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Tocou-me


Uma histria de milagres e poder









Benny Hinn



TOCOU-ME
BENNY HINN

Publicado por Bompastor Editora Ltda.
Av. Liberdade, 902
Liberdade - So Paulo - SP
01502-001 - Brasil
Fone: (11) 3346-2000 Fax: (11) 3346-2027
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e-mail: editora@bompastor.com.br



Traduo: Valria Lamim Delgado Fernandes Capa: R. 
Martins Diagramao: Mareia Fernandes


Publicado originalmente em ingls com o ttulo: He Touched 
Me Thomas Nelson Publishers 
Nashville, Tennessee



As citaes bblicas so da BEC - Bblia de Estudo em Cores, 
Verso Revisada, exceto quando especificada outra verso.

Produto: 95536

Impresso no Brasil














SUMRIO

Sumrio
Sobre a Obra
Dedicatria
1.     Nuvens de guerra sobre Jaffa
2.     Um garoto chamado Toufik
3.     Fogo do alto
4.     O tumulto
5.     Do quiosque s catacumbas
6.     Isso ter fim
7.     "Ele  tudo o que tenho!"
8.     "Posso te conhecera"
9.     Eu seria deixado para trs
10.    Shekinah!
11.    Duas horas da manh
12.    Uma jornada de milagres
13.    "Ela vai ser sua esposa!"
14.    Um dia de coroao
15.    O acidente
16.    Uma ordem do cu
17.    Potes de gelia e Bblias
18.    A experincia da cruzada
19.    A maior ddiva
20.    Uma milagrosa profecia se cumpriu
21.    Um toque que transforma


















SOBRE A OBRA

Em junho de 1967, enquanto as nuvens de guerra pairavam 
sobre Israel, a famlia de Costandi e Clemence Hinn - incluindo o filho 
de 14 anos, Benny - se amontoava em sua casa na histrica cidade de 
Jaffa, esperando a exploso das bombas. A Guerra dos Seis Dias foi 
emocionalmente devastadora para esta famlia crist ortodoxa grega de 
lngua rabe, que vivia em um estado judeu. Quando a poeira 
finalmente baixou, Costandi tomou uma deciso que mudou para 
sempre o futuro da famlia Hinn. Essa deciso desencadeou uma srie 
de eventos que culminaria com o filho Benny se transformando em uma 
figura carismtica no cenrio mundial.
Aqui, em suas palavras, Benny Hinn compartilha histrias nunca 
antes contadas, de um garoto tmido e introvertido, que era evitado por 
seus colegas de escola. Informaes confidenciais, provenientes do 
dirio que ele guardou durante os dias de seu encontro com o Esprito 
Santo que transformou sua vida. O milagre que aconteceu quando ele 
embarcou em uma aventura de dois meses pela Europa - deixando a 
famlia pela primeira vez. O grande acontecimento que o levou aos 
palcos do mundo. Histrias verdadeiras que ocorreram nos bastidores 
das cruzadas internacionais, nos programas de televiso e entre os 
membros da equipe. Seu confronto com crticos e a mdia do pas. A 
incrvel experincia de voltar para o Oriente Mdio a convite pessoal do 
governo da Jordnia para realizar uma cruzada de milagres no Palcio 
da Cultura, em Am.
Tocou-me  muito mais do que a extraordinria saga de um jovem 
que entregou totalmente a sua vida ao Esprito de Deus. Voc tambm 
ser tocado - e muito inspirado -  medida que assimilar as valiosas 
lies que Benny Hinn aprendeu durante seus primeiros vinte e cinco 
anos de ministrio.








































Este livro  dedicado ao meu maravilhoso Senhor e 
Mestre, Jesus, o Santo Filho de Deus, que tem feito grandes 
coisas.
A Ele pertence toda a glria, agora e para sempre. Eu 
gostaria de lhe agradecer por meu querido pai, Costandi Hinn, 
e me, Clemence, a quem amo de todo o meu corao.


















CAPTULO 1


NUVENS DE GUERRA SOBRE JAFFA

"Benny, preciso de sua ajuda", disse meu querido, porm austero 
pai, Costandi, passando-me uma p. Havia um tom tenso e apreensivo 
em sua voz.
Este no era um pedido sem valor de um pai para o filho de 14 
anos. Era uma ordem - e eu sabia exatamente por que ele precisava de 
minha ajuda.
Imediatamente, comeamos a cavar uma trincheira funda no 
jardim de nossa casa na 58 Ibn Rashad, em Jaffa, Israel - a histrica 
cidade porturia na extremidade sul da moderna cidade de Tel Aviv. 
"Realmente espero que isto no seja necessrio", lamentou meu pai, 
"mas  melhor estarmos preparados. Quem sabe o que acontecer? 
Quem sabe?"
Depois de trabalharmos duro por vrias horas debaixo do sol 
quente do Oriente Mdio, a trincheira ficou funda o suficiente. Ela 
poderia servir de refgio para toda a famlia Hinn - alm de acomodar 
alguns vizinhos que precisassem de abrigo. No incio daquela mesma 
semana, no Colgio de Freiras, a escola catlica francesa que eu 
freqentava, houve um ataque areo e ns fomos colocados em um 
abrigo subterrneo.
Dentro de nossa casa, minha me, Clemente, e minha irm mais 
velha, Rose, faziam estoque de comida e de garrafas de gua. Elas 
davam as instrues de ltima hora aos meus irmos e irm mais 
novos. Para cima e para baixo da rua, as pessoas pintavam os faris 
dos carros de preto - e cobriam as janelas de suas casas.
Era a primeira semana de junho de 1967. Noite aps noite, nossa 
famlia ouvia atentamente a Rdio do Cairo em nossa lngua rabe 
nativa e, por isso, sabamos que a guerra era iminente. Alguns dias 
antes, Nasser, o presidente do Egito, havia anunciado que todo o 
exrcito egpcio estaria em alerta geral. Em uma passeata bem 
divulgada, ele mobilizou grandes nmeros de tropas pelas ruas do Cairo 
a caminho do Sinai. Em alguns quartis, esta seria a batalha que 
acabaria com todas as batalhas - ameaando, de uma vez por todas, 
esmagar o estado de Israel, que estava com 19 anos, o lanando ao mar.
Nasser estava no auge da popularidade e, ao que parecia, a 
histeria havia dominado todo o mundo rabe. Jordnia, Sria e Lbano 
aliaram-se para este confronto histrico, alm de contingentes da 
Arbia Saudita, do Kuwait, do Iraque e da Algria terem se 
comprometido a se juntar  briga.
Em Jaffa, as pessoas estavam apavoradas. Israel estava cercado 
por duzentas e cinqenta mil tropas rabes - incluindo cem mil 
soldados egpcios no Sinai. Havia dois mil tanques e mais de setecentos 
bombardeiros e avies de combate - um nmero muito maior que as 
foras de Israel.
"Por qu?", eu perguntava repetidas vezes. "Por que isto est 
acontecendo? Por que as pessoas querem lutar?" Eu no entendia.
O dio e a amargura emocional que, de sbito, vieram  tona em 
nossa comunidade deixavam-me chocado. At este momento eu no 
sabia da animosidade inveterada que existia entre rabes e judeus.
Em nossa casa, as coisas eram diferentes. Sim, ns nos 
considervamos palestinos, apesar de nossa casa estar sempre aberta 
para pessoas de todas as partes. Meu pai trabalhava para o governo de 
Israel, e ns ramos estimados por nossos amigos prximos que eram 
muulmanos, judeus e cristos. Religiosamente, ramos gregos 
ortodoxos, mas eu freqentava uma escola dirigida por freiras catlicas.
Agora, com as iminentes nuvens de guerra, estvamos sentindo 
uma presso que nos obrigava a tomar partido - e eu no gostava disso. 
"Oh, se pudssemos sair deste lugar", eu dizia para meus pais. 
"Qualquer lugar seria melhor do que este!"

EGPCIOS, ROMANOS E TURCOS
Jaffa era a nica ptria que eu conhecia. Na dcada de 60, era 
formada por uma tumultuada comunidade, em sua maioria de rabes, 
junto ao mar Mediterrneo, com uma grande, porm conturbada 
histria. Todos os dias eu passava pela Yefet Street a caminho da 
escola. Yefet  o termo em hebraico para Jaf - o terceiro filho de No - a 
quem foi atribuda a edificao da cidade aps o Dilvio.
Meus irmos e eu muitas vezes brincamos nas docas onde Jonas 
embarcou para Trsis no navio fadado ao fracasso. A apenas alguns 
metros de distncia fica a casa de Simo, o curtidor, onde Pedro ficou 
quando o Senhor lhe instruiu para pregar aos gentios.
Jope (Jaffa) era uma cidade canania que fazia parte das listas de 
impostos do fara Tutmosis no sculo 15 a.C, mesmo antes de Josu 
pelejar na Batalha de Jerico. E foi ali que o rei fencio, Hiro de Tiro, 
descarregou troncos de cedro para o templo do rei Salomo.
Os ventos de guerra no foram bons para com o lugar onde nasci. 
Jaffa foi invadida, capturada, destruda e reconstruda vrias vezes. 
Simo Vespasiano, os Mamluks, Napoleo e Allenby a reivindicaram. 
Este porto estratgico foi controlado por fencios, egpcios, filisteus, 
romanos, rabes, muulmanos e turcos. Os ingleses assumiram o 
controle, em 1922, at ela se tornar parte do novo estado de Israel, em 
1948.
Jaffa era - e ainda  - uma mistura racial. D uma volta pelo 
marco da cidade, a Torre do Relgio, construda pelos otomanos em 
1901, e voc ouvir conversas entre os nativos em francs, blgaro, 
rabe, hebraico e outras lnguas.
Durante minha infncia, as centenas de milhares de pessoas de 
Jaffa foram engolfadas pela avassaladora populao de Tel Aviv ao 
norte. Hoje, a metrpole tem o nome oficial de Tel Aviv-Jaffa. Mais de 
quatrocentos mil tm a rea como sua cidade natal.
Os sons, as vistas e os aromas desta cidade nunca se apagaram 
de minha memria. Ioda vez que viajo para l, vou direto a uma padaria 
ao ar livre chamada Said Abou Elafia & Sons, na Yefet Street. Nada 
mudou neste lugar. Eles ainda fazem sua famosa verso rabe de pizza 
com ovos assados em um tipo de po rabe chamado pita. A moda 
pegou e agora voc v lanchonetes do tipo por todo o Israel. Esta foi a 
primeira padaria de Jaffa, em 1880, e ainda  dirigida pela mesma 
famlia (quatro geraes depois). Senti saudades s de pensar em seus 
bagels (pes em forma de rosca), nos pes de zaatar (uma deliciosa 
mistura de condimentos do Oriente Mdio assada com azeite de oliva) e 
nozambushi recheado de queijo ou batata. Oh, eles so maravilhosos!

"O MISERICORDIOSO"
Por causa da posio exclusiva de meu pai na comunidade, o 
povo de Jaffa era como uma famlia estendida - independentemente de 
suas convices social, tnica, poltica ou religiosa. A rea era um 
distrito de lei Aviv, e meu pai, Costandi Hinn, pode ser mais bem 
descrito como uma ligao entre a comunidade e o governo de Israel. 
Ele era um homem imponente, com 1,87 metro de altura e uma 
personalidade flexvel, porem forte. E ele era perfeito para a tarefa.
A maior parte do tempo de meu pai era investido em cuidar de 
reclamaes entre cidados e agncias governamentais - alm de 
encontrar emprego para aqueles que estavam necessitados. Ele tinha 
escritrios em Jaffa e Tel Aviv, contudo parecia haver um fluxo sem fim 
de pessoas que vinham a nossa casa com pedidos especiais. Ele no as 
mandava embora.
A natureza que meu pai tinha de se doar no era algo fingido. Era 
parte de um estimado legado transmitido entre geraes. Logo aps a Ia 
Guerra Mundial, o bisav de meu pai c sua famlia - os Costandis - 
emigraram da Grcia para Alexandria, no Egito. Eles viram um futuro 
brilhante nos negcios e no comrcio. Um de seus filhos (o av de meu 
pai) envolveu-se em projetos que visavam prover alimento e roupas para 
aqueles que estavam na misria, e as pessoas diziam: "Vamos para El 
Hanoun" - que, em rabe, significa "o misericordioso" ou "o generoso". 
Mais tarde, muitos comearam a cham-lo de "Hinn" - e o nome pegou.
Uma vez que era assim que as pessoas o chamavam, e agora ele 
estava vivendo em uma cultura rabe, decidiram mudar o seu ltimo 
nome de Costandi para Hinn. Sou grato por ver que o mesmo esprito de 
generosidade continua em nossa famlia at hoje. (Descobri 
recentemente que alguns de meus parentes que permaneceram no Egito 
optaram por voltar a ter o nome de famlia Costandi.)
Mais tarde, um dos filhos da famlia Hinn (meu av) mudou-se do 
Egito para a Palestina e se estabeleceu na prspera comunidade rabe 
de Jaffa. Ao se casar e ter um filho, ele o chamou de Costandi - em 
respeito ao nome de famlia grego.
Ao longo dos anos, minha me compartilhou lembranas vagas de 
seus primeiros anos de vida. Recentemente, em um piscar de olhos, ela 
contou como conheceu meu pai c se apaixonou por ele.
Embora minha me tivesse nascido na Palestina, a famlia de sua 
me havia emigrado da empobrecida nao da Armnia, no sul da 
Europa, para Beirute, no Lbano, muitos anos antes. Seu pai, Salem 
Salameh, era palestino.
Aps um tpico casamento arranjado, quando minha av tinha 
apenas 16 anos, o casal estabeleceu-se em Jaffa - e no meio da prole 
estava uma adorvel filha chamada Clemence.
Meu av era carpinteiro e tambm trabalhava como inspetor nos 
laranjais.

QUEBRANDO A TRADIO
Quando jovem, Costandi Hinn viveu cm uma Palestina que era 
governada pela Gr-Bretanha. Serviu no exrcito britnico de 1942 a 
1944 e, mais tarde, mudou-se para Haifa - cerca de noventa e cinco 
quilmetros costa acima -, onde trabalhou na alfndega do porto.
Separado de sua famlia, em uma cidade onde ele era um 
estranho, sua vida social praticamente estagnou. "Mas eu no conheo 
ningum", ele confidenciou ao pai quando eles discutiam a questo de 
pedir a mo de uma garota em casamento.
Quando Costandi chegou em casa para fazer uma visita, uma de 
suas tias lhe falou sobre uma bela garota armnia. "Seu nome  
Clemence", ela lhe disse. "E sua famlia tambm  grega ortodoxa." 
Aquele fato era extremamente importante.
"Jovem demais para mim", exclamou Costandi, quando ficou 
sabendo que ela s tinha 14 anos de idade.
No entanto, quando finalmente foi marcado o encontro entre as 
famlias Hinn e Salameh, meu pai logo mudou de idia. Ele disse para si 
mesmo: "Ela  linda. Esta  a garota que ser minha esposa".
No muitos dias depois, ele foi ao restaurante do Sr. Salameh c 
pediu para conversar em particular com ele. Costandi, muito nervoso, 
disse: "Senhor, tenho um pedido. Quero algo do senhor".
Por causa do respeito que existia entre as duas famlias, ele 
respondeu: "Eu lhe darei tudo o que quiser". Ele sorriu c perguntou: 
"Voc quer meus olhos?"
"No", respondeu Costandi. "Quero sua filha, Clemence."
O Sr. Salameh no hesitou. "Sim", ele respondeu. "Estou muito 
contente. Se este  o seu desejo, ela ser sua."
Logo a notcia do acontecido se espalhou, contudo houve uma 
grande confuso. "As coisas no so assim!", gritou a av, agitada. "Por 
que o pai dele no veio e pediu a mo dela como tem de ser? Um jovem 
no vai a um restaurante e faz ele mesmo tal pedido!"
De acordo com o costume no Oriente Mdio - at o momento - os 
casamentos devem ser arranjados entre os pais. Por isso, para honrar a 
tradio, os membros mais velhos da famlia Hinn fizeram pessoalmente 
o pedido e logo todos estavam sorrindo.
Costandi comprou um anel de ouro e, orgulhoso, colocou-o no 
dedo de Clemence. Infelizmente, seus planos para o casamento estavam 
prestes a ser destrudos por foras que abalariam o alicerce da 
Palestina.

SEPARADOS
Era abril de 1948, e a tenso em Jaffa havia se espalhado pelas 
ruas. Explodiam-se carros. Lojas eram saqueadas. Franco-atiradores 
espreitavam-se pelos telhados. Noite aps noite, o motim perdia o 
controle.
Desde 1922, a Palestina havia sido controlada como um mandato 
britnico, mas, agora, aquilo estava prestes a mudar radicalmente. Foi 
anunciado que, no dia 15 de maio, os britnicos -junto com as cem mil 
tropas britnicas que sustentavam uma frgil paz - se retirariam. O 
novo estado de Israel estava para nascer, oficialmente endossado pela 
comunidade mundial.
Desde o fim da 2a Guerra Mundial, centenas de milhares de 
refugiados judeus haviam desembarcado em Jaffa e Haifa, voltando 
para sua antiga terra natal. O pnico que se espalhou pelo mundo 
rabe jamais fora visto antes. S em Jaffa, a populao rabe caiu de 
setenta mil para pouco mais de quatro mil. Famlias abandonaram seus 
lares e fugiram para o Egito, Jordnia, Sria e Lbano.
A famlia Salameh tomou seus bens e partiu s pressas para 
Ramallah, uma cidade um pouco ao norte de Jerusalm. Os Hinns, 
incertos quanto ao futuro, optaram por permanecer em Jaffa. Clemence 
e Costandi agora estavam separados por algo que ia alm de 
quilmetros. Havia uma fronteira armada entre eles e era ilegal 
atravess-la.
Em 9 de maio de 1948, aps um total colapso dos servios 
municipais, os lderes restantes de Jaffa deram uma declarao dizendo 
que a cidade estava como "uma cidade aberta" - uma cidade sem defesa. 
No haveria mais combates. A comunidade iria submeter-se s leis 
judaicas.
Costandi pde garantir emprego no servio postal em Jaffa, mas 
seu corao estava em Ramallah. "Tudo em que eu conseguia pensar 
era em encontrar uma forma para ver Clemence", disse. Ele passou dias 
tramando e fazendo planos - determinado a atravessar, de algum modo, 
aquela fronteira e voltar com a garota a quem tanto amava.
Em 1949, Costandi comunicou  famlia que estava pegando uma 
licena para ausentar-se do trabalho e que, discretamente, seguiria 
para Ramallah. Sem chamar muita ateno, ele viajou  noite para a 
cidade de Gaza contornando o litoral. Ali, ele conseguiu uma passagem 
para viajar em um barco com destino para o Egito e, sem ser notado, 
viajou de nibus para a Jordnia.
O encontro com Clemence valia o risco, mas a maior barreira 
ainda estava pela frente. Como ele a levaria legalmente para casa? 
Quando e como eles se casariam? Quais documentos seriam 
necessrios para legalizar o casamento?
"Seu pai ficou ali por muito tempo", minha me disse para mim. 
"E ns conversamos sobre um modo como poderamos voltar para 
Jaffa." Durante este perodo, Costandi encontrou trabalho na Cruz 
Vermelha em Am.
Amal, me de Clemence, teve uma idia. "Por que vocs no fazem 
dois casamentos? Um aqui em Ramallah, para que vocs tenham os 
documentos, e outro em Jaffa, para que o casamento seja reconhecido 
pelos israelenses?"
O plano funcionou e, com grande alvio para o casal, os guardas 
que ficavam na fronteira acenaram em sinal de aprovao e deixaram 
Costandi e sua mulher de 16 anos entrarem no pas e voltarem para 
Jaffa.

