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Charge




 
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Hlio Schwartsman

A expulsatria

SO PAULO - A regrinha da lei n 8.112 que torna automtica a
aposentadoria do servidor pblico "a partir do dia imediato quele em
que atingir a idade-limite"  coisa de quem acredita em horscopo. Como
bem ilustra o caso do ministro Antonio Cezar Peluso, a norma serve mais
para conturbar processos em andamento do que para proteger os interesses
do funcionrio.

No obstante o atabalhoamento da norma, que merece uma formulao menos
draconiana, acredito que o instituto da aposentadoria compulsria  um
que vale a pena manter, ainda que no necessariamente aos 70 anos. O
argumento dos que se opem  regra no  ruim. O Brasil est
envelhecendo. Em 1980, menos de 2,5% da populao ultrapassava os 70
anos; em 2010, essa fatia chegou perto dos 4,5%; e, em 2050, dever
exceder os 15%. Melhor ainda, as pessoas esto atingindo idades
provectas em condies de sade cada vez melhores.  natural, portanto,
que trabalhem at mais tarde.

Existe, entretanto, uma particularidade na aposentadoria compulsria.
Nas instncias mais burocrticas do servio pblico, o funcionrio tende
a aposentar-se to logo rena as condies legais necessrias para
faz-lo, o que costuma ocorrer antes do aniversrio de 70 anos. As
excees so os tribunais e as universidades, onde antiguidade no cargo
e poder andam de braos dados. Nesse contexto, a compulsria, s vezes
chamada de "expulsatria", no serve s para evitar que o servidor
trabalhe alm da conta, mas principalmente para garantir a renovao dos
quadros. Um bom jeito de bloquear avanos na jurisprudncia ou na
cincia  manter cortes superiores e universidades cheias de velhinhos.

Como escreveu o filsofo da cincia Thomas Kuhn, "uma nova verdade
cientfica no triunfa porque os que se opunham a ela veem a luz e saem
convencidos, mas porque eles acabam morrendo e surge uma nova gerao
mais familiarizada com ela".

helio@uol.com.br Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar
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Eliane Cantanhde

Os bons meninos

BRASLIA - Joo Paulo Cunha nasceu em Caraguatatuba (SP), de uma famlia
como milhes de outras neste pas afora, e foi um menino como milhes de
outros neste pas afora. Mas embicou na vida pblica como muito poucos.

J em Osasco, para onde foi com a famlia ainda criana, tornou-se
metalrgico e participou ativamente da Pastoral da Juventude, da
mobilizao de operrios, da fundao do PT. Brandia a tica e a
igualdade. Bom menino, bom rapaz.

Tudo mudou quando Lula subiu a rampa do Planalto, o PT deixou de ser
oposio e se atirou de corpo e alma aos prazeres e s chances do poder.
Sem lastro poltico nacional, sem verniz intelectual, sem liderana
parlamentar, Joo Paulo deu um salto maior que as pernas: assumiu a
presidncia da Cmara dos Deputados j no primeiro ano de Lula.

O incio do fim. Trocou o passado de lutas e o futuro promissor por um
vcio: a embriaguez do poder, em que "os fins justificam os meios". Quis
ser tudo, virou nada. Ontem, o Wikipdia j dizia que Joo Paulo Cunha
"foi" um poltico brasileiro.

Sua condenao pelo Supremo Tribunal Federal, por contundentes 9 a 2,
entra para a histria como o fim de uma era. Vai-se a impunidade, vem a
responsabilidade. A Cmara dos Deputados, o Banco do Brasil, a
Petrobras, a Presidncia da

Repblica -as instituies, enfim- no tm donos, ou dono. So do Estado
e servem  nao.

Isso vale para o Supremo, at mais do que para todas as demais. L-se
que Lula est triste, acabrunhado, por sentir-se "trado". Dos 11
ministros (incluindo Peluso), 8 foram colocados ali nos governos
petistas e s 2 votaram pela absolvio de Joo Paulo -por extenso, do
PT.

