A  SEGUNDA  VINDA  DE  CRISTO

A esperana de que um dia terminaro os nossos sofrimentos

Billy  Graham

Ttulo original norte-americano:
TILL ARMAGEDON: A PERSPECTIVE ON SUFFERING
Traduo de ISABEL PAQUET DE ARARIPE
EDITORA RECORD

Por que existe o sofrimento? Por que h tanto mal no mundo?
Que posso fazer para diminuir a minha dor?
Que futuro espera este mundo? Como ir me afetar pessoalmente?
Que posso fazer enquanto esse futuro no chega?

Neste livro til e de grande oportunidade, o evangelista mais conhecido 
do mundo proporciona orientao e conforto para responder s dvidas que 
nos afligem a todos mais cedo ou mais tarde  dvidas sobre o sofrimento, o 
mal ou os planos de Deus para o futuro do homem. 
Baseado nos profundos estudos das Escrituras realizados pelo Dr. 
Graham, A SEGUNDA VINDA DE CRISTO no  apenas mais uma 
especulao controvertida sobre o "fim do mundo". Ao contrrio,  um guia 
prtico e apaixonado sobre a maneira como poderemos viver agora  nos 
meses, anos ou sculos que nos separam da prxima vinda de Cristo ao 
mundo. "Um dia toda a dor e sofrimento sero gloriosamente varridos deste 
mundo", escreve o Dr. Graham. Mas at que chegue esse dia, diz a Bblia, o 
sofrimento ser uma parte da vida a que ningum conseguir escapar  mesmo 
os cristos. 
O Dr. Graham evita os conselhos piegas para simplesmente levantar o 
moral. Ele prefere as palavras bblicas de profundo consolo e esperana, 
capazes de guiar-nos durante os anos incertos que nos esperam. 

SUMRIO

Prefcio ................................................................................... 3 
1. A Tempestade Vindoura ..................................................... 9 
2. Armagedons Pessoais ........................................................ 20 
3. Quem  o Responsvel por um Mundo que Sofre? .......... 36 
4. O Nascimento de um Mundo Sofredor ............................. 53 
5. O Salvador que Sofre ........................................................ 67 
6. Por que os Cristos No Esto Isentos? ............................ 83 
7. O Sofrimento Previsto ....................................................... 96 
8. O Sofrimento Sutil .......................................................... 110 
9. Vivendo Acima de Suas Circunstncias ......................... 124 
10. O que Fao com a Minha Dor? ....................................... 137 
11. O Lugar da Orao no Sofrimento .................................. 153 
12. Promessas Para Aqueles que Sofrem .............................. 164 
13. Como se Preparar Para o Sofrimento .............................. 180 
14. Como Ajudar Aqueles que Esto Magoados .................. 192 
15. A Morte e Como Enfrent-la .......................................... 205 
16. Depois do Armagedom: A Glria Mais Adiante ............ 219




PREFCIO

Deus podia ter deixado Daniel do lado de fora do covil do leo 
(...) Mas Deus nunca prometeu-nos deixar de fora de situaes 
difceis (...) O que Ele prometeu foi acompanhar-nos em cada 
situao difcil e fazer com que sassemos vitoriosos. MERV 
ROSELL

UM DOS livros mais antigos do mundo afirma que "o homem 
nasce para as dificuldades, assim como as fascas das brasas voam para 
cima" (J 5:7). 
Jamais estas palavras foram to verdadeiras quanto hoje. 
O mundo todo est suspirando e sofrendo numa escala talvez 
desconhecida na histria humana: os refugiados, os famintos, os "novos 
escravos", os problemas psicolgicos, os turbilhes emocionais, os 
casamentos desfeitos, as crianas rebeldes, o terrorismo, os refns, as 
guerras e mais mil outras dificuldades que afligem todos os pases do 
mundo. No existe ningum, em canto algum, que seja imune. Os ricos e 
famosos sofrem como os pobres e obscuros. Como disse o falecido ator 
Peter Sellers, "por trs da mscara de todos ns, palhaos, esto a tristeza 
e coraes partidos". 
Parece que a raa humana est se dirigindo para o clmax das 
lgrimas, mgoas e feridas acumuladas no decorrer dos sculos - o 
Armagedom! 
O sofrimento  o destino comum das pessoas em toda aparte  tanto 
dos crentes quanto dos descrentes. Porm, os cristos so vtimas de um 
sofrimento maior ainda do que o de outras pessoas. Na condio de 
seguidores de Jesus Cristo, muitas vezes se perguntam, como o salmista: 
"Ser que Deus esqueceu de ser misericordioso? Ser que, na sua ira, 
negou a sua compaixo?" (Salmos 77:9) 
 um grito antigo  ecoado hoje por milhes de pessoas no mundo 
inteiro. Por que existe o mal? Onde tudo comeou? Por que Deus 
permite que o terrvel pesadelo do sofrimento e do mal continue na 
histria da humanidade? Por que as preces para a derrubada da maldade 
e a vitria da justia e do direito parecem no ter resposta? E por que os 
cristos no esto isentos de sofrimento  inclusive da perseguio?  
No so perguntas fceis de responder e, na verdade, s 
conheceremos a resposta quando nos encontrarmos face a face com 
nosso Senhor, no cu. Apesar disso, a Bblia nos d algumas respostas 
para a questo do sofrimento. Neste livro, tentei ver quais as pistas que 
ela nos oferece para esta pergunta universal. 
Mas este estudo da questo do sofrimento no  um exerccio 
acadmico ou intelectual, tentando responder perguntas filosficas 
abstratas que no tm nada a ver com o dia-a-dia. Ns, como veremos 
nas pginas seguintes, mesmo que nem sempre possamos entender por 
que Deus permite que cenas coisas aconteam conosco, sabemos que Ele 
extrai o bem do mal, e o triunfo do sofrimento. 
Assim, ao escrever este livro, tentei ser prtico. Vi o que a Bblia 
nos ensina sobre o sofrimento, como devemos encar-lo e de que forma 
podemos nos preparar para ele. E se voc fosse avisado de que s teria 
seis meses de vida por causa de um cncer? Ou se um ente querido fosse 
acometido de um ataque cardaco fulminante ou se ferisse mortalmente 
num acidente de carro? E se voc fosse tomado como refm ou feito 
prisioneiro por causa da sua f em Cristo? E quanto s mil e uma crises 
pessoais, grandes e pequenas, que nos afligem ou nos afligiro? Como 
voc deve se preparar para a tragdia, a dor, o sofrimento, seja qual for a 
natureza ou fonte deles? Como voc pode se preparar agora para os 
armagedons pessoais do futuro, as batalhas que todos enfrentamos e que 
ameaam nos esmagar? E como voc pode se preparar para o grande e 
futuro Armagedom, que marcar o clmax do sofrimento do mundo e a 
derrocada final do mal? 
Em A segunda vinda de Cristo, tento lidar com estas perguntas e 
outras similares, pois creio que elas so de importncia fundamental para 
cada um de ns. 
Ningum escalou o monte Evereste num nico dia. Aqueles que 
tentam escalar as suas encostas traioeiras passam meses, at anos, 
treinando e se exercitando. Cada pequena montanha conquistada prepara 
a pessoa para uma montanha mais alta e uma escalada mais difcil pela 
frente. Da mesma forma, a melhor preparao para os tempos difceis 
pela frente so as pequenas dificuldades dirias e o modo como reagimos 
a elas. 
Porm, tambm me preocupei em mostrar uma outra dimenso dos 
ensinamentos da Bblia sobre o sofrimento  a dimenso da esperana. 
Algum dia, toda a dor e sofrimento deste mundo sero gloriosamente 
banidos. Por causa do que Jesus Cristo fez por ns, atravs da Sua cruz e 
Ressurreio, sabemos que temos esperana no futuro. Acreditamos que, 
no cu, todos os pecados e males sero banidos e que no existir mais o 
sofrimento. Disse o apstolo Paulo: "Tenho para mim que os sofrimentos 
da vida presente no tm valor em comparao com a glria que h de 
ser revelada em ns. A ardente expectativa da criao aguarda a 
manifestao dos filhos de Deus. Pois a criao ficou sujeita  vaidade 
no voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperana 
de que tambm a prpria criao ser libertada do cativeiro da corrupo 
para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (Rom. 8:18-21) 
Em A segunda vinda de Cristo, tento mostrar um pouco do que ser 
a vida futura. Ao faz-lo, veremos como a glria que nos espera  bem 
maior do que quaisquer sofrimentos que tenhamos que suportar aqui. 
Mas, nesse meio tempo  A segunda vinda de Cristo , voc e eu 
temos que aprender o que significa confiar em Deus em todas as 
circunstncias e viver para Ele, no importa o que nos acontea. Oro 
para que Deus use este livro para nos ajudar a pensar com mais clareza 
sobre o sofrimento, e para reordenar as nossas prioridades para que, 
quando o Armagedom chegar  ou nossos armagedons pessoais 
chegarem , no sejamos apanhados de surpresa nem estejamos 
despreparados. Como Jos, que armazenava os gros durante os anos de 
fartura para serem usados durante os anos de escassez que viriam depois, 
que ns possamos armazenar as verdades da Palavra de Deus em nossos 
coraes o mximo possvel, para estarmos preparados para qualquer 
sofrimento que tenhamos de suportar. 
Como disse um oficial do Exrcito, certa vez: "O tempo na guerra  
sempre favorvel, se a gente sabe como us-lo." 
Que este livro nos ajude a "usar o tempo", seja ele qual for. 
Escrevi este livro, tenho que admitir, com muita relutncia. Existem 
muitas outras pessoas que passaram pelo fogo de sofrimentos muito mais 
severos do que os que experimentei e, como resultado, conheceram a 
graa e a fora de Deus numa medida bem mais profunda. No entanto, 
Deus tem me ensinado muito sobre este assunto  atravs da experincia 
pessoal, atravs da vida dos outros e, principalmente, atravs da Bblia, a 
Sua palavra. Oro para que, atravs deste livro, Deus traga esperana e 
coragem para voc, mas que tambm seja um desafio, como o foi para 
mim escrev-lo. 
Muitas vezes, no meio dos problemas e dificuldades da minha 
prpria vida, duas palavrinhas se destacaram: "No tema." Mas, embora 
acredite que elas abriguem os filhos de Deus, tambm descobri que a f 
precisa agarrar-se a Cristo e que devemos viver num temor piedoso. Do 
mesmo jeito que a criancinha se aquieta e dorme no seio da me, os 
filhos de Deus precisam ser acalmados com o "no tema" da Escritura 
nesses dias de medo e tremor. 
Ele ainda tenta nos encorajar por intermdio de Abrao: "No temas 
(...); eu sou teu escudo, a tua recompensa ser infinitamente grande" 
(Gn. 15:1); e de Josu: "No temas, nem te atemorizes" (Josu 8:1); ou 
"Paz! No temas: no morrers" (Juizes 6:23); "No tenhas medo, (...) 
pois mais so os que esto conosco do que os que esto com eles" (II 
Reis 6:16); "No recearei mal algum, porque tu ests comigo" (Salmos 
23:4); "Jeov  a minha luz e a minha salvao; de quem me recearei?" 
(Salmos 27:1); "Por que hei de temer nos dias de adversidade?" (Salmos 
49:5); "Jeov  por mim, no recearei: que me pode o homem fazer?" 
(Salmos 118:6); "No temas, porque eu sou contigo" (Isaas 41:10); 
"No temas pequeno rebanho; porque  do agrado de vosso Pai dar-vos o 
reino" (Lucas 12:32); "No temas: eu sou o primeiro e o ltimo, e o que 
vivo; fui morto; mas eis que estou vivo pelos sculos dos sculos, e 
tenho as chaves da morte e do Hades." (Apocalipse 1:17, 18) 
Descobri,  medida que envelheo, que Deus nunca se esquece de 
nada. Ele conhece todas as coisas e se lembra do Seu povo, de suas 
aflies, seus sofrimentos e de todas as suas necessidades. A nica coisa 
que Ele esquece so os nossos pecados. "Eu, eu mesmo sou o que apago 
as tuas transgresses por amor de mim; no me lembrarei dos teus 
pecados." (Isaas 43:25) 
Nada pode tocar o filho de Deus sem Sua permisso. Ento, 
aceitemos cada mgoa, cada problema, cada dificuldade como que da 
mo dEle, buscando aprender com elas tudo o que Ele quer nos ensinar  
utilizando todos os recursos de Deus ao nosso dispor e pedindo a Ele que 
faa com que tudo seja para o nosso bem e a Sua glria. 
Naturalmente, no fiz sozinho todo o trabalho pertinente a este 
livro. Sem a ajuda de diversas pessoas, isso teria sido impossvel. Nos 
dois anos que passei (no seguidamente) escrevendo este livro, contei 
com a ajuda constante de minha mulher, Ruth; de minha secretria, 
Stephanie Wills; de meu associado, John Akers; de Elsie Brookshire, 
Lucille Lytle e as outras no meu escritrio de Montreat. Alm disso, 
quero agradecer queles que leram o manuscrito e fizeram muitas 
sugestes teis: minha amiga de longa data, Carole Carlson; o cnego 
Frank Colquhoun, da igreja Anglicana na Inglaterra; Millie Dienert, 
nossa amiga de longa data e companheira de frias (juntamente com o 
marido); meu associado no escritrio de Minneapolis, Ralph Williams; 
Estelle Brousseau, do Montreat-Anderson College; e Al Bryant, de 
Word, Incorporated. 
Ao estudar e escrever sobre este assunto, a minha prpria vida se 
aprofundou, e a redirecionei, dedicando-a a ajudar os que esto sofrendo 
espiritual, fsica e psicologicamente. Oro para que este livro no apenas 
ajude e inspire muitos cristos sofredores, mas seja utilizado por Deus 
para fazer com que muitos incrdulos venham a ter um conhecimento 
salvador de Jesus Cristo.

BILLY GRAHAM 
15 de setembro de 1980 
Montreat, Carolina do Norte 


























A  TEMPESTADE  VINDOURA
 
E ento eles reuniram os reis no lugar que, em hebraico, se 
chama Armagedom. APOCALIPSE 16:16

MUITOS ESCRITORES esto prevendo que as manchetes da 
dcada de 1980 continuaro sendo as mesmas: guerra, violncia, 
assassinatos, tortura, Terceira Guerra Mundial  a verdadeira guerra, o 
Armagedom. 
No h dvida de que os acontecimentos globais esto preparando o 
caminho para a guerra final da histria  o grande Armagedom!  
medida que o relgio terreno vai registrando a passagem do tempo e o 
mundo se aproxima da meia-noite, este planeta, segundo a Bblia, 
caminha para um sofrimento horrvel demais para se imaginar ou 
compreender. No foi apenas o topo do monte St. Helens que explodiu 
no comeo de 1980, transformando-se num dos grandes desastres 
ecolgicos do perodo. Para a Bblia, haver o dia em que Deus abalar 
toda a Terra. Diz a Bblia: "Mais uma vez, vou abalar no apenas a terra, 
mas tambm as cus." (Hebreus 12:26) Os tremores que sentimos agora 
no so ocasionais e, muito menos, passageiros. Na verdade, eles esto 
preparando o maior terremoto de todos os tempos.

Holocausto  nos  Bastidores

Os antigos profetas previram uma poca, l no fim da histria, em 
que as pessoas diriam: "Paz, paz, (...) quando no h paz." (Jeremias 
6:14) Milhares de conferncias de paz foram realizadas desde a Segunda 
Guerra Mundial e, no entanto, as manchetes continuam a destacar as 
guerras, a violncia, a morte e multides de refugiados. Os governos do 
mundo so sacudidos por assassinatos e derramamento de sangue. 
No entanto, h apenas alguns anos, era moda escrever ou sugerir 
que o mundo eslava entrando numa grande era de paz. Muitos idealistas 
nos diziam que a utopia entraria em cena, juntamente com todos os 
milagres tecnolgicos do nosso tempo. O sonho  uma iluso. Devamos 
ter aprendido com a histria. Sonhou-se com a paz no comeo do sculo, 
mas esta aspirao foi destroada pela Primeira Guerra Mundial. Depois 
da Primeira Guerra Mundial, mais do que desejada, a paz foi planejada, 
mas logo se viu que a Primeira Guerra Mundial no passara de uma 
preparao para a Segunda Guerra Mundial. Agora os sinais esto por 
toda a parte, mostrando que caminha febrilmente para a Terceira Guerra 
Mundial. A derradeira! O Armagedom! 
Os meios de comunicao fazem um grande espetculo das 
catstrofes... Nossos cinemas s passam filmes que tratam de tragdias e 
desastres. Quanto mais tenebrosos, mais atraentes eles se tornam.  
assim em Londres, em Nova York ou em Los Angeles. Em qualquer 
metrpole, h uma lista interminvel de ttulos dessa natureza. 
Infelizmente, no entanto, no se sabe o que  pior: se a prpria realidade 
ou as fantasias que so retiradas dela. 
At mesmo os mais otimistas esto prevendo um aumento no 
sofrimento de nosso mundo ferido. Um dos programas mais alegres da 
televiso americana  o Bom dia, Amrica da ABC. Porm, faz algum 
tempo, Rona Barret entrevistou algum da CIA e o tema central dessa 
reportagem foi o perigo de uma guerra bacteriolgica. Existem novos 
vrus, disse o agente da CIA, que podem causar um colapso na sade da 
populao de um continente inteiro. As guerras qumica e bacteriolgica 
fazem parte do arsenal de armamentos que est sendo desenvolvido pelo 
mundo todo. Artigos e filmes documentrios esto sendo constantemente 
apresentados relatando que, antes do fim do sculo, os insetos podem 
estar controlando o nosso planeta. Um destacado jornal concluiu um 
editorial, dizendo: "Tem-se a sensao de que se est vendo o mundo no 
seu crepsculo." 
Expresses como "suicdio racial", "genocdio racial", "o fim do 
mundo", e "o fim da raa humana" esto surgindo nas conversas, 
revistas, e filmes de todo o mundo. 
Os grupos terroristas esto ficando cada vez mais audaciosos nos 
seus ataques. Relatos quase dirios de novas atrocidades enchem nossos 
jornais. A situao chegou a um ponto que, certo dia, havia tanta 
violncia num jornal que sobrou pouco espao para se notificar que o 
presidente de um governo da frica Ocidental fora assassinado, seu filho 
decapitado, e muitos membros de sua equipe fuzilados em praa pblica. 
Hoje em dia, s merece manchete quem mata uma populao inteira ou 
ento quem assalta uma base militar da CIA. 
Armas nucleares, guerra bacteriolgica e relacionamentos 
internacionais precrios no so as nicas indicaes de uma civilizao 
em rota de coliso. Nossos cientistas esto alertando para o perigo de 
grandes mudanas climticas. A calota glacial polar parece estar se 
deslocando ligeiramente, e isso pode afetar nossa capacidade de produzir 
alimentos. Se hoje em dia a fome ameaa a populao de vrios pases, a 
situao ficar muito pior se esse desastre ecolgico se confirmar. 
As estatsticas sobre o aumento de terremotos quase quebram o 
computador. 
Quanto ao aspecto moral, as coisas parecem extremamente 
desanimadoras, especialmente se vistas sob a tica judaico-crist. A 
instituio do casamento acabou-se. A rejeio s leis chegou a um 
ponto que aquele que as segue  ridicularizado pelos amigos. As drogas e 
o lcool esto destruindo as mentes de milhes. Na Amrica e na Europa 
cultos satnicos e a bruxaria se espalham rapidamente, com a fora de 
uma praga. 
O prazer se tornou a meta de milhes. O hedonismo agora est 
quase no controle. Um editor ingls me contou que, se censurassem a 
pornografia, mais de 80% dos romances modernos no seriam 
publicados. Para todos os lados em que olhamos, s vemos perverso e 
imoralidade. 
Por toda pane, as pessoas esto clamando por "liberao" e justia 
social. Parece que os ricos esto cada dia mais ricos e os pobres cada dia 
mais pobres. Isto se aplica tanto s naes quanto aos indivduos. A 
fora econmica do mundo se deslocou para os pases produtores de 
petrleo, que no sabem como gastar os bilhes que acumularam. 
Enquanto a Europa Ocidental e os Estados Unidos se endividam cada 
vez mais, o Terceiro Mundo vive  beira da inanio. 
A teoria de que o mundo est ficando cada vez melhor, e 
resolvendo os seus problemas polticos, econmicos e sociais, no  mais 
pregada com muita confiana. Estamos vivendo numa poca de srias 
tormentas e dificuldades, e a maioria das pessoas conscientes com quem 
falo acreditam que a tendncia seja piorar.

A  Raiz  do  Problema

Hoje em dia, vemos um mundo inquieto em todos os sentidos. A 
crise  geral. Sofre o homem comum, a situao poltica dos pases  
instvel, as grandes economias perdem o vigor. Por que tudo isso? J fui 
motivo da risada alheia, mas continuo acreditando que o problema seja 
religioso. A Bblia o explicou h milnios. As Escrituras deixam bem 
claro que, quando a lei de Deus  desobedecida, o mundo perde a sua 
harmonia, desgoverna-se, comea a caminhar sem rumo. A anarquia de 
hoje  a conseqncia da rejeio a Deus. 
Com esta rebelio contra Deus, a humanidade negou o valor da 
personalidade humana. A vida j no vale mais a pena, perdeu o seu 
significado. As pessoas crem em um ser sobrenatural, mas agem como 
se fossem atias! Pensamos como ateus! Vivemos e planejamos como se 
no existisse um Deus. Estamos vivendo num mundo que no reconhece 
Deus. Quando todos fazem tudo o que pensam e o que querem, no h 
possibilidade de ordem e paz. Haver mais confuso e mais tumulto 
enquanto as pessoas seguirem os seus prprios esquemas perniciosos. 
O homem  um rebelde e um rebelde naturalmente  confuso. Vive 
em conflito com todos os outros rebeldes. Pois um rebelde, pela sua 
prpria natureza,  egosta. Ele busca o seu bem e no o dos outros. s 
vezes, atravs da racionalizao, podem surgir objetivos profanos que 
parecem ter, por algum tempo, um efeito unificador sobre o homem, 
criando at interesse e unidade global, porm, tais objetivos so 
temporrios. No existem profundidade ou significado neles e, dessa 
forma, esses elementos no podem unificar a sociedade por muito tempo.
A Bblia indica que, ao rejeitar Deus e Seus princpios para o 
governo da vida, o mundo est se dirigindo para uma situao de tenso, 
confuso e tumulto cada vez maior.  dela que surgir um futuro 
governante ou sistema mundial malvolo  o Anticristo.

O  Anticristo  e  o  Armagedom

No  s Deus que tem um plano para o homem, o demnio 
tambm o tem. Ele conduzir ao poder um falso governante ou sistema 
mundial que estabelecer uma falsa utopia por um perodo extremamente 
curto. Aparentemente, os problemas econmicos e polticos do mundo 
sero resolvidos. Porm, aps um breve governo, tudo desabar. Durante 
o reinado do Anticristo, as tenses aumentaro e, mais uma vez, o 
mundo explodir. Ento, vir uma guerra gigantesca, feroz, avassaladora, 
envolvendo conflito e massacre numa escala sem precedentes. At 
mesmo o punho de ferro do Anticristo no conseguir impedi-la. Ser a 
ltima guerra do mundo  a Batalha do Armagedom. 
A Batalha do Armagedom (e os acontecimentos que levarem a ela) 
far entrar em cena o sofrimento mais terrvel que a humanidade j 
conheceu. A Bblia nos diz que a terra ser devastada Por crises 
polticas, econmicas e ecolgicas que ficam alm do alcance da nossa 
imaginao. Se no fosse pela misericordiosa interveno de Deus, reza 
a Bblia, o mundo inteiro seria destrudo. 

Cristo    o  Vitorioso

No meio de toda aquela terrvel, pavorosa carnificina, descrita em 
muitas partes da Bblia, especialmente no Apocalipse, Cristo retornar 
como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele prprio derrotar o 
Anticristo e ser o vitorioso na Batalha do Armagedom. No clmax desse 
momento, Deus instalar o Seu Reino  toda uma nova ordem poltica e 
social sob o Seu governo. 
Quando Jesus Cristo deixou Seus seguidores, assegurou a Seus 
discpulos: "Voltarei!" E vai cumprir o prometido. Esta  a nossa 
esperana. 
Lembro-me de ter encontrado Sir Winston Churchill durante seus 
ltimos anos como primeiro-ministro da Gr-Bretanha. Foi em Londres, 
pouco depois de uma de nossas Cruzadas no estdio de Wembley. 
Enquanto conversvamos, Sir Winston tinha trs jornais vespertinos ao 
lado e um charuto apagado na boca. E ele disse: 
 Meu rapaz, quero lhe fazer uma pergunta. No creio que o mundo 
ainda v se agentar por muito tempo. Est com problemas demais.  
Fez uma pausa e perguntou:  Pode dar um pouco de esperana a um 
velho? 
Peguei o meu Novo Testamento e no apenas lhe falei do plano da 
salvao, como tambm lhe contei tudo sobre a volta de Cristo. 
Quando eu tinha dezesseis anos, revoltava-me contra a obrigao de 
ir ao templo. Eu ia porque meus pais esperavam que eu fosse, mas mal 
podia esperar para voltar para casa e ficar livre da obrigao de ir ao 
templo ouvir o sermo dominical. Foi a que apareceu um pregador na 
nossa cidade. Nossa igreja no costumava colaborar com este tipo de 
pregador e, a principio, fui totalmente indiferente a sua passagem pela 
cidade. Contudo, a imprensa noticiara muito as atividades daquele 
pregador e certa noite, depois que ele j estava na cidade h vrias 
semanas, fui ouvi-lo falar, a convite de um amigo. Ele falou da Segunda 
Vinda de Jesus Cristo. Este era um dos principais temas de sua pregao. 
Fiquei absolutamente fascinado. Nunca tinha ouvido tanto a respeito. 
No sabia que havia uma esperana daquelas e que Deus tem tantas 
coisas maravilhosas  espera daqueles que crem. 
Quando vai acontecer? A presente era est se aproximando do fim? O 
Seu reino est prestes a chegar? No posso definir nenhuma data, pois o 
prprio Jesus nos advertiu para que no tentssemos fix-la. Por outro lado, a 
Histria nos prova com que facilidade nos enganamos. Quando Napoleo 
assolava a Europa no sculo passado, muitos estudantes da Bblia achavam 
que ele era o Anticristo. Muita gente pensou que Mussolini ou Hitler eram o 
Anticristo. Eles eram anticristos, mas no eram o grande Anticristo que ainda 
est por vir. A Bblia nas ensina que, algum dia, Jesus Cristo vai retornar  
terra. Escrituras do esperana e alerta, a um s tempo.  
"Se realmente  justo diante de Deus que de d em paga tribulao 
queles que vos atribulam, e a vs que sois atribulados, alvio juntamente 
conosco, quando do cu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu 
poder em chama de rogo. Ele tomar vingana dos que no conhecem a 
Deus e dos que no obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus, os 
quais sofrero a pena, a saber, a perdio eterna, sendo separados da face 
do senhor e da glria do seu poder, quando ele vier para ser glorificado em 
seus santos e para se fazer admirvel em todos os que creram (...). naquele 
dia." (II Epstola de Paulo aos Tessalonicences 1:6-10) 
O simples fato de que os crentes tm a esperana da vinda de Cristo 
deve nos fazer viver para Cristo todos os dias, como se Ele estivesse 
vindo a qualquer momento. Para aqueles que no conhecem Deus, a 
vinda de Cristo deve lev-los a Ele para o perdo, enquanto ainda h 
tempo. Esta passagem tambm indica que os que desobedecem ao 
evangelho tero um vislumbre de Jesus Cristo em toda a Sua glria e 
depois sero banidos para sempre da Sua presena. Isto ser o inferno 
dos infernos  uma pessoa levar para a eternidade a lembrana do que 
perdeu ao rejeitar deliberadamente a oferta de Deus de amor, 
misericrdia e graa nesta vida atual.

Depois  do  Armagedom

Uma utopia vem vindo. Oramos em nossos templos: "Venha o Teu 
Reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no cu." (Mateus 
6:10) Quando da volta de Cristo, essa prece ser integralmente realizada. 
O que vai acontecer quando o Messias voltar? A Bblia nos ensina 
que, aps o Armagedom, Jesus Cristo estabelecer o Seu reinado sobre a 
terra. Esta ser a maior revoluo espiritual e moral da histria, quando 
Cristo assumir o controle e estabelecer o Seu reinado de justia no 
mundo. 
Este no  um livro de profecia. Existem muitos pontos de vista 
teolgicos diferentes sobre o futuro, mas este no  o lugar para debat-
los. Apesar disso, h diversas generalizaes que podemos fazer sobre o 
futuro estado do mundo, sob o reinado de Cristo. 
Primeiro, quando Cristo voltar, Sat vai ficar confinado. A Bblia 
diz: "Vi um anjo descendo do cu, tendo a chave do abismo e uma 
grande cadeia na mo. Ele se apoderou do drago, da antiga serpente, 
isto , do Diabo e Satans (...) e o lanou no abismo para que ele no 
enganasse mais as naes." (Apocalipse 20:13) Ainda hoje, o demnio 
engana as naes em grande escala. Ele est fazendo com que elas 
creiam numa "mentira"  e tambm est enganando os indivduos. Est 
nos dizendo que a "estrada larga"  a correta. Porm, a Bblia adverte: 
"H um caminho que ao homem parece direito, mas no fim guia para a 
morte." (Provrbios 14:12) O demnio tambm est dizendo s pessoas 
que elas tm tempo de sobra para se decidir com relao a Deus, a 
eternidade e a Cristo. Est dizendo a elas que no precisam de Deus  
que podem passar bem sem Cristo. Est nos dizendo que podemos ir para 
o cu sem nascer de novo. Jesus falou que no podemos. O demnio est 
dizendo que h mais prazer no mundo do que em seguir Cristo. No h. 
Ser um dia glorioso aquele em que Sat for confinado. Ele no mais 
poder enganar voc, sua famlia e as naes do mundo. 
Segundo, durante o reinado de Cristo haver justia e paz para 
todos. No existe a justia absoluta no mundo de hoje. As injustias 
econmicas e sociais resistem teimosamente aos melhores esforos dos 
homens e dos governos para erradic-las. As manchetes dirias nos 
dizem que no existe a paz duradoura no nosso mundo, a despeito de 
inmeras conferncias para debat-la. 
Porm, algum dia, a justia e a paz sero estabelecidas entre todos 
os povos. A Bblia promete: "Eis que em justia reinar um rei." (Isaas 
32:1) Ela tambm nos diz: "E ele tem por nome (...) prncipe da Paz. Do 
aumento do seu governo e da sua paz no haver fim." (Isaas 9:6,7) 
Certo dia, pouco depois do edifcio das Naes Unidas ter sido 
erigido nas margens do East River, na cidade de Nova York, fui 
conhecer o prdio com um amigo, que  embaixador. Mostrou-me uma 
sala vazia. Falou: 
 Esta  a sala de oraes.
Estava absolutamente vazia. No havia nenhum smbolo, nada para 
indicar que havia algum Deus. Quando as Naes Unidas foram 
fundadas, concordou-se que a palavra Deus ficaria de fora da sua carta. 
O mundo deixou Deus de fora de seu planejamento. 
Mas tudo isso vai mudar. Quando Jesus voltar, no vir como o 
pobre carpinteiro nazareno, montado num burrico. Vir em majestade 
divina e poder e glria. Vir como Prncipe, como Rei, cercado por 
milhares de anjos-guerreiros. Ser formado o mais poderoso exrcito da 
histria do universo. E embora o Anticristo declare guerra a Ele, a vitria 
ser dEle. Emergindo triunfante da fumaa da guerra terrvel, pavorosa, 
derradeira, estar o Messias, o Senhor Jesus Cristo, o Prncipe da Paz. 
Quando Jesus voltar, teremos proteo e segurana. Sabem qual era 
o versculo favorito de George Washington, nas Escrituras? Era 
Miquias 4:4, e ele o citava constantemente. "Mas sentar-se-o, cada um 
debaixo da sua parreira e debaixo da sua figueira; e no haver quem os 
amedronte, porque a boca de Jeov dos exrcitos o disse." 
Durante o reinado de Cristo, a confuso poltica se transformar em 
ordem e harmonia, as injustias sociais sero abolidas e a integridade 
substituir a corrupo moral. Pela primeira vez na histria, o mundo 
inteiro saber o que  viver numa sociedade governada pelos princpios 
de Deus. E a influncia de Sat no estar presente para atrapalhar o 
progresso do mundo na direo da paz, unidade, igualdade e justia. O 
sonho do homem de uma harmonia global se tornar realidade! 
Fina1mente, a Bblia nos ensina que, quando Cristo voltar, todas as 
pessoas que j viveram sero julgadas por Deus. 
Quando os que se arrependeram do seu pecado de rebeldia contra 
Deus e aceitaram Jesus como seu Salvador e Senhor de suas vidas 
aparecerem diante de Deus, Ele os far entrar no seu novo lar  o cu e 
todas as suas glrias. Ser o Jardim do den restitudo  os homens 
vero Deus face a face e vivero com Ele num ambiente livre de 
lgrimas, fracassos e fadiga. 
Porm, os que preferiram rejeitar Deus durante a sua vida na terra 
sero separados dEle por toda a eternidade. Este no  o desejo de Deus, 
mas sim a opo do homem. Deus considera cada homem responsvel 
por sua rejeio de Cristo. 
Deus no quer que os homens se separem dEle eternamente. Ao 
mesmo tempo, Deus no forar um homem a viver no cu contra a sua 
vontade. Em II Pedro 3:9, o apstolo diz que Deus  "paciente (...), no 
querendo que alguns peream, mas que todos venham ao 
arrependimento". Joo 3:16 diz que "amou Deus ao mundo, que deu seu 
Filho unignito, para que lodo o que nele cr no perea, mas tenha a 
vida eterna" (o grifo  meu). Pagando um grande preo, Deus tornou 
possvel a cada um de ns viver com Ele eternamente. Aqueles que 
rejeitarem a oferta de Deus de um lar celeste sero mandados para o 
inferno. 
Quando formos chamados diante de Deus para sermos julgados, no 
haver mais tempo para reverter a nossa deciso.  durante a nossa vida 
aqui na terra que decidimos o nosso destino eterno. 

At  o  Armagedom

Tivemos um vislumbre do futuro  tanto do seu horror quanto da 
sua esperana. Mas, e quanto ao presente? Como nos preparamos para o 
sofrimento que possivelmente teremos que enfrentar,  medida que nosso 
mundo se dirige inexoravelmente para um perodo de intensa tribulao 
 que ter seu clmax no Armagedom? E como nos prepararmos para os 
armagedons dirios que cada um de ns enfrenta, os problemas e 
sofrimentos que so parte de cada vida humana? Se os cristos tero ou 
no que enfrentar o perodo de tribulao da poca do Armagedom  um 
tpico de debate para os estudiosos da Bblia. Mas no h dvida de que 
o sofrimento, de uma forma ou de outra, acontece para todos ns. E 
podemos ter certeza de que nos d a fora e os recursos de que 
precisamos para suportar qualquer situao na vida que Ele ordena. A 
vontade de Deus jamais nos levar aonde a graa de Deus no puder nos 
amparar. Como veremos nas pginas seguintes, Deus tambm  capaz de 
pegar cada situao na vida  no importa o seu grau de dificuldade  e 
us-la para nos aproximar ainda mais dEle. 
Como o sofrimento  uma parte natural da existncia humana, 
precisamos aprender a lidar com ele. E para os cristos, em particular, 
parece haver um conjunto singular de sofrimentos. Deus quer que 
aprendamos a lidar com nossas provaes e tentaes na dependncia do 
Seu poder. A Bblia e a histria da igreja demonstram que o caminho de 
Deus para o sofrimento do Seu povo no tem sido sempre o caminho da 
fuga, mas o caminho da capacidade de suportar. 
Mas como podemos suportar as crises da morte, da perseguio, da 
doena fsica? Como lidar com as angstias de rixas familiares, divrcio, 
problemas financeiros? Como sobreviver s tenses de um mundo cheio 
de desastres nacionais e injustias sociais? 
 disto que trata este livro.  um livro sobre o sofrimento, e ensina 
a lidar com ele. Quando Cristo retornar como vencedor em Armagedom, 
o sofrimento ser abolido. At o Armagedom precisamos aprender a 
viver triunfalmente entre os traumas e presses que enfrentamos 
diariamente. Precisamos preparar-nos para os nossos armagedons 
pessoais. 



ARMAGEDONS  PESSOAIS

O Senhor obtm seus melhores soldados nos 
pncaros da aflio. CHARLES HADDON SPURGEON

O  Sofrimento    Universal

NS NO buscamos as tribulaes deliberadamente na vida. Elas 
chegam. O sofrimento  um fato universal. Ningum pode escapar das 
suas garras. A chuva cai sobre o justo e o pecador. Todos enfrentamos 
armagedons pessoais. 
Algumas pessoas acreditam, erroneamente, que se tornar um cristo 
ser um abrigo para as tempestades pessoais da vida. Uma histria de 
muitos de nossos hinos religiosos rapidamente desfar tal mito. Um 
grande nmero de nossos hinos e canes espirituais favoritos foram 
compostos nas situaes mais penosas da vida de seus autores. 
Podemos dar muitas ilustraes. Charlotte Elliot escreveu Assim 
como sou quando era uma invlida desamparada, Frances Ridley 
Havergal, autora de Tome a minha vida e muitos outros hinos, tinha uma 
sade pssima. Fanny Crosby era cega, no entanto, do seu sofrimento, 
nasceram lindas canes, como A salvo nos braos de Jesus. O hino 
Deus age de uma maneira misteriosa foi composto pelo poeta William 
Cowper numa hora de grande aflio mental. 
Uma das partes mais lindas da Bblia  o Livro dos Salmos. Por 
causa da ampla gama de estados de esprito e de experincias que ele 
representa, ns procuramos o Livro dos Salmos com muita freqncia. 
Podemos nos identificar com ele e achar consolo nele porque reflete a 
vida real, com suas alegrias e tristezas. Muitos dos Salmos foram escritos 
durante perodos de crises pessoais e nacionais. 
O Salmo 137 expressa a dor e a agonia de um povo banido da sua 
terra natal: 
"Junto aos rios de Babilnia, ali nos assentamos, nos pusemos a 
chorar, ao recordarmo-nos de Sio. Nos salgueiros que h no meio dela, 
penduramos as nossas harpas." (Salmos 137:1,2) 
Depois de devastar a terra de Israel, o exrcito babilnio forara os 
seus cativos a marcharem para uma terra estranha e um futuro aterrador. 
Deprimidos e abatidos, os hebreus abandonaram seus instrumentos 
musicais. No sobrara cano alguma em seus coraes. Este salmo 
reproduz com agudeza os sentimentos de um povo refugiado. 
Muitos dos salmos refletem as crises pessoais enfrentadas por Davi, 
o maior rei de Israel. Ns o vemos como um homem de xitos 
inacreditveis  sua vitria juvenil sobre Golias, o gigante filisteu, a sua 
admirvel ascenso de pastor a monarca, suas vitrias notveis sobre os 
inimigos de Israel. Porm, Davi tambm foi um homem de tristezas 
insuportveis. Acusado injustamente de traio, foi forado a viver como 
fugitivo durante anos. Um de seus filhos morreu quando beb, alguns 
eram moralmente corruptos, outros foram implacavelmente assassinados. 
A certa altura de seu reinado, a sua prpria nao se voltou contra ele, 
quando outro de seus filhos tentou dar um golpe de Estado. 
Deus chamou Davi de "um homem que (Me) agrada" (I Sam. 13:14). 
Embora fosse bvio que Deus amava Davi, no o isentou do sofrimento. 
Ningum est isento do toque da tragdia: nem os cristos nem os 
no-cristos; nem os ricos nem os pobres; nem o lder nem o seguidor. 
Cruzando todas as barreiras raciais, sociais, polticas e econmicas, o 
sofrimento une toda a humanidade. 

A  Realidade  do  Sofrimento

 difcil falar sobre o sofrimento ou escrever sobre ele, pois no  
algo que possa ser adequadamente examinado fora da esfera da 
experincia. Ele no  abstrato nem  filosfico.  real e concreto. Deixa 
cicatrizes. Quando os ventos da adversidade passam, poucas vezes 
permanecemos os mesmos. 
S compreende o significado do sofrimento quem j passou por 
alguma crise. E, muitas vezes,  apenas em retrospecto que nos damos 
conta do propsito e do valor de nosso sofrimento. 
J notou que aqueles que causam o maior impacto sobre a 
sociedade so, em geral, aqueles que mais sofreram? 
O sofrimento na vida fortalece o carter de uma pessoa, fazendo 
com que ela procure energias desconhecidas para super-lo. As pessoas 
que passam pela vida sem serem marcadas pelo sofrimento ou tocadas 
pela dor tendem a ser superficiais nas suas perspectivas de vida. O 
sofrimento, por outro lado, tende a arar a superfcie de nossas vidas para 
deixar  mostra as profundezas que oferecem uma fora maior de 
propsito e realizaes. Somente a terra profundamente arada pode dar 
uma colheita rica. 
A dor tem muitas faces. Pode-se sofrer fsica, mental, emocional, 
psicolgica e espiritualmente. Nossas dificuldades raramente ficam 
confinadas a apenas uma dessas reas; elas tendem a se sobrepor em 
experincias humanas. Os sofrimentos mais intensivos podem ser 
induzidos psicologicamente e freqentemente levarem a complicaes na 
esfera fsica. 
Existem tantas feridas invisveis quanto visveis, e pode haver 
dificuldade em diagnostic-las. Sabemos que a parte invisvel do homem 
 muitas vezes a vtima da mais debilitante das dores. Em certas 
circunstncias, um homem pode suportar uma dor fsica cruciante; e, no 
entanto, pode ser derrubado por uma palavra cruel. Quando ouvimos a 
histria da tortura infligida a um prisioneiro de guerra, ficamos 
estupefatos com a sua coragem pessoal e a resistncia do corpo humano. 
Porm, a vida desse mesmo homem pode ser devastada por uma nica 
palavra ou ato perpetrado com perversidade. 
As Escrituras tm muito a dizer sobre o poder da lngua para infligir 
crueldade. O salmista escreveu que as palavras amargas so como 
flechas mortais. Tiago escreveu: "Assim a lngua tambm  um pequeno 
membro, mas se gaba de grandes coisas. Vede como um pouco de fogo 
abrasa um grande bosque! E a lngua  um fogo, um mundo de 
iniqidade colocado entre os nossos membros, a lngua, que contamina o 
corpo todo e incendeia o curso da vida." (Tiago 3:5, 6) 
O homem  capaz de grandes vitrias e  suscetvel a grandes 
derrotas. O homem  a um s tempo forte e sensvel. Como exclamou o 
salmista: "Graas te darei, pois sou assombrosa e maravilhosamente 
feito." (Salmos 139:14) 
Precisamos tentar aplicar intensamente esta sensibilidade ao lidar 
com o sofrimento, em especial ao considerar os sofrimentos dos outros. 
No podemos sentir a dor de outrem. Podemos ver a angstia no seu 
rosto e tentar empatizar com ela. Porm, no temos as suas terminaes 
nervosas. No podemos conhecer integralmente a magnitude da sua 
angstia. Jamais devemos minimizar o sofrimento de outrem. A 
Escritura manda: "Chora com os que choram." (Romanos 12:15) 
Nossos sofrimentos fsicos expressam uma grande verdade. Como 
escreveu convincentemente C.S. Lewis: "a dor... finca a bandeira da 
verdade dentro da fortaleza de uma alma rebelde".  A verdade  a 
seguinte: o corpo do homem  mortal, temporal. O homem precisa 
enxergar alm de si mesmo para encontrar a imortalidade.  
O sofrimento  um dos meios de Deus falar conosco. Por 
intermdio da dor, percebemos a necessidade que temos dEle. Quando 
estamos em crise, ouvimos as suas chamadas. Citando novamente C.S. 
Lewis: "Deus sussurra para ns em nossos prazeres, fala na nossa 
conscincia, mas grita nas nossas dores. O sofrimento  o seu megafone 
para despertar um mundo surdo."  Se nosso sofrimento nos conduz a 
Deus, ele se tornou um amigo abenoado e precioso. 
Somos gratos  medicina moderna pela descoberta da cura para 
tantas doenas e pelos enormes passos dados no controle de outras. 
Atravs de muita dedicao, fazem-se progressos dirios na descoberta 
de novas maneiras de aliviar os sofrimentos fsicos da humanidade. 
Muitas vidas foram salvas e agora esto sendo mantidas como resultado 
desses avanos cientficos. 
E, no entanto, a dor ainda est conosco. Muitos de vocs conhecem 
a realidade do cncer, de derrames, infartos, defeitos congnitos, aleijes 
resultantes de desastres. Muitos de vocs esto acamados e padecendo 
dores atrozes h anos. Alguns de vocs esto chocados com a descoberta 
da molstia terminal de um amigo ou parente. Talvez voc prprio esteja 
enfrentando a perspectiva da morte. Deixe que eu lhe assegure que no 
precisa enfrentar sozinho essa situao. Deus quer consol-lo e ajud-lo. 
Certos sofrimentos advm como resultado natural da deteriorao 
do corpo. Certas formas de sofrimento fsico nos so infligidas por 
outras pessoas. 
Por toda a histria do cristianismo, os seguidores de Cristo vm 
sofrendo perseguies. Num pais africano, um jovem diretor de escola 
cristo foi arrancado de seu gabinete e levado para a rua, onde seria 
fuzilado. Os moradores curiosos da cidade amontoavam-se de um lado 
da rua, os alunos da escola de outro. O jovem diretor perguntou aos seus 
captores se podiam lhe dar alguns minutos e, quando eles concordaram, 
ele cantou: "Da minha servido, tristeza e noite, Jesus, saio eu; Jesus, 
saio eu." Depois disso, foi morto. O sangue dos mrtires  a semente da 
igreja. Enquanto os cristos nos Estados Unidos professam a sua crena 
sem a ameaa de maus tratos fsicos, milhares de seus irmos em Cristo 
pelo mundo todo foram torturados e martirizados por confessar o nome 
de Cristo. 

Pode chegar o dia em que os americanos tenham que enfrentar uma 
perseguio intensa por sua f. Voc est preparado para enfrentar o 
martrio? Jesus deu a Sua vida por voc. Pode ser que voc seja chamado 
a dar a sua por Ele. Deus tem muitas promessas preciosas para aqueles 
que sofrem por Cristo. Ns as examinaremos no decorrer deste livro. 

Sofrimento  Mental

E. Stanley Jones nos conta a histria de um pastor que estava 
preparando uma srie de dez sermes sobre o tema "Como evitar um 
esgotamento nervoso". Antes que o seu trabalho estivesse completo, ele 
mesmo teve um esgotamento. A presso de tentar terminar o trabalho 
dentro do prazo foi demais para ele. 
Todos ns experimentamos alguma forma de ansiedade mental 
durante nossas vidas. O espectro do sofrimento mental  amplo. Vai da 
preocupao de um jovem que vai conhecer uma pessoa apresentada por 
um amigo, at o esgotamento nervoso do executivo de uma grande firma. 
Todos somos suscetveis  depresso. Os cristos no fogem  
regra. 
Elias, o dinmico e dedicado profeta de Deus, defendeu valente e 
eficazmente a causa de Deus em confrontos aterradores com o 
paganismo. Elias subiu aos pncaros da f ao resistir s continuadas 
ameaas do malvado rei Acabe e de sua perversa mulher, Jezabel (1 Reis 
19). Porm, chegou a uma certa altura da vida em que quis desistir 
completamente. At mesmo as tarefas mais simples da vida tornaram-se 
grandes demais para serem suportadas. "J chega", disse ele. "Agora, 
Senhor, tira-me a vida." Ele estava assoberbado por uma combinao de 
exausto e depresso. Deus no atendeu ao seu pedido, nem o 
repreendeu. Deus sabia que Elias sofria de exausto e depresso e deu a 
ele aquilo de que precisava: sono e comida e a reafirmao de que no 
estava s. Deus enxergou a raiz do problema de Elias; ele esgotara as 
suas reservas fsicas e mentais. Ele ultrapassara o seu ponto crtico. 
Algum j disse: "Muitos problemas so resolvidos por uma boa noite de 
sono." Porm, os problemas que ainda permanecem conosco quando 
acordamos necessitam do toque especial de Deus. 
Uma outra figura importante na histria do cristianismo sofreu de 
modo semelhante. No final de um ministrio popular e florescente, Joo 
Batista foi aprisionado por Herodes ntipas, governador da Galilia. 
Joo, o homem do deserto com a sua amplido e liberdade, e um pedao 
de cu sem fim, estava preso numa masmorra escura e mida. 
Durante o tempo em que esteve preso, a f de Joo foi abalada at 
seus alicerces. Este era o mesmo Joo que dissera: "Eis o Cordeiro de 
Deus, que tira o pecado do mundo?" (Joo 1:29) O que o fizera 
questionar? 
Ele compreendera quando alguns de seus discpulos o abandonaram 
para seguir a Jesus. E ento denunciara Herodes por estar vivendo com a 
mulher do irmo e foi preso.  Mateus quem nos diz: "Como Joo no 
crcere tivesse ouvido falar das obras de Cristo, mandou pelos seus 
discpulos perguntar-lhe: s tu aquele que h de vir, ou  outro o que 
devemos esperar?" (Mateus 11:2,3) 
O que Joo ouvira contar? Que obras de Jesus? Ouvira contar que 
Ele comera com os publicamos e os pecadores? Que Ele tivera 
compaixo de uma mulher adltera  o mesmo pecado de adultrio que 
Joo denunciara e que o levara  priso? Ou ouvira contar de Seus 
milagres? 
Jesus podia ter salvado Joo e no o salvou; nenhuma palavra de 
protesto se erguera contra a gesto de Herodes; a priso que no se abria  
inexplicado. Talvez fosse tudo isso combinado que fizera com que a f 
de Joo fraquejasse. 
A resposta de Nosso Senhor ao profeta aflito  notvel. Depois de 
tranqilizar Joo quanto  sua identidade, Ele louvou tanto a Joo quanto 
ao seu ministrio (Mateus 11:1-11). Vance Havner fez a seguinte 
observao sobre este episdio: "Enquanto Joo falava o pior sobre 
Jesus, Jesus falava o melhor sobre Joo." 
As pessoas deprimidas precisam de reafirmao e encorajamento. 
Jesus sabia disso e agia nesse sentido. Podemos aprender muito com o 
modo como Deus tratou Elias e como Jesus tratou Joo Batista. Eles 
podem servir como modelos para cuidarmos daqueles que sofrem de 
ansiedades mentais. As pessoas aflitas precisam de uma mo suave e 
prestativa e de palavras de encorajamento. 
Os cristos so particularmente suscetveis  exausto que leva  
depresso. Com um sentido de dedicao a Deus que os inspira a 
trabalhar diligentemente para o Seu reino, eles com freqncia 
empreendem tarefas imensas e ignoram os sinais de advertncia. Sem 
ningum para ajud-los e vendo que o servio tem que ser feito, eles se 
excedem no trabalho e acabam nas garras da depresso. 
Os que desempenham os papis de liderana crist precisam estar 
alertas para tais casos. 
Cada um de ns tem o seu conjunto de capacidades e talentos nico 
e dado por Deus  o seu potencial pessoal de realizao. Nem todos 
trabalhamos  mesma velocidade ou atingimos as mesmas alturas. Deus 
no quer as pessoas competindo entre si. Ele quer que compitamos 
contra ns mesmos  para aprender a trabalhar dentro de nossas 
capacidades individuais. 
Jesus narrou uma parbola em que ensinou que chegar o dia em 
que os feitos de cada cristo sero avaliados por Ele pessoalmente. Jesus 
explicou que no julgaria um homem pelo que ele faz em comparao 
com os outros, mas sim pelo que faz com as aptides que Deus lhe deu. 
Deus nos deu a todos capacidades e potenciais especiais e certas 
limitaes. Que desenvolvamos as nossas capacidades e lutemos para 
trabalhar em direo a nossos potenciais. Mas que aprendamos onde fica 
o nosso ponto crtico. s vezes  simplesmente uma questo de seguir 
em frente, parar para um descanso e depois continuar. 
Uma mquina bem ajustada  que tem o seu melhor desempenho. 
Uma vida crist bem ajustada e equilibrada  que ser a mais produtiva 
para o reino de Deus. 

Sofrimento  Emocional  e  Psquico

Todos sofremos desapontamentos na vida. s vezes, o efeito sobre 
ns pode ser pequeno. Noutras vezes, nossas vidas podem ser 
devastadas. 
A solido, por exemplo, pode ser to intensa que o funcionamento 
adequado como homem ou mulher seja quase impossvel. Pouco depois 
do falecimento do prncipe Alberto, a rainha Vitria confidenciou a seu 
grande amigo Dean Stanley que estava "sempre desejando consultar uma 
pessoa que no est aqui, lutando sozinha com uma sensao constante 
de desolao". 
Muitos de vocs esto sendo rejeitados e, por causa disso, esto 
sofrendo muito. Eis a uma mgoa que causa grandes danos, pois nos 
afeta bem l no fundo. Possivelmente, um namorado ou namorada o/a 
trocou por outra pessoa. Ou o seu casamento est se desmoronando por 
causa de terceiros. Ou quem sabe foi entrevistado para um emprego 
importante e no o conseguiu. 
Vemos tanto sofrimento emocional e psicolgico hoje em dia entre 
os nossos jovens. A principal causa de morte entre os estudantes 
universitrios  o suicdio. A gerao atual pode enfrentar presses 
maiores do que qualquer outra gerao dos tempos modernos. 
Academicamente, os estudantes competem desde o ginsio por posies 
de elite nas universidades. Uma das principais faculdades de medicina 
americana, para a qual s entram os alunos mais qualificados, tem uma 
vaga para cada quatrocentos candidatos.  preciso ser muito forte para 
suportar esse tipo de competio. 
Muitos estudantes se preparam para um futuro em determinada 
carreira e se defrontam com um mercado de trabalho em declnio. 
O custo da instruo est cada vez maior, forando muitos 
estudantes a suportarem a responsabilidade de trabalhar enquanto ainda 
cursam a escola. 
De um modo geral, nas ltimas dcadas, a nossa sociedade vem 
desencorajando a juventude a procurar ajuda em Deus. Sem Deus como 
fonte de orientao e fora, os jovens comearam a fugir atravs das 
drogas, o que criou novos e profundos problemas. 
As inseguranas podem ser perniciosas. Temos medos que nos 
atormentam e nos impedem de viver novas aventuras e realizar novos 
feitos. Muitas vezes hesitamos em ser agressivos em certas situaes 
porque tememos o fracasso. Pode haver um servio a ser feito, mas no 
nos sentimos adequados ou qualificados. Ou achamos que no podemos 
fazer um servio to bom quanto nosso antecessor. 
Como voc se sentiria tomando o lugar de Moiss, aquele homem 
milagroso que Deus escolheu para conduzir o povo hebreu na sua fuga 
do cativeiro egpcio? Aparentemente, Josu, o aprendiz bem treinado de 
Moiss que conduziria os israelitas  Terra Prometida, experimentou 
uma grande sensao de insegurana. Durante uma "conversa de 
estimulo" que teve com o novo lder, Deus teve que lhe dizer trs vezes 
para no ter medo. E, na terceira vez, Deus explicou por que Josu 
poderia comear confiante as suas novas responsabilidades: 
"No to mandei eu? S corajoso. e forte: no te atemorizes, nem te 
espantes; porque Jeov teu Deus estar contigo por ande quer que 
andares." (Josu 1:9  o grifo  meu.) 
Deus prometeu a Sua presena. E onde Deus est, l tambm 
encontramos a Sua paz e o Seu poder  um poder que nos permite 
sobrepujar o desalento e que nos guia atravs das derrotas na vida. Como 
veremos, Deus pode at mesmo usar nossos desapontamentos para trazer 
o bem para nossas vidas. Deus no pede que sejamos bem sucedidos, 
mas que sejamos obedientes. 
Temos que nos lembrar de que somos vasos fracos, atravs dos 
quais Deus pode canalizar Seu poder para realizar Seus propsitos. 
Como costuma dizer um conferencista: "Deus, eu no posso, mas o 
Senhor pode, ento, vamos em frente!" 
Os problemas emocionais e psicolgicos podem resultar de coisas 
que surgem em nossas vidas. Mas tambm podemos ser prejudicados por 
aquelas coisas que no surgem em nossas vidas. 
Algumas pessoas so emocionalmente incapacitadas por causa de 
uma ausncia de amor em suas vidas  em especial na infncia. Os que 
no receberam amor no comeo da vida tm dificuldade em dar amor no 
decorrer da vida. Apesar disso, no importa o quo desordenadas e 
confusas possam ser as nossas vidas, Deus  capaz de nos dar a paz e Ele 
pode padronizar de novo nossas vidas.