"POR FAVOR, SENHOR!"
Agora, sob as leis de Israel, a maior indstria de Jaffa no ramo de 
exportao de frutas ctricas mais uma vez comeou a prosperar. As 
"Laranjas de Jaffa" - grandes e suculentas - tinham (e ainda tem) 
grande sada em toda a Europa. O termo Jaffa no selo de uma laranja 
simplesmente significa que ela cresceu cm Israel c foi despachada pelo 
porto de Jaffa. Costandi, que conhecia a maioria das pessoas 
responsveis pela empresa, logo foi contratado como inspetor.
Quanto  Clemence, sua vida girava em torno da dedicao ao 
marido - e  Igreja Ortodoxa Grega. Contudo, havia algo que a afligia 
profundamente.
Em dezembro de 1952, Clemence estava no Hospital Francs St. 
Louis, na Yefet Street, prestes a dar  luz seu segundo filho.
Do seu quarto, pela terceira janela do canto deste prdio histrico 
de 1883, ela fitava as guas de um azul profundo do Mediterrneo. O 
mar parecia alcanar o infinito.
Ao longe, ela podia ver um conjunto negro de pedras - as pedras 
de Andrmeda. Segundo a lenda grega, a virgem Andrmeda foi 
acorrentada a uma delas quando Perseu desceu voando, montado em 
seu cavalo alado, matou o monstro martimo e a resgatou.
Agora, Clemence desejava que algum descesse c a poupasse de 
mais um ano de humilhao e desonra. Embora fosse sinceramente 
religiosa, ela no sabia o que era ter um relacionamento pessoal com o 
Senhor. Contudo, naquele humilde quarto de hospital, a sua prpria 
maneira, ela fez um acordo com Deus.
Clemence foi at a janela, olhou para o cu c falou do profundo de 
seu ser: "Deus, s tenho um pedido. Se Tu me deres um menino, eu o 
entregarei a ti."
Mais uma vez, ela repetiu seu clamor: "Por favor, Senhor. Se tu 
me deres um menino, eu o entregarei a ti".

"Eu Vi SEIS LRIOS"
Voc precisa entender a cultura do Oriente Mdio para que possa 
imaginar o dilema em que ela estava.
O primeiro filho de Costandi e Clemence foi uma bela menina 
chamada Rose. Contudo, na tradio ancestral da famlia Hinn, o 
primognito tinha de ser um menino e herdeiro.
Ela podia ouvir as palavras sarcsticas de alguns membros da 
famlia Hinn em seus ouvidos. Eles a reprovavam por no ter 
conseguido gerar um menino. "Afinal", um deles lhe disse, "cada uma de 
suas cunhadas tiveram meninos". As zombarias e escrnios muitas 
vezes a faziam chorar. Ela sentia embarao e vergonha. Naquela noite, 
em seu leito no hospital, seus olhos estavam molhados quando 
Clemence pegou no sono.
No dia seguinte, no entanto, seu desejo foi atendido. Na quarta-
feira, 3 de dezembro de 1952, s 14 horas, eu nasci.
Quando jovem, minha me me falava de um sonho que tivera 
pouco depois de meu nascimento. Eu achava que o sonho tinha a ver 
com um buqu de rosas, mas h pouco ela explicou que ele tinha a ver 
com lrios.
"Vi seis lrios - seis lindos lrios em minha mo", ela disse. "E vi 
Jesus entrar no meu quarto. Ele se aproximou de mim e pediu um 
deles. E eu lhe dei um lrio".
Ao acordar, Clemence perguntou para si mesma: Qual o 
significado deste sonho? O que pode ser?
Por fim, nossa famlia haveria de ter seis meninos e duas 
meninas, mas minha me nunca se esqueceu do acordo que fez com 
Deus." Benny", ela disse, "voc era o lrio que dei de presente para 
Jesus".






































CAPTULO 2

UM GAROTO CHAMADO TOUFIK

 costume entre as famlias gregas ortodoxas dar um nome ao 
filho no nascimento e um nome cristo - normalmente o nome de um 
santo ou sacerdote - quando ele  batizado na igreja. Uma vez que eu 
era o primeiro filho, levei, com orgulho, o nome do pai de meu pai, 
Toufik. Quase que no mesmo instante, minhas tias, tios e primos 
comearam a me chamar de "Tou Tou."
Meu batismo foi realizado na residncia do sacerdote grego 
ortodoxo na regio histrica de Jaffa conhecida como a Cidade Velha. 
Quem celebrou a cerimnia foi Benedictus, um amigo de nossa famlia 
que havia se tornado o patriarca de Jerusalm. Ele no s me ungiu 
com leo e gua - mas me deu o seu nome. Agora era oficial: Eu era 
Toufik Benedictus Hinn. Mais tarde, eu seria simplesmente chamado de 
" Benny."
A nica casa que eu conhecia em Jaffa era de uma famlia que 
havia fugido para a Palestina quando a cidade foi praticamente 
abandonada durante o massacre de 1948. As pessoas saram s 
pressas e, com isso, a propriedade da imponente estrutura de trs 
andares foi dada  Igreja Ortodoxa Grega. Meu pai se encheu de alegria 
quando o sacerdote local perguntou: "Sr. Hinn, o senhor consideraria a 
possibilidade de se mudar com sua famlia para esta casa?" 
Ocuparamos apenas o primeiro andar, mas o espao era amplo.
A localizao era maravilhosa. A casa estava situada cm uma 
ribanceira a apenas dois quarteires das guas azuis do Mediterrneo, 
s a alguns passos do corao da comunidade.
Que lugar movimentado ela se tornou. O ltimo andar do prdio 
foi dado ao tesoureiro da igreja, o segundo andar passou a ser o Clube 
Grego Ortodoxo, um lugar de reunio para organizaes da igreja, e 
nossa casa ficava no andar trreo.
O bege impressivo e a estrutura cor-de-ferrugem tinham belas 
colunas com escadas amplas que levavam ao segundo andar. No ptio 
havia uma fonte cheia de peixes tropicais. Atrs da casa havia um 
grande jardim com rvores ctricas floridas, flores e uma passagem que 
levava  praia.
Na fachada do prdio havia a insgnia do Clube Ortodoxo Grego - 
uma organizao da qual meu pai foi presidente por vrios anos.
Nossa casa tinha uma sala espaosa para a famlia e dois quartos 
grandes - um para meus pais e o outro para a famlia que estava 
aumentando. Primeiro Rose, depois eu, depois meus irmos, Chris, 
Willie, Henrv e Sammy, e outra irm, Mary. Quando entrei na 
adolescncia, nosso quarto em Jaffa comeou a lembrar uma ala de 
hospital. O oitavo filho, Michael, nasceu mais tarde, no Canad.
Nos fundos da casa, em um nvel elevado, ficava a cozinha. Foi ali 
que passei grande parte do meu tempo quando criana -ajudando meus 
pais a prepararem comida. Qual era a minha tarefa preferida? Fazer 
pita, o po rabe. Aprendi a misturar a quantidade certa de gua, 
farinha e fermento. Minha me costumava se gabar, dizendo: "Benny faz 
o melhor po da cidade". Eles at o usavam de vez em quando nas 
reunies de ceia em nossa igreja.


"LEVE ISTO.  SEU!"
O envolvimento de meu pai no trabalho social ia muito alm das 
horas que passava no escritrio. Ele era extremamente generoso para 
com as pessoas c havia um fluxo constante de pessoas da comunidade 
que vinham  nossa casa - principalmente aquelas que procuravam 
trabalho. Parte das responsabilidades de meu pai como elo de ligao 
entre governo e comunidade era legalizar a papelada dos trabalhadores. 
Por exemplo, algum do hospital dizia: "Precisamos de dez 
trabalhadores imediatamente". Ento, meu pai entrevistava os 
interessados e fazia as selees.
Na parte de trs do jardim, ele guardava grandes sacos de farinha 
que constantemente comprava. Quando algum estava necessitado, 
meu pai dizia: "Aqui est. Leve esta farinha.  sua!"
Minha me, uma excelente cozinheira do Oriente Mdio, 
contribua com a hospitalidade. "Por que voc no fica para comer 
alguma coisa?", ela perguntava.
Aos sbados e domingos, nossa casa ficava cheia. Usvamos os 
fornos de uma padaria que ficava a pouco mais de cem metros de nossa 
casa para assar pes feitos com a massa que preparvamos em casa. 
Meus irmos ajudavam-me enquanto colocvamos a massa em grandes 
vasilhas redondas sobre a cabea e seguamos para a padaria todo final 
de semana. Enquanto eles brincavam, eu ficava sentado ali para ver o 
po crescer e os chamar quando estivesse assado.
Nossa mesa de jantar era um retrato de abundncia. Havia 
sempre uma dzia de pratos - abbora recheada, arroz enrolado em 
folhas de uva, comida apimentada e hmus - um pur de gro-de-bico. 
De sobremesa, havia doces, como o baldava, um folheado delicioso com 
calda de mel.
Talvez a razo por que como pouca carne hoje seja pelo fato de ela 
no ter sido servida em grandes pores em nossa casa c, por isso, no 
desenvolvi um gosto por ela. Mesmo agora, prefiro muito mais pratos 
feitos com vegetais e arroz.

"MEUS FILHOS, MINHA RIQUEZA"
Quando falo para as pessoas sobre a generosidade de meu pai, 
elas dizem: "Oh, devia ser uma alegria estar perto dele."
Para ser sincero, a personalidade de meu pai incutiu o temor de 
Deus em mim e em meus irmos e irms; no obstante, ns o amamos 
profundamente.
Quando as visitas iam embora, e somente a nossa famlia ficava  
mesa, comamos rapidamente c cm silncio. No havia discusses da 
famlia na hora das refeies e eu no sabia praticamente nada sobre o 
trabalho de meu pai at chegar  adolescncia. Nunca falamos sobre 
dinheiro, poltica ou questes importantes.
Um assunto, no entanto, era claramente entendido. Se 
conversssemos  mesa, estvamos fritos. E se fizssemos travessuras, 
ele nos dava uma surra na mesma hora - com uma vara.
Sabamos que o trabalho de meu pai envolvia muita presso.
Quando voltava do trabalho, ele sempre tirava uma soneca e o 
melhor que tnhamos a fazer era no o acordar. Eu ainda me lembro do 
dia em que uma mulher perturbada veio  procura de meu pai. "Sinto 
muito, a senhora no pode v-lo. Ele est dormindo", insistiu um de 
meus irmos.
Sem dar ateno, a mulher entrou sem pedir licena, empurrou-
nos para o lado e entrou cm seu quarto, acordando-o com uma bengala 
que tinha nas mos. Oh, que confuso aquilo causou! Alguns segundos 
depois, a mulher saiu correndo pela porta da frente - e meu pai saiu 
atrs dela com a bengala que ela estava usando! Ento, a situao se 
inverteu! Todos estvamos terrivelmente enrascados por termos deixado 
a mulher entrar na casa.
Mame nunca foi a disciplinadora em nossa casa. No era 
necessrio. Meu pai cuidava de tudo o que fosse necessrio - e talvez 
um pouco mais. Um dia, ele chegou em casa e encontrou Chris c eu 
brigando. "Chris, venha aqui", exigiu meu pai. Ele ps os ps sobre os 
dedos dos ps de meu irmo, olhou-o nos olhos e lhe deu uma bela 
repreenso. Depois, fez o mesmo comigo.
A despeito de seu jeito rgido, todos disputvamos a ateno de 
meu pai. O menor gesto de bondade de sua parte era tudo.
Lembro-me de uma vez em que ele fez uma viagem de negcios 
para o Chipre quando eu tinha quase 6 anos. Ele trouxe uma arma de 
brinquedo para mim. Ela tinha quase trinta e um centmetros de 
comprimento e emitia fascas toda vez que se puxava o gatilho. Dois 
dias depois, quando meu irmo Chris tirou-a de mim e a quebrou, 
pensei que nunca mais pararia de chorar. Este no era um brinquedo 
comum. Era um de meus bens mais valiosos - porque era algo que 
havia vindo de meu pai.
Por fora, a casca de meu pai era mais dura do que a de uma 
tartaruga, mas nunca duvidei de seu amor por mim. Raramente ele nos 
fazia um elogio, mas dizia as coisas mais apaixonadas a nosso respeito 
para minha me - e ela no conseguia guardar segredo.
Certa vez, quando um vizinho disse: "Costandi, voc deve se 
orgulhar de seus filhos", ele respondeu: "Meus filhos so minhas 
riquezas. No sou milionrio, mas tenho uma famlia maravilhosa que 
goza de plena sade. Sou abenoado."
Minha me e meu pai nunca demonstraram abertamente 
qualquer sinal do afeto que compartilhavam um com o outro. No 
consigo me lembrar de uma nica vez cm que vi meus pais de mos 
dadas. Isso simplesmente no acontecia! Contudo, podamos sentir a 
profundidade do amor que tinham um pelo outro.

HRCULES, TARZ E O CAVALEIRO 
SOLITRIO
Sbado! Oh, mal podamos esperar o sbado. To certo como o sol 
nasceria, mame estaria na cozinha preparando sanduches e limonada 
para levarmos para a praia. Embora o mar ficasse muito perto de nossa 
casa, adorvamos a praia de Bat Yam, um passeio de quarenta e cinco 
minutos ao sul de Jaffa. Papai sempre ia com a gente - e sempre havia 
alguns primos que iam junto.
Para ns, no era nada andar aquela distncia. amos a todos os 
lugares. Meu pai no teve carro durante todo o tempo em que vivemos 
em Israel - ou ele ia a p para o trabalho ou tomava um transporte 
pblico.
Sempre dependamos do tempo. As pessoas ficam surpresas em 
saber que raramente cai uma gota de chuva em Israel dos meses de 
maio a novembro.
Eu gostava de gua, mas no das algazarras e piruetas de alguns 
de meus irmos. Preferia ficar a alguns passos de distncia da 
multido. Algumas pessoas pensavam que eu era do tipo que as evitava. 
Na verdade, eu no curtia, sobretudo, a idia de me afogar!
Se houvesse muito vento, soltvamos pipas na praia - correndo o 
mais rpido possvel que as nossas pernas conseguissem.
A tarde, voltvamos apressados para casa, comamos milho na 
espiga c subamos as escadas em direo ao Clube Ortodoxo Grego para 
assistir aos filmes infantis da semana. O Gordo e o Magro,  Hrcules,  
Tarz. O Cavaleiro Solitrio. Era papai quem projetava os filmes e ns 
assistamos a todos - em ingls, sem legendas.
Grudado na tela, eu assistia queles filmes e sonhava em deixar 
Israel e me mudar para o Ocidente. "Este sou eu", dizia para mim 
mesmo. "L estou eu!"
Quando brincvamos de caubi e ndio no quintal, eu sempre 
fingia ser norte-americano e me vangloriava das coisas que sabia sobre 
os Estados Unidos - ainda que elas se limitassem ao que eu vira na tela 
de televiso.
Como era pequeno para minha idade, os meninos da vizinhana 
pensavam ter algum para azucrinar. E claro que eu podia me defender, 
mas raramente era necessrio. Meus irmos tomavam conta de mim 
como se fossem guias. Lima vez, quando um menino grego me bateu, 
meu irmo Chris entrou na briga e comeou a espancar o menino com a 
mo fechada. Terminada a briga, o menino foi levado para o hospital 
com um brao quebrado. Oh, l estava Chris com problemas!

Eu ERA EVITADO
Gostaria de poder dizer que minha infncia em Jaffa foi perfeita e 
sem trauma. No foi o que aconteceu. Desde os trs anos de idade, 
minha auto-imagem foi to destruda que eu constantemente tinha 
vontade de sair correndo e me esconder. A humilhao e a vergonha 
que eu sentia comearam com um terrvel problema de gagueira que 
aflorou quando me mandaram para a pr-escola. Como diro meus 
familiares, eu levava o que parecia ser uma eternidade para completar 
uma simples sentena.
Minha dico era to descontnua que minhas professoras, as 
queridas freiras catlicas, evitavam fazer perguntas para mim em sala 
 tentando poupar-me de constrangimentos. Nos intervalos, eu era 
evitado. Os meninos e meninas no queriam conversar comigo porque 
eu tinha dificuldade para responder. Conseqentemente, tive poucos 
amigos.
Quando fiz 5 anos, comecei a me afastar de qualquer pessoa que 
se aproximasse de mim. Muitas noites, enterrei minha cabea no 
travesseiro c chorei ate dormir. Quando as pessoas vinham  nossa 
casa, eu corria para meu quarto e me arrastava para debaixo da cama, 
na esperana de que ningum me encontrasse. Pensava: Se eles me 
ouvirem, s vo rir de minha gagueira.
Chris, meu irmo mais novo, sabia muito bem de meu problema e 
passou a ser meu protetor e meu porta-voz. Muitas vezes, quando 
algum fazia uma pergunta para mim, Chris respondia antes de eu ter a 
chance de dizer uma palavra.
As pessoas podem ser cruis com algum que tem uma 
deficincia. At aquelas que me amavam diziam: "Benny, com seu 
problema de fala, voc provavelmente no ser grande coisa na vida." 
Aquelas palavras, repetidas de tantas formas sutis, ficaram gravadas 
para sempre em minha jovem mente.
Minha me certa vez mandou-me para a casa de uma vizinha 
para entregar-lhe algo que ela havia pedido. No fao a menor idia do 
que levei, mas nunca me esquecerei do que foi dito. A mulher olhou 
para mim e comeou a rir. Ela observou: "Por que sua me mandou 
algum que no consegue falar?"
Certa manh, meu pai pediu-me para ir  casa ao lado para pegar 
um pouco de alpiste. Eu s tinha 5 anos. Quando cheguei  porta da 
casa, um homem saiu com o alpiste e disse palavras que me afetaram 
profundamente. Ele disse: "Por que voc parece to mudo?"
Meu valor prprio j havia sido diminudo, e agora eu estava 
ouvindo que parecia um "mudo". Deprimido, fui embora pensando: Ele 
disse que pareo um mudo, ento devo ser!
Peter Bahou, o menino que morava na casa ao lado, ficou 
preocupado com meu problema. Ns nos sentamos na escada da frente 
e ele me passou um livro. "Benny, eu gostaria que voc lesse para mim." 
Em certos dias minha gagueira estava to terrvel que ele tinha de me 
acalmar. " Tudo bem", Peter me animava, "voc no precisa fazer isso 
agora. Podemos ler mais tarde."

PADRE HENRY
Minha educao convencional comeou na Escola de Freiras 
Catlicas. At hoje, posso fechar os olhos c imaginar minha professora 
do jardim de infncia - uma freira francesa alta, magra, de olhos azuis e 
que usava culos. No me lembro de nada especfico que ela me 
ensinou, mas s sei do quanto ela se preocupava. "Voc  um jovem 
muito especial", ela me dizia. "Voc  muito especial." Oh, como eu 
precisava ouvir aquelas palavras.
Em uma recente viagem  Jaffa, pedi ao motorista de nosso 
furgo que parasse na Yefet Street, em frente ao Colgio de Freiras 
(Escola de Irmos), uma instituio catlica construda em 1882. Foi a 
minha escola da primeira srie em diante. Havia quatrocentos alunos 
quando eu a freqentava - agora passa dos novecentos.
Abri a porta da sala 1 -C, a sala de aula onde passei tantos dias, 
e pouca coisa havia mudado. "Deixem-me lhes contar algo sobre aquele 
quadro negro", eu disse aos amigos que me acompanhavam. "Se seu 
nome fosse escrito aqui, voc estava enrascado. Ningum tinha 
permisso para conversar com voc at seu nome ser apagado". Era 
uma forma eficaz de castigo. Felizmente, graas  minha natureza 
calma, meu nome no apareceu na lista.
Para minha alegria, o Padre Henry Helou estava no colgio 
durante a nossa visita. Ele era um dos professores mais antigos e ainda 
fazia parte do corpo docente da escola. Depois de nos 
cumprimentarmos, ele nos disse que assiste aos nossos programas de 
televiso, que so transmitidos em Israel. "Nunca pensei que Benny 
seria um pregador", ele disse para aqueles que se juntaram  nossa 
volta. "Eu costumava dar aula de religio, e a todos os alunos eram 
feitas perguntas, mas muitas vezes pulei Benny a fim de evitar que ele 
se sentisse constrangido." E acrescentou: 'Agora, quando o vejo na 
televiso, digo: Ser que  a mesma pessoa? "
Sorrio quando percebo que aprendi a gaguejar em vrias lnguas. 
As lies na escola catlica eram em francs e hebraico. Falava-se o 
grego em nossa igreja - e muitas vezes em casa, uma vez que as 
tradies de meu pai eram gregas. A primeira lngua de nossa famlia, 
no entanto, era o rabe.
Nas tardes em que havia aula, assim que entrvamos em casa, 
fazamos nossa lio. No havia escolha alguma. Meu pai contratou 
uma mulher a quem, s gargalhadas, chamvamos de "gestapo" - ela 
era tanto bab quanto professora particular. Ela olhava por cima de 
nosso ombro para se certificar de que nossas tarefas estavam perfeitas.
Por fim, quando ela nos dizia que a hora de estudar havia 
acabado, corramos para frente da televiso para assistir aos canais do 
Lbano, do Chipre ou do Egito - na maioria, desenhos ou programas 
norte-americanos, como a srie de faroeste Guusmoke.
Uma noite tpica aps o jantar era papai nos fundos da casa 
conversando com amigos, enquanto mame se sentava na varanda da 
frente, pondo em dia as fofocas locais com a mulherada da vizinhana. 
Meus irmos e irms normalmente assistiam a outro programa de 
televiso antes das 20 horas, hora em que amos para a cama.
Em nosso quarto, muitas vezes dormamos com o nosso rdio 
sintonizado em msicas do Oriente Mdio tocadas em uma estao de 
rdio egpcia ou jordaniana. Em algumas noites, eu lia um dos livros 
que via na biblioteca - como a verso em francs de Rin Tin Tin.
A escola comeava s 8 horas em ponto, e ficava a uma 
caminhada de vinte minutos de nossa casa. Alguns dias, a caminhada 
demorava um pouco mais porque eu parava em um armazm que ficava 
no caminho para comprar um donut com recheio de creme. Aquilo era 
uma delcia!