A corte suprema no vota mais com os poderosos, pelos poderosos. Julga
com a lei, pela justia. Inaugura, assim, um novo Brasil.

Bons meninos tero de se comportar sempre como bons cidados.

elianec@uol.com.br Texto Anterior | Prximo Texto | ndice | Comunicar
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Carlos Heitor Cony

Nem tudo est perdido

RIO DE JANEIRO - Na medida do possvel, acompanhei parte do julgamento,
no STF, que ganhou louvvel e merecida visibilidade durante o processo
do mensalo -que, alis, ainda no acabou, se  que vai acabar mesmo.

A ltima sesso a que assisti, a de quarta-feira passada, foi um dos
melhores momentos que a TV (em geral) me deu, desde que existe televiso
no Brasil e no mundo.

O voto do ministro Cezar Peluso, alm de brilhante em si mesmo,
representava sua ltima atuao naquele plenrio, uma vez que alcanava
a aposentadoria compulsria -um absurdo que no tem mais sentido num
pas em que a expectativa de vida j ultrapassou os 70 anos.

A primeira Constituio republicana, de 1891, no estabelecia limite de
idade para o exerccio da funo de juiz do Supremo. Peluso, ao atingir
a idade-limite, mostrou que est inteirao fsica e intelectualmente, e
seu voto tornou-se decisivo para condenar um dos rus mais importantes
do processo.

A participao de Mrcio Thomaz Bastos -que, como defensor de um dos
acusados, pediu a suspenso dos debates por meia hora para que todos
pudessem cumprimentar Peluso- foi um momento justo e comovente. Mrcio
falou em nome de todos os advogados do Brasil, e o ministro Ayres Britto
logo se associou  homenagem pedida, com seu rosto expressando a alegria
por estar presidindo aquele instante.

A tese que Peluso defendeu (os indcios podem eventualmente ter o valor
de provas, sobretudo em casos de corrupo e atentados) para mim veio em
boa hora. Em livro sobre o acidente que matou JK, de certa forma defendi
a mesma tese, chegando  audcia de concluir que, em certos casos, os
indcios so maiores do que as provas. At hoje no se sabe se Cabral
descobriu ou achou o Brasil. Texto Anterior | Prximo Texto | ndice |
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Josu Gomes da Silva

O poder da vrgula

Numa prova de portugus do ensino fundamental, ante a pergunta sobre
qual era a funo do apstrofo, um aluno respondeu: "Apstrofos so os
amigos de Jesus, que se juntaram naquela jantinha que o Leonardo
fotografou".

A frase, alm de alertar sobre os avanos que precisamos na excelncia
da educao,  didtica quanto aos cuidados no uso da lngua portuguesa,
preciosidade que herdamos dos lusos, do galego e do latim.

O erro gritante que o aluno cometeu ao confundir dois termos com
sonoridade parecida foi agravado com a colocao da vrgula depois de
"amigos de Jesus". Sim, pois o sinal tornou a frase afirmativa de que os
apstolos eram todos os amigos que Jesus tinha. Ou seja, uma simples
vrgula colocou em xeque o que telogo algum ousou questionar, em mais
de 20 sculos, quanto ao nmero de seguidores de Cristo.

Alis, observo que vrgulas usadas indevidamente tm transformado Lula
no nico chefe de Estado anterior  presidenta Dilma Rousseff. H quem
escreva assim: "O ex-presidente do Brasil, Luiz Incio Lula da Silva,
(...)". Ao destac-lo entre os sinais de pontuao, o redator renega,
por virgulao, todos os demais ocupantes do cargo desde a Proclamao
da Repblica.

Por falar em vrgula, lembrei-me de caso ocorrido numa cidade paulista.
O vereador proponente lia seu "improviso" na cerimnia de outorga do
ttulo de cidadania a um professor de portugus. A iniciativa deveu-se
ao fato de o mestre ter alfabetizado o nobre edil e outros muncipes no
curso de adultos. O exaltado orador disparou: "Este grande letrista me
transformou num competente palavrista, pontuador e virgolapense".

