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humanos - 27/08/2012 ***
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Robs versus humanos

Novas tecnologias reacendem o debate




 Paul Sakuma/Associated Press    
[Uma nova onda de robs como os da fbrica da Tesla em Fremont, na Califrnia, est tomando o lugar de operrios humanos em todo o mundo] 
Uma nova onda de robs como os da fbrica da Tesla em Fremont, na
Califrnia, est tomando o lugar de operrios humanos em todo o mundo



Por JOHN MARKOFF

DRACHTEN, Holanda

Na fbrica da Philips na costa chinesa, centenas de operrios usam as
mos e ferramentas especializadas para montar barbeadores eltricos.
Esse  o modo antigo de trabalhar.

Numa fbrica da mesma empresa em Drachten, na Holanda, 128 braos
robticos realizam o mesmo trabalho com flexibilidade digna de iogues.
Cmeras de vdeo os guiam para realizar faanhas que superam a
capacidade do humano mais hbil que exista.

Trabalhando sem parar, um brao robtico forma trs dobras perfeitas em
dois fios conectores e os insere em furos to pequenos que so quase
invisveis. Os braos trabalham to rapidamente que precisam ficar
fechados em gaiolas de vidro para que as pessoas que os supervisionam
no se machuquem. E eles fazem tudo isso sem uma pausa para tomar um
caf, trabalhando trs turnos por dia, 365 dias por ano.

A fbrica holandesa tem ao todo algumas dezenas de operrios humanos por
turno -mais ou menos um dcimo do nmero visto na fbrica chinesa, na
cidade de Zhuhai.

Isto  o futuro. Uma nova onda de robs, muito mais destros que os robs
j empregados comumente hoje por montadoras de automveis e outros
setores manufatureiros pesados, esto substituindo trabalhadores humanos
em todo o mundo, tanto na manufatura quanto na distribuio.

Fbricas como esta, na Holanda, formam um contraponto marcante com as
fbricas usadas pela Apple e por outras empresas gigantes de eletrnicos
para o consumidor, que empregam centenas de milhares de operrios pouco
qualificados em busca de baixo custo.

"Com estas mquinas, podemos produzir qualquer eletrnico de consumo do
mundo", disse Binne Visser, gerente da linha de montagem da Philips em
Drachten.

Muitos executivos industriais e especialistas em tecnologia dizem que a
abordagem usada pela Philips est superando a da Apple.

Ao mesmo tempo em que a Foxconn, que produz o iPhone da Apple, continua
a construir novas fbricas e contratar milhares de operrios adicionais
para fabricar smartphones, ela planeja instalar mais de 1 milho de
robs dentro de alguns anos, para complementar sua fora de trabalho na
China. Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - New York Times - Tecnologias
renovam aposta na robtica - 27/08/2012 ***
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Tecnologias renovam aposta na robtica

Por JOHN MARKOFF

A Foxconn no informou quantos operrios sero dispensados. Mas seu
presidente, Terry Gou, endossa o uso crescente de robs. De acordo com a
agncia oficial de notcias, Xinhua, em janeiro Gou declarou, falando de
seus mais de 1 milho de empregados: "Como os seres humanos tambm so
animais, gerir 1 milho de animais me d dor de cabea".

Os custos decrescentes e a sofisticao crescente dos robs reativaram
uma discusso em torno da velocidade em que empregos sero perdidos.
Neste ano os economistas Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do Instituto
de Tecnologia do Massachusetts, apresentaram argumentos em favor de uma
transformao rpida. "A usurpao das habilidades humanas pelos robs
nesse ritmo e escala  recente e possui implicaes econmicas
profundas", escreveram eles em seu livro "Race Against the Machine"
("Corrida Contra a Mquina").

Para eles, a chegada da automao de baixo custo anuncia transformaes
da mesma escala da revoluo na tecnologia agrcola ocorrida no sculo
passado, quando o emprego na agricultura nos EUA caiu de 40% da fora de
trabalho para 2%.

Mas Bran Ferren, veterano especialista em robtica e designer de
produtos industriais na Applied Minds, de Glendale, Califrnia,
argumenta que ainda h obstculos grandes "Inicialmente, eu tinha a
ingenuidade de pensar em robs universais que fossem capazes de fazer
tudo", contou. "Mas  preciso ter pessoas por perto, de qualquer
maneira. E as pessoas so boas em entender como mexer com aquele
radiador ou acoplar aquela mangueira. Coisas como essas ainda so
difceis para robs."

Mais alm dos desafios tcnicos, h a resistncia de operrios
sindicalizados e comunidades preocupadas com a perda de empregos. Embora
o aumento dos custos da mo de obra e dos transportes na sia e o medo
do roubo de propriedade intelectual estejam trazendo alguns trabalhos de
volta para o Ocidente, a ascenso dos robs pode significar que sero
gerados menos empregos.

Na fbrica de painis solares Flextronic, em Milpitas, ao sul de San
Francisco, uma faixa proclama "Trazendo Empregos e Manufatura de Volta 
Califrnia!". Dentro da fbrica, contudo, vem-se robs por toda parte e
poucos trabalhadores humanos. Todo o levantamento de cargas pesadas e
quase todo o trabalho de preciso  feito por robs. Os trabalhadores
humanos cortam material em excesso, passam fios por furos e aparafusam
alguns prendedores.

Esse tipo de avano no setor manufatureiro tambm est provocando
transformaes em outros setores que empregam milhes de trabalhadores.
Um desses setores  o da distribuio, em que robs que se movimentam na
velocidade dos corredores mais velozes do mundo so capazes de
armazenar, pegar e embalar mercadorias para transporte, com muito mais
eficincia que os humanos.

Os avanos rpidos nas tecnologias de viso e tato esto colocando uma
grande gama de tarefas manuais ao alcance das habilidades dos robs. Por
exemplo, os jatos comerciais da Boeing agora so rebitados
automaticamente por mquinas gigantes que se movimentam com rapidez e
preciso sobre a superfcie dos avies.

Na Earthbound Farms, na Califrnia, quatro braos robticos
recm-instalados, com copos de suco customizados, empacotam embalagens
de alface orgnica em caixas para transporte. Cada rob faz o trabalho
de at cinco trabalhadores humanos.

Corrida de robs

Numa feira comercial de automao em Chicago, no ano passado, Ron
Potter, diretor de tecnologia de robtica na consultoria Factory
Automation Systems, de Atlanta, ofereceu um exemplo de um sistema
manufatureiro robtico que custou inicialmente US$ 250 mil e tomou o
lugar de dois operadores de mquinas, cada um dos quais ganhava US$ 50
mil por ano. Ao longo dos 15 anos de vida do sistema, as mquinas
possibilitaram economia de US$ 3,5 milhes em mo de obra e
produtividade.

O governo e executivos industriais nos EUA argumentam que, mesmo que as
fbricas sejam automatizadas, ainda so uma fonte importante de
empregos. Se os EUA no competir pela manufatura avanada em setores
como o da eletrnica para consumidores, poder perder tambm nas reas
de engenharia e design. Alm disso, embora sejam perdidos mais empregos
de colarinho azul, a manufatura mais eficiente vai gerar empregos
qualificados no design, na operao e na manuteno das linhas de
montagem.

E os fabricantes de robs dizem que seu prprio setor gera empregos. Um
relatrio encomendado no ano passado pela Federao Internacional de
Robtica constatou que os produtores de robtica em todo o mundo j
empregavam 150 mil pessoas em todo o mundo.

Mas o domnio americano e europeu na prxima gerao da indstria 
incerto. "O que eu vejo  que os chineses tambm vo usar robs", disse
Frans van Houten, presidente da Philips. "A janela de oportunidade para
trazer a manufatura de volta para ns  antes de isso acontecer."

Linha de montagem veloz

Na Tesla Motors, em Fremont, na Califrnia, at oito robs fazem um bal
em torno de cada veculo quando ele para por apenas cinco minutos em
cada estao ao longo da linha de produo. Os braos robticos parecem
humanos quando se estendem e trocam de "mo" para realizar uma tarefa
diferente. Muitos robs em fbricas de automveis realizam apenas uma
funo, mas os robs da Tesla do conta de at quatro: soldar, rebitar,
colar e instalar um componente. O objetivo  que at 83 seds de luxo
eltricos Tesla S sejam produzidos por dia na fbrica. Quando a empresa
comear a produzir um utilitrio esportivo, no prximo ano, os robs
sero reprogramados e o veculo novo ser produzido na mesma linha de
montagem.

A fbrica da Tesla  pequena, mas representa uma aposta nos robs
flexveis, algo que pode ser um modelo para o setor.

Recentemente, a Hyundai e a Beijing Motors abriram uma fbrica nos
arredores de Pequim que poder produzir 1 milho de veculos por ano,
usando mais robs e menos pessoas que as fbricas grandes de seus
concorrentes, e com a mesma flexibilidade que a da Tesla, disse Paul
Chau, investidor americano da WI Harper.

Novo papel dos humanos

Nos dez anos passados desde que comeou a trabalhar num depsito em
Tolleson, Arizona, Josh Graves j viu como os sistemas de automao
podem facilitar o trabalho, mas tambm criar estresse e inseguranas
novos. O depsito no qual ele trabalha distribui produtos alimentcios a
granel para a rede de supermercados Kroger.

Graves, 29, comeou a trabalhar no depsito assim que terminou o ensino
mdio. O emprego exigia o levantar caixas pesadas, e ele trabalhava
muitas horas por dia.

Hoje, Graves dirige uma mquina pequena semelhante a uma empilhadeira.
Ele usa fones de ouvido; uma voz computadorizada lhe diz onde no
depsito deve ir para buscar ou armazenar produtos. Um computador
centralizado, apelidado pelos operrios de Crebro, dita a velocidade
das empilhadeiras. Os gerentes sabem exatamente o que os operrios esto
fazendo em cada minuto.

Segundo Rome Aloise, vice-presidente para a Califrnia do sindicato de
trabalhadores do setor, como os operrios fazem menos trabalho fsico,
ocorrem menos leses. Pelo fato de o ritmo de trabalho ser ditado por um
computador, o estresse hoje  mais psicolgico.

Vrios anos atrs, o depsito de Graves instalou um sistema alemo que
automaticamente armazena caixas de alimentos e os tira de prateleiras. O
sistema levou  eliminao de 106 empregos, ou 20% da fora de trabalho.

Agora, a Kroger pretende construir um depsito altamente automatizado em
Tolleson.