"NO CONTE PARA A MAME!"
Eu amava meus irmos e irms, mas eles eram diferentes entre si 
quanto a gua do vinho.
Rose era minha irm mais velha c eu sempre a admirei, apesar de 
termos, quando crianas, nossas brigas. Se eu tinha um segredo, ela 
era a ltima pessoa a quem o contaria - por saber que ela espalharia a 
notcia antes de anoitecer.
Christopher, um ano mais novo, era um verdadeiro encrenqueiro. 
Por mais de uma vez ele chegou em casa com o nariz sangrando, c se 
gabando: "Eu s estava tentando proteg-lo, Benny."
O senhor que morava no piso superior de nossa casa, Lutfalla 
Hanna, era generoso comigo, mas no com Chris - e o sentimento era 
mtuo. Ele costumava estacionar o carro na garagem que ficava nos 
fundos da casa. E, durante alguns dias em um vero, Chris teve o 
grande prazer de furar dois pneus do carro dele, fazendo da vida do 
homem um inferno. Isso de repente parou quando o Sr.
Hanna disse o seguinte para meu pai: "Mantenha o seu filho 
longe do meu carro, ou no sei o que farei!"
Willie, o prximo da fila, era um de meus irmos favoritos. Era 
quieto c tmido; pensava sempre c trabalhava com muito afinco. Em 
quem eu confiava? Em Willie. Se havia um daqueles momentos em que 
eu dizia: "No conte nada disso para mame", eu cochichava o incidente 
com ele.
Depois vinha Henry- talvez ainda mais levado que Chris. As vezes 
ramos dele por ser um pouco desajeitado - principalmente no dia em 
que correu em direo  mesa da Ceia na igreja ortodoxa grega da qual 
participvamos e armou a maior confuso. Henry tambm tinha uma 
imaginao frtil e nos fazia acreditar em histrias estranhas.
Quando crianas, meus irmos e eu adorvamos assistir a lutas 
pela televiso - e aps as competies, experimentvamos alguns 
movimentos uns nos outros. Mais uma vez, era Chris quem causava o 
maior estrago. No entanto, uma vez quebrei o dedo de Henry-e, um dia, 
o pequeno Willie teve de ser levado para o hospital com um brao 
quebrado.
Sammy era beb quando morvamos em Jaffa. Eu ajudava minha 
me a cuidar dele - c, muitas vezes, troquei suas fraldas. At hoje, ele 
ainda  "meu maninho."
Mary, minha irm mais nova, foi a ltima dos Hinns a nascer em 
Israel. Sempre houve algo especial nela. Aqueles que estavam presentes 
quando ela foi batizada na Igreja Ortodoxa Grega ainda falam do brilho 
que desceu sobre seu rosto.
Minhas tias e tios constantemente se vangloriavam de meus 
irmos e irms - profetizando um grande sucesso para cada um deles. 
Eu era o nico com quem eles se preocupavam.
O que ser de Benny?, eles se perguntavam, pensando em meu 
problema de dico.
Esta "lngua pesada" seria um fardo que eu sempre carregaria?



CAPTULO 3

Fogo DO ALTO


"Benny, voc gostaria de se tornar um aclito?", perguntou o 
padre Gregorios, sacerdote da Igreja de St. George - a principal igreja 
ortodoxa grega em Jaffa.
Fiquei emocionado. Afinal, a igreja de St. George desempenhava 
um papel importante em minha vida, e suas ricas tradies 
combinavam com a estrutura de nossa famlia. Que belo edifcio 
colorido ela era, decorada com imagens religiosas e pinturas nas 
paredes.
At onde me lembro, fui ensinado que, ao rezar para a Virgem 
Maria e os santos, eu estava me comunicando com Deus. Tambm era 
costume dos membros da igreja beijar as imagens.
O padre Gregorios ensinou-nos que a adorao litrgica tem por 
objetivo apelar a todos os sentidos - os olhos do adorador vem a beleza 
das pinturas sacras, seus ouvidos ouvem os hinos antigos, ele sente o 
cheiro do incenso e participa da Comunho. Tambm fui instrudo que 
o nosso corpo deve glorifcar o Criador por meio de gestos simblicos, e 
que o nosso esprito se eleva em adorao ao Pai Celestial.
Ao 7 anos, fiz minha confisso, aprendi o Credo de Nicene e 
participei da Eucaristia. Depois, como aclito, usava tnicas especiais e 
ajudava o sacerdote durante a missa. As vezes, carregava uma vela ou 
segurava o incenso. A missa - chamada de Divina Liturgia - no mudou 
desde os primeiros dias do Cristianismo.
Era sempre um dia especial quando o sacerdote me colocava 
entre os membros da igreja que eram convidados a ir  sua residncia 
para uma refeio. Ele era um amigo estimado de nossa famlia.
Minha iniciao nos milagres aconteceu no local em que Pedro 
ressuscitou Tabita dos mortos, fora de Jaffa. Uma vez por ano, toda a 
comunidade ortodoxa grega se reunia no local para realizar uma 
celebrao e um piquenique, durante o dia todo.
Na missa especial, o sacerdote recontava a histria das Escrituras 
em que Pedro se ajoelhou ao lado da mulher morta c orou: "Tabita, 
levanta-te. E ela abriu os olhos e, vendo a Pedro, assentou-se. E ele, 
dando-lhe a mo, a levantou, e, chamando os santos e as vivas, 
apresentou-lha viva. E foi isto notrio por toda a Jope, e muitos creram 
no Senhor" (At 9.40-42).

UMA GRANDE: INFLUNCIA
Por causa do treinamento dirio em escolas catlicas ao longo de 
muitos anos, em meu corao eu tambm me considerava um catlico, 
freqentava a missa regularmente e sabia rezar a Ave-Maria, o Credo de 
Nicene, a Orao do Senhor e outras preces prescritas.
As irms catlicas tiveram uma grande influncia espiritual sobre 
mim. Na escola, elas me ensinaram as Escrituras em uma tenra idade. 
Foi ali que aprendi pela primeira vez coisas sobre Abrao, Isaque, Jac 
e os milagres de Cristo.
Se meus pais eram contra? No. O que era tido como melhor  
nossa disposio era uma instituio de ensino catlica particular. 
Contudo, no domingo, eu tambm me sentia  vontade envolvido nos 
rituais da Igreja Ortodoxa Grega.
Durante este tempo de intenso ensino religioso, eu apresentava 
meus pedidos especficos a Deus, mas no sabia conversar de forma 
pessoal com o Senhor. Na realidade, minha vida de orao era muito 
organizada - e muito rotineira.
Em muitos aspectos eu me sinto abenoado quando penso no 
treinamento espiritual que recebi. Muitas vezes, penso: A quantas 
crianas se ensina o Antigo Testamento em hebraico? E quantos jovens 
conseguem ir a campo para ver literalmente onde a Palavra de Deus 
tornou-se realidade?
Eu me lembro de viajar para o Negev e aprender coisas sobre 
Abrao - em p, ao lado do poo que ele cavou. Nunca me esquecerei 
daquela experincia.

UM PRESENTE ESPECIAL
Sem sombra de dvida, as sementes do cu foram plantadas em 
minha vida.
Certa vez, quando eu estava com quase 7 anos, um senhor de 
Nazar bateu  porta de nossa casa. Ele era um cristo evanglico que 
havia nascido de novo - algo de que eu no fazia idia na poca.
Ele me deu um presente muito especial - um folhetinho com uma 
poro da Bblia. O folheto estava ilustrado com desenhos coloridos.
Cerca de duas semanas depois, ele voltou com um segundo 
folheto. Eu tinha um sorriso largo no rosto quando disse: "Obrigado, 
senhor."
De algum modo, eu era atrado aos folhetos e ficava entusiasmado 
toda vez que o homem batia  nossa porta. Creio que ele sabia que eu 
estava respondendo s Escrituras, enquanto outros da vizinhana 
mostravam pouco interesse.
Ansioso por receber toda a srie de folhetos, perguntei: "O senhor 
me traria toda a Bblia?" Em sua prxima visita, foi isso o que o homem 
de Nazar fez.
De acordo com os eventos da vida de Jesus que eu havia 
aprendido na escola, recortei de diferentes folhetos as ilustraes e pus 
a vida de Cristo em ordem - fazendo um livro especial.
Para mim, aquilo era um tesouro. Guardei o livro no meu quarto 
durante anos e recontei a histria de Cristo repetidas vezes.


CLIQUE, CLIQUE, CLIQUE
Tanto na tradio ortodoxa grega quanto na igreja catlica h 
uma grande nfase em milagres e curas. Minha me somou a sua f 
remdios folclricos do Oriente Mdio, c muitas vezes usava esses 
tratamentos em seus filhos.
Uma vez, eu estava muito doente, com o peito cheio, e minha me 
pediu que me deitasse de barriga para baixo. Ela pegou pequenas 
xcaras de vidro, colocou tufos de algodo embebidos em lcool dentro 
delas c ps fogo neles.
Uma a uma, ela colocou as xcaras sobre as minhas costas -cerca 
de vinte xcaras. Como precisava de oxignio, o fogo imediatamente se 
apagava e eu podia sentir a suco - arrancando o catarro de mim.
No momento em que ela tirava as xcaras, era possvel ouvir o 
clique, clique, clique. "Veja, Benny, aqui est a sua gripe", minha me 
disse, mostrando-me como o algodo queimado havia ficado esverdeado.
Este mtodo de "sugar o catarro" ainda  praticado hoje.
Eu tambm me lembro da vez em que minha me teve uma 
doena que se manifestou como erupes em forma de furnculos em 
sua pele. Muitas delas comearam a sangrar e a doena persistiu por 
semanas.
Minha me no sabia o que fazer at que uma mulher apareceu 
cm nossa casa e disse: "Cubra o corpo dela com folhas de figo."
Rimos e achamos que a mulher havia enlouquecido. Minha me, 
no entanto, seguiu o conselho e, no dia seguinte, os furnculos 
desapareceram. Eles nunca mais voltaram.
Anos depois, enquanto eu estava lendo o Antigo Testamento, este 
versculo saltou aos meus olhos: Ezequias estava sofrendo e
Isaas disse: "Tomem uma pasta de figos, e a ponham como 
emplasto sobre a chaga; e sarar" (Is 38.21). Ezequias ficou curado!

OLHEI NOS OLHOS DELE.
As pessoas perguntam: "Benny, quando o Senhor comeou a se 
mover em sua vida?"
Aos 11 anos, Deus falou comigo por meio de uma viso da noite - 
foi a nica vez em que algo do tipo aconteceu durante a minha infncia 
em Jaffa. Eu me lembro do incidente como se fosse ontem. Vi Jesus 
entrar no meu quarto. Ele estava usando uma tnica alva como a neve 
e havia um manto vermelho escuro drapeado sobre Seus ombros.
Vi tudo - Seus cabelos, Seus olhos. Vi as marcas dos cravos cm 
Suas mos.
Nestes primeiros anos de minha vida, eu no conhecia Jesus. 
Nunca havia pedido para Cristo entrar no meu corao. Contudo, no 
momento em que o vi, eu soube que era o Senhor.
Eu estava dormindo quando isso aconteceu, mas, de repente, 
meu jovem corpo se viu envolvido em uma incrvel sensao que s 
pode ser descrita como "algo eltrico." Eu me senti carregado, como se 
algum tivesse me ligado em uma tomada eltrica. Houve uma 
dormncia - como se um milho de agulhas estivessem furando o meu 
corpo.
Naquele momento, o Senhor se colocou diante de mim e me olhou 
com os mais lindos olhos. Ele sorriu, e seus braos estavam bem 
abertos. Eu podia sentir a sua presena - era maravilhosa.
O Senhor no disse nada. Ele s olhou para mim e depois 
desapareceu.
Quase que no mesmo instante, eu estava totalmente desperto e 
mal podia entender o que estava acontecendo. Deus permitiu que eu 
tivesse uma viso que criaria uma inapagvel impresso em minha 
juventude.
Quando acordei, a maravilhosa sensao ainda estava ali. Abri os 
olhos, olhei ao redor e este intenso poder que eu nunca havia 
experimentado antes continuava a passar pelo meu corpo. Me senti 
totalmente paralisado e no conseguia mover um msculo. Contudo, eu 
estava lcido. Este sentimento incomum c indescritvel se apoderou de 
mim - contudo, no me dominou.
Pela primeira vez, Jesus tocou a minha vida.
Na manh seguinte, contei a experincia para minha me, e ela 
ainda se lembra do que disse para mim: "Ento voc deve ser um 
santo."
 claro que eu naturalmente no era "santo", mas minha me 
acreditava que, se Jesus veio a mim, estava me preparando para um 
chamado maior.


LEVANDO A FOGUEIRA SANTA!
Todo ano, no dia que antecedia a Pscoa, as igrejas de nossa 
regio escolhiam cinco representantes para irem  Jerusalm para o 
"Sbado da Fogueira Santa." Meu pai sempre fazia parte desta comitiva 
e o sacerdote pediu que eu acompanhasse os homens.
O objetivo da viagem era trazer de volta a Luz Santa - um fogo 
que, segundo dizem, aparece milagrosamente dentro do tmulo de 
Cristo uma vez por ano como smbolo da Ressurreio. Foi uma grande 
honra, embora fosse um tanto raro ser concedida a um menino esta 
oportunidade.
Partindo de Jaffa no sbado de madrugada, nosso primeiro 
destino era a igreja ortodoxa grega ao oeste de Jerusalm. Havia 
representantes ali de todas as partes de Israel.
 importante entender que, durante estes anos, os cidados 
israelenses no podiam viajar para a Igreja do Santo Sepulcro - o lugar 
onde fica o tmulo de Jesus. Isto era antes da Guerra dos Seis Dias, em 
1967 a igreja estava localizada ao leste de Jerusalm, em um territrio 
que pertencia  Jordnia - ainda em estado de guerra com Israel na 
poca.
Enquanto aguardvamos, o evento mais ansiado estava 
acontecendo. Era o dia em que, segundo crem, o fogo do cu 
repentinamente aparece no Santo Sepulcro - assim como acontece h 
sculos.
Quando o patriarca e seu squito entram na baslica, a 
aglomerao de pessoas  impressionante. Talvez voc j tenha visto a 
cobertura desta celebrao pela televiso. Milhares de adoradores 
seguram velas com grande expectativa. Ao meio-dia, as luzes se apagam 
e o patriarca entra no tmulo para esperar pela Luz Santa.
A medida que o momento se aproxima, as pessoas comeam a 
cantar cm voz alta: "Senhor, tem misericrdia! Senhor, tem 
misericrdia!"
Dentro do sepulcro, em um determinado momento, dizem que a 
Luz Santa brilha de forma sobrenatural l de dentro do tmulo. Ela 
ilumina uma pequena lamparina colocada perto dele. Depois de ler as 
preces, o patriarca usa a lamparina para acender dois candelabros de 
trinta e trs velas que esto em suas mos.
Quando ele sai do tmulo, h grande jbilo. Sinos comeam a 
tocar, e a ressurreio de Cristo  celebrada  medida que o fogo  
passado - primeiro para os representantes oficiais das igrejas ortodoxa e 
armnia, e depois para a multido reunida.
A luz divina  incomum. Diz-se que ela tem um tom azulado, e, 
nos primeiros momentos em que aparece, os sacerdotes dizem que ela 
no queima suas mos nem o rosto. Lodo ano, vrios peregrinos 
relatam ter visto velas acenderem espontaneamente.
Em um determinado momento, fomos ao Porto de Mandelbaum, 
guardado por militares, que separa o leste e oeste de Jerusalm, 
esperando a Fogueira Santa passar do outro lado. O momento tambm 
foi especial para meu pai e para mim porque, do outro lado da fronteira 
de arame farpado, estava meu tio Michael, que sempre viajou de 
Ramallah para o evento.
A distncia, podamos ver os peregrinos vindo em nossa direo 
com suas velas acesas - prontos para passar a Fogueira Santa para 
pessoas que levariam a chama para suas igrejas por ocasio da Pscoa.
Toda igreja tinha lamparinas especiais que manteriam a luz acesa 
durante todo o ano. Ento, pouco antes da Pscoa, eles apagam a 
chama - esperando a nova luz da Ressurreio.
Na estrada de volta para Jaffa, as pessoas ficavam  nossa 
espera, cidade aps cidade, com suas velas apagadas - lugares como 
Remia e Lod. Eu me sentia honrado. Um dos homens na viagem disse: 
"Benny, voc  o nico menino em Israel que leva a Fogueira Santa para 
as igrejas."
Quando meu pai e eu finalmente chegamos em casa depois dos 
eventos do dia, eu estava emocionado demais para me sentir cansado. 
Alm disso, era vspera de Pscoa.
Para marear o dia especial, a tropa de escoteiros  qual eu 
pertencia conduziu um desfile anual do Clube Ortodoxo Grego (no 
segundo andar de nossa casa) at a igreja de St. George.
Levamos bandeiras e tocamos trombetas e tambores. De nossa 
casa at a igreja, as pessoas se arrumavam em fileiras nas ruas, 
esperando a passagem de nossa tropa.
Era Pscoa! Tempo de celebrar!
Minha maior emoo naquele dia no foi marchar em um desfile 
nem acenar uma bandeira. Na igreja de St. George, olhei para a luz 
trmula nas lamparinas e disse: "Obrigado, Senhor, porque tu me 
permitiste carregar a Fogueira Santa."









CAPTULO 4

O TUMULTO

"Quantos dias faltam para partirmos?"  perguntei ansioso para 
minha me.
"No falta muito"  ela disse, sorrindo. "Logo veremos sua av."
Embora minha av Amai morasse a menos de duas horas de 
distncia, a fronteira bem fortificada que separava Israel das naes 
rabes era uma barreira que dividia nossa famlia. Quando os familiares 
de minha me optaram por fugir de Jaffa para a Jordnia durante o 
conflito em 1948, eles no perceberam o quanto ficariam 
permanentemente isolados de seus parentes.
Durante esses anos, a lei proibia estritamente as pessoas de 
cruzarem a fronteira de um lado e de outro - exceto por um perodo de 
trs dias no Natal todos os anos. O governo da Jordnia fez um acordo 
com Israel permitindo as famlias de visitarem seus parentes na 
Margem Ocidental, mas somente na poca do Natal.
"A senhora no imagina o quanto ficamos entusiasmados durante 
nossa viagem anual para sua casa em Ramallah", eu disse para a irm 
de minha me, Chafouah, recentemente.
"No, no foi s sua famlia que ficou emocionada", ela me disse. 
"Estes foram os momentos mais importantes do nosso ano  entre 
nossas lembranas mais queridas."
Uma vez que no tnhamos carro, meu pai chamou um txi para 
o trajeto ate a fronteira. Infelizmente, era at onde ele podia ir. Papai 
no fez toda a viagem conosco para Ramallah, na Margem Ocidental. 
"Sr. Hinn", seus superiores israelenses lhe disseram, "por causa de sua 
posio para com o governo, achamos que seria perigoso demais o 
senhor cruzar a fronteira."
Como meu pai tinha muitos conhecidos no posto da alfndega, 
eles nos atravessaram sem problema algum.
Vindo ao nosso encontro, do lado jordaniano, l estava, como de 
costume, meu tio Michael, em seu Ford Modelo T, bem conservado. Ele 
nos deu um abrao apertado e nos levou o restante da viagem. A casa 
de vov sempre estava cheia de parentes - incluindo o tio Boutros e sua 
famlia que havia chegado do Lbano.
Durante minha infncia, a poca de festas no tinha nada a ver 
com troca de presentes caros. Ela se concentrava na reunio da famlia. 
Minhas tias e tios davam-nos moedas tanto na Pscoa como no Natal e 
ns corramos para o armazm para comprar sorvete e balas.
Em Ramallah, havia muitas coisas deliciosas e especiais. Antes de 
meu av Salem morrer, ele tinha uma pequena lanchonete que vendia 
sanduches e doces. Ele deixava que nos servssemos  vontade nos 
potes de doces.