Um constrangido catedrtico, ao discursar, agradeceu, mas recusou a
homenagem. "No a mereo", frisou! Em tempo: virgolapense  o gentlico
do municpio de Virgem da Lapa, localizado no Vale do Jequitinhonha
(MG).

Ao no dar explicaes sobre o bvio, o velho membro do magistrio
evitou a redundncia, esse vcio que polui

o idioma, como ilustra ato de assinatura de convnio para projeto de
piscicultura numa pequena cidade do interior gacho. "Vamos vender nosso
peixe em todos os pases da Terra", bradou o prefeito, num arroubo de
entusiasmo. "Questo de ordem, Excelncia, mas s nos da Terra? Por que
no tambm nos pases de Marte, Vnus e at Saturno?" -ironizou o lder
da oposio na Cmara Municipal.

O poder da vrgula e o das palavras  to importante que, no passado, o
artifcio do veto  pontuao foi usado para mudar o teor das leis
contra os interesses da sociedade.

Assim, preocupado com o nosso idioma e com a pacincia dos leitores,
encerro hoje um ano de modesta colaborao  Folha . Obrigado! Texto
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Josu Gomes da Silva

O poder da vrgula

Numa prova de portugus do ensino fundamental, ante a pergunta sobre
qual era a funo do apstrofo, um aluno respondeu: "Apstrofos so os
amigos de Jesus, que se juntaram naquela jantinha que o Leonardo
fotografou".

A frase, alm de alertar sobre os avanos que precisamos na excelncia
da educao,  didtica quanto aos cuidados no uso da lngua portuguesa,
preciosidade que herdamos dos lusos, do galego e do latim.

O erro gritante que o aluno cometeu ao confundir dois termos com
sonoridade parecida foi agravado com a colocao da vrgula depois de
"amigos de Jesus". Sim, pois o sinal tornou a frase afirmativa de que os
apstolos eram todos os amigos que Jesus tinha. Ou seja, uma simples
vrgula colocou em xeque o que telogo algum ousou questionar, em mais
de 20 sculos, quanto ao nmero de seguidores de Cristo.

Alis, observo que vrgulas usadas indevidamente tm transformado Lula
no nico chefe de Estado anterior  presidenta Dilma Rousseff. H quem
escreva assim: "O ex-presidente do Brasil, Luiz Incio Lula da Silva,
(...)". Ao destac-lo entre os sinais de pontuao, o redator renega,
por virgulao, todos os demais ocupantes do cargo desde a Proclamao
da Repblica.

Por falar em vrgula, lembrei-me de caso ocorrido numa cidade paulista.
O vereador proponente lia seu "improviso" na cerimnia de outorga do
ttulo de cidadania a um professor de portugus. A iniciativa deveu-se
ao fato de o mestre ter alfabetizado o nobre edil e outros muncipes no
curso de adultos. O exaltado orador disparou: "Este grande letrista me
transformou num competente palavrista, pontuador e virgolapense".

Um constrangido catedrtico, ao discursar, agradeceu, mas recusou a
homenagem. "No a mereo", frisou! Em tempo: virgolapense  o gentlico
do municpio de Virgem da Lapa, localizado no Vale do Jequitinhonha
(MG).

Ao no dar explicaes sobre o bvio, o velho membro do magistrio
evitou a redundncia, esse vcio que polui

o idioma, como ilustra ato de assinatura de convnio para projeto de
piscicultura numa pequena cidade do interior gacho. "Vamos vender nosso
peixe em todos os pases da Terra", bradou o prefeito, num arroubo de
entusiasmo. "Questo de ordem, Excelncia, mas s nos da Terra? Por que
no tambm nos pases de Marte, Vnus e at Saturno?" -ironizou o lder
da oposio na Cmara Municipal.