Sofrimentos  Espirituais

Nem toda a dor  destrutiva. H um sentido no qual a dor age como 
um sistema de alerta, advertindo-nos de que se faz necessria uma 
assistncia mdica. Isso tambm se aplica ao plano espiritual. 
H vezes em que nos agoniamos por causa de pecados inconfessos 
em nossas vidas. Nossa culpa explode nos relacionamentos tensos, 
hbitos nervosos, noites insones. Nossas conscincias ficam muito 
pesadas, at buscarmos a cura com o Grande Mdico. "Se confessarmos 
os nossos pecados, ele  fiel e justo para nos perdoar os pecados, e para 
nos purificar de toda a injustia." (Joo 1:9) 
A luta contra o pecado pode produzir uma forma de sofrimento. A 
Bblia se refere a isso como uma batalha. Porm, no entramos indefesos 
na batalha. Deus nos equipa com a Sua "armadura completa" (Efsios 
6:13). Jesus pode nos libertar do poder de Satans e do pecado. No 
somos obrigados a ceder s nossas tentaes. Mas Deus espera que 
lutemos. Deus no promete livrar-nos da batalha, mas sim livrar-nos pela 
batalha. 
Quando nos tornamos cristos, ganhamos um amigo, o Senhor 
Jesus Cristo. Mas tambm ganhamos um inimigo  Satans. Satans 
tenta desviar-nos da trilha do progresso espiritual. E busca destruir 
aquilo que nos auxilia. 
Mas precisamos nos lembrar do seguinte: Primeiro, Satans no  
onipotente. No  um equivalente de Deus. Ele  um anjo cado, no um 
deus cado. Segundo, nada pode surgir em nossas vidas sem o 
conhecimento e a permisso de Deus. Na verdade, Satans est sob a 
autoridade de Deus. Ele teve que receber a permisso de Deus para testar 
J. Terceiro, Deus pode extrair o bem das provaes e aflies que 
Satans tenta colocar no caminho dos cristos. 
O Evangelho registra um episdio na vida de Jesus, no qual Ele 
estava no meio de uma doutrinao na sinagoga. Inesperadamente, um 
homem possudo pelo demnio se ps de p e comeou a berrar. Era 
Satans tentando perturbar a sesso, pois no queria que o auditrio 
aprendesse sobre o reino de Deus e as verdades da vida eterna. 
Imediatamente, Jesus expulsou o demnio, demonstrando, assim, a Sua 
completa autoridade sobre o mundo espiritual. O auditrio, que j estava 
impressionado com a Sua doutrinao, estava agora duplamente 
impressionado com Seu poder (Marcos 1:21-27). O que Satans tentou 
fazer para prejudicar Jesus, na verdade, o auxiliou. 
Satans deve ser a personalidade mais frustrada do universo! O seu 
exrcito de demnios  obrigado a obedecer a Jesus, e qualquer coisa que 
o demnio faa para deixar desanimado um cristo Deus pode utilizar 
para o beneficio do cristo. s vezes, Ele permite que soframos para 
podermos crescer espiritualmente. 
Na maioria das vezes, o sofrimento no pode ser exata ou 
totalmente entendido, exceto em retrospecto. S quando o tempo tiver 
cessado e a eternidade comeado, J compreender por que Deus 
permitiu que ele fosse testado como foi. S ento o papel desafiador e 
confortador que ele desempenhou ao longo dos sculos, em inmeros 
milhares de vidas, ser inteiramente conhecido. 

Deus  Quer  Ajud-lo

Recentemente, a cincia inventou uma mquina notvel, o 
explorador corporal, que pode detectar no corpo disfunes que escapam 
at dos raios X. s vezes, temos feridas que so profundas e sensveis 
demais para os outros enxergarem ou ajudarem. 
Porm, quem, exceto o prprio Deus, pode explorar o meu eu 
invisvel  meu corao, minha alma, meu esprito? H feridas em nossas 
personalidades que so profundas e complicadas demais at para as 
tcnicas modernas mais sofisticadas diagnosticarem ou solucionarem. 
Somente o prprio Deus, que nos criou, pode nos compreender 
inteiramente. Como disse o salmista: "Jeov, tu me sondas e conheces; tu 
conheces o meu sentar e o meu levantar, de longe entendes o meu 
pensamento." (Salmos 139:1,2) Somente Deus pode diagnosticar com 
preciso o nosso problema, e Ele nos mostrar como resolv-lo. E 
quando no houver soluo, Ele nos dar a graa de viver com o 
problema. Somente Deus pode responder  nossa pergunta: "Por qu?" E, 
se no houver resposta, dar-nos a Sua paz e a graa de viver com "o que 
no tem resposta." 
Deus quer nos ajudar quando sofremos. Ele pode dar a Sua 
presena para o consolo, o Seu poder para a resistncia ao sofrimento, o 
Seu propsito para podermos discernir a nossa situao. E Ele pode 
produzir dentro de ns qualidades valiosas, que reforaro e moldaro 
nossas vidas. 
Deus pode nos ajudar porque somente Ele sabe por que estamos 
sofrendo e aonde o sofrimento pode nos levar. 
Ele tambm pode nos ajudar porque Ele sabe o que significa sofrer. 
Quando atravessamos pocas difceis e nos voltamos para algum em 
busca de conselho e conforto, procuramos quem possa entender  
algum que j tenha passado por uma situao semelhante e possa 
sintonizar com nossos sentimentos. 
Deus pode nos entender porque sofreu na pessoa de Seu filho. 
O Filho de Deus deixou os reinos dos cus, tornou-se homem e 
viveu 33 anos num mundo de sofrimento. Pregou para os sofredores. 
Enfrentou todo o tipo de problemas fsicos, mentais, emocionais, 
psicolgicos e espirituais  e demonstrou a Sua capacidade de lidar com 
cada um deles. O seu problema no  novo para o Senhor Jesus Cristo. 
Ele no fica nem surpreso nem desconcertado com ele. 
Jesus no apenas viu os sofrimentos dos outros  Ele prprio sofreu. 
Experimentou as mesmas provaes e tentaes que voc enfrenta. 
Conheceu o sofrimento fsico. s vezes, sentia que seu sacerdcio 
era fisicamente exaustivo e precisava buscar um alvio. Quanto a 
conhecer a intensa dor fsica, suportou uma tortura cruel e uma morte 
dolorosa: flagelao e crucificao. Conheceu o sofrimento mental, 
emocional e psicolgico. Muitas vezes, experimentou a rejeio pessoal. 
Seus irmos zombavam dEle e de Seu ministrio. Quando pregou na Sua 
cidade natal, as pessoas correram com Ele da aldeia e at tentaram mat-
lo. Os lderes religiosos da Sua prpria nao acabaram por planejar a 
Sua morte. 
E Jesus experimentou a solido. s vezes, at os Seus apstolos O 
entendiam mal. Quem podia se relacionar integralmente numa amizade 
com algum que era, a um s tempo, Deus e homem? Aps um longo dia 
de trabalho exaustivo, Jesus no tinha esposa e famlia para quem Se 
voltar e encontrar consolo e encorajamento. 
E imaginem o trauma de deixar o ambiente do cu, onde era 
reconhecido e reverenciado como Filho de Deus por milhares de anjos, e 
vir para uma terra marcada por pecados onde foi recebido com desprezo 
e desdm. 
Jesus conheceu o sofrimento espiritual. No comeo de Seu 
ministrio pblico, Satans O tentou impiedosamente por quarenta dias. 
E Satans sempre retornou, ao longo do sacerdcio de Jesus, para tentar 
derrotar o Filho de Deus e desvi-lo de Sua misso. Jesus o enfrentou e 
venceu a batalha. 
E Jesus experimentou um sofrimento espiritual mais intenso do que 
voc ou eu jamais experimentaremos. Durante um certo tempo, enquanto 
estava na cruz, sentiu o horror da separao de Deus e gritou: "Meu 
Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" Para Jesus, esta foi a maior 
agonia de todas. Ser abandonado pelo Pai que O amava  ver o Pai dar as 
costas ao Filho , este foi o sofrimento supremo, a penalidade mxima 
para o pecado. Voc e eu, se tivermos recebido Cristo como Salvador, 
jamais teremos que nos separar de Deus, porque Jesus pagou a 
penalidade pelo pecado.  por isso que Paulo pode afirmar, com tanta 
confiana: 
"Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, 
nem os principados, nem as cousas presentes, nem as futuras, nem os 
poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos 
poder separar do amor de Deus, que  em Cristo Jesus nosso Senhor." 
(Romanos 8:38,39). 
Nada jamais nos separar de Deus! Como Jesus, no Seu sofrimento, 
foi separado de Deus para o nosso bem, agora temos a vida eterna ao 
confiar nEle como Salvador. 
E assim o Filho de Deus pode relacionar-se conosco na hora do 
nosso sofrimento. Pode relacionar-se com a nossa dor  pode fazer algo 
por ns. Como expressa com tanta beleza o hino de Thomas Moore: 
Vinde,  desconsoladas, onde quer que languesais 
Vinde ao centro da misericrdia. ajoelhai-vos fervorosamente 
Trazei para c vossos coraes feridos, contai aqui a vossa angstia 
A terra no tem tristeza que o cu no possa curar.  

Deus quer nos ajudar. Voc pode estar passando por dificuldades, 
nesse momento. Ou talvez a sua vida esteja atualmente isenta de 
tragdias. A despeito das circunstncias momentneas,  importante 
preparar-se para o sofrimento. O sofrimento raramente faz reservas 
antecipadas. 
Este livro ir explorar as maneiras pelas quais voc pode se 
preparar para os seus armagedons pessoais, pela compreenso das 
doutrinas bblicas sobre o sofrimento. 
Ora, se voc  algum que encara um relacionamento pessoal com 
Deus como um conceito novo, se desconhece a realidade do Deus vivo 
residindo dentro da sua vida, se jamais confessou seus pecados e recebeu 
Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, eu quero, pessoalmente, 
convid-lo a fazer isso agora. 
Este  o primeiro passo para obter a ajuda de Deus. Ele quer cur-lo 
por dentro. Ele quer curar primeiro o seu problema mais profundo  o 
problema do pecado pessoal. 
Confesse o seu pecado, receba Jesus como seu Salvador e ento 
comece uma nova vida com ele. Voc encontrar a paz de Deus no seu 
corao, a orientao dEle na sua vida e o conforto da presena dEle ao 
longo de seus sofrimentos  ao longo de seu Armagedom pessoal, seja 
qual for a forma que ele tome. 
























QUEM    O  RESPONSVEL  POR  UM  MUNDO  QUE  SOFRE?

Deus distribui a aflio segundo a nossa necessidade. 
SO JOO CRISSTOMO 

CHEGAMOS a um dilema. O mundo parece se dirigir velozmente 
para a destruio. Vemos os inocentes sofrendo e as pessoas de bem 
sentindo dor e angstia. As vozes dos cticos e descrentes perguntam: 
"Que tipo de Deus permite que tais coisas aconteam?" Somos 
arremessados inexoravelmente pelos fatos na direo do nosso destino 
ou existe um Ser Supremo no controle? 
Faz pouco tempo, estvamos vendo algumas fotos que nosso filho 
trouxe consigo do Camboja. Uma delas mostrava o que parecia ser um 
canteiro de flores circular, com uma muro de tijolos de 60 cm a cerc-lo. 
Postes sustentavam um telhado de sap, como se fosse um pavilho  
moda antiga. Este recipiente gigantesco continha somente crnios 
humanos  vtimas de algumas das brutalidades mais irracionais que o 
mundo j viu. 
Ele tinha outra foto, de uma linda mocinha, mas, no lugar onde 
deviam estar seus olhos, havia apenas dois buracos. Eles tinham sido 
arrancados pelo inimigo. 
Quem  o responsvel? 
Lemos recentemente um livrinho escrito por Laurel Lee, a autora de 
Walking Trough the Fire (Caminhando Atravs do Fogo). Essa linda 
jovem descobriu, no terceiro ms de gravidez, que estava com a molstia 
de Hodgkin. Os mdicos queriam que ela fizesse um aborto, pois teria 
que fazer tratamento com cobalto. Ela se recusou a fazer o aborto, mas 
fez o tratamento. O marido dela, sem poder enfrentar a perspectiva de 
criar trs filhos sem uma esposa, abandonou-a, divorciou-se e casou com 
outra mulher. 
Com sua f infantil em Deus, a sua mente brilhante e um 
encantador senso de humor, ela comeou a escrever um dirio de suas 
experincias, fazendo tambm as ilustraes. Um dos mdicos o viu e o 
mandou a um editor em Nova York. Isso levou a uma fase nova da vida 
dela, um ministrio religioso pblico com contratos para palestras. Logo 
ela e os filhos puderam ter a sua casinha. A molstia parecia ter 
regredido. Passou algum tempo, e a molstia surgiu de novo. Encarando 
a morte, Laurel Lee escreveu um novo livro, Signs of Spring (Sinais da 
primavera). Deve ter havido vezes em que ela se perguntou se Deus 
estava no controle. 
Existem milhes de pessoas pelo mundo todo que esto sofrendo 
injustias, opresso poltica e perseguio, e que devem se perguntar: 
"Porque isto est acontecendo? Quem est no controle?" Existem 
milhares de lares com vidas desfeitas e destroadas. O mundo inteiro 
parece ser um hospital, uma capela morturia ou um cemitrio, com as 
pessoas fazendo a mesma pergunta: "Quem est no controle?" 
Cientistas e filsofos desde tempos imemoriais vm debatendo a 
existncia ou a inexistncia de Deus. Hoje em dia, contudo, as provas 
so to esmagadoras que at mesmo os intelectuais incrdulos esto 
comeando a admitir que existe um Ser Supremo. 
A revista Time publicou um artigo chamado Modernizando o Caso 
a Favor de Deus (07 de abril de 1980, pg. 65). Ele dizia: "Numa 
revoluo tranqila de pensamento e argumento que mal se podia prever 
h duas dcadas, Deus est voltando. O que  mais interessante  que 
isso est acontecendo no entre telogos ou simples crentes  a maioria 
dos quais jamais aceitou, nem por um momento, que ele estivesse em 
srias dificuldades , mas nos crculos intelectuais cintilantes dos 
filsofos acadmicos." 
Na Epstola de Paulo aos Romanos a Bblia diz: "Porque os 
atributos invisveis de Deus, assim o seu poder eterno e a sua divindade, 
claramente se reconhecem, desde o princpio do mundo, sendo 
percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens so, por 
isso, indesculpveis." (Romanos 1:20) 

Como    Deus?

Uma resposta simples e direta a esta pergunta bsica  difcil de 
achar  a no ser que simplesmente pensemos que Deus  como Jesus 
Cristo! Todos os atributos de Deus so vistos em Jesus Cristo: Seu amor, 
misericrdia, compaixo, pureza, soberania e poder.  por isso que nossa 
f em Deus tem que ser sempre centrada em Cristo. Como escreveu o Dr. 
Michael Ramsey, o antigo arcebispo de Canturia: "A essncia da 
doutrina crist  que no apenas Jesus  divino, mas que Deus  
semelhante a Cristo, e Nele no existe nada dessemelhante a Cristo."1 
A grandeza de Deus desafia as limitaes do idioma. 
Ao ler a Bblia, pareo achar a santidade o Seu atributo supremo. 
Todavia, o amor tambm  uma qualidade primordial. As promessas do 
amor e do perdo de Deus so to reais, to certas, to positivas quanto 
as podem descrever as palavras humanas. Deus  o santo amor. 
Por trs do amor de Deus est a Sua oniscincia  a Sua capacidade 
de "tudo saber e compreender". Oniscincia  a qualidade de Deus que  
exclusivamente dEle. Deus possui o conhecimento infinito e uma 
percepo que  unicamente dEle. Em todas as horas, mesmo no meio de 
qualquer tipo de sofrimento, eu me dou conta de que Ele sabe, ama, 
observa, compreende e mais do que isso, que tem um propsito. 
Fui criado no Sul. Minha idia do oceano era to pequena que, na 
primeira vez que vi o Atlntico, no podia entender que um lago pudesse 
ser to grande! A vastido do oceano s pode ser compreendida quando 
 vista. O mesmo acontece com o amor de Deus. No basta saber que ele 
existe. At o momento em que voc realmente o experimenta, ningum 
pode descrever para voc as suas maravilhas. 
Uma boa ilustrao disso  uma histria que minha mulher me 
contou sobre um vendedor de cerejas chins. Veio passando um 
garotinho que adorava cerejas; quando viu as frutas, seus olhos ficaram 
cheios de desejo. Mas no tinha dinheiro para comprar as cerejas. 
O bondoso vendedor perguntou ao menino: 
Quer umas cerejas? 
E o garoto disse que sim, O vendedor falou: 
 Estenda as mos.  Mas o garotinho no estendeu as mos. O 
vendedor falou de novo:  Estenda as mos.  Novamente o garoto no o 
fez. Ento, o bondoso vendedor puxou as mos do menino e encheu-as 
com dois punhados de cereja.  
Mais tarde, a av do menino soube do que se passara e perguntou: 
 Por que voc no estendeu as mos quando o homem mandou? 
E o garotinho respondeu: 
 As mos dele so maiores do que as minhas! 
As mos de Deus tambm so maiores do que as nossas! 
Alguns dos peritos modernos em teologia fizeram tentativas para 
roubar de Deus o Seu calor, Seu profundo amor pela humanidade, e Sua 
compaixo pelas criaturas. Porm, o amor de Deus  imutvel. Ele nos 
ama apesar de conhecer-nos como realmente somos. Na verdade, Ele nos 
criou porque queria outras criaturas  Sua imagem e semelhana no 
universo sobre quem poderia derramar o Seu amor, e que, por sua vez, o 
amassem voluntariamente. Queria pessoas com a capacidade de dizer 
"sim" ou "no" no seu relacionamento com Ele. O amor no se satisfaz 
com um autmato  algum que no tem outra escolha seno amar e 
obedecer. No o amor mecanizado, mas o amor voluntrio, satisfaz o 
corao de Deus. 
Se no fosse pelo amor de Deus, nenhum de ns sequer teria uma 
chance na vida futura! 
H alguns anos, um amigo meu parou no alto de uma montanha na 
Carolina do Norte. Naquela poca, as estradas eram cheias de curvas e 
no dava para enxergar muito adiante. Esse homem viu dois carros vindo 
em direo contrria. Deu-se conta de que os motoristas no podiam ver 
um ao outro. Apareceu um terceiro carro e comeou a ultrapassar um dos 
carros, embora no houvesse espao para ver o carro que vinha do outro 
lado da curva. Meu amigo soltou um grito de advertncia, mas os 
motoristas no podiam escut-lo, e houve uma coliso fatal. O homem na 
montanha viu tudo. 
 assim que Deus nos v na Sua oniscincia. Ele v o que 
aconteceu, o que est acontecendo e o que acontecer. Na Escritura, Ele 
nos adverte, repetidas vezes, sobre as dificuldades, problemas, 
sofrimentos e julgamento que nos esperam. Muitas vezes, ignoramos a 
Sua advertncia. 
Deus tudo v e tudo sabe. Mas ns somos muito limitados pela 
finidade de nossas mentes e o curto tempo que temos na terra para sequer 
comear a entender o poderoso Deus e o universo que Ele criou. 

Ele    um  Deus  de  Amor

Deus no est cego aos apuros do homem. Ele no fica parado no 
alto de uma montanha, olhando impotente para a coliso da humanidade. 
Como o homem causou a sua prpria coliso rebelando-se contra o 
Criador, Deus poderia ter permitido que ele despencasse na escurido e 
destruio. Isso seria compatvel com a santidade e a retido de Deus. 
Todavia, esse outro grande atributo de Deus, o Seu amor, no permitiu 
que Ele o fizesse. Desde o comeo daquela coliso, Deus tinha um plano 
para a salvao, a redeno e a reconciliao do homem. Na verdade, o 
plano  to fantstico que acaba por erguer o homem muito alm e acima 
at dos anjos. O amor consumidor de Deus pela humanidade foi 
demonstrado decisivamente na Cruz, quando a Sua compaixo 
corporificou-se em Seu Filho Jesus Cristo. A palavra compaixo vem de 
duas palavras latinas que significam "sofrer com". Deus estava disposto 
a sofrer com o homem. 
Nos 33 anos que precederam a Sua morte, Jesus sofreu com o 
homem; na cruz, Ele sofreu pelo homem. "Deus estava em Cristo 
reconciliando consigo o mundo" (II Corntios 5:19). E, novamente: 
"Deus prova o seu prprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo 
morrido por ns, sendo ns ainda pecadores." (Romanos 5:8) 
Foi o amor de Deus que enviou Jesus Cristo para a cruz. Foi porque 
ele estava no controle e era controlado pelo amor que forneceu aquele 
substituto divino para o nosso pecado. 
O amor de Deus no comeou na cruz. Comeou antes do mundo 
ser estabelecido, antes que o relgio de ponto da civilizao comeasse a 
se mover. O conceito distende a nossa compreenso at os limites 
mximos de nossas mentes. 
Volte, na sua imaginao, para as incontveis eras antes de Deus ter 
criado esta terra atual, quando ela era "sem forma e vazia" e a escurido 
profunda e silenciosa do espao exterior formava um vasto golfo entre o 
brilho do trono de Deus e o vcuo escuro onde existe agora o nosso 
sistema solar. Imagine o brilho da glria de Deus enquanto o querubim e 
o serafim, os prprios anjos, cobrem a face com as asas em respeito e 
reverncia para com Aquele, o Ser elevado e sagrado que habita a 
eternidade! 
J naquela poca, Ele previa o que ia acontecer e, no entanto, no 
Seu amor misterioso, permitiu que acontecesse. A Bblia nos fala do 
"Cordeiro que foi morto desde a criao do mundo" (Apocalipse 13:8). 
Deus previu o que o Seu Filho ia sofrer. Como j se disse, havia uma 
cruz no corao de Deus muito antes da cruz ser erigida no Calvrio. 
Somente ao pensarmos nestes termos comearemos a perceber a 
maravilha e a grandeza do amor dEle por ns.  

O  Amor  DEle,  Desde  o  Comeo  dos  Tempos

Foi o amor que levou Deus a formar uma criatura  Sua imagem e 
semelhana, e a coloc-la num paraso de beleza insupervel. Foi o amor 
dEle que forneceu o plano da salvao, pois Ele sabia antecipadamente 
que o homem se desviaria do programa divino original. 
Foi o amor de Deus que deu ao homem o livre arbtrio e o privilgio 
da opo, quando Ele falou: "De toda a rvore do jardim podes comer 
livremente; mas da rvore do conhecimento do bem e do mal, dela no 
comers." (Gnesis 2:16, 17) Somente Deus d a Seus filhos liberdade 
de escolha. O homem foi liberado desde o comeo dos tempos para fazer 
o que lhe aprouvesse, mas, fosse qual fosse a sua escolha, haveria 
conseqncias. Se ele optasse pela rebelio, haveria sofrimentos 
terrveis, morte e a separao eterna de Deus. Se optasse pela obedincia 
ao plano de salvao de Deus, haveria alegria abundante, vida eterna e a 
eventual construo de um paraso neste planeta. 
Deus se preocupava tanto com o bem-estar do homem que marcou 
com cuidado o local de perigo nesse meio ambiente perfeito. "Coma o 
fruto de qualquer outra rvore", falou Deus, "exceto desta. Nesta existe a 
morte." Porm, o homem cometeu um erro fatal que afetaria todas as 
geraes por nascer. A despeito da advertncia de Deus, Ado e Eva 
comeram os frutos daquela rvore. Contudo, foi o mesmo amor que fez 
com que Deus chamasse Ado: "Onde ests?" (Gn. 3:9) Deus sabia 
onde Ado estava  mas Ele queria que Ado soubesse. Preparou o 
caminho para que Ado e Eva voltassem para Ele como companheiros. 
Foi o amor de Deus que colocou os Dez Mandamentos nas mos de 
Seu servo, Moiss. Foi o amor dEle que gravou aqueles estatutos no 
apenas na pedra, mas nos coraes de todos os povos (nas suas 
conscincias), e os tornou a base de toda lei civil, estatutria e moral, no 
importa quanto a justia humana possa ter-se tornado pervertida. 
Foi o amor de Deus que soube que os homens eram incapazes de 
obedecer  Sua lei e foi o amor dEle que prometeu um Redentor, um 
Salvador, que redimiria o Seu povo de seus pecados. 
Foi o amor de Deus que botou palavras de promessa nas bocas e 
coraes de Seus profetas, sculos antes da vinda de Cristo.  



O  Amor  DEle,  Quando  a  Profecia    Cumprida

Assim como predisseram os profetas antigos, numa certa poca da 
histria da humanidade, num local especfico no Oriente Mdio, o Filho 
de Deus veio para este planeta. 
Foi o amor de Deus que preparou as condies polticas para a vinda 
de Jesus Cristo. A Grcia, como a grande potncia durante o perodo de 
quatrocentos anos que antecedeu ao nascimento de Cristo, preparou o 
caminho para a Sua mensagem espalhando um idioma comum (o grego) 
pelo mundo todo. Depois o grande imprio Romano tomou o poder e 
construiu uma rede de estradas e desenvolveu um sistema de lei e ordem. 
Assim, utilizando a lngua comum e mais as estradas e o sistema legal 
romano, Deus, atravs dos primeiros cristos, difundiu a Sua palavra. 
Assim, diz a Escritura que Jesus nasceu "na plenitude do tempo" (Gl. 4:4). 

Uma  Vida,  um  Amor,  um  Deus

Jesus teve a mesma compaixo altrusta pelos doentes, aflitos e 
pecadores que Deus, Seu Pai.  
Foi o amor de Deus que permitiu que Jesus Cristo fosse pobre, para 
que ns nos tornssemos ricos. Foi o amor divino que permitiu que Ele 
suportasse a provao da Cruz. Foi esse mesmo amor que o fez conter-se 
quando foi falsamente acusado de blasfmia e levado ao Calvrio para 
morrer com ladres comuns, sem jamais levantar a mo contra os Seus 
inimigos. 
Foi o amor que o impediu de chamar os 12 mil anjos que j estavam 
de espada desembainhada para vir em Seu auxlio. Foi o mesmo amor 
que fez com que Ele, num momento de dor atroz, parasse e desse vida e 
esperana a um pecador morrendo ao seu lado, que, arrependido, 
exclamou: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino." 
(Lucas 23:42) 
Depois de ter sofrido terrveis torturas nas mos do homem 
degenerado foi o amor que fez com que Ele erguesse a voz e orasse: 
"Pai, perdoa-lhes; pois no sabem o que fazem." (Lucas 23:34) 
Do Gnesis ao Apocalipse, da maior tragdia da terra ao maior 
triunfo da terra, a dramtica histria das maiores profundezas do homem 
e das mais sublimes alturas de Deus pode ser expressa em 28 palavras 
impressionantes: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o 
seu Filho unignito, para que todo o que nele cr no perea, mas tenha a 
vida eterna." (Joo 3:16) 

Como  Podemos  Rejeitar  um  Amor  To  Grande?

No plano humano, freqentemente amamos a quem nos ama. Na 
esfera espiritual, as pessoas no compreendem o amor assoberbante de 
um Deus sagrado. Tentamos ser "bons o bastante para Deus".  O profeta 
Isaas expressou a verdadeira condio do homem nas palavras: "Todos 
ns temos andado desgarrados como ovelhas; temo-nos desviado cada 
um para o seu caminho." (Isaas 53:6) No importa o pecado que 
tenhamos cometido, ou o quanto ele possa ser hediondo, vergonhoso ou 
terrvel, Deus nos ama. Se tentamos "viver uma boa vida", segundo 
nossos prprios padres, isso  inaceitvel por Deus para a Salvao. No 
entanto, Deus ama a estes, tambm, quer estejam tentando ser bons ou 
tentando ser maus. O amor de Deus a tudo abrange. 
Todavia, existe uma coisa que o amor de Deus no pode fazer. Ele 
no perdoa o pecador que no se arrepende. Ao longo de toda a Bblia 
conclama-se a raa humana a se arrepender do pecado e da rebelio e se 
voltar para Deus. 
Desse modo, por causa do amor dEle, existe um caminho da 
salvao, um caminho de volta a Deus atravs de Jesus Cristo, Seu Filho. 
Este amor de Deus alcana o homem onde quer que ele esteja, mas pode 
ser inteiramente rejeitado. Deus no vai Se impor a homem algum, 
contra a vontade deste. Uma pessoa pode ouvir uma mensagem sobre o 
amor de Deus e dizer: "No, isso no  para mim." Deus a deixar seguir 
pecando para a escravido e o juzo. 
Contudo, se realmente queremos receber o amor de Deus, temos 
que aceit-lo para ns mesmos. Foi assim que Ele planejou, desde o 
comeo! Sempre foi a opo do homem. O destino de sua alma est nas 
suas mos pela escolha que voc faz. 
Voc confiou a sua vida a Jesus Cristo? Conhece-o como seu 
Salvador e Senhor pessoal? 

Deus  Est...  em  Toda  a  Parte

Lembro-me de ter lido um livreto intitulado Sem lugar para 
esconder. Como isso descreve bem a onipotncia e a oniscincia de 
Deus. "Pode algum ocultar-se em lugares escondidos, que eu no o 
verei?, diz Jeov. Porventura no encho o cu e a terra?, diz Jeov." 
(Jeremias 23:24) No Salmo 139:1-5, Davi diz: "Jeov, tu me sondas e 
conheces. Tu conheces o meu sentar e o meu levantar, de longe entendes 
o meu pensamento. Esquadrinhas a minha vereda e o meu pouso, ests 
ciente de todos os meus caminhos. Pois ainda a palavra no est na 
minha lngua, j tu, Jeov, a conheces toda. Por detrs e por diante me 
cercas e pes sobre mim a tua mo." 
Conquanto Davi no soubesse explicar a maneira do amor 
onisciente (que tudo sabe) de Deus, sabia dizer como ele o afetava: "Tal 
conhecimento  maravilhoso demais para mim, elevado , no o posso 
atingir." (v. 6) 
O salmista prossegue reconhecendo que Deus est mesmo em toda 
a parte. "Para onde me ausentarei do teu Esprito? Para onde fugirei da 
tua presena? Se eu subir aos cus, l estars; se fizer a minha cama nas 
profundezas, l tambm estars." (vv. 7, 8) 
Se algum subisse ao mais alto pncaro ou descesse ao abismo mais 
profundo, no escaparia  presena de Deus Todo-Poderoso.  isto o que 
a oniscincia (tudo saber) e a onipresena (em toda a parte ao mesmo 
tempo) de Deus significam para ns em termos prticos. "Se eu tomar as 
asas da alvorada e me detiver nos confins dos mares, ainda l a tua mo 
me guiar, a tua mo direita me sustentar." (Salmos 139:9,10) 
No existe um ponto no espao, quer seja dentro ou fora dos limites 
da criao, em que Deus no esteja presente.  por isso que, ao nos 
perguntarmos quem est no controle, podemos responder sem equvoco: 
"Deus!" 

O  que  Isso  Significa  Para  Mim?

O que tudo isso tem a ver com o sofrimento? Por causa da Sua 
onipresena e oniscincia, Deus est conosco em todas as nossas lutas e 
compreende nossas provaes. Nada nas nossas vidas pega Deus de 
surpresa. No estamos ss no nosso sofrimento. Temos um Deus que nos 
ama e est conosco em meio a nossos problemas. 

Por  que  um  Deus  Amoroso  Permite  o  Sofrimento?

Muita gente pergunta: "Por que Deus permite que o medo continue 
a apertar os coraes dos homens, nesta era de esclarecimento?" Muita 
gente pergunta: "Onde est o poder de Deus? Por que Ele no acaba com 
toda essa misria e crueldade que vm amaldioando a nossa era?" 
Outros perguntam: "Como Deus pode ser bom e misericordioso quando, 
diariamente, homens e mulheres so esmagados por agonias quase 
insuportveis?" Tais perguntas so feitas no apenas pelos ateus e pelos 
inimigos da religio, mas tambm pelos cristos confusos que, 
tropeando sob o fardo da angstia, exclamam: "Por que tenho que 
suportar este sofrimento? Como Deus pode jogar sobre mim tantos 
padecimentos?" 
Durante a guerra da Coria, conheci dezenas de coreanos cristos 
que faziam essas mesmas perguntas, assim como elas esto sendo feitas 
hoje no Sudeste Asitico, em Uganda e dezenas de outros pases. 
Um dos primeiros livros da Bblia, o Livro de J, trata dessa 
dificuldade. Algumas pessoas experimentam a guerra, o terrorismo, 
casamentos desfeitos, presses financeiras, e muitas outras tribulaes. 
Mas duvido que tenham sofrido perdas to grandes quanto as de J, 
quando inimigos traioeiros capturaram seus homens e todos os seus 
rebanhos e manadas. Talvez haja algum cujo filho ou filha foi mantido 
como refm, ou que tenha recebido o aviso de que o filho ou filha foi 
morto em combate. J perdeu sete filhos e trs filhas num s dia. Outros, 
talvez, estejam doentes e gemendo de dor. J sofria de uma forma de 
molstia que transformou o seu corpo numa massa de pstulas e chagas. 
Quando J no pde encontrar explicao humana para as suas 
provaes, gritou para Deus: "Faze-me saber por que contendes 
comigo." (J 10:2) Esta pergunta antiqussima de "por que devem os 
justos sofrer?"  velha como o tempo. S h um lugar em que podemos 
achar uma resposta, a Bblia. No entanto, na sua cegueira, alguns homens 
rejeitaram a orientao divina e insistem que tudo na vida provm da 
chance. A sorte, declaram eles, sorri para alguns, que tm uma vida fcil 
e serena. A sorte fecha a cara para outros, que sofrem inmeras 
dificuldades. Dizem que tudo  questo de sorte, de chance. "J que 
somos apenas criaturas dependentes da sorte", concluem, "por que no 
arrancar da vida cada gota de prazer, enquanto podemos, e usufruir de 
tudo ao mximo antes que chegue o amanh, trazendo a morte consigo?" 
Conversei com uma professora de uma de nossas escolas. Ela me 
contou que a mesma atitude  expressa por alguns de seus alunos. Dizem 
eles: "Vamos acabar tendo que ir para a guerra, de qualquer forma, a 
bomba atmica vai fazer tudo em pedacinhos  ento por que no 
aproveitar agora?" Que engano chocante! E como essa atitude falha 
completamente em tempo de crise! 
Outros cticos vo ao extremo oposto, afirmando que o homem 
sofre porque  fraco. Insistem eles: "Aprenda a ser duro e implacvel. 
Aniquile com toda a oposio. Fora a compaixo, a bondade e a 
misericrdia. Abaixo o amor. O poderoso  o certo. No seja um fracote, 
seja um super-homem." Esta foi a deluso de Hitler, e o resultado foi um 
padecimento incomensurvel para milhes de pessoas. 
Os secularistas no conseguem oferecer solues satisfatrias para 
o dilema do sofrimento do homem. Freqentemente, as filosofias 
humansticas criam uma confuso e um desnimo pessoal ainda maiores. 
A questo de por que Deus permite o sofrimento  um dos mistrios 
mais profundos da vida.  difcil dar-lhe uma resposta. No podemos 
consultar uma nica passagem da Escritura para encontrar uma 
abordagem meticulosa e conclusiva desse assunto, mas a Bblia sugere 
algumas respostas. Gostaria de partilhar com voc algumas das idias 
que podero ser de ajuda. 
Primeiro, temos que nos dar conta de que Deus tem trabalhado 
ativamente na mitigao do sofrimento. 
Lembremo-nos de que o sofrimento se originou no Paraso, como j 
discutimos anteriormente. Deus deu ao homem liberdade de escolha: a 
escolha do bem ou a escolha do mal. Parte da constituio humana que 
distingue o homem de outras criaturas  a sua capacidade de raciocinar e 
tomar decises morais. O homem  um agente moral livre. Satans no 
d a seus filhos a mesma escolha. 
Ado escolheu seguir os conselhos de Satans e se rebelou (pecou) 
contra Deus. A escolha de Ado (seu pecado) abriu uma "caixa de 
Pandora" de sofrimento para a humanidade. Um estudo cuidadoso do 
Gnesis revela que a atitude de Ado produziu um amplo espectro de 
sofrimento: fsico, espiritual, social, psicolgico e at ecolgico. Num 
sentido muito real, o sofrimento deste mundo foi criado pelo prprio 
homem. A tendncia ao pecado, a natureza pecaminosa,  uma 
caracterstica humana transferida de Ado e Eva para a segunda gerao 
da humanidade. E foi transferida para todas as geraes seguintes. Faz 
parte da natureza humana que todos herdamos. 
E no entanto foi Deus quem agiu para solucionar o problema. No 
Jardim do den, Ele deu a Ado um raio de esperana  a promessa de 
que um dia enviaria o Seu Filho (gerado por uma mulher)  terra para 
destruir a obra do demnio e lidar com os problemas do pecado e do 
sofrimento do homem. 
Vimos esta promessa ser cumprida historicamente, em Jesus Cristo. 
Por Sua vida, morte e ressurreio, Ele triunfou sobre Satans e o 
pecado, e Ele  a chave para a soluo do sofrimento. Por Sua morte, 
liberta-nos da punio do pecado. Por Sua ressurreio, d-nos o poder 
sobre a tendncia ao pecado,  medida que permitimos que Ele controle 
as nossas vidas. 
As aes pecaminosas do homem (assassinato, roubo, estupro, 
terrorismo e assim por diante) infligem o sofrimento aos outros. Se todos 
os homens permitissem que Jesus reinasse em suas vidas, muitos dos 
padecimentos deste mundo seriam no apenas mitigados, mas abolidos. 
Assim, vemos que Deus no esteve passivo com relao  sorte do 
homem. Ele agiu. Na verdade, a histria toda est se dirigindo para uma 
poca em que Cristo estabelecer o Seu reinado sobre todo o universo. 
Satans, pecado e sofrimento sero eliminados inteiramente. Deus 
promete livrar-nos da punio e do poder do pecado; e um dia Ele criar 
um ambiente no qual os homens fiquem livres da presena do pecado e 
do sofrimento associado a ele. Isaas 9:6, 7: "Porque a ns nos  nascido 
um menino, e a ns nos  dado um filho; o governo est sobre os seus 
ombros, e ele tem por nome Maravilhoso Conselheiro, Poderoso Deus, 
Eterno Pai, Prncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da Paz no 
haver fim sobre (...) o seu reino." F.B. Meyer disse, cena vez, que, 
"quando o nosso governo estiver sobre os ombros dEle, no haver fim 
para a paz." 
No Podemos esquecer que Deus agiu em nosso nome para livrar o 
mundo do sofrimento. E o espantoso  que Ele o fez por meio do Seu 
prprio sofrimento. Ele  um Pai que testemunhou a tortura e morte do 
Prprio Filho. Deus, que ama o Seu Filho, permitiu que Ele sofresse para 
que voc e eu pudssemos ser libertados do sofrimento. Devido  paixo 
e morte de Cristo, aqueles que O aceitaram como seu Salvador estaro 
livres de um sofrimento mais intenso  a separao eterna de Deus. 
 no sofrimento de Deus que vemos o Seu grande amor. No 
devemos tentar avaliar o carter de Deus e julgar se Ele  ou no um 
Deus de amor, olhando para os nossos sofrimentos.  olhando para a 
Cruz que passamos a conhecer e experimentar a profundidade do amor 
de Deus por ns. 
Desse modo, vemos que Deus tem um plano para a eliminao do 
sofrimento. 
Mas por que Deus no retira todo o sofrimento do nosso mundo 
agora? Se Ele tem o poder, por que no o usa agora para o bem da 
humanidade? 
Primeiro, se Deus fosse erradicar todo o mal deste planeta, teria que 
erradicar todos os homens maus. Quem estaria isento, se "todos pecaram 
e necessitam da glria de Deus"? (Romanos 3:23) Deus prefere 
transformar homem mau, ao invs de erradic-lo. 
H pouco tempo, recebemos uma carta falando de um prisioneiro 
condenado a morrer na cadeira eltrica. Vinte e quatro horas antes da 
execuo, ela foi adiada. Contudo, por causa da sua proximidade com a 
morte, ele passou a conhecer Deus de um modo pessoal, atravs da f em 
Jesus Cristo, e tornou-se uma testemunha vocal de Cristo dentro da 
priso. Dos outros prisioneiros no corredor da morte, agora h 22 
dedicados ao estudo da Bblia com ele. Todos ficaram abalados com a 
experincia vivida por ele  a morte de repente tornou-se uma realidade 
para eles  e, atravs do seu relacionamento pessoal com Deus e o 
testemunho deste fato, Ele est sendo utilizado at ali no corredor da 
morte. 
Em Cristo, podemos tornar-nos novas pessoas. "Se algum est em 
Cristo,  uma nova criao; passou o que era o velho, eis que se fez o 
novo!" (II Corntios 5:17) Deus pode extrair um grande bem de qualquer 
vida dedicada a Ele. 
Segundo, se Deus retirasse todo o mal do nosso mundo (mas 
deixasse o homem no planeta) isso significaria que a essncia e "ser 
humano" seria destruda. O homem se tornaria um rob. 
Deixe que eu explique o que quero dizer com isso. Se Deus 
eliminasse o mal, programando o homem para realizar apenas atos bons, 
o homem perderia a sua marca de distino  a capacidade de fazer 
escolhas. No mais seria um agente moral livre. Seria reduzido  
condio de rob. 
Vamos nos aprofundar mais. Os robs no amam. Deus criou o 
homem com a capacidade de amar. O amor se baseia no direito de se 
optar por amar. No podemos forar os outros a nos amar. Podemos 
fazer com que nos sirvam ou nos obedeam. Mas o verdadeiro amor se 
baseia na liberdade que o homem tem de aceit-lo na sua vida. O homem 
poderia ser programado para fazer o bem, mas o elemento do amor 
estaria perdido. Se o homem fosse forado a fazer o bem, o sofrimento 
seria eliminado, mas o amor tambm. Como seria viver num mundo sem 
amor? 
Desse modo, podemos ver que o uso do poder de Deus para 
eliminar o mal no provaria ser uma soluo positiva para o problema do 
sofrimento. Os resultados dessa ao criariam maiores dilemas. Ou o 
homem seria reduzido  condio de rob num mundo sem amor, ou ele 
seria aniquilado. 
Na verdade  o amor de Deus pelo homem que O impede de retirar 
o mal do mundo por meio de uma exibio do Seu poder. O plano de 
Deus  retirar o mal por meio de uma exibio do Seu amor  o amor 
que Ele demonstrou no Calvrio. 
 no amor de Deus que encontramos a chave para a soluo final 
para o problema do sofrimento. A resposta para a antiqussima questo 
do sofrimento reside numa compreenso e apreciao do carter de Deus. 
Foi isso o que J descobriu. No auge de seus padecimentos e 
questionamentos, Deus Se revelou a J sob vrios aspectos de Seu 
carter. J recebeu uma demonstrao espantosa da sabedoria de Deus. 
Atravs de sua experincia, ele passou a perceber que Deus merecia 
confiana com base no Seu carter. Embora J no pudesse compreender 
o propsito final de todos os atos de Deus, podia confiar em Deus. 
Porque Deus conhece e compreende todas as coisas. Pode-se confiar 
nEle para fazer o que  o melhor. 
Sempre haver segredos e motivos de Deus alm do alcance do 
homem. Deus  infinito; o homem  finito. Nosso conhecimento e 
compreenso so limitados. Porm, baseados no que conhecemos do 
carter de Deus, demonstrado supremamente na Cruz, podemos ter 
confiana que Deus est fazendo o que  melhor para nossas vidas. 
Corrie ten Boom descobriu uma boa maneira de explicar a 
perspectiva de que precisamos ao enfrentar os problemas da vida que nos 
intrigam: "Imagine um bordado colocado entre voc e Deus, com o lado 
direito voltado para Deus. O homem enxerga as pontas soltas e gastas do 
avesso, mas Deus enxerga o desenho pranto." 

Quem  Est  no  Controle?

Deus est no controle. No importa o que surja em nossas vidas, 
no importa o quanto possa ser difcil ou perigoso, podemos dizer 
confiantes: "Sabemos que, aos que amam a Deus, todas as coisas 
cooperam para o bem, a saber, aos que so chamados segundo o Seu 
propsito." (Romanos 8:28) 












O  NASCIMENTO  DE  UM  MUNDO  SOFREDOR

Deus achou melhor extrair o bem do mal do que deixar que 
nenhum mal existisse. SANTO AGOSTINHO

DESDE tempos imemoriais, a humanidade tem sido atormentada 
por uma pergunta insistente: "Como pode um Deus de amor permitir a 
existncia do sofrimento?" Quando vemos os problemas, tragdias e 
tribulaes do mundo, at mesmo os crentes sinceros, que enfrentam 
com honestidade suas dvidas e temores, so forados a perguntar: "Por 
que, Deus?" Em meio s lgrimas ou  raiva, escutamos perguntas como: 
"Por que, Deus, permitiste que esta tragdia ocorresse?" Ou: "Por que, 
Deus, permitis que este sofrimento continue?" 
Jack Mowday era piloto de helicptero militar. A mulher dele, Lois, 
e duas amigas tiveram a idia especial de dar aos maridos e noivo um 
presente de Natal de surpresa: um passeio num balo de ar quente. 
Sabiam que os homens sempre tiveram vontade de andar na barquinha de 
um balo de ar quente. Ento, providenciaram tudo para o dia 15 de 
dezembro, na Flrida. 
O dia amanheceu claro e bonito. Foi um momento emocionante 
quando os trs homens entraram na barquinha. Depois que o balo subiu, 
Lois e as amigas foram seguindo-o em dois carros. A barquinha passava 
perto dos telhados das casas e os maridos, empolgadssimos, cantavam 
canes de Natal para os moradores l embaixo. Na sua empolgao, 
deixaram de notar o cabo de alta tenso em que a barquinha e o balo se 
enredaram. O que fora um momento de alegria e triunfo transformou-se 
em tragdia, quando as mulheres viram os seus entes queridos pularem 
para a morte diante de seu olhos. Como  que uma jovem esposa e a 
famlia enfrentam uma crise dessas? 
Falando numa de nossas cruzadas, Lois testemunhou que sabia que 
"a verdade consumidora na cabea de Jack, enquanto pendia da 
barquinha em chamas, no dia 15 de dezembro, era que, quando se 
soltasse, se no sobrevivesse  queda, estaria no cu com o Senhor". 
Prosseguiu ela: 
 Eu sei hoje que, se morresse ainda esta noite, tambm eu estaria 
no cu com o Senhor e com Jack. Esta certeza total nem sempre existiu 
para Jack e para mim. Tive a sorte de ter transferido a minha confiana 
da minha pessoa para Jesus Cristo quando tinha treze anos. E embora eu 
no tivesse crescido muito na minha vida crist, por algum tempo, tinha 
a certeza de que, se algo me acontecesse, eu estaria no cu.
"Desde a morte de Jack, a minha vida mudou dramaticamente. Mas 
eu tenho que dizer que a maior mudana foi uma paz realmente 
sobrenatural e uma ausncia de ansiedade. Ainda me preocupo e tenho 
momentos de apreenso, mas nada parecido com antigamente. E creio 
que tenho esta paz porque pude ver diretamente que o Senhor realmente 
vai ao nosso encontro, nas nossas horas difceis. Embora a dor da perda 
de Jack seja muito real, a presena reconfortante do Senhor tambm  
muito real. 
No me sinto em condies de responder a perguntas como as que 
formulei no comeo deste captulo. S o que posso fazer  examinar com 
voc alguns dos princpios bblicos bsicos, que se referem  origem do 
mal, a raiz e causa de todos os padecimentos desde que o homem veio ao 
mundo. O que sei  que a Bblia diz, sem nenhuma ressalva, a respeito da 
criao original de Deus: "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era 
muito bom." (Gnesis 1:31) O processo da criao, inclusive o homem, 
fora concludo e Deus olhara para tudo o que tinha criado, declarando: 
"bom". Aquilo que  totalmente "bom" exclui o sofrimento, a dor, o mal 
e a tragdia. 
No entanto, dali a alguns versculos, no capitulo 3 do Gnesis, Deus 
diz ao homem e  mulher que criara: "Multiplicarei grandemente o teu 
sofrer e a tua conceio; em dor dars  luz os filhos (...). Maldita  a 
terra por tua causa; em fadiga tirars dela o sustento todos os dias da tua 
vida. Ela te produzir tambm espinhos e abrolhos, e comers as ervas 
do campo. No suor do teu rosto comers o teu po, at que te tornes  
terra, pois dela foste tomado: porquanto tu s p, e em p te h de 
tornar." (Gnesis 3:16-19) 
Nestes versculos, jaz a "semente" do sofrimento, a previso da dor 
e da morte, as quais vm atormentando o homem desde ento. Nestas 
palavras, descobrimos a origem do mal e a causa dos padecimentos do 
homem. O que aconteceu entre Gnesis 1 e 3? 

A  Queda  do  Homem  do  Plano  de  Deus 

O plano original de Deus para o homem era o Paraso uma 
existncia to idlica que no d para botar em palavras a sua beleza e 
riqueza. No apenas estava o homem num meio ambiente perfeito, 
cercado de beleza natural vinda diretamente da mo do Criador, mas 
tinha ele o privilgio de um passeio sem interrupo com Deus, pois o 
propsito de Deus ao criar o homem foi ter algum com quem pudesse 
conversar e fazer camaradagem. Na verdade, tornou-se prtica diria de 
Deus caminhar com o homem no "jardim", no frescor das tardes. (Gn. 3:8) 
Porm, o homem no estava satisfeito com esse arranjo. Em vez 
disso, desejava ser como Deus, ter o poder e o conhecimento de Deus. 
Quando Satans, sob a forma da serpente, acercou-se dele e perguntou, 
" verdade que Deus falou que no podes comer de qualquer rvore do 
jardim?" (Gnesis 3:1), o homem sucumbiu  sua tentao de 
desobedecer a Deus  e comeu o fruto proibido.  a este acontecimento 
que chamamos a "queda" do homem, o pecado original.  a 
desobedincia direta do homem s ordens de Deus. 
Foi esta desobedincia direta que resultou na sentena que Deus 
imps  raa humana, que citamos de Gnesis 3. Foi isso o que 
aconteceu entre Gnesis 1 e 3  o comeo de toda a dor e sofrimento que 
conhecemos no nosso mundo. Tanto os cristos quanto os no-cristos 
herdaram essa imperfeio de nossos ancestrais comuns, Ado e Eva: 
Chamamos a essa imperfeio de "pecado"  e o pecado jaz no centro 
das caticas condies mundiais que conhecemos e que existem ao longo 
dos sculos. 
Deixe-me tentar mostrar como todo o processo est ocorrendo hoje 
em dia. 

Revoluo  no  Paraso

A primeira "revoluo mundial" bem-sucedida foi iniciada por 
Satans, no Jardim do den. Deus criara um ambiente perfeito, um 
homem perfeito e uma mulher perfeita. Contudo, deu-lhes a liberdade de 
escolha, o livre-arbtrio. Tinha que test-los. Advertiu-os de que, se 
falhassem no teste, sofreriam e morreriam e que, se passassem, Deus, o 
homem e a mulher construiriam um mundo maravilhoso, a ser desfrutado 
por geraes e geraes. 
Satans estava no Paraso sob a forma de serpente. Podemos apenas 
especular como tudo aconteceu. Vrias Escrituras aludem a quem  
Satans, de onde ele veio, e por que queria usurpar a autoridade de Deus 
e assumir o controle deste planeta. Muito sutilmente, Satans contradisse 
a Deus e falou a Eva: 
  claro que no morrero, se desobedecerem a Deus e comerem o 
fruto proibido.
Alm disso, ele assegurou-lhes, se comessem o fruto, seriam "como 
Deus, conhecendo o bem e o mal". Desse modo, Satans colocou-se 
acima de Deus e conseguiu fazer com que a humanidade duvidasse da 
Palavra de Deus. Comeando no meio da felicidade paradisaca, trazendo 
a aflio e o caos atrs de si, ele vem agindo desde ento, de todas as 
maneiras possveis, para frustrar, atrapalhar e derrotar o trabalho de 
Deus. 
A Bblia presume que Ado e Eva j foram criados adultos. Logo 
eles tiveram dois filhos. Caim, o mais velho, ficou com inveja de Abel, o 
mais moo, e o matou. Esta foi a primeira conseqncia do pecado de 
Ado e Eva. Transmitindo-o a seus filhos, o pecado comeou a ser 
passado de gerao a gerao. Desde ento, sempre houve, em cada 
corao, a possibilidade dos piores pecados. 
Aparentemente, Caim tornou-se o primeiro seguidor de Satans 
depois de Ado e Eva  e seu irmo Abel a primeira vtima. Satans 
chacinou, saqueou e abriu o seu caminho brutalmente ao longo dos 
sculos, manifestando-se em todas as ideologias, seitas e cultos falsos.

As  Crises  da  Histria

A segunda grande crise na histria humana aconteceu diversas 
geraes mais tarde, quando Deus olhou para a raa humana e viu que 
era totalmente corrupta e depravada. Resolveu destrui-la e comear tudo 
de novo. Todavia, havia um homem piedoso a quem Ele no queria 
destruir: No. Deus avisou a No do castigo que se avizinhava para o 
mundo inteiro e disse-lhe que ia salv-lo e a sua famlia. Deus falou que 
ia destruir o mundo por meio de um dilvio e mandou que No 
construsse uma "arca" ou navio. A Escritura diz que "No fez tudo o 
que Deus lhe ordenou". Trabalhou na arca durante anos. Finalmente, 
quando ela ficou Pronta, Deus mandou que ele, sua famlia e os animais 
entrassem na arca. Quando veio o dilvio, todos foram salvos e o resto 
da raa humana foi destrudo. 
Outra grande crise chegou algumas geraes mais tarde. Naquela 
poca, a terra toda falava uma s lngua e um s idioma. (Gn. 11:1) O 
povo novamente se revoltava contra Deus. Eles resolveram construir 
uma torre para alcanar o cu. Desafiavam as leis e provises de Deus. 
Provavelmente, a torre era um templo pago destinado a se sobrepor a 
todas as coisas no mundo. Era aquela, na verdade, a "religio" do povo. 
Exaltava o homem ao invs de Deus. 
Novamente, o castigo caiu sobre a raa humana. As pessoas no 
mais podiam entender a lngua umas das outras, e diz a Bblia que o 
Senhor as dispersou por toda a terra. O nome daquele local era Babel. A 
palavra babel quer dizer "confundir". Desse modo, at mesmo a 
confuso de idiomas no mundo hoje em dia e a disperso dos povos 
pelos vrios continentes foi uma punio de Deus para a rebeldia do 
homem. 
Vemos como a semente do pecado  transmitida de uma gerao a 
outra. Hoje em dia, o mundo se dirige para outra grande crise que est 
sendo chamada, at mesmo pelo mundo secular, de "Armagedom". '

O  Logro  do  Demnio

O demnio  muito apropriadamente chamado de "pai das 
mentiras". Desde tempos imemoriais, ele vem logrando os homens e 
mulheres ingnuos de todas as eras. 
Um velho clrigo escocs disse que o demnio tem duas mentiras, 
usando-as em dois estgios diferentes. Antes de cedermos s suas 
tentaes, ele nos diz que um pecadilho s no tem importncia,  uma 
ninharia e ns poderemos facilmente nos recuperar. A segunda mentira  
a seguinte: depois que pecamos, ele nos diz que no tem mais jeito, que 
j nos passamos para o seu lado e que no h como se reerguer. As duas 
so mentiras totais e terrveis. 
Todos ns camos em tentao e Deus no considera isso uma 
ninharia. A condenao paira acima de toda a raa humana por causa de 
nossa queda, que tambm  definida como rebelio ou desobedincia. 
Diz a Escritura: "Assim como por um s homem entrou o pecado, e pelo 
pecado a morte, assim tambm passou a todos os homens, visto que 
todos pecaram." (Romanos 5:12) Contudo, porque Jesus Cristo veio e 
morreu na Cruz e ressuscitou, no estamos numa posio sem esperana. 
Sempre haver a possibilidade de nos reconciliarmos com Deus e 
voltarmos a ter um bom relacionamento com Ele. 
No precisamos crer nas mentiras do demnio. Satans  o mestre 
da linguagem de duplo sentido e dos sofismas. Ele chama o mal de bem 
e continua a confundir os homens com suas falsidades sabiamente 
disfaradas. 
O homem sempre teve a facilidade de confundir o mal com o bem. 
Este foi o problema de Ado e Eva, e  o nosso problema hoje em dia. Se 
no se desse ao mal uma aparncia atraente, no haveria a tentao.  na 
semelhana entre o bem e o mal, o certo e o errado que est o perigo. 
A Bblia diz, nas palavras do profeta Isaas: "Ai dos que ao mal 
chamam de bem, e ao bem mal; os quais pem trevas por luz e luz por 
trevas, e mudam o amargo em doce e o doce em amargo." (Isaas 5:20) 
Hoje em dia, vemos a maldade social, o terrorismo e uma tremenda 
imoralidade por todo o mundo. A retido social moderna muitas vezes 
difere da retido da Bblia. Algum j disse: "Um ato errado  certo se a 
maioria do povo no o condena." Por este princpio, podemos ver os 
nossos padres se alterando a cada ano, seguindo o gosto popular! Essa 
nova permissividade  aceita por homens e mulheres inteligentes, muitos 
dos quais no seio das igrejas. 
A sociedade antigamente condenava o divrcio, e as leis contra a 
lascvia e a obscenidade eram cumpridas  risca. Mas agora o divrcio  
aceito, at mesmo entre os lderes eclesisticos. A fornicao, a 
obscenidade e a lascvia so glorificadas em grande parte de nossa 
literatura e filmes. A perverso  considerada uma anormalidade 
biolgica, e no um pecado. 
Tais coisas so contrrias aos ensinamentos da Palavra de Deus. E 
Deus no mudou. Seus padres no foram rebaixados. Deus ainda chama 
a imoralidade de pecado e a Bblia diz que Deus vai julg-la.