PARENTES ANIMADOS

Eu adorava os parentes de minha me porque eles me aceitavam, 
a despeito de meus problemas de dico. Outros riam de mim, mas no 
a famlia Salameh.
Na casa deles, eu ficava extrovertido.
"Quando voc vai dar o espetculo?", meus priminhos insistiam. 
Eles se referiam a uma apresentao, ou uma "produo", que eu 
organizava todo ano durante a nossa visita.
Naquela poca, havia um conhecido programa de humor na 
televiso na regio chamado Doctor, Doctor, Follow Me! (Doutor, Doutor, 
Siga-me!).
Fazamos a nossa prpria verso do programa - incluindo sries 
de dana e msica. Voc deveria ter nos visto - eu, Willie, Chris e 
nossos primos divertindo uma sala cheia de parentes animados e cheios 
de vida.
No Natal, um de meus tios se vestia de Papai Noel, distribuindo 
brinquedinhos e bugigangas, e a histria do nascimento de Cristo era 
lida.
Na maior parte dos anos, ficvamos em Ramallah por trs dias. E 
embora nossas visitas fossem breves, ainda tenho muitas boas 
lembranas que alento daqueles tempos.

No Lixo!
Era impossvel viver em Israel durante a dcada de 60 sem sentir 
a crescente tenso poltica. Quase todos os dias havia novas notcias de 
conflitos ao longo da fronteira desde o Egito at o Lbano.
Nossa casa, em comparao  da maioria das famlias em Jaffa, 
parecia uma pequena filial das Naes Unidas. Em nossa varanda e em 
nossa sala de estar, voc encontrava muulmanos, cristos e judeus - 
conversando horas a fio.
Certa tarde, quando eu tinha 12 anos, um general do exrcito de 
Israel, que era um bom amigo de meu pai, fez-nos uma rpida visita. 
Ele estacionou seu jipe em frente  casa.
Uma vez que a nossa casa ficava em uma colina, ele se certificou 
de que as rodas estavam voltadas para a guia. Toda vez que ele vinha  
nossa casa, meus irmos e eu saltvamos para dentro do seu jipe e 
fingamos estar no exrcito. Neste dia, eu estava atrs com o pequeno 
Henry, Willie estava na frente e Chris estava atrs da roda.
De algum modo, Chris trocou as marchas e endireitou as rodas, e 
o carro comeou a descer de r. Um vizinho viu o que estava 
acontecendo e correu a tempo para socorrer Henry. Willie e Chris 
saltaram desesperados do jipe, deixando-me para trs.
Bem no momento em que o jipe estava para cair, saltei no 
depsito de lixo do vizinho que ficava na parte mais baixa da colina. O 
carro do exrcito virou trs ou quatro vezes. Foi perda total.
Eu nem queria falar sobre o problema que teramos com meu pai!
O general do exrcito, no entanto, encarou o incidente com calma.

FORTE PRESSO
Agradeo a Deus por ter sido criado em um lar que no guardava 
dio nem ressentimento. Meu pai muitas vezes dizia: "No olhe para a 
situao por apenas um ngulo da mesa. Sempre a veja pelos quatro 
ngulos."
Certa noite, ele pediu que todos os meninos da famlia se reu-
nissem. "Senhores", ele comeou, "as tropas no Oriente Mdio sempre 
estaro em conflito. Ainda que haja paz, sempre haver poltica." Ele 
continuou: "Quando nasci, havia problemas. Sempre conviverei com 
problemas e, quando morrer, ainda haver problemas."
Durante os primeiros meses de 1967, a guerra era a principal 
discusso nas ruas de Jaffa. O Egito estava fazendo ameaas e o Iraque 
e a Arbia Saudita se comprometeram a ser solidrios para com as 
naes rabes que faziam fronteira com Israel. A pergunta acerca de 
todo o conflito no era mais se, mas quando.
Em nossa comunidade, eu podia sentir a forte presso que se 
fazia para que se tomasse partido, e a nossa famlia no tinha tais 
planos. As pessoas sabiam que ramos cristos gregos ortodoxos e, por 
isso, testavam nossa lealdade. Por mais de uma vez meu pai foi 
fisicamente ameaado por recusar-se a favorecer uma faco aps 
outra.
A toda hora eu via o dio aflorando e pensava: Por que no 
podemos partir - agora! Meus irmos e irms sentiam a mesma coisa. 
Qualquer lugar estaria bom - Blgica - Gr Bretanha - no importava. 
Queramos fugir daquela atmosfera venenosa.

QUEM EST VENCENDO?
Eu estava na escola na segunda-feira, 5 de junho de 1967, 
quando as sirenes comearam a tocar. Imediatamente, mandaram-nos 
para casa.
Ns nos amontoamos em volta do rdio, ouvindo as notcias que 
vinham do Cairo. Com uma msica militar ao fundo, o locutor declarou: 
"Nossas tropas esto fazendo o inimigo recuar em todas as frentes."
Olhamos uns para os outros e dissemos: "Eles devem estar perto. 
Vo aparecer a qualquer momento agora." Estvamos preparados para 
pular em nossos abrigos cuidadosamente cavados.
Naquela noite, os vizinhos vieram  nossa casa escura para ouvir 
as notcias que vinham do Egito. As notcias eram as mesmas. O 
exrcito egpcio estava atravessando o Sinai e Israel estava sofrendo 
terrveis derrotas no ar, em terra e no mar. "Onde esto os avies?", 
perguntamos enquanto olhvamos para os cus do sul.
A contar trs dias a partir daquele instante, se as notcias do 
Cairo estivessem precisas, o exrcito de Israel teria sido derrotado trs 
ou quatro vezes.
Os egpcios que violaram a ordem do governo e ouviram a BBC 
(British Broadcasting Corporation, ou Corporao Britnica de 
Transmisso) descobriram o que estava de fato acontecendo.
Nas primeiras horas do inesperado ataque areo de Israel na 
manh de segunda-feira, grande parte dos Mig-21 do Egito foi destruda 
enquanto eles ainda estavam em terra. Dezenove aerdromos egpcios 
foram atingidos no primeiro dia de guerra.
Ao final do segundo dia, Israel havia destrudo quatrocentas e 
dezesseis aeronaves egpcias e cem mil homens do exrcito do Egito 
estavam batendo em retirada. Em uma semana histrica, Israel tomou 
todo o Sinai, a Margem Ocidental e o Monte do Golan, expandindo 
consideravelmente suas fronteiras.
Ramallah, a ptria da famlia de minha me, era palco de uma 
intensa batalha. Quando as balas cessaram, a cidade no mais 
pertencia  Jordnia. Agora ela estava nas mos de Israel.
"O que aconteceu com minha famlia?", minha me apelou 
repetidas vezes. Ela estava desesperada para receber notcias.
Uma semana depois da guerra, lembro-me de ver meu pai vestido 
com a farda do exrcito de Israel. Seu comportamento parecia 
misterioso e ele tinha pouco a dizer - e, naquela noite, ele no voltou 
para casa.
No entanto, no dia seguinte, ele voltou com timas notcias. "Sua 
famlia est bem", ele anunciou orgulhosamente para minha me. Ele 
continuou a contar para ela que os oficiais israelenses haviam 
providenciado o uniforme c o levado pessoalmente a Ramallah na 
Margem Ocidental. Eu estava profundamente emocionado por ver que 
meu pai havia conquistado tal respeito e confiana do governo de Israel.
Embora sua visita tenha sido breve, foi uma grande fonte de 
consolo para minha me.

"ESTAMOS NOS MUDANDO"
Eu no percebi, mas meu pai queria sair de Israel antes que ns, 
como famlia, o fizssemos.
Cerca de um ano antes da Guerra dos Seis Dias, um de seus 
colegas judeus de trabalho disse: "Costandi, voc realmente precisa 
olhar para a sua famlia. Voc deve considerar seriamente a 
possibilidade de sair daqui".
Durante meses meu pai conversou reservadamente com seus 
amigos rabes sobre o processo envolvido na emigrao. Ele era ativo 
em centros comunitrios internacionais e tinha relaes com 
diplomatas que viviam em nossa regio. Dia aps dia, meu pai estava 
reunindo informaes valiosas que afetariam o futuro de sua famlia.
No incio de 1968, meu pai nos reuniu e anunciou que estava 
fazendo planos para deixarmos o pas. "Por favor, no comentem com 
ningum porque pode haver alguns problemas com os nossos vistos de 
sada".
Em um determinado momento, ele pensou em nos mudarmos 
para a Blgica porque tnhamos alguns parentes l. Eu achava a idia 
maravilhosa, pois j sabia o francs. Sem dvida, eu estava pronto para 
ir para qualquer lugar.
Alguns dias depois, no entanto, um diplomata da embaixada do 
Canad veio a nossa casa e mostrou-nos um filme rpido sobre a vida 
no Canad. Toronto parecia uma cidade emocionante. Dois irmos de 
meu pai mudaram-se para o Canad, mas duvidvamos que eles 
tinham condies financeiras para se tornarem oficialmente 
responsveis por ns.

Um ACORDO COM DEUS
Oh, como eu queria sair daquela confuso no Oriente Mdio. 
Certa tarde, sozinho, dobrei meus joelhos - naquela pedra dura -e fiz 
um voto com Deus. "Senhor", orei, "se tu nos tirares daqui, eu te trarei 
o maior jarro de azeite de oliva que encontrar." E acrescentei: "Quando 
chegarmos em Toronto, eu o levarei  igreja e o apresentarei a ti em 
agradecimento."
Na poca, fazer um acordo com Deus no parecia ser algo 
inapropriado. E o azeite de oliva era uma mercadoria valiosa na Igreja 
Ortodoxa Grega - usada nas lamparinas do santurio. Por isso, fiz o 
voto.
Cerca de uma semana depois, um homem da embaixada do 
Canad telefonou para meu pai e disse: "Sr. Hinn, deu tudo certo - no 
me pergunte como. Toda a sua papelada est em ordem e o senhor pode 
partir quando estiver pronto."
Quase que de imediato, vendemos nossos bens e fizemos os 
preparativos para uma nova vida na Amrica do Norte.
No ramos uma famlia rica. As despesas com a viagem de avio 
para um novo pas e com uma casa estavam alm de nossa capacidade. 
Vrios milagres fizeram da mudana para o Canad algo possvel. A 
Igreja Ortodoxa Grega colocou-nos em contato com agncias que 
ajudaram a custear a nossa viagem - fundos que restitumos depois que 
nos estabelecemos em Toronto. Depois, nossos vizinhos, a famlia 
Bahou, tinham contato com uma agncia de viagens que nos ajudou 
com as passagens. Alm disso, os oficiais israelenses com os quais meu 
pai trabalhava gratificaram o governo do Canad, atestando a 
confiabilidade de Costandi Hinn.
Meu pai estava no vigor da idade, em seus quarenta e poucos 
anos, com um futuro bom c estvel - contudo, colocou sua famlia em 
primeiro lugar. Sacrificou seu futuro e abriu mo de seus sonhos para 
que pudssemos ter os nossos.
Durante aqueles ltimos dias na Terra Santa, minha pele 
formigava de emoo. No sei como nem por que, mas eu sentia que um 
grande amanh estava a nossa espera.
Jonas deixou o porto de Jaffa e o resultado foi a salvao de 
Nnive. Pedro ouviu a voz de Deus em Jaffa e espalhou a mensagem  
Cesaria e aos confins da terra.
Eu no passava de um menino. Contudo, quando o enorme avio 
a jato deixou o aeroporto de Tel Aviv, senti um n na garganta. Me 
perguntei: Ser que verei aquelas maravilhosas freiras catlicas que me 
ensinaram com tanto amor? Ser que voltarei a ver o padre Gregorios?
Quando o avio fez a volta e ns sobrevoamos as guas azuis do 
Mediterrneo, olhei para trs e dei o ltimo adeus  nica ptria que 
conhecia.






CAPTULO 5

Do QUIOSQUE S CATACUMBAS

Quando a famlia Hinn passou pela alfndega em Toronto, no 
havia nenhum tapete vermelho nem banda de msica. ramos 
imigrantes que entravam tranqilamente em uma nova terra e que 
estavam diante de um futuro incerto. Chegamos com as roupas nas 
costas, alguns bens nas malas e pouco dinheiro do que havamos 
vendido em Jaffa - suficiente apenas para nos mantermos por pouco 
tempo.
Meu pai no tinha nenhuma promessa de emprego e ns 
morvamos em um pequeno apartamento alugado. Que choque foi vim 
parar, de repente, em uma cultura "estrangeira". Pensei que soubesse 
um pouco de ingls com os programas de televiso norte-americanos a 
que assistia quando criana, mas era assustador se ver totalmente 
cercado por esta nova lngua.
Meu pai, que falava melhor o ingls do que qualquer membro de 
nossa famlia, preencheu uma ficha de emprego e conseguiu um 
trabalho como vendedor de seguros.
Nunca saberei se foi pela presso de sustentar uma famlia 
grande ou se por sua autoconfiana em conhecer pessoas, mas meu pai 
logo se tornou um sucesso cm sua nova profisso. S alguns meses 
depois de chegar no Canad, ns nos mudamos para nossa casa 
prpria - cm Crossbow Crescent, na regio de North iork, em Toronto, 
no muito longe da nova Fairview Mall. Estvamos todos orgulhosos de 
nossa nova vizinhana.
Em vez das idas  praia nos sbados, agora havia os piqueniques 
na ladeira gramada de um parque prximo aos domingos. Sempre 
estvamos juntos de dois irmos de meu pai - Elias e Raouf- e suas 
famlias. Elias mudou-se para Toronto depois de passar pela Blgica, e 
Raouf (com sua esposa c treze filhos) veio para o Canad direto de Jaffa. 
Os homens fumavam e falavam sobre poltica, as mulheres fofocavam c 
ns amos atrs de nossos primos pelo parque.
Pelo menos uma vez por ms, havia uma festana em nossa casa 
onde todos relaxavam e danavam ao som conhecido da msica rabe.

"Voc EST CONTRATADO!"
Pela primeira vez em minha vida freqentei uma escola pblica - 
a Escola de Segundo Grau Georges Vanier. E, uma vez que a maioria 
dos alunos de minha idade trabalhava meio perodo, era isso o que eu 
queria fazer.
Na Fairview Mall, havia um pequeno quiosque que vendia 
cachorros-quentes e sorvete. Embora eu no tivesse experincia 
profissional, o chefe disse: "Voc est contratado!" Por isso, era ali que 
voc podia me encontrar todos os dias depois da escola.
Em meu primeiro dia de pagamento, levei o pequeno cheque para 
casa e, com orgulho, mostrei-o para minha me. "Veja. Este  para 
mim. Tem o meu nome nele!"
No sbado seguinte, entrei em uma quitanda e perguntei ao 
gerente: "Onde posso encontrar azeite de oliva? Preciso do maior jarro 
ou frasco que vocs tiverem." Ele encontrou o que eu estava 
procurando.
Na manh de domingo, entrei, orgulhoso, na igreja ortodoxa grega 
e cumpri o voto que havia feito para Deus em Jaffa. Coloquei o azeite 
em frente do altar e disse rapidamente: "Obrigado, Senhor. Obrigado 
porque tu nos trouxeste em segurana para o nosso novo lar."

BOB Pirou?
Por causa de meu defeito na fala, eu no era muito de conversar 
no quiosque - mas, naturalmente, aprendi a servir sorvete. Meu colega 
de trabalho se chamava Bob.
"O que  isto?", perguntei a ele quando cheguei um dia no 
trabalho, em 1970. A barraca parecia estranha. Em todas as paredes 
ele havia pregado pequenas tiras de papel com versculos bblicos. 
Pensei: Este sujeito pirou!
Antes, Bob havia me dito que era meio cristo - muito diferente de 
um ortodoxo grego. Por que todos estes versculos bblicos?, eu queria 
saber. Eles so para mim? Eu provavelmente conheo melhor a Bblia do 
que ele!
Fui vencido pela curiosidade c acabei por perguntar: "Por que os 
pedacinhos de papel?" Foi a abertura que ele estava esperando. Quase 
que no mesmo instante, Bob comeou a falar de Jesus para mim - e 
como ele havia morrido na cruz por meus pecados. Pensei que ele 
nunca mais pararia; e, quando ele finalmente parou, decidi ficar o mais 
longe possvel deste maluco.
No funcionou. A no ser que eu deixasse o emprego, teria de 
ficar naquela barraca de sorvete com ele todas as tardes.
Bob era inflexvel. Repetidas vezes ele mencionava o assunto de 
religio - e at mais - ele constantemente falava coisas do tipo "nascer 
de novo" - algo que no fazia parte da viso que eu tinha das Escrituras.
Dei um suspiro de alvio quando Bob, finalmente, saiu do 
emprego no quiosque. Muitos de seus amigos "ganhadores de almas", 
no entanto, freqentavam o meu colgio e, durante os dois anos 
seguintes, eu os evitava sempre que possvel. Eu pensava: Que bando 
de malucos!
A viso de religio que eles tinham parecia completamente oposta 
 que me havia sido ensinada pelas freiras catlicas e pelo sacerdote 
ortodoxo.
Deus, no entanto, encontrou uma forma de prender a minha 
ateno.

UM ABISMO SEM FIM
Durante meu ltimo ano no Georges Vanier, pela segunda vez em 
minha vida, tive um encontro com o Senhor. Foi na forma de um sonho 
inesquecvel.
Em Jaffa, quando eu tinha 11 anos, a viso de Jesus ao meu lado 
causou uma inapagvel impresso em mim. No entanto, agora, em 
Toronto, meu estilo de vida era diferente. Eu no estava envolvido no 
estudo das Escrituras. Sim, eu ainda freqentava a igreja, mas o que eu 
estava para experimentar veio como uma surpresa - totalmente 
inesperada.
Deixe-me relatar o que aconteceu em meu quarto naquela noite 
fria em fevereiro de 1972, quando eu tinha 19 anos.
A medida que o sonho se desenrolava, eu me via descendo uma 
longa escadaria escura. O caminho era ngreme - to ngreme que 
pensei que cairia. E ele estava me levando para um abismo profundo, 
sem fim.
Alm disso, eu estava acorrentado a um prisioneiro a minha 
frente e a outro atrs de mim. Estava usando roupas de um condenado. 
Havia correntes em meus tornozelos e em volta de meus pulsos. Ento, 
at onde eu podia ver  frente c atrs de mim, havia uma fila de cativos 
que no tinha fim.
O poo estava pouco iluminado, mas, em meio ao nevoeiro, vi 
inmeras pessoas baixas se movendo ao redor. Eu no conseguia ver os 
rostos delas, e seus corpos mal podiam ser vistos. Elas pareciam 
duendes com orelhas com um formato esquisito - e ns estvamos 
sendo puxados escada abaixo por elas. Era como se fssemos um 
rebanho sendo levado para o matadouro - ou talvez ainda pior.
Ento, em uma frao de segundo, o anjo do Senhor apareceu. 
Era algo glorioso de ser contemplado. E o ser celestial pairou pouco  
frente de mim, s a alguns passos de distncia.
Que viso! Um anjo lindo e resplandecente no meio daquele 
buraco escuro e medonho.
Quase que no mesmo instante, o anjo olhou nos meus olhos c fez 
um sinal com a mo para que eu me juntasse a ele. Meus olhos 
estavam cravados nos dele, e comecei a andar em sua direo. De 
repente, os grilhes caram de minhas mos e ps. Eu no estava mais 
acorrentado aos meus companheiros de priso.
O anjo logo me conduziu a uma porta aberta e a um local 
lindamente iluminado. E no momento em que passei pela porta, o ser 
celestial pegou-me pela mo e me deixou na Don Mills Road - prxima  
esquina da Escola Georges Vanier. Ele me deixou a alguns metros do 
muro da escola, bem ao lado de uma janela.
Dentro de um ou dois segundos, o anjo desapareceu.
Eu me perguntei: O que tudo isto significa?

PODE FAZER MAL?
Na manh seguinte, acordei cedo e fui correndo para a escola 
antes de as aulas comearem. Eu precisava estudar na biblioteca. 
Estava sentado a uma mesa grande, concentrando-me em meu 
trabalho, quando um pequeno grupo de alunos se aproximou. 
Imediatamente, eu soube que eram os mesmos meninos que vinham 
com aquele papo de Jesus para o meu lado.
"Voc gostaria de participar conosco de nossa reunio de orao 
matutina?", um deles perguntou. Eles apontaram para uma sala que 
ficava fora da biblioteca. Pensei: Bem, talvez eu consiga tir-los do meu 
p se concordar. Afinal, uma pequena reunio de orao no vai me fazer 
mal.
"Tudo bem", eu disse enquanto eles me acompanhavam at a 
sala. No era um grupo grande, s doze ou quinze estudantes. Minha 
cadeira, no entanto, estava bem no meio.
De repente, cada membro do grupo levantou as mos para o alto 
e comeou a orar em lnguas que eu nunca havia ouvido antes. Meus 
olhos ficaram do tamanho de um pires. Estes eram alunos que eu havia 
conhecido em minhas aulas - e agora eles estavam conversando com 
Deus com sons que eu no entendia.
At aquele momento de minha vida, eu nunca havia ouvido falar 
em falar em lnguas, e estava espantado. L estava eu, em uma escola 
pblica, cercado por um bando de fanticos, sem compreender aquilo. 
Tudo o que eu podia fazer era observar.
Ento, um ou dois minutos depois, algo incrvel aconteceu. L no 
meu ntimo brotou um sbito desejo de orar - lamentavelmente, eu no 
sabia o que dizer. Oh, toda noite eu rezava para Maria, Jos e todos os 
santos, mas a "Ave-Maria" no parecia apropriada para o que eu estava 
sentindo.
Em meus anos de ensino religioso, nunca haviam me ensinado a 
"orao do pecador."
Minha mente lembrou-se de Bob no quiosque, dizendo: "Voc tem 
de conhecer Jesus. Voc tem de conhec-lo!
Conhec-lo? Eu pensei que j o conhecesse.