"No temos um problema com a chegada das mquinas", Graves disse a
funcionrios da prefeitura. "Mas diga  Kroger que no queremos perder
esses empregos em nossa cidade."

Certos tipos de trabalho ainda esto fora do alcance da automao:
empregos na construo, que requerem que trabalhadores se movimentem em
locais imprevisveis e realizem tarefas no repetitivas; montagens que
exigem feedback ttil, como a colocao de painis de fibra de vidro no
interior de aeronaves, barcos ou carros e tarefas de montagem em que 
feita uma quantidade limitada de produtos, o que exigiria a
reprogramao dos robs, algo que custa caro. Mas essa lista de
trabalhos est encolhendo.

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ON-LINE: FBRICA DO FUTURO Um vdeo sobre as novidades na robtica:
nytimes.com . Busque "robots industry" Texto Anterior | Prximo Texto |
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limites na Arbia Saudita - 27/08/2012 ***
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TV testa limites na Arbia Saudita

ALESSANDRA STANLEY ENSAIO

RIAD, Arbia Saudita - As mulheres esto guiando carros na Arbia
Saudita. No nas ruas, o que seria ilegal. Mas, num recente episdio de
"Hush Hush", novo programa cmico da TV estatal saudita, um sed lils
para e uma mulher sai pela porta do motorista. Trs homens (coadjuvantes
usando "kaffiyehs" xadrez vermelho) tentam seduzi-la se oferecendo para
consertar o carro. Sob o traje islmico da mulher  possvel entrever
seu desprezo. "Quem disse que o meu carro quebrou?", diz ela com frieza.
"Estou esperando minha amiga." Um carro rosa encosta, a mulher entra e
vai embora, deixando os bobes sauditas irrequietos.

"Hush Hush" foi criado para o Ramad, poca das frias islmicas, que
terminou em 18 de agosto. O programa de TV, aprovado pelas autoridades,
defende a presena feminina no trnsito de um jeito leve, que agrada aos
espectadores de mentalidade moderna, sem ofender os tradicionalistas. A
mulher nunca aparece dirigindo porque h um corte antes de ela agarrar o
volante -elipse que filmes e programas de TV mais antigos usavam para
insinuar a homossexualidade.

Mesmo na TV estatal, uma stira social branda  permitida e at
bem-vinda durante o Ramad, ms em que as pessoas rezam e jejuam durante
o dia e fazem festa  noite. Nesse perodo, a audincia da TV dispara,
porque as pessoas ficam mais em casa com suas famlias, preferindo os
programas rabes aos estrangeiros. Especialmente na Arbia Saudita, que
tem o maior mercado publicitrio do Oriente Mdio, o Ramad motiva uma
enxurrada de novas atraes. Por causa do jejum diurno, as pessoas ficam
obcecadas por comida e h muitos programas de culinria.

O Ramad  tambm quando os sauditas falam -em conversas, em blogs e no
Twitter- sobre o que assistem e a variedade de programas  maior do que
um estrangeiro poderia imaginar.

Os tabus e a polcia religiosa restringem o comportamento das pessoas em
pblico, mas no interferem tanto nos hbitos televisivos. Graas s
parablicas e  internet, os sauditas tm acesso a picantes novelas
turcas, violentos filmes de ao, sensuais cantoras pop marroquinas e
episdios de "Gossip Girl" e "CSI".

Nenhum programa tem motivado mais polmica -e mais ameaas- do que
"Omar", srie dramtica com 31 episdios sobre o califa Omar ibn al
Khattab, do sculo 7, que foi um seguidor do profeta Maom e fundador do
imprio islmico. "Omar"  o mais ambicioso projeto da TV saudita, um
pico de US$ 30 milhes, ao estilo do clssico cristo "A Maior Histria
de Todos os Tempos" (1965).  a primeira vez que essa conhecida
narrativa  adaptada para a televiso.

Na Arbia Saudita, como em grande parte do mundo islmico,  considerado
pecado retratar a imagem de Maom, e at agora era impensvel mostrar o
rosto de um "sahabi", ou seja, um confidente do profeta.

O gro-mfti da Arbia Saudita instruiu seus seguidores a no assistirem
"Omar". Outros se opuseram com mais fervor. Os produtores levaram as
ameaas a srio. A srie foi produzida conjuntamente pela rede comercial
MBC, que pertence a sauditas e transmite para todo o mundo rabe, e pela
TV do Qatar, no tanto com o objetivo de dividir custos, e sim de
partilhar a responsabilidade. A MBC reuniu respeitados estudiosos da
religio para analisarem o roteiro e reforou a segurana da sua sede,
em Dubai. A srie oferece ensinamentos, intrigas e cenas de batalhas em
que lutas com adagas e investidas sobre camelos ganham efeitos especiais
dignos de "Matrix". Mas  a mensagem subliminar que mais repercute.
Espectadores reformistas interpretam a histria de Omar como uma
parbola das suas prprias lutas -Omar leva os ensinamentos do profeta
sobre monotesmo, tolerncia e justia social a tribos atrasadas, que se
apegam a velhos valores. No Twitter, mulheres dizem se identificar com o
desejo de liberdade dos escravos.

A internet permite que descontentes de ambos os lados extravasem suas
opinies, mas a televiso  que serve de rgua para a sociedade.

O governo, que controla a TV estatal e mantm rdea curta sobre os
canais comerciais, d as cartas. O presidente da MBC tem ligaes com a
famlia real e vrios prncipes so donos de meios de comunicao. As
principais emissoras da regio dependem do mercado saudita e respeitam
os padres locais de modstia e discurso poltico.

Mas a mudana, segundo muitos sauditas,  inevitvel, porque as foras
do mercado vo obrigar os poderosos a se adaptarem a uma enorme
populao menor de 25 anos e a uma crescente classe mdia imbuda de
valores ocidentais. As autoridades dizem que at mesmo a TV pblica
precisa competir. "Temos de mostrar a realidade da vida", disse uma
fonte governamental. "Do contrrio, as pessoas no vo assistir."

As mulheres especialmente vivem num turbilho de contradies,
segregadas sob os vus, em escolas para meninas e at em comunidades
proibidas para homens. Mas, nas suas salas de estar, elas podem ver
mulheres detetives, de salto alto, investigando homicdios e algemando
suspeitos homens. Em Riad, algumas mulheres dizem estar acostumadas a
essa dissonncia cognitiva. Mas cada vez mais os programas ecoam seus
descontentamentos e suas fantasias. Uma popular nova srie na TV de Abu
Dhabi se chama "Homem, o Brinquedo da Mulher".

A TV "on-demand"  um dos mais bvios smbolos de prosperidade ocidental
e conforto para o consumidor. Mas na Arbia Saudita ela  comercializada
como forma de preservar a tradio.

Khulud Abu-Homos, diretora de programao da OSN, operadora pan-rabe de
TV paga com sede em Dubai, disse que a publicidade da empresa neste ano
salientou uma importante vantagem da TV sob demanda. "Os espectadores
no precisam abrir mo das suas vidas", disse ela. "Eles podem apertar o
'pause' e ir para a mesquita." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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sob medida para o corao dos conservadores - 27/08/2012 ***
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Um candidato sob medida para o corao dos conservadores

Candidato a vice  saudado pela direita como um intelectual

Por ANNIE LOWREY

WASHINGTON - Com o debate sobre o deficit fiscal dos Estados Unidos
pegando fogo no ano passado, David Smick, um consultor do mercado
financeiro, promoveu um jantar em sua casa em Washington para um grupo
bipartidrio de pensadores sobre o oramento. Estavam  mesa membros da
elite poltica conservadora da cidade, entre eles Alan Greenspan,
ex-presidente do Federal Reserve (o banco central americano) e William
Kristol, editor da revista conservadora "The Weekly Standard".

Mas nenhum deles chamou mais a ateno dos presentes que o deputado
republicano pelo Wisconsin Paul D. Ryan, hoje o provvel companheiro de
chapa do candidato republicano Mitt Romney, que falou sobre o perigo da
dvida nacional.

"Pensei: 'Esta  a nica pessoa em Washington que est prestando
ateno'", falou Niall Ferguson, comentarista e historiador econmico da
Universidade Harvard, que passou parte do resto da noite, juntamente com
William Kristol, tentando convencer Ryan a se candidatar  Presidncia.

As influncias intelectuais de Paul Ryan incluem cones do pensamento
conservador como o economista austraco Friedrich von Hayek e a
romancista e filsofa Ayn Rand. Mas, desde que chegou a Washington, no
incio dos anos 1990, Ryan tem estado estreitamente ligado a um mundo
intelectual mais preocupado com impostos baixos, regulamentaes mnimas
e governo pequeno que com ruminaes filosficas sobre trabalho e
liberdade.

E, desde que emergiu como o congressista republicano chave nas
discusses sobre o oramento, Ryan virou um favorito dos intelectuais,
economistas, escritores e polticos conservadores de Washington, alm de
exercer uma influncia poderosa sobre eles.

Stuart Butler, diretor do Centro de Inovao Poltica da Fundao
Heritage, instituio de pesquisa, diz que Ryan  "o bom intelectual de
'think tank' que  tambm poltico". "Sempre que estou conversando com
Ryan, falo com algum que conhece o material to bem quanto eu, se no
melhor."

William Kristol comentou: "Ryan  um sujeito que,  diferena de 98% dos
deputados do Congresso,  capaz de estar numa mesa de jantar com seis ou
dez pessoas de 'think tanks' e revistas, e defender suas posies sem
qualquer dificuldade".

Paul Ryan vem buscando formar laos com dois grupos de pensadores, em
especial: estudiosos de polticas em grupos de pesquisa, como o American
Enterprise Institute e comentaristas como Kristol. Ele vai para casa
levando uma pilha de documentos do governo. Telefona a economistas
quando tem perguntas a fazer sobre as ideias deles.

E ele defende suas ideias com vigor em discusses com a elite poltica
da cidade, em almoos formais, reunies no Capitlio, jantares privados
e retiros.

Depois de se formar pela Universidade Miami, em Ohio, e trabalhar como
assessor parlamentar, Ryan trabalhou para um grupo sem fins lucrativos,
Empower America. Dois dos fundadores do grupo -William Bennett,
ex-secretrio da Educao e atual apresentador de talk show no rdio, e
Jack Kemp, ex-secretrio da Habitao e candidato republicano 
vice-presidncia em 1996, viraram mentores dele. Kemp morreu em 2009.