No  Tem  Problema,  Desde  que...?

Lembro-me de que, quando eu era criana numa fazenda da 
Carolina do Norte, a palavra de um homem valia por um contrato. 
Duvido que meu pai alguma vez tenha assinado algum papel nos muitos 
negcios que fez, envolvendo vacas, cavalos, mulas e maquinaria. Um 
aperto de mo lhe bastava. Atualmente,  preciso contratar advogados 
para formular os contratos mais intrincados e complexos, e at mesmo 
eles no impedem completamente as fraudes, trapaas e mentiras que 
prevalecem hoje em dia. 
At alguns anos atrs, a honestidade era a marca do bom carter de 
um homem. Mas foi trocada pela filosofia do "no tem problema, desde 
que voc no seja apanhado". Somente nos tribunais exige-se que 
digamos a verdade, toda a verdade e nada alm da verdade. 
O mal se esgueira na nossa vida, apresentando uma aparncia 
inofensiva. O que  mais belo do que os anncios coloridos de pgina 
inteira do "homem distinto", impecavelmente vestido, sorvendo um copo 
de usque com amigos no calor de um aposento bem decorado? Esses 
anncios no mencionam os novos alcolatras que esto surgindo a cada 
dia, nem o problema crescente do alcoolismo no mago da nossa 
civilizao. Claro que no seria de bom gosto mostrar uma foto do 
"homem distinto" cado na sarjeta, dizendo que ele comeou a beber na 
Quinta Avenida. No seria de bom gosto, mas seria honesto. "Ai 
daqueles que chamam ao mal de bem?" 
O jovem casal, embora tendo sido avisado dos perigos psicolgicos, 
espirituais e at fsicos do sexo pr-conjugal, senta-se dentro de um carro 
estacionado num cinema drive-in, ou aluga um quarto de motel por 
algumas horas, e, ao flertar com a tragdia, chama a sua experincia de 
"divina". Aquilo que  divino no contexto do verdadeiro amor, o elo 
conjugal, pode-se tornar um inferno de remorso para aqueles que se 
entregam a ele fora do casamento. s vezes, nossos atos nos levam a 
situaes onde o sofrimento  inevitvel. "Ai daqueles que chamam ao 
mal de bem!" 
Quando se trata da justia social e da reforma poltica, parece que 
quase todos os grupos do mundo esto fazendo coro e clamando por 
"liberdade". A liberao  a nova palavra de ordem. Viajei por grande 
parte do mundo e jamais encontrei um pas em que houvesse justia 
social plena. O que as pessoas no percebem, no entanto,  que s 
teremos justia social plena no nosso mundo quando Cristo retornar. Foi 
a que Marx errou. Ele achava que o problema era basicamente 
econmico, mas s estava parcialmente certo. O problema bsico est na 
prpria natureza humana: a cobia, a inveja, a luxria e orgulho que 
esto dentro do corao do homem. (Marcos 7:20-23) Muitas pessoas 
hoje em dia esto se iludindo neste ponto. 
Um bispo de um pas pequeno engajou-se apaixonadamente numa 
revoluo social e poltica. No havia dvidas de que tal reforma se fazia 
necessria. Todavia, ele estava cego quanto a seus aliados. Quando a 
revoluo finalmente aconteceu, ele descobriu que seu povo saltara da 
frigideira para o fogo. Um ano aps a revoluo, ele falou para um 
grande auditrio, as lgrimas escorrendo pelo rosto: 
 Meu Deus, o que fiz? iludi meu povo.
"Ai daqueles que chamam ao mal de bem!"

Queremos  o  Sucesso  Agora

Como confundimos tanto nossos valores? Como camos nesta 
armadilha de Satans? Para comeo de conversa, temos pouca viso. 
Buscamos atalhos para a felicidade. Nossa nsia de prazer imediato faz 
com que pensemos no mal como bem. 
Num dos livros de John Steinbeck, um de seus personagens diz que, 
"se isso tiver xito, eles no sero considerados desonestos, mas 
espertos". No nosso desejo de fazer sucesso rapidamente,  fcil 
confundir os valores e chamar ao mal de bem e ao bem de mal. 
Modificamos o nosso cdigo moral, adaptando-o ao nosso 
comportamento, quando, na verdade, deveramos modificar o nosso 
comportamento para harmoniz-lo com as leis de Deus. Nada hoje em 
dia  fixo, no pisamos no cho firme. Milhes de jovens ficam se 
deslocando de um lado para o outro. So como msseis desgovernados, 
cheios de energia e ambio, mas sem direo. Os mais velhos os 
desencaminharam. As presses do grupo os desencaminham. A nfase 
indevida  violncia e ao sexo, e o desprestgio do lar nos filmes e na TV 
os desencaminham. s vezes, o sistema educacional os desencaminha 
intelectualmente. Em milhares de igrejas so desencaminhados 
teologicamente. Assim, espiritual e moralmente, eles esto  deriva, sem 
bssola ou guia. 
E, no entanto, nas minhas viagens, vejo que a maioria dos jovens 
realmente quer que ditemos a lei moral. Podem no aceit-la ou crer 
nela, mas querem escut-la, claramente e sem rodeios." 
Toleramos com a maior facilidade as promessas falsas dos polticos, 
as farsas da publicidade, a "cola" nos exames universitrios, os exageros 
nas conversas, e as desonestidades do dia-a-dia do Sr. e Sra. Homem 
Comum. No mais nos sentimos chocados com a imoralidade ou a 
injustia social que nos cerca. At mesmo os americanos mais pobres so 
mais ricos do que a mdia em muitos pases. No entanto, em comparao 
com outros setores da sociedade, existe a pobreza nos Estados Unidos. 
Fraude e corrupo esto sendo descobertas em muitos dos nossos 
programas sociais para as cidades  os problemas urbanos aumentam de 
hora em hora. O preconceito racial ainda existe, como existia muito antes 
de Martin Luther King Jr. 
Eu estava andando de carro com um homem muito rico. Sentados 
no banco de trs do seu Cadillac com motorista, nos dirigamos para a 
sua casa em Long Island. Passamos pelos limites do Harlem. Contei-lhe 
que, alguns dias antes, eu fizera uma visita s reas miserveis do 
Harlem e do East Harlem. Ele deu de ombros e disse: 
 Isso  uma coisa em que no pensamos.
Se ele fosse cristo, seria seu dever pensar nisso e ver o que poderia 
fazer a respeito. Num verdadeiro sentido, somos os guardies de nossos 
irmos. Como cristos, devemos ser Bons Samaritanos. Mas o problema 
bsico ainda  o corao humano. 
Quem afirmaria que as pessoas mais ricas, que moram nas zonas 
elegantes afastadas da cidade, so basicamente mais felizes do que 
aquelas que moram no centro? A felicidade no vem, do conforto. Vem 
da paz interna que encontramos no nosso relacionamento com Deus.  

O  Egocentrismo  do  Homem

Quando uma coisa nos d lucro ou prazer, nossa tendncia  
consider-la maravilhosa mesmo sabendo que, em alguns casos, ela vai 
de encontro s leis de Deus. "Mas  o que eu sempre quis" ou "eu gosto, 
mesmo sabendo que  errado"  so os libis que fabricamos para 
justificar o mal e cham-lo de bem.  
Podemos ilustrar o contraste entre o egocentrismo e o altrusmo 
com as vidas de Pierre e Marie Curie. Depois de descobrir os poderes 
curativos do rdio, eles chegaram a considerar a idia de mant-lo em 
segredo, patente-lo e enriquecer com a descoberta. Marie disse a Pierre 
as palavras que os levaram  sua deciso: 
 Os fsicos sempre publicam as suas pesquisas por completo. Se 
nossa descoberta tem um futuro comercial, ento isso  um acidente do 
qual no podemos tirar lucro. E o rdio vai ser til no tratamento de 
molstias... Parece-me impossvel tirar vantagem disso.1 
Na noite em que morreu, o papa Joo Paulo I estava lendo o 
clssico de Thomas Kempis, Imitao de Cristo. O autor diz: "Se vais 
daqui para ali buscando a tua prpria vontade, nunca sers feliz ou 
despreocupado." 
Que diferena faria se pudssemos olhar para fora, seguindo as 
palavras de Jesus: "Buscai primeiramente o seu reino e a sua justia, e 
todas estas cousas vos sero acrescentadas." (Mateus 6:33) Atualmente, 
as pessoas encaram o cristianismo com a mesma praticidade com que 
levam as situaes do seu cotidiano, perguntando-se o que podem ganhar 
com ele. No nosso egosmo, pensamos em Deus como pensamos em 
todas as outras pessoas. O que Ele pode contribuir para ns, 
pessoalmente? Em outras palavras, queremos que Deus seja o nosso 
servo. Foi esse esprito egocntrico que abriu a porta do Paraso para 
Satans, fazendo com que ele tenha acesso aos redutos de Deus at hoje.

A  Arte  da  Racionalizao

Jogamos a culpa nos outros, arranjamos desculpas para nossos atos 
e achamos fcil chamar o mal de bem. Desde Ado  assim, como 
podemos confirmar nessa passagem do Gnesis: ''A mulher que me deste 
por companheira deu-me da rvore, e eu comi." (Gnesis 3:12) Hoje, h 
um congressista famoso que se satisfaz com o fato de no fazer "nada 
que mil outros homens no tenham feito". Ns sempre estamos 
arrumando desculpas para ns mesmos. 
Nosso Senhor impacientava-se com a racionalizao. Em Lucas 18, 
Ele ironizou o fariseu hipcrita que dizia: " Deus, graas te dou que 
no sou como os demais homens, que so ladres, injustos, adlteros, 
nem ainda como este publicano." (v. 11) O fariseu se enganava, 
colocando-se num plano superior ao de outros homens. Porm, o 
cobrador de impostos, a quem o fariseu olhava com desdm, enxergou-se 
como era e disse: " Deus, s propcio a mim, pecador." (v.13) Jesus 
falou: "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e no aquele; 
porque todo o que se exalta ser humilhado; mas o que se humilha ser 
exaltado." (Lucas 18:14) 
Como podemos ter a noo certa de nossos valores? Como pode o 
nosso juzo deformado ser endireitado? H quem ache que a educao  
a resposta a essas perguntas. Provam s pessoas que o crime no 
compensa, que o sexo ilcito  psicologicamente prejudicial, que a 
bebida excessiva faz mal ao corpo e ao crebro. Programas de reforma 
social e pessoal esto sendo continuamente reformulados. Sero a 
resposta ao mal? 
Outros dizem que a cincia  a resposta. A cincia pode fazer uma 
bomba limpa ou um cigarro inofensivo. Pode enfrentar os problemas das 
drogas. A cincia, dizem, pode sondar o crebro do homem e alterar os 
seus desejos. 
Porm, a Bblia, que suportou os estragos do tempo, nos conta uma 
histria diferente. Diz que temos uma natureza pecaminosa, baixa, que 
luta contra ns, que deseja destruir-nos. Paulo falou: "Portanto, querendo 
eu fazer o bem, acho a lei do que est comigo o mal." (Romanos 7:21) O 
mal est presente para se disfarar, astutamente, de bem. O mal est 
presente para nos controlar e enganar. No estamos em paz conosco ou 
com Deus.  para isso que serve a Cruz de Cristo: para nos reconciliar 
com Deus e dar-nos uma nova natureza. 
O homem sem Deus  uma contradio, um paradoxo, uma 
monstruosidade. Em si mesmo,  totalmente inadequado. Paulo achou a 
cura para a sua natureza violenta, destrutiva, no na universidade ou na 
cultura da Grcia, mas na estrada para Damasco, na Sria, ao conhecer 
Jesus Cristo. Mais tarde, escreveu: "Pois a lei do Esprito da vida te 
livrou em Cristo Jesus da lei do pecado e da morte." (Romanos 8:2) 
Antes da sua converso, Paulo achava que Cristo era o mal maior, 
mas depois que O encontrou, amou aquilo que odiara to 
fervorosamente. Finalmente, pde enxergar o mal como mal e o bem 
como bem. "Logo lhe caram dos olhos umas escamas, e recuperou a 
vista." (Atos 9:18) Os seus valores foram endireitados, porque sua 
natureza fora modificada pela graa redentora de Deus. Apesar de sua 
converso, contudo, Paulo no se libertou do sofrimento. O cristianismo 
no  um seguro contra as molstias e dificuldades da vida. 

Por  que  o  Sofrimento,  Deus?

Por que sofremos? Uma coisa est clara. A Bblia insiste que h 
sofrimento no mundo porque h pecado no mundo. O mago do 
problema est no prprio homem, que, desde Ado e Eva, alienou-se de 
Deus. Se o homem no tivesse desobedecido a Deu, o sofrimento no 
existiria no mundo. 
Ento mais uma coisa est clara. O sofrimento no fazia parte do 
plano original de Deus para o homem. Pela sua desobedincia proposital 
 Palavra e ao mandamento de Deus, o homem trouxe sofrimentos para 
si mesmo. Ele est colhendo o que plantou ao longo dos sculos. 
Porm Deus consegue extrair o bem do mal, e  este o valor 
positivo sofrimento. 
No comeo deste captulo, falamos da aparente tragdia na vida de 
Lois Mowday. Ao escutarmos a sua histria, no temos dvida de que 
Deus foi ao seu encontro na hora em que ela mais precisava. Como 
resultado, ela passou a compreender o significado e o propsito do 
sofrimento em sua vida. 
No restante deste livro, tentarei partilhar algumas dessas lies com 
voc. 















O  SALVADOR  QUE  SOFRE

Ele foi oprimido e humilhado, mas no abriu a boca; como cordeiro 
foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus 
tosquiadores, ele no abriu a boca. ISAAS 53:7

NINGUM NA HISTRIA sofreu mais do que Jesus Cristo. A 
culminncia do Seu sofrimento foi, na Cruz do Calvrio, o smbolo 
supremo do sofrimento, tanto fsico quanto espiritual.

O  Ponto  de  Vista  de  Deus

Ns, os humanos, enxergamos a vida do nosso ponto pessoal de 
tempo e espao, mas Deus nos enxerga do Seu trono celestial  luz da 
eternidade. Vemo-nos como auto-suficientes, vaidosos e independentes; 
Deus nos v como dependentes, egocntricos e cheios de auto-iluso. 
Nossa sabedoria mundana tornou-nos calejados e duros. Nossa sabedoria 
natural, segundo os ensinamentos da Escritura, no provm de Deus, mas 
 terrena, sensual e diablica. (Tiago 3:15) 
Existe uma diferena entre a sabedoria e o conhecimento. O temor a 
Deus  o comeo da sabedoria. Toda a verdade vem de Deus, quer seja 
cientfica, psicolgica, filosfica ou religiosa. A verdade na Bblia nos 
aponta a Cruz de Jesus Cristo.  ali que encontramos o perdo de nossos 
pecados e a soluo para os dilemas e problemas com que nos 
defrontamos, tanto em conjunto quanto individualmente. 
A sabedoria deste mundo, encorajada por Satans, faz pouco da 
Cruz. Disse o apstolo Paulo: "Pois a palavra da Cruz  uma estultice 
para os que perecem, mas para ns que somos salvos  o poder de Deus." 
(Corntios 1:18)  impossvel para o "homem natural" (aquele que no 
conhece Jesus Cristo como seu Salvador pessoal) compreender como 
Deus, na Sua graa e misericrdia, pode perdoar os pecadores e 
transformar vidas. Tambm  impossvel para o homem natural 
compreender como essas vidas modificadas podem afetar a sociedade. 
Os que tm a sabedoria mundana no compreendem os desgnios de 
Deus. A Bblia ensina que a Cruz  uma "ofensa" ou entrave para o 
descrente. (l Corntios 1:23) 
Quando estou na televiso ou numa reunio de qualquer tipo; posso 
pregar sobre praticamente qualquer assunto e a maioria das pessoas o 
aceitar. Posso falar da injustia social e do sofrimento humano e 
levantar fundos para os pobres, os refugiados ou pessoas aflitas. Mas 
proclamar Cristo crucificado  diferente. Embora a Cruz de Cristo seja o 
poder de Deus para a salvao, tambm  uma ofensa para o mundo  e 
sempre ser. Aqui existe uma tenso  embora a Cruz afaste, tambm 
atrai. Ela possui uma qualidade magntica. 
Faz algum tempo estive fazendo um trabalho missionrio na 
Universidade de Cambridge. Preguei sobre a Cruz e experimentei, como 
sempre acontece quando trato deste assunto, grande liberdade e ousadia 
de esprito. Alguns dos lideres estudantis vieram me procurar e pedir 
para eu repetir o sermo dali a duas noites. 
Orei para tomar a minha deciso e resolvi que faria um outro 
sermo, que inclua muita pregao sobre o sangue de Cristo. 
Novamente, senti uma tremenda liberdade de esprito e, nas duas 
ocasies, os resultados em vidas dedicadas, ao final do culto, foram dos 
maiores de toda a misso. O Esprito Santo toma a mensagem da Cruz e 
faz com que atinja o corao at das platias mais sofisticadas e 
acadmicas.  
O apstolo Paulo falou: "Pois a estultice de Deus  mais sbia que a 
sabedoria do homem, e a fraqueza de Deus  mais forte que a fortaleza 
do homem." (l Corntios 1:25)

O  Plano  de  Deus

Deus diz que no h esperana para o mundo  parte da cruz. 
Atravs dos sculos o mundo vem rejeitando o plano de redeno de 
Deus. Agora, por causa de rejeio e da rebelio do homem, ele 
permanece no limiar do que o ex-primeiro-ministro Macmillan chamou 
de "a extino da civilizao por si mesma" (ou Armagedom). 
Confuso e hesitante, o homem acha que pode salvar-se por meio de 
sua prpria sabedoria  que de alguma maneira ser capaz de escapar 
desta trilha que o precipita para a destruio. Deus avisa que esta 
pervertida sabedoria do homem o levar a julgamento. 

Glorificando  na  Cruz

A importncia da Cruz tem sido captada por alguns de nossos 
grandes autores de hinos. Numa colina sobranceira  baia de Macau, na 
China, colonos portugueses certa vez construram uma imponente 
catedral. Mas um tufo provou ser mais forte que o trabalho da mo do 
homem. Alguns sculos depois, da catedral s restavam as runas, exceto 
a muralha frontal. Bem no alto desta muralha, desafiando os elementos 
atravs dos anos, permanece uma grande cruz de bronze. 
Quando Sir John Bowring viu isto, em 1825, foi levado a escrever 
estas palavras agora to familiares para muitos: 
Na cruz de Cristo eu glorifico, 
Muito acima dos destroos do tempo 
Toda a luz da sagrada histria 
Reunida em torno de sua cabea sublime
Enquanto a Pscoa se aproxima, a cada ano, consideramos mais 
uma vez a importncia da morte de Cristo na cruz. Coros e congregaes 
atravs do mundo cantam: 
Quando observo a maravilhosa cruz, 
Na qual o Prncipe da Glria morreu, 
Meu ganho mais rico vira perda, 
E, pobre, eu desprezo todo o meu orgulho.
Isaac Watts
Quando Jesus ergueu Sua voz e gritou "Est acabado!", Ele no 
quis dizer que Sua vida estava refluindo ou que o plano de Deus tivesse 
sido derrotado. Embora a morte estivesse prxima, Ele notou que o 
obstculo final fora superado e que o ltimo inimigo tinha sido 
destrudo. Plena e triunfantemente, Ele completara a tarefa da redeno 
do homem. 
Atravs de Seu sofrimento e morte na cruz Ele havia removido a 
ltima barreira entre Deus e o homem. Com as palavras vitoriosas "Est 
acabado!" (Joo 19:30), Ele anunciou que a estrada que conduzia o 
homem a Deus estava terminada e aberta ao trfego. 
Pouco aps Jesus ter proferido aquelas palavras, Sua cabea pendeu 
sobre o peito. Um soldado romano se aproximou, enfiou uma lana em 
Seu flanco e saram sangue e gua. Os mdicos dizem que uma mistura 
de sangue e gua indica que Ele morreu de corao partido. Cristo sofreu 
no mais alto grau. Ele derramou at a ltima gota de Seu sangue para nos 
redimir. Ele no poupou a Si mesmo. Seu sofrimento na Cruz foi completo. 
Aqui estava o Filho de Deus morrendo numa cruz que fora feita para o 
mais desprezvel dos pecadores. O Seu foi o ato de substituio elevado ao 
mais alto grau. Jesus Cristo foi o Cordeiro de Deus que veio livrar-nos do 
pecado do mundo atravs de Seu voluntrio sofrimento e morte. 
Para muitos, a meno do sangue de Cristo  desagradvel. O 
orgulho deles fica ferido ao pensar que um preo desses teve que ser 
pago por sua maldade. Uma profunda reviravolta acontece dentro deles, 
quando mencionamos o sangue precioso de Cristo e o Seu supremo 
sacrifcio na cruz. Para o homem natural, como j ressaltamos, o 
sofrimento e a morte de Jesus foram "uma tolice". 
A mensagem do sangue, da cruz e o trabalho da redeno ainda so 
"uma tolice" para as pessoas que querem crer que o homem pode se 
salvar por sua prpria bondade. 

A  Dicotomia  do  Homem  e  Deus

O homem moderno est em conflito com a verdade de Deus. Deus 
fala de uma queda e de uma condenao, e a Sua palavra-chave  
"graa". O homem moderno fala da tcita bondade da alma, de suas 
aspiraes e boa vontade natural. 
A palavra-chave do homem  "obras". Deus fala dos abismos em 
que o homem caiu e da depravao do homem natural. O homem se 
vangloria de sua nobreza, seus ideais e seu progresso. 
Deus convoca os homens a crer em Cristo ou se perder. O homem 
diz que basta tentar ser como Cristo. O objetivo do homem  a imitao, 
no a redeno. 
Deus diz que Cristo  o Salvador do mundo. O homem diz que 
Cristo  apenas um grande exemplo. 
Lentamente nos afastamos da verdade bblica: "Sem derramamento 
de sangue no h remisso." (Hebreus 9:22) O homem moderno quer 
fazer da cruz um objeto sentimental, um berloque para ser usado ao redor 
do pescoo, um ornamento numa torre de igreja ou um emblema gravado 
a ouro nas nossas Bblias. Desenvolveu-se um certo interesse romntico 
pela histria da cruz. Porm, so o sofrimento e o sacrifcio de Cristo no 
Calvrio que simbolizam a total incapacidade do homem para salvar a si 
mesmo. A cruz como o smbolo supremo do sofrimento revela dois fatos 
bsicos, que no podem ser negados: a profundidade da depravao do 
homem e a imensido do amor de Deus. 
No posso entender a eficcia e o poder do sangue de Cristo. Existe 
a um elemento de mistrio que no pode ser compreendido com nossas 
mentes naturais. Porm, eu sei que todos aqueles que testam o seu poder 
pela f descobrem que ele pode mudar maravilhosamente a vida deles, 
ergu-los a um plano mais elevado de vida e trazer a satisfao e a 
realizao que vinham buscando. 
O apstolo Pedro disse que os cristos so "eleitos segundo a 
prescincia de Deus Pai, na santificao do Esprito, para a obedincia e 
para a asperso do sangue de Jesus Cristo". (l Pedro 1:2) Pedro encara as 
provaes da f como essencialmente produtivas na vida crist. Para 
ilustrar este ponto, refere-se  prtica comum de sujeitar o ouro a um 
calor to intenso que a sua forma inicial  destruda. Ao remodel-lo, 
contudo, as impurezas tambm pereceram nas chamas. Provaes e 
dificuldades podem assaltar a vida de um crente, mas tm tambm a 
capacidade de remodelar o seu carter e banir da sua vida as impurezas 
que podem prejudicar o crescimento e o servio. 
Um colega meu formou-se em qumica, enquanto eu me formei em 
antropologia. Nas suas aulas de qumica, ele aprendeu como os cidos 
agem nas diferentes substncias. Durante uma experincia, o professor 
deu  classe um pouco de ouro e mandou que o dissolvessem. Eles o 
deixaram a noite toda no cido mais forte que tinham  mo. Ele no se 
dissolveu. Depois tentaram diversas combinaes de cido. Tudo em 
vo. Finalmente, disseram ao professor que achavam que o ouro no 
podia ser dissolvido. Ele sorriu. 
 Eu sabia que vocs no podiam dissolver o ouro. Nenhum dos 
cidos que vocs tm o afetar, mas experimentem isto aqui. 
Com estas palavras, entregou-lhes um recipiente com um cido 
especial. Eles derramaram um pouco do seu contedo no tubo que 
continha o pedao de ouro. E este, que tinha resistido a todos os outros 
cidos, desapareceu rapidamente na gua-rgia. O ouro finalmente 
encontrara o seu senhor. 
No dia seguinte, na sala de aula, o professor perguntou: 
 Sabem por que aquele cido  chamado de "gua-rgia"?
 Sim  replicaram eles.   porque ele  o senhor do ouro, uma 
substncia que pode resistir a quase tudo que se derrame sobre ela.
A seguir, o mestre falou:
 Rapazes, deixem que eu lhes diga que existe uma outra substncia 
to impenetrvel quanto o ouro. No pode ser tocada ou modificada, 
embora uma centena de tentativas sejam feitas com esse fim. Esta 
substncia  o corao pecador. Provaes, aflies, riquezas, honrarias, 
priso ou punio no o suavizaro nem o dominaro. A educao e a 
cultura no o dissolvero nem o purificaro. S existe um elemento que 
tem poder sobre o pecado do corao humano: o sangue de Cristo, o 
Salvador da alma.
O sangue de Cristo  mencionado repetidas vezes no Novo 
Testamento. Pedro pregou sobre ele, Paulo escreveu a seu respeito e os 
redimidos nos cus cantam sobre ele. Num certo sentido, o Novo 
Testamento  o Livro do Sangue. 
Em Levtico 17:11, diz a Escritura: "Porque a vida da carne est no 
sangue. Eu vo-lo dei sobre o altar, para fazer expiao pela vossa alma; 
porquanto  o sangue que faz expiao em virtude da vida." Deus 
ensinou a Seu povo, desde o comeo, que podia ser alcanado somente 
pelo derramamento de sangue. O sangue  feio e repulsivo. No entanto, o 
sangue simboliza a privao da vida. Todos os animais sacrificados na 
poca do Antigo Testamento eram apenas modelos e smbolos. 
Esperavam o dia em que o Cordeiro sacrificado no comeo do mundo 
apareceria na pessoa de Jesus Cristo, que seria Ele mesmo morto na cruz 
e derramaria o Seu sangue para o perdo dos pecados. 
Sabemos que cerca de 400 mil americanos por ano sofrem um ataque 
de corao. Na realidade, no  um ataque de corao,  um ataque 
sangneo.  o sangue que coagula, no conseguindo chegar ao corao, ao 
crebro, aos pulmes ou aos rins. Ou talvez seja um cogulo de sangue que 
escapa. Tudo tem a ver com o sangue. Sem o fluxo adequado de sangue, 
ns morremos. Desse modo, o sangue representa a vida. 
Deus falou que, como resultado de nossa rebelio e pecado, o 
homem deve morrer. Jesus Cristo tornou-se o nosso substituto. Sofreu a 
nossa morte na cruz. Cada vez que vamos  igreja e recebemos (ou 
vemos os outros receberem) o po e o vinho na Comunho, lembramo-
nos do sangue que foi derramado na cruz. Quando Jesus deu o vinho a 
Seus discpulos na ltima Ceia, Ele falou: "Este  o meu sangue, o 
sangue da aliana, que  derramado por muitos para remisso dos 
pecados." (Mateus 26:28) Aquele sangue  essencial e indispensvel para 
a nossa salvao. Sem a marca dele sobre ns, somos indignos de vir  
presena do Deus santo e justo. 
Nas pginas seguintes, examinaremos quatro das muitas passagens 
das Escrituras que revelam o que o sangue de Cristo pode fazer por ns 
hoje: Romanos 5:9, Hebreus 9:14, 1 Pedro 1:18,19, Mateus 26:28.

Inocentados  da  Culpa  do  Pecado

Primeiro o sangue de Cristo nos justifica e salva. "Ora muito mais, 
sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." 
(Romanos 5:9) A palavra justificar vem do latim justificare, que 
significa considerar justo, livrar de culpa ou inocentar. 
A palavra justificao quer dizer "como se voc nunca tivesse 
pecado". Significa muito mais do que perdo. Voc e eu no podemos 
justificar a quem nos fez mal. Podemos apenas perdo-lo. S Deus pode 
justificar. 
Quando Cristo foi pregado na cruz, esta era para um criminoso 
notrio chamado Barrabs. H muito, ele temia este dia, pois era o dia da 
sua execuo. Porm, quando as autoridades vieram  sua cela, 
trouxeram-lhe boas novas. Disseram: 
 Barrabs, s um homem de sorte. Jesus de Nazar vai morrer no 
teu lugar. Temos ordens para te libertar.
O criminoso foi libertado. Foi absolvido de todas as acusaes. Foi 
salvo da morte que merecia. 
Este criminoso era tpico da raa humana: rebelde, mpio e sem 
corao. Porm, foi salvo pela morte de Cristo. Isso teria sido 
maravilhoso, mesmo que Barrabs tivesse sido o nico a ser salvo. Mas a 
Bblia diz: "Como fomos agora justificados por seu sangue, seremos 
salvos da ira de Deus atravs dEle" (Romanos 5:9) 
Um velho pregador da Inglaterra, que passara a juventude nas 
pradarias americanas, dedicava-se ao evangelismo nas ruas de pequenas 
cidades e aldeias. Atraa a sua platia contando histrias do Velho Oeste, 
descrevendo como os ndios salvavam as suas tendas dos incndios nas 
pradarias tocando fogo na grama seca junto ao povoado deles. 
 O fogo no pode ir, explicava ele, aonde o fogo j esteve.  por 
isso que os chamo para a cruz de Cristo.  Continuava a sua analogia 
explicando:  A hora do juzo j aconteceu e no pode voltar de novo! 
Aquele que se coloca diante da Cruz  salvo para todo o sempre. 
Jamais poder ser condenado, pois est onde o fogo j esteve. A pessoa 
salva est na zona de segurana de Deus, purificada pelo sangue de 
Cristo. 

Conscincias  Purificadas  e  Vidas  Modificadas

Segundo, o sangue de Cristo purifica as nossas conscincias. 
"Quanto mais, ento, o sangue de Cristo, que atravs do Esprito eterno 
se ofereceu imaculado a Deus, purificar as nossas conscincias de atos 
que levam  morte, para que possamos servir ao Deus vivo?" (Hebreus 
9:14) 
Cada um de ns tem uma conscincia que serve de juiz para cada 
um de nossos pensamentos, palavras e atos. Ela fala com uma voz 
silenciosa, acusando ou desculpando, condenando ou absolvendo. Pode 
ser sensvel, crua, subdesenvolvida ou distorcida, dependendo do uso ou 
abuso que fizermos dela. 
A conscincia humana  conspurcada pelo pecado, diz a Bblia. 
Depois de uma transgresso, todos ns sentimos culpa. Conhecemos bem 
o tormento do corao, a auto-recriminao que a conscincia pode 
causar, o sofrimento interno que pode advir com o afastamento de Deus. 
O efeito do pecado pode ser apagado do corpo, mas deixa uma cicatriz 
permanente na conscincia. Nossas conscincias esto marcadas e 
conspurcadas pelo pecado. 
A conscincia do homem muitas vezes fica fora do alcance de um 
psiquiatra. Com todas as suas tcnicas psicolgicas, ele no pode sondar 
a sua depravao e profundidade. O homem  impotente para se apartar 
da culpa que corri um corao oprimido pela culpa do pecado. Porm, 
onde o homem falhou, Deus teve xito. A Bblia diz que o sangue de 
Cristo tem o poder de purificar a conscincia das obras mortas para 
servir ao Deus vivo. Isto no  mera teoria. A experincia crist a 
comprova. 
De uma conscincia limpa nasce uma vida modificada. O alcolatra 
consegue erguer a cabea com nova honra, dignidade e autocontrole. A 
prostituta transforma-se numa esposa modesta e me amorosa. Quando 
um delinqente juvenil encontra a paz de Cristo, entrega as suas energias 
a servio de Deus. Se um empresrio corrupto descobre a Palavra de 
Deus, suas transaes passam a ser honestas e integras. O sangue de 
Cristo limpou as suas conscincias das obras mortas.

Redimido  Pelo  Sangue

Terceiro, somos redimidos pelo sangue de Cristo. A Bblia diz: 
"Sabendo vs que fostes resgatados das vossas prticas vs, que por 
tradio recebestes de vossos pais, no por coisas corruptveis, como o 
ouro ou a prata, mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um 
cordeiro sem defeito e imaculado." (l Pedro 1: 18,19) A palavra resgatar 
quer dizer "comprar de volta", recuperar mediante um preo. No apenas 
o primeiro homem, mas todo o homem desde ento, caiu na armadilha de 
pecado de Satans. Foi preciso recuperar, salvar e trazer de volta o 
homem. 
A palavra resgatado pode ser ilustrada pela posio de um escravo 
que foi capturado ou coagido a servir algum que no era o seu amo 
legal, mas cujo amo real, decidido a recuperar o amor e os servios do 
escravo, compra-o de volta mediante um alto preo. Foi isso o que Deus 
fez por ns. 
Capturada por Satans e coagida a servi-lo, a humanidade, em sua 
desobedincia e infidelidade, no deixou Deus desanimado nem 
diminuiu o amor dEle por ns. Em vez disso, na cruz, Ele pagou um 
preo por nossa libertao, um preo inimaginavelmente maior do que 
nosso valor real. Ele agiu assim porque nos amava. Fomos resgatados, 
recuperados, salvos, no com coisas corruptveis como o ouro ou a prata, 
mas pelo sangue precioso de Cristo. (1 Pedro 1:18,19)  
Certa vez, uma me salvou a sua filhinha de uma casa em chamas, 
mas sofreu queimaduras graves nas mos e braos. Quando a menina 
cresceu, sem saber como os braos da me tinham ficado daquele jeito, 
sentia vergonha das mos marcadas e cheias de cicatrizes e insistia para 
que a me usasse sempre luvas compridas para cobrir aquele fealdade. 
Porm, certo dia, a filha perguntou  me como seus braos tinham 
ficado to marcados. Pela primeira vez, a me contou-lhe a histria de 
como lhe salvara a vida com aquelas mos. A filha derramou lgrimas de 
gratido e disse: 
 Ah, mame, que mos lindas, as mais lindas do mundo. No as 
esconda nunca mais! 
O sangue de Cristo pode parecer um tpico sombrio e repulsivo 
para os que no se do conta de sua verdadeira importncia, mas, para os 
que aceitaram a Sua redeno e foram libertados da escravido do 
pecado, o sangue de Cristo  precioso. O escravo liberto jamais se 
esquece do alto preo da sua liberdade. 
J viu algum recebendo transfuso de sangue? O sangue era 
precioso, vital e, sem dvida, no era repulsivo. 
O sangue de Cristo comprou a igreja  ou seja, toda a companhia 
daqueles que confiam nEle para a salvao. "Cristo amou a igreja e por 
ela se entregou a si mesmo." (Efsios 5:25) 
Quando Cristo nos comprou, fez de ns um povo marcado. Sobre 
cada corao que abraa o sangue de Cristo, Deus coloca uma marca 
invisvel como smbolo de sua redeno. 
J carimbaram a mo para entrar num parque de diverses ou num 
evento esportivo? A marca em si no aparece, exceto quando se joga 
nela um determinado tipo de luz. A luz de Deus, da mesma forma, brilha 
sobre nossos coraes para determinar quem faz parte da verdadeira 
igreja de Cristo. Independentemente de cor, raa ou nacionalidade, 
aqueles que so marcados com o sangue so distinguidos como aqueles 
que confiaram em Cristo, e s nEle, para a sua salvao. 
Deus, hoje em dia,  o mesmo que era antigamente. Quando os 
israelitas sofriam cruelmente como escravos no Egito, Deus libertou-os 
de sua escravido. Na vspera da libertao, todo chefe de famlia 
israelita teve ordem de matar um cordeiro e aspergir o batente da porta 
com o seu sangue. Este era o sinal para que os anjos da destruio 
respeitassem a casa. Deus falou: "Quando eu vir o sangue, passarei por 
vs, no haver entre vs praga para vos destruir, quando eu ferir a terra 
do Egito." (xodo 12:13) 
Conta a lenda que, na noite do xodo, um garoto judeu, primognito 
de uma famlia, estava to preocupado, no seu leito de enfermo, que no 
conseguia dormir. 
 Pai  perguntou, ansioso  , tem certeza de que o sangue est l?
O pai respondeu que ordenara que ele fosse aspergido no lintel. Mas 
o garoto s ficou satisfeito quando o pai o tomou nos braos e o levou 
at a porta para ver com seus prprios olhos. Mas o sangue no estava l! 
A ordem no fora cumprida! Antes da meia-noite, o pai se apressou a 
botar na porta o smbolo sagrado da proteo. 
O sangue do cordeiro aplicado sobre o batente da porta, na noite da 
libertao de Israel do Egito, distinguiu os obedientes dos desobedientes. 
Assim como hoje em dia o sangue aplicado do Cordeiro de Deus  a 
marca diferenciada dos evocados por Deus, a igreja. 
Charles Haddon Spurgeon comentou sobre xodo 12:13: Deus "no 
diz quando vires o sangue" passarei por ti, "mas quando eu o vir".1 
Quando olho para Jesus, sinto alegria e paz, mas, quando Deus olha para 
Jesus,  que a minha salvao est assegurada. 
Cristo, nosso cordeiro pascal, foi sacrificado por ns (1 Corntios 
5:7). Sofreu supremamente na cruz em nosso lugar. Da mesma forma 
que a morte chegou para todos os lares do Egito, naquela noite terrvel, 
assim a morte est em toda as almas que no estiverem aspergidas pelo 
sangue de Cristo. 

Atrao  Universal

Quarto, o sangue de Cristo foi derramado por todos. Quando Jesus 
serviu a ltima ceia para Seus discpulos, pegou o clice de vinho e 
disse: "Este  o meu sangue para a nova aliana, que  derramado por 
muitos para o perdo dos pecados." (Mateus 26:28) Muitas das religies 
do mundo tm atrao para uma determinada raa ou nacionalidade. 
Uma religio atrai principalmente o mundo rabe. Outra atrai 
principalmente a mente hindu. Ainda uma outra se inclina para a 
filosofia oriental. 
Mas a mensagem da Cruz significa boas novas para toda a 
humanidade, para todos que a aceitarem. Ao assestar os povos de toda as 
raas para Cristo, clamamos como Joo Batista: "Eis o cordeiro de Deus, 
que tira o pecado do mundo!" (Joo 1:29) Falando de Sua crucificao, o 
prprio Jesus disse: "Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos os 
homens para mim mesmo." (Joo 12:32) Por "todos os homens", Ele no 
queria se referir a todos os homens sem exceo, pois existem muitos 
que se recusam a ser atrados por Ele. O que Ele queria dizer era todos os 
homens sem distino, quer fosse de classe ou cor ou outra coisa 
qualquer. O Seu convite para o amor  para os judeus e os gentios, 
igualmente. 
A atrao da cruz de Cristo  universal. Conheci gente de toda raa 
e origem que confiou nos mritos de Jesus Cristo e de Seu sangue 
derramado para a sua salvao. A atrao da cruz alcana os antros de 
pio do oriente, salvando e redimindo os homens de um inferno em vida. 
Toca os coraes dos favelados e donos de coberturas. Penetra nas 
manses da elite, onde homens e mulheres vivem no luxo, trazendo uma 
paz e uma alegria que o dinheiro no pode comprar. Transforma o 
caador de cabeas num salvador de almas. D aos homens de todas as 
naes uma vida dinmica e cheia de propsito. 
Quando um financista famoso faleceu, h alguns anos, descobriu-se 
que, no ano anterior  sua morte, ele fizera o seu testamento, que 
consistia em umas dez mil palavras e 37 clusulas. A clusula mais 
importante no seu testamento era a sua prioridade na vida. Disse ele: 
"Entrego a minha alma nas mos do meu Salvador, cheio de confiana 
em que, tendo me redimido e lavado com o Seu precioso sangue, Ele me 
apresentar impecvel diante do trono de meu Pai celeste. Roga a meus 
filhos que mantenham e defendam, diante de qualquer perigo e a todo o 
custo pessoal, a abenoada doutrina da completa expiao do pecado 
atravs do sangue de Jesus Cristo que foi oferecido, e to-somente 
atravs dEle." 
Este homem sabia que a sua imensa fortuna era to impotente 
quanto a pobreza do mendigo para lhe dar a salvao. Neste aspecto, ele 
era to dependente quanto o ladro que agonizou no Calvrio, 
dependente da misericrdia de Deus e do sangue derramado de Cristo, 
assim como todos ns somos, no importa qual seja a nossa situao na 
vida.

Cristo  Crucificado    um  Exemplo  de  Sofrimento

O Novo Testamento, enquanto insiste em que o verdadeiro 
propsito do sofrimento de Jesus foi livrar-nos de nossos pecados, 
tambm nos mostra que o sofrimento do Salvador  um modelo para que 
ns, como Seu povo crente, devemos suportar os nossos sofrimentos. 
Assim o apstolo Pedro, ao se dirigir aos escravos cristos, exortou-
os a suportar submissamente seus padecimentos, embora nada tivessem 
feito de errado: "Para isto fostes chamados, porquanto tambm Cristo 
padeceu por vs, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. 
Ele no cometeu pecado, nem tampouco foi achado engano na sua boca; 
sendo injuriado, no injuriava, padecendo, no ameaava, mas 
entregava-se quele que julga justamente." (l Pedro 2:21-23) 
Cristo deixou-nos um exemplo. A palavra grega usada para 
exemplo  derivada da vida estudantil e refere-se a um padro de escrita 
a ser copiada pelas crianas que esto aprendendo a escrever. Cristo  
nosso caderno de caligrafia. Olhamos para Ele e aprendemos como se 
deve suportar o sofrimento. 
Na passagem, o apstolo chama a ateno para quatro coisas sobre 
o sofrimento do Salvador. Primeiro, a Sua vida santa: "No cometeu 
nenhum pecado"; segundo, Sua fala sincera: "nenhuma mentira foi 
encontrada em sua boca"; terceiro, Seu esprito paciente: "sendo 
injuriado, no injuriava, padecendo, no ameaava"; e quarto, a Sua f 
implcita: "entregava-se quele que julga justamente." 
O autor da Epstola aos Hebreus tambm exorta seus leitores, que 
estavam sendo perseguidos por sua f, a recordar o exemplo de 
sofrimento de Cristo. Escreve ele: "Fixemos nossos olhos em Jesus, o 
autor e aperfeioador de nossa f, que, em troca da alegria que lhe estava 
sendo proposta, suportou a cruz e sua ignomnia e est sentado  direita 
do trono de Deus." Depois, acrescenta: "Considerai, pois, aquele que 
suportou tanta oposio dos pecadores, para que no vos canseis nem 
desanimeis." (Hebreus 12:23) 
Sim, considere-o. Nos nossos padecimentos e tribulaes, o prprio 
Jesus deve ser a nossa principal considerao. Devemos fixar os olhos 
nEle. Ele, que sofreu por ns, mostra-nos como devemos suportar nossos 
sofrimentos. 
Os homens e mulheres fizeram da cruz, levianamente, uma jia, um 
objeto de adorno, mas, para Deus, ela foi o supremo sacrifcio que teve 
que fazer por causa da desobedincia do homem. Assim como o 
sofrimento entrou no mundo por causa da desobedincia de um homem 
(Ado), tambm o alvio desse sofrimento veio atravs da obedincia de 
um Homem (Cristo). 
Como escreveu Paulo, em Romanos 5:19: "Assim como pela 
desobedincia de um s homem foram todos constitudos pecadores, 
assim tambm pela obedincia de um s todos sero constitudos justos." 
O poder do pecado foi rompido pelo sacrifcio de Cristo no 
Calvrio, e completamente derrotado por Sua ressurreio vitoriosa na 
manh de domingo que, hoje, chamamos de Pscoa.  por isso que 
podemos cantar junto com o autor do hino: 
Na cruz de Cristo eu me glorifico! 
























POR  QUE  OS  CRISTOS  NO  ESTO  ISENTOS?

Depois, papai teve febre reumtica... Durante os dez ltimos anos 
de sua vida, s no sentiu dor quando dormia. Creio que sua 
atitude com relao ao sofrimento deu credibilidade ao seu 
testemunho cristo.1 ALLAN EMERY

A TENDNCIA DOS HOMENS  se perguntar por que a pessoa 
que ama Deus e tenta viver uma vida crist exemplar tem que sofrer 
fsica, psicologicamente ou de outra forma qualquer durante a sua 
passagem pela terra. 
Desde o princpio o sofrimento dos crentes vem confundindo judeus 
e cristos. J  o exemplo clssico de um crente sofredor. Houve um 
motivo extremamente importante para o seu sofrimento. Mas J no 
sabia disso, enquanto passava por sua provao. J nem ao menos tinha 
o Livro de J para confort-lo, como ns temos! Daniel foi posto no 
covil do leo; Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram amarrados e 
lanados numa fornalha; Jos foi aprisionado; Moiss teve que fugir do 
Egito e viver longe de tudo o que conhecia h quarenta anos. 
O motivo para todas essas coisas no era conhecido na poca. Tinha 
que ser visto em retrospecto. Nenhum de ns saber o motivo total do 
sofrimento dos fiis antes de chegarmos ao cu. 
Se os crentes que nos antecederam no foram isentos, por que ns o 
seramos? 
A citao que abre este captulo foi retirada de um livro de um 
amigo de longa data, Allan Emery Jr. Ele  um homem dotado de rara 
percepo individual, juntamente com um grande senso de humor. A sua 
agudeza espiritual , em grande parte, resultante de sua herana familiar. 
Seus pais eram cristos serenos e corajosos, que partilhavam e viviam a 
sua f abertamente diante dos filhos. No seu livro, Allan reconhece a 
importncia de ambos na sua formao espiritual.  interessante notar 
que, assim como muitos cristos, os pais dele sofreram muito na velhice, 
e ambos testemunharam por Cristo sem se queixar, gloriosa e fielmente, 
durante os seus padecimentos fsicos, como Allan narra com profunda 
afeio.

Porta-Vozes  de  Deus

O apstolo Pedro escreveu muito sobre os cristos sofredores. 
Sabia, assim como a maioria dos primeiros seguidores de Jesus, o que 
era sofrer por uma f. A tradio nos conta que ele morreu pendurado de 
cabea para baixo numa cruz romana, porque no se achava digno de 
morrer da mesma forma que seu mestre. Pedro sofreu de muitas outras 
formas, tanto fsicas quanto mentais, durante o seu percurso com o 
Senhor, mas em todos os seus escritos o valor positivo do sofrimento  
enfatizado. Ao desenvolver este assunto, faz eco s palavras do Salvador 
registradas no Evangelho, e dos outros discpulos. 
Como deve ter sofrido Maria, a mais abenoada das mulheres, e 
me de Jesus? Imagine os insultos dos amigos que achavam que ela era 
imoral. Ou, anos depois, os seus padecimentos durante a humilhao de 
Jesus, culminando na cruz. Junto ao p da cruz, viu o Filho morrer de 
uma das maneiras mais dolorosas e vergonhosas que o homem jamais 
inventou. Aos olhos do povo ao seu redor, Ele era um criminoso comum. 
Ouviu as vaias. Viu o soldado enfiar a lana em Seu flanco. 
No entanto, ela acreditou em Deus. No podia esquecer a visita do 
anjo que lhe dissera: "Salve! altamente favorecida, o Senhor  contigo... 
No temas, Maria; pois achaste graa diante de Deus. Concebers no teu 
ventre, e dars  luz um filho, a quem chamars Jesus. Este ser grande e 
ser chamado Filho do Altssimo; o Senhor Deus lhe dar o trono de seu 
pai Davi, e ele reinar eternamente sobre a casa de Jac, e o seu reino 
no ter fim." (Lucas 1:28-33) 
Ao testemunhar a tragdia aparente da crucificao, Maria deve ter-
se perguntado: "Ser que me enganei? Tive uma falsa viso?  verdade 
que Ele  o Rei que reinar para sempre?" 
Sendo humana, ela deve ter questionado o passado  luz do 
sofrimento incrvel do presente por parte de quem tanto amava. Na 
poca, ela era incapaz de perceber inteiramente que esta era a realizao 
da profecia. Para que a raa humana tivesse alguma possibilidade de 
reconciliao com Deus, o Filho dela tinha que morrer exatamente 
daquela forma. como haviam previsto os profetas.

Os  Cristos  Sofrem  Porque  So  Humanos

Podemos enxergar, aqui e ali, na Santa Escritura, o porqu dos fiis 
no estarem isentos do sofrimento. Vemos tambm alguns motivos bem 
definidos. 
Primeiro, os cristos sofrem porque so humanos. O fato de sermos 
cristos no quer dizer que estejamos isentos de doenas, padecimentos, 
desastres naturais, tragdias, e, por fim, da morte. Naturalmente, 
ouvimos falar de cristos que foram milagrosamente salvos ou curados. 
Da mesma forma, ouvimos falar de outros que passam pelo fogo dos 
padecimentos, como, por exemplo, o "espinho na carne" de Paulo. 
Porm, nem tudo  mistrio. Ouvimos o Senhor dizer a Paulo: "Existe um 
motivo para este espinho na carne.  para no seres exaltado alm da conta. 
Mas vers que Minha graa  suficiente para permitir que tu o suportes." 
Alguns anos atrs, realizei um servio fnebre em memria 
daqueles que tinham morrido em furaces que quase destruram uma 
cidade texana. Cristos morreram e foram feridos, do mesmo modo que 
os no cristos. 
Dessa forma, os cristos no esto isentos de desastres problemas e 
doenas. Tais coisas so imanentes  humanidade e estamos envolvidos 
nelas porque partilhamos da experincia humana, assim como Cristo o fez.

Muitas  Vezes  os  Cristos  Sofrem  Porque  Merecem

Segundo, os cristos no esto isentos do sofrimento quando pecam 
e desobedecem a Deus. Se um cristo conta uma mentira, perde a 
pacincia ou comete algum tipo de pecado, ele sofrer o castigo ou 
"juzo" de Deus (ver I Cor. 11:28-32 e Pedro 4:17-19). Assim como uma 
criana necessita ser corrigida, os filhos de Deus precisam ser corrigidos. 
A Santa Escritura diz: "Filho meu, no menosprezes a correo do 
Senhor, nem te desanimes, quando por ele s repreendido; pois o Senhor 
castiga ao que ama, e aoita a todo filho que recebe.  para a disciplina 
que sofreis (Deus vos trata como a filhos); pois qual o filho a quem no 
corrige seu pai? (...) Toda correo ao presente, na verdade, no parece 
ser de gozo, mas de tristeza; depois, porm, d fruto pacfico de justia 
aos que por ela tm sido exercitados." (Hebreus 12:5-11) 
Se, atravs do descuido e da indiferena, ns ignoramos as leis do 
trnsito, merecemos ser presos e punidos como qualquer um. Se no 
formos amorosos e fiis na nossa vida crist, pagaremos por isso com 
uma conscincia culpada ou castigo de Deus. 
Um cristo tem responsabilidades tremendas para com a sua 
famlia. Ele ou ela tem responsabilidades de amar a cada membro da 
famlia. Maridos e mulheres devem amar-se e submeter-se um ao outro. 
Devemos treinar nossos filhos no caminho que devem seguir. Se 
negligenciarmos tais responsabilidades, sofreremos as conseqncias - 
talvez no imediatamente, porm mais tarde. 
Conheo um lder cristo. H anos que trata mal a mulher, o que 
terminou fazendo com que ela chegasse a um estado de esgotamento 
fsico e mental completo. Agora est enamorado de sua secretria. Quer 
continuar sendo um lder cristo na comunidade, mas dois proveitos no 
cabem num saco s. Est travando uma batalha terrvel dentro da prpria 
alma. O sorriso deixou-lhe o rosto, a alegria deixou-lhe o corao. A sua 
situao agora  to evidente que outros cristos, conhecendo as 
circunstncias, no apenas esto rezando por ele, mas, infelizmente, 
tambm esto revelando o seu pecado. O sofrimento dele  quase 
insuportvel  tudo por causa do seu pecado  mas, at agora, ainda no 
se arrependeu. 

No  Existe  Abrigo  Contra  a  Precipitao  Radioativa

Terceiro, no existe um "abrigo contra a precipitao radioativa" 
cristo. Os cristos no esto isentos do sofrimento porque, se 
estivessem, os no-cristos viriam correndo para a porta da igreja como 
se ela fosse um abrigo contra a precipitao radioativa. Infelizmente, nos 
ltimos anos, vimos pessoas que abraaram o cristianismo, 
especialmente nos Estados Unidos, porque parecia ser a nica coisa 
inteligente a fazer. 
A popularidade do cristianismo cresceu nos Estados Unidos e em 
outros pases, nos ltimos anos. Muitos no-cristos acham que, por 
motivos comerciais ou polticos, deviam pertencer  igreja e fazer uma 
profisso de f que no est de acordo com a vida que levam. 
Conseqentemente, a igreja na Amrica est profundamente infiltrada 
pelo "mundo", e, dessa forma, est comeando a assemelhar-se ao 
mundo em muitas de suas atividades. 
Assim como na poca de Cristo, existem hipcritas na igreja  at 
mesmo no plpito ou lecionando em escolas e seminrios protestantes. 
Jesus disse: "Ai de vs (...) hipcritas! porque fechais a porta do reino 
dos cus; pois nem vs entrais, nem deixais entrar os que esto 
entrando." (Mateus 23:13) Muitos cristos que professam Cristo no 
vivem como se O possussem. 
Todavia, como podemos estar prximos dos acontecimentos que 
levam aos "ltimos dias", o verdadeiro e o falso comearo a se separar. 
Quando o sofrimento e a perseguio carem sobre ns, haver uma 
diferena. Sem dvida, quando todos estivermos frente ao trono de 
julgamento de Cristo, os nossos verdadeiros motivos sero revelados.