"VOLTE"
Eu estava pouco  vontade. A minha volta estavam alunos 
perdidos na adorao - contudo, ningum estava orando comigo, nem 
mesmo por mim. Sem sombra de dvida, esta era a atmosfera espiritual 
mais forte com a qual eu havia me deparado.
A idia de que eu era um pecador nunca passou pela minha 
cabea. Eu era um catlico devoto que rezava todas as noites e 
confessava, precisasse ou no.
No meio daquela sala, fechei os olhos e falei trs palavras que 
mudaram a minha vida para sempre. Em voz alta, eu disse: "Senhor 
Jesus, volte."
Eu no fazia idia do porqu aquelas foram as nicas palavras 
que saram de minha boca. Mais uma vez, eu disse: "Senhor Jesus, 
volte."
O que isso significava? Ser que eu achava que Jesus havia se 
afastado de minha vida? Eu no tinha respostas. Contudo, no instante 
em que eu disse aquelas palavras, veio algo sobre mim que me levou a 
sentir novamente a dormncia que havia sentido quando tinha 11 anos 
de idade. No foi to intenso, mas senti a voltagem daquela mesma 
fora passando por meu corpo. Ento, eu disse para o Senhor: "Vem 
para o meu corao." E que momento glorioso foi aquele!
O poder de Deus estava me purificando de dentro para fora. Eu 
me senti completamente limpo e puro.
De repente, em um momento, vi Jesus. L estava ele. Jesus, o 
Filho de Deus.
Os alunos continuaram a orar - sem saber o que estava 
acontecendo em minha vida. Ento, um a um, eles comearam a sair da 
sala em direo s suas salas.
Olhei para o relgio. Faltavam cinco minutos para as 8 horas. Ali 
estava eu sentado, chorando - sem saber o que dizer ou fazer.
Naquela sala de aula, embora eu no entendesse plenamente o 
que estava acontecendo, Jesus tornou-se to real para mim quanto o 
cho debaixo de meus ps. Minha orao havia sido to simples, 
contudo, eu sabia que algo extraordinrio havia acontecido naquela 
manh de segunda-feira de fevereiro.
Atravessei correndo o corredor - quase atrasado para minha aula 
de Histria, um de meus assuntos favoritos. Naquele semestre, 
estvamos estudando a revoluo chinesa. Poderia ter sido qualquer 
revoluo, pois, naquela manh, no ouvi nenhuma palavra que a 
professora dizia. O que havia acontecido alguns minutos antes no saa 
de minha cabea. Quando eu fechava os olhos, l estava Jesus. Quando 
eu os abria, l ainda estava Jesus. Nada podia apagar a imagem do 
rosto do Senhor que continuei a ver naquele dia.
Tenho certeza de que alguns alunos queriam saber por que eu 
estava enxugando as lgrimas de meus olhos. Tudo o que eu podia dizer 
era: "Jesus, eu te amo!...Jesus, eu te amo!"
Quando sa da escola, fui pela calada at a esquina e olhei de re-
lance para a janela da biblioteca. No mesmo instante, tudo comeou a 
fazer sentido - o anjo, o sonho -, as fichas comearam a cair.
Eu me perguntei: O que Deus est tentando dizer para mim? O que 
est acontecendo em minha vida ?

ABRINDO O LIVRO
Em meu quarto havia uma grande Bblia de capa preta. No 
consigo me lembrar de onde ela veio; era minha fazia anos. Na verdade, 
era a nica Bblia em nossa casa.
Tenho certeza de que as pginas no haviam sido viradas desde a 
nossa chegada no Canad, mas eu agora era atrado a ela como um 
m. Sentei na beira de minha cama, abri o livro sagrado e orei: 
"Senhor, tu tens de mostrar-me o que aconteceu hoje."
Fui para o Novo Testamento - os Evangelhos - e comecei a 
absorver as Escrituras feito uma esponja. Eu no havia percebido at 
ento, mas o Esprito Santo estava se tornando meu professor.
Aqueles alunos na reunio de orao no vieram correndo at 
mim e disseram: "Agora, eis aqui o que a Bblia diz." Na verdade, eles 
no faziam idia do que havia acontecido durante as ltimas vinte e 
quatro horas.
Ento, havia meus pais. Temendo a reao deles, eu no disse 
uma palavra para minha me nem para meu pai.
Fazia poucos minutos que eu estava lendo a Bblia quando me vi 
dizendo em voz alta novamente: "Jesus, entrego tudo a ti. Por favor, 
Senhor Jesus, tira tudo de mim".
Em cada versculo, o plano de salvao estava se tornando uma 
realidade. Continuei a dizer para mim mesmo: "Nunca vi isso antes!" 
Ou: "Eu no sabia que isso estava na Bblia." As Escrituras adquiriram 
vida e comearam a habitar em mim.
A tarde passou e, ento, se fez noite. No parei de ler aquela 
Bblia preta antes das 3 ou 4 horas da manh. Por fim, peguei no sono - 
com uma paz e segurana em meu corao que eu nunca havia 
conhecido.
Eu mal podia esperar o incio das aulas na manh seguinte. No 
momento em que encontrei aqueles "fanticos", corri at eles e disse: 
"Ei, eu gostaria que vocs me levassem  sua igreja."
"Claro", eles disseram com um sorriso no rosto. "Nossa 
comunidade se rene todas as quintas-feiras  noite e sabemos que 
voc ir adorar."

UM REBANHO INCOMUM
Eles o chamavam de "as Catacumbas" - contudo,  claro que no 
era um lugar escondido, nem subterrneo. Eu estava totalmente 
despreparado para o que haveria de experimentar com os amigos que 
havia acabado de conhecer.
Esta era uma igreja diferente de qualquer uma que eu j havia 
freqentado. Quando entramos no santurio da Catedral de So Paulo - 
uma igreja anglicana no centro de Toronto -, havia mais de dois mil 
jovens cheios de vida com as mos levantadas para o alto - louvando a 
Deus, cantando e danando na presena do Senhor.
Estes eram os dias do "Povo de Jesus" - e o salo estava cheio de 
"hippies" nascidos de novo, que ainda no haviam cortado seus cabelos. 
Eles pulavam para cima e para baixo - fazendo um barulho alegre para 
o Senhor. Era difcil para mim acreditar que um lugar como este 
realmente existia. Contudo, de algum modo, desde a primeira noite, eu 
me senti em casa. E, depois do que havia acontecido dois dias antes, 
tambm levantei minhas mos e comecei a adorar a Deus.
Os pastores deste rebanho bastante incomum eram Merv e Merla 
Watson. Merv era um talentoso diretor de banda no colgio que havia 
tido uma experincia que transformou a sua vida por meio do Esprito 
Santo. Merla era uma talentosa compositora e lder de louvor. Alguns 
dos alunos de Merv perguntaram se ele os ajudaria a iniciar um clube 
para cristos no campus. Eles decidiram cham-lo de o "Clube das 
Catacumbas", porque acreditavam que os dias lembravam os tempos do 
imprio romano.
"Comeamos apenas com seis crianas em uma escola com 
dezesseis mil", Merv contou para mim mais tarde. "Ento, chegamos a 
mil, trs mil, cinco mil, e mais." Watson tornou-se presidente do 
Christian Performing Arts (Artes Dramticas e Musicais Crists) do 
Canad, que produziu grandes festivais musicais. As Catacumbas 
continuavam a crescer - por fim, mudando-se para a Catedral de So 
Paulo para comportar as multides.
O culto naquela noite durou mais de trs horas, contudo era 
como se tivessem passado trinta minutos.
No final, Merv Watson anunciou: "Quero que todos vocs que 
gostariam de fazer uma confisso pblica de seus pecados venham  
frente. Vamos orar enquanto vocs pedem que Cristo venha para o seu 
corao."
Eu no entendia muito sobre o poder de Deus, mas, por dentro, 
estava latejando. Ento, pensei: No acho que tenho de ir at l porque 
j sou salvo. Eu estava convencido de que o Senhor havia assumido o 
controle de minha vida faltando cinco minutos para as 8 horas na 
manh de segunda-feira. Agora era quinta-feira.
Mas, de algum modo, no pude me conter. Comecei a atravessar 
o corredor o mais rpido possvel. Uma voz dentro de mim falava: V at 
l.
Ali, em um culto carismtico em uma igreja anglicana, um 
catlico professo de uma famlia ortodoxa grega fez uma confisso 
pblica em que aceitava Cristo. "Jesus", eu disse, "estou te pedindo 
para ser o Senhor de minha vida."
Nada na Terra Santa poderia se comparar a isso. Jesus no era 
um cone, nem uma imagem em uma catedral. Ele estava vivo c vivendo 
em mim - em Toronto!
Voltei para casa sorrindo o tempo todo. A presena do Senhor 
estava literalmente sobre o meu ser. Eu sabia que teria de contar para 
minha me o que havia acontecido com o seu filho de 19 anos - eu no 
tinha coragem para contar para meu pai.
"Mame, tenho boas notcias para voc", cochichei. "Fui salvo."
Em uma frao de segundo, seu queixo caiu. Ela me fitou e exigiu 
uma explicao: "Salvo de qu?"
"Confie em mim", respondi calmamente. "Voc entender."




























CAPTULO 6

Isso TER FIM?


Era impensvel!
Desde o momento em que acordei na manh de sexta-feira e 
durante todo o dia, uma imagem continuou a passar diante de mim. A 
todos os lugares que ia -  escola, ao quiosque e naquela noite em casa 
- eu me via pregando.
Eu no estava em p atrs de um plpito em uma igreja da 
vizinhana. Em vez disso, havia grandes multides reunidas, e eu 
estava diante delas, usando um terno. Meu cabelo estava cortado e bem 
cuidado, e eu estava andando de um lado para o outro do plpito - 
proclamando com ousadia a Palavra de Deus. Era uma cena com a qual 
eu no podia me abalar.
Naquela tarde, vi Bob, o rapaz que trabalhava comigo na Fairview 
Mall - que, uma vez, havia enchido as paredes do quiosque de 
versculos bblicos. "Voc no vai acreditar no que aconteceu comigo 
nesta semana", e logo lhe dei os detalhes de como eu havia tido um 
encontro com Jesus.
Ento, compartilhei o fato de que eu me via pregando. "Bob, tem 
sido assim o dia todo. No consigo apagar a cena em que estou 
pregando em grandes reunies ao ar livre, em estdios, em igrejas, em 
salas de concertos." Continuei: "H pessoas at onde os olhos 
conseguem ver. O que voc acha que isso significa?"
Tenho certeza de que Bob deve ter se perguntado como  que eu 
seria capaz de me colocar diante de um pblico e falar. Suas palavras, 
no entanto, foram totalmente encorajadoras. "S pode haver uma 
explicao", ele me disse. "Deus est preparando voc para um grande 
ministrio. Para mim,  maravilhoso."

UM ESTRANHO
Em casa, a situao logo piorou, passando de algo pavoroso para 
um desastre. Desde o momento de minha converso, toda a minha 
famlia comeou a me hostilizar e ridicularizar. Era horrvel.
Eu sabia que meu pai estava preocupado, mas a reao de minha 
me me surpreendeu. Ela sempre havia demonstrado tanto amor c 
afeio para comigo. Como sua atitude pde mudar to rpido - e to 
drasticamente? Da noite para o dia, parecia que eu estava sendo 
tratado como um estranho - algum que havia trado a famlia.
Meu maior crime no foi encontrar Cristo, foi quebrar a tradio. 
Duvido que o Ocidente alguma vez entender o que os povos do Oriente 
Mdio pensam sobre este assunto. Ele  tratado como um pecado 
imperdovel que traz. humilhao para a famlia.
"Voc no percebe que est desonrando a nossa reputao?", meu 
pai repreendeu. "Benny, voc est arruinando o nome de nossa famlia."
Por que eles se sentiam to trados pelo fato de eu ter "nascido de 
novo"? Como ortodoxos gregos, eles acreditam que so os verdadeiros 
cristos - e eles tm documentos histricos que lhes do apoio moral, 
com uma igreja que data desde a poca de Cristo.
Sempre terei um profundo respeito por aqueles que participam da 
Igreja Ortodoxa Grega, e por outras ordens orientais do "alto clero". O 
respeito que eles do s coisas sagradas  perfeito. O problema, no 
entanto,  aquele com o qual fui criado. A f  rica em dogmas, formas e 
rituais, mas pobre em se tratando da presena de Deus ou da uno do 
Esprito Santo. Tudo o que eu havia visto me diz que eles esto 
mergulhados na tradio, mas no parecem entender a plenitude do 
Esprito.
O que eu havia descoberto agora era um Cristianismo pessoal - 
um Jesus que estava vivo em meu corao. Naquela manh de 
segunda-feira, faltando cinco minutos para as 8 horas, minha vida foi 
transformada. Era algo que minha famlia simplesmente no podia 
compreender.
Da tempestade que se formou, eu sabia que tinha duas escolhas: 
reprimir minhas conversas sobre Cristo ou ser expulso de casa. Nada, 
no entanto, poderia apagar a chama que agora estava queimando em 
meu corao.
Quando, reservadamente, falei de minha experincia com Jesus 
para Chris, Willie e Henry, eles foram correndo at meu pai e disseram: 
"Pai, este pas est deixando Benny louco!". Ento, quando acrescentei 
que estava sendo chamado para pregar o Evangelho, aquilo foi ainda 
pior. "Primeiro, voc no fala ingls", eles me repreenderam. "E segundo 
- voc no fala!" Eles riram escandalosamente e me insultaram: "Benny, 
um pregador Voc nunca ser um pregador.
Meu irmo caula, Michael, no entendia toda a confuso, pois s 
tinha 3 anos na poca. Ele nasceu um ano depois de deixarmos Israel - 
o nico canadense legtimo na famlia.

"Voc FAR O QUE EU DIGO!"
Que grande mudana aconteceu em minha vida. Logo cedo, 
minha grande Bblia j estava aberta e eu estava bebendo da Palavra. 
Meu maior interesse naquele ltimo semestre do colgio no era mais 
Histria, Teatro ou Francs. Eu s queria participar daquelas reunies 
de orao e passar tempo com meu crescente crculo de amigos 
nascidos de novo. E eu no tinha timidez para compartilhar meu 
testemunho no quiosque na Fairview Mall.
A noite, eu dava qualquer desculpa para sair de casa, para que 
pudesse ir correndo me encontrar com os jovens ou ir para uma reunio 
de orao. Toda quinta-feira  noite, quando possvel, eu voltava s 
Catacumbas.
O nervosismo que eu sentia na presena de meu pai era quase 
indescritvel. Quando descobriu a freqncia com que eu estava indo 
aos cultos na igreja, ele gritou: "Por que voc quer fazer isso? Por qu?" 
Meu pai, na verdade, acreditava que eu estava ficando louco.
Papai procurou um de seus amigos e combinou com o homem 
que me contratasse para trabalhar na fbrica dele. Em sua opinio, eu 
no tinha escolha sobre o assunto. "Benny", meu pai disse para mim 
com firmeza, "voc  meu filho, vive em minha casa e far o que eu 
digo."
Na verdade, a idia era: "Vamos faz-lo trabalhar horas a fio que 
ele no ter tempo para ir  igreja."
Meu pai levou-me  fbrica e esperou enquanto entrei para fazer 
a entrevista. No entanto, eu soube, em um instante, que isto no era 
para mim. O chefe era um dos homens mais turres e desprezveis que 
j conheci. Pensei: Sem chance de trabalhar para este homem.
" Bem, quando voc comea?", meu pai quis saber quando voltei 
para o carro.
"Pai", respondi, "eu nunca poderia ter aquele homem como chefe. 
No vou trabalhar l. Vou continuar a trabalhar no quiosque."
Para ser sincero, senti pena de meu pai naquele dia. Ele se irritou 
comigo. "Filho", ele disse, "o que voc quer que eu faa para voc? Diga 
para mim. Farei qualquer coisa que voc me pedir se voc simplesmente 
deixar este seu Jesus."
Eu me virei para meu pai e respondi: "O senhor pode fazer 
qualquer coisa que quiser, mas eu preferiria morrer a abrir mo do que 
encontrei."
Quase que de imediato, o clima ficou feio. Houve outro ataque de 
escrnios e desprezo.

ELE ESTAVA CHOCADO!
 medida que os meses se passavam, a comunicao com meu 
pai era cada vez menor. A mesa do jantar, eu era totalmente ignorado. 
Ele agia como se eu no estivesse presente.
Aos poucos, a atitude de minha me amoleceu. Ela fazia o 
possvel para promover a paz, mas eu sabia que o assunto da religio 
era um tabu. Mame ganhava alguns dlares extras fazendo reformas 
em roupas e muitas vezes me dava dinheiro para as despesas.
Ir a uma reunio de orao, ou a um culto de jovens, passou a ser 
um problema cada vez maior. Uma das nicas vezes em que meu pai 
falou comigo foi para dizer: "No mesmo", quando pedi permisso para 
ir  igreja. Em nossa cultura, desobedecer aos pais era algo impensvel.
Como um filho que ainda vivia sob o teto dos pais, eu fazia tudo 
que estava ao meu alcance para ser obediente. Era por causa do 
respeito que eu perguntava: "Posso ir  reunio hoje  noite?"
"No", ele resmungava. E eu subia para o meu quarto para orar: 
"Por favor, Senhor, faa com que ele mude de idia." Ento, eu voltava e 
perguntava novamente.
Uma vez, ele me advertiu: "Voc pode ir quela sua igreja, mas, se 
mencionar o nome de Jesus mais uma vez, voc desejar no o ter 
dito!". Ele ameaou me colocar para fora de casa.
Vrias semanas depois, em casa, em um dia em que eu estava me 
deleitando no que o Senhor estava fazendo em minha vida, eu disse sem 
pensar: "Oh, obrigado, Jesus."
Meu pai veio at mim e me deu um tapa no rosto. "Voc se lembra 
do que eu lhe disse?", ele murmurou.
A dor que senti no foi por causa do tapa. Eu estava sofrendo 
pela famlia que eu tanto amava - uma famlia pela qual eu orava para 
que, um dia, conhecesse e amasse Jesus como eu.
Com o passar do tempo, sabendo que eu no desistiria, meu pai 
amoleceu um pouco.