Paul Ryan contou  revista conservadora "National Review" que Kemp
"ensinou que as grandes ideias so a melhor poltica. Elas sempre sero
contestadas e s vezes sero controversas, mas voc precisa fazer o que
acha certo, aquilo em que voc acredita realmente e defender suas
posies com vigor. Se fizer isso, poder exercer influncia no
debate."Mas a crena de Ryan no governo melhor em algumas instncias j
o situou  direita de seus mentores.

Bruce Bartlett, especialista oramentrio que trabalhou na equipe de
Kemp e conhece Paul Ryan h duas dcadas, disse que Kemp "no era contra
os cortes oramentrios, mas com certeza no os via com entusiasmo. Ele
simplesmente nunca achou que isso fosse importante. Considerava o
crescimento importante. Ele nunca props cortes nos gastos para pagar
por redues nos impostos, nem nada desse tipo."

Em 2008, ele lanou a primeira verso de seu oramento, o "Mapa do
Caminho para o Futuro da Amrica". O texto foi elogiado no mundo
poltico da direita, que tinha se acostumado com polticos que diluam
suas ideias e tinha aceitado um oramento inchado durante os anos Bush.

Yuval Levin, do Centro de tica e Poltica Pblica disse: "Ele (Ryan)
est preocupado com muito mais que a aritmtica do oramento -est
preocupado com o tipo de governo que vamos ter na Amrica". Texto
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deflagrados pela memria - 27/08/2012 ***
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Inteligncia/Roger Cohen

Os conflitos deflagrados pela memria

CHARLESTON, Carolina do Sul

Na pacfica ilha de Sullivan, de longas praias e varandas refrescadas
pela brisa marinha,  difcil imaginar um passado to sofrido, mas
sofrimento foi algo de que a ilha viveu um dia.

A placa perto da praia nos lembra o que aconteceu: "Aqui  a ilha
Sullivan, onde os africanos eram trazidos a este pas sob condies
extremas de escravido e de degradao humanas. Dezenas de milhares de
cativos da frica Ocidental chegaram  ilha Sullivan entre 1700 e 1775.
Os que permaneceram na comunidade de Charleston e os que estiveram aqui
de passagem representam um nmero importante de afro-americanos que hoje
vivem nos Estados Unidos.

Foi pela graa divina, pelo ardente desejo de justia e a persistente
vontade de superar monumentais adversidades que os afro-americanos
conquistaram seu lugar no mosaico americano".

Segundo estimativas, cerca de 40% dos africanos escravizados no
continente americano entraram na Amrica do Norte pela ilha Sullivan. Os
navios negreiros os deixavam nas "casas dos pestilentos" que existiam ao
norte da baa de Charleston.

Os que conseguiam resistir  quarentena iam para os mercados de escravos
em Charleston, onde eram vendidos e geralmente levados para as
plantaes de algodo e de arroz.

"Tragam a mim os fatigados, os pobres, as massas encurraladas ansiosas
por respirar liberdade."  o que diz o conhecido soneto de Emma Lazarus,
inscrito no pedestal da Esttua da Liberdade que est na ilha da
Liberdade, em Nova York. O verso traduz a promessa feita pela Amrica de
liberdade e vida nova a milhes de imigrantes que chegaram  ilha Ellis.
Mas havia tambm este lugar, uma espcie de anti-ilha Ellis, a passagem
para a escravido, e no para a liberdade.

A escravido foi, como disse certa vez Barack Obama, "o pecado original"
dos EUA. O que ele chamou de "o legado brutal da escravido e de Jim
Crow [leis segregacionistas]" sobrevive nas formas de humilhao do
afro-americano e na raiva que o consome de maneira inexplicvel para o
branco - tanta que nem mesmo o primeiro presidente negro dos Estados
Unidos consegue extinguir.

Diante da placa na ilha Sullivan, me dei conta de que ela foi colocada
ali somente em 1999, dois sculos aps os terrveis eventos que ela
prpria registra. Nunca  fcil para as naes enfrentar os captulos
vergonhosos de suas histrias.

Um Museu Nacional de Histria e Cultura Afro-Americana ser inaugurado
no Mall em Washington em 2015 e a pedra fundamental ser lanada este
ano. A elaborada memorializao do Holocausto nos Estados Unidos levou
bem menos tempo.

Os regimes repressivos omitem certos fatos para moldar a histria que
lhes interessa. At nas sociedades livres os captulos obscuros ficam
escondidos na v esperana de que desapaream. Na falta de memria
adequada e do debate aberto, as perguntas rodopiam, como acontece com
virulncia no Oriente Mdio: quem chegou primeiro ao territrio, quem
plantou as milenares oliveiras, quem matou quem primeiro, se a igreja
est destruindo a mesquita, sem falar na sinagoga que antecedeu a ambas,
e aquela carnificina na encosta poeirenta onde os esqueletos se amontoam
jamais foi devidamente vingada nem julgada com justia.

A primeira vez que me dei conta do poder da memria na deflagrao de
conflitos foi cobrindo as guerras dos Blcs na dcada de 1990. O
terrvel massacre na regio durante a Segunda Guerra, quando a
Iugoslvia se partiu, foi encoberto por Tito, que reuniu novamente o
pas sob o regime comunista a partir de 1945.

Mas os srvios, os croatas, os bsnios e outros no se esqueceram dos
sangrentos e incontveis assassinatos. Quando o regime comunista entrou
em colapso, as velhas feridas reabriram e o dio tomou conta da regio.

O mais chocante  que os srvios, que tinham sido massacrados pelos
croatas fascistas na Segunda Guerra e se viam como vtimas eternas da
histria, no se reconheciam como os principais agentes de crimes
terrveis e assassinatos em massa na Bsnia entre 1992 e 1995. Sendo
vtimas da histria, como poderiam ser os perpetradores? Mas eles eram.

A histria precisa ser recontada para no ser revivida. Levou muito
tempo para que a placa na ilha Sullivan fosse colocada ali. Mas 
preciso lembrar que a histria  uma luz que ilumina, a menos que seja
to forte a ponto de cegar.

Somos ensinados a lembrar; mas tambm deveramos ser ensinados a no nos
deixar dominar pela memria. Um pouco de esquecimento pode ajudar a
colocar em foco o presente. Como tudo na vida, o segredo  o equilbrio.

-

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cambial, iranianos buscam sada no Afeganisto - 27/08/2012 ***
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Com crise cambial, iranianos buscam sada no Afeganisto

Agentes de cmbio ajudam iranianos a burlarem sanes

Por MATTHEW ROSENBERG e ANNIE LOWREY

CABUL, Afeganisto - Por causa da crise cambial decorrente das sanes
americanas e europeias, autoridades dizem que um crescente nmero de
iranianos est enchendo caminhes com rials desvalorizados e levando-os
para o vizinho Afeganisto, onde o mercado cambial  livre.

As sanes reduziram o vital faturamento iraniano com o petrleo e
isolaram o pas dos mercados financeiros. O rial perdeu metade do seu
valor em relao ao dlar e as transferncias bancrias internacionais e
o cmbio de divisas se tornaram mais difceis. Empresas e indivduos,
desesperados por evitarem mais prejuzos, trocam seu dinheiro e o mandam
para fora. Ao mesmo tempo, o governo tenta encontrar alternativas para
trazer divisas.

No Afeganisto, aps anos de ajuda ocidental, o dlar funciona como uma
segunda moeda. A fiscalizao financeira  to precria que bilhes de
dlares em espcie deixam o pas a cada ano. Os iranianos esto
"basicamente usando o nosso prprio dinheiro, e esto contornando o que
tentamos impor", disse um funcionrio americano. Autoridades dizem ser
impossvel estimar valores.

O Afeganisto virou o sonho dos contrabandistas, com uma enorme economia
do pio e com a corrupo disseminada no governo.

Por si s, o afluxo de dinheiro iraniano dificilmente ser suficiente
para atrapalhar as sanes. Mas est claro que as autoridades americanas
esto preocupadas. No ms passado, o presidente Barack Obama
discretamente endureceu as sanes ao autorizar o Departamento do
Tesouro a punir quem comprar dlares ou metais preciosos em nome do
governo iraniano.

Agentes de cmbio no Afeganisto dizem ter sido alertados neste ms por
autoridades americanas a no fazerem transaes com o afego Arian Bank,
pertencente a dois bancos iranianos, que estaria sendo usado pelo
governo iraniano para movimentar dinheiro de e para o Afeganisto.

Autoridades ocidentais e afegs, e tambm operadores de cmbio no
Afeganisto, dizem que vrios iranianos comearam a buscar dlares e
euros para trocar por rials depois do endurecimento das sanes no
ltimo ano. Essas transaes so parte dos esforos das classes mdia e
alta do Ir para proteger suas poupanas e lucros empresariais,
transferindo-os para o exterior. Mas, como as transferncias legtimas
para fora do Ir esto praticamente impossveis devido s sanes, eles
convertem o dinheiro no Afeganisto, e ento o transferem para bancos do
golfo Prsico e outros lugares.

"A classe mdia est em pnico sobre o que fazer agora" disse Djavad
Salehi-Isfahani, economista da Virginia Tech e especialista em economia
iraniana.

O mais perturbador, aos olhos das autoridades ocidentais,  que o
governo iraniano est buscando reforar suas reservas de dlares, euros
e metais preciosos para estabilizar suas taxas de cmbio e pagar suas
importaes. Em 2011, o Ir tinha US$ 110 bilhes de reservas em divisas
estrangeiras e metais preciosos, e acredita-se que o valor esteja em
queda.

Os cambistas afegos oferecem taxas vantajosas na troca dos seus dlares
por rials, que circulam em muitas partes do oeste afego.

Hajji Najeeb Ullah Akhtary, presidente de uma entidade que congrega
"hawalas" (empresas tradicionais de cmbio e transferncia de valores),
disse que a classe notou no ltimo ano um aumento constante no nmero de
iranianos que trazem dinheiro para o Afeganisto. Isso se soma s
transferncias rotineiras feitas por afegos que moram e trabalham no
Ir, incluindo mais de 1 milho de refugiados. O dinheiro "chega em
caminhes", disse ele, em transferncias organizadas por intermedirios
afegos, que cobram comisses de 5% a 7%.

O operador de "hawala" Hajji Ahmed Shah Hakimi disse que as sanes so
vistas como um problema dos americanos, e que por isso alguns afegos
no veem inconveniente em contrabandear dinheiro para os iranianos.