O poder da vrgula e o das palavras  to importante que, no passado, o
artifcio do veto  pontuao foi usado para mudar o teor das leis
contra os interesses da sociedade.

Assim, preocupado com o nosso idioma e com a pacincia dos leitores,
encerro hoje um ano de modesta colaborao  Folha . Obrigado! Texto
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baleias e seres humanos - 02/09/2012 ***
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Christiano Jorge Santos

Cdigo Penal: entre baleias e seres humanos

Entre omitir socorro a um co ou a uma criana, deixe para trs a
criana. E saiba: o crime compensa, inclusive para os j presos, pois
penas diminuiro

A rdua tarefa de reformar uma legislao de 1941 no poderia ser bem
sucedida em apenas oito meses. Para a elaborao das propostas do novo
Cdigo Penal, no foram realizadas discusses com as principais
faculdades de direito do pas. No houve ampla participao das
instituies e entidades de classes da rea jurdica. O dilogo com a
sociedade no foi satisfatrio.

As audincias pblicas, pautadas principalmente em temas polmicos como
aborto e eutansia, ofereciam apenas trs minutos para a manifestao de
cada um dos tantos interessados. O resultado da pressa no poderia ser
diferente. O texto legislativo apresenta falhas graves. Trata-se de um
cdigo feito por dez advogados, dois procuradores de justia e trs
juzes.

Entre os piores erros, destaca-se o ato de reduzir o racismo, o
preconceito e a discriminao a fato impune, diante da ausncia de
sano.

H diversas penas desproporcionais. De acordo com o novo dispositivo
legal, a vida de um animal vale mais do que a vida humana. Basta
confrontar os crimes contra a pessoa (ou contra a dignidade sexual) e os
crimes contra a fauna para que se percebam previses equivocadas.

Pune-se no projeto a omisso de socorro a animais em perigo, com priso
de um a quatro anos. Em contrapartida, a omisso de socorro a um ser
humano em idntica situao gera priso de apenas um a seis meses, ou
multa. Portanto, entre se omitir no socorro a um co atropelado ou uma
criana,  mais vantajoso deixar a criana para trs.

O ato de promover uma "rinha de galos"  punido com dois a seis anos de
priso, pena bem superior ao ato de provocar intencionalmente uma leso
em um humano, que incorre em priso de seis meses a um ano.

Molestar baleias e golfinhos gera pena de priso de dois a cinco anos.
Molestar sexualmente um adolescente, sem grave ameaa ou violncia,
deixa o criminoso no mximo dois anos preso. A comisso deixa claro que
a proteo penal aos seres humanos  inferior  fauna.

A flora brasileira no teve o mesmo tratamento especial. Embora nossas
florestas, especialmente a Amaznica, sejam alvo de cobia internacional
e de desmatamento, destruir inteiramente uma floresta nativa provoca uma
reao penal pfia: priso de trs meses a um ano -a mesma pena para
quem danificar a vegetao de logradouro pblico. Arrancar as ptalas de
uma rosa na pracinha ou destruir a Amaznia se tornam condutas de igual
gravidade.

O uso de drogas tambm merece destaque. Para a nova lei, deixou de ser
crime portar entorpecentes para consumo pessoal -o suficiente para o
consumo mdio individual por cinco dias. Alm da impossibilidade de se
definir critrios do que seria "uma quantidade razovel", o novo cdigo
abre precedente para o trfico difuso. Qualquer traficante flagrado com
at 25 pores poder alegar ser um mero usurio. Basta dividir a droga
com outros "portadores" para poder traficar em larga escala e, o pior,
dentro da legalidade.

Quanto aos delitos patrimoniais, o crime compensa. As penas do roubo
simples caram de quatro a dez anos de priso para trs a seis anos. A
pena para roubo com emprego de arma caiu de cinco a 15 anos para quatro
a oito anos de recluso.