PROCURAR UM PSIQUIATRA?
Espiritualmente, eu estava me deleitando  mesa de um 
banquete.
As Catacumbas sempre traziam pregadores notveis e convidados 
especiais - que s vezes no chegavam ao plpito por causa do esprito 
de louvor e adorao que descia como uma nuvem poderosa. Havia 
noites em que a banda comeava a tocar no Esprito - violoncelo, violas, 
trompetes, bateria e um rgo com cinco fileiras de tubos - alguns dos 
sons mais lindos que j ouvi.
Voc nunca sabia o que esperar naqueles cultos. Uma noite, um 
grupo da "Igreja de Sat" apareceu para criar confuso e, no entanto, 
trs de seus integrantes foram chorando em direo ao altar em busca 
de salvao!
Garotos abandonavam o vcio das drogas. Milhares de vidas eram 
transformadas.
Aos domingos, comecei a freqentar uma igreja pastoreada por 
Maxwell Whyte, um notvel professor da Palavra de Deus que se tornou 
meu mentor espiritual. O pastor Whyte foi o ministro que me batizou 
nas guas.
Em casa, meus irmos continuavam a rir de mim. Zombavam dos 
cristos carismticos c riam da idia de eu me tornar, algum dia, um 
pregador. Quanto mais isso persistia, mais eu orava: "Senhor, isso ter 
fim? Eles viro a te conhecer?"
De algum modo, meu pai descobriu que eu estava falando do 
Senhor para minha irmzinha, Mary. Explodindo de raiva, gritou: 
"Nunca mais fale destas coisas para ela!"
O nico membro da famlia com quem eu podia conversar era o 
pequeno Michael.
Para meus pais, a situao era desesperadora. A me de meu pai 
veio de Jaffa para visitar-nos e tentou convencer-me a renunciar  f 
que eu havia acabado de descobrir. "Bennv, voc  uma vergonha para o 
nome da famlia", ela disse. "Voc no entende a vergonha que est 
causando?"
Desesperado, meu pai at marcou uma consulta para mim com o 
psiquiatra. E qual foi a concluso do mdico?
"Talvez seu filho esteja passando por uma fase difcil. Ele sair 
dessa."
Olhando para trs, o muro que me separava de meus pais devia 
estar no plano de Deus. Esse muro me fez passar centenas de horas em 
meu quarto - sozinho com Deus. Eu orava, adorava a Deus e estudava a 
Palavra. Havia um firme alicerce sendo estabelecido em minha vida - 
um alicerce do qual eu certamente precisaria nos dias que estavam por 
vir.
No final de 1973, Merv e Merla Watson chamaram-me de lado e 
disseram: "Benny, temos observado a sua vida e cremos que Deus quer 
us-lo. Gostaramos que voc se tornasse membro de nossa equipe de 
louvor e adorao nas Catacumbas."
Lgrimas brotaram de meus olhos quando eu disse: " claro!" 
Mesmo no tendo habilidade para falar em pblico, eu sabia que Deus 
havia me chamado para o ministrio - e este foi o comeo.
Na prxima quinta-feira  noite, eu estava no plpito da Catedral 
de So Paulo. Minhas mos estavam levantadas para o alto enquanto 
nossa equipe ajudava a conduzir aquele grande pblico ao Senhor por 
meio de louvores. E eu me lembro da noite em que senti o Esprito 
levar-me a falar um salmo, deixando que o Senhor me desse as palavras 
no Esprito. Mesmo com minha deficincia no falar e no tendo domnio 
da lngua, eu sabia que Deus estava me usando.

" Claro QUE IREI"
"Oh, foi to bom ver voc no plpito na semana passada", disse 
Jim Poynter, um ministro da igreja Metodista Livre que parou para 
comprar sorvete na Fairview Mall. Eu havia conhecido Jim h vrios 
meses.
Enquanto conversvamos sobre as coisas do Senhor, Jim 
comeou a falar para mim de uma viagem em um nibus fretado que ele 
estava ajudando a organizar em que as pessoas participariam de uma 
das reunies de Kathryn Kuhlman, em Pittsburgh.
Provavelmente no mostrei muito entusiasmo naquele dia porque 
eu a havia visto de relance na televiso e no me identifiquei de fato 
com ela. Eu achava que ela falava muito engraado e at parecia um 
pouco estranha. Mas, uma vez que Jim era meu amigo, eu disse: 
"Parece que a viagem ser boa. E claro que irei com voc."
Na quinta-feira, faltando quase uma semana para o Natal de 
1973, um nibus lotado saiu de Toronto no meio da manh. "Jim, voc 
no faz idia da confuso que foi com meu pai para eu fazer esta 
viagem." Depois de muito protesto, ele, relutante, deu sua permisso. 
Fora um acampamento de Escoteiros cm Israel, eu no me lembrava, 
at este momento, de passar uma noite longe de minha famlia em toda 
a minha vida.
Jim Poynter, um homem de esprito manso, foi um dos melhores 
cristos que j conheci. Ao longo dos anos, ele e a esposa, Marian, 
tiraram mais de sessenta pessoas das ruas e as ajudaram a mudar de 
vida. Muitas continuam a ser ministros, lderes empresariais cristos e 
at reitores de universidade. Sentado ao meu lado no nibus fretado 
rumo a Pittsburgh estava Alex Parachin, um ex-viciado em drogas a 
quem os Poynters estenderam a mo para ajudar. Ele, mais tarde, 
tornou-se presidente de uma estao de rdio crist no Canad.
A viagem para Pittsburgh deveria ter levado sete horas, mas 
tivemos de diminuir a velocidade por causa de uma sbita tempestade 
de neve. No chegamos ao nosso hotel antes da 1 hora da manh.
"Benny, temos de levantar s 5 horas", Jim disse para mim.
"s 5 horas?", exclamei. "Por que to cedo?"
"Se no estivermos do lado de fora das portas do prdio por volta 
das 6 horas, no conseguiremos lugar para sentar," disse Jim.
Na manh seguinte, tive uma grande surpresa.




CAPTULO 7

''ELE  TUDO O QUE TENHO!


Era difcil imaginar a cena. Antes de amanhecer, no meio da 
escurido nas ruas do centro de Pittsburgh, centenas de pessoas 
estavam em p naquele frio glido e cortante. Elas enchiam a calada e 
os degraus que levavam  Primeira Igreja Presbiteriana -e as portas 
ainda levariam duas horas para se abrir!
Quando Jim Poynter acordou-me uma hora antes, vesti cada pea 
de roupa quente que pude encontrar - incluindo botas para neve, um 
suter de l, um casaco grosso e luvas de couro.
Uma vez que meu tamanho era menor que o de Jim, comecei a 
me aproximar das portas - certificando-me de que ele estava bem atrs 
de mim. Quando os primeiros raios de sol comearam a iluminar a 
cena, devo ter dado a impresso de que estava surpreso em ver pessoas 
dormindo nos degraus. Uma mulher que estava em p ao meu lado 
comentou: "Elas ficaram aqui a noite toda.  assim todas as vezes!"
De repente, quando me levantei ali, tive uma sensao muito 
incomum. Meu corpo comeou a vibrar - como se uma pessoa tivesse 
me colocado nos ombros e comeado a me sacudir. Por um segundo 
pensei que o frio cortante estava me pregando uma pea. Contudo, eu 
estava com muitas roupas quentes e no sentia frio de um modo 
anormal.
O tremor que vinha sobre mim era incontrolvel e no parava. 
Era um tremor que eu nunca havia sentido. Eu no queria contar para 
Jim, mas meus ossos estavam tremendo. Eu podia senti-lo em minhas 
pernas, na cabea e por todo o meu corpo. Eu me perguntei: O que, 
afinal, est acontecendo?  possvel que isto seja o poder de Deus?
Enquanto o tremor continuava, as portas do santurio estavam 
para se abrir e a crescente multido de pessoas estava agitada. A minha 
preocupao era de que aquelas pessoas que agora estavam me 
apertando tambm pudessem sentir o tremor.
Jim deu-me um conselho no ltimo minuto: "Benny", ele disse, 
"quando as portas se abrirem, corra o mais rpido que puder."
Perguntei: "Porqu?"
Eleja havia estado nestas reunies antes e me avisou: "Se voc 
no correr, as pessoas passaro por cima de voc."
Prestei ateno em seu conselho e, quando as portas da Primeira 
Igreja Presbiteriana se abriram, passei correndo por todas as pessoas 
que estavam  vista - porteiros, idosos, jovens - e logo cheguei  frente 
do santurio.
Quando tentei me sentar, no entanto, um porteiro anunciou: "O 
senhor no pode se sentar a. Esta fileira est reservada." Mais tarde, 
descobri que a equipe da senhorita Kuhlman havia selecionado com 
cuidado as pessoas que se sentariam na primeira fila. Ela era 
extremamente sensvel ao Esprito e s queria  sua frente intercessores 
de seu ministrio que lhe apoiassem.
Infelizmente, a segunda fileira j estava cheia; apesar disso, Jim e 
eu conseguimos um bom lugar na terceira fileira.


AINDA TREMENDO
O culto demoraria ainda uma hora para comear, por isso, tirei 
meu casaco grosso, as botas e as luvas, e relaxei. Percebi que o tremor 
que havia comeado l fora persistia ali dentro - ainda mais visvel do 
que antes. Agora eu podia sentir as fortes pulsaes e vibraes 
subindo e descendo por meus braos e pernas. Era como se elas 
estivessem ligadas a algum tipo de mquina. Era uma experincia to 
incomum para mim que fiquei assustado.
O organista comeou a tocar, mas prestei pouca ateno. Todos 
os meus pensamentos estavam voltados para este tremor que estava me 
afetando da cabea aos dedos dos ps. No, eu no me sentia doente, 
ou como se estivesse sendo acometido por um vrus. Era exatamente o 
contrrio - e quanto mais persistia, maior era a sensao de beleza e de 
paz. Todo temor e ansiedade se foram de mim.
Olhei para cima e, sem ser anunciada, Kathryn Kuhlman 
apareceu. Quase que no mesmo instante, a atmosfera daquela sala 
ficou eltrica.
Para ser sincero, eu no fazia idia do que esperar. No ouvia 
vozes nem anjos celestiais cantando - a nica coisa que eu sabia era 
que meu corpo estava tremendo havia trs horas.

UMA BRISA SUAVE
A senhorita Kuhlman conduziu o pblico no hino "Grandioso Es 
Tu." Espontaneamente, fiquei em p, levantei as mos at onde 
consegui e comecei a cantar com toda a minha fora:
Ento minha alma canta a ti, Senhor: Grandioso s tu! Grandioso 
s tu!
Meu rosto ficou molhado - nunca lgrimas brotaram to rpido de 
meus olhos. Senti que havia subido  presena de Deus.
Eu no estava cantando como normalmente cantava na igreja; eu 
cantava com todo o meu ser. E, quando chegamos s palavras: "Ento 
minha alma canta", elas literalmente ecoavam de minha alma.
Eu me entreguei tanto ao louvor que mal percebi que meu tremor 
havia desaparecido - ele havia cessado por completo.
Nos minutos seguintes daquela reunio, pensei que havia deixado 
este planeta - arrebatado para os trios do cu. A adorao ia muito 
alm de qualquer coisa que eu havia experimentado em Toronto. S 
posso descrev-la como estar frente a frente com a pura verdade 
espiritual. Eu no fazia idia do que os outros estavam sentindo; 
apenas sabia que estava tendo um encontro com o prprio Deus.
Enquanto a maravilhosa adorao continuava, senti uma brisa 
suave comear a soprar. E, de mos ainda levantadas, adorando ao 
Senhor, abri rapidamente os olhos para ver de onde estava vindo esta 
corrente de vento. Era uma brisa leve - muito suave, muito branda.
Levantei a cabea e olhei para as janelas de vidro colorido. No 
estavam abertas e, alm disso, eram altas demais para que entrasse tal 
corrente de ar.
O que era esta brisa incomum? Em muitos sentidos, era como 
uma corrente de ar - descendo por um de meus braos e subindo pelo 
outro.
Eu me perguntei: O que est acontecendo? Ser que tenho 
coragem para dizer a algum o que sinto? As pessoas nunca entenderiam 
isto.
As ondas daquele vento continuaram a me limpar, ao que parecia, 
por dez minutos. Em seguida, senti como se meu corpo estivesse sendo 
enrolado em um cobertor quente e limpo.

"TEM MISERICRDIA"
No plpito, a senhorita Kuhlman comeou a ministrar para as 
pessoas, embora eu mal percebesse. Eu estava totalmente perdido no 
Esprito - sentindo o Senhor mais perto de mim do que nunca em toda a 
minha vida.
Naquele momento, senti um forte desejo de conversar com o 
Senhor, mas tudo o que podia dizer, calmamente, era:
"Querido Jesus, por favor, tem misericrdia de mim." Tornei a 
falar aquelas palavras mais uma vez: "Jesus, por favor, tem 
misericrdia de mim."
Eu me sentia to indigno daquele derramar do amor de Deus que 
estava recebendo. Senti-me como Isaas quando entrou na presena do 
Senhor. Ele clamou: "Ai de mim, que vou perecendo porque eu sou um 
homem de lbios impuros, e habito no meio dum povo de impuros 
lbios, e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exrcitos!" (Is 6.5).
A mesma coisa acontecia quando as pessoas conheciam Jesus. 
Elas viam a sua prpria imundcie - e a sua desesperadora necessidade 
de serem purificadas. Naquele belo santurio, com uma famosa 
evangelista falando do plpito, era exatamente isso o que estava 
acontecendo com Benny Hinn. Os holofotes do cu iluminaram o meu 
corao. Eu podia ver com clareza minhas falhas, minhas imperfeies, 
minhas fraquezas e meus pecados.
Repetidas vezes, supliquei: "Querido Jesus, por favor, tem 
misericrdia de mim."
De repente, ouvi a voz inconfundvel do Senhor. Com delicadeza, 
Ele disse para mim: "A minha misericrdia abunda em voc."
Desde o dia em que me tornei cristo, tenho orado ao Senhor. E 
agora Ele estava conversando comigo! Eu queria que esta comunho 
durasse para sempre.
 medida que o culto avanava, continuei a clamar em silncio, 
sem vergonha ou acanhamento. O que a vida tinha a oferecer jamais 
poderia se comparar a isso. Eu estava sendo transformado pelo Esprito 
e nada mais importava.  isso o que a Palavra descreve como "a paz... 
que excede todo o entendimento" (Fp 4.7).
Em meio a esta maravilhosa adorao, as palavras do Senhor 
continuaram a soar em meus ouvidos: "A minha misericrdia abunda 
em voc."

PORQUE ELA EST CHORANDO?
Jim Poynter e outros j haviam me falado dos incrveis milagres 
que aconteciam nos cultos da senhorita Kuhlman, mas eu no estava 
preparado para o que estava para testemunhar. Durante as trs horas 
seguintes, as pessoas corriam para frente do auditrio, ansiosas por 
darem testemunho das curas que estavam acontecendo - naquela 
mesma reunio.
Vi uma mulher levantar-se de sua cadeira de rodas. Pessoas que 
eram surdas, de repente, podiam ouvir. Outras eram curadas de artrite, 
dores de cabea, tumores e outras enfermidades.
Oh, que culto era aquele! Eu nunca havia ficado to comovido e 
sido to tocado pelo poder de Deus.
Enquanto a reunio continuava e eu estava orando em silncio, 
percebi que tudo havia acalmado. Imediatamente, pensei: Por favor, 
Senhor, no deixe esta reunio acabar.
Quando ergui os olhos, a cabea da senhorita Kuhlman estava 
entre as suas mos - e ela comeou a soluar. A medida que seus 
soluos ficavam cada vez mais altos, cada pessoa na sala parava de se 
mover. Os porteiros no moviam um msculo. Todos os olhares 
estavam voltados para ela.
Eu me perguntei: Por que ela est chorando} Eu nunca havia visto 
um ministro com aquele tipo de reao - e depois me disseram que 
Kathryn nunca havia feito algo assim antes.
Seus soluos continuaram por um tempo que deve ter sido de 
dois minutos. Ento, em um piscar de olhos, ela lanou o rosto para 
trs e seus olhos brilharam - ela estava alguns metros a minha frente.
Seu comportamento mudou no mesmo instante e ela teve uma 
certeza - uma santa ousadia.
Com grande emoo e poder, ela apontou o dedo para o pblico. 
Ao mesmo tempo, era possvel ver as linhas de dor que marcavam seu 
semblante.
Tomada por uma angstia que era visvel, e ainda soluando, ela 
examinou a enorme multido e disse: "Por favor" - esticando as palavras 
- "Por favoor, no entristea o Esprito Santo."
Ela estava literalmente implorando. "Por favor", suplicou, "no 
entristea o Esprito Santo."
Seus olhos pareciam olhar diretamente para mim.
Enquanto ela falava aquelas palavras, eu estava imvel, quase 
com medo de respirar. Eu estava com as duas mos no banco da frente, 
perguntando para mim mesmo: O que acontecer em seguida?
Ento, a senhorita Kuhlman disse: "Voc no entende? Ele  tudo 
o que tenho!"
No entendi muito bem o que ela queria dizer com aquilo, mas ela 
continuou a suplicar. "Por favor! No o magoe. Ele  tudo o que tenho. 
No magoe aquele a quem amo!"
Ainda que eu chegue aos 120 anos, nunca me esquecerei 
daquelas palavras - e de como suas splicas eram profundas.


"MEU AMIGO MAIS PRXIMO"
Desde que me tornei um cristo nascido de novo, ouvi muitos 
evangelistas, ministros e professores falarem sobre o Esprito Santo - 
mas no desta forma. Seus ensinos tinham a ver com os dons do 
Esprito, lnguas ou profecia - e nunca diziam: "Ele  meu amigo mais 
prximo, mais pessoal, mas ntimo, mais amado."
O que Kathryn Kuhlman estava dizendo? Ela falava de uma 
pessoa que era real, que estava viva. Em seguida, com muita nfase, ela 
apontou seu dedo comprido para a multido e disse com grande 
confiana: "Ele  mais real para mim do que vocs - mais real do que 
qualquer coisa neste mundo!"
Naquele momento - quando ela falou aquelas palavras - algo 
penetrou o meu ser l no ntimo. Mais uma vez, chorei e disse: Senhor, 
por favor, deixa-me conhecer-te desta maneira."
Uma vez que esta era minha primeira experincia em uma 
reunio assim, pensei que todos os presentes sentiriam o que eu sentia. 
Agora sei que Deus trata com cada um de ns de um modo individual - 
e estou convencido de que grande parte do que aconteceu naquele culto 
foi preparado por Deus para mim.
Se entendi plenamente tudo o que aconteceu naquele culto? 
Impossvel. Contudo, no tive dvida de que o poder e a realidade de 
Deus haviam transformado a minha vida.
Quase no final do culto, ergui os olhos e vi o que parecia ser uma 
nvoa ao redor e sobre a cabea da evangelista. Pensei por um instante 
que s eu estava vendo aquilo porque havia chorado muito - ou que se 
tratava de uma iluso. Olhei novamente e era real. Atravs da nvoa, 
seu rosto estava brilhando como uma luz.
Relembrando aquele dia incrvel, no vejo que o Senhor estava 
tentando dar qualquer glria  senhorita Kuhlman. Estou convencido, 
no entanto, de que Ele usou aquela reunio para manifestar seu 
impressionante poder para mim.
As pessoas comearam a sair em fila, mas eu no queria sair 
daquele banco. Em vez disso, sentei-me para refletir no que havia 
acabado de acontecer. Pensei: Oh, se minha famlia to-somente 
experimentasse o que acabei de sentir.
Eu poderia ficar ali o dia todo, mas o nibus estava a nossa 
espera. Parei nos fundos do santurio, virando-me pela ltima vez. 
Pensei: "O que ela queria dizer? O que ela realmente estava dizendo 
quando se referiu ao seu amigo, o Esprito Santo?"
Durante todo o caminho de volta para Toronto, continuei a 
pensar: Como o Esprito Santo podia ser to real para ela? Ele realmente 
 uma pessoa? Pedi a vrias pessoas que me ajudassem a entender isso, 
mas elas no conseguiram.
Cheguei em casa completamente exausto - tendo dormido apenas 
quatro horas em dois dias.
Mas Deus ainda no havia terminado o assunto comigo.



CAPIUL0 8

"Posso TE CONHECER?"


Cada osso de meu corpo desejava dormir, mas meus olhos 
estavam bem abertos - meu esprito ainda planava por causa deste dia 
incrvel.
Ento, quando me estiquei em minha cama, em Toronto, parecia 
que algo estava me arrastando. Eu estava sendo puxado para fora do 
colcho e levado a cair de joelhos. A sensao foi estranha, mas no 
resisti.
Naquele quarto escuro, eu soube que Deus estava agindo e que 
eu estava mais do que pronto para seguir a sua direo.
Meu corao estava cheio de perguntas, e eu no sabia muito 
bem por onde comear. Perguntei para mim mesmo: Como posso ter 
aquilo que aquela evangelista em Pittsburgh experimentou? Aquilo era o 
que eu desejava mais do que qualquer coisa neste mundo - 
experimentar a realidade sobre a qual Kathryn Kuhlman havia falado!
Desde o momento em que ela disse as palavras: "Ele  mais real 
do que qualquer coisa neste mundo," criei uma fome, um desejo de 
conhecer o Esprito Santo naquela mesma dimenso. Contudo, eu mal 
sabia por onde comear.
Naquela noite, de joelhos, trs dias antes do Natal de 1973, eu 
soube, em meu corao, o que queria dizer, mas como poderia apress-
lo?