Em 2011, estimados US$ 4,6 bilhes, equivalente a cerca de um tero do
PIB afego, saram do pas pelo aeroporto de Cabul em voos comerciais, a
maioria com destino a Dubai, segundo o Banco Central.

Ningum sabe quanto saiu do Afeganisto por terra, em caminhes, ou nos
dois voos semanais de Kandahar (sul) para Dubai, segundo um funcionrio
afego que monitora transaes financeiras suspeitas. "Kandahar?", disse
ele. "No temos nem ideia do que est acontecendo l." Texto Anterior |
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ofensiva miditica na frica - 27/08/2012 ***
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China lana ofensiva miditica na frica

Pequim investe US$ 7 bilhes para ampliar influncia

Por ANDREW JACOBS

NAIRBI, Qunia - A fora dos investimentos e empreiteiras da China 
bem visvel nesta congestionada capital africana.

Um anel virio de US$ 200 milhes est sendo construdo e financiado por
Pequim.

O aeroporto internacional passa por uma ampliao de US$ 208 milhes,
patrocinada pelos chineses, que tambm emprestaram dinheiro para a
construo de um conjunto habitacional apelidado por seus moradores de
Grande Muralha.

Mas os esforos da China para conquistar o afeto queniano envolvem muito
mais do que tijolos e concreto. Os mais populares jornais em ingls do
pas esto salpicados de artigos oriundos da Xinhua, agncia estatal
chinesa de notcias.

Os telespectadores podem acompanhar o noticirio internacional pela
CCTV, a maior emissora estatal chinesa de TV, ou pela CNC Word, a
recm-lanada empreitada da agncia de notcias Xinhua em ingls.

Pelo rdio, ao lado da Voz da Amrica e da BBC, a Rdio China
Internacional oferece aulas de mandarim, alm de relatos otimistas sobre
a cooperao sino-africana e sobre as perambulaes globais de lderes
chineses.

"Seria preciso ser cego para no notar a chegada da mdia chinesa ao
Qunia", disse Eric Shimoli, um dos editores do "The Daily Nation",
jornal mais lido do pas, que iniciou no ano passado uma parceria com a
Xinhua.

Num momento de retrao para a maioria das emissoras e jornais
ocidentais, os gigantes estatais chineses das comunicaes esto se
espalhando rapidamente pela frica e por outras regies em
desenvolvimento.

Essa campanha de US$ 7 bilhes, parte de uma iniciativa do Partido
Comunista Chins para ampliar seu "soft power", se baseia em parte na
ideia de que os meios de comunicao ocidentais passam uma viso
distorcida da China.

"Potncias internacionais hostis esto intensificando seus esforos para
nos ocidentalizar e dividir", escreveu neste ano o presidente chins, Hu
Jintao. "Devemos estar cientes da gravidade e complexidade das lutas e
tomar medidas poderosas para preveni-las e enfrent-las."

Pequim est causando alarme entre ativistas da liberdade de expresso e
autoridades dos EUA, que citam um histrico de censura que rendeu 
China a reputao de ser um dos mais restritivos pases do mundo para o
jornalismo.

Muitos temem que o poderio miditico chins se torne especialmente forte
em pases onde as liberdades j so frgeis. Na Venezuela, a China est
produzindo e financiando satlites de comunicaes para um governo que
exerce crescente controle sobre a imprensa. Da mesma forma, o governo
etope recebeu US$ 1,5 bilho em emprstimos chineses para treinamento e
tecnologia com vistas a bloquear sites e transmisses de rdio e TV
indesejveis, segundo grupos no exlio.

"Os chineses no esto interessados em trazer liberdade de informao e
expresso para a frica", disse Abebe Gellaw, produtor da Ethiopia
Satellite Television, cujas transmisses costumam ser embaralhadas por
equipamentos chineses. "Se eles no oferecem essas liberdades aos seus
prprios cidados, porque haveriam de se comportar de forma diferente em
outros lugares?"

Dirigentes da imprensa chinesa dizem que esses temores so exagerados.
"A Xinhua est publicando centenas de textos por dia para o nosso
servio em ingls e essas reportagens no so propaganda", disse Zhou
Xisheng, vice-presidente da agncia.

A CCTV News, que diz ter 200 milhes de espectadores fora da China, est
disponvel em seis lnguas. Para aumentar seu alcance e concorrer com os
veculos ocidentais, a Xinhua costuma enviar despachos gratuitamente
para meios de comunicao em dificuldades financeiras na frica, Amrica
Latina e Sudeste Asitico.

A China v em Nairbi um polo noticioso para os pases anglfonos da
frica Oriental. At agora, os chineses fazem apenas avanos limitados
contra os meios de comunicao quenianos.

Vivien Marles, diretora-gerente da empresa local de pesquisas InterMedia
Africa, disse que os quenianos continuam preferindo um cardpio
noticioso  base de poltica local, escndalos e cultura pop.

Os interessados em assuntos internacionais, segundo ela, geralmente
sintonizam na CNN, BBC ou Al Jazeera. Mas a Rdio China Internacional
est "ganhando algum impulso", afirmou.

No outro lado da cidade, no Standard Group, empresa dona de dois
jornais, uma TV e uma rdio, o editor Woka Nyagwoka disse que muitos
editores relutam em depender do noticirio internacional chins.

"Os quenianos so cticos quanto a um almoo grtis", disse ele.
"Especialmente quando  feito na China."

-

Reuben Kyama colaborou com pesquisa de Nairbi e Jacob Fromer de Pequim
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empresas movimentam a economia alem - 27/08/2012 ***
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Pequenas empresas movimentam a economia alem

Por JACK EWING

FRANKFURT - Um nmero crescente de alemes pode querer o fim da zona do
euro, mas Dagmar Bollin-Flade, dona de uma pequena companhia de
maquinrio aqui, no  um deles.

Como muitos empresrios alemes, ela tem forte conscincia dos
benefcios econmicos de uma moeda comum.

"Todos os que dizem 'queremos sair do euro' no se lembram de como era
antes", disse Bollin-Flade.

Sua empresa, a Christian Bollin Armaturenfabrik, pertence ao vasto time
de pequenas e mdias empresas do pas conhecidas como "Mittelstand",
setor que responde por 60% dos empregos da Alemanha.

A maioria no tem saudade do tempo em que elas e seus clientes tinham de
ficar de olho no valor de uma dzia de moedas europeias, um tempo em que
o marco alemo era to forte que ameaava expuls-los do mercado
externo.

Mais que a maioria, o Mittelstand se beneficiou do euro, que tornou mais
fcil as pequenas empresas se comportarem como multinacionais.

A Bollin, com apenas 30 empregados em uma pequena fbrica, vende suas
vlvulas especiais para clientes na China e em toda a Europa.

Bollin-Flade, que foi um dos dez empresrios convidados para discutir
questes do Mittelstand com a chanceler Angela Merkel em seu gabinete no
ano passado, disse que apoia a estratgia da lder alem de insistir que
a ajuda financeira seja oferecida a pases da zona do euro em
dificuldades somente se eles exibirem maior disciplina fiscal.

"Devemos receber algo em troca", disse ela.

Alguns economistas gostariam que os alemes gastassem mais para
estimular o crescimento no resto da zona do euro.

Mas os alemes afirmam que sua abordagem ajudou o pas a evitar crises
como as que atingiram a Espanha e a Itlia e ameaam a Frana.

Enquanto a Grcia acumulava dvidas na ltima dcada, as empresas do
Mittelstand cortavam as suas, segundo dados do Instituto de Pesquisa do
Mittelstand, em Bonn.

"Elas querem aumentar sua independncia dos bancos e do financiamento
externo", disse Christoph Lamsfuss, um economista do instituto.

"Elas querem garantir que a prxima gerao herde uma empresa slida. Em
ltima anlise, isso  bom para a economia alem."

A economia na zona do euro passou oficialmente da contrao  estagnao
no segundo trimestre de 2012. O PIB de abril a junho caiu 0,2% em
relao ao trimestre anterior. No precedente, o crescimento foi zero.

Empresas como a Christian Bollin Armaturenfabrik tero um papel
importante para determinar o quanto a economia alem vai oferecer de
contrapeso.

Alguns anos atrs, Bollin-Flade fez algo que talvez ajude a explicar por
que a economia alem tem sido to resistente.

Ela recusou encomendas extras de seu maior cliente.

A empresa ficou preocupada em se tornar excessivamente dependente de
qualquer fonte de renda. Ento aplicou uma regra que continua valendo
hoje: nenhum cliente pode ser responsvel por mais de 10% das vendas,
mesmo que isso s vezes signifique recusar negcios.

"Se 20% de suas vendas carem,  difcil", disse Bollin-Flade. "Se 10%
carem no  bom, mas no  dramtico."

Em lugares como o Vale do Silcio ou Xangai, evitar lucros como esses
provavelmente bastariam para fazer um empresrio ser expulso da cmara
de comrcio.

Mas a averso a riscos e a preferncia por um crescimento lento e
constante, em vez de dinheiro rpido,  tpico do Mittelstand.

"Minhas mquinas esto pagas", disse Bollin-Flade. "Eu no tenho crdito
bancrio.  o que diferencia o Mittelstand. Voc reserva algo para os
tempos ruins."

Mas -ilustrando uma das foras tpicas das firmas do Mittelstand- a
Bollin Armaturenfabrik tambm tem uma boa reputao internacional.

Isso significa que exporta seus produtos de ponta para todo o mundo.

H alguns dias, um pallet de madeira estava no cho da oficina cheio de
caixas de papelo marcadas para a China.

"Isso vai para Pequim na sexta-feira", disse Marcus Franz, o gerente de
produo, falando mais alto que o zumbido dos tornos e prensas.

A Bollin  especializada em fazer peas sob encomenda e entreg-las
rapidamente -s vezes horas depois, quando necessrio. "O preo no  a
questo. O prazo de entrega  a questo", disse Bollin-Flade.

"No h muitas empresas que queiram fazer isso", acrescentou.