Deus  Usa  o  Sofrimento  e  as  Provaes  Para  nos  Disciplinar

Quatro, Deus usa o sofrimento e as provaes para nos disciplinar. 
Jesus disse, em Apocalipse 3:19: "A quantos eu amo repreendo e 
castigo." Nossa vida crist, para nos tornarmos aquilo que Deus quer que 
sejamos, tem que ser de f e sofrimento. Deus tem o Seu plano divino 
para moldar nossas vidas e esse plano muitas vezes inclui o sofrimento. 
O fogo do castigo purifica nossas vidas e aprofunda nosso esprito. Se o 
Salvador alcanou "a perfeio pelos sofrimentos" (Hebreus 2:10), como 
podemos esperar fugir? 
Voc j pensou que o ao  ferro mais fogo, que o solo  rocha mais 
a fora da corroso do tempo e que o linho  fibra mais o pente que 
separa e o mangual que soca e o tear que tece? 
Quando falo em sofrimento, que inclui todos os elementos de dor e 
angstia conhecidos do homem, no apenas dor fsica, no sou diferente 
de vocs. Gostaria de levar uma vida livre de problemas, livre de dores, 
livre de severa disciplina pessoal, mas tive tantas presses na minha vida 
que houve horas em que tambm tive vontade de "sumir"  ou estive 
tentado a pedir ao Senhor que me levasse para o cu. 
Como escreveu C.S. Lewis, em The Problem of Pain (pg. 93): 
"Vocs querem saber como me comporto quando sinto dor, no apenas 
quando estou escrevendo a respeito. Pois no precisam adivinhar, eu 
mesmo vou contar: sou um grande covarde... Mas, de que vale falar-lhes 
de meus sentimentos? Vocs j os conhecem, pois so os mesmos que os 
seus. No estou discutindo que a dor no seja dolorosa. A dor di."2 
Se Deus nos ama tanto, por que permite coisas como o cncer, 
tumores, ou inmeras molstias e doenas? 
Enquanto rescrevia este captulo, soube que a mulher de um amigo 
meu na Austrlia est com um tumor maligno no crebro. Soube tambm 
que a mulher de um de meus amigos mais queridos, um conhecido 
evangelista, est com cncer. 
Muitas vezes somos tentados a perguntar: por qu? 
Recentemente, ouvimos falar de bandidos que estupraram uma 
missionria, depois de matarem seu marido no jardim de sua casa. Ela 
ficou dois dias trancada na casa com as crianas, temendo a volta dos 
bandidos. S ento teve coragem de ir l fora para enterrar o marido. 
Quando minha mulher ouviu esta histria, ficou profundamente 
perturbada durante trs dias. Estudou a Santa Escritura. Perguntou a si 
mesma: "Senhor, onde estavam as promessas?" Ento, chegou a Hebreus 
11, onde h uma lista de grandes heris da f. Muitos deles foram 
gloriosa e maravilhosamente salvos por causa de sua f. 
Havia pessoas "que pela f venceram reinos, praticaram justia, 
alcanaram as promessas, taparam as bocas dos lees, extinguiram a 
violncia do fogo, evitaram o fio da espada, de fracos tornaram-se fortes, 
fizeram-se poderosos na guerra, puseram em fuga os exrcitos 
estrangeiros. As mulheres receberam pela ressurreio os seus mortos." 
(Hebreus 11:33-35) 
Mas espere. Ser que todos aqueles fiis de antanho escaparam s 
provaes? No. No meio do 35 versculo, ocorre uma mudana 
dramtica e drstica. Diz ele: "Uns foram torturados, no aceitando o seu 
livramento para melhor ressurreio, e outros experimentaram escrnios, 
aoites e ainda grilhes e priso; eles foram apedrejados, provados, 
serrados pelo meio, mortos ao fio da espada; eles andaram errantes, 
vestidos de peles de ovelhas e cabras, necessitados, aflitos, maltratados, 
uns homens (de quem o mundo no era digno) errantes nos desertos, nos 
montes, nas covas e nas cavernas da terra." (vv. 35.38, o grifo  meu) 
Alguns foram salvos, outros no foram salvos, segundo a "vontade e o 
plano de Deus". Temos aqui a Sociedade Divina da "Medalha de Ouro". 
Por que esses outros no foram salvos? Os dois ltimos versculos de 
Hebreus explicam: "Todos estes, tendo alcanado bom testemunho pela sua 
f, contudo no alcanaram a promessa, tendo Deus provido alguma coisa 
melhor no tocante a ns, para que eles, sem ns, no fossem aperfeioados 
(ou seja, antes que pudssemos nos reunir a eles)." (vv. 39,40) Em outras 
palavras, a Escritura diz que Deus tem algo melhor para eles. A Santa 
Escritura indica que as recompensas deles podero at ser maiores na vida 
futura, pois, na poca em que sofreram, ainda no havia nenhuma promessa 
para recompens-los. Acreditaram e confiaram mesmo sem terem sido 
salvos. Temos que nos dar conta de que, quando Deus permite que tais 
coisas aconteam, existe um motivo que acabara sendo do conhecimento do 
indivduo  mais provavelmente s quando formos para o cu. 

Vantagem  da  Disciplina

Quinto, h uma vantagem a se tirar da disciplina. Como j vimos, 
J passou por todos os testes que Satans pde inventar, com a 
permisso de Deus. Como resultado, J saiu da prova de fogo "como o 
ouro", sem nenhuma impureza, apenas com o que havia de mais puro no 
metal. Pode ser difcil entender por que precisamos nos testar, mas no 
podemos esquecer que o teste vai nos refinar e purificar. O apstolo 
Pedro explica a seus leitores o motivo para suas provaes e 
perseguies: "Para que a prova de vossa f, mais preciosa que o ouro 
que perece, mesmo quando provado pelo fogo, seja achada para louvor, 
glria e honra na revelao de Jesus Cristo." (l Pedro 1:7) 
Podemos tirar vantagem da experincia do sofrimento, suportando-
o pacientemente e aprendendo com ele, ao invs de lutar contra ele. 
Foi isso o que J concluiu: "Se Ele me provasse, sairia eu como o 
ouro." (J 23:10) Isso  reagir positivamente ao teste, tirando vantagem 
dele, ao invs de se lamentar pela interferncia no seu cotidiano. 
Algumas das flores mais belas que j vi eram artificiais, feitas de 
seda, plstico ou cera. No entanto, elas nunca atraem os insetos. So as 
flores vivas que os atraem. 
Os cristos automaticamente atraem demnios, que esto 
constantemente importunando, perturbando, tentando destruir. 
Porm, Deus tambm usa isso com um propsito. As provaes que 
muitas vezes surgem na vida de um cristo so a concretizao do 
gracioso propsito de Deus, que busca criar Seu filho na f mais 
preciosa, desenvolvendo no Seu ente amado o esprito cristo que leva  
alegria e ao "ouro". 
O Dr. Faris D. Whitesell diz: "Os que sofrem fisicamente, se 
orientados corretamente com Deus, aprendem que os outros deixam 
escapar. Chegam a uma avaliao mais precisa daquilo que realmente 
vale na vida, disciplinando seus espritos, purificando seus motivos, 
aprofundando adoando seus caracteres." 
Voc j olhou para um quadro de valor inestimvel e se perguntou o 
que lhe dava este valor? Olhando para um Rembrandt, dou-me conta de 
que ele usava tela e tintas como outro artista qualquer e, no entanto, seus 
quadros so obras de arte valiosssimas. A diferena est no prprio 
artista. Deus  o artista de nossas vidas, usando o Seu pincel para criar 
uma coisa bela. Porm, nossa tela est incompleta. Deus ainda no 
acabou conosco. 
O Dr. M.R. DeHaan descreveu uma analogia deste princpio: 
"Dizem que uma barra de ao que vale cinco dlares ao ser transformada 
em ferraduras comuns valer apenas dez. Se esta mesma barra de cinco 
dlares for transformada em agulhas, passar a valer 350 dlares, mas, se 
for transformada em molas delicadas para relgios caros, estar valendo 
250 mil dlares. Esta barra de ao original fica mais valiosa  medida 
que for sendo trabalhada, levada ao fogo repetidas vezes, martelada e 
manipulada, batida e socada, acabada e polida, at que finalmente est 
pronta para sua tarefa delicada."3 
Nos dias atuais de inflao, o preo seria bem maior do que as 
quantias que o Dr. DeHaan usou h muitos anos. Todavia, isso ilustra a 
verdade de que a disciplina e o castigo de Deus forjam o carter cristo; 
e este  um dos motivos pelos quais no estamos isentos dos problemas e 
dificuldades da vida. 
Muitos cristos, quando so disciplinados por Deus, recaem na 
autocompaixo e na amargura. Vem suas vidas soterradas sob os 
escombros da depresso, mas nossas dificuldades devem ser encaradas 
como degraus. Nosso testemunho, ento, ser como o do "papai" Emery, 
com que abrimos este captulo. A escolha  nossa! O poder  de Deus! 

Para  nos  Manter  Humildes  e  de  Joelhos

Sexto, Deus permite que o fogo da tribulao entre em nossas vidas 
para nos tornar, e manter, humildes. Ele podia ter livrado Paulo daquele 
"espinho na carne", mas recusou todos os pedidos de alvio de Paulo, e 
prometeu-lhe, ao invs disso, a Sua graa. 
Deus tambm no isenta os cristos de sofrimento porque ele 
aumenta a sua vida de orao. Nada nos por de joelhos mais depressa 
do que os problemas. s vezes, em nossas oraes perguntamos por que 
a resposta tarda, dando a impresso de que nunca vai chegar. Muitos dos 
sofredores de Deus oram pedindo alvio, mas a resposta de Deus parece 
ser "no". A cura pode no chegar, mas Deus atende s nossas preces. 
Nem sempre as atende da forma que queremos. Podemos no ter orado 
segundo a vontade de Deus. No Jardim de Getsmani, na perspectiva da 
Cruz, Ele orou: "Pai, se  do teu agrado, afasta de mim este clice." 
(Lucas 22:42, o grifo  meu) Nossas preces precisam estar de acordo 
com a vontade de Deus pelo simples motivo de que Deus conhece 
melhor do que ns mesmos o que  bom para ns. 
Sem a experincia do sofrimento ou de algum tipo de aflio, 
jamais seramos os guerreiros da orao que devemos ser. Nossa 
natureza tende a negligenciar a necessidade da orao at encontrarmos 
sofrimento ou dificuldades de qualquer tipo. Freqentemente, 
precisamos ser levados  verdadeira orao pelas circunstncias que nos 
cercam. 
Dwight L. Moody gostava de ressaltar que existem trs tipos de f 
em Jesus Cristo: a f que luta, que  como um homem apavorado se 
debatendo em guas profundas; a f que se agarra, que  como um 
homem segurando com fora o lado de um bote; e a f que repousa, que 
 como um homem a salvo dentro do bote  forte e seguro o bastante 
para estender a mo e ajudar outra pessoa. 
Este  o tipo de f que voc e eu temos que adquirir para sermos 
eficazes como cristos  e tal f pode ser nossa atravs do ministrio do 
sofrimento em nossas vidas. 
George Matheson, que percebeu que estava ficando cego aos 
dezoito anos, superou a sua deficincia e se tornou um dos melhores 
estudiosos e pregadores da Igreja Escocesa. Escreveu ele: "Tu,  
Senhor, podes transformar o meu espinho numa flor. E eu quero o meu 
espinho transformado numa flor. J mereceu o sol depois da chuva, mas 
ser que a chuva fora um desperdcio total? J quer saber, e eu quero 
saber, se a chuva nada teve a ver com o brilho do sol. E Tu me podes 
dizer. Tua cruz me pode dizer. Tu coroaste o Teu triunfo. Que seja esta a 
minha coroa,  Senhor. Somente triunfo em Ti quando j aprendi a 
aurola da chuva." 

Para  nos  Ensinar  Pacincia

Stimo, o sofrimento tambm nos ensina a pacincia. Estas palavras 
foram encontradas rabiscadas na parede de uma cela de priso, na 
Europa: "Creio no sol, mesmo quando ele no brilha. Creio no amor, 
mesmo quando no o sinto. Creio em Deus, mesmo quando Ele est 
calado." s vezes, Deus parece to quietinho! Todavia, quando vemos o 
modo como trabalha nas vidas aprisionadas por paredes ou 
circunstncias, quando ouvimos contar como a f brilha em meio  
incerteza, comeamos a vislumbrar o fruto da pacincia que pode crescer 
da experincia do sofrimento. 
Diz Pedro: "Pois que glria , se sofreis com pacincia, quando 
cometeis pecado, e sois por isso esbofeteados? Mas se sofreis com 
pacincia; quando fazeis o bem e por isso padeceis, isto  agradvel a 
Deus." (I Pedro 2:20) 
As pessoas sofrem algum infortnio e pedem a Deus uma 
explicao  luz de Suas muitas promessas. Muitas vezes, citam um de 
meus versculos prediletos, Romanos 8:28: "Sabemos que aos que amam 
a Deus todas as coisas lhes cooperam para o bem, a saber, aos que so 
chamados segundo o seu propsito." Os cristos perguntaro: "Como 
isso poder funcionar para o meu bem?" Somente Deus poder fazer 
com que funcione para o bem, e Ele no pode faz-lo a no ser que 
cooperemos com Ele. Em todas as nossas preces, devemos pedir-Lhe que 
se faa a Sua vontade. 
Ouvi a histria de um homem que morava perto da minha casa e 
que ia comprar uma vaca. Era cristo e, ao passar por alguns colegas 
cristos no caminho, contou-lhes que estava indo comprar uma vaca de 
um vizinho, que morava a um quilmetro e meio de distncia. Os seus 
amigos cristos sugeriram para que dissesse: "Vou comprar uma vaca, se 
Deus quiser." Ele retrucou: 
 No, estou com o dinheiro no bolso e vou comprar uma vaca.
Dali a uma hora, ele voltou pela mesma estrada, ferido, 
ensangentado, as roupas rasgadas. Fora atacado por uns ladres que 
sabiam que estava com dinheiro no bolso. Os amigos perguntaram: 
E aonde voc vai agora? 
Vou para casa, se Deus quiser.
Com o seu sofrimento, o homem recebeu uma grande lio, que 
todos ns devemos aprender. Deus est no controle dos acontecimentos, 
e temos que ser submissos e pacientes  Sua vontade. 
Diariamente, recebo em casa vrios jornais. Lendo-os, ou assistindo 
ao noticirio na televiso, tomo conhecimento de sofrimentos terrveis, 
do terrorismo, do crime e da injustia que existem em nosso mundo, e s 
vezes no posso deixar de me perguntar: "Por qu?"  medida que as 
naes do mundo esto se armando como nunca antes na Histria,  
medida que se aproxima o Armagedom,  um pensamento reconfortante 
saber que Deus est por detrs de tudo o que toca a minha vida. 
Acontecem-me coisas que no consigo entender, mas jamais duvido do 
amor de Deus. Na hora da provao, talvez eu no possa enxergar o Seu 
desgnio, mas tenho f de que esteja alinhado com o Seu propsito de amor. 
No sei quais os Seus planos, mas sei que Ele sabe, e isso para mim basta. 
Elie Wiesel, um dos escritores judeus mais conhecidos, esteve em 
Auschwitz, e escreveu: "O cu  o lugar onde perguntas e respostas se 
tornam uma s coisa." 
Ruth, minha mulher, escreveu certa vez: 
Deposito meus "porqus" 
aos ps da Tua Cruz, 
adorando de joelhos, 
minha mente atordoada 
demais para pensar, 
meu corao incapaz de sentir. 
E, adorando, 
percebo que, conhecendo-Te, 
no preciso de "porqu".4 

A nossa herana pode ser a das promessas no cumpridas. Fomos 
abenoados atravs da capacidade de suportar a dor e da fidelidade 
daqueles que sofreram no passado; e as pessoas  nossa volta, ou aqueles 
que viro depois de ns, podem ser abenoados por nossas provaes e 
sofrimentos, e pela maneira como reagimos a eles. Porm, s saberemos 
a resposta total quando chegarmos ao cu. Jesus falou: "Naquele dia 
nada me perguntareis." (Joo 16:23) Quando olharmos para trs e virmos 
todos os fatores envolvidos, diremos que tudo estava planejado. 

O  SOFRIMENTO  PREVISTO

Tereis tribulaes neste mundo. Mas, coragem! Eu venci o mundo.
JESUS CRISTO (JOO 16:33)

EM ALGUMAS IGREJAS de hoje e em alguns programas 
religiosos de televiso, vemos a tentativa de tornar o cristianismo 
popular e agradvel. Retiramos a cruz e a substitumos por almofadas. 
Como j vimos, no encontramos no Novo Testamento nenhum 
indcio de que os cristos devam esperar popularidade, conforto e 
sucesso na era atual. Jesus falou: "Se o mundo vos aborrece, sabei que 
primeiro do que a vs me tem aborrecido a mim. Se vs fsseis do 
mundo, o mundo amaria o que era seu; mas como no sois do mundo, 
antes vos escolhi eu do mundo, por isso  que o mundo vos aborrece. 
Lembrai-vos das palavras. que eu vos disse: 'O servo no  maior do que 
o seu senhor.' Se me perseguiram a mim, tambm vos ho de perseguir a 
vs; se guardaram as minhas palavras, tambm ho de guardar as 
vossas." (Joo 15:18-20) 
Assim, Cristo falou que o mundo dominado pelo mal O odiava, e 
previu que nos odiaria tambm. 
Esta era se interessa pelas medalhas, mas no pelas cicatrizes. 
Podemos nos identificar com Tiago e Joo, que queriam assentos 
privilegiados no reino. Podemos at pedir poltronas reclinveis e msica 
suave. Porm, Cristo respondeu a Seus discpulos e falou que no estava 
oferecendo lugares de honra, mas sim sofrimento. 
Olhe para nosso Senhor. Ele foi desprezado e rejeitado pelos 
homens. Foi ridicularizado, insultado, perseguido e, finalmente, morto. 
Mesmo diante da oposio, Ele continuou "fazendo o bem". At mesmo 
os Seus inimigos no puderam encontrar defeito nEle. Tornou-se o maior 
mestre de moralidade que o mundo j conheceu. Todavia, aps trs anos 
de ministrio pblico, morreu como um pria. O mundo se voltou 
rapidamente contra ele, comprovando a passagem da Escritura que diz 
que "os homens amavam mais as trevas do que a luz; pois eram ms as 
suas obras." (Joo 3:19) 
Um homem "bom", em geral,  uma reprimenda ao mundo. Como 
j mencionei antes, a Bblia enumera, em Hebreus 11, os heris da f, 
tanto judeus quanto gentios, que foram torturados, aprisionados, 
apedrejados, esquartejados, tentados, passados pelo fio da espada. 
Vestiam-se de pele de ovelhas e cabras, miserveis. Aflitos e 
atormentados, esses fiis de antanho vagavam por desertos e montanhas, 
escondiam-se em cavernas. Era isso o que significava ser membro do 
povo de Deus. 
Ao assistirmos aos especiais de televiso que focalizam histrias da 
Bblia, no conforto de nossas salas, em pases como os Estados Unidos, 
ficamos agradecidos por ser mais fcil e aceitvel ser cristo hoje. Mas 
isso mudar. Em pases como o nosso, estamos vivendo um perodo 
anormal.  muito mais normal para os cristos serem repreendidos, 
criticados e perseguidos do que serem populares. Grandes multides 
acompanharam nosso Senhor na parte inicial de seu ministrio, quando 
curou os doentes, ressuscitou os mortos e alimentou os famintos. 
Todavia, no momento em que comeou a falar da cruz e da necessidade 
de Sua morte, e a dizer a Seus seguidores que tambm deviam assumir as 
suas cruzes, "muitos... no andaram mais com ele." (Joo 6:66) Quando 
Ele declarou, com todas as letras, o quanto custaria ser discpulo, afastou 
muitos de Seus seguidores. 

Em muitas partes do mundo, ser um verdadeiro crente ainda 
significa sofrimento. Voc pode ser alijado de sua famlia, de seu lar e 
seus amigos. Pode transformar-se em "espetculo" para os outros. O 
sofrimento tem muitas formas. Voc pode ser como o cego de Joo 9, 
sofrendo involuntariamente e sem saber pela glria mxima de Deus. 
Muitas formas de sofrimento esto na Bblia. Segue-se uma lista 
feita pelo Dr. Finis Dake:1 
1. Perseguies pela integridade (Mat. 5:10; 13:21; Mar. 10:30; 
Joo 15:20) 
2. Injrias e calnias (Mat. 5:11-12; 10:25; Atos 13:45; I Ped. 4:4) 
3. Acusaes falsas (Mat. 10:17-20) 
4. Flagelos por Cristo (Mat. 10-17) 
5. Rejeio pelos homens (Mat. 10-14) 
6. dio pelo mundo (Mat. 10:22; Joo 15:18-21) 
7. dio por parentes (Mat. 10:21-36) 
8. Martrios (Mat. 10:28; Atos 7:58) 
9. Tentaes (Lucas 8:13; Tiago 1:2-16) 
10. Vergonha por Seu nome (Atos 5:41) 
11. Priso (Atos 4:3; 5:18; 12:4) 
12. Tribulaes (Atos 14:22; II Tess. 1:4) 
13. Apedrejamentos (Atos 14:19; II Cor. 11:25) 
14. Espancamentos (Atos 16:23; II Cor. 11:24-25) 
15. Ser um espetculo para os homens (I Cor. 4:9) 
A palavra espetculo vem da mesma palavra grega de onde tiramos 
a palavra teatro, demonstrando para homens e anjos o sofrimento de 
Cristo como se estivssemos no palco. 
Somos idiotas pelo amor de Cristo. (l Corntios 4:10) A palavra 
idiota vem de uma palavra grega que traz consigo a idia de debilidade 
mental. Tambm se refere s vaias, apupos, deboche e outros insultos 
lanados queles que esto no palco da arena.
16. Mal-entendidos, necessidades, difamaes e desprezos. (l Cor. 
4:10-13) 
17. Problemas, aflies, tristezas, tumultos, trabalhos, viglias, e m 
reputao (II Cor. 6:8-10; 11:26-28) 
18. Reprimendas (Heb. 13:13; 1 Ped. 4:14) 
19. Provaes (Ped. 1:7; 4:12) 
20. Oposio satnica (Efs. 4:27; 6:12).

Porm, a Bblia tambm ensina que haver enormes recompensas 
para aqueles que suportam o sofrimento em nome de Cristo. Dake 
enumera, no livro j citado:2 
1. Maior glria no cu (II Co. 4:11) 
2. [Falha do livro] 
3. Tornar Jesus conhecido (II Cor. 4:11) 
4. Levar vida aos outros (II Cor. 4:12) 
5. Tornar a graa manifesta (II Cor. 4:15) 
6. [Falha do livro] 
7. Reinar com Cristo (II Tim. 2:12) 
8. [Falha do livro] 
9. Dar glria a Deus (1 Ped. 4:16) 
10. Experimentar grande alegria (1 Ped. 4:13, 14)

Em pases como os Estados Unidos, as pessoas no passam, 
necessariamente, por sofrimentos fsicos porque crem. Todavia, existem 
muitos outros tipos de sofrimento. 
E quanto ao homem mdio que professa o cristianismo? Viver para 
o Senhor Jesus Cristo no parece ser prioridade. s vezes,  difcil 
diferenciar o cristo do homem do mundo. Nos Estados Unidos, por 
exemplo, ir  igreja tornou-se popular, mas ir  igreja no significa, 
necessariamente, profundidade na orao, estudos da Bblia ou uma 
mudana no estilo de vida. 
Diz a Escritura: "Se algum est em Cristo,  uma nova criao; 
passou o que era velho, eis que se fez novo." (II Corntios 5:17) 
Espera-se que aqueles que crem sejam diferentes do mundo que os 
cerca. Eles sero membros da nova sociedade e da nova comunidade que 
Deus criou. 
Muitos sentam-se em confortveis bancos de igreja e cantam sem 
pensar: 
Nossos pais, acorrentados em escuras prises, 
Tinham o corao tranqilo e a conscincia livre; 
Que doce seria o destino de seus filhos, 
Se, como eles, pudessem morrer por vs.
Frederick W. Faber

Paulo disse a Timteo: "Todos aqueles que querem viver piamente 
em Cristo Jesus sero perseguidos." (II Timteo 3:12) Jesus no nos 
convidou para um piquenique, mas para uma peregrinao; no para uma 
brincadeira, mas para uma briga. Ele no nos ofereceu uma excurso, 
mas uma misso. Nosso Salvador disse que teramos que abdicar do ego, 
do pecado e do mundo. Desafiou-nos a erguer a cruz e disse que, no 
mundo, teramos tribulaes. 
Muitos programas cristos de TV e rdio foram criados para 
agradar, divertir e ganhar as graas deste mundo. A tentao  entrar em 
acordo, tornar o evangelho mais interessante e atraente. s vezes, nas 
cruzadas que conduzimos, olhei para as cmeras e me dei conta de que 
vrios milhes de pessoas estavam me vendo. Sei que muitas das coisas 
que citei da Santa Escritura so agressivas e, s vezes, me senti tentado a 
suavizar a mensagem. Porm, com a ajuda de Deus, jamais o farei! Eu 
me tornaria um falso profeta. Alm disso, trairia o meu Senhor. O preo 
de servir a Cristo no  baixo. 
Queremos parecer-nos demais, ao invs de menos, com a era atual. 
Tentamos argumentar que os tempos mudaram, que a humanidade  mais 
crist e que a igreja est numa posio melhor, e que, portanto, no 
precisamos sofrer como sofreram nossos antepassados. Queremos "fazer 
parte da turma", seja no clube masculino ou no grupo de bridge 
feminino. Contudo, quanto mais pertinentes nos tornamos para um 
mundo dominado pelo pecado, mais impertinentes somos para Deus, 
embora sem o percebermos. 
Em Romanos 12:2, Paulo escreve: "No vos conformeis mais com 
este mundo, mas transformai-vos pela renovao da vossa mente." J.B. 
Phillips d a sua verso para estas palavras: "No deixe que o mundo o 
faa  sua maneira, mas deixe que Deus remodele as suas mentes de 
dentro para fora." 
 muito fcil para os cristos se amoldarem a este mundo. Muitas 
vezes eles pensam que, no sendo "diferentes", esto se tornando mais 
aceitveis aos seus amigos no-cristos. Porm, este  um grande erro. O 
mundo realmente no tem muito respeito pelos costumes e idias 
adotados pelos cristos. Tende a encar-los com desdm e a rif-los 
como sendo covardes envergonhados de sua f ou fraudes cuja profisso 
de f no  sincera. 
Nossa tarefa na vida no  ser popular, mas sim fiel.  mais 
importante ganhar o "muito bem" do Mestre do que o "a, meu 
camarada" do mundo.  melhor ser considerado um homem de Deus do 
que um homem do mundo. A Bblia diz: "No sabeis que a amizade do 
mundo  inimizade contra Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do 
mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tiago 4:4) 

Contando  o  Custo

A salvao  grtis, mas o aprendizado tem o seu preo. Dois mil 
anos antes de Cristo, Moiss teve que escolher entre a reprovao de 
Deus e os prazeres do Egito. O jovem e rico governante conhecia o luxo 
e a fartura. No estava interessado em sofrimento e sacrifcio, assim 
como ns no estamos. Hoje em dia, provavelmente poderia pertencer a 
qualquer igreja. Mas, antigamente, antes que um homem pudesse 
ingressar numa igreja, Cristo fazia com que ele medisse o custo. Em 
Joo 6, vemos que, quando grandes multides O seguiram, Ele lhes 
disse, trs vezes, que a no ser que estivessem dispostos a pagar o preo, 
no poderiam ser Seus seguidores. 
Nunca se fala "Cristo e...",  sempre "Cristo ou..." Cristo ou Belial, 
Cristo ou Csar, Cristo ou o mundo, Cristo ou o Anticristo. Jesus falou: 
"Quem no  comigo  contra mim; e quem comigo no se ajunta 
espalha." (Mateus 12:30) 
Tornamos o cristianismo fcil demais, especialmente nas partes do 
mundo em que ele  a religio majoritria. No comeo, como acontece 
na maior parte do mundo hoje em dia, os seguidores de Jesus tinham que 
medir os custos. Tinham que estar dispostos a negar a si mesmos, erguer 
a sua cruz e acompanhar Jesus. Porm, hoje em dia, especialmente em 
alguns pases ocidentais, no pedimos tais coisas dos membros da igreja. 
A igreja perdeu a sua capacidade de castigar os membros que vivem 
abertamente era pecado. Conseqentemente, perdemos o nosso 
testemunho na comunidade.

As  Marcas  de  Cristo  ou  do  Demnio

Aqueles de ns que professamos ser cristos no precisamos nos 
perguntar: "Carregamos as marcas de Cristo?"; ou "Carregamos as 
marcas daquilo que nos escraviza?" O escravo  sempre marcado por seu 
senhor. Esta gerao hedonista faz a sua prpria propaganda pelos rostos 
dissipados, mos trmulas e comportamento irrequieto. Todos os 
sedativos no conseguem aquiet-los, nem os cosmticos podem 
disfarar as cicatrizes. Eles carregam as marcas do seu senhor. 
Muitas vezes fiquei parado numa esquina, lendo as fisionomias dos 
transeuntes. s vezes, podia ver as marcas de um gnio ruim, 
ressentimentos ocultos ou pensamentos maus; eles aparecem nas rugas, 
na boca cada, no olhar. 
A Bblia nos ensina que ningum pode servir (ser o escravo de) a 
dois amos. O demnio tem seus escravos, e Cristo tem os dEle. Voc e 
eu percebemos as marcas de Cristo ou as marcas do demnio. A Bblia 
diz que algumas das marcas do demnio so "a fornicao, a impureza, a 
lascvia, a idolatria, a feitiaria, as inimizades, as contendas, (...) as 
faces, as dissenes, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e 
outras coisas semelhantes". Alm disso, aqueles que se dedicarem a "tais 
coisas no herdaro o reino de Deus." (Glatas 5:19-21)

O  Cristo  Tambm  Traz  Cicatrizes

Ns, cristos, temos que carregar as marcas de nosso amo de modo 
to evidente quanto os seguidores do "deus deste mundo".  por isso que 
o sofrimento  inevitvel para ns  e porque as pessoas piedosas nos 
dois Testamentos sabiam o que significava sofrer do mesmo modo que 
sabiam o que significava triunfar. 
No livro Liberdade de um Cristo, publicado em 1520, Martinho 
Lutero declarou: "Quanto mais um homem  cristo, mais maldades, 
sofrimentos e mortes tem que suportar."3 
Em Perfeio Crist (publicado dois sculos mais tarde, em 1726), 
disse William Law: "Seria estranho supor que a humanidade fosse 
redimida pelos sofrimentos do Salvador para viver na tranqilidade e na 
comodidade; que o sofrimento fosse a expiao necessria para o pecado 
e que, no entanto, os pecadores fossem eximidos de sofrer." 
As marcas da Cruz no devem ser confundidas com a austeridade 
auto-infligida ou os rigores da Idade Mdia atualizados. No devemos 
buscar o sofrimento intencionalmente ou infligi-lo a ns mesmos com a 
idia errnea de que, dessa forma, ganharamos um crdito especial com 
Deus. O ascetismo no  necessariamente uma virtude. Cristo advertiu a 
Seus seguidores: "Quando jejuardes, no tomeis um ar triste como os 
hipcritas; porque eles desfiguram os seus rostos para fazer ver aos 
homens que esto jejuando." (Mateus 6:16) Isto foi uma clara 
advertncia para no nos vangloriarmos das provaes que causamos a 
ns mesmos. 
Suportar a nossa cruz no quer dizer usar saco de aniagem e ter ar 
de mrtir. O que nos  exigido  a humildade, no a humilhao; no 
pensar mal de ns mesmos, mas simplesmente no pensar em ns 
mesmos. 
H pessoas que acham que toda dorzinha de cabea  uma parte da 
sua cruz. Tornam-se mrtires cada vez que ouvem crticas. s vezes, 
merecemos as crticas que recebemos. S somos abenoados quando os 
homens falam mal de ns, falsamente, pelo amor de Deus.

Luzes  Para  os  Dias  de  Trevas

Os cristos devem ser uma influncia estranha, um grupo 
minoritrio num mundo pago. Se a igreja  aceitvel  era atual e no 
est criando confuso ou sofrendo crticas, ento no  a verdadeira 
igreja que o nosso Senhor fundou. Somos a "luz do mundo"  e a luz 
revela ou mostra as coisas. Se estamos em paz com este mundo,  porque 
nos vendemos a ele ou ento fizemos um acordo com ele. 
Moody falou certa vez: "Se o mundo no tem nada a dizer contra ti, 
cuidado para que Jesus Cristo no tenha nada para dizer a teu favor." 
O maior testemunho para este mundo de trevas de hoje seria um 
bando de homens e mulheres crucificados e ressuscitados, mortos para o 
pecado e vivos para Deus, suportando em seus corpos "as marcas do 
Senhor Jesus". 

O  que  a  Bblia  Diz  dos  Crentes  Sofredores

Se voc cr em Jesus Cristo, voc  um "santo". A palavra  mal 
compreendida hoje em dia. Este termo foi alterado no vernculo 
moderno, passando a significar algum que  uma espcie de 
"supercristo"; porm, na realidade, todo o povo de Deus  feito de 
santos  "destacados" e dedicados a Seu servio. 
Aquele que ler a Bblia e achar que o sofrimento no  a sinal do 
cristo est lendo a Santa Escritura cegamente e sem compreend-la. Eis 
alguns dos versculos que falam claramente do sofrimento que espera os 
crentes e da oferta positiva de ajuda divina durante as pocas de 
sofrimento. 
Disse o salmista: "Muitas so as aflies do justo, mas de todas elas 
Jeov o livra." (Salmos 34:19) Repare que a promessa no  de que no 
haver aflies, mas que ficaro livres delas. A Bblia Viva diz: "O 
homem bom no escapa de todas as tribulaes  ele tambm as tem. 
Mas o Senhor o ajuda em toda e cada uma delas." 
Falando a seus discpulos ao trmino de Seu ministrio e na vspera 
de Sua morte, Jesus disse: "Eu vos tenho falado estas coisas para que 
tenhais paz em mim. No mundo tereis tribulaes; mas tende bom 
nimo, eu tenho vencido o mundo." (Joo 16:33) Traduza a palavra 
tribulaes como desejar, dificuldades, problemas, presses, mas Jesus 
diz, inequivocamente, que os cristos as tero. Mas Ele tambm promete 
a Sua presena conosco nessas tribulaes. Neste caso, novamente a 
promessa implcita no  a de livrar de, mas a de dar o poder para 
vencer em meio a quaisquer circunstncias que possam ocorrer. E, no 
final, ns sabemos, a nossa liberdade das artimanhas do mundo ser 
total, pois vir o dia em que nosso Salvador voltar a assumir o controle 
do mundo que criou. No momento, Satans  seu prncipe, mas o 
Prncipe da Paz tem data marcada para voltar  e a Sua vitria sobre 
Satans e suas foras ser completa! 

Espere  a  Perseguio

No comeo de Seu Sermo da Montanha, Jesus incluiu essas 
palavras: "Bem-aventurados os que tm sido perseguidos por causa da 
justia, porque deles  o reino dos cus. Bem-aventurados sois, quando 
vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra 
vs por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque  grande o vosso 
galardo nos cus, pois assim perseguiram os profetas que existiram 
antes de vs." (Mateus 5:10-12) Segundo o que Jesus diz aqui, no 
apenas devemos esperar a perseguio como nossa sina ao seguirmos o 
cristianismo; devemos rejubilar-nos com essas perseguies! Paulo fez 
eco a essa instruo divina quando escreveu aos filipenses que estavam 
sofrendo por sua f: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez vos 
digo, regozijai-vos." (4:4) Eles deviam regozijar-se no apenas quando 
as coisas iam bem, mas sempre! As circunstncias no devem colorir as 
nossas reaes  perseguio. Sempre que, como cristos, encontrarmos 
provaes e tentaes devemos regozijar-nos repetidas vezes, at o fim 
de nossas vidas. 
O apstolo Joo, ao registrar a mensagem de Cristo  igreja em 
Esmirna, escreveu: "No temas o que ests para sofrer; eis que o diabo 
est para meter alguns de vs na priso para serdes provados e passareis 
por uma tribulao... S fiel at a morte, e eu te darei a coroa da vida." 
(Apocalipse 2:10) 
Embora possa parecer misterioso, a verdadeira f e o sofrimento 
andam de mos dadas. No se pode ter um sem o outro. 
Novamente,  difcil entender que o sofrimento acontece com a 
permisso de Deus, e muitas vezes ns mesmos o atramos.  errado 
acreditar, por exemplo, que, se voc est doente,  porque Satans o fez 
adoecer, e que, se tiver f bastante, a doena ir embora. s vezes, Deus 
liberta, mas nem sempre, e quando Ele permite o sofrimento, a Sua graa 
 suficiente para que voc o suporte. Ele lhe d uma fora adicional. 
Caminha de mos dadas com voc durante o seu sofrimento, mas isso 
no quer dizer que, necessariamente, v libert-lo dele. 
Escrevendo para Timteo, seu jovem filho na f, disse Paulo: "Ora, 
todos aqueles que querem viver piamente em Jesus Cristo sero 
perseguidos". (II Timteo 3:12, o grifo  meu) Isso  falar com bastante 
franqueza! Acho que o princpio  declarado com clareza para que voc 
e eu, como cristos, no tenhamos mais dvidas.  verdade que alguns 
parecem sofrer por sua f bem mais do que outros. 
Alguns de ns jamais soubemos o que significa ser fisicamente 
perseguido por nossa f, porm, todos os verdadeiros cristos esto 
sujeitos a um sofrimento sutil e a uma perseguio insidiosa. Ela pode 
residir na ridicularizao de nossa f por parte do mundo que nos cerca. 
Pode tambm existir na discriminao discreta muitas vezes praticada 
contra os princpios cristos na arena sofisticada da economia e da 
sociedade. Por exemplo, existem com freqncia prticas 
discriminatrias contra o empresrio, lder sindical ou figura poltica que 
tenta seguir a tica e a moral bblicas. 
Perseguies sutis podem ocorrer no seu escritrio, na escola ou em 
reunies sociais. Voc pode "no estar com nada" e "no fazer parte da 
turma".

Palavras  de  Pedro

Na sua primeira Epstola, o apstolo Pedro disse a seus leitores: 
"Amados, no estranheis a ardente provao que h no meio de vs, e 
que vem para vos pr  prova, como se vos acontecesse coisa estranha, 
mas visto que sois participantes dos sofrimentos de Cristo, regozijai-vos, 
para que tambm na revelao da Sua glria exulteis cheios de jbilo. Se 
sois vituperados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois; porque o 
Esprito da glria e de Deus repousa sobre vs. Nenhum de vs, porm, 
padea como homicida, ou ladro, ou malfeitor, ou como quem se 
intromete em negcios alheios; mas se padeceis como cristo, no vos 
envergonheis, antes glorificai a Deus neste nome... Portanto, tambm 
aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao 
fiel Criador, praticando o bem." (I Pedro 4:12-19) 
Nenhum sofrimento que o cristo suporte por Cristo  em vo. 
Viver por Cristo, seguir a Sua orientao no  um caminho fcil, mas  
o caminho para a paz e o poder. O caminho da Cruz  duro, mas oferece 
recompensas eternas. 
Os princpios bblicos que dizem respeito  capacidade de suportar 
a dor e a perseguio ainda so os mesmos da poca em que nos foram 
apresentados na Palavra de Deus. Alguns de ns poderemos morrer, ou 
pelo menos sofrer, por nossa f. O sculo XX viu mais gente sendo 
torturada e morta por Cristo do que qualquer outro sculo. Nossa gerao 
conheceu os seus mrtires, como Paul Carlson, o missionrio no Congo 
que foi morto tentando salvar outras pessoas. O jovem Jim Elliot foi 
assassinado, juntamente com quatro amigos, quando tentava levar o 
Evangelho aos ndios auca do Equador. O bispo Luwum era o arcebispo 
da Igreja Anglicana de Uganda. Foi baleado na cabea,  queima-roupa.

Sofrimento  Vitorioso

No corao do nosso universo, est um Deus que sofre num amor 
redentor. Experimentamos mais do Seu amor quando sofremos dentro de 
um mundo mau. Algum j disse que, se voc sofre sem obter xito, 
pode ter certeza de que o xito surgir na vida de outrem. Se obtiver 
xito sem sofrer, pode estar igualmente certo de que algum j sofreu por 
voc. 
Nos contrafortes do Himalaia, h uma bela cidade chamada 
Kohima. Fica em Nagaland, um dos Estados da ndia. Estivemos ali para 
ajud-los a celebrar os cem anos de cristianismo. Foi ali que os japoneses 
foram detidos na sua arremetida na direo da ndia, durante a Segunda 
Guerra Mundial. Enterrados no cemitrio esto os corpos de centenas de 
indianos, britnicos, americanos e os de outras nacionalidades que 
formaram as foras aliadas que detiveram o avano japons. Na entrada 
do cemitrio, existe uma placa fnebre que diz: "Eles deram o seu 
amanh para que vocs pudessem ter o hoje." 
Depois de dezesseis anos difceis como missionrio no continente 
africano, David Livingstone voltou  sua Esccia para dar uma palestra 
aos estudantes da Universidade de Glasgow. Seu corpo estava 
consumido pelos estragos de cerca de 27 febres que correram por suas 
veias, durante seus anos de servio. Um dos braos pendia intil ao lado 
do corpo, resultante do ataque de um leo. A essncia de seu recado para 
aqueles jovens foi: 
 Querem saber o que foi que me sustentou no meio das provaes 
da labuta e da solido de meu exlio? Foi a promessa de Cristo: "Eis que 
estou contigo sempre, at o fim." 
Ns, como David Livingstone, podemos clamar pela mesma 
promessa de nosso Salvador e Senhor. Ele nos acompanha em nossos 
padecimentos e nos espera ao sairmos do outro lado do tnel da 
provao para a luz da Sua gloriosa presena, para viver com Ele para 
todo o sempre! 



















O  SOFRIMENTO  SUTIL

As tempestades fazem uma rvore forte, as provaes fazem um 
cristo forte. ANNIMO

VOC PODE NUNCA ter sofrido fisicamente por acreditar em 
Jesus Cristo. Contudo, o sofrimento no  apenas dor fsica e a 
perseguio no  apenas ser acorrentado. 
Se somos seguidores de Jesus Cristo que no estamos 
comprometidos com os caminhos pecaminosos do mundo, 
inevitavelmente passaremos por algum tipo de sofrimento, ainda que sutil. 
O sofrimento, nas suas vrias definies, faz parte da vida num mundo 
pecaminoso. 
Perguntaram a dois cristos recentemente libertados de um pas 
onde o governo era hostil ao cristianismo como se sentiam sendo 
perseguidos por sua f. Eles responderam: 
 Achamos que era o modo normal de se tratar um cristo. 
Os cristos que esperam escapar das dificuldades da vida tm uma 
atitude fantasiosa e no compreenderam a Bblia ou a Histria da igreja. 
Devemos sofrer antes de sermos recompensados. 
O concertista ou msico renomado sabe que no pode fugir s 
horas, dias e meses de ensaios exaustivos e sacrifcios exigidos antes 
daquela nica hora de desempenho perfeito. O estudante no pode fugir 
aos anos de luta e estudo antes do grande dia da formatura. O 
astronauta que espera participar do programa espacial sabe que lhe ser 
exigida uma disciplina rdua para se preparar para o dia emocionante do 
lanamento. O atleta que quer fazer parte da Equipe Olmpica tem que 
contar com anos de treinamento, disciplina e trabalho duro. 
Vrios anos atrs, um ginasta japons, corajoso e determinado, 
ajudou a sua equipe a ganhar a medalha de ouro fazendo acrobacias 
quase perfeitas com uma perna quebrada! Qualquer atleta de destaque 
lhe dir que  preciso dor e sofrimento para chegar ao sucesso. Porm, 
como no caso do ginasta japons, a dor e o sofrimento valem a pena!

Se  Voc  Sofre

O apstolo Pedro tem uma passagem incrvel sobre o sofrimento: 
"Amados, no estranheis a ardente provao que h no meio de vs, e 
que vem para vos pr  prova, como se fosse coisa estranha (...). Se sois 
vituperados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois; porque o Esprito 
da glria, e de Deus, repousa sobre vs. Nenhum de vs, porm, padea 
coma homicida, ou ladro, ou malfeitor, ou como quem se intromete em 
negcios alheios; mas se padeceis como cristos, no vos envergonheis, 
ames glorifique a Deus neste nome (...). Portanto tambm aqueles que 
sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel criador, 
praticando o bem." (I Pedro 4:12, 14, 15, 16, 19) 
A perseguio atravessa a longa histria dos judeus, mas, na 
passagem acima, Pedro estava escrevendo para judeus e gentios, para 
ajud-los a compreender o que significa sofrer como cristo. 
Nunca  fcil ser cristo. A vida crist ainda pode trazer solido, 
impopularidade e problemas. Faz pane da natureza humana antipatizar 
com, ressentir-se de e olhar com desconfiana para qualquer um que seja 
"diferente". Este  um dos grandes problemas do mundo de hoje. 
Diferenas tribais, diferenas de classe, diferenas tnicas, diferenas 
culturais  tudo isso separa as pessoas. Tais diferenas levam, muitas 
vezes, no apenas a desentendimentos, mas a guerras. 
Quando os cristos trazem os padres de Cristo para pautar a sua 
vida num mundo materialista e secularista, isso freqentemente cria 
desagrado. Como as exigncias morais e espirituais de Jesus Cristo so 
to elevadas, elas freqentemente deixam o cristo "isolado". Isso pode 
acarretar incompreenso, medo e ressentimentos por parte daqueles que 
pertencem ao grupo cultural e tnico do cristo. Quando as pessoas 
pregam o Evangelho para uma cultura diferente, devem aprender a usar 
mtodos de apresentar o Evangelho e obedecer ao Evangelho que se 
encaixem no contexto das vidas dos povos daquela cultura. Todavia, os 
aspectos redentores, ticos e morais do Evangelho no podem ser nunca 
contextualizados. So os mesmos em todas as culturas, todos os 
agrupamentos tnicos e raciais. 
A perseguio tambm  um teste. Uma das respostas aos "porqus" 
do sofrimento  dada na Bblia: "Por um pouco de tempo, sendo 
necessrio, haveis sido entristecidos por vrias provaes para que a 
prova da vossa f mais preciosa que o ouro, que perece mesmo quando 
provado pelo fogo, seja achada para louvor, glria e honra na revelao 
de Jesus Cristo." (I Pedro 1:6,7) 
No dia 16 de junho de 64 d.C., comeou o grande incndio de 
Roma. Os cristos levaram a culpa e foram perseguidos. Porm, Pedro 
no estava escrevendo, necessariamente, sobre esses cristos em 
particular. Ele escrevia sobre aqueles que sofriam com censuras, 
mentiras e calnias. Pedro tambm enxergava adiante e via a intensa e 
causticante provao que, em breve, se abateria sobre a igreja. Estou 
convencido de que a atual popularidade do cristianismo evanglico nos 
Estados Unidos ter vida curta. A Bblia ensina, e a Histria o confirma, 
que nunca fez mal  igreja passar pela fornalha. Pedro menciona que a 
perseguio no  um acontecimento "estranho", no que diz respeito aos 
cristos. Diz a seus leitores: "No vos surpreendais quando ela vier. 
Surpreendei-vos se no vier! 
Abrao obedeceu a Deus e chegou  Terra Prometida para encontrar 
a fome. Jac obedeceu a Deus e sua famlia se voltou contra ele. Davi 
obedeceu a Deus e se escondeu em cavernas porque o Rei Saul queria 
tirar-lhe a vida. Paulo obedeceu a Deus e se viu na priso. Paulo disse: 
"Na verdade, todos aqueles que querem viver piedosamente em Jesus 
Cristo sero perseguidos." (II Timteo 3:12) A perseguio traz muitos 
benefcios para os cristos, como veremos mais adiante neste livro. 
Leva-nos a orar. Faz com que nos aprofundemos ainda mais na Santa 
Escritura. E extingue os pecados e as impurezas de nossas vidas. Todas 
as pessoas significativas na Bblia tiveram que enfrent-la. Quando voc 
se identifica com o nome de Cristo, vai ter que enfrent-la. A Santa 
Escritura ensina, repetidas vezes, que precisamos ser testados e 
purificados. 
Podemos aceitar a perseguio porque conhecemos o propsito que 
h nela. O propsito  glorificar a Deus. Na Primeira Epstola de Pedro, 
o apstolo fala sobre a glria de Deus 16 vezes. Na verdade, o que ele 
diz : Eu lhe direi o que voc realmente necessita. Passe pela fornalha, e 
quando passar pela fornalha para a glria de Deus, o Esprito de Deus 
descer sobre voc e haver alegria no seu corao e voc glorificar a 
Deus. 
Atravs da perseguio, tambm partilhamos dos sofrimentos de 
Jesus Cristo. Quando um homem tem que sofrer e se sacrificar por sua 
f, ele est percorrendo o caminho que Cristo percorreu e partilhando a 
cruz que Cristo carregou. A Santa Escritura diz: "Realmente padecemos 
com Ele, para que tambm com Ele sejamos glorificados." (Rom. 8:17) 
Em Filipenses 3:10, diz Paulo: "Para O conhecer e o poder da Sua 
ressurreio e a participao dos Seus sofrimentos, conformando-me 
como Ele na Sua morte." Muitas vezes Paulo retorna  idia de que se o 
cristo tem que sofrer, de uma forma estranha ele est partilhando dos 
prprios sofrimentos de Cristo e est at preenchendo os sofrimentos de 
Cristo (II Corntios 1:5; 4:10,11; Glatas 6:17; Colossenses 1:24) 
Sofrer pela f no  uma punio, mas um privilgio. Ao faz-lo, 
estamos partilhando da obra e ministrio de Cristo. Se estivermos unidos 
com Cristo e Seus sofrimentos, tambm estaremos unidos com Cristo na 
Sua ressurreio. Conhecer Cristo  ficar to identificado com Ele que 
partilhamos cada experincia dEle. "Significa que partilhamos o modo 
como caminhou; partilhamos a Cruz que carregou; partilhamos a morte 
que teve; e, finalmente, partilhamos a vida que vive para todo o sempre."1 
Todavia, tambm  maravilhoso pensar que, em nossa vida crist, o 
poder de Sua ressurreio precede o convvio com Seus sofrimentos. Em 
outras palavras, o poder de Sua ressurreio  acessvel para ns dia aps 
dia, atravs do Esprito Santo. Temos o prazer de sentir a presena de 
Deus no meio do sofrimento, aqui e agora. 
Tenho falado com vrias pessoas que esto experimentando 
profunda dor ou severas dificuldades, e elas sempre dizem: "Sinto que 
Deus est perto de mim." 
Quando Estvo estava sendo julgado e parecia certo de que seria 
condenado  morte, seu rosto apareceu para os espectadores como se 
fosse o rosto de um anjo. (Atos 6:15) Quando os trs jovens hebreus 
foram lanados  fornalha e o rei foi espiar, viu um quarto que era 
semelhante ao "Filho de Deus." (Daniel 3:25) Nenhum crente jamais 
sofre sozinho. Jesus est sempre presente com ele. 
Existe uma lenda sobre um missionrio que foi para uma ilha 
distante e, l, conseguiu o seu primeiro convertido a Cristo. Mais tarde, 
este homem foi torturado e morto pelos outros nativos. Muitos anos 
depois, quando o prprio missionrio tinha morrido e ido para o cu, 
encontrou-se com o convertido martirizado e perguntou-lhe como se 
sentira sendo torturado at a morte por causa do seu amor a Cristo. O 
homem olhou para ele por um momento e depois replicou: 
 Sabe que nem me lembro! 
Sofrer como cristo assume muitas formas diferentes. Algumas 
perseguies podem ser de tipos mais sutis. 
Disse Jesus, no Seu Sermo da Montanha: "Bem-aventurados os 
que tm sido perseguidos por causa da justia, porque deles  o reino dos 
cus." (Mateus 5:10) O que queria Ele dizer? Jesus podia estar incluindo 
a "controvrsia" que os cristos encontram no mundo, simplesmente 
porque h as pessoas mundanas que vem um estilo de vida diferente 
que distingue os crentes como aliengenas na sociedade moderna. Isso 
faz com que o no-cristo se sinta culpado ou hostil. 
O quo diferente voc ? Existe algo que o distinga do secularista, 
do agnstico, do ateu? Na sua parbola do semeador, Jesus descreve 
aqueles que no conseguem manter a sua posio ntegra: "Mas no tem 
em si raiz, antes  de pouca durao; e sobrevindo tribulao ou 
perseguio por causa da palavra, logo s escandaliza." (Mateus 13:21, o 
grifo  meu) 
No entanto, Jesus deixa claro que h uma recompensa pela 
fidelidade, face  perseguio ou  privao. "Em verdade vos digo", 
falou Jesus a Pedro, "que ningum h que tenha deixado casa, ou irmos, 
ou irms, ou me, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e por 
amor do Evangelho, que no receba j, no presente o cntuplo de casas, 
irmos, irms, mes, filhos e campos, e com eles perseguies e no 
mundo vindouro a vida eterna." (Marcos 10:29, 30) 
Em termos muito simples, Jesus lembra a Seus discpulos, em Joo 
15:20: "Lembrai-vos das palavras que eu vos disse: O servo no  maior 
do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, tambm vos ho de 
perseguir a vs." Quando somos perseguidos por nossa f, estamos em 
boa companhia! 

Perseguio  por  Insultos

Jesus tambm advertiu a Seus seguidores: "Bem-aventurados sois, 
quando vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o 
mal contra vs, por minha causa." (Mateus 5:11) Da mesma forma, 
escreveu o apstolo Pedro: "Se sois vituperados pelo nome de Cristo, 
bem-aventurados sois; porque o Esprito da glria, e de Deus, repousa 
sobre vs." (l Pedro 4:14) Muitas vezes, os insultos ocorrem como 
resultado do estilo de vida cristo, que  diferente daquele do mundo 
secular. 
O que se quer dizer com estilo de vida? No mundo todo, a igreja 
est dando muita ateno a esse assunto. Um cristo britnico, em 
Oxford, um homem idoso, contou-me que, quando rapaz, era 
considerado pecado um cristo jogar, beber, danar, ir ao cinema, ou 
para uma moa crist se maquiar. Ele disse que aquele era o "legalismo" 
daquela gerao. Prosseguiu dizendo que o novo legalismo desta era 
compreende um "estilo de vida". A nova voga diz que, se voc possui 
um carro decente, usa boas roupas ou aprecia alguns dos confortos 
bsicos da vida, a sua postura crist pode ser "julgada" por outros 
cristos. Creio que isto  to legalstico quanto dizer que uma moa 
crist no deve se maquiar. 
Eu acredito que estilo de vida, no sentido bblico, significa que o 
cristo no pratica coisas como a mentira, a desonestidade, a cobia, o 
cime, o orgulho, o preconceito. No tolera a injustia social.  
dominado pelo amor, alegria e paz na sua vida interior. Ama o prximo 
genuinamente. Defende posies impopulares em questes morais e 
sociais. Deus lhe d a graa de perdoar os que o tenham ofendido. Sabe 
ser firme nos seus conceitos teolgicos, morais e ticos, mas  tolerante 
para com aqueles que tm outra opinio sincera. Creio que este  o estilo 
de vida bsico a que se refere a Escritura. 
Os estilos de vida exteriores so "relativos" de um pas para o outro 
e de cultura para cultura. Temos que permitir aos outros cristos uma 
liberdade de conscincia nas questes morais sobre as quais a Bblia no 
 bem clara. 
Um grande amigo meu, um cristo que pertence aos "Plymouth 
Brethren" (Irmos de Plymouth) na Europa, recebia em sua casa alguns 
amigos cristos americanos que no bebiam lcool. Ele serviu vinho e 
refrigerantes. Comentou, risonho: 
 Sirvo vinho para a glria de Cristo e vocs o recusam para a 
glria de Cristo, e estamos todos certos. 
Existem costumes e tradies diferentes nas diferentes partes do 
mundo e ns no devemos nos meter a julgar essas coisas. 
Lembro-me de que, quando fomos  Irlanda pela primeira vez, em 
1946, alguns cristos irlandeses ficaram abismados porque a minha 
mulher usava um pouco de maquiagem. As crists usarem maquiagem 
era contra o legalismo da poca, entre certos grupos de cristos. 
Se os insultos resultam de convices e atitudes interiores, ento 
temos motivo para nos regozijarmos. Se, todavia, criticamos ou 
insultamos uns aos outros por causa de diferenas culturais sobre as 
quais a Bblia no  explcita, ento no estamos reconhecendo a 
liberdade de escolha dos outros.

Perseguidos  com  Boatos  e  Calnias

Da sutileza dos insultos para os boatos e calnias  s um passo. 
Estou falando aqui das atitudes dirigidas contra os cristos pelos no-
cristos. A discriminao pode ser forte contra o cristo que "vive 
ativamente" as suas crenas. "Nenhum de vs, porm, padea como 
homicida, ou ladro, ou malfeitor, ou como quem se intromete em 
negcios alheios; mas se padeceis como cristo, no vos envergonheis, 
antes glorificai a Deus neste nome." (l Pedro 4:15,16) 
Jesus falou: "Basta ao discpulo ser como o seu mestre, e ao servo 
como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais 
aos seus domsticos?" (Mateus 10:25) Se Jesus sofreu perseguio e 
tormentos, como podemos ns, Seus seguidores, esperar fugir a isso? 
Paulo soube o que era encontrar a inveja e o dio do povo em 
Antioquia. Quando a multido se reuniu para ouvi-lo pregar, os lderes 
religiosos "encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que 
Paulo falava". (Atos 13:45) 
Pedro profetizou o mesmo tipo de tratamento para o cristo. "Nisto 
estranham que no concorrais com eles no mesmo excesso de dissoluo, 
falando mal de vs." (I Pedro 4:4). 
Ser que existe um estudante cristo numa faculdade ou 
universidade que no tenha sofrido injrias verbais porque no quis se 
unir aos colegas numa "festinha de embalo"? Ser que existe um 
empresrio cristo que nunca perdeu uma conta porque no aceitou 
"algum" por baixo dos panos? Ser que existe um operrio cristo que 
no tenha sido ridicularizado por alguns de seus colegas por no 
trapacear no servio, preferindo viver s com o seu salrio? Ser que 
existe um caixeiro-viajante que seja honesto que no tenha sido alvo de 
risadas ou algum tipo de chacota por seus colegas vendedores, devido  
sua honestidade? Paga-se o preo por ser um verdadeiro discpulo de 
Cristo de mil maneiras sutis.