EST ACONTECENDO NOVAMENTE
Desde a infncia ouvi falar do Esprito Santo. Ele fazia parte da 
Trindade, e era um membro da Divindade que devia ser adorado. Nunca 
pensei nele como uma pessoa a quem se deveria dirigir. Que palavras 
eu deveria usar? Por onde eu deveria comear?
Decidi comear da nica forma que eu sabia - com meu simples 
vocabulrio.
Em meu quarto na Crossbow Crescent Street, naquela noite, orei: 
"Esprito Santo, Kathryn Kuhlman diz que tu s amigo dela." Continuei: 
"No acho que te conheo, embora, at hoje, eu achasse que te 
conhecia. Mas, depois daquela reunio, percebo que realmente no te 
conheo."
Com a f de uma criana, perguntei: "Posso te conhecer? Eu 
realmente posso te conhecer?"
Eu estava muito preocupado com minhas palavras. Pensei: O que 
estou dizendo est certo? Ser que devo falar com o Esprito Santo desta 
forma? Ento, ocorreu-me o seguinte: Se eu for verdadeiro e honesto, 
Deus ir mostrar-me se estou certo ou errado.
Depois de minha tentativa pouco convincente de falar com o 
Esprito Santo, esperei - e esperei. Parecia no haver resposta. Ansioso, 
comecei a me perguntar: Ser que realmente existe esta experincia de 
conhecer o Esprito Santo? Ser que isso realmente pode acontecer?
Ento, ajoelhando-me no cho, com os olhos ainda fechados, 
senti algo que parecia um choque eltrico. No mesmo instante, meu 
corpo comeou a vibrar - quase a mesma coisa que senti nas duas 
horas em que fiquei no frio, do lado de fora da igreja em Pittsburgh - e o 
que senti por mais uma hora no santurio.
Oh! Est acontecendo novamente, pensei. Desta vez, no entanto, 
eu estava de pijama, no meu quarto aquecido. Todavia, era o mesmo 
tremor.
Eu no queria abrir meus olhos. Parecia que tudo o que havia 
acontecido comigo no culto estava agora acontecendo de uma vez. Sim, 
eu estava tremendo, mas tambm sentia o cobertor macio e quente da 
presena de Deus enrolado em mim. Como o cu poderia ser mais 
maravilhoso?
L estava Ele - o Esprito Santo havia entrado no meu quarto. E 
Ele era to real quanto a cama junto da qual eu estava ajoelhado. Nas 
prximas horas, passei chorando e rindo ao mesmo tempo. Era como se 
meu quarto tivesse subido ao prprio cu. Nada, em meus vinte e um 
anos, poderia se comparar a esta visitao. Foi uma alegria 
inexprimvel!
Se minha me e meu pai - que estavam no corredor - soubessem 
a experincia que seu filho estava tendo, tenho certeza de que eles 
teriam me reprovado. Como poderiam entender?


CONVERSANDO COM MEU AMIGO
Desde o momento em que o Esprito Santo se tornou real naquela 
noite, Ele deixou de ser um conceito vago, ou uma "terceira pessoa" 
invisvel e distante da Trindade. Ele estava vivo - Ele tinha uma 
personalidade.
Quando, finalmente, abri os olhos, fiquei surpreso em perceber 
que eu ainda estava em meu quarto, ajoelhado no mesmo cho - o 
poder do Esprito de Deus ainda estava latejando em meu corpo.
Nas primeiras horas da manh, ca no sono, sem saber do milagre 
que Deus havia realizado em mim.
O sol mal estava raiando naquela fresca manh no Canad -mas 
eu j estava bem acordado. Estava ansioso por conversar mais uma vez 
com meu mais novo amigo.
As primeiras palavras que saram de minha boca foram: "Bom 
dia, Esprito Santo!"
No momento em que eu disse essas palavras, aquela mesma 
atmosfera espiritual permeou o quarto. O tremor e a pulsao se foram; 
senti o calor e a paz de sua presena.
Aquelas palavras pareciam to naturais para mim. "Bom dia, 
Esprito Santo." Eu estava conversando com meu amigo - o mesmo 
amigo de quem Kathryn Kuhlman havia falado.
Fizeram-me a seguinte pergunta: "Foi naquela noite que voc foi 
cheio do Esprito?"
Aquela experincia em meu quarto foi muito alm do falar em 
lnguas. Oh, sim, falei em uma lngua celestial, mas o que estou 
compartilhando com voc vai muito alm de lnguas. Fui cheio de Sua 
presena. Pela primeira vez, conheci a pessoa do Esprito Santo. E, 
daquele momento em diante, Ele se tornou meu conselheiro, meu 
companheiro, meu amigo.


NO POR FORA
Depois de receber o Esprito naquele notvel dia, abri minha 
Bblia, sem saber por onde comear. Assim que virei a capa do Livro 
Sagrado, senti o Esprito Santo ali - como se estivesse sentado ao meu 
lado. Meus olhos no viam a sua face nem contemplavam seu 
semblante, mas eu sabia muito bem onde Ele estava em meu quarto. E, 
a partir daquele dia, comecei a conhecer a sua personalidade.
Por quase dois anos, desde que entreguei minha vida a Cristo, 
estudei diligentemente a Palavra de Deus. Agora, a Bblia havia 
ganhado uma sustncia incrvel e uma dimenso totalmente nova. 
Quando eu tinha uma dvida, dizia: "Esprito Santo, mostra-me isso na 
Palavra." E Ele o fazia!
Ele, por exemplo, me levou a ler Joo 16.14: "Ele me I glorificar, 
porque h de receber do que  meu, e vo-lo h de anunciar." E 
compreendi que Ele veio para glorificar e engrandecer Jesus.
 Aprendi que somente o Esprito Santo pode revelar Jesus ao 
corao dos homens. "Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte 
do Pai vos hei de enviar, aquele Esprito de verdade, que procede do Pai, 
ele testificar de mim" (Jo 15.26).
Eu queria saber por que Ele havia vindo, e Ele me mostrou estas 
palavras: "Ns no recebemos o esprito do mundo, mas o Esprito que 
provm de Deus, para que pudssemos conhecer o que nos  dado 
gratuitamente por Deus" (1 Co 2.12).
Dizer que a Bblia passou a ter vida  um eufemismo. Agora 
entendo a autoridade das palavras: "No por fora nem por violncia, 
mas pelo meu Esprito, diz o Senhor dos Exrcitos" (Zc 4.6).
Por meio das Escrituras, Ele confirmava a impressionante 
transformao que estava acontecendo em minha vida. Manh aps 
manh, dia aps dia, eu conhecia mais e mais meu amigo.
Para mim, a mudana mais drstica aconteceu em minha vida de 
orao. Eu disse: "Esprito Santo, uma vez que conheces to bem o Pai, 
tu me ajudarias a orar?"
Com a direo do Esprito, comecei a invocar o Pai. Era como se 
eu tivesse sido pessoalmente apresentado ao Todo-Poderoso.
Lembro-me de ter dvidas acerca da paternidade de Deus. O 
Esprito fez-me abrir a Palavra e me mostrou esta passagem: "Todos os 
que so guiados pelo Esprito de Deus esses so filhos de Deus. Porque 
no recebestes o esprito em temor, mas recebestes o esprito de adoo 
de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai" (Rm 8.14,15).
Pensei no que Jesus disse acerca do Esprito Santo - que Ele seria 
o nosso consolador, mestre e guia. Agora este instrutor celestial havia 
se tornado meu amigo.
Pela primeira vez entendi a que Jesus se referia quando disse aos 
Seus discpulos que o seguissem - e ento, mais tarde, Ele lhes disse 
que o Esprito Santo iria gui-los a toda a verdade. Comecei a entender 
que somente o Esprito de Deus pode levaria seguir o Senhor.
Em meu quarto, eu estava recebendo uma educao melhor do 
que qualquer universidade ou seminrio poderiam me oferecer. Meu 
professor era o prprio Esprito.
Durante dias, semanas e depois meses, minha busca por 
conhecer as Escrituras continuou e minhas perguntas estavam sendo 
respondidas. Alm disso, eu sentia Sua fora e poder. Houve momentos 
em que eu literalmente tive de apoiar-me na cama por causa da 
intensidade e do poder do Esprito Santo que eu sentia em meu quarto. 
Em outros momentos, Ele foi dcil e terno - e o amor que senti foi maior 
do que qualquer coisa que j conheci.


O TREM
Meus pais logo reconheceram que algo anormal havia acontecido. 
Se voc acha que eles estavam preocupados com minha converso, 
deveria t-los visto ento! Se era confuso, temor ou condenao, no 
tenho certeza, mas senti que a raiva deles estava aumentando.
Do lado de fora de minha casa, a reao era totalmente oposta. 
Vrios de meus amigos cristos j estavam comentando o fato de que 
minha vida havia passado por uma grande transformao. "Defi-
nitivamente algo aconteceu com Benny," eles diziam para seus amigos.
Cerca de uma semana depois de meu encontro, Jim Poynter me 
levou ao apartamento de Alex Parachin e sua esposa. Alex fez a 
excurso para Pittsburgh conosco.
Eu vinha conversando com Jim por telefone sobre algumas das 
coisas milagrosas que haviam acontecido nos ltimos dias -incluindo 
uma viso que Deus me dera.
"Conte para Alex o que aconteceu," Jim insistiu. "Conte para ele 
sobre sua viso."
Ao olharem para mim, estou certo de que os Parachins se 
perguntaram: Como o Senhor poderia usar algum como Benny? Meus 
cabelos longos estavam bem presos debaixo de um gorro que descia 
apertado at as orelhas. Eles tambm sabiam que eu mal podia 
terminar uma sentena sem gaguejar.
Naquela tarde, na sala de jantar deles, compartilhei com eles uma 
viso muito incomum. "Eu estava viajando por uma estrada de ferro em 
um vago que no tinha paredes," eu lhes disse. "Era simplesmente um 
vago-reboque."
Expliquei que eu estava sentado no meio do vago, que estava 
sendo puxado por uma potente locomotiva. "Sentado a minha volta 
estava um grande nmero de pessoas", eu disse. "De repente, o trem 
comeou a pegar velocidade, andando cada vez mais rpido."
O passeio se transformou em um caos quando o trem comeou a 
se partir nos cantos. "As pessoas comearam a cair do vago," expliquei. 
"Contudo, permaneci no centro. E a nica razo por que no tive o 
mesmo destino daquelas pessoas foi por causa de um poder que descia 
sobre a minha cabea. Ele me mantinha em segurana no lugar 
enquanto a locomotiva ganhava velocidade."
A medida que continuei a explicar a viso, o Esprito Santo 
encheu de tal maneira aquela sala de jantar que Alex caiu no cho sob 
o poder de Deus.
Mais tarde, Jim conversou comigo acerca do que o Senhor lhe 
havia revelado. Desde aquela primeira semana em que o Esprito 
envolveu a minha vida, Jim sentiu que eu me envolveria em um 
ministrio muito singular. Ele disse: "Benny, Deus vai inici-lo no 
ministrio com uma rapidez incrvel. E haver muitas pessoas que 
tentaro seguir este caminho, mas elas cairo na beira da estrada. Deus 
est me dizendo que, se permanecer junto dele, voc ficar no centro - 
exatamente onde Ele quer que voc esteja."


ALGO QUE NO SE PODIA CONTER
Alguns dias depois, Jim Poynter perguntou se eu iria com ele a 
um culto que o Rev. Weldon Johnson - que estava comeando uma nova 
igreja em uma escola - havia lhe pedido para realizar. O culto foi 
anunciado como de cura.
Muitos daqueles que estavam na congregao eram pessoas que 
haviam ido a Pittsburgh em um dos nibus fretados que Jim havia 
ajudado a organizar. Um grande nmero deles era formado por letes.
Naquela noite, Jim conduziu os louvores com seu acordeo. 
Depois de um testemunho, ele chamou a frente aqueles que queriam 
receber um toque especial de Deus. Ele tambm pediu que eu me 
juntasse a ele no plpito para ajud-lo a impor as mos sobre as 
pessoas.
Aleluia! Deus foi fiel. O Esprito que me ungira em meu quarto 
transbordou para aqueles que estavam por perto.
Agradeo a Deus por aqueles letes. Eles no s sentiram o poder 
de Deus, como tambm comearam a orar por mim como se eu fosse 
um de seus filhos. Mesmo antes de eu pregar, eles foram alguns de 
meus primeiros guerreiros de orao.
Lembro-me da tarde em que Jim e sua esposa convidaram-me 
para ir a uma igreja metodista onde eles realizavam uma reunio. Tendo 
passado o dia inteiro buscando a Palavra e me deleitando na uno do 
Esprito, pensei que aquela reunio seria um modo perfeito para 
encerrar o meu dia. Fiquei ansioso para ir.
Quando ouvi a buzina do carro de Jim, desci correndo as 
escadas, ainda sentindo a presena do Senhor sobre mim.
No momento em que saltei no banco da frente e fechei a porta do 
carro, Jim comeou a chorar e a cantar o coro: "Aleluia! Aleluia!". Ele se 
virou para mim e perguntou: "Benny, voc consegue sentir a presena 
do Esprito Santo neste carro?"
"Sim, consigo," respondi.
Jim mal conseguia dirigir. Ele continuou a chorar diante do 
Senhor.


COMPLETAMENTE SURPRESO
"Voc se importaria se eu prosseguisse?", perguntei para Alex 
Parachin, quando ele me disse que daria seu testemunho sobre como 
fora liberto das drogas.
O culto estava acontecendo no Faith Temple (Templo da F), uma 
igreja pastoreada por Winston I. Nunes, um dos mais extraordinrios 
ministros controlados pelo Esprito que j existiu. Ao final da reunio, o 
Dr. Nunes levantou-se e anunciou: "Sinto que Deus quer que estes 
jovens ministrem no plpito esta noite, e no eu."
Mesmo eu no tendo participado do culto, Alex fez um sinal para 
que eu fosse  frente. Quando comecei a impor as mos sobre as 
pessoas, o poder de Deus comeou a cair. Fiquei espantado -
completamente surpreso com o que Deus estava fazendo.
Enquanto isso, continuei a acompanhar Jim Poynter aos cultos 
de cura que realizava para Weldon Johnson - onde os letes 
freqentavam. As multides no s estavam crescendo, mas, certa 
noite, passamos de carro por l e vimos uma enorme fila de pessoas do 
lado de fora da porta, esperando para entrar. Fiquei surpreso.
"O que est acontecendo?", perguntei para Jim.
"Posso lhe dizer uma coisa," Jim respondeu calmamente. "Corre a 
notcia por a de que h um jovem chamado Benny que tem a uno do 
Esprito Santo sobre sua vida. Estas pessoas queridas s querem estar 
perto desta uno."
Aqueles preciosos letes foram os primeiros a sustentar o meu 
"ministrio" - um ministrio que de fato no havia comeado.
Naquela noite, novamente, depois que Jim falou, a presena do 
Senhor se fez poderosamente em nosso meio. Oramos pelas pessoas e 
muitas foram grandemente abenoadas pelo poder de Deus.
O trem estava comeando a se mover - e estava ganhando 
velocidade.            



















CAPTULO 9

Eu SERIA DEIXADO PARA TRS?


Quando eu me lembro do que o Senhor fez, at meu trabalho 
como vendedor de sorvete foi parte de seu plano que me trouxe ao lugar 
onde estou neste momento. Veja, foi naquele pequeno estabelecimento 
que conheci Jim Poynter, que me falou sobre a evangelista cujo nome  
Kathryn Kuhlman. Viajei com ele para um culto em Pittsburgh, na 
Pensilvnia, que transformou drasticamente todo o meu futuro.
Depois de meu trabalho na Fairview Mall, aceitei o cargo de 
arquivista da Diretoria da Escola Catlica, em Toronto, onde o Senhor 
continuou a sua intensa obra em meu corao.
Quando eu saa de casa de manh, o Esprito Santo ia comigo. As 
vezes, eu realmente sentia algum ao meu lado. A caminho do trabalho, 
dentro do nibus, muitas vezes sentia o desejo de comear a conversar 
com Ele. E eu comeava a orar pela salvao daqueles que estavam no 
nibus - o Esprito Santo me incomodava para orar pela alma deles.
No minuto em que meu dia de trabalho chegava ao fim, eu corria 
para casa para continuar minha comunho com o Senhor. Meu quarto 
passou a ser um refgio sagrado e, quando no estava trabalhando, 
muitas vezes ficava em casa s para ter comunho com Ele.
O que quero  o que tenho neste momento," eu dizia para o n"or 
naqueles dias. "Seja o que for, no deixes que se acabe."
Comecei a entender melhor o desejo do apstolo Paulo de ter a 
"comunho do Esprito Santo."


UM TERRVEL INFERNO
Um dia de abril de 1974, perguntei ao Senhor: "Por que tu ests 
me abenoando assim?" e "Por que todas estas coisas esto 
acontecendo comigo?" Pois eu sabia que Deus certamente no 
manifestava Sua presena para promover piqueniques espirituais.
Ento, de repente, com meus olhos bem abertos quando comecei 
a orar, vi algum em p na minha frente. Aquela pessoa estava sendo 
totalmente tragada por chamas e eu no podia dizer se era um homem 
ou uma mulher. Seus ps no estavam tocando o cho. A boca dessa 
pessoa abria e fechava - semelhante ao que a Palavra descreve como 
"ranger de dentes."
Quando vi essa pessoa em meio s chamas do tormento, clamei: 
"No! No! No!" - sem saber por que dizia aquilo.
Naquele momento, o Senhor falou comigo com uma voz audvel. 
Ele disse: "Pregue o evangelho."
Minha resposta foi: "Mas, Senhor, no posso falar".
Mais tarde, naquela noite, o Senhor me deu um sonho em que vi 
um anjo. Ele trazia uma corrente em sua mo, presa a uma porta que 
parecia preencher os cus. Ele abriu a porta e ali havia pessoas at 
onde os olhos podiam alcanar. Ento, ele me levou a um lugar mais 
alto.
Olhando para aquela mesma multido, vi que todas as pessoas 
estavam seguindo para um grande e profundo vale, que era um terrvel 
inferno de fogo. Era assustador. Aquelas que eram as primeiras da fila 
estavam tentando resistir, mas a multido de gente as empurrava para 
as chamas.
Novamente, o Senhor falou de um modo muito claro e disse: "Se 
voc no pregar, cada alma que cair ser responsabilidade sua."
Esta foi a segunda vez que o Senhor havia deixado claro que eu 
deveria ministrar a sua Palavra - uma vez foi na poca de minha 
converso e agora por meio desta viso. Eu sabia que tudo o que estava 
acontecendo em minha vida tinha um nico propsito: proclamar o 
Evangelho.
Algum recentemente perguntou: "Benny, se voc no tivesse 
conhecido Jesus, como voc acha que teria sido a sua vida?"
Quando eu tinha 17 ou 18 anos, eu acreditava que, algum dia, 
entraria para a poltica, ou talvez encontraria um emprego no ramo de 
viagens. Graas a Deus, tudo isso foi reorganizado quando Cristo se fez 
real - e me mostrou o meu futuro.


"QUERIDO DIRIO"
Durante estes momentos importantes, eu escrevia diariamente 
em meus dirios - que agora so parte de meus bens mais preciosos. 
No se tratava de um dirio cujas anotaes normalmente comeavam 
assim: "Hoje  noite fui s Catacumbas", ou "Estou tendo dificuldades 
com meu pai hoje." Em vez disso, esta era uma histria pessoal de 
minha jornada espiritual. Dia aps dia, eu fielmente registrava o que 
havia aprendido com a Palavra e o que Deus estava me ensinando.
No comeo de 1974, escrevi:

Senhor, faze com que minha vida seja cheia de ti.
Que cada dia pertena a ti.
Que cada momento seja Contigo.
Que a minha vida seja para a tua glria.
Que os meus dias lhe rendam louvor
e que o meu corao lhe d amor
e adorao. Que Jesus seja tudo para mim,
a cada momento de cada dia.

O Esprito do Senhor no s estava sobre mim, mas Ele tambm 
comeou a encher a nossa casa - tanto que meus irmos e irms 
comearam a ter uma fome espiritual. Um a um, eles se aproximaram 
de mim e comearam a fazer perguntas. Eles diziam: "Benny, eu estava 
observando voc. Este Jesus  real, no ?"
Mary, minha irm, foi a primeira a entregar o seu corao para o 
Senhor e, nos prximos meses, meus irmos menores, Sammy e Willie, 
foram salvos. Tudo o que eu podia fazer era me alegrar! Um milagre 
estava acontecendo em nossa casa - e eu nem havia comeado a pregar.
Como voc pode imaginar, meu pai ficou com muita raiva. Ele 
estava perdendo toda a famlia para este Jesus? Ele no sabia lidar com 
a situao. Meus pais j haviam visto a reviravolta que isso havia 
causado em mim - e agora estavam testemunhando o mesmo fenmeno 
em outros de seus filhos.