Ela resumiu a abordagem frugal do Mittelstand aos negcios citando um
antigo ditado: "Voc s pode usar um par de calas. O segundo est no
armrio e voc no precisa do terceiro". Texto Anterior | Prximo Texto
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carteiras vazias encurtam frias italianas - 27/08/2012 ***
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Medo e carteiras vazias encurtam frias italianas

Por ELISABETTA POVOLEDO

LIDO DI OSTIA, Itlia - Com pouco dinheiro depois das reformas
econmicas aprovadas pelo governo, e preocupados com seu futuro
financeiro, um grande nmero de romanos est passando o vero aqui,
apesar de esta cidade litornea ficar a apenas 25 quilmetros da
capital.

"Roma pode estar perto, mas a gasolina  cara, por isso as pessoas
pensam duas vezes antes de vir  praia", disse Susanna Corti, dona da La
Vela, um balnerio que oferece servios de praia. Os romanos hoje tendem
a visitar s nos fins de semana, disse. "As pessoas esto sentindo a
crise."

A Associao de Hoteleiros Italianos prev que a metade dos italianos
ficar em casa neste vero e o nmero de pessoas que esto tirando
frias vai cair 19%.

Cerca de 52% dos pesquisados citaram como motivo o encolhimento das
finanas pessoais. No ano passado, a economia foi responsvel por 43%
dos que ficaram em casa nas frias.

"Na memria recente, no houve uma queda to drstica e generalizada",
disse Bernab Bocca, presidente da associao, acrescentando que os
nmeros indicam uma tendncia ampla.

Renato Papagni, presidente nacional da Assobalneari, a associao dos
balnerios, disse que o declnio est sendo sentido em todo lugar. O
turismo na Sardenha caiu 30% neste ano, segundo a associao. reas da
Campania tambm esto em dificuldades, assim como a costa Adritica,
apesar de campanhas para atrair turistas.

"De modo geral, o declnio no litoral neste ano ficou em torno de 10% a
12%", disse Papagni.

Em Ostia, ele e outros disseram que os que vm esto "duros". As cabines
para trocar de roupa geralmente eram alugadas por toda a temporada, que
vai de 1 de maio a 30 de setembro, por cerca de US$ 3.700. Neste ano
ainda h cabines disponveis, mesmo com preos reduzidos. Mais famlias
esto compartilhando. "Nos ltimos anos, elas esto dividindo por causa
dos custos", disse Papagni.

Muitos outros esto indo para as vrias praias gratuitas de Ostia.

"Muitos romanos descobrem que no  mais possvel fazer o que costumavam
fazer", disse Karla Duceschi, que tomava banho de sol em uma dessas
praias. "Tudo est mais caro. S nossos salrios ficaram iguais",
acrescentou.

Daniela, uma cozinheira que no quis dar o sobrenome, geralmente passava
o vero em uma praia da Crocia. Agora, com os impostos e os gastos mais
altos, ela prefere tardes ocasionais em uma praia grtis de Ostia. "As
pessoas tm medo de gastar porque ningum sabe quando a crise vai
terminar", disse ela.

O restaurante no La Playa em Ostia costumava ser uma atrao, disse
Angelo Radano, o gerente do resort. Hoje, os visitantes trazem sacolas
com o almoo, ou preferem lanches baratos.

As pessoas no tm mais tanta renda disponvel. "Se voc ordenhar a
mesma vaca durante muito tempo, mais cedo ou mais tarde ela vai secar",
lamentou ele.

At os legisladores esto tirando as frias de vero mais curtas dos
ltimos cinco anos: o Parlamento entrou em recesso em 8 de agosto e
reabre em 3 de setembro.

A tendncia a ficar em casa deu origem a um videoclipe, "Resto a Roma"
("Fico em Roma"), produzido por uma emissora romana. Ele atraiu 840 mil
acessos on-line desde seu lanamento em junho.

Alessandro Tirocchi, um DJ, comps o vdeo. "A crise  comum a todos",
disse ele. "No temos muitas maneiras de super-la no momento, ento por
que no rir de ns mesmos?" Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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alimenta o apetite da China por 3D - 27/08/2012 ***
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Hollywood alimenta o apetite da China por 3D

Pequim incentiva entretenimento mais caro

Por JONATHAN LANDRETH

PEQUIM - Zheng Huan e Tang Xiaomei, que raramente vo ao cinema na rea
rural de Jiangxi, sudeste da China, viram seu primeiro filme em 3D este
ms, quando visitaram a capital. No foi "Titanic 3D", de James Cameron,
o filme de maior faturamento neste ano e o terceiro de todos os tempos,
com US$ 153 milhes em ingressos vendidos. Foi na verdade uma fantasia
de artes marciais, "Pele Pintada II", que incomodou os olhos de Zheng,
mas para Tang foi cativante.

Os dois so um pouco mais velhos que o grupo de 18 anos a 34 anos que
fez do sucesso anterior de Cameron em 3D, "Avatar", o filme de maior
faturamento na China, com US$ 208 milhes em venda de ingressos.
Hollywood est mirando agressivamente essa faixa etria, agora que a
China  o principal mercado de exportao para seus filmes em termos de
receitas de bilheteria.

Neste ms, a empresa de tecnologia 3D de Cameron, o Cameron Pace Group,
anunciou que vai abrir filial em Tianjin, uma cidade porturia no
nordeste, como parte de uma joint-venture apoiada pelo governo. No ano
passado, a Imax disse que queria instalar 229 telas gigantes na China.

Com os ingressos de cinema custando at 120 renminbi (US$ 19) para
filmes 3D e 180 renminbi (US$ 28) para Imax, essas tecnologias
americanas esto levando contedo aos consumidores chineses cada vez
mais interessados por uma experincia de autenticidade e alta qualidade
que no pode ser pirateada.

Atualmente, 7 mil das 11 mil telas da China so aptas ao 3D. A RealD,
uma empresa de tecnologia 3D na Califrnia, disse que tem quase 750
telas em toda a China e pretende instalar 1.250 nos prximos anos.

Em 2008, dois filmes 3D foram exibidos na China e aproximadamente 30 vo
estrear no pas at o fim deste ano. De janeiro a junho, 21 filmes 3D
-13% de todos os lanamentos- representaram 46% do faturamento nas
bilheterias, segundo dados da Artisan Gateway, uma consultoria de cinema
baseada em Xangai.

"O bonito disso  que na China rural h cinemas que talvez sejam o
primeiro em que as pessoas foram na vida e  um cinema 3D digital",
disse Cameron recentemente. "Elas esto saltando o sculo 20 e indo
direto para o 21. Colocar os culos no parecer estranho para elas,
porque  assim que se assiste a filmes. Nos mercados urbanos, elas
associam os culos com uma experincia visual mais requintada."

Ele aposta que a China se concentrar em coisas que so novas e
tecnologicamente sofisticadas, diferentemente da Amrica do Norte, onde
os cinfilos receberam o 3D com hesitao. A receita de bilheterias de
filmes 3D na Amrica do Norte caiu 18% de 2010 para 2011, embora os
nmeros de 2010 incluam "Avatar", o primeiro filme em 3D que atingiu US$
1 bilho em todo o mundo.

O governo chins est encorajando o entretenimento mais caro enquanto
passa sua economia da manufatura para o consumo. Em fevereiro, a China
abriu ainda mais seu mercado aos filmes estrangeiros, permitindo que os
estdios lancem mais 14 filmes (34 ao todo) se forem em 3D ou em formato
como Imax.

"Pele Pintada II", que a Soul Power 3D, sediada em Pequim, converteu
para 3D,  o filme em lngua chinesa de maior faturamento de todos os
tempos, com vendas de ingressos superiores a US$ 114 milhes at 5 de
agosto.

Com 170 engenheiros de software chineses divididos entre Pequim e Wuxi,
perto de Xangai, a Soul Power faz sucesso convertendo filmes americanos.

"Trabalhando com companhias de Hollywood, descobrimos que h
necessidades diferentes", disse Shen Hongxiang, diretor operacional da
empresa. "Hollywood quer que o pblico veja o que os olhos veem, mas o
pblico chins ainda quer que as coisas saiam voando da tela. Os
diretores chineses precisam estudar as diferenas entre 2D e 3D e
aprender a falar a lngua."

O Cameron Pace Group diz que o mundo do cinema na China  apenas o
incio de seu novo empreendimento em Tianjin. Cameron e seu scio,
Vincent Pace, esto de olho nos 500 milhes de televisores da China e
nas previses de que os chineses compraro 20 milhes de TVs 3D at o
fim deste ano. O grupo est em negociaes com a Televiso Central da
China e outras emissoras estatais para ajudar em suas iniciativas 3D.

"No estamos concentrados em eventos nicos, nem em filmes individuais",
disse Pace. " sobre uma mudana no mercado na direo de produtos cada
vez mais rentveis. Nossa filosofia  que tudo  potencializado quando
feito corretamente em 3D." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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ouvir msica no trabalho - 27/08/2012 ***
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O poder de ouvir msica no trabalho

Por AMISHA PADNANI

O homem no cubculo ao lado est berrando ao telefone. Do outro lado da
sala, algum xinga em voz alta uma mquina de copiar emperrada. De
repente, seus fones de ouvido parecem muito convidativos. Algum se
importaria se voc se conectasse  sua playlist no iTunes?

Alguns trabalhadores gostam de ouvir msica quando percebem que esto
perdendo o foco.

Em termos biolgicos, sons melodiosos ajudam a incentivar a liberao de
dopamina na rea de recompensa do crebro, como ao comer uma guloseima
ou sentir um aroma agradvel, disse o doutor Amit Sood, mdico da
Clnica Mayo em Rochester, Minnesota.

A mente das pessoas tende a vagar "e sabemos que uma mente que vaga est
infeliz", disse o doutor Sood. "Na maior parte desse tempo, estamos nos
concentrando nas imperfeies da vida." A msica pode nos trazer de
volta ao momento presente.

"Ela o liberta de pensar apenas de uma maneira", disse Teresa Lesiuk,
professora assistente no programa de terapia musical da Universidade de
Miami.

A pesquisa da doutora Lesiuk se concentra em como a msica afeta o
desempenho no local de trabalho. Em um estudo com especialistas em
informtica, ela descobriu que os que escutavam msica terminavam suas
tarefas mais rpido e tinham melhores ideias porque a msica melhorava
seu estado de esprito.

"Quando voc est estressado, pode tomar uma deciso apressada. Voc tem
um foco de ateno muito estreito", disse. "Quando voc est com o
esprito positivo, consegue avaliar mais opes."

A doutora Lesiuk descobriu que as pessoas em trabalhos de qualificao
moderada se beneficiavam mais, enquanto as especializadas viam pouco ou
nenhum efeito. Alguns novatos achavam que a msica causava distrao.