Falsas  Acusaes

Jesus disse a Seus discpulos: "Bem-aventurados sois, quando vos 
injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra 
vs, por minha causa." (Mateus 5:11) Repare na palavra "mentindo". J 
nos acostumamos com o desprezo das pessoas que no so crists, pois, 
como nossa vida deve corresponder  nossa profisso, torna-se 
incompatvel uma convivncia harmoniosa com esse mundo degenerado. 
Mas Jesus est se referindo a falsas acusaes. 
O prprio Jesus foi vtima de falsas acusaes no seu julgamento. 
Foi acusado de blasfmia diante do Conselho Judaico e sedio ao 
enfrentar Pncio Pilatos. Ambas as acusaes eram falsas. 
Os apstolos Pedro e Joo foram falsamente acusados quando os 
levaram perante o Conselho (ou Sindrio). Foram chamados de 
"malfeitores" quando, na verdade, seu nico "crime" tinha sido curar um 
aleijado em nome do Senhor Jesus. (Atos 4:12-18). 
Estvo, o primeiro mrtir cristo, enfrentou acusaes falsas 
quando, tambm ele, foi citado perante o Conselho (Atos 7). Em Filipos, 
Paulo e Silas tambm foram acusados injustamente, espancados e 
lanados  priso (Atos 16). A mesma coisa voltou a acontecer com 
Paulo repetidas vezes, nas suas viagens missionrias posteriores. 
Se os apstolos e outros dos primeiros lderes religiosos foram 
falsamente acusados por causa de sua f, como podemos ns, cristos de 
hoje, esperar fugir s falsas acusaes e  mgoa que tais ataques podem 
trazer a nossas vidas? 

Rejeio  por  Parte  dos  Outros

Uma das formas de perseguio que provavelmente mais nos 
magoa  a rejeio. Basicamente, todos queremos ser aceitos e amados. 
Em vez disso, podemos sentir-nos desprezados e alijados. O prprio 
Jesus  o exemplo supremo da experincia da rejeio. "Ele foi 
desprezado e rejeitado pelos homens." (Isaas 53:3) "Veio para o que era 
seu, mas os seus no o receberam. (Joo 1:11) 
Em Mateus 10:14, Ele disse a Seus discpulos: "Se algum no vos 
receber bem, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou 
daquela cidade, sacudi o p dos vossos ps." Muitas vezes, Paulo e seus 
missionrios foram perseguidos ao entrar em diversas cidades, nas suas 
viagens evanglicas. Todavia, Paulo seguiu os conselhos do Mestre 
sobre como lidar com a rejeio, e devemos fazer o mesmo. Sacuda o p 
dos ps e siga o seu caminho. A rejeio no deve levar ao desalento, 
mas  ao. 
Samuel Rutherford, o santo pastor e telogo escocs, disse certa 
vez: " atravs de muitas aflies que entramos no reino de Deus...  
loucura pensar em esgueirar-se para o cu sem um arranho."

dio  da  Parte  dos  Outros  e  At  da  Famlia

Os cristos no devem se preparar apenas para enfrentar a rejeio e 
o dio no mundo, mas tambm no seio da sua famlia. Em Mateus 10:21-
23, Jesus falou a seus discpulos: 
"Irmos entregaro  morte a irmos, e pais a filhos: filhos se 
levantaro contra seus pais, e os faro morrer. Sereis odiados de todos por 
causa do meu nome, mas quem persevera at o fim, esse ser salvo. 
Quando, porm, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra." 
Esta previso provou ser verdadeira muitas vezes, ao longo da 
Histria. Como descreve bem a situao de cristos em regimes ateus 
opressivos, onde os pais atraioam os filhos e o irmo delata o irmo! 
Samuel Rutherford estava se referindo a este tipo de sofrimento, 
quando escreveu: "No penso muito numa cruz, quando todos os filhos 
da casa choram comigo e por mim; e sofrer quando apreciamos a 
comunho dos santos no  muito; mas  duro quando os santos se 
rejubilam com o sofrimento dos santos e os redimidos magoam ( 
verdade, chegam at odiar) os redimidos." 
Os membros da famlia no convertidos, assim como a sociedade de 
um modo geral, s vezes odeiam aquele que abraou o Evangelho. 
Em minhas viagens, conheci muita gente que sofreu ante a 
hostilidade amarga de parentes consangneos. Eu estava num avio no 
Extremo Oriente, quando um dos comissrios de bordo perguntou se 
podia falar comigo. Exibia um amplo sorriso, quando falou: 
 H dois anos que sou cristo. Venho de famlia no-crist, 
pertencente a uma seita que se opunha ao cristianismo. No entanto, h 
anos que eu vinha buscando alguma coisa, que no sabia ao certo o que 
era. Certo dia, ouvi um pastor falando de Jesus Cristo. Era isso o que eu 
vinha buscando a minha vida toda. Aceitei Cristo, fui para casa e falei a 
meus pais, irmos e irms sobre a minha f recm-descoberta. Eles me 
espancaram e me puseram para fora de casa. Todavia, continuei a 
testemunhar para eles e agora, folgo em dizer, so todos cristos. 
Em Joo 15:18-21, Jesus descreve por que o mundo, e at mesmo a 
famlia descrente do cristo, toma esta atitude para com o fiel seguidor 
de Cristo. Pode algum perguntar o que quero dizer com "mundo". Esta 
palavra tem diversos significados na Bblia. No presente contexto, quer 
dizer o sistema mundial, a ordem poltica e social organizada longe de 
Deus e muitas vezes dominada pelo mal. 
Disse Jesus a Seus discpulos: 
"Se o mundo vos aborrece, sabei que primeiro do que a vs me tem 
aborrecido a mim. Se vs fsseis do mundo, o mundo amaria o que era 
vosso; mas como no sois do mundo, antes vos escolhi eu do mundo, por 
isso  que o mundo vos aborrece. Lembrai-vos das palavras que vos disse: 
O servo no  maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, tambm 
vos ho de perseguir. Se guardaram as minhas palavras, tambm ho de 
guardar as vossas. Mas todas estas cousas vos faro por causa do meu 
nome, porque no conhecem Aquele que me enviou." 
Todavia, no h necessidade de ficarmos deprimidos pelas 
provaes que teremos que enfrentar ou pelo medo da perseguio. 
Como cristos, acho que, s vezes, tendemos a esquecer que temos um 
companheiro em nossas lutas. 
Isso me faz lembrar de uma histria que Ann Landers publicou na 
sua coluna, que  reproduzida em vrios jornais do pas: 
Certa noite, sonhei que estava passeando na praia com o Senhor. 
Muitas cenas da minha vida eram projetadas no cu. Em cada cena, 
reparei nas pegadas na areia. s vezes, havia dois pares de pegadas, 
outras vezes apenas um. Isso me incomodou porque notei que, nos 
perodos mais difceis da minha vida, quando estava sofrendo de 
angstia, pesar ou derrota, podia enxergar apenas um par de pegadas. 
Ento, falei para o Senhor: 
 Senhor, vs me prometestes que, se eu vos acompanhasse, 
caminhareis sempre comigo. Mas eu reparei que, nos perodos mais 
difceis da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia. Por 
que, nas horas em que mais precisei de vs, no estveis ao meu lado? 
E o Senhor replicou: 
 As vezes em que viste apenas um par de pegadas, minha filha,  
porque eu estava te carregando no colo. 

As  Irritaes  de  Paulo

O apstolo Paulo foi exortado a sofrer por Cristo, mas, ao longo de 
todo o seu sofrimento, s resistiu porque teve o apoio do Esprito Santo. 
No apenas foi exortado a sofrer fisicamente, mas tambm conheceu o 
sofrimento mais sutil de bancar o idiota diante dos outros homens. Ele 
descreve as suas experincias em 1 Corntios 4:9-13: 
"Pois penso que Deus nos tem posto a ns, os apstolos, pelos 
ltimos, como sentenciadas  morte; somos feitos espetculo ao mundo, 
tanto a anjos como a homens. Ns somos estultos por amor de Cristo, mas 
vs sbios em Cristo; ns somos fracos, mas vs forres; vs honrados, mas 
ns desprezadas. At esta padecemos fome, e sede, e nudez, e somos 
esbofeteados, e no temos morada certa, e fatigamo-nos, trabalhando com 
as nossas prprias mos; quando vilipendiadas, bendizemos; perseguidos, 
sofremos; difamados, rogamos; somos feitos como refugo do mundo, como 
escria de tudo at agora." 
Paulo nos fala, em II Corntios, das tribulaes, dificuldades, 
espancamentos, insnia e outros sofrimentos que os servos de Deus eram 
exortados a suportar. Ao pensar em suas responsabilidades como 
missionrio cristo, disse ele: "Alm das coisas exteriores, h o que pesa 
sobre mim diariamente, o cuidado de todas as igrejas." (II Cor. 11:28) 
Como a preocupao de Paulo com as igrejas ressalta vividamente a 
grande presso que sofrem as lideranas crists! As responsabilidades do 
ministrio muitas vezes podem ser esmagadoras. Falando humanamente, 
podem levar  solido, depresso e, muitas vezes, ao desnimo. Porm, 
no meio disto tudo, est a graa ilimitada de Deus e Sua paz, que 
ultrapassa toda a compreenso. 
Ser um clrigo famoso numa poca dominada pelos meios de 
comunicao acarreta presses que o cristo comum nem sequer 
imagina. No meu caso em particular, houve pocas em que as presses 
mentais, fsicas e espirituais tornaram-se to grandes que quase desejei 
que o Senhor me levasse logo para casa. J tive vontade de fugir ou 
sumir. Mas sei que Deus me chamou para as minhas responsabilidades, e 
devo ser fiel. Como exemplo do que estou dizendo, existe o problema de 
ser citado continuamente na imprensa. Mais perigoso do que fazer um 
pronunciamento infeliz  a possibilidade de voc ser mal-interpretado. 
As pessoas colocam os cristos famosos num pedestal, mas, ao menor 
erro, eles so imediatamente culpados e muitas vezes ridicularizados 
pelos outros cristos. Isso  parte do que Paulo quis dizer quando falou 
do "cuidado de todas as igrejas" repousando sobre ele. Esta presso foi 
ainda maior do que os sofrimentos fsicos que ele suportou. Muitas vezes 
me perguntei o que teria acontecido no ministrio do Senhor Jesus 
Cristo, se a televiso existisse naquela poca. O que teriam feito, por 
exemplo, com a ressurreio de Lzaro ou a cura de Bartimeu ou a 
alimentao dos cinco mil? 
Podemos nunca ser exortados a sofrer como Paulo. Mesmo assim, 
podemos bem nos jubilar com uma atitude como a dele: "Em tudo somos 
atribulados, mas no angustiados; perplexos, mas no desesperados; 
perseguidos, mas no abandonados; derribados, mas no destrudos." (II 
Corntios 4:8, 9) 
Deus nunca enviou nenhuma dificuldade para a vida de Seus filhos 
sem as ofertas conjuntas de ajuda nesta vida e recompensa na vida 
futura. 
Sejam quais forem as aflies que cheguem  nossa vida, nosso 
Senhor entra no vale conosco, levando-nos pela mo, at mesmo nos 
carregando, quando  necessrio. 

Eis aqui um versculo para decorar e repetir: 
"No vos tem sobrevindo tentao que no seja comum aos 
homens; mas Deus  fiel, o qual no permitir que sejais tentado alm 
das vossas foras, mas tambm com a tentao prover o meio de sada 
para poderdes suport-la." (I Corntios 10:13) 








VIVENDO  ACIMA  DE  SUAS  CIRCUNSTNCIAS

No oro pedindo um fardo mais leve, mas sim costas mais fortes. 
PHILLIPS BROOKS

PARA AQUELES que enxergaram, a cegueira pode ser uma 
deficincia esmagadora. Durante a maior parte de seus 95 anos na terra, 
Fanny Crosby foi cega. No entanto, teve a profunda percepo espiritual 
para compor hinos cristos clssicos como "Salva pela Graa", e 
centenas de outros hinos e canes evanglicas que inspiraram e 
confortaram os cristos por uma centena de anos. 
Mais recentemente, Ken Medema, o cantor e compositor cego cujas 
melodias extravagantes e letras felizes o tornaram querido em todos os 
Estados Unidos, transformou a sua deficincia numa celebrao alegre 
da bondade de Deus. 
John Milton escreveu o imortal Paraso perdido como resultado da 
desgastante experincia da cegueira. Esse clssico glorifica e exalta a 
grandeza de Deus. 
O famoso missionrio para os ndios americanos, David Brainerd, e 
o destacado pastor escocs Robert Murray McCheyne sofriam de 
molstias pulmonares e morreram antes de completar 30 anos. No 
entanto, embora to jovens, firmaram-se na vanguarda do servio cristo 
e foram reconhecidos por sua vida santa. 
Louis Pasteur, o qumico francs que descobriu o processo de 
eliminao de germes chamado de "pasteurizao", era semiparaltico e 
sujeito a ataques epilpticos. Nunca desistiu da sua busca de solues 
para as molstias que grassavam na poca em que vivia.  possvel que, 
se tivesse gozado de boa sade, tivesse trocado suas pesquisas por um 
trabalho mais lucrativo. 
Devido  surdez progressiva, Beethoven foi forado a abandonar 
sua carreira de pianista e concentrar-se na composio musical. Como 
resultado, tornou-se um dos maiores compositores de todos os tempos. 
Estou convencido de que existe uma bno no sofrimento. Nem 
sempre  possvel enxergar a bno no problema determinado que 
estamos enfrentando, mas o sofrimento pode e deve servir a um 
propsito positivo. A despeito de suas deficincias e dores, as pessoas a 
quem acabamos de nos referir alcanaram grandes coisas para o 
benefcio da humanidade porque aprenderam a viver acima de suas 
circunstncias, superando-as. Com a ajuda de Deus, podemos fazer o 
mesmo. 
Todos temos problemas na vida, em escala maior, ou menor. Como 
disse o music man, "h encrencas em River City". As provaes deixam 
umas pessoas amargas, e outras melhores. Qual a diferena? 
O salmista oferece a resposta no Salmo 43:5. A diferena  a f em 
Deus. "Por que ests abatida, minha alma? Por que ests perturbada 
dentro de mim? Espera em Deus."

A  Estrada  da  Esperana

O apstolo Paulo era um grande expoente de esperana. "Cristo em 
ti, a esperana da glria." (Col.1:27) Ao escrever tais palavras, ele coloca 
nossas esperanas em Cristo. E que melhor esperana do que o Cristo 
"em voc"? Se Ele est no seu corao, traz Consigo todas as bnos do 
Seu Esprito: amor, alegria, paz e os outros frutos positivos que sero 
aparentes na vida daquele que cr (Gl. 5:22,23). Ao escutar a 
mensagem dos versculos da Santa Escritura, o cristo pode vislumbrar 
como sua vida pode ser, se for verdadeiramente entregue ao controle de 
Cristo. 
Pense em algumas implicaes de ter Cristo com voc: 
1. Voc jamais ficar sozinho de novo; 
2. Poder lanar "sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem 
cuidado de vs" (1 Pedro 5:7); 
3. Poder contar com os frutos do Esprito crescendo na sua vida; 
4. Poder contar com um ou mais dons do Esprito para utilizar, 
visando o avano do reino de Deus.
Desse modo, voc ter no apenas "esperana no cu", mas ter 
tambm "esperana" para cada dia desta vida terrena, a despeito das 
circunstncias externas e das dificuldades que possam ser criadas por sua 
situao. 
Isto  apenas uma parte do legado espiritual que  nosso, quando 
"esperamos em Deus" e experimentamos a realidade do "Cristo em ti, a 
esperana da glria". O amplo panorama de vida vitoriosa para o qual se 
abre esta porta da "esperana"  vasto demais para se contemplar, 
profundo demais para se compreender. Porm, ele aguarda o crente que 
obedece a ordem de "ter esperana".

O  Espinho  na  Carne  de  Paulo

O apstolo Paulo conheceu o sofrimento na prpria carne Quando 
contava para o povo de Corinto algumas de suas experincias pessoais 
engrandecedoras com o Senhor ressuscitado, confessou que tinha um 
problema fsico real: "Para que eu no me engrandecesse demais, foi-me 
dado um espinho na carne, mensageiro de Satans para me esbofetear." 
(II Cor.12:7) 
No sabemos exatamente o que era o tal "espinho na carne", mas 
deve ter sido uma enfermidade fsica. Podia ter sido alguma espcie de 
doena de olhos, ou epilepsia; ou, como Sir William Ramsay achava 
provvel, malria. Houve quem sugerisse que poderia ser uma insnia 
crnica, mas eu acho isso pouco provvel. Seja como for, sabemos como 
ele lidou com esse problema e qual foi a sua atitude subseqente para 
com ele: "
"Acerca disto, trs vezes implorei ao Senhor que o espinho se 
apartasse de mim. E disse-me: Basta-te a minha graa, pois a minha fora 
se aperfeioa na fraqueza. Portanto, de boa vontade antes me gloriarei nas 
minhas fraquezas, para que a fora de Cristo repouse sobre mim. Por isso 
folgo em fraquezas, em afrontas, em necessidades, em perseguies, em 
angstias por amor de Cristo; pois quando estou fraco, ento estou forte." (II 
Cor. 12:8-10) 
 claro que Paulo no gostava do espinho na carne. Mas quando 
soube que no era possvel livrar-se dele, parou de gemer e comeou a 
glorific-lo. Sabia que era a vontade de Deus e que o tormento era uma 
oportunidade para que ele provasse o poder de Cristo em sua vida. 
Paulo tambm sabia o que era sofrer com circunstncias externas. 
Ele literalmente se vangloria do sofrimento que suportou nas mos 
daqueles que o perseguiam. Foi chicoteado, espancado com varas, 
apedrejado e naufragou; passou frio e fome; foi atraioado pelos amigos. 
Qualquer uma dessas circunstncias teria derrotado a maioria de ns. 
Todavia, Paulo conclui o seu catlogo de sofrimentos com essas palavras 
triunfantes, que deveramos imprimir em nossos coraes: "Quando 
estou fraco, ento estou forte." 
Voc conseguiria viver acima de suas circunstncias, como Paulo 
viveu? Resistir a um sofrimento to severo como o dele, por nossa conta, 
seria impossvel. No entanto, juntamente com o apstolo, podemos dizer: 
"Tudo posso naquele que me fortalece." (Filipenses 4:13) 

Estvo,  o  Primeiro  Mrtir

Como pode uma bno advir de um assassinato? Estvo foi outro 
personagem do Novo Testamento que sofreu e morreu pela causa de 
Cristo, e o seu martrio resultou em progresso para o Evangelho. 
Estvo foi escolhido dentre os primeiros dos discpulos em 
Jerusalm para cumprir a tarefa de dicono. No seu ministrio, assim 
como no dos prprios apstolos, "divulgava-se a palavra de Deus, e se 
multiplicava muito o nmero dos discpulos em Jerusalm; tambm 
muitos dos sacerdotes obedeciam  f." (Atos 6:7) 
Estvo era "um homem cheio da graa e poder de Deus", cujo 
testemunho logo comeou a fazer efeito. Como resultado, comeou a 
enfrentar oposio. Qualquer pessoa que assuma audaciosamente o 
Senhor Jesus Cristo encontrar uma forte resistncia. "Disputavam, com 
Estvo; e no podiam resistir  sabedoria e ao Esprito pelo qual ele 
falava." (Atos 6:9, 10) 
O resultado de tudo isso foi que os lderes religiosos instigaram o 
povo a levar Estvo para ser julgado pelo Conselho. Testemunhas 
mentirosas lhe lanaram acusaes falsas e ele foi sentenciado  morte 
por apedrejamento. 
Quando estava morrendo, Estvo ergueu os olhos e declarou que 
via Jesus  mo direita de Deus. Isso enfureceu a turba de tal modo que 
apedrejaram Estvo com mais violncia ainda. 
"Apedrejavam a Estvo que invocava o senhor e dizia: 'Senhor 
Jesus, recebe o meu esprito.' Ele, ajoelhando-se, clamou em alta voz: 
'Senhor, no lhes imputes este pecado.' Tendo dito isto, adormeceu." 
(Atos 7:59, 60) 
Temos algo de interessante a acrescentar a esta histria. Um homem 
chamado Saulo viu acontecer esse assassinato sangrento. Tornar-se-ia 
mais tarde,  claro, o apstolo Paulo. Creio que a conduta de Estvo 
durante o seu julgamento, seu sermo emocionante, e o seu martrio 
corajoso, podem ter sido os fatores que depois influenciaram Saulo a se 
voltar, ele mesmo, para Cristo.

J:  No    um  Santo  das  Horas  Boas

Dos muitos santos sofredores do Antigo Testamento, dois se 
destacaram para mim: um deles  quase uma ilustrao clssica do 
sofrimento.  comum falarmos em "pacincia de J" e com isso estamos 
nos referindo  maneira paciente como suportou o sofrimento cruciante 
que foi exortado a experimentar. A sua atitude triunfante  ainda mais 
espantosa quando nos damos conta do que aconteceu a ele. O seu 
sofrimento era mais do que simplesmente fsico: 
1. Ele perdeu a sade; 
2. Perdeu a fortuna; 
3. Perdeu os filhos. 
J ficou reduzido a sentar-se em meio aos escombros da sua vida, 
antes prspera. E depois da perda de tudo que valia a pena na sua vida, 
ele ainda pde dizer: "Eis que me matar; no esperarei. Contudo, 
defenderei os meus caminhos diante dele." (J 13:15) Mais tarde, fez 
essa declarao impressionante: "Sei porm que o meu Redentor vive, e 
o que vem depois de mim se levantar em p sobre o p." (J 19:25) Tais 
palavras saram da boca de um homem esmagado mental e fisicamente 
pelo sofrimento que suportara nas mos de Satans. 
Depois dos piores de seus padecimentos, a sua mulher lhe disse: 
 Conservas tu ainda a tua integridade? Renuncia a Deus e morre. 
A despeito dessas palavras fortes, J replicou: 
 Ests falando como fala uma mulher tola. Qu? Receberemos o 
bem da mo de Deus, e no receberemos o mal?
Continuamos lendo a Bblia, e vemos que, "em tudo isso, no pecou 
J com os seus lbios." (J 2:9,10) J no era perfeito. Repare que a 
Bblia diz que ele no pecou "com os seus lbios"! Todavia, ele  um 
modelo impressionante para seguirmos em nossa atitude para com o 
sofrimento. A despeito de suas dificuldades, podia dizer: "Jeov deu, e 
Jeov tirou; bendito seja o nome de Jeov." (J 1:21) 
O Livro de J no resolve o problema do sofrimento, mas ensina 
lies valiosas. Primeiro, torna claro que os inocentes sofrem juntamente 
com os culpados, e que a virtude nem sempre  recompensada aqui na 
terra. Os sofrimentos de J eram imerecidos. Ele rejeitou as acusaes de 
seus trs amigos e manteve a sua integridade. Deus tampouco o acusou 
de ter agido mal. 
Depois, a histria nos ajuda a distinguir entre o sofrimento de 
retribuio e o disciplinar. Deus no estava punindo J, mas sim 
testando a sua f e apurando o seu carter. J saiu da sua provao um 
homem melhor e mais sbio. 
A histria de J tem uma concluso gloriosa. Voc pode ach-la no 
captulo 42 de J, mas eis aqui os pontos altos: Depois que J orou por 
seus amigos (aqueles que o difamaram durante a sua provao), o Senhor 
o tornou prspero de novo e deu-lhe o dobro do que possua antes. Todos 
os seus irmos e irms... confortaram-no e consolaram-no pelos 
padecimentos que o Senhor lhe enviara... O Senhor abenoou a ltima 
parte da vida de J mais do que a primeira. (vv.10-12) 
Que testemunho  J da fidelidade mxima de Deus a Seus prprios 
filhos! No seu livro Where Is God When It Hurts? (Onde est Deus 
quando di?), escreve Phillip Yancey: "Satans provocara Deus com a 
acusao de que os humanos no so verdadeiramente livres, porque 
Deus reforara as recompensas de J para que ele escolhesse a Seu favor. 
Ser que J era fiel porque Deus lhe concedera uma vida to prspera? O 
teste provou que no. J  um exemplo eterno daquele que se manteve 
fiel a Deus, embora o seu mundo tenha desabado e parecesse que o 
prprio Deus se voltara contra ele. J se apegou  justia de Deus 
quando, aparentemente, era o melhor exemplo na histria de uma 
pretensa injustia de Deus. Ele no buscou o Doador por causa de seus 
dons; quando todos os dons foram retirados, ele ainda buscava o 
Doador."1

Da  Priso  ao  Palcio

Existe um outro personagem do Antigo Testamento que nos oferece 
uma ilustrao do sofrimento: Jos. Seus irmos tramaram a sua morte e 
o venderam como escravo. Ainda criana foi separado de sua famlia e 
mandado para um pas estranho. Quando era rapaz, foi acusado 
falsamente de tentar seduzir a mulher de seu senhor, e, como 
conseqncia, foi lanado  priso. Esses acontecimentos eram o 
bastante para levar qualquer homem ao desespero. 
Disse algum: "Deus no usa ningum alm dos seus limites, a no 
ser depois que o tenha feito em pedaos." Jos passou por mais tristezas 
do que todos os filhos de Jac, no entanto, foi fiel. A sua fidelidade no 
sofrimento levou-o a ser o primeiro-ministro do Egito. Como resultado 
de sua posio e poder, conseguiu salvar a sua famlia da fome. Por este 
motivo, disse dele o Esprito Santo: "Jos  um ramo frutfero, um ramo 
frutfero junto  fonte; e seus raminhos se estendem sobre o muro." 
(Gn.49:22)  preciso o sofrimento para ampliar a alma.

O  Sofrimento  em  Nosso  Mundo  Moderno

 interminvel a lista dos que sofreram por Cristo, desde os dias da 
primeira igreja. Lemos histrias tanto de catlicos quanto de protestantes 
que, em sculos passados, padeceram terrivelmente por lealdade  sua f. 
A maioria desses valentes cristos morreu sob tortura e foi submetida a 
tratamentos desumanos que vo alm da imaginao. 
Mas no  preciso irmos muito longe na Histria. O sculo XX foi 
testemunha de alguns dos exemplos mais espantosos de sofrimento em 
massa na histria da raa humana. Milhes sofreram e morreram em 
duas catastrficas guerras mundiais, com milhes mais perecendo em 
diversas outras guerras e revolues. 
Vrios anos atrs visitei o notrio campo de concentrao nazista 
em Auschwitz, onde vrios milhes de pessoas (tanto judeus quanto 
gentios) foram impiedosamente chacinados. Nem consigo descrever o 
horror e a revulso que me dominaram enquanto caminhava por aquele 
terrvel monumento  desumanidade do homem para com o homem. 
Alm disso, o nosso sculo tem testemunhado, repetidamente, cenas 
incrveis de fome e inanio em massa em muitas partes do mundo. 
Nenhum cristo sincero pode ficar indiferente a acontecimentos to 
trgicos. A sina desesperada dos pobres e famintos, a tolerncia de tantos 
para com a injustia social e econmica, o aumento descabido de armas 
de destruio em massa  estes e inmeros outros problemas 
demonstram vividamente que vivemos num mundo em que a maldade e 
o sofrimento no apenas so reais, como crescem a cada momento. Esses 
problemas tambm desafiam todos os cristos a orar e trabalhar para 
mitigar o sofrimento e a combater as causas desses problemas, sempre 
que possvel. 
Como cristos, sabemos que todo o sofrimento e a maldade jamais 
sero eliminados de nosso mundo antes do retorno de Cristo. Mas 
tambm sabemos que Cristo ordena que faamos tudo o que for possvel 
para demonstrar o Seu amor por todos aqueles que sofrem. Devemos 
lutar contra o mal e a injustia e trabalhar em nome de Cristo pelo bem 
dos outros. 
Porm, o sofrimento afeta todos os tipos e classes de indivduos, 
todos os dias. Podemos encontrar  nossa volta o sofrimento sob dezenas 
de formas. Basta ir aos cortios de Nova York, aos hospitais de qualquer 
cidade, ou aos lares tragicamente desfeitos. Converse com os milhes de 
crianas que esto vivendo com apenas um dos pais, ou sem nenhum dos 
dois. Converse com as dezenas de milhares de pacientes que foram 
avisados que esto com cncer ou molstias cardacas. Converse com as 
vtimas de assaltos, estupros e outros crimes que ocorrem diariamente 
em quase todas as cidades. V s prises e fale com os prisioneiros que 
esto pagando o preo amargo por seus erros. Converse com os pastores 
que esto de corao partido porque os membros de sua congregao 
professam uma coisa e vivem outra. O mundo todo est pedindo socorro. 
Uma pessoa cujo nome  sinnimo de "sofrimento vitorioso"  a 
prendada e corajosa tetraplgica Joni Eareckson. Vive numa cadeira de 
rodas, incapaz de fazer qualquer coisa por si mesma e, no entanto,  um 
dos seres humanos mais vibrantes e belos que j vi. 
Dividiu conosco o palanque cm muitas de nossas cruzadas, e o seu 
testemunho do que o Senhor fez por ela, em e durante sua provao, 
nunca cessa de me espantar e me tornar humilde. Joni emergiu do fogo 
de sua provao com uma percepo incrivelmente ampla e sensvel no 
apenas quanto ao significado do sofrimento, mas tambm quanto a todas 
as grandes verdades teolgicas inerentes a este tpico. Joni j teve o seu 
prprio Armagedom. 
Sua capacidade de captar as verdades mais profundas e verbaliz-
las em termos simples me assombra e inspira. Conheo pouca gente, 
inclusive alguns de nossos maiores telogos, que possua uma noo to 
prtica e abrangente de quem  Deus e do que est fazendo em Seu 
mundo. Os livros dela e o filme sobre a sua vida, suas apresentaes na 
televiso e sua histria publicada na imprensa tocaram milhares de vidas. 
O seu servio para Deus  muitas vezes maior do que se jamais tivesse 
sofrido aquele acidente, ao mergulhar na Baia de Chesapeake. 
Kim Wickes, que comparece  maioria de nossas cruzadas, ficou 
cega na infncia porque as retinas de seus olhos foram destrudas quando 
ela olhou para a exploso de uma bomba. Seu pai tentou mat-la, 
jogando-a no rio. Desesperado e sem saber mais o que fazer por causa da 
guerra e da fome, o pai acabou deixando-a num asilo para crianas cegas 
e surdas em Taegu, Coria. Mais tarde, foi adotada por uns americanos e 
comeou os anos de estudo e treinamento que resultaram num 
testemunho em letra e msica que encantou milhes. Seus estudos 
levaram-na s melhores escolas do mundo, inclusive a Viena. Os 
acontecimentos da vida de Kim podiam ter destrudo muitas pessoas, 
porm, pela graa de Deus, ela triunfou sobre a adversidade. 
Hoje em dia, existem milhares de cristos no mundo todo que esto 
enfrentando diariamente a dor, a perseguio e a oposio por sua f. 
Ficamos sabendo agora de seus triunfos e sobrevivncia em muitas 
partes do mundo. A sua f em Cristo  profunda e forte. A disposio 
com que enfrentam a perseguio nos deixa envergonhados. 
No compreendo como o corpo humano pode suportar uma 
perseguio do tipo que esto sofrendo hoje em dia alguns de nossos 
irmos e irms em Cristo  como, por exemplo, em Uganda. Sei apenas 
que, quando Jesus Cristo est com uma pessoa, esta pode suportar os 
padecimentos mais profundos e emergir um cristo ainda melhor e mais 
forte. A questo de como devemos suportar o sofrimento ser abordada 
no captulo seguinte. 

O  Sofredor  Supremo:  Jesus  Cristo

Ser que olhamos para ns mesmos, nossas provaes, nossos 
problemas, quando estamos sofrendo? Ser que vivemos segundo as 
circunstncias, em vez de acima das circunstncias? Ou ser que 
olhamos para Aquele que sofreu mais do que podemos conceber? 
Em Table Talk (Conversa  mesa), Martinho Lutero disse: "Nosso 
sofrimento no  digno do nome de sofrimento. Quando considero 
minhas cruzes, tribulaes e tentaes, quase morro de vergonha, 
pensando no que so em comparao com o sofrimento de meu 
abenoado Salvador, Jesus Cristo." 
Existem vrias coisas na vida de Cristo que revelam o Seu papel 
como o "servo sofredor", Messias.  impossvel reconstituir cada aspecto 
desta busca por toda a Sua vida, mas considere estas verdades: 
Em Isaas 53, os sofrimentos do Salvador so descritos com tanta 
mincia que o texto pode ser lido quase como se fosse algo escrito por 
uma testemunha ocular, ao invs de ser a previso de um homem que o 
escreveu oitocentos anos antes do fato. 
Observe que a vida de Jesus comeou em meio  perseguio e ao 
perigo. Ele veio numa misso de amor e misericrdia, enviado pelo Pai. 
Um anjo anunciou a Sua concepo e deu-Lhe Seu nome. Todos os anjos 
cantaram um hino glorioso quando Ele nasceu. Por meio da "estrela" ou 
meteoro extraordinrio, o prprio cu indicou a Sua vinda. Por Si mesmo 
foi a criana mais ilustre que j nasceu  o santo filho de Maria, o Filho 
divino de Deus. No entanto, mal Ele entrou no nosso mundo e j 
Herodes decretou a Sua morte e fez de tudo para consegui-ta. 
Repare, tambm, que Ele assumiu um papel de profunda 
degradao. Filho do pai Eterno, Ele tornou-se um beb feito  
semelhana do homem. Assumiu nossa natureza humana com todas as 
suas enfermidades e fraquezas e capacidade para o sofrimento. Veio 
como o filho de pais pauprrimos. Toda a Sua vida foi de humilhao 
voluntria. Veio para servir e ministrar, no para ser servido. 
Outro aspecto de Seu sofrimento so as suspeitas vis e as 
deturpaes que teve que suportar. "Ele veio para o que era seu, e os 
seus no o receberam." (Joo 1:11) Em vez disso, zombaram dEle e O 
trataram com desdm. Foi "desprezado e rejeitado" pela maioria deles. 
Trataram-no como um transgressor da lei de Deus, algum que 
desrespeitava o Sbado, uma pessoa pecaminosa  um beberro, um 
alcolatra, algum associado a marginais e pecadores notrios. 
Repare tambm que Ele esteve constantemente exposto  violncia 
pessoal. No comeo de Seu sacerdcio, Seus prprios conterrneos de 
Nazar tentaram jog-lo montanha abaixo. (Lucas 4:29) Os lderes 
religiosos e polticos muitas vezes conspiraram para prend-Lo e mat-
Lo. Finalmente, acabou sendo preso e levado a julgamento ante Pilatos e 
Herodes. Muito embora fosse inocente das acusaes, foi denunciado 
como inimigo de Deus e do homem, e indigno de viver. 
Os sofrimentos de Jesus tambm incluram as ferozes tentaes do 
demnio. Isto foi vividamente descrito em Mateus 4:1: "E ento foi 
levado Jesus pelo Esprito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo." 
Lembre-se, tambm, que Ele sabia, antecipadamente, o que O esperava, 
e isto aumentou ainda mais o Seu sofrimento. Conhecia o contedo do clice 
que tinha de beber; conhecia a trilha de padecimentos que tinha que percorrer. 
Podia enxergar claramente o batismo de sangue que O esperava. Falou 
claramente a Seus discpulos da morte prxima pela crucificao. Jesus, o 
sofredor supremo, veio para sofrer por nossos pecados. Como resultado de 
Seus padecimentos, nossa redeno ficou assegurada. 

O que o sofredor divino exige de ns? Apenas nossa f, nosso amor, 
nosso louvor agradecido, nossos coraes e vidas consagrados. Ser 
demais para se pedir? O Cristo vivendo em ns permitir que vivamos 
acima de nossas circunstncias, no importa o quo dolorosas sejam. 
Talvez voc que est lendo estas palavras encontre-se quase esmagado 
pelas circunstncias que est enfrentando no momento. Pergunta-se 
quanto ainda poder agentar. Mas no se desespere! A graa de Deus  
suficiente para voc e permitir que supere as suas provaes. Que esta 
seja a sua confiana: 
"Quem nos separar do amor de cristo? Ser tribulao, ou angstia, 
ou perseguio, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? (...) Em tocas 
estas coisas somos mais do que vencedores por aquele que nos amou." 
(Rom. 8:35-37) 





















O  QUE  FAO  COM  A  MINHA  DOR?

A dor, o megafone de Deus, pode me afastar dEle. Posso odiar 
a Deus por permitir tal misria. Por outro lado, pode me levar a 
Ele. PHILIP YANCEY1

NEM SEMPRE somos consistentes em nossas reaes ao 
sofrimento pessoal. Com um tipo de aflio, somos capazes de agentar 
firme e seguir em frente. Com um outro golpe da vida, parecemos 
desmontar.

Nossas  Reaes  So  o  Resultado  de  Nossas  Convices

Lorde George Gordon Byron e Sir Walter Scott foram talentosos 
escritores e poetas que viveram no fim do sculo XVIII e comeo do 
sculo XIX. Ambos eram mancos. Byron se ressentia amargamente de 
sua deficincia e vivia se queixando da sua sina. Nunca se ouviu Scott 
reclamar do seu problema. Certo dia, Scott recebeu uma carta de Byron 
que dizia: "Daria a minha fama para ter a sua felicidade." 
O que fez a diferena nas suas reaes ao sofrimento e suas atitudes 
para com suas deficincias? Byron era um homem que se orgulhava do 
seu estilo de vida dissoluto. Os seus padres morais eram duvidosos. 
Scott, por outro lado, era um fiel cristo, cuja vida corajosa 
exemplificava os seus padres e valores cristos. 
Para o cristo, a reao ao sofrimento deve ser influenciada por seu 
conceito do que Jesus Cristo suportou por ele na cruz e na sua 
compreenso da vontade de Deus para ele em sua dor, no importa qual 
a sua fonte ou intensidade. 
A vida crist  uma vida livre da penalidade do pecado no que diz 
respeito ao julgamento, mas no  livre dos resultados do pecado. Por 
causa da desobedincia no Paraso, o pecado invadiu o universo perfeito 
de Deus e da o sofrimento inevitvel que encontramos durante a nossa 
peregrinao humana  o sofrimento que terminar, no que diz respeito 
ao cosmos, no Armagedom. Nesse meio-tempo, no estamos livres de 
aflies, doena, transtornos emocionais, problemas financeiros e todo o 
espectro do sofrimento humano. 

Cristo  Nunca  Prometeu  Uma  Vida  Fcil

Jesus Cristo falou francamente a Seus discpulos sobre o futuro 
Nada ocultou deles. Ningum pode acus-lo de logro ou de fazer falsas 
promessas. 
Em linguagem inconfundvel, Ele lhes disse que o discipulado 
significava uma vida de abnegao, carregando uma cruz. Pediu-lhes que 
contassem os custos com cuidado, para que depois no dessem meia-
volta ao encontrar o sofrimento e a privao. 
Jesus disse a Seus seguidores que o mundo os odiaria. Eles seriam 
presos, flagelados, e levados perante governadores e reis. At mesmo os 
seus entes queridos os perseguiriam. Como o mundo O odiava, trataria 
mal a Seus servos. Ele tambm advertiu: "Ainda mais vem a uma hora 
em que todo o que vos mata julgar oferecer um culto a Deus." (Joo 
16:2) 
Sendo assim, o cristo deve esperar conflito, no uma vida fcil e 
gostosa. Ele  um soldado e, como j foi dito, o seu capito jamais lhe 
prometeu imunidade dos percalos da batalha. 
Muitos dos primeiros seguidores de Cristo ficaram desapontados 
com Ele, pois a despeito de Suas advertncias, esperavam que Ele 
subjugasse seus inimigos e instalasse um reinado poltico no mundo. 
Quando se viram face a face com a realidade, "se retiraram, e no 
andavam mais com ele". (Joo 6:66) Porm, os verdadeiros discpulos de 
Jesus sofreram por sua f. 
Sabemos que os primeiros cristos rejubilavam-se quando iam ser 
mortos, como se estivessem indo para um banquete de npcias. 
Banhavam as mos no fogo aceso para queim-las e gritavam de alegria. 
Um dos historiadores da poca, ao testemunhar o herosmo deles, 
escreveu: "Ao amanhecer o dia da vitria, os cristos marchavam em 
procisso da priso para a arena como se estivessem marchando para o 
cu, com fisionomias alegres marcadas pelo contentamento, e no pelo 
medo." 
Tcito, um historiador romano, escrevendo sobre os primeiros 
mrtires cristos, falou: "Acrescentavam-se  sua morte zombarias de 
todo o tipo. Cobertos com peles de animais, eles eram feitos em pedaos 
pelos ces e pereciam, ou eram pregados em cruzes, ou lanados s 
chamas e queimados, para servir de iluminao noturna, quando o dia 
terminava. Nero oferecia seus jardins para o espetculo." 
Como eram verdadeiras as palavras de Paulo aos primeiros cristos: 
"Por muitas tribulaes nos  necessrio entrar no reino de Deus." (Atos 
14:22) 
Algum j disse que estas so as "contradies permitidas" de Deus 
em nossas vidas. Todavia, existe uma diferena drstica entre a vontade 
permissiva de Deus e a Sua vontade perfeita para nossas vidas. Ns nos 
desviamos daquela vontade perfeita quando Ado escolheu a 
desobedincia a Deus no Paraso. 
Quando a vida nos desfecha seus golpes, podemos reagir com 
ressentimento, resignao, aceitao ou boas-vindas. Somos os exemplos 
vivos de nossas reaes.

Ressentimento:  A  Culpa    Sua,  Deus

Se vivemos vidas egocntricas e algo acontece para alterar ou 
perturbar os planos que fizemos com tanto cuidado, a nossa tendncia 
natural  reagir com impacincia ou ressentimento. Temos a tendncia de 
culpar a Deus quando as coisas do errado e a assumir o crdito quando 
tudo parece estar indo bem. Reagir com ressentimento pode se tornar um 
meio de vida para ns, e o resultado no  muito atraente. 
O ressentimento pode estrangular um ser humano. Diz a Bblia: "A 
insubmisso mata o tolo e o apaixonamento tira a vida ao simples." (J 
5:2) 
Como se desenvolve o ressentimento? Desenvolve-se dentro de um 
clima de resistncia  vontade de Deus para nossas vidas. Os cristos que 
tm uma f forte crescem  medida que aceitam o que quer que Deus 
permita que entre em suas vidas. Curvam-se  Sua vontade boa e perfeita 
e tornam-se mais maduros. Num verdadeiro sentido, o carter cristo  
um crescimento, no um dom. 
Alexander Maclaren, um ilustre pregador de Manchester (1826-1910), 
escreveu: "O que nos perturba neste mundo no so as dificuldades, mas 
a nossa oposio s dificuldades. A verdadeira fonte de tudo que 
aborrece e irrita e desgasta as nossas vidas no est nas coisas externas, 
mas na resistncia de nossas vontades  vontade de Deus expressa pelas 
coisas eternas." 
Ressentir-se e resistir  mo disciplinadora de Deus  perder uma 
das maiores bnos espirituais que ns cristos podemos ter aqui na 
terra. 
Seja l o que for  aflies, dificuldades, adversidade, irritao, 
oposio  ns s "aprendemos Cristo" quando descobrimos que a graa 
de Deus  suficiente para todos os testes. Um poeta desconhecido 
pergunta: 
Se todos os meus anos fossem vero, 
como eu poderia saber 
O que meu Senhor quer dizer com 
Sou "tornado branco como a neve"? 
Se todos os meus dias fossem ensolarados, 
como eu poderia dizer 
"na Sua bela terra Ele enxuga todas as lgrimas"? 
Se eu jamais me cansasse, como guardaria 
junto ao corao "Ele d o sono queles que ama"? 
Se no tivesse padecimentos, ser que no consideraria 
a vida eterna apenas um sonho sem fundamento? 
Meu inverno e minhas lgrimas e meu cansao, 
at meus padecimentos podem ser o jeito dEle abenoar. 
Eu os chamo de males, no entanto, sem dvida no passam 
de amor que mostra o Senhor aos meus olhos. 

Embora J tenha sofrido como poucos homens sofreram, ele jamais 
perdeu de vista a presena de Deus ao seu lado, em meio ao sofrimento. 
Emergiu vitorioso do outro lado da dor e da provao porque jamais 
permitiu que o ressentimento toldasse o seu relacionamento com Deus. 
A atitude que pode vencer o ressentimento  expressa pelo autor aos 
Hebreus: "Toda correo ao presente, na verdade, no parece ser de 
gozo, mas de tristeza; depois, porm, d fruto pacfico de justia aos que 
por ela tm sido exercitados." (12:11) 
O ressentimento  uma das reaes s provaes e aflies da vida, 
e nos deixa com uma personalidade amargurada. Existe uma outra 
reao, que  de piedade aparente.

Resignao:  Enfrentando  a  Vida  com  um  Suspiro

Todo um gnero de literatura religiosa se desenvolveu a partir deste 
tipo de atitude "espiritual". Na verdade, a maioria dos cristos se 
encontra nesta categoria, numa ou noutra poca. s vezes, achamos que 
h algo de piedoso em nos resignarmos aos duros golpes da vida. A 
resignao no  uma virtude que distingue os cristos. Poderamos 
aprender com os escritores pagos, como os esticos da Grcia antiga, a 
aceitar a calamidade com resignao. Em geral,  a maneira mais fcil de 
reagir, uma espcie de fatalismo ou analgsico  anestesia onde deveria 
existir ao. 
A vitria crist autntica no est no caminho da mera resignao. 
Em vez disso, o cristo que cresce v, como J viu, que, embora Deus 
possa nos ferir (ou permitir que sejamos feridos), "as suas mos tambm 
curam." (J 5:18) 
Ainda bem que o rei Davi no vivia permanentemente "numa boa". 
Pense s nos Salmos que no conheceramos, se fosse este o caso. Nos 
seus escritos, ele deixa ver um lado da sua natureza que nos intriga e 
inspira. Em vez de se resignar ao sofrimento, ele falou coisas como: "Por 
que ests abatida, minha alma? Por que ests perturbada dentro de 
mim?" (Salmos 42:5) 
Como ele respondeu a essas perguntas retricas? Prosseguiu ele: 
"Espera em Deus, pois ainda lhe darei graas pelo auxlio do seu rosto." 
(vv. 5, 6) Continua a raciocinar consigo mesmo: "De dia Jeov ordenar 
a sua benignidade, e de noite estar comigo o seu cntico, a saber, uma 
orao ao Deus da minha vida. Direi a Deus, minha rocha: Por que te 
esqueceste de mim?" 
"Por que ests abatida, minha alma? Por que ests perturbada dentro 
de mim?" Ele mesmo se responde, triunfante: "Espera em Deus, pois 
ainda lhe darei graas pelo auxlio do seu rosto." (vv. 5-6) 
Davi recusava-se a resignar-se s derrotas que, s vezes, 
ameaavam derrub-lo. Mais de uma vez, tanto na sua vida pessoal 
quanto na pblica, ele parecia ter sido vencido  mas sempre olhava para 
alm do obstculo ou problema tentando enxergar o prprio Deus. 
"Elevo os meus olhos para os montes: de onde h de vir o meu socorro? 
O meu socorro vem de Jeov, que fez o cu e a terra." (Salmos 121: 1,2) 
Embora Davi possa ter se mostrado triste, confuso ou desanimado em 
alguns salmos, ele sempre termina numa nota de esperana ou confiana 
em Deus. 
Como j ressaltamos, a tristeza, as dificuldades, os sofrimentos e 
at a perseguio, de uma forma ou de outra, chegam  vida de todo 
cristo. No temos um escudo mgico para nos proteger dos problemas. 
Porm, a resignao pura e simples pode levar-nos a um estado de 
abatimento. No final das contas,  a nossa atitude que conta  a nossa 
atitude para conosco e para com Deus. Podemos transformar os fardos 
em bnos, ou deixar que os fardos nos enterrem.

Aceitao:  Tirando  Proveito  da  Adversidade

s vezes, nossos fardos parecem grandes demais para qualquer um 
suportar. Jesus tem um grande convite para ns: "Vinde a mim todos os 
que andais em trabalho e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai 
sobre vs o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde 
de corao; e achareis descanso para as vossas almas. Pois meu jugo  
suave, e o meu fardo  leve." (Mat. 11:28-30, o grifo  meu) 
Vinde. Tomai. Aprendei. Que palavras poderosas! Contm um 
convite para aceitar e tirar proveito de nossos fardos e problemas. 
O orador, escritor e estadista irlands Edmund Burke (1729-1797) 
disse: "Nosso antagonista  nosso ajudante. Aquele que luta conosco 
fortalece nossos msculos e agua nossas habilidades." 
Um msculo que no  usado se atrofia. Para atingir a sua fora 
mxima, o msculo tem que se opor a alguma coisa. Para atingir o pice 
como indivduo, a pessoa tem que aprender a tirar proveito de uma 
dificuldade.  
Fico pensando nos negros americanos que, por muitos anos, foram 
considerados cidados de segunda categoria. Porm, a despeito de suas 
extremas desvantagens, muitos negros tiraram proveito de suas 
dificuldades para desenvolver todo o seu potencial humano. Como 
resultado de seu trabalho e de sua luta pelo reconhecimento, temos 
muitos atletas, cantores e atores negros extraordinrios. Outros negros, 
tambm, alcanaram grande destaque porque encontraram na adversidade 
aquilo que ns, no privilgio e na afluncia, deixamos escapar. 
A prola  outro exemplo da grandeza que nasce da adversidade. De 
onde vem essa bela jia? Ela comea como incmodo gro de areia, que 
deu um jeito de entrar pelas dobras da concha da ostra. A prola emerge 
como resultado da reao da ostra ao incmodo. Algum j disse: "Uma 
prola  uma ostra que foi ferida." 
O conforto e a prosperidade jamais enriqueceram o mundo como a 
adversidade o fez. Foi da dor e dos problemas que nasceram as mais 
doces canes, os poemas mais pungentes, os contos mais impressionantes. 
Do sofrimento e das lgrimas nasceram os maiores espritos e as vidas 
mais abenoadas. 
J.R. Miller escreveu: "Muitos de ns acham a vida dura e cheia de 
dor. No podemos evitar tais coisas. Mas no devemos deixar que as 
experincias difceis amorteam a nossa sensibilidade ou nos faam ficar 
esticos ou azedos. O verdadeiro problema da vida  manter os coraes 
doces e meigos nas condies e experincias mais duras." 
Nossa filha mais velha casou-se com um suo. Eles tm seis filhos 
e geralmente passam o vero na Sua e o inverno nos Estados Unidos. 
s vezes, quando os visitamos na Sua, pegamos as crianas e subimos 
at o alto dos Alpes de telefrico. Passamos por sobre quilmetros de 
terra, vendo l embaixo algumas das flores mais belas que se pode 
encontrar em qualquer parte do mundo. Essas flores sobreviveram s 
nevascas do inverno. A carga de gelo, neve e tempestades de inverno 
apenas aumentou o seu brilho, beleza e desenvolvimento.  difcil 
acreditar que, apenas algumas semanas antes, essas flores estavam 
enterradas sob muitos metros de neve. Nossos fardos podem ter o mesmo 
efeito em nossas vidas. 
Quando os cristos enfrentam os ventos da adversidade e as 
tormentas dos problemas, eles alam vo como a cotovia. So como as 
rvores que sobrevivem  tempestade porque suas razes esto 
profundamente enterradas. So como as rvores que crescem nas cristas 
das montanhas da Carolina do Norte  rvores castigadas pelos ventos e, 
no entanto, rvores nas quais encontramos a madeira mais forte. 
A prola, a cotovia, a flor, as rvores  todas elas ilustram as 
palavras de J: "Se ele me provasse, sairia eu como o ouro." (J 23:10) O 
cristo que compreende este aspecto da natureza de Deus pode achar 
conforto no seu sofrimento. Assim como uma criana disciplinada  uma 
criana feliz, a Bblia diz: "Eis que  feliz o homem a quem Deus reprova, 
portanto no desprezes a correo do Todo-Poderoso. Pois ele faz a ferida e 
a trata; ele machuca, e as suas mos curam." (J 5:17,18) 
Quando nossos coraes esto inteiramente entregues  vontade de 
Deus, ento nos deliciamos ao ver que Ele nos usa de qualquer maneira 
que deseje. Nossos planos e desejos comeam a combinar com os dEle e 
aceitamos a Sua orientao em nossas vidas. Nosso senso de alegria, 
satisfao e realizao na vida aumenta, no importa quais as 
circunstncias, se estamos no centro da vontade de Deus.

O  Sofrimento  Bem-Vindo:  Alegria  a  Despeito  da  Fornalha

O ressentimento ou a resignao no so a resposta ao problema do 
sofrimento. E ainda h um outro passo para alm da aceitao.  aceitar 
com alegria. Precisamos escutar as palavras de Tiago: "Meus irmos, 
tende por motivo de grande gozo quando passardes por diversas 
tentaes, conhecendo que a provao da vossa f produz a fortaleza. A 
fortaleza deve completar a sua obra, para que sejais perfeitos e 
completos, no faltando em coisa alguma." (Tiago 1:2-4) 
A vida crist  uma vida plena de alegria. O cristianismo jamais se 
destinou a ser algo para fazer as pessoas infelizes. O ministrio de Jesus 
Cristo foi um ministrio de alegria. A Bblia ensina que uma vida de 
repouso interior e vitria exterior  um direito inato de um cristo. 
"Que testemunho para o mundo seriam os cristos", escreveu Amy 
Carmichael, "se fossem pessoas evidentemente mais felizes." A alegria  
uma das marcas do verdadeiro crente. A Srta. Carmichael cita o prebendrio 
Webb-Peploe como tendo dito: "A alegria no  exuberncia; a alegria no  
jovialidade. A alegria  simplesmente a perfeita aquiescncia  vontade de 
Deus, porque a alma se deleita no prprio Deus."1
A capacidade de se regozijar com qualquer situao  um sinal de 
maturidade espiritual. 
Cristo disse a Seus discpulos que no deviam considerar uma 
aflio o fato de serem injuriados e perseguidos. Deviam encarar aquilo 
como um favor e uma bno. Deviam "rejubilar-se e ficar contentes" 
quando perseguidos. (Mat. 5:12) Deviam ser "mais do que vencedores" 
em meio  sua privao. (Rom. 8:37) Deviam rejubilar-se no seu 
sofrimento. (Rom. 5:3) 
Paulo passou por suas dificuldades cantando e gritando, e as suas 
maiores vitrias nasceram das perseguies que sofreu. Escreveu aos 
romanos: "E no s isso, mas tambm nos gloriemos nas tribulaes, 
sabendo que a tribulao produz fortaleza... Quem nos separar do amor 
de Cristo? As tribulaes, ou angstia, ou a perseguio? (...) Na 
esperana, sede alegres, na tribulao, pacientes na orao, 
perseverantes" (Rom. 5:3; 8:35; 12:12) 
Quando foram chicoteados e receberam ordens para no mais falar 
em nome de Jesus, Pedro e Joo partiram "regozijando-se por terem sido 
achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus (...) no cessavam 
de ensinar e pregar a Jesus, o Cristo." (Atos 5:41, 42) 
Em todas as eras foi possvel aos cristos manter o esprito de 
alegria na hora da provao. Em circunstncias que derrubariam a 
maioria dos homens, eles superaram de tal modo as suas dificuldades 
que acabaram por us-las para servir e glorificar a Cristo.