Os futuros criminosos sero contemplados com uma liberdade mais clere,
inclusive os que j esto presos, j que a lei penal mais favorvel ao
ru retroage. O atual crime de extorso -a exemplo da obteno da senha
de cartes bancrios em seqestros-relmpagos- ser considerado roubo
por equiparao. Desta forma, no ser mais possvel somar as penas de
roubo e extorso, o que beneficia (e muito) o ru.

A aprovao do texto do atual projeto de lei representa um enorme risco
 segurana jurdica e  sociedade brasileira. Pese a capacidade e o
saber jurdico de vrios de seus membros, a meritria inteno de
reforma gerou vrias inovaes positivas, mas tambm maus resultados.

A esperana de evitarmos prejuzos  sociedade brasileira est nas novas
emendas ao Projeto. O MP j encaminhou mais de cem propostas de emenda
ao Senado Federal para corrigir estes e outros equvocos no novo Cdigo
Penal.

CHRISTIANO JORGE SANTOS , 45,  professor doutor de direito penal na
PUC-SP e promotor de Justia

Os artigos publicados com assinatura no traduzem a opinio do jornal.
Sua publicao obedece ao propsito de estimular o debate dos problemas
brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendncias do
pensamento contemporneo. debates@uol.com.br Texto Anterior | Prximo
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uso dos royalties - 02/09/2012 ***
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Helena Bonciani Nader

O discurso sobre o uso dos royalties

Quando ministro da Cincia, Mercadante defendia que a pesquisa tambm
recebesse o dinheiro do pr-sal. Mudou de ministrio, mudou de opinio

Quando era ministro da Cincia, Tecnologia e Inovao, Aloizio
Mercadante defendeu em diversas oportunidades a aplicao dos recursos
dos royalties do petrleo e do pr-sal nas reas de educao, cincia,
tecnologia e inovao.

Em maio de 2011, o ministro justificava: "o Brasil precisa vender 21 mil
toneladas de minrio de ferro ou 1.742 toneladas de soja para importar
uma tonelada de circuito integrado, que custa, a preos atuais, US$ 848
mil. O que  um circuito integrado?  inteligncia, cincia, tecnologia.
Ns temos de disputar esses setores de ponta e, para isso,  preciso
investir, assegurando uma margem do pr-sal para o futuro do Brasil."

No entanto, na semana passada, aps participar de encontro da presidente
Dilma Rousseff com lideranas estudantis, Mercadante, o atual ministro
da Educao, mudou o discurso sobre o tema.

Declarou: "O governo est disposto a colocar todos os royalties do
petrleo e do pr-sal e pelo menos metade do fundo social do petrleo
para educao, exclusivamente para educao, isso para os municpios, os
Estados e a Unio".

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia (SBPC), assim como as
105 sociedades cientficas que representa,  totalmente favorvel 
destinao dos royalties do petrleo para a educao. No entanto, temos
defendido a necessidade imperativa e a oportunidade nica de utilizarmos
esses recursos, que pertencem  nao brasileira, no que a ela podem
melhor trazer benefcios.

Hoje, a associao equilibrada entre educao, cincia, tecnologia e
inovao constitui-se no caminho certeiro para a construo de um
crescimento sustentvel e para a reduo da pobreza.

Sem planejamentos claros e objetivos, e investimentos definidos e
contnuos, vamos continuar com baixos ndices em avaliaes educacionais
aqui e posies sofrveis em rankings de inovao acol.

A luta de diversas entidades brasileiras, inclusive a SBPC, pela
ampliao dos recursos para a educao obteve como resultado a aprovao
do Plano Nacional de Educao (PNE), no fim de junho passado, em uma
comisso especial da Cmara, que determinou o investimento pelo governo
de 10% do PIB em educao at 2022. Esses recursos, quando aprovados,
devem sim incluir parte dos royalties do petrleo, mas no
exclusivamente, como agora prope o governo.