Poucas empresas tm polticas sobre escutar msica, disse Paul Flaharty,
vice-presidente da Robert Half Technology, uma agncia de recursos
humanos. Ele disse que alguns supervisores podem pensar que os
trabalhadores que usam fones de ouvido no esto totalmente dedicados e
esto "entrando em seu prprio mundo".

"Se algum no est fazendo um bom trabalho, um gerente de contratao
pode dizer que eles ouvem msica o dia inteiro e isso prejudica a
produtividade", disse.

 melhor estabelecer limites, porque usar fones durante um turno inteiro
pode parecer grosseiro. O doutor Sood disse que bastam 30 minutos
ouvindo msica para recuperar a concentrao.

Daniel Rubin, um colunista do "The Philadelphia Inquirer", disse que
escutou jazz e concertos de piano na maior parte de sua carreira de 33
anos no jornalismo -mas s quando escrevia com prazo definido.

"A pessoa que batuca com as unhas a trs mesas de distncia e a que
cantarola ao meu lado parecem igualmente ruidosas, e acho difcil
bloque-las", disse.

Hoje, ele trabalha sozinho e as pessoas no escritrio raramente
precisavam falar com ele. Mas quando era um reprter novato percebeu que
os colegas se irritavam quando tentavam chamar sua ateno. "As pessoas
gritavam quando precisavam de mim." Texto Anterior | Prximo Texto |
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de se apegar s coisas - 27/08/2012 ***
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O alto custo de se apegar s coisas

Raramente consideramos o que possumos

CARL RICHARDS ENSAIO

Quando um homem chamado Andrew Hyde iniciou sua aventura minimalista,
ele s tinha 15 coisas. Depois foi a 39 e agora possui umas 60. Tudo
comeou quando ele decidiu fazer uma viagem ao redor do mundo e vender
tudo de que no precisasse.

Como observou Hyde no seu blog, isso mudou a sua vida, aps um breve
perodo de perplexidade:

"Quando ramos crianas, no tnhamos todos o objetivo de uma casa
enorme cheia de coisas? Eu encontrei muito mais qualidade de vida ao
rejeitar as coisas como indicador de sucesso."

Ao topar com essa histria de s ter 15 itens, fiquei to inspirado que
fui imediatamente para casa e achei 15 coisas para dar.

A maioria eram roupas que eu deixara de usar j fazia muito tempo, mas
que mantive porque... bom, porque sim.

Ainda tenho mais do que 39 coisas, mas me livrar de algumas delas foi
uma sensao incrvel.

E percebi o quanto reter essas coisas na verdade me custava. Eis o
paradoxo.

Se conservamos coisas que no queremos ou no usamos mais, isso de fato
nos custa algo a mais, nem que seja o tempo gasto organizando-as e
contemplando-as.

Nem sei quantas vezes pensei em me livrar daquela gravata ou daquele
sapatos, que nunca usei (por exemplo).

Embora o caso de Hyde seja extremo, me peguei pensando:

Por que exatamente voc tem o que tem?

Do que poderia se livrar sem sentir falta?

Ainda preciso disso?

Quanto est me custando possuir isso?

Talvez o apego s coisas venha em parte da noo de que precisamos estar
preparados para tudo.

Quando David Friedlander entrevistou Hyde sobre seu projeto, ele
destacou a seguinte questo: raramente consideramos como 
insignificante a consequncia quando nos falta algo ou ficamos
despreparados. Nem consideramos como  alta a consequncia de estarmos
preparados demais.

Tal consequncia, frequentemente, vai alm do custo financeiro.

Ela pode facilmente acarretar um custo fsico que no esperamos, pela
necessidade, digamos, de mais espao para guardar tudo.

De certa forma, tudo isso retoma a noo de comprar coisas boas e
conserv-las por muito tempo.

Talvez seja til pensar: "Tenho espao - fsico, emocional, mental -
para trazer mais uma coisa para a minha vida?".

Se a ideia de reduzir suas posses lhe for to tentadora quanto
assustadora, comece simples:

1. No fim de cada estao, reveja suas roupas. Se voc no usou uma pea
ao menos uma vez, livre-se dela.

2. Este processo vai gerar uma pilha de coisas. Pelo que vale, no tente
vender tudo no eBay.  mais um gasto (de tempo).

Ento, se poupe da dor de cabea, doe para uma instituio de caridade e
receba o crdito tributrio.

Voc no precisa se restringir a 39 bens para sentir o impacto.

Em vez disso, o objetivo do exerccio  ter clareza sobre por que voc
possui o que possui e o que exatamente isso pode lhe custar.

-

Carl Richards  planejador financeiro certificado em Park City, Utah, e
diretor de educao do investidor na BAM Advisors Services. Seu livro
"The Behavior Gap" foi lanado neste ano Texto Anterior | Prximo Texto
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suvenir como um objeto artesanal - 27/08/2012 ***
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Reinventando o suvenir como um objeto artesanal

Por JULIE LASKY

Com o jubileu de diamante do reinado de Elizabeth 2a e os Jogos
Olmpicos, este est sendo um ano excepcional para quem coleciona
objetos britnicos. Por mais ou menos US$ 16 voc compra um molde de
gelatina com o formato da cabea da rainha.

Por uns US$ 2.440,  possvel mobiliar seu quarto com um colcho feito 
mo, coberto com um desenho da bandeira britnica.

E h tambm os badulaques feitos em srie, responsveis pela quase
totalidade do US$ 1,5 bilho movimentado pelos suvenires olmpicos -de
bandeirolas a bonecos do mascote olmpico britnico Wenlock.

Alguns dos objetos mais notveis deste vero boreal foram, alis,
suvenires baratos.

So objetos encomendados pela organizao artstica Create, que pediu a
cinco designers para proporem alternativas s lembranas vagabundas do
exterior.

Os objetos da Create so significativos porque funcionam como suvenir,
no sentido de capturarem uma poca e lugar. Mas no so coisas como
canecas ou camisetas que guardamos como lembranas de ocasies
histricas.

Em vez disso, eles nos obrigam a considerar o que significa celebrar, ou
se as representaes que escolhemos realmente merecem a poeira que
acumulam na prateleira.

As peas incluem uma casa de porcelana de Barnaby Barford inspirada no
pub Blind Beggar, no bairro londrino de Tower Hamlets.

Um cabeo de amarrao em miniatura, de ferro, por Andr Klauser; e os
broches esmaltados de Ed Carpenter, mostrando grias londrinas. So
objetos alusivos ao East London, onde fica o Parque Olmpico, e criados
por designers que vivem ou trabalham na rea.

O disco de vinil de Dominic Wilcox preserva os sons dos trabalhadores de
21 atividades do East London, da defumao do salmo  fabricao de
culos. E a Olimpada  o tema da srie de "livros de exerccios" de
Donna Wilson, com um mapa mostrando parques para a prtica esportiva no
East London.

Suvenires so colecionados pelo menos desde a poca em que peregrinos
medievais comearam a trazer pequenos objetos de terras sagradas. Uma
recente exposio no Metropolitan Museum of Art, de Nova York, inclua
discos de terracota semelhantes a moedas, dos sculos 6 ou 7,
possivelmente da Sria, recolhidos por peregrinos como lembrana de
encontros com homens santos.

Hoje, a maioria dos suvenires so objetos baratos, produzidos em massa
na sia. Segundo o "Daily Mail", de Londres, apenas 9% dos 194 suvenires
oferecidos no site da Olimpada em fevereiro haviam sido fabricados no
Reino Unido; 62% eram "made in China".

Mas os suvenires tambm podem ser itens durveis e de qualidade, como o
jogo de ch Royal Crown Derby Diamond, que custa em torno de US$ 930.

E h tambm os suvenires do orgulho, como bandeiras nacionais, ou
irreverentes, como o molde de gelatina da britnica Lydia Leith,
reproduzindo o rosto da rainha.

Os objetos da Create ocupam uma categoria completamente diferente. D
para cham-los de preciosos: so artesanais, sutis e produzidos
localmente em pequenas levas.

Mas tm ideias e formas robustas, e preos razoveis -US$ 16 pelo livro
de exerccios, ou US$ 23 pelos broches com as grias do dialeto
"cockney". Os produtos esto todos  venda pelo site theo-theo.com.

Thorsten van Elten, que supervisionou a concepo e produo das peas
do Create, disse que "precisavam ser suvenires viveis".

Eles tambm deveriam se destinar a um pblico amplo, razo para o seu
preo acessvel.

Mas, embora baratos, os objetos so feitos para durar. Eles expressam um
desejo de preservar marcas culturais ameaadas de extino, como o
sotaque "cockney" e o barulho das mquinas de escrever.

O designer Constantin Boym, conhecido por seus trabalhos provocativos
sobre suvenires, usa o termo "meta-suvenir" para descrever objetos como
os da Create, que provocam questionamentos sobre o prprio ato de
recordar.

A srie Edifcios do Desastre, iniciada em 1997 por Boym e sua mulher,
Laurene, so um exemplo clssico, com maquetes de nquel de lugares
deformados de alguma maneira horrvel -como o ginsio Superdome, de Nova
Orleans, danificado em 2005 pelo furaco Katrina.

Como a srie da Create mostrou, meta-suvenires raramente reverenciam os
monumentos habituais.

Uma cartela de fsforos de Tobias Wong, de 2002, tambm tem
caractersticas de um meta-suvenir - mordaz, inteligente e
filosoficamente perturbadora. Nela, todos os fsforos foram retirados,
exceto dois palitos com ponta de enxofre: uma rplica do World Trade
Center, pronta para ser queimada.

"Ela no fica simplesmente na sua prateleira como um memorial", disse
Todd Falkowsky, curador de uma exposio da obra de Wong que estreia em
setembro no Museu de Vancouver.

"Ela est provocando voc a fazer ou no alguma coisa", acrescentou ele.
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deixam as roupas para trs - 27/08/2012 ***
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Acessrios deixam as roupas para trs

Vendas de acessrios desafiam a crise financeira

Por SIMONE S. OLIVER

H dez anos, os alunos de moda queriam imitar acima de tudo estilistas
como Marc Jacobs, Diane von Furstenberg e Michael Kors.

Atualmente, os exemplos a serem seguidos incluem Rebecca Minkoff, Pamela
Amor ou Brian Atwood -todos eles designers de acessrios.