O  Segredo  da  Alegria  do  Cristo

Quando Jesus Cristo  a fonte de Alegria, no existem palavras para 
descrev-la.  uma alegria "inexprimvel e gloriosa." (l Ped. 1:8) Cristo  
a resposta  tristeza e ao desnimo,  discrdia e  diviso em nosso mundo. 
Cristo pode retirar o desalento e o abatimento de nossas vidas, 
conhec-lo nos faz otimistas e bem-humorados. 
Diz a Bblia: "O corao alegre  bom remdio, mas o esprito 
abatido seca os ossos." (Prov. 17:22) Se o corao est em harmonia com 
Deus atravs da f em Cristo, ento ele transbordar otimismo e bom 
humor. 
Havia um velho pastor de ovelhas no oeste que possua um violino, 
mas este estava desafinado. Ele no tinha como afin-lo, ento, 
desesperado, escreveu para uma das estaes de rdio e pediu para que, 
em determinada hora de determinado dia, tocassem a nota "l". Os 
funcionrios da estao resolveram agradar o velho e, naquele dia 
combinado, um "l" bem afinadinho foi transmitido. O pastor conseguiu 
afinar o seu violino e, mais uma vez, a sua cabana ecoou com melodias 
alegres. 
Temos que estar afinados com Deus. Jamais nos livraremos do 
desnimo e do abatimento at conhecermos o verdadeiro manancial da 
alegria, e caminharmos ao seu lado. 
O prprio Cristo  o segredo da alegria do cristo: "A quem, sem o 
terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais 
com gozo indizvel e cheio de glria." (l Pedro 1:8)

O  Pecado:  a  Barreira  Para  a  Alegria

Como j vimos, mas nunca  demais repetir, a Bblia mostra que 
todos os problemas do mundo derivam do fato de que os homens 
desrespeitaram as leis de Deus: "Porque todos pecaram e necessitam da 
glria de Deus." (Romanos 3:23) 
Existe um castigo para quem desrespeita a lei de Deus e este castigo 
 o banimento de Sua presena. Como  que algum que  parte de um 
tal mundo pode conhecer a alegria? Existe um muro entre esta pessoa e 
Deus. 
Todavia, a Santa Escritura diz que, em Cristo, "temos a nossa 
redeno pelo seu sangue, a remisso dos nossos delitos, segundo a 
riqueza da sua graa." (Efsios 1:7) 
Por meio da Cruz, Cristo rompeu a barreira construda pelo pecado 
para que possamos conhecer a alegria da salvao de Deus. Diz a Bblia: 
"Se confessarmos os nossos pecados, Ele  fiel e justo para nos perdoar 
os pecados, e para nos purificar de toda a injustia." (I Joo 1:9) 
Os padecimentos podem ser um meio de refinamento e purificao. 
Muitas vidas renasceram da fornalha dos padecimentos, como j 
mostramos anteriormente (por exemplo, nos captulos 6 e 9). Milhares de 
cristos aprenderam o segredo do contentamento e da alegria atravs da 
provao. Alguns dos cristos mais felizes que conheci beberam at o 
fim do clice da provao e do infortnio. Alguns sofreram a vida toda. 
Tiveram todos os motivos para suspirar e se queixar, tendo-lhes sido 
negados tantos privilgios e prazeres que vem os demais usufruindo; no 
entanto, encontraram maiores motivos para gratido e alegria do que 
muitos que so prsperos, vigorosos e fortes.  
Um pai visitava o filho na universidade. Estavam conversando no 
ptio do campus quando, de repente, apareceu um rapaz muito jovial, 
manobrando uma cadeira de rodas eltrica. O filho falou: 
 Papai, quero que conhea o amigo mais feliz que eu tenho. Ele  
cristo. 
Meu amigo ficou atnito ao conhecer um jovem muito positivo e 
alegre, porque o novo amigo do filho no tinha pernas e tinha apenas 
cotos no lugar dos braos. 
Enquanto estava rescrevendo este captulo, visitei um senhor idoso 
que passara a maior parte da vida na China como missionrio. Sempre 
gozara de boa sade e tivera uma extraordinria fora fsica, admirada 
por muitos. Porm, as pessoas o amavam por causa da sua profunda 
dedicao a Cristo e o amor entre ele e a esposa. Agora ele est com 
cncer em vrias partes do corpo. Fui dar-lhe assistncia, e no entanto foi 
ele quem me assistiu. Havia nele uma alegria e uma radincia e uma 
felicidade que raramente tenho visto. Ele se levantou da cama e me 
acompanhou at o carro quando fui embora; depois, com um aceno de 
mo e um grande sorriso, falou: 
 Continue pregando o Evangelho. Quanto mais velho fico, melhor 
 Cristo para mim. 
No nos surpreende que os antigos cristos se rejubilassem, a 
despeito de seu sofrimento, j que o encaravam  luz da eternidade. 
Quanto mais prximo da morte, mais prximo de uma vida de amizade 
eterna com Cristo. Quando Incio estava prestes a morrer por sua f, em 
110 d.C., ele exclamou:  "Quanto mais prximo da espada, mais prximo 
de Deus. Na companhia de animais selvagens, na companhia de Deus." 
O apstolo Paulo escreveu: "Os sofrimentos da vida presente no tm 
valor em comparao com a glria que h de ser revelada em ns." (Rom. 8:18) 
Nas minhas viagens, conclui que aqueles que no perdem de vista o 
cu se mantm serenos e alegres mesmo nos dias mais negros. Se as 
glrias do cu fossem mais reais para ns, se vivssemos menos para as 
coisas materiais e mais para as coisas eternas e espirituais, a vida 
presente nos perturbaria bem menos.

Como    que  Voc  Reage?

Como  que voc reage ao se aproximar do seu prprio Armagedom 
ou, qui, do Armagedom final? Ser que a dor o aproximar de Deus ou 
o afastar dEle? 
Podemos nos ressentir do sofrimento, resignar-nos a ele ou o 
aceitarmos com alegria, porque sabemos que Deus est no controle de 
nossas vidas. A palavra rejubilar-se se refere ao jbilo extremo, ao jbilo 
hilariante, ao jbilo triunfal. Amy Carmichael (1867-1951) escreveu: 
Antes que cessem os ventos que sopram 
Ensina-me a viver dentro de Tua calma. 
Antes que passe a dor em paz, 
D-me, meu Deus, um salmo para cantar. 
Que eu no perca a chance de provar 
A plenitude de um amor permitido.2 
Quando o Esprito Santo de Deus estiver fazendo o que quer na 
minha vida, eu serei capaz de cantar esta cano vitoriosa com Amy 
Carmichael. Por causa de um acidente, ela passou vinte anos numa cama, 
sentindo dores quase constantes, mas continuou a ministrar atravs de 
seus escritos e poemas religiosos; trabalhando na Associao Dohnavur, 
na ndia. A sua percepo vivida e escritos encantadoramente espirituais 
revelaram a profundidade de sua caminhada com Cristo. Ela permanece 
como um exemplo impressionante de uma crist, cujo sofrimento fsico 
permitiu-lhe que refletisse o carter de Cristo. Viveu uma vida de jbilo 
em meio s suas tribulaes. Seu rosto irradiava o amor de Cristo e a sua 
vida era a eptome da estatura da santidade que pode alcanar o cristo 
rendido, se reage ao sofrimento rejubilando-se nele. 
Durante os anos de dor fsica, Amy Carmichael escreveu os muitos 
livros que abenoaram um nmero incontvel de pessoas em todo o 
mundo. Sem a "bno" de ficar confinada ao leito, ela talvez estivesse 
ocupada demais para escrever. 
Conta-se uma histria sobre Martinho Lutero, em que ele passava 
por um perodo de depresso e desalento. Durante vrios dias, o seu ar 
sombrio entristeceu a mesa da famlia e o dia-a-dia da casa. Certa dia, a 
mulher dele veio tomar o desjejum toda vestida de preto, como se fosse a 
um enterro. Quando Martinho lhe perguntou quem morrera, ela 
respondeu: 
 Martinho, do jeito que voc anda se portando ultimamente, pensei 
que Deus tivesse morrido, e ento vim preparada para ir ao Seu enterro. 
A sua reprimenda gentil, mas eficaz, foi direta ao corao de Lutero 
e, como resultado dessa lio caseira, o grande Reformador resolveu 
jamais voltar a deixar que as preocupaes do mundo, o ressentimento, a 
depresso, o desnimo ou a frustrao o derrotassem. Jurou que, pela 
graa de Deus, submeteria a sua vida ao Salvador e refletiria a Sua graa 
num esprito de jbilo, sem se importar com o que viesse. Com Paulo, 
ele gritaria: "Graas a Deus que nos d a vitria por nosso Senhor Jesus 
Cristo." (I Corntios 15:57) 
Deus nos d tarefas difceis para enfrentar na vida e depois nos pede 
que as enfrentemos com alegria. No seu Dirio da campanha do Sinai o 
general Moshe Dayan escreveu: "Os oficiais escolhidos para comandar 
as unidades de combate eram homens cuja reao natural a uma tarefa 
difcil jamais era um 'mas...' Eles compreendiam o significado total da 
minha ordem inicial de advertncia. No entanto, no fugiam de suas 
implicaes; ao contrrio, recebiam-nas com prazer."3

Ricas  Recompensas

Nestes dias de escurido espiritual e turbulncia poltica, o cristo 
que olha para adiante permanece otimista e alegre, sabendo que Cristo 
deve reinar e que, "se perseverarmos, reinaremos tambm com ele." (II 
Tim. 2:11) 
Para cada homem, mulher e criana neste mundo que est sofrendo, 
o Senhor tem estas palavras do Sermo da Montanha: "Bem-aventurados 
sois, quando vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo 
o mal contra vs, por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque  
grande o vosso galardo nos cus; pois assim perseguiram aos profetas 
que existiram antes de vs." (Mateus 5:11.12) 
Nas circunstncias em que voc se encontra, talvez esteja passando 
por sofrimentos psicolgicos to reais quanto os sofrimentos fsicos. 
Pode ser um sofrimento que voc no consiga expressar nem mesmo 
para o seu amigo mais querido  um sofrimento ntimo, devastador, 
avassalador. No meio de tudo isso, h a promessa da vitria. Cristo 
venceu o mundo e voc, atravs da f, pode vencer o mundo por 
intermdio de nosso Senhor Jesus Cristo. (l Joo 5:5) 
Pode-se descobrir a alegria em meio ao sofrimento. s vezes, ns o 
encontramos em nossa peregrinao terrena. To logo admitamos essa 
possibilidade, ficaremos espantados com a facilidade com que se pode 
"ser surpreendido pela alegria", nas palavras de C.S. Lewis. 
Billy Sunday descreveu-o bem, quando falou: 
"Se voc no encontra alegria na sua religio, ento existe uma 
fenda qualquer no seu cristianismo!" 

Rejubile-se! A exortao ao jbilo  feita nada menos do que 70 
vezes no Novo Testamento. Existe uma vasta diferena entre o prazer e a 
alegria crist. O prazer depende das circunstncias, mas a alegria crist 
independe totalmente de sade, dinheiro ou condies externas. Quando 
as circunstncias lhe so contrrias, quando todo o conforto moderno  
retirado, ainda assim voc pode experimentar o milagre da alegria 
produzida pelo Esprito Santo que vive no interior. 



















O  LUGAR  DA  ORAO  NO  SOFRIMENTO

Muitas vezes fui forado a cair de joelhos pela convico esmagadora 
de que no tinha mais para onde ir. A minha prpria sabedoria e a de 
iodos que me cercavam parecia insuficiente para aquele dia.1 
ABRAHAM LINCOLN

AO PROCURARMOS o modelo supremo de uma pessoa devotada 
 orao, precisamos apenas consultar a vida de nosso Senhor. Jesus 
estava constantemente em atitude de orao, quer estivesse ou no face 
ao sofrimento. 
Na noite em que foi preso, orava no Jardim de Getsmani Levara 
consigo seus discpulos, mas Ele prprio estava to convicto do que O 
esperava, que pediu a Pedro, Tiago e Joo para O acompanharem na 
viglia. "Adiantando-se um pouca prostrou-se com o rosto em terra e 
orou: Meu pai, se  possvel, passe de mim este clice. Todavia, no seja 
como eu quero, mas como tu queres." (Mat. 26:39) 
Nessas palavras, Jesus nos ensinou como orar. Todas as vezes em 
que oro por uma pessoa doente, uma pessoa aflita ou uma pessoa em 
dificuldades, sempre encerro a orao dizendo: "Se for a Tua vontade". 
Conquanto seja a vontade de Deus salvar a todos que se arrependem do 
pecado e que recebem o Seu Filho como Salvador, no  a vontade de 
Deus livrar-nos de todas as adversidades. Como j vimos, o sofrimento 
muitas vezes nos fortalece e, como cristos, no podemos pedir iseno 
de todos os males da vida. 
A orao era to natural quanto a respirao para nosso Senhor, e 
devia ser da mesma forma para ns. Se a orao  uma parte integral de 
nossas vidas, quando chega uma crise j temos preparadas as linhas de 
comunicao. 
No comeo, o homem foi feito para viver uma vida de orao em 
amizade com Deus e em humilde dependncia dEle. Ao orarmos, 
estamos cumprindo o propsito de Deus para nossas vidas, realizando o 
nosso potencial espiritual. Como j disse algum, "a orao  o uso mais 
elevado que se pode fazer da palavra". 
O autor britnico William Ernest Henley escreveu o poema 
Invictus, que tem sido estudado por alunos da escola secundria h 
geraes, e que expressa sentimentos que parecem to nobres: 
No importa quo estreitos os portes, 
Quo cheio de castigos o pergaminho, 
Sou o dono do meu destino: 
Sou o comandante da minha alma.2 
Tudo isso parece muito corajoso no papel, mas, quando a morte 
levou a filha de seis anos de Henley, Margaret, ele ficou desolado. E 
comeou a se dar conta de que no era o dono do seu destino. Quando 
ela ficou s portas da morte, toda a bravata dele desapareceu 
completamente. 
Este tipo de atitude no pode ser a postura do cristo em qualquer 
situao, especialmente face ao sofrimento. Ns no somos os donos de 
nosso destino, quer como indivduos, quer como nao. Como  que os 
homens podem se jactar de controlar o prprio destino, quando no 
conseguem resolver os problemas de guerra, racismo, pobreza, doena 
ou sofrimento?

No  H  Liberdade  sem  a  Ajuda  de  Deus

Como j enfatizamos, o mundo est sendo levado de roldo Por 
uma torrente de acontecimentos que fogem ao controle do homem. O 
Armagedom parece estar chegando, de uma forma ou de outra. Todavia, 
existe um poder disponvel para modificar o curso dos acontecimentos e 
para nos sustentar nas grandes crises da vida, e este  o poder da orao 
por homens e mulheres tementes a Deus. 
Adaptando as palavras de Benjamin Franklin, na Conveno 
Constitucional:  provvel que uma nao no possa sobreviver em 
liberdade sem a ajuda do Deus Todo-Poderoso. No entanto, hoje em dia, 
chegamos a um ponto em que Deus  bastante ignorado e encaramos a 
orao na vida nacional como mera tradio venerada. No temos o 
sentido de ir a Deus, ansiosa e esperanosamente; simplesmente usamos 
a orao como uma formalidade.

A  Orao    Eficaz

De uma a outra extremidade da Bblia, vemos o registro daqueles 
cujas preces foram atendidas  pessoas que mudaram o curso da Histria 
pela orao, homens que oraram com fervor e a quem Deus atendeu. 
Elias orou quando desafiado por seus inimigos, e o cu mandou o 
fogo para consumir a oferenda no altar que ele erigira na presena dos 
inimigos de Deus. 
Eliseu orou, e o filho da mulher Sunamita se ergueu dentre os 
mortos. 
Davi orou e alguns de seus salmos podiam servir como "padres de 
orao" para outros que esto passando por dificuldades ou como 
exemplos de como louvar ao Senhor em meio s tribulaes. 
"Quando eu clamar, responde-me, Deus da minha justia; na angstia 
tens-me dado folga; compadece-Te de mim e ouve a minha prece." (Sal. 4:1) 
"Jeov j ouviu a minha splica, Jeov receber a minha orao." (Sal. 
6:9) 
"Na minha angstia invoquei a Jeov, e clamei por socorro ao meu 
Deus. Ele ouviu do seu Templo a minha voz, e o clamor que Lhe fiz entrou 
nos seus ouvidos." (Sal. 18:6) 
"Jeov, Deus meu, a Ti clamei por socorro e me saraste." (Sal. 30:2) 
"Em Ti, Jeov, me refugio; no seja eu jamais envergonhado: livra-me 
na Tua retido, inclina para mim os Teus ouvidos, livra-me depressa; s para 
mim uma rocha fortificada, uma casa de defesa que me salve." (Sal. 31:1,2) 
Daniel orou, e conheceu o segredo de Deus para salvar a sua vida e 
a de seus companheiros, e para mudar o curso da Histria. 
Jesus orou no tmulo de Lzaro e aquele que estava morto h 
quatro dias ressuscitou. Orou no Jardim de Getsmani e encontrou foras 
para suportar o Seu sofrimento. 
O ladro orou na cruz, e Jesus lhe assegurou que, naquele mesmo 
dia, estaria com Ele no paraso. 
A igreja primitiva orou e Pedro foi salvo milagrosamente da priso. 
Pedro orou e Dorcas ressuscitou para servir a Jesus Cristo durante 
anos. 
Os discpulos vieram a Jesus e pediram:  Senhor, ensina-nos a orar. 
Ele, ento, atendeu ao seu pedido, dando-lhes o Pai Nosso como 
orao modelo. O Pai Nosso, todavia, era apenas o comeo de Seus 
ensinamentos sobre este assunto. Em dezenas de outras passagens, Cristo 
ofereceu mais orientao e, como Ele praticava o que pregava, toda a 
vida dEle foi uma srie de lies sobre como a orao prevalece em 
todos os aspectos da vida. 

O  Exemplo  de  Cristo

Uma das coisas mais espantosas da Santa Escritura  o tempo que 
Jesus passou orando. Teve somente trs anos de sacerdcio pblico, no 
entanto nunca estava apressado demais para passar horas orando. Orava 
antes de cada tarefa difcil e em cada crise de seu ministrio. Orava com 
regularidade. Podemos ter certeza de que nunca um dia comeava ou 
terminava sem que ele ficasse em comunho com o Seu Pai. 
Por contraste, como oramos descuidada e displicentemente! 
Dizemos rapidamente uns versculos memorizados pela manh; depois 
despedimo-nos de Deus pelo restante do dia, at o fim da noite, quando 
fazemos mais algumas splicas apressadas.  
No  este o programa de oraes que Jesus exemplificou. Ele 
orava longa e repetidamente. Certa vez, passou uma noite inteira orando 
a Deus. (Luc. 6:12) 
As Escrituras dizem: "Orai sem cessar" (I Tess. 5:17). Este deve ser 
o lema de todo verdadeiro seguidor de Jesus Cristo. Nunca pare de orar, 
no importa o quo sombrio e sem esperanas possa parecer o seu caso. 
Jesus nos ensinou que devamos continuar orando e jamais desistir. (Luc. 
18:1) 
H alguns meses, uma mulher me escreveu contando que, durante 
dez anos, ela suplicara pela converso do marido, mas que ele 
continuava cada vez mais empedernido. Eu a aconselhei que continuasse 
a orar. Tive notcias dela de novo, recentemente. Contava que o marido 
fora gloriosa e milagrosamente convertido no dcimo primeiro ano de 
suas preces. E se ela tivesse parado depois de apenas dez anos? 
Nosso Senhor freqentemente orava sozinho, separando-Se de todas 
as distraes terrenas. Eu o aconselho veementemente a selecionar um local 
 um quarto ou canto da sua casa, no local de trabalho, ou em seu quintal 
ou jardim  onde poder se encontrar sozinho regularmente com Deus. 
Ao observarmos a vida de oraes de Jesus, podemos notar com 
que veemncia Ele orava. O Novo Testamento recorda que, no 
Getsmani, na intensidade de Suas splicas, Ele caiu ao cho e agonizou 
junto com Deus at que Seu suor se transformasse em "gotas de sangue". 
(Lucas 22:24) Que exemplo de "orao no sofrimento" Ele   e como 
prova a promessa de que aqueles que esto sofrendo precisam buscar a 
Deus ainda mais veementemente. 
So tantas as lies que Jesus nos ensinou sobre a orao, que no 
consigo apresent-las todas num s captulo. Todavia, uma que devemos 
recordar especialmente durante estes dias de preconceito, dio e 
hostilidade  a seguinte: "Ora por aqueles que te perseguem." (Mat. 5:44) 
Ele manda que supliquemos por nossos inimigos, pedindo a Deus que os 
conduza a Cristo e que os perdoe, em nome dEle. At mesmo aqueles 
que nos perseguem devem figurar em nossas preces. 
Jesus reforou este ensinamento com Seu prprio exemplo, como j 
vimos. Nas primeiras palavras que pronunciou na cruz, os cravos j 
enfiados em Suas mos e ps, Ele comeou a interceder por Seus 
crucificadores, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, pois no sabem o que fazem." 
(Luc. 23:34) Muitas vezes j pensei que veremos no cu os homens que 
pregaram Jesus na cruz, graas  Sua orao. Nenhuma orao que Jesus 
fez ao Pai ficou sem resposta. 
Com Deus nada  impossvel. Nenhuma tarefa  rdua demais, 
nenhum problema  difcil demais, nenhum fardo  pesado demais para o 
Seu amor. O futuro, com todas as incertezas,  do conhecimento integral 
dEle, embora fique oculto de ns. 
Ele compreende quanta aflio e tristeza voc necessita a fim de 
que a sua alma possa ser purificada e preservada para a eternidade. 
Volte-se para Ele e poder dizer, como J: "Ele sabe o caminho por que 
ando; se ele me provasse, sairia eu como o ouro." (J 23:10) 
Jesus considerava a orao mais importante do que o alimento, pois 
a Bblia diz que, horas antes do desjejum, "levantando-se antes da 
madrugada, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava." (Marcos 1:35) 
Para o Filho de Deus, a orao era mais importante do que a reunio 
e a cura de grandes multides. Diz a Bblia: "Grandes multides afluam 
para ouvir e ser curadas de suas enfermidades; mas ele costumava 
retirar-se para os lugares desertos e orar." (Lucas 5:15,16) 
As horas preciosas de companheirismo com o Seu Pai celeste 
significavam muito mais do que o sono para o Salvador, pois diz a 
Bblia: "Naqueles dias retirou-se para o monte a orar, e passou a noite, 
orando a Deus." (Lucas 6:12) 
Ele orava em funerais, e os mortos voltavam  vida. Orou sobre os 
cinco pes e os dois peixes, e alimentou uma multido com a refeio de 
um garotinho. Na contemplao do Seu sofrimento iminente na cruz do 
Calvrio, Ele orou: "No a minha vontade, mas a Tua." (Luc. 22:42) 
Assim, foi aberto um caminho para que o pecador pudesse se aproximar 
de Deus. 
A orao, no verdadeiro sentido, no  um grito ftil de desespero 
nascido do medo e da frustrao. Muita gente ora somente quando est 
sob grande tenso ou em perigo ou enfrentando alguma crise. J estive 
em avies quando um motor parou; ento, as pessoas comearam a orar. 
J voei em meio a grandes tempestades, quando as pessoas  minha 
volta, que talvez nunca tivessem pensado em orar antes, passaram todas 
a orar. Conversei com soldados que me contaram que nunca oraram 
antes de estar no meio de uma batalha. Parece haver um instinto no 
homem para orar nas horas de perigo. 
Sabemos que "existem poucos ateus nas trincheiras", mas esse tipo 
de cristianismo no alcana o nosso dia-a-dia, e  superficial demais para 
ser genuno. 
Os mestres cristos de todos os tempos sempre insistiram em que a 
orao devia ter um lugar de destaque na vida dos fiis. Um sbio 
annimo falou: "Se os cristos passassem tanto tempo orando quanto 
passam clamando, no teriam nada do que reclamar." 
Eis aqui algumas reflexes sobre a orao: 
Pela manh, a orao  a chave que nos abre os tesouros das 
misericrdias e bnos de Deus;  noite,  a chave que nos isola sob a 
Sua proteo e amparo. 
"O modo de Deus atender  prece do cristo que pede mais 
pacincia, experincia, esperana e amor, muitas vezes,  coloc-lo na 
fornalha da aflio."  Richard Cecil (1748-1810). 
"Nossa prece e a misericrdia de Deus so como dois baldes num 
poo: quando um sobe, o outro desce"  Mark Hopkins, educador 
americano (1802-1887). 
Meu amigo de muitos anos, o grande missionrio humanitrio e 
homem de orao Frank C. Laubach, falou: "A orao, na sua elevao 
mxima,  uma conversa de parte a parte  e, para mim, o mais 
importante  escutar as respostas de Deus." 
"Satans treme quando v o santo mais fraco de joelhos."  William 
Cowper (1731-1800). 
Se houver lgrimas derramadas no cu, sero derramadas pelo fato 
de orarmos to pouco. 
O cu est cheio de respostas a oraes que ningum se deu ao 
trabalho de pedir!

O  Poder  e  o  Privilgio  da  Orao

Na era moderna, aprendemos a dominar a fora da poderosa 
Nigara e usar essa potncia de modo benfico. Aprendemos a 
armazenar o vapor em caldeiras e libertar a sua tremenda energia para 
girar nossas mquinas e impulsionar nossos trens. Aprendemos a conter 
os vapores da gasolina num cilindro e a explodi-los no segundo certo 
para mover nossos automveis e caminhes pelas estradas. At mesmo 
descobrimos o segredo de libertar a energia do tomo, que  capaz de 
iluminar cidades, operar grandes indstrias ou de destruir cidades e 
civilizaes inteiras. 
Porm, pouqussimos de ns aprendem a desenvolver integralmente 
o poder da orao. Ainda no aprendemos que um homem  mais 
poderoso quando est orando do que quando est no controle das armas 
militares mais poderosas jamais inventadas. 
A orao eficaz se faz com f. Disse Jesus: "Por isso vos afirmo: 
tudo quanto suplicais e pedis, crede que o tendes recebido, e t-lo-eis." 
(Mar. 11:24) Tiago escreveu: "Mas se algum de vs necessita de 
sabedoria, pea-a a Deus, que d a todos liberalmente e no impropera, e 
ser-lhe- dada. Pede-a, porm, com f, nada duvidando; porque quem 
duvida  semelhante  vaga do mar, que o vento subleva e agita." (Tiago 
1:5,6) Se nossas oraes no tm objetivo nem sentido e misturam-se  
dvida, no sero atendidas. A orao  mais do que um desejo voltado 
para o cu:  a voz da f voltada para Deus. 
Que privilgio  o seu  o privilgio da orao!  luz dos 
acontecimentos vindouros, examine o seu corao, reconsagre a sua 
vida, entregue-se sem reservas a Deus, pois apenas aqueles que oram 
atravs de um corao limpo sero ouvidos por Ele. Diz a Bblia: "Muito 
pode a splica fervorosa do justo." (Tiago 5:16) 
Devemos orar no apenas por nossas necessidades, mas pelas 
necessidades dos outros. Devemos orar nas horas de adversidade, para 
que no nos tornemos infiis e descrentes. Devemos orar nas horas de 
prosperidade, para que no nos tornemos arrogantes e orgulhosos. 
Devemos orar na hora do perigo, para que no nos tornemos temerosos e 
cheios de dvidas. Precisamos orar nas horas de segurana, para que no 
nos tornemos descuidados e auto-suficientes. 
"Mais coisas so conseguidas por meio da orao do que sonha este 
mundo." As famosas palavras de Tennyson no so apenas um mero 
clich, so a expresso da verdade. Os ensinamentos da Bblia, a histria 
da igreja, a experincia crist, tudo isso confirma que a orao realmente 
funciona. Mas como estamos relacionando a orao ao assunto 
especfico do sofrimento, precisamos ter em mente vrias coisas que j 
afirmamos e que agora vamos resumir. 
Primeiro,  preciso lembrar que a prece no funciona 
automaticamente, nem  um caso de magia espiritual. No  como 
apertar um boto eltrico e esperar uma resposta imediata. No podemos 
manipular a Deus nem Lhe ditar ordens. Ele  soberano, e temos que 
reconhecer Seus direitos soberanos. 
Isso significa, como j enfatizamos vrias vezes, que nossas oraes 
esto sujeitas  vontade dEle. E devemos ficar contentes com isso, pois 
tira o fardo de cima de ns e o coloca sobre o Senhor. Dizer "seja feita a 
Tua vontade" no  um suspiro, mas sim uma cano, porque a vontade 
dEle  sempre o melhor  tanto para ns quanto para aqueles por quem 
oramos. Como j disse Dante, "na Sua vontade est a nossa paz". Como 
crentes, no podemos encontrar a verdadeira paz fora da vontade de 
Deus. 
Depois, podemos ter certeza de que Deus cumpre a Sua Palavra e 
atende a todas as oraes sinceras oferecidas em nome do Senhor Jesus 
Cristo. Porm, a resposta dEle no  sempre a mesma. Como  tantas 
vezes ressaltado, a resposta dEle pode no ser necessariamente "sim". 
Pode ser "no" ou "espere". Se for "no" ou "espere", no temos o direito 
de dizer que Deus no atendeu  nossa orao. Isso simplesmente quer 
dizer que a resposta  diferente daquela que espervamos. Precisamos 
nos livrar da idia de que, se orarmos muito e por bastante tempo, Deus 
sempre nos acabar dando aquilo que pedimos. 
Como j vimos, quando pedimos ajuda nas dificuldades, ou cura na 
doena, ou alvio na perseguio, Deus pode no nos dar aquilo que 
pedimos, pois essa pode no ser a Sua vontade sbia e amorosa para ns. 
Porm, Ele atender as nossas oraes,  Sua maneira. Ele no nos 
desapontar em nossa hora de angstia. Ele nos dar pacincia, coragem 
e foras para suportar o nosso sofrimento, a capacidade para super-lo, e 
a certeza de Sua presena em todas as situaes por que teremos que 
passar. 
De qualquer forma, no nos esqueamos de que a orao no  
apenas pedir coisas a Deus.  muito mais e melhor do que isso. No seu 
nvel mais profundo, a orao  a amizade com Deus:  apreciar a Sua 
companhia, aceitar a Sua vontade, agradecer-Lhe por Suas misericrdias, 
entregar-Lhe as nossas vidas, conversar com Ele sobre outras pessoas 
tanto quanto falamos sobre ns mesmos, e escutar, no silncio, o que Ele 
tem para nos dizer. 
Isso  o que torna a orao uma coisa to real e preciosa, 
especialmente nas horas de angstia e tenso. Quando chegamos ao fim 
de ns mesmos, estamos chegando ao comeo de Deus. Como j foi dito, 
nossas pequenas coisas so todas grandes para o amor de Deus; nossas 
grandes coisas so todas pequenas para o Seu poder. 

Voc est negando a si mesmo um privilgio maravilhoso, se no 
orar. O caminho da orao est sempre aberto, no importa o que voc 
precise. Tome este caminho at o Senhor! 





























PROMESSAS  PARA  AQUELES  QUE  SOFREM

Nas horas de aflio, em geral conhecemos as mais doces 
experincias do amor de Deus.1 JOHN BUNYAN

A BBLIA  o livro de promessas de Deus e, ao contrrio dos livros 
dos homens, no modifica ou fica ultrapassado. Em Tito 1:2, diz Paulo 
que ns temos "uma f e um conhecimento que se apoiam na esperana 
da vida eterna, que o Deus, que no pode mentir, prometeu antes dos 
tempos eternos" (o grifo  meu). Venho pregando a Bblia e 
proclamando a Palavra de Deus h muitos anos (nosso programa 
semanal de rdio internacional, A Hora da Deciso, comeou em 5 de 
novembro de 1950 e, desde ento, nunca sofreu interrupes) e a 
mensagem que venho pregando durante todo esse tempo  basicamente a 
mesma  porque Deus no mente! 
Nesses anos todos, ocorreram muitas modificaes em nosso 
mundo. Na verdade, no  mais o mesmo mundo;  totalmente diferente. 
Ns agora estamos pregando para uma nova gerao de pessoas  
pessoas que cresceram numa nova sociedade e so desafiadas por novas 
idias. Porm, uma coisa  certa  Deus no mudou. Disse Ele: "Eu, o 
Senhor, no mudo." (Mal. 3:6) Isto  um conforto incomensurvel para o 
crente nas horas de sofrimento. Deus  imutvel em Sua compaixo e 
cuidado por Seus filhos aflitos. 
John Bunyan nos diz: "As aflies so governadas por Deus, tanto na 
durao quanto no nmero, na natureza e na medida. Nosso tempo, e as 
nossas condies no tempo que temos, esto nas mos de Deus, sim, do 
mesmo modo que nossas almas e corpos, para serem mantidos e 
preservados do mal enquanto o cajado de Deus est sobre ns.". Deus se 
interessa e se preocupa com todos os aspectos de nossas vidas  fsico, 
mental, emocional e espiritual. A Bblia deixa claro que nada que nos 
preocupe deixar de preocup-Lo. E esta verdade  o que vamos explorar 
juntos neste captulo. 
Como a Bblia  to cheia de promessas, seria impossvel cit-las 
todas num s capitulo. Na verdade, eu at hesitaria em tentar tratar de todas 
as promessas da Bblia num s livro, embora o Dr. Herbert Lockyer tenha 
feito um trabalho primoroso nesse sentido, no seu livro All the Promises of 
The Bible (Grand Rapids, Zondervan, 1962). As estimativas quanto ao 
nmero de promessas na Bblia variam desde 8 mil at 30 mil. 
Existem vrias maneiras para se abordar esse assunto. A mais bvia 
seria dividir as promessas segundo a sua localizao na Bblia, quer 
apaream no Antigo ou no Novo Testamento. Na verdade, ambas as 
partes da Bblia esto cheias de promessas, como veremos no decorrer 
deste captulo. Poder-se-ia escrever um livro inteiro, por exemplo, 
apenas sobre as promessas que aparecem no Livro dos Salmos. 
Um outro enfoque seria classificar as promessas em "gerais" ou 
"especficas". Muitas das promessas so de uma natureza geral, enquanto 
que muitas outras dizem respeito a reas especficas da vida. Neste 
captulo, todavia, vamos limitar nossas discusses a trechos da Escritura 
que tratam diretamente do sofrimento afetando a vida do cristo. 
Primeiramente, vamos examinar algumas das promessas do Antigo 
Testamento dirigidas aos que enfrentam sofrimentos e perseguies e 
depois passaremos s promessas do Novo Testamento.

Deus    Nosso  Escudo

Da bno que Moiss deu aos filhos de Israel, vejamos a de 
Benjamim: "O amado de Jeov habita seguro junto a ele. Jeov o cerca o 
dia todo, e ele habita entre seus ombros." (Deut. 33:12, o grifo  meu). 
Todo cristo perseguido pode aplicar a si prprio essas palavras. 
Todos os filhos de Deus Lhe so queridos e esto igualmente seguros 
sob Seus constantes cuidados. O cristo mais dbil est to seguro na 
proteo de Deus quanto o santo mais antigo e experiente. O prprio 
Senhor os cobre o dia todo. Como disse o compositor: 
Sob Suas asas, Sob Suas asas, 
Quem pode se separar do Seu amor? 
Sob suas asas, minh'alma residir 
Residir em segurana eternamente.2 
A figura aqui  a de uma guia-me protegendo o seu rebento ao 
abrigo de suas asas. 
Que ilustrao da maneira com que Deus cuida de seus filhos! O 
Salmo 91:4 amplia esta imagem: "Cobrir-te- de suas penas, e sob as 
suas asas encontrars refgio: pavs e escudo so a sua verdade." 

Deus    Nosso  Refgio

"Deus  nosso refgio e fortaleza, socorro bem presente na 
angstia." (Salmos 46:1) A imagem aqui no  de algum que se esconde 
passiva e apavoradamente por trs de um muro protetor ou embaixo de 
um telhado. Ao invs disso,  a imagem de algum que est envolvido 
ativamente no mercado da vida, pois o salmista diz que Deus no  
apenas um refgio, mas  "um socorro bem presente na angstia" (o 
grifo  meu). Nosso Deus  um Deus para a arena da vida. Ele vai com o 
Seu povo para o local do sofrimento e para a plataforma da dor, no 
necessariamente para livr-lo dos seus problemas, mas para sustent-lo 
em meio a eles. 
No Livro dos Salmos 91:15, Deus promete: "Clamar a mim, e lhe 
responderei; com ele serei na angstia." A Escritura volta a dizer: 
"Confiai nele,  povo, em todo o tempo; derramai diante dele o vosso 
corao; Deus  para ns refgio." (Salmos 62:8) 
Em outro local, diz o salmista: " tempo de Jeov entrar em ao." 
(Sal. 119:126) 
J.R. Stam conta a histria de uma garota chinesa que fazia servios 
domsticos para os missionrios John e Betty Stam, que morreram na China 
por causa de sua f, h muitos anos. Ela veio para o Senhor atravs do 
testemunho deles. Certo dia, inesperadamente, a empregada se viu em 
circunstncias muito difceis, e saiu correndo para orar no quarto. Os Stams 
ficaram muito emocionados ao ouvir a sua prece apaixonada, que terminou 
com as palavras: "Eis a sua chance, Senhor! Agora  a sua chance!" O 
pensamento urgente do salmista foi posto em prtica por uma garota 
chinesa analfabeta. Ela pode ser uma imagem de todos ns, quando vamos 
impotentes  presena de nosso Pai celeste para buscar o seu auxlio. 
Deus  uma ajuda bem presente nas dificuldades, mas, s vezes, 
permitimos que a amargura o conserve a distncia, e assim ns perdemos 
a Sua ajuda. 
O jovem imigrante irlands Joseph Scriven (1820-1886) estava 
profundamente apaixonado por uma jovem, e j fizera os planos para o 
casamento. Pouco antes do casamento, contudo, ela morreu afogada. 
Scriven ficou amargurado durante meses, em profundo desespero. 
Finalmente, ele se voltou para Cristo e, por intermdio de Sua graa, 
achou paz e consolo. Baseado na sua experincia, ele escreveu o 
conhecido hino religioso que trouxe consolo a milhes de coraes 
aflitos: "Que Amigo temos em Jesus, que suporta todos os nossos 
pecados e sofrimentos!" 
s vezes, o nosso caminho  ensolarado. Era assim com Joseph 
Scriven, ao se aproximar o dia do seu casamento. Porm, como ele, 
podemos descobrir que nosso caminho tambm passa pelas sombras 
escuras da perda, do desapontamento e da tristeza.  nessas horas que 
est em nosso poder transformar nossos sofrimentos numa oportunidade 
para maior entrosamento com Deus, abrindo canais para que a esperana 
mais viva e mais segura possa fluir para nossas almas. 
Perdas comerciais, aposentadorias que no do para pagar as 
contas, desemprego, inflao, as doenas que nos derrubam, as tristezas 
que roubam a luz de nossos lares, filhos que se rebelam  tudo 
transformado em bnos por aqueles que, por meio disso, ficam menos 
ligados  terra e mais ligados a Deus. 
As tribulaes no nos feriro a no ser que faam o que muitos de 
ns, tantas vezes, permitimos que faam, deixando-nos empedernidos, 
azedos, amargos e cticos. As tribulaes que suportamos com confiana 
trazem-nos uma nova viso de Deus, e, dessa forma, descobrimos uma 
nova maneira de encarar a vida. 
Se fazemos de nossa tristeza e nossas aflies uma ocasio para 
aprender ainda mais sobre o amor de Deus e Seu poder para ajudar e 
abenoar, ento isso nos ensinar a ter uma confiana mais firme na Sua 
providncia. Como resultado disso, a luz viva do Seu amor preencher 
nossas vidas. Confie em Deus com uma dependncia infantil e problema 
algum poder destrui-lo. Mesmo na ltima hora sombria da morte, 
quando a sua carne e seu corao falharem, voc ser capaz de depender 
em paz dAquele que " a fora do meu corao e minha herana para 
sempre." (Salmos 73:26)

Deus    Nossa  Fora

No livro dos Salmos 28:7, diz Davi: "Jeov  a minha fora." 
O homem primitivo acreditava que, se algum comesse a carne de 
um animal forte, adquiriria a fora daquele animal. Ns obtemos fora da 
carne  fora fsica. Mas precisamos de fora espiritual, tanto quanto de 
fora fsica. Deus  o alimento e a bebida da alma. Alimente-se dEle, de 
Sua palavra, de Sua verdade, e voc ser forte no Senhor e no vigor de 
Seu poder. 
Quando foi tentado pelo demnio no deserto, Jesus falou: "No s 
de po vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus." 
(Mateus 4:4) 
Minha esposa acredita piamente em vitaminas. Toma vrias por dia 
e insiste comigo para que faa o mesmo. Cada vez que espirro, ela diz: 
 Tome vitamina C! 
Se corto a mo, ela diz: 
 Esfregue um pouco de vitamina E no corte. 
Hoje em dia ouvimos falar muito na fora e no vigor que vitaminas 
e alimentos enriquecidos com vitaminas do.  importante dar ateno a 
isso. Temos que nos manter fisicamente em forma. Mas tambm 
precisamos nos manter espiritualmente em forma. Isso requer vitaminas 
espirituais e, para obt-las, temos que alimentar nossas almas com 
alimentos enriquecidos com verdade espiritual. 
Neste mundo, somos assediados por muitas tentaes e problemas. 
Estamos constantemente sob tenso e estresse. Precisamos retirar foras 
de uma fonte acima e alm de ns mesmos. Deus  esta fonte. 
Buscando a Deus e confiando nEle, abrindo para Ele nossos 
coraes, Ele nos dar toda a fora que temos capacidade de receber. 
No devemos pensar em ns mesmos e em como somos fracos. Em vez 
disso, devemos pensar em Deus e em como Ele  forte, focalizando a 
nossa ateno na Sua fora disponvel e nos dirigindo a Ele pela orao. 
"Os que esperam em Jeov renovaro as suas foras; subiro com 
asas como guias; correro, e no se cansaro; andaro e no 
desfalecero." (Isaas 40:31) Esta foi a maneira de Isaas expressar a sua 
crena no poder fortalecedor de Deus. 
Se Deus  nossa fora, podemos enfrentar o mundo com felicidade 
no corao e uma cano de vitria nos lbios. "Jeov  a minha fora e 
meu escudo; nele tem confiado o meu corao e sou ajudado. Por isso 
exulta o meu corao, e com o meu cntico o louvarei." (Salmos 28:7) 
Uma velha traduo do Salmo 68:28 tem algo a acrescentar  nossa 
compreenso deste ponto: "O teu Deus ordena que sejas forte." O Senhor 
 a fonte da fora de carter primordial que torna possvel superarmos os 
sofrimentos que a vida nos oferece. Paulo ora por seus leitores para que 
pelo senhor "sejais robustecidos com poder pelo seu Esprito no homem 
interior." (Efsios 3:16) A fora que  dada desse modo  contnua e 
inexaurvel. Como Moiss disse aos filhos de Israel, em Deut.33:25, 
"como os teus dias, assim seja a tua fora". Esta promessa inclui fora 
para todas as reas da vida  fsica, mental e espiritual. Deus promete 
foras para que sobrevivamos ao sofrimento, seja de que tipo for. 
"O Senhor  nossa fora" para prosseguir.  a fonte da fora para a 
luta do dia-a-dia.  Ele que d gosto aos nossos dias e vigor ao nosso 
passo. Sem ele, a rotina diria seria cansativa e tediosa, deprimente e 
entorpecente, uma lida a ser suportada e no apreciada. 
Conheo muita gente que morre de tdio trabalhando em fbricas. 
Fazem exatamente a mesma coisa dia aps dia, at que grande parte de 
sua vida parece ser absolutamente sem sentido, dando a impresso de 
que no est chegando a parte alguma. Todavia, conheci outros que 
aceitaram a Cristo e esto enfrentando o mesmo tipo de tarefas, mas, 
com estes, o tdio do dia-a-dia se transformou numa existncia 
significativa. Eles agora tm um propsito. A sua fidelidade, quer como 
executivo, quer como operrio, glorifica a Deus. 
Estive recentemente num pas socialista da Europa Oriental. Um 
dos lideres da nao me contou que estavam descobrindo que os cristos 
eram os operrios melhores e mais dedicados, pelo fato de no estarem 
apenas "existindo": eles estavam vivendo para Deus. A sua dedicao ao 
trabalho tinha um significado no plano global de Deus para as suas vidas. 
Ele  "minha fora" para prosseguir. Diz o salmista: "Com o auxlio 
do meu Deus salto uma muralha." (Sal. 18:29) Os obstculos  minha 
frente seriam montanhas de dificuldades, se Ele no ajudasse a fornecer 
foras para a escalada. 
Moramos nas montanhas da Carolina do Norte. Escalei-as muitas 
vezes. Quase diariamente minha mulher e eu levvamos as crianas para 
subi-las, quando elas eram mais jovens. Aprendemos que tnhamos que 
lhes ensinar a subir colinas bem pequenas, antes que pudessem dar conta 
de uma montanha grande. Depois de termos vindo para Cristo, Deus 
pode comear mandando que subamos uma colina pequena, antes de nos 
mandar subir as montanhas. Contudo, seja qual for a nossa necessidade, 
Ele prometeu que Seu poder est  disposio. Sem ele, seria impossvel 
para ns fazer a viagem e, principalmente, subir os locais ngremes da 
dor e da tenso. 
O Senhor tambm  "minha fora" para descer. Muitas vezes, 
descer  mais difcil do que subir. 
Certa vez, minha mulher e eu estvamos na Sua visitando os 
netos. Eles nos levaram de telefrico at uma montanha muito alta e, 
depois, sugeriram que fssemos a p at um pequeno restaurante mais 
abaixo. Ficava a cerca de um quilmetro e meio. Mas era muito ngreme, 
quase vertical. Consegui descer, mas minhas pernas ficaram doendo por 
quase uma semana! 
Descer ao Vale da Humilhao (como o chamou Bunyan) ou ao 
"vale da sombra da morte", seria impossvel sem Ele. Na verdade, meu 
corao desfaleceria de medo e eu estaria sem flego se no fosse pelo 
maravilhoso companheiro ao meu lado, o Senhor Jesus Cristo. 
Eis um outro ponto que, em geral, no consideramos: o Senhor  
"minha fora" simplesmente para ficar quieto. "Aquietai-vos e sabei que 
sou Deus." (Sal. 46:10) "Aguardo a Jeov, a minha alma o aguarda e na 
Tua palavra espero." (Sal. 130:5) Nosso desejo natural  estar fazendo 
alguma coisa, mas existem horas na nossa vida em que  mais sensato 
esperar e ficar quieto. 
"O Senhor  minha fora!" Nossa suficincia  de Deus, como diz 
Paulo  ou como prefere a verso moderna: "No que sejamos capazes 
por ns mesmos, de julgar alguma coisa, como de ns mesmos; mas a 
nossa capacidade vem de Deus." (II Cor. 3:5)

Deus    Nosso  Pastor

A maravilhosa imagem de Deus como nosso Pastor encontra-se em 
muitos lugares do Antigo Testamento. Assim comea um dos Salmos: 
"Escuta-nos,  pastor de Israel; tu, que conduzes a Jos como a um 
rebanho." (Sal. 80:1)  formidvel pensar que o Deus Eterno, o Criador 
Todo-Poderoso, digna-se a ser o Pastor de Seu povo. 
Davi faz com que o relacionamento se torne pessoal, num dos 
Salmos mais conhecidos. "Jeov  o meu pastor", gritou ele, exultante, 
"nada me faltar." (Salmos 23:1, o grifo  meu) O restante do salmo nos 
fala do que no nos faltar. Fala da proviso do pastor enquanto nos 
conduz aos verdes pastos, da Sua orientao pelos caminhos da retido 
(ou seja, dos caminhos certos, retos), de Sua presena conosco no vale 
escuro. No  de admirar que Davi assim testemunhe: "Minha taa 
transborda" (v.5), tantas so as bnos ilimitadas de Deus. 
Isaas acrescenta um outro toque ao quadro, quando diz: "Como 
pastor ele apascentar o seu rebanho; entre os seus braos ajuntar os 
cordeirinhos, e os levar no seu seio, e guiar meigamente as paridas." 
(Isaas 40:11) Aqui, a imagem indica o cuidado e o carinho com que o 
Senhor sustenta o Seu povo em suas viagens e o amor forte com que os 
envolve. 
No Novo Testamento, Jesus usa esta mesma imagem e a aplica a Si 
prprio. Diz ele: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor d a sua vida pelas 
ovelhas. O que  mercenrio, e no pastor, a quem no pertencem as 
ovelhas, v vir o lobo, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as arrebata e 
dispersa. (...) Eu sou o bom pastor, conheo as minhas ovelhas, c as que 
so minhas me conhecem a mim." (Joo 10:11-14) 
Repare em quatro coisas sobre Jesus, o Bom Pastor. Ele  o dono 
das ovelhas: elas pertencem a Ele. Ele protege as ovelhas: jamais as 
abandona quando chega o perigo. Ele conhece as ovelhas, conhece cada 
uma pelo nome e as conduz. (ver v.3) E Ele d a vida pelas ovelhas, tal  
a imensido do seu amor. 
Como devemos ser gratos, fracos, errantes e tolos que somos, de 
termos um tal pastor. Vamos aprender a ficar perto dEle, a escutar a Sua 
voz, e a segui-Lo. Isto  importante especialmente nas horas de perigo 
espiritual. Jesus nos diz para no nos enganarmos com a voz dos 
estranhos e existem muitas vozes estranhas sendo ouvidas no mundo 
religioso, hoje em dia. No se deixe enganar pelos falsos mestres. Jesus  
o Bom Pastor: confie nEle. E Jesus  a porta da salvao: entre por essa 
porta e voc encontrar a vida plena e abundante que Ele veio trazer. (vv. 
7-10)

A  Proviso  Superabundante  de  Deus  Para  Seus  Filhos

Para encorajar os outros cristos com a realidade do interesse de 
Deus por eles e sua proviso para eles, escreveu o apstolo Paulo em 
Efsios 3:16-21: 
"Para que ele nos conceda, conforme as riquezas da sua glria, que 
sejais robustecidos com poder pelo seu Esprito no homem interior; que 
habite Cristo pela f em vossos coraes, sendo vs arraigados e fundados 
em amor, a fim de poderdes compreender... Ora, aquele que  poderoso 
para fazer infinitamente mais do que tudo quando pedimos ou pensamos, 
segundo o poder que opera em ns, a esse seja glria na igreja e em Cristo 
Jesus por todas as geraes do sculo dos sculos. Amm." 
A frase "infinitamente mais do que tudo"  to emocionante e 
formidvel que ultrapassa a nossa compreenso e explicao. 
Faz-me lembrar de um poo que cavamos em nossa casa. 
Atingimos uma camada de gua a 30 metros e outra camada a 90 metros 
e ainda outra a 180 metros. Perguntamos aos operrios quanta gua eles 
achavam que havia ali. Responderam que no havia como calcular, mas 
que duraria para sempre. No poo, h gua bastante para servir a uma 
cidade inteira. 
Li recentemente sobre um dono de poos de petrleo no Texas, que 
andou dizendo que, mesmo com os computadores mais modernos, ele 
no conseguia calcular a quantidade de reservas de petrleo que 
controlava. Falou ele: 
 Podemos chegar perto, mas no podemos dizer com preciso. 
Existem aqueles que acham que os Estados Unidos so auto-
suficientes em petrleo e que temos carvo para mais de 600 anos. 
Os computadores esto praticamente dirigindo as nossas vidas. 
Tudo agora  calculado por computadores. Mas existe uma coisa que os 
computadores mais modernos no podem medir, que  o poder 
inexaurvel de Deus, que ele colocou  nossa disposio como um 
recurso para nossas vidas. 

A  Presena  de  Deus    Prometida

Tiago escreve: "Chegai-vos para Deus, e ele se chegar para vs." 
(Tiago 4:8) Que promessa e proviso abenoadas! Isso significa que 
cada um de ns pode se aproximar de Deus com a certeza de que Ele se 
aproximar de ns  se aproximar tanto que nos tornaremos conscientes 
de um relacionamento ntimo e pessoal com Ele. 
Esta  a maior experincia que podemos conhecer, ter este sentido 
de um relacionamento pessoal entre Deus e ns mesmos. Essa concepo 
 plena de um rico significado. 
Toda vida crist est intimamente ligada  vida de Deus, porque 
nEle vivemos e nos movemos e temos a nossa existncia. Ele nos deu o 
sopro da vida. Colocou algo dentro de ns que  como Ele, algo capaz de 
se desenvolver at chegar  rica qualidade de um carter semelhante a 
Cristo. 
Porque Deus  o doador e a fonte da nossa vida. Ele tem um direito 
legtimo sobre nossas vidas. Ele  nosso Pai, e tem o direito de esperar 
que sejamos filhos leais e amorosos. Porque sou Seu filho, Ele anseia por 
ser meu companheiro. 
A histria do filho prdigo  uma revelao do desejo de Deus pelo 
companheirismo humano. Ele quer que os filhos que se afastaram dEle 
voltem para casa e fiquem perto dEle. 
Por toda a Bblia, vemos a pacincia e a perseverana de Deus 
enquanto Ele vai no encalo de homens e mulheres transviados e 
obstinados  homens e mulheres que nasceram para um destino mais 
elevado, como seus filhos e filhas, e se desgarraram do Seu lado. Do 
Gnesis at o Apocalipse, Deus est dizendo constantemente para eles: 
"Voltai para mim, que voltarei para vs." 
Por incrvel que parea, Deus quer o nosso companheirismo. Ele 
nos quer perto de Si. Quer ser um pai para ns, proteger-nos, amparar-
nos, aconselhar-nos e orientar-nos em nosso caminho pela vida afora. 
Quando nos tornamos cristos, podemos dizer "Nosso Pai", pois 
aqueles que recebem a Cristo tm o direito de se tornar filhos de Deus. 
(Joo 1:12) Ento podemos encarar a Deus como nosso Pai. Devemos 
confiar nEle e passar a conhec-Lo no relacionamento ntimo de pai e 
filho. Podemos ter um sentido pessoal do Seu amor e Seu interesse por 
ns, pois Ele se preocupa conosco como um pai se preocupa com os 
filhos. 
Como disse, certa vez, Peter Marshall: "Deus no permitir que 
passemos por dificuldades, a no ser que tenha um plano especifico para 
que grandes bnos nasam dessa dificuldade." 
 atravs do sofrimento, dos testes e provaes da vida que 
podemos nos aproximar de Deus. Certa vez, A.B. Simpson ouviu um 
homem dizer algo de que nunca se esqueceu: "Quando Deus o testar,  
uma boa hora para voc test-Lo tambm, fazendo com que cumpra as 
Suas promessas e reivindicando dEle tudo o que suas provaes 
tornaram necessrio." 
Existem duas formas de se livrar de uma provao. Uma delas  
simplesmente tentar se livrar da provao e ficar grato quando ela acaba. 
A outra  reconhecer a provao como um desafio de Deus para que 
reivindiquemos uma bno maior do que jamais tivemos.

Deus  Suprir  Todas  as  Suas  Necessidades

Disse Paulo aos filipenses: "Meu Deus suprir todas as vossas 
necessidades conforme as suas riquezas na glria em Cristo Jesus." 
(Filip. 4:19) Que promessa isto  para os cristos! A fonte  Deus  "meu 
Deus", como O chama o apstolo. O suprimento  inesgotvel  
"conforme as suas riquezas na glria". E o Salvador  o canal atravs do 
qual essas riquezas chegam at ns. A equao  totalmente a meu favor. 
As minhas necessidades so contrabalanadas com as riquezas dEle. No 
h arranjo melhor do que este, para mim. No importa do que eu precise, 
Ele  mais do que capaz de me satisfazer. No devemos tratar a Deus 
como disse um escritor annimo: "Algumas pessoas tratam a Deus como 
tratam a um advogado  s O procuram quando esto em apuros." 
Eu percebo que preciso mais de Cristo nas minhas horas de regozijo 
do que nas de dificuldades, problemas e adversidade. Muitas vezes, 
cometemos o erro de pensar que a ajuda de Deus s  necessria nos 
quartos de doentes ou em horas de tristeza e sofrimento esmagadores. 
Isto no  verdade. Jesus quer penetrar em cada estado de nimo e em 
cada momento de nossas vidas. Ele foi ao casamento em Can do mesmo 
modo que  casa de Maria e Marta, quando Lzaro morreu. Ele chorava 
com os que choravam e se regozijava com os que se regozijavam. 
Algum j disse: "H tantas estrelas no cu ao meio-dia quanto  meia-
noite, embora no as possamos ver  luz do sol." 
Duvido seriamente que algum dia compreenderemos nossas 
provaes e adversidades, antes de estarmos na segurana do cu. Ento, 
quando olharmos para trs, ficaremos absolutamente espantados ao ver 
como Deus cuidou de ns e nos abenoou mesmo nas tormentas da vida. 
Enfrentamos diariamente perigos de que nem nos damos conta. 
Freqentemente, Deus intervm a nosso favor por intermdio do uso de 
Seus anjos maravilhosos. No creio que coisa alguma acontea a um 
cristo obediente por acidente. Tudo faz parte do propsito de Deus. 
"Sabemos que aos que amam a Deus todas as coisas lhes cooperam para 
o bem, a saber, aos que so chamados segundo o seu propsito." 
(Romanos 8:28) 
Novamente, o apstolo Paulo falou: 
"Tudo isso  por amor de vs, para que a graa, sendo multiplicada 
por muitos, faa abundar a ao de graas para a glria de Deus. Por isso 
no desanimes; mas ainda que perea o homem exterior, o homem 
interior renova-se de dia em dia. Pois a nossa leve aflio momentnea 
para ns produz cada vez mais abundantemente um eterno peso de 
glria." (II Cor. 4:15-17) Ainda outra vez escreveu aos corntios: "Todas 
as coisas so vossas, (...) ou o mundo, ou a vida, ou a morte, ou as coisas 
presentes ou as futuras;  tudo vosso." (1 Cor. 3:21,22)

A  Graa  de  Deus    Suficiente

Baseado na sua profunda experincia de sofrimento fsico, seu 
"espinho na carne", como ele o chamou, Paulo pde escrever aos 
corntios: "Ele [Deus] assim me falou: 'Basta-te a minha graa, pois a 
minha fora se aperfeioa na fraqueza."' E Paulo prosseguiu: "Portanto 
de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, para que a fora 
de Cristo repouse sobre mim." (II Cor. 12:9) Que atitude estranha e 
invulgar perante o sofrimento essas palavras revelam!  primeira vista, 
faz-me lembrar do homem que estava batendo com a cabea na parede 
do quarto do hospital e, quando o mdico lhe perguntou por que agia 
assim, ele replicou:  Porque  to gostoso quando eu paro! 
No era isso o que Paulo estava querendo dizer. Uma palavra do 
grande "prncipe dos pregadores", Charles Haddon Spurgeon (1834-
1892), me fez entender melhor o sentido das palavras de Paulo: 
Noutra noite, eu estava voltando para casa depois de um dia de 
trabalho duro. Eu estava me sentindo cansadssimo, e bastante 
deprimido, quando sbita e inesperadamente, como um relmpago, este 
texto veio  minha cabea: "Minha graa  suficiente para ti." Cheguei 
em casa e fui procurar o texto no original e, finalmente, ele chegou a 
mim desse jeito: "A MINHA graa  suficiente para ti." Eu falei: "Mas 
claro que , Senhor." E desatei a rir. Eu jamais compreendera totalmente 
o que significava o riso santo de Abrao at aquele momento. Parecia 
tornar a descrena to absurda. Era como se um peixinho, sentindo muita 
sede, estivesse preocupado em secar o rio de tanto beber.