O oramento federal para a rea de cincia, tecnologia e inovao sofreu
cortes consecutivos em 2011 e 2012, e a ameaa recorrente de
descontinuidade de recursos  um fator de desacelerao do
desenvolvimento sustentvel que buscamos.

Nunca  demais afirmarmos que programas na rea de cincia e tecnologia
requerem longo prazo de maturao para que obtenham xito e, por
consequncia, a diminuio, cortes ou interrupo no fluxo de recursos,
implicam diretamente na evoluo dos programas Um exemplo  a prpria
situao do petrleo. Especialistas afirmam que a demanda de
profissionais necessrios para atender aos projetos do pr-sal  elevada
e exigir a importao de mo de obra estrangeira. A formao de
profissionais nas engenharias e o desenvolvimento de tecnologias para
explorao do petrleo avanou no Brasil nas ltimas dcadas, mas ainda
est muito aqum do que precisaremos para atender ao pr-sal.

Eis um grande exemplo do quanto ainda precisamos investir em educao,
cincia, tecnologia e inovao.

HELENA NADER , 64, biomdica,  presidente da Sociedade Brasileira para
o Progresso da Cincia (SBPC) e professora da Universidade Federal de
So Paulo (Unifesp)

Os artigos publicados com assinatura no traduzem a opinio do jornal.
Sua publicao obedece ao propsito de estimular o debate dos problemas
brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendncias do
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Painel do Leitor



O " Painel do Leitor " recebe colaboraes por e-mail (
leitor@uol.com.br ), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Baro de
Limeira, 425, 4 andar, So Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem
ser concisas e conter nome completo, endereo e telefone. A Folha se
reserva o direito de publicar trechos.

Leia mais cartas na Internet

PIB

Se no crescemos mais de 1% h oito trimestres ("Primeira Pgina" e
"Mercado", ontem), abaixo de muitos pases emergentes, logicamente
estamos perdendo espao. Dizer que o Brasil  a sexta economia mundial 
um ilusionismo. No devemos nos comparar aos pases desenvolvidos, que
enfrentam uma grande crise, mas tm um alto nvel de vida.

JOS OSVALDO G. ANDRADE (Belo Horizonte, MG)

-

Questionvel a opo da Folha pela manchete "Brasil tem o maior ciclo de
PIB fraco desde o Plano Real" ("Primeira Pgina", ontem). Curioso que
ela surge aps a constatao, em So Paulo, da queda de Jos Serra nas
intenes de voto e do crescimento de Fernando Haddad, independente de
alguns dos principais pases do mundo no crescerem ou apresentarem PIB
negativo. Muito mais interessante para os leitores paulistas seria
destacar na manchete a herana multimilionria da dvida paulistana que
o novo prefeito herdar.

RODRIGO VELOSO (So Paulo, SP)

Mensalo

O STF demonstra, at agora, com o julgamento do mensalo, que sua
independncia  at atpica no mundo poltico brasileiro, mas nos mostra
um fio de esperana apontando que  possvel vivermos sem conexes
corruptas e criminosas.

MILTON C. COSTA (Rafard, SP)

-

Dois so os pressupostos para o convencimento de um juiz: os fatos e a
lei. O atual sistema para as sucesses no STF e em outras instncias
superiores pode acrescentar mais um pressuposto, o da gratido. Nesse
caso, a Justia ficar cega, no pela imparcialidade, mas pela
parcialidade.

SEBASTIO FELICIANO (Taubat, SP)

-

Parabns ao STF por estar cumprindo seu extraordinrio poder de punio.
Esperamos dos ministros o veto  desordem generalizada que ocorria e
ainda ocorre no pas. Assim, aguardamos as demais punies e esperamos
que os ministros determinem a devoluo, aos cofres da nao, das
fortunas usurpadas.