Em meio  estagnao econmica, "o negcio de acessrios est mais
saudvel do que o setor de vesturio", disse Marshal Cohen,
analista-chefe de varejo do NPD Group.

"A moda feminina h 18 meses opera com nmeros negativos. Nos ltimos
seis meses, os acessrios esto 2% acima em relao aos 12 meses
anteriores. Pode no parecer muito, mas no setor de moda isso  timo."

Sapatos, malas, pequenos artigos em couro e culos esto indo
especialmente bem, acrescentou ele.

Clara Yoo, designer-chefe de bolsas e acessrios da Limited Brands,
formou-se em 2008 pela Parsons New School for Design, em Nova York.
"Quando eu fiz disciplinas de design de acessrios l, havia cinco
alunos", disse ela. "Agora,  incrvel ver como muitos alunos esto
fazendo."

Estilistas de "prt--porter", como Narciso Rodriguez e Monique
Lhuillier, esto lanando linhas de calados, e Victoria Beckham criou
uma linha de culos.

O Conselho dos Acessrios faz eventos especiais nos quais coloca
estilistas iniciantes em contato com os varejistas, para ajudar quem
est atrs da sua primeira encomenda para uma loja, disse Karen
Giberson, presidente da entidade setorial.

A ascenso de sites de comrcio eletrnico e compras sociais, como Etsy,
BaubleBar e AHALife, ajuda, em parte porque os acessrios, ao contrrio
do vesturio, no precisam de vrios tamanhos. "As bijuterias geralmente
so tamanho nico", disse ela, "e tambm so muito compactas e leves, o
que  incrivelmente til para agilizar os processos e gastos de
atendimento."

A velha mdia tambm colabora. No ano passado, o programa de TV "Project
Runway" lanou o "Project Accessory", um subproduto. "Programas como
esse esto expondo outras partes da indstria e tornando-a interessante
para os alunos", disse Rachel Fishbein, formada pelo Fashion Institute
of Technology, em Nova York, e designer de calados da Simply Vera e
Dana Buchman. Em junho, a Hearst anunciou que a revista "Elle
Accessories" vai voltar em outubro.

"Essa  uma indicao de como os acessrios so importantes", disse
Scott Schramm, vice-presidente e gerente-geral de mercadorias da Henri
Bendel, que surpreendeu muita gente em 2009 ao anunciar que no iria
mais vender roupas, s acessrios.

Na Parsons, professores como Simon Collins, reitor da Escola de Moda,
esto dando aulas sobre assuntos como tratamento do couro, a criao
para pblicos diversos e formas de reduzir os preos.

A escola realiza competies nas quais os prmios incluem estgios ou a
produo de prottipos em marcas de luxos.

Joel Harding, vencedor do concurso Coach no ano passado na Parsons,
escreveu no blog da faculdade que ele alterou seu foco acadmico da moda
feminina para o design de acessrios: "O design de acessrios  uma rea
totalmente nova dentro do departamento de moda,  um momento muito
emocionante e inovador".

Em uma tarde h alguns dias, no calor sufocante de um ateli da Parsons,
Carly Ellis, 25, oriunda de Liverpool (Reino Unido), e outros
recm-formados passaram horas matutando, rabiscando e prendendo colares,
chapus e cintos, preparando-se para a Semana de Moda de Nova York, em
setembro.

"Cada pea  importante demais", diz Ellis. "Os acessrios so to
importantes quanto as roupas." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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moderna e o nu - 27/08/2012 ***
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A dana moderna e o nu

Um danarino nu transforma nossas ideias sobre o corpo

ALASTAIR MACAULAY ENSAIO

Na dana experimental moderna, a nudez hoje  uma condio largamente
aceita. Uma surpresa maior que essa  a constatao de que a nudez s
vezes funciona. E, quando o faz, ela muda nossa percepo dos msculos e
da carne. O efeito  dramtico. A exposio do corpo sem adornos comeou
a modificar at mesmo o mundo do bal.

Vrias instncias recentes de nudez vm ampliando as fronteiras da
liberao; a maioria dos exemplos tem sido protagonizada por homens.

Em 2010, assisti a uma obra de Christopher Williams intitulada
"Gobbledygook" em que o danarino Adam H. Weinert -nu, em meio a
danarinos vestidos- ficou de costas para a plateia e se dobrou para
frente, possibilitando ao pblico (ou obrigando-o) observar a fenda
entre suas ndegas e sua genitlia.

No fim do espetculo solo de 2009-2010 "Crotch" (o ttulo completo pode
ser traduzido como "Virilha [todas as referncias do mundo a Joseph
Beuys no podem curar a dor, confuso, pesar, crueldade, traio ou
trauma...]"), de Keith Hennessy, este ficou sentado nu, mas com a
virilha recoberta de banha de porco. Chamou a ns, a plateia, para nos
posicionarmos em volta dele no palco. Passando uma agulha com fio
vermelho-sangue por cicatrizes em sua prpria carne, ele em seguida
passou a agulha pelas roupas das trs pessoas sentadas mais perto dele,
costurando-as com ele. E ento olhou longa e profundamente em nossos
olhos.

Mesmo para quem j viu muitos corpos nus sobre um palco, a viso
traseira de Weinert dobrado para frente em "Gobbledygook" foi uma
novidade. Mas no foi um problema. O uso que foi feito da nudez tornou
Weinert memoravelmente vulnervel.

Outra novidade foi Hennessy costurando-se a outras pessoas em "Crotch".
Achei esse espetculo ao mesmo tempo horrendo e assombroso -eloquente,
mas manipulativo de uma maneira assustadora.

Quando conto a amigos sobre esses shows, eles invariavelmente perguntam
at que ponto isso  arte ou pornografia. Mas sempre houve uma
sobreposio muito grande entre essas duas coisas; podemos ver cenas de
cpula em vasos gregos e templos indianos. Muitas obras de arte j
pareceram ser pornogrficas, mesmo sem incluir a nudez.

A sobreposio entre arte, sexo e nudez foi ilustrada -com maestria, a
meu ver- num espetculo apresentado em maio no New York Live Arts,
quando o coregrafo John Jasperse apresentou sua criao "Fort Blossom
revisited". Duas danarinas usaram vestidos curtos o tempo todo; os
homens, Benjamin Asriel e Burr Johnson, estavam despidos. Em um
episdio, Asriel e Johnson ficaram deitados um sobre o outro, de perfil
para a plateia, tendo uma almofada inflvel de vinil entre seus corpos.
Eles comearam a mover suas pelves no mesmo ritmo.

Estvamos assistindo a uma desconstruo do sexo anal. A frieza e
objetividade peculiar da cena a tornaram convincente, at mesmo potica
-e singularmente no sensacionalista. Depois que acabou, e depois de
ficarem deitados, imveis, por um longo tempo, eles soltaram o ar da
almofada inflvel, como se ela fosse uma camisinha.

O historiador de arte Kenneth Clark iniciou seu livro muito apreciado
"The Nude", de 1956, traando uma distino entre estar nu e estar
despido. "Estarmos despidos  estarmos privados de nossas roupas e a
palavra deixa implcito um pouco do constrangimento que a maioria de ns
sente nessa condio", escreveu. Contrastando com isso, a imagem da
nudez "no  a de um corpo encolhido e indefeso, mas de um corpo
equilibrado, prspero e confiante: o corpo re-formado".

Os heris e heronas do bal trajam roupas, mas projetam uma imagem do
corpo como sendo perfeitamente harmonioso e aparentemente sem falhas.
Quando voc assiste a uma "prima ballerina" em seu tutu, suas
meias-calas, seus sapatos de ponta e, o que vem mais ao caso, seus
arabescos e suas quintas posies, voc enxerga aspectos cruciais do nu
tradicional. Nela voc enxerga o corpo equilibrado, prspero, ideal,
radiante, nem um pouco constrangido.

Esse paradoxo foi levado mais adiante por Arlene Croce em uma resenha
publicada em 1974 na "The New Yorker", quando, discutindo a iluso
criada pelo bal, ela escreveu: "O arabesco  real; a perna, no".

Nos ltimos 20 anos, porm, a tendncia vem sendo que as mulheres tambm
exponham mais sua pele. Em "After the Rain" (2005), de Christopher
Wheeldon, a bailarina, de cabelos soltos, traja apenas malha e sapatos
de bal. Nos anos 1990, a bailarina francesa Sylvie Guillem comeou a
apresentar partes de seu repertrio habitual sem meia-cala.

Quando a meia-cala sai de cena, no bal, a prpria arte se modifica. O
bal, o gnero que no passado recapturava a qualidade ideal da nudez,
passa a ser, nesses exemplos modernos, a arte despida. De repente,
detalhes musculares de coxas e joelhos passam a distrair nossa ateno.
A perna passa a ser real, e o arabesco, no. Texto Anterior | Prximo
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brasileira nas telas - 27/08/2012 ***
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A prosperidade brasileira nas telas

Em vez da favela, filme tem foco na classe mdia

Por LARRY ROHTER

Ces latindo, um beb que chora. Empregadas e donas-de-casa conversando
atravs do poo de ventilao de um prdio residencial. O som de um
samba no rdio e futebol na televiso. O murmrio suave do mar ao fundo,
e, no primeiro plano, o barulho incessante de uma construo.

 essa a trilha sonora do cotidiano nas grandes cidades do Brasil hoje
um dia, o inevitvel acompanhamento de um boom econmico. Mas essa
cacofonia tambm serviu de inspirao ao cineasta Kleber Mendona Filho,
que decidiu dar ao seu primeiro longa-metragem, j premiado em festivais
da Europa e dos Estados Unidos, o ttulo de "O Som ao Redor".

"Estamos vivendo um momento muito curioso no Brasil", disse o diretor.
"H muito dinheiro, o que significa construir coisas. Para construir, na
maioria dos casos  preciso demolir outras coisas, e isso, por sua vez,
estimula minha gerao de diretores e artistas a dizer alguma coisa
sobre isso tudo."

"O Som ao Redor", que estreou em Nova York em 24 de agosto e deve chegar
aos cinemas da Holanda em setembro,  ambientado em Recife, num bairro
de classe mdia cujos moradores, que comearam a prosperar h pouco
tempo, esto comprando TVs de tela plana e carros Audi ou matriculando
seus filhos em aulas de ingls e chins. Mas eles se preocupam com a
criminalidade e, quando uma firma de segurana os procura, no hesitam
em utilizar seus servios.

