para novos negcios.

" a oportunidade para aproveitar o potencial criativo desta nao meio
louca", afirma Hgrun.

Um par de sapatos da KronKron, marca que ela gerencia com o marido, 
vendido por US$ 500 (R$ 1.016) em Nova York.

Falando com jovens criadores islandeses, percebe-se um alvio com o fim
do predomnio da cultura financeira, que tinha sido uma novidade sbita
no pequeno e gelado pas de um total de somente 320 mil habitantes -mais
prximo da Groenlndia do que do continente europeu.

(BFL) Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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para casa enxuga economia em Portugal - 15/07/2012 ***
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Volta de brasileiros para casa enxuga economia em Portugal

Crise afasta imigrantes de pequenas cidades e abala comrcio e servios
LUISA BELCHIOR
ENVIADA ESPECIAL A  ERICEIRA (PORTUGAL)


A garrafa de cachaa quase cheia denuncia: faltam clientes brasileiros
no Bar do Armando, no centro de Ericeira, em Portugal.

A pequena cidade a 50 km de Lisboa  um dos redutos de imigrantes do
Brasil. Com a crise na Europa, porm, retornaram ao pas, secando a
economia de cidades inteiras.

Nos povoados da Costa da Caparica, onde a baixa de brasileiros foi
maior, supermercados vendem at 60% menos, pequenos shoppings foram
abandonados, restaurantes ficaram vazios e 40% de agncias imobilirias
pararam de funcionar.

Com menos contribuies, a prefeitura teve que cortar vencimentos de
funcionrios.

"Os brasileiros eram consumidores dirios. Com certeza afetou bastante
nossa economia", diz  Folha o prefeito das vilas da Costa da Caparica,
Antonio Neves.

L, o nmero de brasileiros chegou a 4.000, de uma populao total de 13
mil. No primeiro trimestre de 2012,porm, restavam apenas 1.500.

A chegada de brasileiros a essas cidades, h cerca de uma dcada,
reconfigurou e diversificou suas economias, baseadas na agricultura e no
turismo interno de vero.

"O brasileiro aqui enchia o carrinho no supermercado", afirma o prefeito
de Ericeira, Antnio Manuel Mansura.

O setor das agncias imobilirias, pelo levantamento das prefeituras,
foi o mais afetado at agora. As que no fecharam as portas tiveram que
baixar o preo dos aluguis.

A agente imobiliria Marilda Cardoso diz que negocia hoje por  100 (R$
250) mensais o aluguel de apartamentos que menos de um ano atrs valia 
400 (R$ 1.000).

"Meu celular no parava de tocar", conta a agente, tambm brasileira.

Entre os que, como ela, ficaram em Portugal, 35% tm a inteno de
voltar em algum momento ao Brasil, segundo um estudo do Instituto
Universitrio de Lisboa.

"H uns meses, ainda veio uma construtora espanhola aqui e recrutou
todos os desempregados para trabalhar em uma obra da Copa de 2014 em So
Paulo. Foi todo mundo", conta Armando Morgado, proprietrio do bar que
leva o seu nome em Ericeira.

Ali, a crise se mede pela bebida: ele vendia 20 barris de chope por dia
em 2006. Hoje, mal chega a dois barris. Texto Anterior | Prximo Texto |
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meus pais - 15/07/2012 ***
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Entrevista - Victoria Montenegro

Eu pensava que eram meus pais

Filha de guerrilheiros, ela foi entregue a famlia que apoiava ditadura
argentina SYLVIA COLOMBO
DE BUENOS AIRES


No prximo ms, Victoria Montenegro, 36, levar os restos de seu pai
para serem enterrados em sua provncia (Estado) natal, Salta.

Roque Orlando Montenegro, um guerrilheiro do ERP (Exrcito
Revolucionrio do Povo), morreu aos 20 anos, vtima de um dos "voos da
morte" -sistema usado pela represso argentina dos anos 1970 para
livrar-se dos presos polticos, arremessando-os no rio da Prata.

"Ser mais um captulo na prestao de contas que estou fazendo com meu
passado", afirma ela em entrevista  Folha.

Victoria  um dos estimados mais de 500 bebs que foram roubados por
militares antes e depois do golpe de 24 de maro de 1976, episdio que
iniciou o ltimo perodo militar argentino.

As crianas foram entregues a famlias de oficiais ou a apoiadores do
regime.

Desse total, a associao Avs da Praa de Maio, formada por mes de
militantes de esquerda, j localizou 105 bebs, que hoje esto na casa
dos 30 anos.

Na semana passada, o grupo comemorou a deciso da Justia argentina que
distribuiu sentenas a nove responsveis por esses crimes, entre eles, o
ex-ditador Jorge Rafael Videla, 86.

A seguir, trechos da entrevista que Montenegro concedeu  Folha .

-

Folha - Quando e como voc foi roubada?

Victoria Montenegro - Nasci em liberdade e fui presa com meus pais aos
13 dias de vida, em William Morris [provncia de Buenos Aires], em
fevereiro de 1976.

O homem que me roubou, o coronel Hernn Antonio Tezlaff, esteve
envolvido na operao que terminou com a vida de ambos. Meu pai foi
vtima dos "voos da morte", minha me est desaparecida at hoje.

Como foi sua relao com seu apropriador?

Era uma relao de pai e filha. Durante minha infncia, no desconfiava
de nada. Cresci num entorno militar, os amigos da famlia, os encontros,
as festas, eram as tpicas desse meio.