Deus    o  Deus  de  Todo  o  Consolo

Certa vez, no final da minha adolescncia, me apaixonei por uma 
garota. Podia ser apenas uma paixo prpria da idade, mas era muito real 
para os dois adolescentes. Ficamos noivos, embora fssemos ambos 
jovens demais para tal passo. Todavia, ela se sentia insegura e achava 
que o Senhor a estava conduzindo para um outro rapaz, que era um de 
meus melhores amigos e j um jovem ministro experimentado. Fiquei de 
corao partido, e me lembro de ter ido procurar um outro ministro meu 
amigo, para que me ajudasse. Ele me fez ler II Corntios 1:3, 4, 6: 
"Bendito seja o Deus e Pai de nossa Senhor Jesus Cristo, o Pai de 
misericrdias e Deus de todo o conforto, que nos conforta em todas as 
nossas tribulaes, para podermos confortar aqueles que se acham em 
qualquer tribulao, pelo conforto com que ns mesmos somos confortados 
por Deus.(...) Mas se somos atributados,  para o vosso conforto, o qual 
opera no suportar com fortaleza os mesmos sofrimentos que ns tambm 
sofremos." 

Ganhei o consolo para as minhas dificuldades pessoais por 
intermdio dessas palavras do apstolo, assim como muitos outros 
tambm ganharam. Mas no se limita a isto. Essa passagem de Paulo 
ofereceu uma nova percepo para o sofrimento. Resumidamente,  a 
seguinte: no apenas somos consolados em nossas provaes, mas 
nossas provaes podem nos equipar para consolar os outros. 
 um fato inegvel que, em geral, so aqueles que mais sofreram os 
que melhor sabem consolar os outros que esto padecendo. Conheo 
pastores cujo ministrio religioso foi enriquecido pelo sofrimento. 
Atravs de suas provaes, aprenderam a vivenciar as dificuldades de 
seus paroquianos. Conseguiram no apenas simpatizar, mas empatizar, 
com as aflies dos outros, por causa do que eles prprios tinham 
experimentado em suas vidas. 
Nossos sofrimentos podem ser grandes e difceis de suportar, mas 
nos ensinam lies que, por sua vez, nos equipam e nos permitem ajudar 
aos outros. Nossa atitude para com o sofrimento no deve ser "trinque os 
dentes e agente", esperando que tudo passe o mais depressa possvel. 
Ao invs disso, a nossa meta deve ser aprender o mximo que pudermos 
daquilo que temos que suportar, para que possamos cumprir um 
ministrio de consolo  como fez Jesus. "Pois naquilo em que ele mesmo 
sofreu, sendo tentado, pde socorrer aos que so tentados." (Hebreus 
2:18) 
O sofredor se torna o consolador ou o ajudante no servio do 
Senhor. 



















COMO  SE  PREPARAR  PARA  O  SOFRIMENTO

Numa crise  impossvel obter energia espiritual dos outros. 
Armazene-a antecipadamente. GEORGE WILLIAMS

O QUE VOC FARIA se as principais cidades do seu pais fossem 
subitamente arrasadas por msseis teleguiados ou bombardeiros 
inimigos? Como voc reagiria  apreenso de todas as principais 
indstrias, instalaes, escolas? E se voc fosse feito refm por um grupo 
de terroristas? Se voc nunca experimentou o impacto de tais horrores, 
provavelmente no saber dar resposta a essas perguntas. 
Face a uma catstrofe nacional, o que faz o cristo? Qual deve ser a 
sua atitude? Para onde se voltaria? E se a igreja nos Estados Unidos 
passasse a ser perseguida, como o  em muitos outros pases? 
Como um todo, os Estados Unidos em comparao com muitas 
outras reas do mundo no sabem o que  privao. Pouco concebemos, 
como nao, o que significam o verdadeiro sacrifcio e sofrimento. 
A imunidade  perseguio que os cristos, em certas partes do 
mundo, vm experimentando, nos ltimos duzentos ou trezentos anos,  
incomum. Vivemos um perodo anormal, especialmente nos ltimos 
anos. O cristianismo tem sido quase popular, e nos Estados Unidos 
certamente o , ao menos na poca em que estou escrevendo. Vejam s 
as centenas de livros cristos que so publicados todos os anos. Temos 
filmes cristos, assim como programas de rdio e TV cristos. Uma das 
mais antigas e prestigiosas revistas americanas adotou recentemente um 
tom cristo. Todavia, na minha opinio, essa poca de popularidade ser 
encurtada  medida que o materialismo secular destri as partes vitais do 
pas. 
Em outras partes do mundo, ser cristo automaticamente expe a 
pessoa a dificuldade, se no a uma verdadeira perseguio. Cristo 
advertiu com veemncia a Seus seguidores que acreditar nEle no traria 
popularidade e que, por isso, deveriam estar preparados para enfrentar 
sofrimento e aflies em Seu nome.

O  Sofrimento  No    Anormal

A Bblia diz que todos aqueles que quiserem "viver piamente em 
Cristo Jesus sero perseguidos" (II Timteo 3:12). Jesus falou que,  
medida que se aproxima a hora do Seu retorno, "ho de te prender e 
perseguir." (Lucas 21:12) No temos bases bblicas para acreditar que 
vamos escapar para sempre de uma perseguio fsica em nome de 
Cristo. O fato de no estarmos sendo perseguidos  uma condio 
anormal. A condio normal para os cristos  que devem sofrer 
perseguio. 
Como experimentamos pouca perseguio religiosa neste pas,  
provvel que, sob presso, muitos cristos neguem a Cristo.  
inteiramente concebvel que a perseguio dos crentes cristos que 
ocorre em outras partes do mundo tambm chegue  Europa,  Austrlia, 
ao Canad e  Amrica. 
O Dr. Donald Coggan, o antigo arcebispo de Canturia, numa 
palestra feita em Londres referiu-se a uma visita recente feita a um 
determinado pas e contou que vira, com seus prprios olhos, cristos 
serem perseguidos. Disse ele: 
 A f dos cristos est sendo testada no fogo. Que testemunho  o 
deles! Como nos sairamos, eu me pergunto, em circunstncias 
semelhantes? Ser que somos acomodados demais na Gr-Bretanha? 
Ser que levamos uma vida mansa e confortvel demais para sermos 
capazes de enfrentar a perseguio? Ser que desertaramos? Ou ser 
que, como tantos deles, triunfaramos? 
Este  um assunto para ser visto com seriedade. Se a perseguio 
viesse, o que voc e eu faramos? Provavelmente, a maioria no faria 
nem mais nem menos do que est fazendo agora. Talvez, os primeiros a 
se renderem sejam exatamente os que mais se vangloriam de sua f. 
Muitos que se gabam de coragem seriam os mais covardes. Muitos, 
como Pedro, que dizem: "Embora todos os outros neguem a Cristo, eu 
jamais o negarei", seriam os primeiros a aquecer as mos ao calor do 
fogo dos acampamentos inimigos. 
Ao falar dos ltimos tempos, disse Jesus: "Ento sereis entregues  
tribulao, e vos mataro; sereis odiados por todas as naes por causa 
do meu nome." (Mat. 24:9) Ele tambm disse: "E por se multiplicar a 
iniqidade, resfriar-se- o amor da maior parte dos homens." (Mat. 
24:12) Paulo, referindo-se ao conflito com as "foras espirituais do mal", 
escreveu: "Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais 
resistir no dia mau e, tendo feito tudo, ficar firmes." (Efsios 6:13) 
Eis aqui cinco itens para serem verificados na determinao da 
fora plena da sua "armadura completa". Anote-os, consulte-os 
diariamente e aja de acordo com eles. 

Olhe  na  Direo  de  Deus

Primeiro,  preciso nos certificarmos de nosso relacionamento com 
Deus. Quando Ams, o profeta, viu o dia do juzo se aproximando 
rapidamente para Israel, avisou ao povo que se preparasse para o 
encontro com Deus. (Ams 4:12) A expresso estar preparado deve ser 
uma palavra-chave para todos. 
 estranho que nos preparemos para tudo, menos para o encontro com 
Deus. Preparamo-nos para o casamento e para uma carreira. Preparamo-nos 
para competies de atletismo. Uma pessoa que pretenda entrar para a 
equipe olmpica, em qualquer parte do mundo, treina o seu esporte vrias 
horas por dia, s vezes durante anos, antes de se considerar preparada. Mas 
ns no nos preparamos para encontrar a Deus. Muito embora a maioria de 
ns veja as nuvens se acumulando no horizonte, de um modo geral, estamos 
fazendo poucos preparativos para encontrar a Deus. Esta  a hora de 
arrependimento e f.  a hora de olharmos para dentro de nossas almas, e 
hora de vermos se nossa ncora est firme.
Caminhe  com  Deus

Segundo, temos que aprender a caminhar com Deus em nosso dia-
a-dia. 
Abrao caminhou com Deus e foi chamado de amigo de Deus. (Isa. 
41:8; Tia. 2:23). Caminhe com Deus, como o fez No; quando veio o 
dilvio, No foi salvo. Caminhe com Deus, como o fez Moiss na 
solido do deserto; quando a hora do juzo chegou para o Egito, Moiss 
estava preparado para guiar o seu povo para a vitria. Caminhe com 
Deus, como o fez Davi quando era um jovem pastor; quando foi 
chamado a governar o seu povo, estava preparado para esta tarefa. 
Daniel e seus trs jovens amigos caminharam com Deus na Babilnia e, 
quando chegou a hora das tribulaes, Deus estava ao lado deles  quer 
fosse no covil do leo, quer na fornalha acesa. 
Todavia, a Bblia ensina que Deus nem sempre livra os Seus santos 
da adversidade. Como j vimos, uma leitura cuidadosa de Hebreus 11 
mostra que "outros" foram to fiis quanto Abrao, Moiss, Daniel ou 
Davi; tambm eles caminharam com Deus, mas mesmo assim, 
pereceram. Deus no prometeu livrar-nos da tribulao, prometeu 
acompanhar-nos durante a tribulao. 
Estvo era um jovem "cheio de f e do Esprito Santo" (Atos 6:5). 
Foi apedrejado at a morte, mas teve uma entrada triunfal no cu. Se 
voc no est fortalecendo o homem interior agora, por meio da 
companhia diria de Deus, quando chegar a crise, voc tremer de medo 
e ceder, pois no ter foras para ir em apoio de Cristo.

Trabalhe  com  a  Palavra

Terceiro, precisamos nos fortalecer com a Palavra de Deus. 
Comece a ler, a estudar e a memorizar a Escritura, mais do que em 
qualquer outra poca de sua vida. 
Diz Paulo: "Estais, portanto, firmes, tendo os vossos lombos 
cingidos de verdade, e sendo vestidos da couraa da justia." (Efs. 6:14) 
A verdade  a Palavra de Deus. Diz ele, tambm: "Tome a (...) espada do 
Esprito, que  a palavra de Deus." (v. 170) Temos que estar preparados 
para a ao, de couraa e espada, com a Palavra. Para chegar a isso,  
preciso l-la, assimil-la, alimentar-se dela. Temos que deixar que seja 
nosso basto e nossa fora. Ela  rpida e poderosa  o baluarte da alma. 
Para muitos, a Escritura no passa de um livro de referncias de 
fatos bblicos. Raramente  aberto e apreciado como o basto espiritual 
da vida que . Muitos cristos esto anmicos, pois deixaram de se 
alimentar com a Palavra de Deus. Esto totalmente despreparados para 
uma hora de crise ou de conflito. Precisamos fazer da Bblia uma parte 
diria de nossas vidas, armazenando a Palavra de Deus em nossos 
coraes e mentes. Ento, se alguma vez a nossa Bblia for tirada de ns, 
sempre poderemos record-la, alimentar-nos dela e digeri-la 
internamente. 
Ouvimos contar inmeras histrias de cristos que foram presos 
sem a sua Bblia, mas que sabiam de cor grandes trechos da Escritura. 
Que conforto, bno e fora eram esses trechos, repetidos vezes sem 
conta para eles mesmos. Um cristo, que passou trs anos numa cadeia, 
me contou que, durante o seu tempo de priso, o que mais lamentava era 
no ter guardado de memria mais trechos da Bblia.

Treine  a  Orao

Quarto, precisamos fortificar-nos com a orao. A Bblia, 
referindo-se ao "dia mau", diz: "Com toda a orao e splica orando em 
todo o tempo no Esprito, e para isto vigiando com toda perseverana e 
splica por todos os santos". (Efs. 6:18) Se vamos ficar ao lado de 
Cristo, sem concesses, quando chegar uma crise nacional, ento temos 
que redescobrir o poder da orao. Jesus nos ensinou que devemos "orar 
sempre e nunca desanimar". (Lucas 18:1) 
A igreja primitiva conhecia o valor e a necessidade da orao. 
Oraes fervorosas e dedicadas antecediam a cada triunfo importante. A 
orao antecedeu ao Pentecostes. 
A igreja em Jerusalm orava nas horas de perseguio e, como 
resultado, "todos ficaram cheios do Esprito Santo, e falavam com 
liberdade a palavra de Deus". (Atos 4:31) Quando o apstolo Pedro foi 
aprisionado pelo rei Herodes, os fiis em Jerusalm oraram e ele foi 
milagrosamente libertado. (Atos 12:1-17) 
Paulo e Silas oraram na priso; o carcereiro filipense encontrou a 
Deus e os prisioneiros foram libertados. (Atos 16:25-34) 
Para o cristianismo sobreviver num mundo mpio e materialista, ns 
temos que nos arrepender de nossa falta de oraes. Temos que fazer da 
orao a nossa prioridade. O encontro da orao deve ser o culto mais 
importante e significativo de qualquer igreja. 
No Antigo Testamento, lemos a histria de um rei pago perverso e 
poderoso, chamado Senaqueribe. Este lder assrio anunciou que 
dominaria pela fora o povo de Deus, e que possuiria as suas terras. Ps 
em funcionamento a sua mquina de propaganda. Mandou mensagens a 
Israel, dizendo: "Qual foi, de todos os deuses daquelas naes que meus 
pais destruram, o que pde livrar o seu povo da minha mo, para que 
possa o vosso Deus livrar-vos da minha mo?" (II Crnicas 32:14) 
A Assria construra uma mquina de guerra vasta e fantstica, que 
arrasara implacavelmente as naes de Jud e Israel. Na corrida 
armamentista de sua poca, os assrios estavam definitivamente em 
vantagem! Os seus soldados armados policiavam os pases subjugados e 
conquistados da mesma forma que acontece em certos pases, hoje em 
dia. O mundo todo tremia quando Senaqueribe falava! 
Ezequias, o rei de Israel, deu-se conta de que, a nvel puramente 
humano, os assrios podiam fazer valer as suas palavras orgulhosas. 
Eram superiores em nmero de soldados e em armas; nenhuma nao 
fora capaz de resistir a eles. Ezequias sabia muito bem que, sem a ajuda 
de Deus, o seu povo seria dizimado da face da terra. Confiou em Deus 
irrestritamente  e sua arma secreta era a orao. 
Diz a Bblia: "O rei Ezequias e o profeta Isaas, filho de Ams, 
oraram juntos e clamaram aos cus." (II Crnicas 32:20) Imaginem esta 
cena dramtica: um rei e um profeta de Deus de joelhos diante de Deus, 
orando fervorosamente. E ento um milagre aconteceu! 
Continua a narrativa: "Jeov mandou um anjo que exterminou no 
arraial do rei da Assria todos os homens ilustres em valor e os guias e os 
capites. Voltou o rei envergonhado para a sua terra. (...) Assim salvou 
Jeov a Ezequias e aos habitantes de Jerusalm da mo de Senaqueribe, 
rei da Assria, e da mo de todos, guiando-os de todos os lados." (li 
Crnicas 32:21, 22). 
Milagres aconteceram na Histria quando o povo de Deus se voltou 
para Ele em orao. A palavra dEle para ns ainda  a seguinte: "Invoca-
Me no dia da angstia; eu te livrarei, e tu me glorificars." (Sal. 50:15) 
 preciso uma convocao urgente para o arrependimento nacional 
e individual, hoje, ou o juzo certamente chegar. Creio que estamos 
preparados como nao, que somos fortes e que dificilmente nos 
atacaro. Mas nenhuma dose de preparao militar poder tomar o lugar 
da preparao espiritual. Precisamos da fora interior que advm de um 
relacionamento pessoal e vital com Deus, atravs de Seu Filho Jesus 
Cristo. 
Li, recentemente, um artigo num jornal ingls que perguntava na 
manchete: "A Gr-Bretanha sobreviver?" O autor prossegue dizendo 
que, dentro de cinco anos, a no ser que a Gr-Bretanha tenha um novo 
despertar moral e espiritual, estar nas mos de um novo tipo de governo 
ateu e materialista. 
A primeira coisa que Ezequias e Isaas fizeram quando irrompeu 
uma crise na sua terra foi cair de joelhos diante do Deus Todo-Poderoso. 
No oraram para que Deus estivesse do lado deles, mas sim para que eles 
pudessem estar do lado de Deus. Em resposta a suas splicas ansiosas e 
por causa do seu modo de vida consistentemente justo, Deus enviou um 
batalho de guerreiros celestes para livr-los. 
Porm, no  sempre que Deus livra seus filhos de crises e 
catstrofes. Por exemplo, durante as provaes e tribulaes dos anos 70, 
muita gente em Uganda orou ansiosamente para que o Senhor os 
livrasse. O regime perverso daquele pais tirou a vida de muitos crentes. 
O Senhor os livrou, mas no da maneira como esperavam. Cabe a ns, 
cristos, aceitarmos o que quer que Deus nos envie, e estarmos 
preparados em nossos coraes e mentes para a mudana e a revoluo  
e at mesmo para a tortura e a morte. 
Corrie ten Boom nos conta como, em meio aos horrores do campo 
de prisioneiros de Ravensbruck, ela aprendeu a orar. A orao era o seu 
refgio constante. Atravs da orao, ela conheceu a realidade de Cristo 
na sua vida, mesmo quando os fardos eram esmagadores. Ela orava: 
"Senhor, ensina-me a jogar todos os meus fardos sobre Ti e a prosseguir 
sem eles. Somente o Teu Esprito pode me ensinar esta lio. D-me o 
Teu Esprito,  Senhor, e eu terei f, tanta f, que no mais carregarei um 
fardo de cuidados." 

Pratique  a  Presena  de  Cristo

Quinto, precisamos fortificar-nos pela percepo da proximidade 
do Senhor em todas as horas. Spurgeon disse, certa vez: "Nunca passei 
mais de quinze minutos na minha vida sem sentir a presena de Cristo." 
Lamento no poder dizer isto. Precisamos aprender novamente a praticar 
a presena de Cristo, no apenas nos dias de provaes e sofrimentos, 
mas sempre. 
Somos encorajados a agir assim pela promessa final de Cristo a 
seus discpulos, depois que lhes havia ordenado que partissem e fizessem 
discpulos de todas as naes. Disse Ele: "Eis que eu estou convosco 
todos os dias at o fim do mundo." (Mateus 28:20)  uma promessa para 
discpulos obedientes, e  maravilhosamente abrangente. 
O Dr. Handley Moule, ex-bispo anglicano de Durham, Inglaterra, e 
renomado estudioso de grego, insiste em que o sempre pode ser 
parafraseado para significar: "Estou convosco todos os dias, o dia todo." 
Isso quer dizer que podemos contar com a presena de Cristo no apenas 
todos os dias, mas em todos os momentos de cada dia. Do fato de Sua 
presena no pode haver dvidas, pois Sua Palavra no pode falhar. O 
que precisamos  cultivar o sentido de Sua presena, todos os dias, todas 
as horas, todos os momentos. 
H alguns anos a minha mulher sofreu um tombo terrvel. Teve uma 
concusso, ficou inconsciente durante quase uma semana, quebrou o p 
em cinco lugares e feriu o quadril. Ao recobrar a conscincia, percebeu 
que tinha perdido boa parte da memria. O que a perturbava mais era ter 
esquecido tantos trechos da Bblia que aprendera ao longo dos anos. Os 
versculos de uma vida inteira eram mais preciosos para ela do que todos 
os seus bens materiais. 
Certa noite, quando estava orando, porque estava to aflita, um 
versculo lhe surgiu do nada: "Eu te amei com um amor eterno..." Ela 
no se lembrava de ter memorizado este versculo, mas o Senhor fez com 
que se recordasse dele. Aos poucos, outros versculos comearam a lhe 
voltar  lembrana. Porm,  interessante notar que, enquanto ainda 
estava tentando recobrar a memria, memorizou Romanos 8:31-39 e 
ficava repetindo os versculos vezes sem conta: 
"Que diremos, pois,  vista destas cousas? Se Deus  por ns, quem 
ser contra ns? Aquele que no poupou a seu prpria Filho, mas, por todos 
ns o entregou, como no nos dar tambm com ele todas as cousas? 
Quem intentar acusao contra os escolhidos de Deus?  Deus quem os 
justifica. Quem  que os condena? Cristo Jesus  o que morreu, ou antes, o 
que foi ressuscitado; o que est  mo direita de Deus; o que tambm 
intercede por ns! Quem nos separar do amor de Cristo? Ser tribulao, 
ou angstia, ou perseguio, ou fome, ou nudez, ou perigo ou espada? 
Como est escrito: Por amor de ti somos entregues  morte o dia todo, 
fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas 
cousas somos mais do que vencedores por aquele que nos amou. Pois 
estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem os 
principados, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem os poderes, nem 
a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poder nos 
separar do amor de Deus, que est em Cristo Jesus nosso Senhor." 
Insisto para que voc memorize esta passagem. Oculte-a dentro do 
seu corao. Quando a perseguio, os problemas e a adversidade 
irromperem, estes versculos voltaro  sua cabea milhares de vezes. 
Cristo deve ser vitalmente real para ns, para que permaneamos 
fiis a Ele na hora da crise. E quem sabe o quanto esta hora est ou no 
prxima? As engrenagens do juzo de Deus j podem ser ouvidas pelas 
pessoas esclarecidas na ONU, nas conferncias de lderes polticos, nos 
escritrios dos editores de grandes jornais ou nas grandes redes de TV no 
mundo todo  e nos povos de todas as naes. As coisas esto 
acontecendo depressa! Nunca foi to urgente a necessidade de nos 
voltarmos para Deus. 
As palavras de Isaas, a quem Deus usou para confundir um 
agressor antigo e mpio, so apropriadas para ns, hoje em dia: "Buscai a 
Jeov enquanto se pode achar; invocai-o enquanto est perto. Deixe ao 
inquo o seu caminho, e ao injusto os seus pensamentos: volte-se para 
Jeov, porque se compadecer dele; e para o nosso Deus, porque muito 
perdoar." (55:6,7) 
Davi provou que a armadura externa no  to importante quanto o 
homem que h por dentro da armadura. A no ser que os homens de 
propsito, integridade e f se unam em lealdade inabalvel a Jesus 
Cristo, o futuro do mundo ser realmente sombrio.

Fortalea  a  Famlia

Para nos prepararmos para o sofrimento e perseguio que parecem 
to inevitveis, tambm precisamos favorecer e fortalecer o movimento 
do pequeno grupo, o conceito de "clulas crists". Obviamente este 
processo deve se realizar na famlia. Nos Estados Unidos de hoje em dia, 
assim como em outras partes do mundo, estamos testemunhando a 
ruptura e a eroso da unidade familiar. O divrcio est desenfreado, e 
"morar junto" sem a formalidade de uma cerimnia de casamento est 
cada vez mais comum. Somente a unidade familiar crist forte ser capaz 
de sobreviver ao prximo holocausto mundial. 
Para nos prepararmos para a crise que se aproxima temos que nutrir 
e armar a unidade familiar. Os itens que mencionei anteriormente podem 
ser aplicados  nossa vida familiar. Primeiro, temos que colocar a Deus 
no centro de nossa vida familiar, e torn-Lo tambm a circunferncia. 
Segundo, como famlia, temos que caminhar diariamente com Deus. 
Terceiro, consultar e memorizar a Bblia em famlia  vital. No deve se 
passar nem um s dia sem uma reunio familiar em torno da Palavra de 
Deus. Juntos, os membros da famlia devem "ler, marcar, aprender e 
assimilar internamente" a Escritura como uma preparao essencial para 
a perseguio que os espera. 
A orao em famlia  o quarto elo vital na corrente de fora 
espiritual  uma fora que estamos tentando construir para nos proteger 
de um mundo que enlouqueceu. O hbito de orar juntos em famlia  um 
dos fatores mais fortalecedores na unificao e energizao dos membros 
daquela famlia que enfrentam um mundo conturbado. Somente pelo 
contato direto com Deus, atravs da orao, podemos esperar ter a 
serenidade e a segurana que nos permitiro testemunhar por Cristo no 
mundo exterior. A prtica da orao em famlia tambm equipa os seus 
membros individuais para orarem eficazmente em meio s presses do 
dia-a-dia. O lar  o melhor lugar para aprender estas lies espirituais. 
O que falei sobre a unidade familiar tambm se aplica ao valor de 
pequenos grupos ntimos que esto brotando dentro e fora da igreja 
organizada, hoje em dia. Quando irmos e irms em Cristo se unem no 
lao comum da Palavra de Deus e da orao, ficam fortalecidos na sua f 
e testemunho. O apoio dos outros  especialmente til quando chega o 
sofrimento. A Escritura nos insta a suportar "as cargas uns dos outros, e, 
assim, cumprireis a lei de Cristo" (Gl. 6:2); "consolai-vos 
reciprocamente e edificai-vos" uns aos outros (1Tess. 5:11). Isto pode ser 
feito da melhor forma em pequenos grupos cristos; e, quando feito, 
coisas espantosas podem acontecer. 
Por exemplo, estamos sabendo que a igreja na China sobreviveu a mais 
de 25 anos de severas restries. Como? Por intermdio da sade e existncia 
de "igrejas domsticas". Elas consistem em pequenos grupos de crentes que, 
embora lanados  clandestinidade durante a revoluo cultural, ainda assim 
deram um jeito de se encontrar regularmente em torno da Palavra. A despeito 
do esforo combinado para se destruir todas as Bblias na China, alguns 
exemplares sobreviveram e em torno destes, ou dos versculos e at passagens 
que os crentes tinham memorizado, reuniram-se pequenos grupos de cristos. 
Os cristos chineses, na priso e nos campos de trabalhos forados, permitiram 
que a chama de sua f ardesse vivamente e foram utilizados para conduzir 
outros chineses para o Senhor. 
E quanto a ns mesmos? O desafio  pessoal e diz respeito a cada 
um de ns. No fim das contas, a melhor maneira de nos prepararmos 
para qualquer tipo de sofrimento  buscando aprofundar continuamente 
nossas vidas espirituais  e o que quero dizer  aprofundar a nossa vida 
no Esprito. 
A exortao do apstolo Paulo aos cristos da sua poca era 
"enchei-vos do Esprito." (Efsios 5:18) No era um mero conselho, era 
uma ordem. E o verbo em grego est no presente, dando a idia de 
continuidade. "Continuai enchendo-vos do Esprito"   o que Paulo est 
dizendo aqui. No  um acontecimento nico, mas sim uma experincia 
ininterrupta. Ns devemos ser cisternas para a plenitude de Deus. Como 
uma fonte fresca, devemos transbordar e deixar que nossas vidas toquem 
as vidas daqueles que nos cercam. 
 assim que devemos nos preparar para o que quer que nos espere 
nas pocas crticas de provao que esto por vir. Quando chegar o "dia 
mau", no poderemos depender das circunstncias que nos cercam, mas 
dos recursos ocultos dentro de ns. E estes recursos no so nossos, mas 
de Deus. Encha-se do Esprito! 


COMO  AJUDAR  AQUELES  QUE  ESTO  MAGOADOS

Foi atravs dos que sofreram que o mundo progrediu.
LEON TOLSTOI

A MAIOR PARTE deste livro tratou do sofrimento no sentido mais 
geralmente aceito  o tipo de sofrimento associado  dor fsica e  
doena, e  hostilidade e  perseguio. Mas existem outros aspectos do 
sofrimento que no podem ser ignorados ou esquecidos num livro deste 
tipo.  o sofrimento causado pelas "mgoas" da vida que causamos aos 
outros com a maior facilidade, ou das quais ns mesmos somos as vtimas. 
Pode haver quem se incline a considerar tais mgoas sem 
importncia, se comparadas s outras. Porm, elas so bem reais e nada 
triviais. Dizem respeito a ns todos em nosso dia-a-dia. Dizem respeito a 
voc, que est lendo este captulo. 
A sua vida  intimamente entrelaada s vidas de dezenas e 
centenas de outros que o cercam. Considere a variedade de vidas que 
voc influencia em um dia: os membros de sua famlia e seus amigos, as 
relaes comerciais, vizinhos, empregados de armazm, bombeiros do 
posto de gasolina, garonetes, motoristas de nibus, o seu pastor, os 
outros paroquianos da sua igreja. Quer esses relacionamentos sejam 
superficiais ou profundos, dentro de cada um deles existe o potencial 
para muita mgoa ou muita ajuda. 
Dentro do seu crculo de contatos algum est sendo magoado. 
Voc tem cincia disso? O que pode fazer para ajudar a essa pessoa? 
Ser que  voc a fonte da mgoa dessa pessoa? Ou ser que  voc 
quem est sendo magoado? Como voc deve reagir? 
Neste captulo, queremos explorar estas questes. Deus quer que 
estejamos cada vez mais preocupados com os sentimentos e necessidades 
daqueles que nos cercam. E Ele quer que aprendamos a lidar direito com 
nossas prprias mgoas. 

Como  Magoamos  os  Outros

s vezes, magoamos os outros deliberadamente, outras vezes, 
inadvertidamente. No seu livro recentemente publicado Por favor, no 
atire! J Estou Ferida, "Hansi" (Maria Ann Hirschmann) nos conta o 
que aconteceu quando o seu marido a deixou. Ela admite ter sido uma 
me dura e exageradamente rgida, que afastou os filhos de si. Na 
devastao que experimentou aps ter sido abandonada tanto pelo 
marido quanto pelos filhos, ela foi ainda mais magoada pelas crticas e 
atitudes de antigos amigos cristos. Depois que o Senhor a tratou 
amorosa e carinhosamente, ela enfrentou com sinceridade as suas falhas 
e permitiu que o Senhor a modificasse. 
Falando a um grupo de mulheres, certo dia, ela sentiu necessidade 
de partilhar a sua experincia e ficou pasma com a resposta delas. 
Descobriu que dezenas de mulheres foram profundamente magoadas, 
como ela, e encontraram da parte dos cristos reaes de desagrado, 
crtica, condenao e at crueldade. Aos poucos,  medida que Hansi 
permitia que o Senhor cuidasse de si e a modificasse, ela se reconciliou 
com cada um de seus filhos e, finalmente, chegou ao ponto em que se 
achou capaz de orar pelo ex-marido e a nova mulher dele. Espero que o 
livro dela ajude os cristos a se darem conta de que julgar e condenar 
no faz parte dos dons do Esprito. 
Vemos tambm a histria da me de Somerset Maugham. Dizem 
que foi uma mulher extraordinariamente bela, casada com um homem 
extraordinariamente feio. Certo dia, passados alguns anos, um amigo 
chegado lhe perguntou, de brincadeira, como conseguira ficar casada 
com um homem to feio, sendo ela to linda. Ela pensou por um 
momento, depois respondeu, com toda a seriedade: 
 Ele nunca me magoou, nem uma s vez. 
Como demonstram estas histrias, ns magoamos os outros quando 
no somos bondosos. Poucos cristos agem assim deliberadamente. 
Talvez simplesmente no percebam as conseqncias de suas atitudes, 
seu tom de voz ou que as palavras que dizem esto incomodando um 
determinado indivduo. 
Um de nossos filhos teve a experincia de ter uma professora 
bondosa num ano e outra que no era bondosa, no ano seguinte. Isto se 
repetiu durante vrios anos. Era interessante ver como ele florescia com 
as mestras bondosas e regredia com as outras. 
Creio que isso tambm se aplica  minha prpria vida. Muitas 
vezes, a nica coisa que uma criana consegue se lembrar num adulto, 
anos mais tarde, quando j cresceu,  se essa pessoa foi ou no bondosa. 
"A melhor coisa que podemos fazer por nosso pai celeste", disse 
algum, " ser bondoso para um de Seus filhos". Isto  verdade, eu sei, 
porque me sinto profundamente agradecido quando algum  bondoso 
para um filho meu. 
Mexericar  outra maneira de magoar os outros. "Que o ausente 
sempre se sinta seguro conosco"  eis um lema a ser lembrado. 
Existem pais que fizeram o possvel para criar os seus filhos segundo 
os preceitos do Senhor, somente para que mais tarde eles rejeitassem no 
apenas o que lhes fora ensinado, mas tambm os prprios pais. 
Voc tem um amigo com um filho assim? E voc, o que fez a 
respeito? Julgou, criticou, mexericou, quem sabe "contou vantagem" 
porque os seus filhos so fiis totalmente dedicados ao Senhor? 
Este pequeno poema aborda vividamente o assunto: 
Eles sentiam olhares bons sobre si 
e se encolhiam por dentro  destrudos; 
bons pais tinham bons filhos e eles  um filho errante. 
Aquela boa gente no pretendia 
bancar a convencida ou condenar; 
mas ter filhos prdigos no era uma coisa que "ficasse bem". 
Lembra a eles docemente, Senhor, 
como Tu 
tens problemas com Teus filhos, tambm.1 
No devemos nos esquecer de que Deus odeia o pecado, mas tambm  
verdade que Ele  doce e compassivo com o pecador.  freqente 
deixarmos de fazer essa diferena. 
E quanto s crticas? As crticas, em geral, desanimam. J notou 
como, ao ler a Bblia, voc depara com Deus lhe dizendo todos os seus 
erros, pecados e falhas, sem desencoraj-lo nem uma vez? Isso  porque, 
ao mesmo tempo, o Seu amor resplandece e, com ele, a promessa de Sua 
presena e poder para nos ajudar a vencer. A crtica vinda das pessoas, 
em geral, tem um efeito contraproducente. Isso  especialmente 
verdadeiro, creio eu, ao lidarmos com nossos filhos. Eles precisam de 
orientao e correo, mas se, ao mesmo tempo, pudssemos ser tambm 
mais animadores! Se eles so bagunceiros, encoraje-os quando arrumam 
os quartos. Se so habitualmente retardatrios, elogie-os quando chegam 
na hora. No Salmo 72, est a orao de Davi para seu filho Salomo. Diz 
o versculo 15: "Roguem por ele continuamente e bendigam-no em todo 
o tempo." Que sugesto para os pais! Ore continuamente  louve 
diariamente. Se no fizermos isso, causaremos mais danos ainda, ao 
invs de repar-los. 
Deixar de encorajar  uma das maneiras mais comuns de magoar os 
outros. "Mais pessoas falham pela falta de encorajamento", j disse 
algum, "do que por qualquer outro motivo." Outra maneira de 
magoarmos os outros  estando ocupados demais. Ocupados demais para 
prestar ateno em suas necessidades. Ocupados demais para mandar um 
bilhetinho de consolo ou de nimo ou de confirmao de amor. 
Ocupados demais para ouvir quando algum precisa conversar. 
Ocupados demais para nos importarmos. 
Quando Alan Redpath era pastor de The Moody Church, em 
Chicago, mandou pendurar na parede de seu gabinete estas palavras: 
"Cuidado com o vazio de uma vida ocupada." 
A mulher que deixa de dar apoio ao marido pode mago-lo como 
indivduo, e tambm prejudicar o seu trabalho. Isso tambm se aplica ao 
marido que deixa de dar apoio  mulher. At mesmo uma coisa 
aparentemente insignificante como um tom de voz pode ter um efeito 
devastador. J foi dito que mais tenso e atritos so causadas em famlia 
pelo tom de voz do que por qualquer outro motivo. 
Os psiclogos nos falam da necessidade das pessoas terem a um s 
tempo segurana e significao. Conquanto somente Deus possa oferecer 
a segurana mxima e permitir que uma pessoa perceba a sua verdadeira 
significao, ns, como pais, se falharmos no esforo de fazer nossos 
filhos se sentirem seguros de nosso amor e de fazer com que eles 
percebam a sua significao e valor individuais, podemos deix-los 
marcados por toda a vida. 
A seguir, vem aquele que tem autoridade e reprime excessivamente. 
Pode ser um marido que no permite que a mulher tenha opinies 
prprias e discorde dele. Todo homem precisa de algum que discorde 
dele, ocasionalmente. Conheo um homem desse tipo que, embora possa 
parecer incrvel, deixou bem claro  mulher, logo que se casaram, que 
ela no poderia nunca discordar dele. Mais tarde, quando j estavam 
casados h algum tempo, eles receberam um conhecido lder cristo para 
jantar. No meio da conversa, o convidado discordou de algo que o dono 
da casa dissera, e a mulher deste, prontamente, o expulsou de casa. 
 Ningum discorda do meu marido na minha casa!  exclamou a mulher. 
Isso pode parecer fico, mas  verdade. O tal homem, embora 
extremamente talentoso e capaz, acabou se tornando desagradavelmente 
arrogante. 
Em Eclesiastes 8:9, vemos este comentrio interessante: "H uma 
poca em que um homem tem domnio sobre os outros homens para 
magoar a si mesmo." 
Jamais ganhamos na vida magoando os outros. s vezes, tentamos 
elevar os nossos egos inseguros degradando e diminuindo os que nos 
cercam. No entanto, isso produz apenas um falso sentido de auto-estima. 
Pelo contrrio, a Escritura nos ensina que devemos nos preocupar 
mais com as necessidades e sentimentos dos outros do que com os 
nossos. Devemos encorajar a autoconfiana em nossos entes queridos, 
nossos amigos e associados. Devemos encorajar o seu crescimento como 
indivduos e aplaudir os seus xitos. Algum j disse que o verdadeiro 
servo de Deus  aquele que ajuda o outro a ter xito. 
Muitas vezes sentimos maior satisfao e alegria pelos feitos de 
outras pessoas, do que por nossos prprios feitos. Uma boa definio de 
alegria (JOY) que vale a pena lembrar  formada pelo acrstico seguinte: 
Jesus first. (Jesus em primeiro lugar) 
Others second. (Os outros em segundo) 
Yourself last. (Voc em ltimo)

Como  Reagimos  ao  Sermos  Magoados

Conheo um homem que foi incrivelmente torturado por sua f em 
Cristo. Quando estava sofrendo a tortura, ele fez questo de orar pelo 
indivduo (ou indivduos) que o torturavam. Ao recobrar a liberdade, ele 
voltou para a civilizao como um homem normal, humano, compassivo. 
Li sobre um outro que passou por circunstncias semelhantes, mas que 
saiu da sua provao um homem espiritualmente ferido  amargo e cheio 
de ressentimentos. 
A maneira como reagimos s mgoas e desapontamentos influi na 
formao de nossas personalidades, podendo tambm afetar 
profundamente nossas famlias e amigos. 
s vezes, ficamos recalcados, defensivos ou vingativos. 
Embora possa parecer estranho, freqentemente, as crianas que 
foram maltratadas quando crescem se tornam pais pouco carinhosos. 
Poder-se-ia imaginar que o efeito seria o contrrio  que uma criana que 
tivesse passado por mgoas e sofrimento estaria resolvida a ser o tipo de 
pai ou me que jamais tivera. 
Alguns anos atrs, ganhamos uma cadelinha So Bernardo na 
Sua. Na primeira semana que passou conosco, ela caiu da varanda do 
segundo andar e quebrou a perna. Ainda tenho no dedo a cicatriz deixada 
pela mordida dela, quando fui socorr-la. Muitas pessoas magoadas 
mordem a mo estendida para ajudar. 
Podemos reagir  mgoa negativa ou positivamente, 
egocentricamente ou voltando-nos para Deus. Os ltimos nos daro uma 
ntida perspectiva da situao e promovero o desenvolvimento de uma 
personalidade mais sadia. 
Deixe-me partilhar com voc algumas idias sobre como Deus quer 
que reajamos s mgoas. 

Confiando  na  Soberania  de  Deus

Um prisioneiro recentemente libertado, depois de anos de trabalho 
forado, sem uma Bblia, alimentou-se espiritualmente das passagens da 
Escritura que ele decorara desde a sua converso, quando rapazinho. 
Uma que ele mencionou em particular foi o Salmo 66. Ao ler este salmo, 
fiquei impressionado pelo fato de o salmista no reconhecer causas 
secundrias. Comeando com o versculo 10, diz ele: "Pois Tu,  Deus, 
nos tens posto  prova; tens nos afinado, como se afina a prata." 
Versculo 11: "Fizeste-nos entrar no lao do caador; pesada carga 
puseste sobre as nossas costas." Versculo 12: "Tu fizeste que os homens 
cavalgassem sobre as nossas cabeas; passamos pelo fogo e pela gua, 
mas nos trouxeste para a abundncia." (O grifo  meu.) 
Na Escritura, vemos que isso tambm se aplica ao caso de J. Ele 
no sabia que Satans tinha que obter permisso de Deus para poder 
tocar nele e nos seus bens. No entanto, quando J perdeu tudo, no disse 
ele "Jeov deu e o demnio tirou", mas sim "Jeov deu e Jeov tirou; 
bendito seja o nome de Jeov". (J 1:21) 
Assim, quando somos magoados,  importante lembrar que o 
prprio Deus o permitiu, com algum propsito. 



Perdoando  Aqueles  que  nos  Magoam

Quando somos magoados pelas palavras ou atos descuidados ou 
deliberados de outrem, Deus nos pede para que lhe demos o nosso 
perdo. Isso ajudar a melhorar o relacionamento que temos com a 
pessoa e impedir que nos envenenemos com nossa prpria amargura. 
"Tornai-vos, porm, bondosos uns com os outros, compassivos, 
perdoando-vos aos outros, como tambm Deus em Cristo vos perdoou " 
(Efsios 4:32)

Sendo  Paciente

Escrevendo aos cristos que sofriam por sua f, disse Tiago: 
"Tende, pois, pacincia, irmos, at a vinda do Senhor. Vede como o 
lavrador aguarda com pacincia o precioso fruto da terra, at receber esta as 
primeiras e as ltimas chuvas. Tende vs tambm pacincia; fortalecei os 
vossos coraes, porque a vinda do Senhor est prxima." (Tiago 5:7,8  o 
grifo  meu.) 
A pacincia no  simplesmente suportar complacentemente e de 
"dentes cerrados" uma determinada situao.  uma atitude de 
expectativa. O lavrador pde fitar com pacincia a sua terra 
aparentemente estril porque estava certo de que seus esforos seriam 
compensados. Ele podia ter pacincia com seus esforos porque haveria 
produtos de seus esforos. 
O mesmo acontece na esfera espiritual. Como j vimos, Deus pode 
produzir qualidades valiosas em nossas vidas atravs das mgoas e 
sofrimentos que experimentamos. Podemos sofrer com pacincia, pois 
nosso sofrimento produzir uma colheita espiritual. 
E podemos sofrer pacientemente nesta vida, pois sabemos que, na 
hora escolhida por Deus, o Seu filho retornar como a maior recompensa 
para o crente que age e espera. 


Dando  Graas

Em 1 Tess. 5:18, diz-se ao cristo: "Em tudo dai graas, porque esta 
 a vontade de Deus em Jesus Cristo para convosco." (o grifo  meu). 
Um membro do corpo docente escreveu, no Boletim da Faculdade 
Montreat-Anderson, recentemente (primavera de 1980): 
Em meio s situaes da vida, devemos dar graas. O ato de dar 
graas no depende das circunstncias que enfrentamos, mas  baseado 
na integridade do carter de Deus e na infalibilidade de Seus propsitos. 

O que o ato de dar graas faz pelo crente? D-lhe 
Um Novo Foco...
...dele mesmo para Deus. 
Uma Nova Perspectiva... 
...dos problemas e perplexidades 
para os propsitos e prioridades de Deus. 
Uma Nova Atitude... 
...da ansiedade para a confiana. Calmo  o corao que se apia 
na certeza do controle de Deus. 
Uma Nova iniciativa 
...Deus pode usar o crente em qualquer situao 
determinada para dar continuidade a Seus propsitos e trazer a glria a 
Seu nome. 
Alm do mais, o ato de dar graas promove um Corpo sadio. Encoraja 
e edifica os demais crentes. Dar graas  um exerccio que vale a pena 
cultivar e serve como antdoto para a complacncia. E, ainda mais,  
contagiante! "Por ele, pois, ofereamos constantemente a Deus sacrifcios 
de louvar, isto , a fruto dos lbios que confessam o seu nome." (Hebreus 
13:15) 

Deus quer que Seus filhos sejam felizes e sadios. E Ele pode 
mostrar a cada um de ns como reagir s mgoas para que elas se tornem 
degraus para uma vida mais produtiva e satisfatria. 


Como  Ajudar  Aqueles  que  esto  Sofrendo

Deus mandou: "Ama a teu prximo como a ti mesmo". 
Testemunhamos este princpio supremamente demonstrado na vida e 
morte de Seu filho e, dessa forma, precisamos levar a srio o nosso 
chamado para cuidar do nosso prximo que sofre. 
A primeira coisa a fazer  pedir ao Senhor que nos d amor, 
sensibilidade para a situao e a Sua sabedoria. 
 da mxima importncia que sejamos sensveis a cada indivduo, a 
cada situao, a fim de determinar as prioridades imediatas. 
Nosso filho, Franklin, passou alguns dias num barco no mar da 
China, procurando fugitivos do regime opressor do Vietn. A bordo, o 
imediato Ha Jimmy contou como, na semana anterior, tinham salvo um 
barco de fugitivos. Fora atacado por piratas, que roubaram os 
passageiros e estupraram as mulheres. O navio pirata estava abalroando 
o barco menor para destruir todas as provas, quando apareceu o navio de 
resgate, e eles fugiram. 
Primeiro, foi preciso cuidar dos feridos. Depois, foi preciso 
alimentar e banhar todos os que foram salvos, e permitir que 
descansassem. Mais tarde, falou-se a eles de Jesus e Seu amor. 
A bordo, uma me com diversos filhos pequenos viu morrer o seu 
beb. No havia nada a fazer seno deitar ao mar o pequeno corpo e v-
lo ir se afastando. Mais alguns dias se passaram e mais uma criana 
morreu. Mais uma vez a me teve que ficar olhando o corpinho que se 
afastava mar adentro. 
Ha Jimmy olhou para Franklin, os olhos sombreados de fadiga, e 
perguntou: 
 Franklin, depois de tudo por que ela passou, se eu no lhe tivesse 
dado Jesus, o que teria realmente feito por ela? 
Deus pode utilizar um cristo sensvel para ser uma bno 
maravilhosa na vida daquele que est conhecendo a dor e a tristeza. A 
Escritura oferece orientao para aqueles que esto em posio de ajudar 
a quem sofre. 
1. "Chorai com aqueles que choram." Mesmo que no sejam 
lgrimas de fato, isso quer dizer que devemos sofrer junto com eles.
Os amigos de J estavam certos indo  casa do pobre homem para 
lhe fazer companhia. Confortaram J at a hora em que abriram a boca. 
s vezes, o maior sermo  o silncio! Uma pessoa que sofre no precisa 
de um palestrante  precisa de um ouvinte. Precisa de algum a quem 
possa abrir o corao ou algum que compartilhe o seu silncio. 
Principalmente, precisa de algum que compartilhe a sua dor. 
Jesus era agudamente sensvel aos que viviam situaes de 
sofrimento. Ao ver a viva de Naim acompanhando o enterro do filho, 
Jesus "teve compaixo". Seu corao sofreu por ela. Jesus sentia grande 
compaixo perante a morte. Nesta ocasio em particular, Ele no fez 
nenhum sermo. Atendeu  necessidade mais profunda da mulher, a 
necessidade de saber que Deus estava cnscio da sua situao e que se 
importava. Jesus deu uma poderosa demonstrao disto ao fazer o 
menino ressuscitar. 
Quando Lzaro, o bom amigo de Jesus, morreu, Ele foi at a casa 
dele e chorou. Ele sabia que era vitorioso sobre a morte. Sabia que, em 
breve, realizaria o milagre de ressuscitar Lzaro, provando desta forma 
que podia vencer o maior medo do homem  o pavor do tmulo. 
No entanto, chorou. As irms de Lzaro estavam desoladas  e 
Jesus lhes fez companhia na sua dor. 
 difcil enfrentar a morte. s vezes, no  que fiquemos to 
chocados pelo falecimento de algum, ficamos atordoados pela 
finalidade da morte. Embora confiemos nas promessas de Deus para uma 
vida aps a morte e a certeza de um lar celestial, ainda assim  preciso 
enfrentar a realidade da morte. 
Jesus chorou com aqueles que sofriam  e ns devemos fazer o 
mesmo. 

2. "Suportai os fardos uns dos outros." Alm de partilhar nossos 
coraes e nossos ouvidos com algum que sofre, devemos tambm, 
dentro de nossas possibilidades, estar dispostos a partilhar nossos bens 
materiais e nosso tempo. Temos um belo exemplo disso na parbola do 
Bom Samaritano. Ao encontrar um homem que fora roubado, espancado 
e deixado como mortal o samaritano no continuou o seu caminho para 
"comunicar o acidente". Tampouco, pagou a outra pessoa para voltar e 
cuidar do ferido. O samaritano se envolveu pessoalmente. 
Ergueu carinhosamente o homem ferido, colocou-o no lombo do 
seu prprio burro e continuou cuidadosamente a sua viagem at Jeric. 
Ao chegar  cidade, buscou hospedagem. Durante a noite, ele cuidou do 
paciente, tratando de suas feridas com carinho. No dia seguinte, disse 
para o taberneiro que pagaria todas as despesas em que o paciente 
pudesse incorrer. 
 assim que Deus quer que tratemos dos que sofrem. 
Em Glatas 6:2, diz o autor: "Levai as cargas uns dos outros, e 
assim cumprireis a lei de Cristo." Todos tm a capacidade de assumir as 
suas prprias responsabilidades e de suportar as presses. Porm, quando 
a carga ultrapassa o ponto crtico, que outro venha ajudar... e, s vezes, 
essa ajuda pode ser dada atravs dos bens materiais. 
Que Deus possa nos dar a sensibilidade de reconhecer essas 
necessidades naqueles que nos cercam. 
3. Ore por aqueles que esto magoados e, sempre que possvel ou 
aconselhvel, tambm ore com eles e compartilhe a Escritura. 
Pode ser um grande conforto quando algum ora conosco e nos 
conduz ao "trono da graa", para que recebamos misericrdia e achemos 
graa, a fim de sermos socorridos em tempo oportuno. (Hebreus 4:16) 
Em vez dos amigos cristos nos ficarem dando conselhos pessoais em 
meio a uma crise, muito melhor seria que partilhassem conosco as 
promessas amorosas de Deus.  um conforto escutar as palavras de Deus 
nas horas de tenso. O Esprito Santo pode pegar a palavra da verdade de 
Deus e aplic-la s nossas necessidades mais profundas. 
Tenha cuidado ao deixar uma pessoa numa situao de sofrimento. 
Faa com ela uma pequena prece, e at mesmo partilhe um pequeno 
trecho da Escritura. 
Essas so apenas algumas sugestes para ajudar aos que sofrem. 
Para concluir, lembremo-nos de trs coisas: 
1. Aqueles que sofreram so os que melhor consolam. Quando 
estamos em dificuldades, voltamo-nos para aqueles que j sofreram e 
que sabemos que compreendero: o prprio nosso Senhor, o salmista, 
Paulo, o "prisioneiro de Jesus Cristo", e, por todos os sculos, aqueles 
que sofreram e que, por seus sofrimentos, serviram a um mundo sofredor 
 no apenas escritores, mas pintores, msicos, escultores e assim por 
diante. A lista cresce e termina na memria de Deus. Pois apenas Deus 
conhece todos os que, por uma infinidade de meios pequenos e logo 
esquecidos, suavizaram o fardo de outrem. 
Quando meu sogro morreu, os que trouxeram mais conforto  viva 
no foram necessariamente os que citavam a Escritura, porm outras 
vivas, suas amigas, que no disseram uma s palavra; simplesmente a 
abraavam enquanto choravam juntas. 
2. Nossa ajuda deve transcender o nosso crculo social. Acho que, 
aqui, um bom exemplo seria o do Bom Samaritano, que, sendo 
samaritano, era odiado e desprezado pelos judeus e que, no entanto, 
quando encontrou um judeu em dificuldades, fez de tudo para lhe 
demonstrar bondade. 
3. Expressamo-nos para o mundo atravs de nossos corpos fsicos. 
Somos o corpo de Cristo. Ele se expressa para o mundo atravs de ns. 
Como Ele veio no para ser servido, mas para servir, tambm ns 
precisamos ir em busca daqueles que possamos ajudar em nome de Jesus 
 no necessariamente de uma forma impressionante, mas de qualquer 
forma que pudermos. 



A  MORTE  E  COMO  ENFRENT-LA

Qual a homem que pode viver e no ver a morte, ou se salvar do 
poder do tmulo? SALMO 89:48

QUANDO SIR WILLIAM Russell, o patriota ingls, ia ser 
executado em 1863, tirou o relgio do bolso e entregou-o ao mdico que 
o assistia na hora da sua morte. 
 Por gentileza, quer ficar com o meu relgio?  pediu. No tenho 
mais necessidade dele, agora vou lidar com a eternidade.
A Bblia tem muito a dizer sobre a brevidade da vida e a 
necessidade de nos prepararmos para a eternidade. Embora a maioria de 
ns viva como se fosse indestrutvel, precisamos de uma nova 
conscincia do fato de que a morte se acerca rapidamente para todos ns. 
A Bblia tem muitas advertncias sobre como devemos nos preparar para 
encontrar a Deus. O rico, com toda a sua fortuna, no consegue obter o 
perdo da sentena de morte que pende sobre todos os homens. O pobre 
no consegue mendigar nem um s dia extra de vida da "Dona Morte" 
que persegue todos os homens, do bero  sepultura. 
Diz a Escritura: "O que  a tua vida? Tu s uma nvoa que aparece 
por pouco tempo e logo se desvanece." (Tiago 4:14) 
A tanatologia tornou-se uma matria popular em muitas faculdades 
e universidades americanas. Ela  no apenas um estudo da morte em si, 
mas de como se preparar para a morte. Na maior parte, esto ensinando 
aos estudantes a como se prepararem para a morte, sem qualquer 
referncia a Deus. Nos ltimos anos, livros da Dra. Elizabeth Kbler-
Ross, do Sr. Raymond A. Moody e do Dr. Maurice Rawlings tm 
recebido muita publicidade. Devido ao terrorismo no mundo todo, e s 
muitas mortes causadas por molstias terrveis como o cncer e os 
ataques cardacos, h um novo interesse pela morte. 
Se voc escutar algumas das canes populares que os jovens esto 
cantando, perceber que, dificilmente, as geraes mais velhas 
entendero as letras. Mas o jovem entende o recado. Se voc comprar 
um livro e estudar as letras, como eu fiz, ver que muitas das canes 
tratam de sofrimento e morte. 
Muitas pessoas cnicas e seculares tm-se dedicado, na verdade, a 
pensar profundamente na vida e na eternidade. A pessoa, que  a alma da 
festa, tambm pode ser aquela que est usando uma mscara. Por baixo dela 
existe um medo, um pavor profundo da morte e da eternidade. Numa 
pesquisa recente descobriu-se que os jovens pensam mais na morte do que 
em qualquer outro assunto, exceto o sexo. Estou convencido de que, se as 
pessoas se dedicassem a pensar mais na morte, na eternidade, no juzo e no 
inferno, haveria vidas mais santas e uma maior conscincia de Deus. 
H cristos em demasia que tentam ignorar a idia da morte e de ter 
que, um dia, passar pelo juzo final de Cristo para prestar contas de como 
passaram os seus dias aqui na terra. 
A Bblia diz que os dias do homem so "mais velozes do que a 
lanadeira da tecelo." (J 7:6, o grifo  meu) Tanto nos Estados da 
Carolina quanto na Inglaterra, eu visitei as fbricas txteis e observei os 
gigantescos teares que fazem os tecidos do mundo. As lanadeiras se 
movem com a velocidade de um raio, mal so visveis a olho nu. A 
Bblia diz que  assim a vida do homem aqui na terra. 
Ponha a mo sobre o corao e sinta-o bater. Ele est dizendo: 
"Depressa! Depressa! Depressa!!" Somente alguns breves anos, no 
mximo.