Mas o bairro  dominado por uma famlia que  dona de muitos imveis, e
o patriarca, um autocrata chamado Francisco -representado pelo
romancista e ator Waldemar Solha- no quer abrir mo do controle.

Mendona disse que as tenses de classe subjacentes a "O Som ao Redor"
vm de sua prpria experincia profissional. "L estvamos, numa empresa
moderna, com computadores e tudo, mas a mentalidade que fazia o lugar
funcionar, a falta de respeito generalizada, era como a de um usineiro
falando com seus cortadores de cana", explicou. "O filme nasceu
precisamente dessa juno do moderno com o arcaico."

Embora "O Som ao Redor" tenha um visual colorido, vibrante, que condiz
com sua ambientao tropical, o filme  literalmente, sob muitos
aspectos, um "home movie". No apenas Mendona filmou a maioria das
cenas no quarteiro em que vive, como uma das residncias mostradas no
filme  seu prprio apartamento.

Mendona disse que parte do crdito por sua viso questionadora das
nuances sociais deve ser dado  produtora do filme, Emilie Lesclaux, que
 tambm sua mulher. Lesclaux, 31, foi a Recife dez anos atrs para
trabalhar na seo cultural do consulado francs em Recife, apaixonou-se
por Mendona e pelo pas ao mesmo tempo, mas ainda hoje fica perplexa
com alguns dos costumes brasileiros.

"Conviver com ela no cotidiano  interessante, porque ela tem reaes
no brasileiras a alguns aspectos da vida brasileira e isso me faz
perceber: 'isto  interessante'", disse o cineasta.

Um exemplo, um tema que percorre o filme todo  o relacionamento casual
e aparentemente afetuoso entre os empregados, em sua maioria negros, e
seus patres, quase todos brancos.

"Quando Kleber e eu comeamos a ficar juntos e eu conheci a empregada
dele, que cuidava dele desde que ele era criana, fiquei pensando: 'Quem
 esta mulher, qual  a relao entre eles?'", recordou Lesclaux.

Nos ltimos 18 anos, o Brasil vive uma onda de crescimento que levou
milhes de pessoas a ingressar na classe mdia. "O Som ao Redor" pode
ser o primeiro grande filme brasileiro a abordar essa transformao.

Desde a poca do Cinema Novo, do incio dos anos 1960, os filmes
brasileiros mais bem recebidos no exterior focam a pobreza, a violncia
e o racismo.

Mendona disse que, embora admire profundamente os filmes do Cinema
Novo,  chegada a hora de uma abordagem diferente, j que o Brasil se
tornou um pas de classe mdia.

"O cinema brasileiro precisa romper com esse modelo", disse. "Noventa e
nove por cento dos cineastas brasileiros so classe mdia, classe mdia
alta ou burguesia, como eu, mas, na maioria parte do tempo, fazem filmes
sobre pessoas sobre as quais sabem pouco e temas que no dominam.
Precisamos de mais filmes cuja ao no acontea numa favela ou num fim
de mundo e que no sejam sobre algum sujeito pauprrimo que mora debaixo
da ponte." Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar Erros 






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cultural em risco - 27/08/2012 ***
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Legado cultural em risco

Por PATRICIA COHEN

Conservacionistas e arquelogos avisam que os combates na capital
comercial da Sria, Aleppo -o assentamento humano continuamente habitado
mais antigo do mundo- ameaam danificar irreparavelmente o assombroso
legado arquitetnico e cultural deixado por 5.000 anos de civilizaes.

Os portes de ferro macio da imensa Cidadela medieval de Aleppo foram
destrudos num ataque com mssil, disse Bonnie Burnham, presidente do
Fundo de Monumentos Mundiais, que trabalha na preservao de stios de
patrimnio cultural.

O fundo vem cooperando com a Fundao Agha Khan de Cultura, o Ministrio
da Cultura srio e arquelogos alemes para escavar e restaurar o stio.

As foras do presidente Bashar Assad bombardeiam a cidade e, segundo
relatos de jornalistas, assumiram posies no interior da Cidadela,
trocando disparos com insurgentes. Erguida sobre um monte rochoso
macio, a Cidadela  um importante ponto militar estratgico h
milnios.

Entre os stios arqueolgicos importantes que se encontram em risco est
o Templo do Deus da Tempestade, que data do segundo milnio a.C. e que
Burnham identificou como uma das estruturas mais antigas do mundo. Nunca
aberto ao pblico, o templo (que foi descoberto recentemente) e seus
imensos relevos esculpidos esto protegidos apenas por sacos de areia e
um frgil telhado de zinco, segundo ela.

As ruas labirnticas de Aleppo revelam um microcosmo da histria humana.
Sob a Cidadela h resqucios de frisos da Idade do Bronze e fortalezas
romanas. A Cidade Velha, cercada por muralhas, com sua Grande Mesquita
do sculo 12, milhares de casas medievais em cores pastis com ptios
internos, bazares rabes, madrassas de pedra do sculo 17 e um palcio
otomano,  reconhecida como Patrimnio Mundial pela Unesco, a
organizao cultural das Naes Unidas.

No incio deste ms, a emissora Al Jazeera filmou rebeldes falando sobre
capturar a Cidadela.

Bonnie Burnham contou que foi informada sobre a destruio por
arquelogos nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente Mdio que tm
mantido contato com testemunhas em Aleppo.

"H muito o que perder aqui, a rea cultural mais rica do Oriente
Mdio", lamentou ela.

Situada na encruzilhada de rotas comerciais da antiguidade, Aleppo j
assistiu  ascenso e queda de imprios. Os Exrcitos de Alexandre, o
Grande, Genghis Khan, Tamerlo e do general muulmano Saladino atacaram
e defenderam a cidade.

Em 1996, arquelogos alemes e srios escavaram parte do templo de 5.000
anos. O local contm um friso de relevos em basalto esculpidos pelos
antigos hititas, cujo imprio se estendia da Anatlia at o norte da
Sria.

Outros tesouros incluem um relevo do deus da tempestade, do sculo 14
a.C., e duas esculturas de dois metros de altura de um leo e uma
esfinge.

O Fundo de Monumentos Mundiais e a Fundao Aga Khan planejavam erguer
um museu e um parque de 17 hectares no stio, mas desistiram do projeto
devido  instabilidade crescente na Sria, segundo Burnham.

A Conveno de Haia para a Proteo da Propriedade Cultural em Conflitos
Armados exige que os pases garantam a segurana de stios culturais,
monumentos, museus e bibliotecas importantes. Mais de 120 pases
firmaram a conveno, incluindo a Sria. Mas foi feito pouco para
proteger os stios de maior valor, segundo os conservacionistas.

O urbanista Jrg Esefeld, que assessorou a Fundao Aga Khan em Aleppo,
escreveu em e-mail que "um patrimnio cultural insubstituvel est
exposto  demolio. Este  uma questo no apenas para a Sria -ser
uma questo para todos ns, para o mundo inteiro."

Mas Ed Husain, membro do Council on Foreign Relations, comentou: "De um
governo que no hesita em matar sua prpria populao, no se pode
esperar que respeite e preserve monumentos histricos. Tudo 
sacrificvel em nome do controle do pas." Texto Anterior | Prximo
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alturas, perto de Colombo - 27/08/2012 ***
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Uma sala nas alturas, perto de Colombo

Por ROBIN POGREBIN

Imagine que voc trabalhasse para a prefeitura de Nova York como
responsvel pelas construes e que o prefeito decidisse deixar um
artista construir uma sala de estar a seis andares de altura, no meio do
ar, em volta de uma esttua histrica de Cristvo Colombo que ocupa um
dos cruzamentos mais movimentados de Manhattan.

Ah, e que o plano fosse que 100 mil pessoas subissem vrios lances de
escadas para conhecer e visitar a sala.

Voc provavelmente teria vrias preocupaes de segurana e faria
previses de dores de cabea com o trnsito.

E destacaria que algum teria que se preocupar com seguros e com o
acesso para pessoas com deficincias fsicas.

Mas o prefeito, Michael R. Bloomberg,  grande defensor das artes e, ao
que consta, no  um grande f dos carros.

Em todo caso, a brincadeira est apenas comeando. Esto sendo montados
os andaimes para a construo da obra.

O artista japons Tatzu Nishi pretende mobiliar a sala em questo com
sofs, abajures e um televisor para os visitantes, que podero ver a
esttua de quase quatro metros de altura do explorador com todo o
conforto.

" uma maneira maravilhosa e inovadora de levar as pessoas para mais
perto de Colombo", comentou John Calvelli, secretrio da Fundao
Nacional talo-Americana, que est promovendo e levantando recursos para
o projeto.

"Discovering Columbus" est sendo desenvolvido pela Fundao Pblica de
Arte, organizao sem fins lucrativos que apresenta obras de arte em
Nova York.

Antes de ser inaugurada, em 20 de setembro, a exposio precisar
receber vrios selos de aprovao do Departamento de Construes.

O Departamento de Transportes j averiguou que o trnsito no ser
afetado, e o Departamento de Bombeiros aprovou os fatores de segurana e
verificou que a sala de estar elevada ter sadas apropriadas -no caso,
escadas.

O Departamento de Parques est verificando que a esttua, inaugurada em
1892 para comemorar o quarto centenrio da primeira viagem de Cristvo
Colombo s Amricas, no seja danificada.

Quando a exposio chegar ao fim, em 18 de novembro, operrios usaro a
sala de estar como "poleiro" fechado a partir do qual podero fazer
trabalhos de restaurao da esttua.

Para evitar filas, o projeto vai distribuir bilhetes com hora marcada,
de modo que as pessoas compaream em horrios definidos. Os ingressos
so gratuitos e ficaro disponveis no site
publicartfund.org/discoveringcolumbus e num guich de informaes no
Centro Time Warner. A sala ficar aberta diariamente das 10h s 21h, no
horrio local.

Tatzu Nishi j fez coisas desse tipo antes. Ele cercou uma esttua da
rainha Vitria em Liverpool, Inglaterra, com um hotel funcional, mas
temporrio.

Tambm criou um apartamento de um quarto sobre o telhado de uma catedral
do sculo 14 em Basileia, na Sua -encerrando dentro dele um cata-vento
de bronze, no formato de um anjo.

E ergueu uma sute de hotel temporria em volta da fonte Merlion, em
Cingapura.

O que ele busca sempre  a surpresa visual. Texto Anterior | ndice |
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