Falava-se da "subverso" sempre em tom negativo e com as piores cores.
Eu temia a violncia que inspiravam.

Em 1989, as Avs comearam a desconfiar do meu caso e a pedir os exames
de DNA. Fiquei assustada. No comeo, no quis fazer [o exame]. Tinha
muito medo de ser filha de guerrilheiros, por causa das coisas que meu
apropriador contava sobre eles.

Como isso mudou?

Foi um processo longo, desde que fiz as primeiras provas, em 1993, at
que ficou comprovada minha identidade, em 2000. Comecei a conhecer as
experincias de outros netos e a ler sobre a luta dos meus pais
biolgicos, que aos poucos foi se transformando na minha luta.

Tive uma relao amorosa plena com meus apropriadores porque somos
humanos e estabelecemos relaes. Eu pensava que eram meus pais. Mas,
uma vez que se descobre a verdade,  preciso no pensar no amor, e sim
na Justia, pois apropriar-se de um beb no  um ato de amor.

Mas como ficou a relao com eles aps saber a verdade?

Eu nunca rompi, mas fiz com que entendessem que eu no s estava contra,
como ia viver a vida que me tinham roubado. Nesse momento, deixei de me
chamar Mara Sol, o nome que me deram, e voltei a me chamar Victoria, o
nome que meus pais queriam para mim.

Meu apropriador morreu em 2003. Minha apropriadora, h alguns meses. J
no tenho mais vnculos com ningum dessa famlia.

Voc considera justas as penas aplicadas aos repressores da ditadura?

As sentenas contra os cabeas da represso esto corretas. Videla pegou
50 anos. Outras, aos apropriadores, decepcionaram um pouco, no passando
de 15 anos.

Porm, o mais importante do julgamento  o fato de considerar o roubo de
bebs como um "plano sistemtico" pela primeira vez. Isso tem um
significado histrico muito grande.

Por qu?

Trata-se de um passo a mais que damos na recuperao da nossa histria.
Isso no  mrito de um governo apenas, mas sim de um Estado que est
recuperando a identidade daqueles que foram oprimidos no passado e dando
um verdadeiro nome para o que aconteceu.

Est colocando no banco dos rus gente que nunca pensou que passaria por
isso. Est confrontando interesses que se imaginavam intocveis, como os
dos donos de grandes grupos de mdia.

A ditadura est finalmente sendo entendida dentro de sua complexidade,
ela no foi s militar, mas, sim, cvica, militar e dos meios de
comunicao. Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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mata parlamentar afego - 15/07/2012 ***
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Ataque em casamento mata parlamentar afego

Ao de homem-bomba deixa ainda mais 22 mortos e dezenas de pessoas
feridas DAS AGNCIAS DE NOTCIAS


Um parlamentar afego e mais 22 pessoas morreram ontem em um ataque
suicida, durante uma festa de casamento, no Afeganisto.

A exploso aconteceu em Ayabak, na provncia de Samangan (norte) e
dezenas de pessoas ficaram feridas, segundo a polcia local.

Ahmad Khan Samangani, da etnia uzbeque, era membro do Parlamento afego
desde o ano passado. Ele oferecia uma festa de casamento para sua filha,
com cerca de 5.000 convidados.

Uma testemunha contou que o homem-bomba, disfarado entre os convidados,
abraou Samangani e, em seguida, detonou os explosivos que trazia no
corpo.

Entre os mortos, tambm est o chefe do servio de inteligncia da
provncia, Mohammad Khan. Estima-se que haja em torno de 60 feridos,
incluindo policiais e oficiais do Exrcito. Os noivos sobreviveram.

Nenhum grupo reivindicou o ataque. O Taleban negou envolvimento do
grupo.

O presidente afego, Hamid Karzai, condenou o ataque e anunciou uma
investigao. "Os inimigos do Afeganisto novamente atacaram pessoas que
lutam pela unidade nacional", afirmou.

Simpatizante de Karzai, Samangani foi alvo de outro ataque  bomba h
cinco anos.

A morte de Samangani  o terceiro assassinato de uma autoridade do
governo em dois dias, no Afeganisto.

Apesar da instabilidade no pas, ele dispensou procedimentos de
segurana ostensivos na festa. No havia revista de armas, em sinal de
respeito aos convidados. Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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foi derrubado, afirma Fora Area - 15/07/2012 ***
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Colmbia

Avio da Embraer no foi derrubado, afirma Fora Area

DAS AGNCIAS DE NOTCIAS - Em comunicado, a Fora Area Colombiana
afirmou que a aeronave Super Tucano -usada por ela e produzida pela
Embraer- que caiu na quarta-feira passada no foi derrubada.

As Farc (Foras Armadas Revolucionrias da Colmbia) afirmavam ter
derrubado o caa, um dos 25 modelos brasileiros que a Colmbia possui.

"Baseada em indcios e provas, a Fora Area Colombiana demonstra como
as Farc tentaram desinformar e gerar confuso na opinio pblica,
enganando as comunidades nacional e internacional", diz o comunicado,
aps anlise de uma comisso de vistoria.

O documento no explica o motivo para a queda do avio.

O pas  dono da segunda maior frota dos Super Tucanos, menor apenas que
a do Brasil.

Na queda da aeronave, na regio de Cauca, no voltil sudoeste
colombiano, dois militares morreram. Texto Anterior | ndice | Comunicar
Erros 






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