  Como  Uma  Sombra  Fugaz

Lemos regularmente nos jornais sobre o oramento desta ou 
daquela nao. Agora estamos acostumados ao termo bilhes. Ser que 
muitos de ns realmente param para pensar no que  um bilho? Algum 
me sugeriu: 
 Antes de fazer novamente uso da expresso "Um bilho de 
obrigados", pense bem no exagero que representa. Pouco mais de um 
bilho de segundos atrs estvamos na Segunda Grande Guerra e a 
bomba atmica ainda no explodira. Um bilho de minutos atrs Cristo 
ainda estava na terra. Pouco mais de um bilho de horas atrs ainda 
estvamos na era da cavernas. 
Todavia, em termos de gastos governamentais, um bilho de 
dlares est apenas algumas horas atrs, porque em breve o oramento 
do governo americano ser de cerca de um trilho de dlares. 
J parou para calcular quantos dias ainda lhe restam? Voc o pode 
fazer facilmente, na sua mquina de calcular de bolso. Se voc chegar 
aos 70, ter aproximadamente 25 mil dias de vida. Se est agora com 35 
anos, isso quer dizer que lhe restam apenas pouco mais de 12 mil dias. 
A Bblia tambm ensina que a vida  como uma sombra, como uma 
nuvem fugaz passando por sobre a face do sol. Diz o salmista: "Porque 
eu sou para contigo um peregrino, um forasteiro como todos os meus 
pais." (Salmos 39:12) O mundo no  um lar permanente,  apenas uma 
moradia temporria. "Somos estrangeiros diante de ti e peregrinos como 
o foram todos os nossos pais; os nossos dias sobre a terra so como a 
sombra, e no h permanncia." (I Crnicas 29:15) 
O tempo est se escoando para cada um de ns. O falecido 
presidente Kennedy no poderia imaginar, naquela sexta-feira de manh 
em 1963, enquanto tomava o desjejum, que, s duas da tarde, estaria na 
eternidade. Nunca sabemos quando vai chegar o nosso momento. 
Tragdias como a morte dele e a de seu irmo, Bobby, devem nos ajudar 
a perceber a incerteza da vida, a brevidade do tempo e a nossa 
necessidade de estarmos prontos para ir ao encontro de Deus a qualquer 
momento. 
A Escritura ensina que Deus sabe o exato momento em que cada 
pessoa vai morrer. (J 14:5) Jamais passaremos dos limites demarcados 
por Ele. 
Estou convencido de que, quando uma pessoa est preparada para 
morrer, tambm est preparada para viver. E se soubssemos tudo o que 
h para saber, escolheramos morrer na hora em que Deus planejou que 
morrssemos. 
Portanto, uma das metas primordiais da vida deve ser preparar-se 
para a morte. Todo o restante deve ser secundrio. 

As  Pequenas  Folhas  da  Oportunidade

A Bblia tambm nos lembra que nossos dias so como a relva. 
(Sal. 103:15) So recheados de pequeninos minutos dourados pela 
eternidade. Somos exortados a redimir o tempo porque os dias so maus. 
(Efs, 5:16) Como escreveu C.T. Studd, o missionrio pioneiro e famoso 
jogador de crquete de Cambridge, enquanto ainda era estudante ali: 
Apenas uma vida, logo ser passado 
Apenas perdurar o que por Cristo foi realizado. 
A vida  uma oportunidade gloriosa, se for usada para nos 
condicionar para a eternidade. Se falharmos nisto, embora possamos ter 
xito em todo o restante, a nossa vida ter sido um fracasso. No h 
escapatria para o homem que desperdia a sua oportunidade de se 
preparar para seu encontro com Deus. 
Nossas vidas tambm so imortais. Deus fez o homem diferente das 
demais criaturas. Ele o fez  Sua imagem, uma alma viva. Quando este 
corpo morrer e a nossa existncia terrena estiver terminada, a alma ou 
esprito viver para sempre. Daqui a cem anos voc estar mais vivo do 
que est neste momento. A Bblia prega que a vida no termina no 
cemitrio. Existe uma vida futura com Deus para aqueles que confiam 
em Seu Filho, Jesus Cristo. No futuro tambm existe um inferno, 
separado de Deus, para o qual esto indo todos os que recusaram, 
rejeitaram, ou deixaram de receber o Seu Filho, Jesus Cristo. 
Vtor Hugo disse, certa vez: "Sinto em mim mesmo a vida futura." 
Fala-se que Ciro, o Grande, declarou: "No concebo que a alma viva 
apenas enquanto permanece neste corpo mortal." Nada, exceto a nossa 
esperana em Cristo, retirar o travo amargo da morte, lanando um 
arco-ris de esperana ao redor das nuvens da vida futura. Nossa ncora  
Jesus Cristo, que aboliu a morte e trouxe  luz a vida e a imortalidade, 
atravs do Evangelho. 

Morte  Para  o  Cristo

A maioria de ns sabe o que significa ficar atordoado pelo 
falecimento sbito de um amigo dedicado, um pastor piedoso, um 
missionrio devoto ou uma santa me. J ficamos de p junto  cova 
aberta com as lgrimas escorrendo pelas faces e perguntamos, em total 
confuso:
 Por que,  Deus, por qu? 
A morte do justo no  nenhum acidente. Voc acha que o Deus 
cuja viglia atenta nota a queda do pardal e que sabe o nmero de fios de 
cabelo em nossa cabea daria as costas a um de Seus filhos na hora de 
perigo? Com ele no existem acidentes, tragdias ou catstrofes, no que 
diz respeito a Seus Filhos. 
Paulo, que viveu a maior parte de sua vida crist no limiar da morte, 
expressou uma certeza triunfante sobre a vida. Testemunhou: "Para mim 
o viver  Cristo, e o morrer  lucro." (Filipenses 1:21) A sua f forte e 
inabalvel enfrentava sem hesitar as tribulaes, a perseguio, a dor, os 
planos frustrados e os sonhos desfeitos. Nunca se encolerizava com 
cinismo indagador e perguntava: "Por que, Senhor?" Sabia, sem a menor 
sombra de dvida, que sua vida estava sendo moldada  imagem e 
semelhana de seu Salvador; e a despeito do seu desconforto, jamais se 
questionou durante o processo.

Paulo  Tinha  Certeza

Nem sempre as coisas saam de acordo com os planos e idias dele, 
porm, Paulo no murmurava nem questionava. A sua certeza era a 
seguinte: "Sabemos que aos que amam a Deus todas as coisas lhes 
cooperam o bem, a saber, aos que so chamados segundo o seu 
propsito." (Romanos 8:28) 
Quando o seu corpo cansado e machucado comeou a fraquejar sob 
o fardo, disse ele em triunfo: "Sabemos que se a nossa casa terrestre 
deste tabernculo for desfeita, temos de Deus um edifcio, casa no feita 
por mos, eterna, nos cus." (II Corntios 5:1) 
O mundo o chamou de tolo por causa de sua crena de que os 
homens poderiam partilhar da vida eterna por intermdio da f. Porm 
ele empinou o queixo e falou, exultante: "Sei a quem tenho crido e estou 
persuadido de que ele pode guardar o meu depsito at aquele dia." (II 
Timteo 1:12) 
Cada uma dessas afirmaes triunfantes ressoa cheia de esperana e 
certeza numa vida imortal. Embora o cristo no tenha imunidade contra 
a morte e no reivindica a vida perptua neste planeta, a morte para ele  
uma amiga, ao invs de uma inimiga; o comeo, ao invs do fim; mais 
um passo na trilha para o cu, ao invs de um salto para o desconhecido 
sombrio. 
Para muita gente, os cidos corrosivos da cincia materialista 
desgastaram a sua f na vida eterna. Mas, vamos e venhamos, a equao 
de Einstein E=MC2 no  um substituto satisfatrio para F + Entrega = 
Esperana? 
Paulo acreditou em Cristo e se entregou todo a Cristo. O resultado 
foi que ele sabia que Cristo poderia cuidar dele para sempre. Uma f 
forte e a esperana viva so o resultado da entrega incondicional a Jesus 
Cristo. 

Os  Cristos  Tm  Uma  Esperana  Gloriosa

Um dos bnus de ser cristo  a esperana gloriosa que se estende 
para alm do tmulo, indo para a glria do amanh de Deus. 
A Bblia abre com uma tragdia e se encerra com um triunfo. 
Em Gnesis, vemos a devastao do pecado e da morte, mas, no 
Apocalipse, vislumbramos a gloriosa vitria de Deus sobre o pecado e a 
morte. O Apocalipse 14:13 diz: "Bem-aventurados os mortos que desde 
agora morrem no Senhor. Sim, diz o Esprito, para que descansem dos 
seus trabalhos; porque as suas obras os acompanham." 
Mas qual  a base da esperana do cristo para a vida eterna? Ser 
que nossa esperana de vida aps a morte  apenas a racionalizao de 
um desejo ou otimismo cego? Ser que podemos ter alguma certeza de 
que existe vida aps a morte e que vir o dia em que aqueles que 
conhecem a Cristo estaro com Ele por toda a eternidade? 
Sim! Existe um grande fato que d aos cristos a certeza diante da 
morte: a ressurreio de Jesus Cristo.  a ressurreio fsica e corporal 
de Cristo que nos d confiana e esperana. Porque Cristo ressurgiu 
dentre os mortos, ns sabemos, sem sombra de dvida, que a morte no  
o fim, mas  meramente a transio para a vida eterna. 
Nunca se esquea de que a ressurreio de Cristo , em muitos 
aspectos, o acontecimento central de toda a histria. Disse Paulo: "Se 
Cristo no foi ressuscitado, a vossa f  v, estais ainda em vossos 
pecados. (...) Se nesta vida temos unicamente esperado em Cristo, somos 
de todos os homens os mais dignos de lstima. Mas agora Cristo foi 
ressuscitado dentre os mortos." (l Corntios 15:17-20) A ressurreio de 
Cristo faz toda a diferena! Porque Ele ressurgiu dentre os mortos, ns 
sabemos que era, na verdade, o Filho de Deus que veio para nos salvar 
atravs da Sua morte na cruz, como afirmava. 
Porque Cristo ressurgiu dos mortos, ns sabemos que o pecado e a 
morte e Satans foram decisivamente derrotados. E porque Cristo 
ressurgiu dentre os mortos, ns sabemos que existe uma vida aps a 
morte e que, se pertencermos a Ele, no precisamos temer a morte ou o 
inferno. Jesus disse: "Eu sou a ressurreio e a vida. O que cr em mim 
ainda que esteja morto, viver; e todo o que vive e cr em mim nunca 
jamais morrer!" (Joo 11:25-26) Ele tambm prometeu: "Na casa do 
meu Pai h muitas moradas. Se assim no fora, eu vo-lo teria dito. Pois 
vou preparar-vos lugar; depois que eu for e vos preparar lugar, voltarei e 
tomar-vos-ei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vs 
tambm." (Joo 14:2,3) Sabemos que essas palavras so verdadeiras 
porque Jesus morreu na cruz e ressurgiu dentre os mortos. Que esperana 
gloriosa ns temos por causa da ressurreio de Jesus! 
"As cousas que o olho no viu, E o ouvido no ouviu, E no entraram 
no corao do homem, tudo quanto preparou Deus para os que o amam." (I 
Corntios 2:9) 
Nossa confiana no futuro baseia-se firmemente no fato do que 
Deus fez por ns em Cristo. No importa qual seja a nossa situao, 
jamais precisaremos nos desesperar, pois Cristo est vivo. "Mas se j 
morremos com Cristo, cremos que tambm viveremos com ele; (...) Pois 
o salrio do pecado  a morte, mas o dom de Deus  a vida eterna em 
Cristo Jesus nosso Senhor. " (Romanos 6:8,23)

As  Palavras  Derradeiras  dos  Cristos

Para o justo, a morte  bem diferente do que  para o descrente. No 
 algo para se temer, nem para se evitar.  o limiar ensombrecido do 
palcio de Deus. No admira que Paulo tenha declarado: "Desejo partir e 
estar com Cristo, pois  muitssimo melhor." (Filipenses 1:23) 
Quero partilhar com voc algumas das declaraes que li, que eu 
mesmo experimentei ou que so colocadas na Bblia sobre a morte de 
um crente em contraste com a morte de um descrente (algum que se 
recusa a ou deixa de acreditar em Jesus Cristo). Existe uma vasta 
diferena entre a morte dos dois. Conversei com mdicos e enfermeiras 
que seguraram as mos de moribundos, e eles dizem que, muitas vezes, 
h tanta diferena entre a morte de um cristo e a de um no-cristo 
como h entre o cu e o inferno. 
A maioria dos cristos enfrenta a morte com um esprito triunfante. 
Algumas das declaraes feitas e registradas quando morriam so 
emocionantes: 
"Nosso Deus  o Deus de quem vem a salvao. Deus  o Senhor 
pelo qual escapamos  morte"  Martinho Lutero. 
"Viva em Cristo, morra em Cristo, e a carne no precisa temer a 
morte"  John Knox. 
"O melhor de tudo, Deus est conosco"   John Wesley. 
"Tenho dor... mas tenho paz, tenho paz"  Richard Baxter. 
Augustus Toplady, o autor de Rock of Ages, estava cheio de jbilo e 
triunfo na hora de sua morte, aos 38 anos. 
 J estou desfrutando o cu em minha alma  declarou ele  
minhas oraes esto todas convertidas em louvor. 
Quando Joseph Everett estava morrendo, disse: 
 Glria! Glria! Glria! 
Continuou a exclamar glria por mais de 25 minutos. 

Na minha prpria vida, tive o privilgio de saber o que alguns dos 
santos moribundos disseram antes de irem para o cu. A minha av 
sentou-se na cama, sorriu e disse: 
 Vejo Jesus, e Ele est me estendendo a mo. E l est o Ben, com 
os dois olhos e as duas pernas. (Ben, o meu av, perdera uma perna e um 
olho em Gettysburg.) 
Havia um velho quitandeiro gals que morava perto de ns, e meu 
pai estava ao seu lado quando ele estava morrendo. Ele falou: 
 Frank, est ouvindo a msica? Nunca ouvi uma msica dessas em 
toda a minha vida  as orquestras, os coros, os anjos cantando... 
Logo a seguir, morreu. 

As  Palavras  Derradeiras  dos  Descrentes

Compare essas expresses de f com as palavras finais dos ateus, 
infiis e agnsticos. 
"Estou abandonado por Deus e pelo homem! Irei para o inferno!  
Cristo,  Jesus Cristo!"  Voltaire, o infiel. 
"Quando vivi, me preveni para tudo, exceto para a morte; agora 
devo morrer, e estou despreparado para morrer"  Csar Brgia. 
"Que sangue, que assassinatos, que conselhos perversos eu segui. 
Estou perdido! Vejo-o bem!"  Carlos IX, rei da Frana. 
Dizem que Thomas Paine exclamou: 
"Eu daria mundos, se os tivesse, se A Idade da Razo nunca tivesse 
sido publicado. Ah, Senhor, ajude-me! Cristo, ajude-me! Fique comigo! 
 um inferno ficar sozinho!"

A  Morte  Para  o  Cristo:  uma  Coroao

Na Bblia, diz-se que a morte  uma coroao para o cristo. A 
imagem  a de um prncipe que, depois de lutas e conquistas numa terra 
estranha, vem para a corte no seu pas natal para ser coroado e 
homenageado por seu feito. 
J assisti a uma coroao e a pompa e a grandiosidade so 
magnficas. Minha imaginao ala vos ilimitados para comear a 
compreender como ser a nossa coroao no cu? 
Diz a Bblia que, enquanto estamos aqui na terra, somos peregrinos 
e forasteiros numa terra estranha. Este mundo no  nosso lar; nossa 
cidadania est no cu. Para aquele que  fiel, Cristo dar uma coroa de 
vida. 
Disse Paulo: "Desde agora me est reservada a coroa da justia, que 
o Senhor, justo juiz, me dar naquele dia, e no somente a mim, mas 
tambm a todos aqueles que tm amado a sua vinda." (II Timteo 4:8) 
A morte  a coroao do cristo, o fim do conflito e o comeo da 
glria no cu.

A  Morte    um  Descanso  da  Labuta

A Bblia tambm fala na morte, para o cristo, como o descanso da 
labuta. Diz a Bblia: "Bem-aventurados os mortos que desde agora 
morrem no Senhor. (...) Para que descansem dos seus trabalhos." 
(Apocalipse 14:13)  como se o Senhor da colheita dissesse ao 
trabalhador cansado: 
 Foste fiel na tua tarefa, vem e senta-te na varanda coberta do meu 
palcio e descansa da tua labuta. Entra agora no jbilo do teu Senhor. 
Os santos de Deus no desfrutam de muito descanso aqui na terra. 
Esto incessantemente ocupados para o Senhor. Alguns deles realizam 
mais em poucos anos do que outros numa vida inteira. Porm, seu 
trabalho e labuta chegaro ao fim um dia. Diz a Bblia: "Portanto, resta 
um sabatismo para o povo de Deus." (Hebreus 4:9) Este repouso s pode 
comear depois que o anjo da morte os tomar pela mo e os conduzir  
gloriosa presena de seu Senhor.  
O apstolo Paulo declarou: "Temos bom nimo, digo, e antes 
queremos estar ausentes do corpo e presentes com o Senhor." (II 
Corntios 5:8)

A  Morte    Uma  Partida

A Bblia fala da morte como uma partida. Quando Paulo se 
aproximou do vale da sombra da morte, ele no tremeu de medo; ao 
contrrio, anunciou com uma nota de triunfo na voz: "O tempo da minha 
partida se aproxima." (2 Timteo 4:6) 
A palavra partida quer dizer iar ncoras e zarpar. Tudo o que 
acontece antes da morte  uma preparao para a viagem final. A morte 
marca o comeo, no o fim.  um passo solene e decisivo na nossa 
viagem para Deus. 
Muitas vezes, me despedi da minha mulher ao partir para algum 
pas distante para proclamar o Evangelho. A separao sempre traz 
consigo uma ponta de tristeza, mas sempre nos separamos um do outro 
na esperana segura de que nos veremos de novo. Nesse meio-tempo, a 
chama do amor arde vivamente nos nossos coraes. 
Assim tambm  a esperana do cristo fiel ao p do tmulo de um 
ente querido que est com o Senhor. Ele sabe que a separao no  para 
sempre.  uma verdade gloriosa que aqueles que esto em Cristo nunca 
se vem pela ltima vez. Dizemos adeus aos nossos entes queridos 
somente at quando o dia nascer e as sombras se desvanecerem. No  
adeus, mas, como dizem os franceses, au revoir... at mais ver. 

A  Morte  Como  Transio

Alm disso, a Bblia fala da morte do cristo como uma transio. 
Paulo escreveu: "Sabemos que se a nossa casa terrestre deste tabernculo 
for desfeita, temos de Deus um edifcio, casa no feita por mos, eterna, 
nos cus." (2 Corntios 5:1) A palavra "tabernculo" quer dizer "tenda" 
ou "moradia temporria". 
Para os cristos, a morte  a troca de uma tenda por uma 
construo. Aqui somos peregrinos ou turistas, vivendo num lar frgil e 
tnue, sujeitos a molstias, dor e perigo. Porm, na hora da morte, 
trocamos esta tenda ou corpo que desaba e se desintegra por uma casa 
que no  construda com as mos, eterna, nos cus. O peregrino errante 
se encontra na morte e recebe o ttulo de propriedade de uma casa que 
jamais se deteriorar, pois que  eterna. 

A  Morte  Como  xodo

Na Bblia tambm se diz que para o cristo a morte  um xodo. 
Falamos de falecer como se fosse o fim de tudo, mas a palavra "falecer" 
significa um xodo, uma sada. A imagem  a dos filhos de Israel 
deixando o Egito e sua antiga vida de servido, escravido e tribulaes 
para ir para a Terra Prometida. 
Assim, a morte para o cristo  um xodo das limitaes, dos fardos 
e da servido desta vida. 
Vtor Hugo disse, certa vez: "Quando eu baixar ao tmulo, poderei 
dizer, como tantos outros, que terminei o meu dia de trabalho; mas no 
posso dizer que terminei a minha vida. Um outro dia de trabalho 
comear na manh seguinte. O tmulo no  um beco sem sada   
uma via de comunicao, que fecha ao entardecer e abre ao alvorecer." 

Portanto, a morte no  apenas uma sada.  tambm uma entrada. 
Como diz o hino da Pscoa: "Jesus vivei De hoje em diante a morte  a 
entrada para a vida imortal." 

Um  Local  Preparado

Voc acha que Deus, que providenciou tantas coisas para a vida, 
no iria tomar nenhuma providncia para a morte? No se esquea do 
seguinte: a esperana da vida eterna repousa nica e exclusivamente na 
sua f em Jesus Cristo! Pode ter a certeza disto. 
Antes de ter falado a Seus discpulos das muitas "manses" ou 
locais de repouso, e antes de lhes ter dado a esperana do cu, Jesus 
falou:  Crede em Deus, crede tambm em mim.  A seguir, continuou 
Ele:  Pois vou preparar-vos um lugar.  E ainda acrescentou, como 
garantia:  Eu sou o caminho e a verdade e a vida. Ningum vem ao Pai 
se no por mim. (Joo 14:1-6) 
A vida eterna  por e atravs do Senhor Jesus Cristo. Nas palavras 
exatas da Bblia, eis o segredo da esperana bendita: "O que cr no Filho 
tem a vida eterna; o que, porm, desobedece ao Filho no ver a vida." 
(Joo 3:36) 
Quando um verdadeiro crente morre, vai direto  presena de 
Cristo. Ele vai para o cu para passar a eternidade com Deus. Num 
contraste terrvel, aquele que rejeitar a oferta de Deus do perdo  
separado de Deus, indo para um lugar que Jesus chamou de inferno. 
Minha mulher, Ruth, expressou-o bem num poema que escreveu h 
alguns anos: 
Quando a morte chegar, 
chegar suavemente 
 esgueirar-se-  
como aps um dia duro 
e cansativo a gente se deita 
e anseia pelo sono  
terminando a velhice e a tristeza 
ou a juventude e a dor? 
Quem morre em Cristo 
tudo tem a ganhar  
e um Amanh! 
Por que chorar? 

A morte pode ser selvagem. 
No podemos ter certeza; 
os piedosos podem ser chacinados, 
os perversos resistir. 
No importa como a morte possa atacar 
ou a quem, 
aquele que conhece o Senhor ressuscitado 
conhece tambm o tmulo vazio.1 











DEPOIS  DO  ARMAGEDOM:  A  GLRIA  MAIS  ADIANTE

No  concebvel que exista ainda uma outra dimenso possvel, 
um mundo no qual a questo do sentido final do sofrimento 
humano tivesse uma resposta?1 VIKTOR E. FRANKL

A MORTE NO  o fim da histria para o cristo, pois somos 
apenas "peregrinos" passando por este mundo com sua dor e sofrimento. 
Existe uma vida alm da morte! Esta  a promessa explcita da Escritura. 
O homem moderno tem um medo inerente e uma curiosidade insacivel 
com relao ao que existe alm do tmulo. Mas os cristos podem saber 
com certeza o que lhes espera do outro lado. O apstolo Paulo fitou o 
espectro da morte e exultou: "Onde est,  morte, a tua vitria? Onde 
est,  morte, o teu aguilho? O aguilho da morte  o pecado e a fora 
do pecado  a lei; mas graas a Deus que nos d a vitria por nosso 
Senhor Jesus Cristo." (I Corntios 15:55-57) 
Diz-se que um jovem sofrendo de molstia incurvel falou: 
 Acho que eu no teria medo de morrer se soubesse o que esperar 
depois da morte. 
Evidentemente, este jovem no ouvira falar do cu que Deus 
preparou Para aqueles que O amam. O homem tinha dentro de si o medo 
da morte. E, no entanto, para o cristo, no  preciso haver medo. Cristo 
nos deu esperanas. Jesus falou: "Vou preparar-vos lugar; depois que eu 
for, (...) voltarei e tomar-vos-ei para mim mesmo, para que onde eu 
estou, estejais vs tambm." (Joo 14:2,3) E esse lugar, segundo Paulo,  
muitssimo melhor do que qualquer outra coisa na terra. Escreveu ele: 
"Desejo partir e estar com Cristo, pois  muitssimo melhor."(Filipenses 
1:23) 
Para o cristo, o tmulo no  o fim, nem a morte  uma 
calamidade, pois ele tem uma esperana gloriosa  a esperana do cu. 
Garantimos a nossa entrada no cu no momento em que entregamos as 
nossas vidas a Cristo. 
O cu foi representado de muitas maneiras, em livros e filmes. 
Todavia, a Bblia nos d um vislumbre de sua glria que nenhum autor 
de fico poderia imaginar.

O  Cu    um  Lar

Primeiro, o cu  um lar. A Bblia toma a palavra lar com todas as 
suas associaes ternas e lembranas sagradas, aplica-a ao alm e nos diz 
que o cu  o lar. 
Pouco antes de Cristo ir para a cruz, Ele reuniu Seus discpulos no 
quarto superior e falou sobre um lar. Disse ele: "Na casa de meu Pai h 
muitas moradas." (Joo 14:2) Quando Jesus falou do cu como "a casa 
de meu Pai", estava se referindo a ele como um lar. A casa do Pai  
sempre o lar dos filhos. Paulo falou que os crentes que partiram desta 
vida estavam "em casa" com o Senhor. (II Corntios 5:8) 
Segundo, o cu  um lar permanente. Uma das tristes realidades 
sobre as casas que os homens constrem para si mesmos  que no so 
permanentes. As casas no duram para sempre. Isso se aplica  casa 
propriamente dita e tambm  famlia. Como as crianas logo crescem e 
saem de casal 
Embora nossos lares e famlias possam ser maravilhosos, no so 
permanentes. s vezes, olho para meus prprios filhos e mal posso 
acreditar que esto todos crescidos e vivendo as suas vidas  e que j me 
fizeram ser av muitas vezes. Minha mulher e eu estamos ss numa casa 
vazia que j ressoou com o riso de cinco crianas. 
Quando Jesus falou "na casa de meu Pai h muitas manses", 
encontramos um sentido muito interessante para a palavra manso. A 
palavra grega usada no quer dizer uma casa imponente, mas sim um 
local de repouso. A expresso  traduzida na margem da Verso 
Americana Padro como "locais de moradia". Em ingls, isso vem do 
mesmo radical que a palavra remain (permanecer). 
Durante o ministrio de Cristo na terra, Ele no teve um lar. Certa 
vez, Ele disse: "As raposas tm covis, e as aves do cu tm ninhos, mas o 
Filho do Homem no tem onde reclinar a cabea." (Mateus 8:20) 
O Seu lar no cu, todavia, no  transitrio, mas permanente. 
Os primeiros discpulos que, por amor a Cristo, abandonaram suas 
casas, terras e entes queridos pouco sabiam das alegrias de um lar e uma 
vida em famlia. Os peregrinos cristos sofrem de muitas formas e Jesus 
sabia disso, pois Ele sofreu muito mais do que qualquer um de Seus 
seguidores. Era como se Jesus tivesse dito para eles: 
 No temos um lar permanente aqui na terra, mas a casa de meu 
pai  um lar onde ficaremos juntos por toda a eternidade. 
Em meio a todas as mudanas que, mais cedo ou mais tarde, viro 
desfazer o lar terreno, temos a promessa de um lar onde os seguidores de 
Cristo ficaro para sempre. Disse Paulo, certa vez: "E assim ficaremos 
sempre com o Senhor." (I Tessalonicenses 4:17) Nosso lar permanente 
no  aqui na terra. Nosso lar permanente  o cu. 
s vezes, quando as coisas no vo bem por aqui, sentimos 
saudades do cu. Muitas vezes, em meio ao pecado, sofrimento e tristeza 
desta vida, sentimos um repuxo na alma. Isso  a saudade mesclada  
expectativa. 
Alguns crentes jazem hoje num leito de hospital, outros esto em 
hospcios, alguns esto sofrendo de molstias terrveis ou perdas 
financeiras, ou padecem em prises, campos de trabalhos forados, ou 
ainda esto como refns. Esto cansados da terra, com todos os seus 
problemas e tribulaes, e esto ansiando pelo lar. O lar que os espera  
o cu. 
Terceiro, a Bblia ensina que o cu  um lar bonito. Quase todo o 
mundo gosta de embelezar o seu lar. Falta alguma coisa num lar onde 
no haja flores, nem quadros nas paredes, onde no se tenha feito esforo 
algum para torn-lo atraente. 
Poucos de ns aqui tm casas to lindas como gostaria, mas todos 
no cu o acharo mais belo do que jamais podiam imaginar. O cu no 
poderia deixar de ser assim, porque  a casa do Pai e Ele  um Deus de 
beleza. 
Olhe o mundo ao nosso redor. Deus o fez! Quer vivamos em meio  
neve e gelo do Alasca ou sob as palmeiras da Califrnia e da Flrida, 
temos beleza. Viajei por todos os Estados Unidos e muitas partes do 
mundo. Eu nunca vi um lugar que no tivesse algum encanto ou beleza, 
exceto quando foi estragado pelo homem. 
At mesmo um deserto rido ou um topo de montanha isolado tm 
o seu encanto. Parece que toda a natureza  bela, e apenas a obra do 
homem  feia. 
Nada feito pela mo do homem conseguiu ser to bonito quanto a 
luz das estrelas sobre a gua ou o luar sobre a neve. E a mesma mo que 
fez as rvores e os campos e flores, os mares e as colinas, as nuvens e o 
firmamento fez um lar para ns chamado cu. 
 um lugar to lindo que, quando o apstolo Joo o vislumbrou, a 
nica coisa a que pde compar-lo foi a uma jovem no momento 
mximo de sua vida: o dia de seu casamento. Ele falou que a cidade 
santa era como "uma noiva adornada para o seu noivo." (Apoc. 21:2) 
Quarto, a Bblia prega que a cu ser um lar feliz. Conheo muitas 
casas lindas que no so felizes. So lindas devido a tudo que a cultura e 
a fortuna podem oferecer, no entanto, falta-lhes alguma coisa. Essas 
casas me fazem pensar nas palavras do sbio: "Melhor  um bocado de 
po seco com tranqilidade, do que uma casa cheia de festins com rixas." 
(Provrbios 17:1) 
A casa de Deus ser um lar feliz porque nela nada haver para 
impedir a felicidade. (Apoc. 21:4) Este mundo oferece muita felicidade 
para aqueles que sabem como encontr-la  mas , basicamente, um 
planeta infeliz, onde prevalecem o sofrimento e a dor. Pense num lugar 
onde no haver pecado, nem tristeza, nem brigas, nem incompreenses, 
nem mgoas, nem dor, nem doenas, nem sofrimento, nem morte. 
A casa do Pai ser feliz porque  um lugar de msica e canes. 
Cantamos quando estamos felizes. No cu, todo o mundo est cantando. 
Os seus habitantes cantam "uma nova cano", atribuindo a glria a Ele 
que foi morto e que resgatou os homens para Deus com Seu sangue. 
(Apoc. 5:9) Depois, escutamos a voz de uma grande multido, como o 
som de muitas guas, gritando: "Aleluia! Pois o nosso Senhor Deus 
Todo-Poderoso reina." (Apoc. 19:6) Parece que o cu  um longo coro 
de Aleluia! 
A casa do Pai ser um lar feliz porque tambm haver servio a ser 
feito. Sem dvida, isso se aplica a todo lar bem organizado da terra. Mas 
ser um tipo de trabalho que jamais experimentamos na terra. 
Trabalharemos sem fracassos, frustraes ou fadiga. 
O Apocalipse 22:3 nos diz que, no cu, no haver "maldio". Isso 
 uma referncia ao julgamento de Ado por Deus, no Jardim do den. 
Depois do Pecado Original, o trabalho de Ado tornou-se duro e 
desgastante. Sem dvida, isso era uma medida de precauo por parte de 
Deus, criada para manter o rebelde Ado "na linha". Deus ordenou que o 
trabalho dele exigisse mais tempo e esforo, deixando-lhe menos tempo 
para pecar. 
Porm, no cu, o nosso trabalho ser criativo, estimulante e 
produtivo. 
Em Apocalipse 22:3, Joo escreveu: "Seus servos o serviro." Cada 
um receber a tarefa que se adapta a suas foras, gostos, e talentos. 
Talvez Deus nos d novos mundos para conquistar. Talvez nos mande 
explorar algum planeta ou estrela distante, para ali proclamar a Sua 
mensagem de amor eterno. O que quer que faamos e aonde quer que 
vamos, a Bblia diz que O serviremos. 
Pense em trabalhar para sempre em algo que voc adora, para 
algum que ama de todo o corao, sem jamais se cansar! Jamais 
conheceremos o cansao no cu. 
E a casa do Pai ser um lar feliz porque os amigos estaro 
presentes. J esteve num lugar estranho e sentiu o prazer de enxergar um 
rosto conhecido? Nenhum de ns que entre na casa do Pai se sentir 
sozinho ou estranho, pois nossos amigos tambm estaro ali. 
Muitas pessoas me escrevem perguntando: "Ser que nos 
reconheceremos no cu?" Claro que nos reconheceremos no cu. No 
Monte da Transfigurao, no se reconheceram Elias e Moiss? E na 
histria que Jesus contou do rico e de Lzaro, no reconheceu o rico a 
Lzaro e Abrao, depois da morte? 
Se voc cr, ir rever aqueles que aceitaram a Cristo. Famlias e 
amigos sero reunidos no cu. 
A casa de Deus ser um lar feliz porque Cristo estar presente. Ele 
ser o centro do cu. Para Ele, todos os coraes se voltaro e sobre Ele 
todos os olhos pousaro. 
O que far o cu to aprazvel? No sero os portes perolados; no 
sero os muros de jaspe; ser o fato de que iremos ver o Rei em toda a 
Sua beleza, face a face. 
Em Apocalipse 22, ficamos sabendo que "veremos o Seu rosto." 
(v.4) O nosso relacionamento com Cristo ser ntimo. 
Voc j esteve em meio de uma multido numa parada ou numa 
conveno, esforando-se para enxergar um ilustre dignitrio? Ou j 
compareceu a uma palestra ou conferncia e desejou que, de alguma 
forma, o principal orador pudesse reparar em voc? 
Embora haja milhes de cristos no cu, no teremos que nos 
contentar em ver de relance aquele que amamos. Jesus conhecer cada 
um de ns, pessoalmente, e ns O conheceremos de uma maneira mais 
profunda do que nunca. "Agora vemos como por um espelho em enigma, 
mas ento face a face; agora conheo em parte, mas ento conhecerei 
plenamente, assim como fui plenamente conhecido." (I Cor. 13:12) 
A Bblia tambm diz que o cu ser um lar feliz porque seremos 
imunes ao sofrimento. 
Durante o movimento pelos direitos civis, Martin Luther King 
costumava exclamar que esperava ansiosamente pelo cu, onde seria, 
"enfim, livre". Esta  a inscrio no seu tmulo, em Atlanta. 
Em Apocalipse 7:17 e 21:4, escreve Joo: "Porque o Cordeiro que 
est no meio do trono os pastorear e os conduzir s fontes da gua da 
vida, e Deus enxugar toda a lgrima dos olhos deles.(...) No haver 
mais morte, nem haver mais pranto, nem choro, nem dor, porque as 
primeiras coisas so passadas." Quando chegarmos ao cu, todo o nosso 
sofrimento cessar. 
Tambm ficaremos imunes ao pecado, que nos trouxe inicialmente 
o sofrimento. Ns, que fomos perturbados e tentados pelo pecado em 
nossa peregrinao por este mundo, no mais seremos afetados por esse 
problema de inspirao satnica. Nosso inimigo ser lanado ao inferno, 
para ficar eternamente separado de Deus e Seu povo. Porque Jesus 
venceu Satans definitivamente na cruz, ns viveremos num ambiente 
em que o pecado estar permanentemente afastado de nossas vidas.

O  Cu    Um  Lugar  de  Imortalidade

Deus nos prometeu novos corpos para nosso novo lar. O cu ser 
um lugar de imortalidade. 
Disse Paulo aos Corntios: "Pois  necessrio que este corpo 
corruptvel se revista de incorruptibilidade, e que este corpo mortal se 
revista da imortalidade. Mas quando este corpo corruptvel se revestir da 
incorruptibilidade, este corpo mortal se revestir da imortalidade, ento se 
cumprir a palavra que est escrita. Tragada foi a morte na vitria." (l 
Cor. 15:53,54) 
O que isso quer dizer  que, to logo cheguemos ao cu, no mais 
seremos incomodados ou inibidos por limitaes fsicas ou corporais. 
Pode imaginar uma coisa dessas? Os corpos aleijados, doentes, 
desgastados sero fortes e belos e vigorosos. 

Era uma vez uma viva e o filho que moravam num sto infecto. 
Anos atrs, ela se casara contra a vontade dos pais e fora morar com o 
marido num pas distante. 
Ele provou ser irresponsvel e infiel, e, depois de alguns anos, 
morreu sem deixar nada para ela ou para a criana. Era com a mxima 
dificuldade que ela conseguia arranjar o suficiente apenas para 
sobreviverem. 
As horas mais felizes da vida da criana eram quando a me a 
punha no colo e lhe contava sobre a casa do pai dela na sua terra natal. 
Ela falava do relvado, das rvores imponentes, das flores silvestres, dos 
belos quadros e das deliciosas refeies. 
A criana jamais vira a casa do av, mas para ela era o local mais 
lindo de todo o mundo. Ansiava pelo dia em que fosse morar ali. 
Certo dia, o carteiro bateu  porta do sto. A me reconheceu a 
letra da carta que ele trazia e, com os dedos trmulos, rompeu o lacre. A 
carta continha apenas um cheque e um pedao de papel com trs 
palavras: "Venham para casa." 
Algum dia, teremos uma experincia semelhante... uma experincia 
partilhada por todos aqueles que conhecem a Cristo. No sabemos 
quando vir o chamado. Pode ser quando estivermos no meio do nosso 
trabalho. Pode ser depois de semanas ou meses de doena. Mas um dia 
uma mo carinhosa ser colocada sobre nosso ombro e esta breve 
mensagem ser dada: "Venha para casa." 
Todos ns que conhecemos a Cristo pessoalmente no precisamos 
ter medo de morrer. A morte para o cristo eqivale a "ir para casa."

O  Cu    Uma  Cidade  Santa

O Livro do Apocalipse descreve o cu como uma cidade, a nova 
Jerusalm - um ambiente perfeito, no qual reside uma sociedade perfeita. 
"Vi um novo cu e uma nova terra: porque o primeiro cu e a primeira 
terra j se foram, e o mar j no . Vi tambm a Cidade Santa, a nova 
Jerusalm, descendo do cu da parte de Deus, preparada como uma noiva 
adornada para seu noivo." (Apoc. 21:1,2)
As caractersticas da nova Jerusalm esto descritas nos captulos 
21 e 22. Elas revelam que o cu ser um lugar cujos habitantes sero 
livres dos temores e inseguranas que nos perseguem e atormentam 
nossas vidas atuais. 
No cu, no haver o medo de uma crise de energia. Os recursos 
naturais do cu jamais sero esgotados. E no haver competio quanto 
 distribuio desses recursos. Ficamos sabendo que, na "rua principal" 
da Nova Jerusalm, se situar a rvore da vida. Todas as naes tero 
acesso a ela. Joo a descreve como "a rvore da vida, que dava 12 frutos, 
produzindo em cada ms o seu fruto; e as folhas da rvore servem para a 
cura das naes." (22:2) A harmonia reinar entre a populao do cu, e 
no haver medo de inquietao poltica e tumultos. 
Os habitantes da cidade estaro livres das presses econmicas e 
financeiras que nos oprimem, aqui na terra. Muitos de vocs esto 
lutando para sustentar a famlia. Voc no precisar se preocupar em 
arranjar um segundo emprego para poder alimentar a famlia, quando 
chegar ao cu. A Bblia diz que Deus nos convidar para "beber 
gratuitamente da fonte da gua da vida." (21:6) No teremos que 
trabalhar para sobreviver.  claro que seremos ativos. Mas trabalharemos 
apenas pelo puro prazer de criar e produzir. Num certo sentido, o nosso 
trabalho ser a nossa recreao. 
No cu, estaremos livres do medo dos danos fsicos. Isso pode ser 
deduzido de vrios fatores. No haver noite. (22:5) O mal espreita 
quando a escurido cai sobre uma cidade. A maioria de nossos crimes 
ocorre depois do pr-do-sol. Mas na Nova Jerusalm no haver noite e, 
sem ela, os incendirios, ladres e estupradores no podero agir. Na 
verdade, no haver gente m no cu para nos assustar e ferir. (21:8,27) 
E os portes dessa cidade jamais se fecharo. (2l:25) As cidades 
antigas eram fortificadas por meio de muros altos e portes, que eram 
fechados e trancados  noite, protegendo, desse modo, os seus habitantes 
de bandos de ladres e inimigos. No haver a quem temer na cidade 
celestial, portanto, os portes permanecero abertos. Poderemos entrar e 
sair da cidade em segurana completa.  preciso lembrar que as cidades 
antigas dependiam da luz natural, do sol e da lua, para sua fonte de 
iluminao. Porm, na Nova Jerusalm, a glria de Deus iluminar todas 
as ruas e becos. Caminharemos na paz e segurana da Sua presena. 
Uma das maiores inseguranas do homem  o seu medo do fracasso 
pessoal. s vezes, em nossos diversos empregos, responsabilidades, 
relacionamentos e atividades existem obstculos ao nosso sucesso. 
Falhamos, por um motivo ou outro. Somos tomados de culpa, vergonha e 
uma sensao de insegurana ainda mais profunda. Porm, no cu, no 
conheceremos o fracasso. Teremos xito no que nos propusermos fazer, 
pois no haver "maldio". (22:3) 
Como j ressaltamos anteriormente, o julgamento do homem por 
Deus ser suspenso. Nosso trabalho ser livre de frustrao, e no haver 
nenhuma sensao de fracasso. Nosso trabalho ser revigorante e 
inspirador. 
Espiritualmente, no haver medo de separao ou sentimento de 
distncia de Deus. Nosso relacionamento com Ele ser ntimo e direto. 
No haver templos na nova Jerusalm. (21:22) As cidades antigas 
estavam cheias de templos, construes nas quais os homens tentavam 
chegar a Deus. No cu, no haver necessidade de templos, pois o povo 
de Deus viver na Sua presena e O louvar continuamente. No haver 
"perodos de seca" na nossa existncia espiritual, pois viveremos em 
comunho ininterrupta com o Senhor. 
Voc j se perguntou se no se teria sado bem melhor na escola, se 
tivesse realmente se aplicado aos estudos? s vezes, acha que, se tivesse 
sido mais disciplinado nos seus treinos, poderia ter chegado  equipe 
principal de atletismo da escola? Como seria se voc pudesse ser 
consistente no exerccio de virtudes piedosas, como a pacincia, a 
meiguice e autocontrole? Quais so os talentos e capacidades latentes 
que voc possui que poderiam beneficiar a si mesmo e aos outros? 
Acho que, quando chegarmos ao cu, teremos o nosso potencial 
totalmente realizado. Saberemos o tipo de pessoa que realmente 
poderemos ser, quando Deus obtiver o controle integral de nossas vidas. 
O Apocalipse descreve os habitantes celestiais, a nova sociedade, como 
gemas preciosas irradiando a sua beleza na presena de uma grande luz. 
Fala da "cidade Santa, Jerusalm, descendo do cu da parte de Deus, e 
tendo a glria de Deus. O seu brilho era semelhante a uma pedra 
preciosssima, como pedra de jaspe cristalina". (21:10,11) 
Quando uma noiva quer exibir o seu anel de brilhantes  comum 
que ela leve a sua platia para junto de uma janela ou de um abajur. A 
pedra preciosa fica mais linda refletindo a luz. Isso bem poderia 
expressar como Deus far ressaltar o que h de melhor em cada um de 
ns. No haver pecado para desfigurar a beleza de Seu povo, e ns 
refletiremos a Sua Glria. 
Segundo a Bblia, o cu  uma cidadela na qual moraremos em 
segurana, libertados dos temores que nos oprimem. Seremos livres para 
nos tornarmos o povo integro, produtivo e feliz que Deus quer que 
sejamos. 

O  Cu    Um  Jardim  Glorioso

O Apocalipse tambm representa o cu como sendo um jardim, 
onde a rvore da vida e o rio da vida refrescaro abundantemente os seus 
habitantes. Deus caminhar com o Seu povo em perfeito 
companheirismo. Em Gnesis, lemos que o meio ambiente perfeito do 
homem foi destrudo. No Apocalipse, lemos que o Jardim do den ser 
recuperado. 
Ao ladro penitente na cruz, disse Jesus: "Ainda hoje estars 
comigo no paraso." (Lucas 23:43) Paraso  derivado de uma palavra 
persa que significa um jardim. Jesus estava prometendo ao ladro um 
lugar no jardim de Deus. 
Eis uma outra bela imagem do que  o cu, dita por Isaac Watts 
num de seus hinos: "Ali moram fontes eternas e flores que nunca 
fenecem." Nesse ambiente aprazvel, moraremos com Cristo em perfeita 
harmonia e felicidade.

O  Cu    Uma  Bela  Noiva

A sociedade celeste tambm  representada como uma noiva 
paramentada para o dia de seu casamento. (21:2,9) Por que Deus chama 
o Seu povo de noiva? Esta  uma descrio especialmente preciosa e 
significativa do nosso relacionamento com Deus e as responsabilidades 
associadas a ele. 
1. A noiva  um objeto do amor do marido. Na cultura oriental (a 
cultura na qual foi escrito o Apocalipse), os casamentos, muitas vezes, 
so arranjados muitos anos antes da sua realizao em si. Isso  uma 
imagem do amor de Deus por ns. Em 1 Joo 4:19, lemos que "Amamos 
(a Deus) porque ele primeiro nos amou." (o grifo  meu). Em Efsios, 
ficamos sabendo que o amor de Deus por ns se estende at mesmo antes 
do incio dos tempos. Isso nos diz que somos especiais para Deus, que 
somos preciosos para Ele, que aos Seus olhos temos valor. Voc se d 
conta de que Deus o ama? 
A noiva  levada para um relacionamento amoroso com o marido. 
O noivado solidificou o relacionamento.  por intermdio de Cristo que 
nosso relacionamento com Deus se estabelece. 
Voc j convidou Cristo para a sua vida e estabeleceu um 
relacionamento permanente com Deus? Tem certeza do seu futuro lar? 
Sabe, sem sombra de dvida, que a glria mais adiante est garantida 
para voc? 
A Bblia nos diz que o cu nos dar uma nova experincia com 
Deus, igual a uma noiva que comea uma nova vida com o marido. A 
vida crist  uma vida muito emocionante. E o cu revelar aventuras 
totalmente novas para ns. 
2. A noiva se prepara para o dia do casamento. Voc j viu uma 
noiva entrar na igreja usando um vestido sujo? Raramente! Deus nos d 
a responsabilidade de nos prepararmos para viver com Cristo no cu, 
para que sejamos apresentados ao noivo "santos e sem defeito." (Efsios 
5:27) O apstolo Pedro, ao escrever sobre o novo cu e terra que viro, 
exortou a seus leitores: "Por isso, amados, visto que estais esperando 
estas cousas, procurai diligentemente que por ele sejais achados 
imaculados e irrepreensveis em paz." (II Pedro 3:14, o grifo  meu) 
"Vos convm ser em santo procedimento e piedade, esperando e 
desejando ardentemente a vinda do dia de Deus." (vv. 11,12) 
3. A noiva convida os amigos para o casamento. Deus quer que 
convidemos os outros para o grande banquete de npcias que est 
preparando. Ao seu redor, existem muitas pessoas que no conhecem a 
Cristo  amigos, vizinhos, colegas de trabalho, membros da famlia. Eles 
no tm esperana do cu ou garantia da presena e ajuda de Deus nesta 
vida. 
Voc est orando por eles? Est buscando partilhar Cristo com eles? 
Est sendo testemunha da realidade do amor e poder de Deus em sua 
prpria vida? Lembre-se de que a tarefa do evangelismo no diz respeito 
apenas a algumas pessoas chamadas por Deus para serem evangelistas 
ou pastores   o privilgio e responsabilidade de todo o crente. Disse 
Paulo, referindo-se aos cristos tessalonicenses: "Pois de vs fez-se 
ouvir a palavra do Senhor no somente na Macednia e na Acaia, mas 
tambm em todos os lugares divulgou-se a vossa f para com Deus." (l 
Tess. 1:8) Que isso possa se aplicar a cada um de ns,  medida que 
convidamos os outros a virem a Cristo pela f. 
Creio que estamos vivendo na gerao mais desafiadora da histria. 
 medida que o mundo se arremessa na direo do Armagedom, nossa 
ateno deve centrar-se em contar a todos sobre Aquele que est 
esperando para nos trazer alvio deste mundo de sofrimento. 
Na Bblia, Deus nos d uma viso de como ser o cu para aquele 
que cr. Ele ter as caractersticas de um lar feliz, uma cidade santa, um 
jardim glorioso e uma bela noiva. Isso chega a atordoar a imaginao! 

Deus preparou um lugar que nos dar alvio do sofrimento e uma 
vitalidade renovada para servir ao Salvador. Como escreveu Paulo, com 
tanta habilidade: "Tenho para mim que os sofrimentos da vida presente 
no tm valor em comparao com a glria que h de ser revelada em 
ns." (Romanos 8:18) 
Um autor religioso desconhecido escreveu: 
O cu  um lugar de completa vitria e triunfo. Aqui  o campo de 
batalha; l  a procisso triunfal. Aqui  a terra da espada e da lana; l  a 
terra da grinalda e da coroa. Ah, que emoo e alegria atravessaro os 
coraes de todos os bem-aventurados quando suas vitrias estiverem 
completas no cu, quando a prpria morte, o ltimo dos inimigos, for abatida; 
quando Satans for arrastado, cativo, preso s rodas da carruagem de 
Cristo; quando de tiver vencido o pecado; quando o grande grito de vitria 
universal se erguer dos coraes de todos os redimidos. 

Sim, no mundo atual estamos em meio a um campo de batalha. 
Freqentemente experimentamos (como Paulo) o que significa ser 
"atribulado por todos os lados; combates fora, sustos dentro." (II Cor. 
7:5) Porm, Deus estar conosco se tivermos entregue nossas vidas a 
Cristo. Cristo nos fez Seus e nada "poder nos separar do amor de Deus, 
que  em Cristo Jesus nosso Senhor." (Rom. 8:39) O Esprito Santo mora 
dentro de ns e "o Esprito ajuda a nossa fraqueza." (Rom. 8:26) E, como 
j vimos, Deus  capaz de santificar o sofrimento e a adversidade que 
enfrentamos e us-lo para nos aproximar ainda mais dEle e nos moldar 
nas pessoas que quer que sejamos. 
Porm, mais adiante est a procisso triunfal  a gloriosa vitria e 
realidade do cu. Algum dia, veremos "um novo cu e uma nova terra, 
nos quais habite a justia."(II Pedro 3:13) Algum dia, "a trombeta soar, 
os mortos sero ressuscitados, incorruptveis, e ns seremos mudados." 
(I Corntios 15:52) Algum dia, receberemos "uma herana incorruptvel, 
imaculada e imarcescvel, reservada no cu para vs." (I Pedro 1:4) 
Algum dia, quando "ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; 
porque veremos como ele ." (I Joo 3:2) Algum dia, o sofrimento e a 
dor deste mundo terminaro, e ns estaremos com Deus para sempre no 
cu. 
At esse dia glorioso  "At o Armagedom"  vivamos para Cristo. 
Confiemos nEle. Voltemo-nos para Ele em nossas horas de aflio. E 
caminhemos jubilosamente de mos dadas com nosso Senhor Jesus 
Cristo  independente de nossas circunstncias  at nos reunirmos com 
Ele pessoal e fisicamente, por toda a eternidade! 

"Tenho para mim que os sofrimentos da vida presente no tm 
valor em comparao com a glria que ser revelada em ns."
ROMANOS 8:18

  C. S. Lewis, The Problem of Pain (Nova York, The Macmillan co., 1955) p. 83
  Ibid., p. 81.
  Grifo suprido pelo autor.
1 God, Christ and the World, Londres: Sem Press, 1969, p. 37.
1 Eve Curie. Madame Curie, A Biography (Garden City, NY: Doubleday, Doran & Co., In., 1937), p. 
204.
1 Charles Haddon Spurgeon, The New Park Street Pulpit, Sermons, (Pasadena, Texas. Pilgrim 
Publications, 1975), p. 31.
1 Allan Emery, A Turtle on a Fencepost (Waco, Word Books, 1979). p. 85.
2 (Nova York: The Macmillan Co., 1955), p. 93.
3 Broken Things (Grand Rapids, Zondervan, 1948), p. 51. 
4 Ruth Bell Graham. Sitting by My Laughing Fire (Sentada ao p do fogo risonho),  Waco, Word 
Books, 1977, p. 88.
1 A Bblia de Referncia Comentada de Dake. O Novo Testamento, Grand Rapids, Zondervan, 1961, 
p. 270.
2 Ibid.
3 Martinho Lutero, Three Treatises, The Freedom of a Christian [Trs tratados, A Liberdade de um Cristo) 
traduzido por W. A. Lambert e revisto por H. J. Grimm, Filadlfia, Fortress Press, 1960. p. 290.
1 William Barclay. The Letters to the Philippians, Colossians, and Thessalonians, Philadelphia,  
Westminster Press, 1975, p. 64.
1 Phillip Yancey, Where Is God When It Hurts?, Grand Rapids: Zondervan, 1977, p. 69.
1 Phillip Yancey, Where Is God When It Hurts? (Onde est Deus quando di?), Grand Rapids: 
Zondervan, 1977, p. 57.
1 Amy Carmichael, Gold by Moonlight (Ouro ao Luar), Londres S.P.CK., 1952, pp. 73-74.
2 Amy Carmichael, Rose from Brier (Fort Washington, P.A :Christian Literature Crusade, 1972,  p. 12
3 Nova York, Harper & Row, 1966, pp. 32-33.
1 Abraham Lincoln, Harper's New Monthly Magazine, julho de 1865.
2 A Treasury of Great Poems. English and Americans, Louis Untermeyer, ed. Nova York, Simon and 
Schuster, 1942, 1955, p. 985.
1 John Bunyan. The complete Works of John Bunyan, Henry Stabbing, ed., vol. 4, Londres, Virtue & 
Yorston, s., d., p. 494.
2 William O. Cushing e Ira. D. Sankey. "Under His Wings", em Hymns for the Family of God, 
Nashville, Paragon Associates, 1976, p. 412. 
1 Ruth Bell Graham. Sitting by My Laughing Fire (Waco, Word Books, 1977), p. 47.
1 Ruth Bell Graham. Sitting by My Laughing Fire (Waco, Word Books, 1977), p. 178.
1 Viktor E. Frankl, Man's Search for Meaning (Boston. Beacon Press, 1962), p. 120
 
 
 
 
1
A Segunda Vinda de Cristo: Perspectiva do Sofrimento