ANTNIO SRGIO MARQUEZ (Uberaba, MG)

Medicina

Parabns ao Conselho Federal de Medicina pela resoluo coerente com a
sociedade atual e com a liberdade das pessoas de decidirem por suas
vidas ("'Morro como eu quiser'", "Sade", ontem). J  um enorme passo
em direo ao respeito das individualidades. Sou mdico e considero este
um momento histrico. Sempre respeitarei a vontade do paciente, que  o
principal envolvido e o nico que pode decidir se quer ou no prolongar
um sofrimento ou um tratamento que no mudar seu prognstico de
paciente terminal. RICARDO V. JUNQUEIRA (So Paulo, SP)

Greve

 muito triste o saldo da greve de funcionrios pblicos, em que no
houve discusso sobre os verdadeiros problemas estruturais do
funcionalismo. O governo jogou muito sujo, com o apoio da maior parte da
mdia, e no se concretizou qualquer proposta meritocrtica, fomentando,
assim, aquele que  o pior dos vcios entre os funcionrios: o desapego
ao trabalho. Quem trabalha bem, merece ser bem remunerado,  uma coisa
lgica.

FBIO AUGUSTO SALVADOR (Curitiba, PR)

Diploma de jornalismo

No texto "Que jornalista  esse?" (Tendncias/Debates, ontem), Jos
Hamilton Ribeiro confunde "ser contra escola de jornalismo" com "ser a
favor da no exigncia do diploma". Ningum  contra a educao, s no
d para ser hipcrita e dizer que escrever e contar s se aprende na
faculdade.

GUSTAVO FERNANDES (Catigu, SP)

-

Que as universidades possam no conseguir transmitir aquilo que 
essencial ao exerccio de uma profisso  compreensvel. Mas da a
advogar contra uma proposta que pretende oferecer mais um recurso de
aprendizado de to nobre profisso -como  o jornalismo-  esquecer o
seu histrico de construo. Alis, os jornalistas que se posicionam
contra o diploma so os mesmos que se colocaram contra um Conselho
Nacional de Jornalismo, "confundindo" liberdade de expresso com regras
para o exerccio de uma profisso.

ODILA MARIA FERNANDES BRAGA (Uberaba, MG)

Lngua portuguesa

Adorei a coluna de Ruy Castro de ontem ("Lngua no museu", "Opinio").
Mas lngua  evoluo. Da mesma forma como defendemos nossos
saudosismos, prestemos ateno ao que os jovens dizem, pois comunicao
no  somente ortografia.

ADILSON ROBERTO GONALVES (Lorena, SP)

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*** Ttulo da Pgina: Folha de S.Paulo - Opinio -  - 02/09/2012 ***
Transcrita em 2/9/2012






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Erramos

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PODER ( 26.MAR, PG. A4 ) A nota "Ponte area", na coluna Painel,
informou erroneamente que todos os voos entre o Brasil e a ndia fazem
escalas na Europa. Porm existem rotas que passam pela sia (Qatar e
Emirados rabes Unidos) e pela frica (frica do Sul).

MERCADO ( HOJE, PG. B10 ) Por erro de edio, a ltima frase da
reportagem "Caderno reformula escala semanal e estreia colunistas" foi
cortada. A ntegra da frase : "E a senadora Ktia Abreu (PSD-TO),
presidente da CNA (Confederao da Agricultura e Pecuria do Brasil),
que j escrevia quinzenalmente, passar a publicar coluna semanal aos
sbados".

COTIDIANO ( 31.AGO, PG. C9 ) O bairro de Santa Ceclia fica na regio
central de So Paulo, e no na zona oeste, como foi incorretamente
publicado no texto "Obras da 'calada da fama' so retomadas".

ILUSTRADA ( 25.AGO, PG. E6 ) Na nota "Os nomes da Balada", na coluna
Painel das Letras, o nome do escritor Raduan Nassar foi grafado
incorretamente.

ILUSTRADA (20.JUL, PG. E1) Diferentemente do publicado em chamada no
alto da pgina, a reportagem sobre a indicao da srie "Mad Men" ao
Prmio Emmy foi publicada na pg. E7, e no na pg. E10. Texto Anterior
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