"ALTOS LOUVORES"
Toda vez que havia um nibus fretado com destino a uma reunio 
de Kathryn Kuhlman em Pittsburgh, eu fazia o possvel para estar nele. 
Eu estava fascinado por seu ministrio - e a ouvia quase todas as noites 
pela WWVA, uma estao de rdio de 50.000 watts, em Wheeling, na 
Virgnia Ocidental.
Eu no s estava sendo alimentado pelo prprio Esprito, mas por 
inmeros servos escolhidos de Deus. Alm das reunies s quintas-
feiras  noite nas Catacumbas, voc muitas vezes podia encontrar-me 
em um lugar chamado Bezeque - uma reunio de carismticos que 
acontecia s sextas-feiras  noite em Campbellville, cerca de cinqenta 
quilmetros ao sudoeste de Toronto.
Os cultos eram realizados em um centro de retiros, fruto da viso 
de Bernie Warren, um pastor da Igreja Unida do Canad que iniciou o 
ministrio depois de receber o batismo com o Esprito Santo. Ele 
chamou o centro de Bezeque em homenagem ao lugar onde os israelitas 
se reuniram para ser renovados e encorajados quando estavam diante 
de uma importante batalha (1 Sm 11).
Durante a semana, o local era um osis para o aconselhamento 
de alcolatras, daqueles que queriam se libertar das drogas e de 
pessoas que tinham outras necessidades. Toda sexta-feira  noite, no 
entanto, abrigava uma reunio de carismticos - algo muito novo para 
as principais igrejas da regio.
Havia uma liberdade incomum de adorao naqueles cultos. As 
pessoas levantavam as mos e muitas vezes "cantavam em lnguas." 
Algumas noites, ramos levados pelo Esprito a "Altos Louvores." Como 
declara o Salmo 149.6: "Estejam na sua garganta os altos louvores de 
Deus."
Muitos levavam seus instrumentos musicais - trompetes, 
pandeiros, baterias, guitarras, banjos, flautas e violinos. Membros de 
uma comunidade chamada a Casa da Filadlfia se juntavam  
"adorao davdica," conhecida por muitos como "danar na presena 
do Senhor."
Naquelas reunies, eu me perdia em meio  impressionante 
presena de Deus e crescia com a Palavra que recebia de Bernie 
Warren.
Em 10 de junho de 1974, l-se em meu dirio:

Depois que cheguei de Bezeque, tive uma experincia maravilhosa 
em meu quarto. Enquanto estava orando, meu corao se encheu de 
alegria - e a paz estava por toda a parte em meu quarto. Oh, foi to 
lindo. Eu estava orando por volta das lh30 ou 2 horas (e), de repente, 
senti uma mo me tocar. Ela era macia e pousou em meu corao. Meu 
corao subitamente comeou a palpitar e a mo ficou ali por quase 
trinta segundos. Enquanto eu sentia a mo, uma forte sensao de 
calor veio sobre mim. Todo o meu corpo estava cheio daquela forte 
sensao de calor. Eu sabia que o Senhor havia me tocado. Jesus veio e 
me tocou. Oh, Seu amor.  maior do que todos os cus. Oh, o profundo, 
profundo amor de Jesus.

FAZENDO AS MALAS
Comeando com um seminrio de vero, em 1973, Merv e Merla 
Watson organizaram o que chamaram de "Shekinah" - a maior 
produo de adorao e louvor, diferente de qualquer coisa que j foi 
apresentada. E eles me pediram para fazer parte da equipe.
A msica era excelente, com cantores, danarinos para animar o 
evento e bandeiras. No estvamos simplesmente fazendo algo por 
fazer, pois esta era uma apresentao dramtica com grandes hinos, 
como "Preparai, Vs, o Caminho do Senhor" e "Desperta,  Israel."
Grande parte das msicas foi escrita e arranjada pelos Watsons, 
que tinham formao clssica. Mais de noventa jovens participaram do 
primeiro concerto em Toronto.
To grande foi a resposta que tomaram a deciso de levar a 
produo para a Europa em uma turn de dois meses e meio no vero 
de 1974. Oh, como eu desejava fazer parte daquela experincia.
Iniciando nos primeiros dias daquela primavera, os ensaios nas 
segundas-feiras  noite foram marcados para a preparao para a turn 
anunciada. Como o vero estava se aproximando, sessenta e trs 
pessoas faziam planos de ir para a Europa - inclusive eu.
Havia apenas dois pequenos problemas. Primeiro, meu pai havia 
me proibido de ir. Segundo, eu no tinha fundos para bancar tal viagem 
- e nem fazia idia de como consegui-los.
Em orao, no entanto, minha f se fez viva e eu estava 
convencido de que Deus daria um jeito. Na verdade, eu estava to 
confiante que comecei a fazer os preparativos, e fiz minhas malas. 
Todavia, eu no tinha o dinheiro nem a passagem! Na noite da segunda-
feira que antecedia a partida da equipe para a Inglaterra, l estava eu 
para o ltimo ensaio. "Senhor," orei, "Tu no disseste que eu passaria 
este vero com o 'Shekinah'?"














CAPTULO 10

SHEKINAH!


"Como tu vais fazer isso, Senhor?", orei quando o ltimo ensaio 
de segunda-feira  noite para o "Shekinah" comeou. Eu sabia que iria 
para a Europa assim como sabia o meu nome.
Quase na metade da reunio, Merv Watson chamou-me de lado e 
disse: "Benny, Merla e eu estvamos orando e o Senhor falou-nos que 
devamos pagar sua passagem de avio" - e ele me entregou a passagem 
da Air Canad.
"Oh, isto maravilhoso," exclamei. "Isto  sensacional!"
Fiquei completamente impressionado com a generosidade do 
casal. Mais tarde, descobri que os Watsons haviam hipotecado a casa 
deles para fazer com que a viagem de vero fosse possvel.
No trmino do ensaio, corri para casa para contar aos meus pais 
que estaria viajando para a Europa naquela semana. "Vejam, aqui est 
a passagem!", eu disse, abrindo o envelope.
"Quem lhe deu isso?", perguntou meu pai, irritado. "Voc 
subornou algum? "
"No", eu lhe disse. "Foi um presente de algumas pessoas que 
realmente querem que eu esteja nesta viagem."
"Muito bem", ele disse asperamente. "Ento v." E ele colocou a 
mo no bolso e me deu vinte e cinco dlares. Para mim, aquele gesto foi 
incrvel - era como se ele me tivesse dado vinte e cinco mil dlares:
Em 18 de junho de 1974, assim que eu estava saindo para ir para 
o aeroporto, meu pai disse: "Quando chegar l, ligue a cobrar e 
pergunte por voc mesmo." Assim, ele saberia que eu havia chegado e 
no precisaria pagar a ligao.
"No posso fazer isso, pai," respondi. "Eu estaria mentindo. No 
se preocupe, vou ligar para voc."
" melhor no ligar para mim se no for a cobrar," ele continuou 
a insistir.
No dia seguinte, fui para o aeroporto de Toronto com minha 
passagem, minha mala e vinte e cinco dlares.
Que aventura!
Na primeira tarde, cheguei  casa de uma linda famlia, perto de 
Londres, que estava envolvida no projeto Youth with a Mission (Jovens 
com uma Misso). Imediatamente, perguntei: "Posso usar o telefone? 
Preciso telefonar para meus pais para avis-los que cheguei em 
segurana". E acrescentei: "Vou pagar a ligao." Eu ia dar-lhes parte 
dos vinte e cinco dlares que estavam em meu bolso.
"Naturalmente. Fique  vontade," o homem da casa insistiu.
Peguei o telefone e disquei "0" para ligar para a telefonista e, 
ento, uma mulher respondeu ao telefone: "Desculpe-me, senhor," ela 
disse. "Sei que esta pergunta pode parecer estranha, mas o senhor  
cristo?"
Fiquei chocado e curioso por saber: Para quem liguei? E como ela 
sabia?
"Sim, eu sou," respondi logo. "Sou cristo."
Assim como Deus  minha testemunha, a telefonista disse: "O 
Senhor me falou que o senhor faria uma ligao e Ele me disse que eu 
deveria pag-la."
Naquele momento, eu no sabia se a pessoa estava falando da 
Inglaterra, do Canad ou do cu!
Com sua voz profissional, ela perguntou: "Por favor, o nmero 
que o senhor gostaria que eu discasse? "
J era tarde da noite, hora de Toronto, e meu pai respondeu ao 
telefone. "Aqui  Benny", eu lhe disse. "Eu s queria que o senhor 
soubesse que cheguei  Inglaterra. Est tudo bem. Estou com pessoas 
muito legais."
"Pensei ter dito para voc ligar a cobrar!", ele falou irritado.
"No se preocupe. No estou pagando esta ligao," respondi logo.
Depois de soltar algumas pragas, ele disse:" Estes pobres ingleses 
- voc est fazendo isso com eles?"
"No, pai, eles tambm no esto pagando a ligao," respondi.
Claramente irritado, ele replicou: "Que tipo de cristo voc , 
mentindo assim?"
"Oh, o senhor no entenderia," eu lhe disse. E ele desligou o 
telefone.


UM NIBUS DE DOIS ANDARES
O termo Shekinah fala da habitao, da presena e da glria de 
Deus. Era para que isso acontecesse a cada pessoa que participasse dos 
concertos noturnos que oraramos com fervor - para que a glria de 
Deus tocasse a vida delas.
Nosso transporte era um nibus de dois andares que um cristo 
na Inglaterra arrumou para os Watsons por apenas uma libra esterlina. 
Atrs do nibus estavam dois caminhes cheios de equipamentos para 
a produo e nossas malas.
Na maioria das noites fomos hospedados por diferentes famlias e 
eu comecei a conhecer cristos Maravilhosos.
Os concertos, realizados em catedrais gticas, salas de concertos 
e igrejas grandes, foram espetaculares. Quando sessenta e trs jovens 
cheios do Esprito comeavam a adorar ao Senhor por meio de msicas 
que emocionavam a alma, peas teatrais e danas, os pblicos 
imediatamente se juntavam em louvor. Muitas das canes foram 
escritas por Merla Watson - incluindo uma que se tornou um clssico 
em todas as partes do mundo: "Jeov Jireh, Meu Provedor, Sua Graa  
Suficiente para Mim."
At realizamos um concerto ao ar livre na Trafalgar Square, no 
centro de Londres.
Quase todas as manhs tnhamos um culto na capela e ramos 
abenoados pelo ministrio de excelentes pregadores locais e mestres na 
Bblia.
Quando releio meu dirio, percebo que no foram os belos 
edifcios ou atraes tursticas que chamaram minha ateno. Meu 
maior desejo era estar perto do Salvador.
Na Inglaterra, em 26 de junho de 1974, escrevi:

Querido Jesus. Toma este dia e faze com que ele seja teu. Por 
favor, coloca em meu corao aquele fogo e amor por ti. Senhor Jesus, 
toma os meus pensamentos e faze com que sejam teus. Que eu pense 
somente em ti hoje, Senhor. Por favor, ajuda-me, Esprito Santo, e me 
usa por amor a Jesus. Amm.


LIES DE F
A turn seguiu seu caminho pela Blgica, Alemanha e Sua. E, 
na manh de domingo, 18 de agosto de 1974, na Holanda, tivemos a 
memorvel experincia de ir  igreja de Corrie ten Boom. Corrie, autora 
de The Hiding Place (O Esconderijo), falou naquela manh sobre a 
importncia da entrega total. Sua inesquecvel mensagem foi intitulada 
"A Luva" - e o que significa colocarmos a nossa vida na mo do Mestre.
Corrie ilustrou a mensagem com uma luva na mo, dizendo-nos 
que "somos a luva, e o Senhor, a mo - e,  medida que nos 
entregamos, uma parte de cada vez, o Senhor ajusta a luva." Foi uma 
mensagem que comecei a colocar em prtica.
Depois do ltimo concerto na Holanda, fomos para casa, no dia 5 
de setembro. Eu estava inquieto - sabendo que Deus estava me 
chamando para fazer mais do que simplesmente participar de um grupo 
de louvor. Financeiramente, Deus usou aquela viagem para ensinar-me 
o que significa andar pela f.
Meu dinheiro aumentou e se multiplicou. Sem serem, de forma 
alguma, induzidas, pessoas totalmente estranhas se aproximavam de 
mim e diziam: "Aqui est. O Senhor me disse para dar-lhe isto."
Voltei para Toronto com roupas e malas novas. E eu disse para 
meu pai: "Pai, quero lhe agradecer pelos vinte e cinco dlares," 
devolvendo-lhe o dinheiro.
Ele simplesmente balanou a cabea.

ACONTECEU EM SIL
Durante todo o outono de 1974, minha comunho com o Esprito 
Santo se intensificou. Contudo, havia um encargo em meu corao que 
ficava cada vez mais pesado.
Por fim, em novembro, no pude mais evitar o assunto. Eu disse 
para o Senhor: "Pregarei o Evangelho com uma condio: que tu estejas 
comigo em todos os cultos." E, ento, eu o lembrei: "Senhor, tu sabes 
que no posso falar." Eu sempre me preocupava com meu problema de 
dico e o fato que me causaria embarao.
Ainda estava incutida em minha mente a cena do homem se 
queimando - e a voz do Senhor dizendo: "Se voc no pregar, todos que 
carem sero responsabilidade sua."
Pensei: Eu tenho de comear a pregar. Mas j no estava bom 
entregar folhetos?
Certa tarde, na primeira semana de dezembro, eu estava sentado 
na casa de Stan e Shirley Phillips, em Oshawa, cerca de cinqenta 
quilmetros a leste de Toronto.
"Posso lhes contar uma coisa?", perguntei. Eu nunca fora levado 
a compartilhar com algum toda a histria de minhas experincias, 
sonhos e vises. Por quase trs horas, abri meu corao, incluindo 
detalhes que somente o Senhor e eu sabamos. Falei para eles sobre 
meu encargo cada vez mais pesado pelas almas perdidas.
Antes de terminar, Stanley interrompeu-me e disse: "Benny, esta 
noite voc deve ir a nossa igreja e compartilhar o seu corao." Eles 
tinham uma comunidade chamada Silo - com cerca de cem pessoas na 
Trinity Assembly of God, em Oshawa. A igreja era pastoreada pelo 
Reverendo Kenneth Beesley, cujo filho, Gary, um dia, se juntaria  
equipe ministerial da World Outreach Church, em Orlando.
Telefonei para Marilyn Stroud e pedi a ela que ajudasse na 
msica. Eu a conhecia havia quase dois anos - ela fazia parte da equipe 
de louvor e adorao das Catacumbas e havia participado da viagem do 
"Shekinah."
Eu gostaria que voc tivesse me visto. Meu cabelo batia nos 
ombros, e eu no estava vestido para ir  igreja porque o convite foi 
totalmente inesperado.
Naquela noite, 7 de dezembro de 1974, Stan Phillips apresentou-
me para o grupo e, pela primeira vez em minha vida, fiquei em p, atrs 
de um plpito, para pregar.
No instante em que abri minha boca, senti algo tocar minha 
lngua e ela se soltou. Houve alguns segundos de dormncia, depois 
comecei a proclamar a Palavra de Deus com perfeita fluncia.
Eis o que era maravilhoso. Deus no me curou quando eu estava 
sentado no pblico. Ele no me curou quando eu estava subindo ao 
plpito. Ele no me curou quando eu estava em p, atrs do plpito. 
Deus realizou o milagre quando abri minha boca.
No momento em que minha lngua se soltou, eu disse para mim 
mesmo:"  isso!" A gagueira se foi, por completo - e nunca mais voltou. 
Obrigado, Jesus!
Depois de minha mensagem, convidei as pessoas para virem  
frente para que recebessem orao. Cerca de dez pessoas atenderam ao 
convite. Ningum sabia o que era ser arrebatado pelo Esprito, mas, 
enquanto eu orava por aquelas preciosas pessoas, elas comearam a 
cair sob a uno de Deus. Quando ergui os olhos, quase todos que 
estavam na congregao estavam vindo  frente para receberem orao. 
Que obra poderosa o Senhor fez naquela noite!
"Benny, quando voc comeou a falar, meu queixo caiu," Marilyn 
Stroud disse para mim depois do culto. "O que vi esta noite foi um 
milagre."

SEIS HOLANDESES ROBUSTOS
No dia seguinte, Marilyn telefonou para Bernie Warren, do centro 
Bezeque, em Campbellville, e perguntou: "Voc se lembra de Benny 
Hinn?"
" claro que sim," respondeu Bernie. Ele me achava "mais um dos 
jovens" das Catacumbas que vinham para as reunies.
"Bem, voc precisa v-lo," disse Marilyn, "porque algo especial 
est acontecendo na vida dele. Seria maravilhoso se voc pudesse traz-
lo para ministrar para a sua congregao."
Fui ver Bernie Warren no Bezeque na sexta-feira seguinte e 
compartilhei com ele o que havia acontecido comigo em Oshawa. 
Conversamos sobre as manifestaes e as pessoas sendo 
poderosamente tocadas pelo Esprito Santo. Nossa conversa continuou 
at o final da tarde. Eu me senti honrado por este ministro 
extremamente respeitado ter passado este tempo comigo.
"Benny, sinto-me compelido a pedir que voc participe do culto 
esta noite," disse Bernie. "Fale sobre o que voc est contando para 
mim."
 claro que concordei, com entusiasmo.
Centenas de pessoas se amontoaram no centro naquela noite. 
Depois de uma breve mensagem, o Esprito levou-me a chamar as 
pessoas a frente. Os primeiros a aceitar o apelo foram seis holandeses 
grandes e robustos; eles eram bem mais altos do que eu.
Orei. E bum, L foram eles para o cho - todos eles! Os altares 
logo ficaram cheios e muitas pessoas foram abenoadas e curadas 
naquela noite pelo poder de Deus.
No encerramento da reunio, Bernie Warren foi at o microfone e 
anunciou: 
"Senhoras e senhores, sei que alguns de vocs talvez tenham 
dvidas sobre o que testemunharam aqui hoje  noite. Mas quero que 
saibam que confirmo o ministrio que o Senhor tem dado a Benny 
Hinn."

"ALGO QUE EU NO ESTAVA ESPERANDO"
No ltimo dia de 1974, sentei-me com meu dirio e escrevi um 
resumo dos eventos maravilhosos que haviam acontecido:
O ano de 1974 foi o melhor ano que j tive. E sei que o ano de 
1975 ser um ano ainda melhor, cheio de servio para o Senhor Jesus. 
Oro apenas para que eu possa am-lo mais do que nunca. Todo o 
ltimo ano... experimentei uma tremenda comunho com o Senhor. 
Jesus nunca esteve to perto, o Esprito Santo nunca foi to real. 
Muitas vezes, em orao, experimentei sua presena, o que me trouxe 
uma grande alegria, amor e paz. Houve momentos em que eu no 
conseguia ficar em p porque a sua presena estava comigo. Meu amor 
por Jesus aumentou consideravelmente e o Esprito Santo tem 
trabalhado para fazer com que Jesus seja o centro de minha vida. Tive 
muitas provaes e testes difceis, mas era como se cada provao me 
levasse para mais perto de Jesus.
Quando olho para trs, eu simplesmente me surpreendo com a 
mudana que aconteceu e as coisas que aprendi que, a meu ver, jamais 
esquecerei. O Esprito Santo verdadeiramente fez algumas coisas 
grandes. Ele me levou para a cruz quando meus pecados estavam 
diante de mim.
Ele me deu um grande desejo de servir ao Senhor e uma fome 
para ser totalmente dele. Ele trouxe morte sobre a reas do meu ser, e 
ainda crucificar outras coisas. Ele colocou um encargo em mim pelas 
almas e um amor que nunca conheci. Verdadeiramente, tenho mudado 
de Glria em Glria.
Cheguei em casa (da viagem do Shekinah para a Europa) faminto 
e sedento por sua proximidade e comunho, e, por quase dois meses, 
tudo o que fiz foi orar e abrir meu corao. Estes foram meses muito 
difceis para mim, porque o Esprito Santo estava fazendo uma obra 
profunda, que machuca. Mas, como sou grato, pois Ele me fez um 
homem melhor, tendo mais de Jesus e de seu amor.
Por esses dois meses, tive uma grande fome e desejo de servir ao 
Senhor, por isso, comecei a orar para que Deus me mostrasse a sua 
vontade, e assim Ele o fez, colocando em meu corao este encargo 
pelas almas. Eu sempre soube que, um dia, pregaria o Evangelho, mas, 
agora, isso era mais forte do que nunca. Eu sabia que tinha de fazer 
alguma coisa, mas no sabia o que nem como. Ao mesmo tempo, o 
Esprito Santo estava preparando algo que eu no estava esperando.
Em meu dirio, escrevi sobre o convite que Stan e Shirley Phillips 
me fizeram para que eu desse meu testemunho em sua igreja, em 
Oshawa - e sobre o maravilhoso poder de Deus que desceu. E aqui 
esto as ltimas palavras que escrevi no ltimo dia de 1974:

Foi isto que iniciou este ministrio, que  o ministrio do Esprito 
Santo... e o Senhor est se movendo de um modo poderoso. Sei que no 
tenho nada a ver com qualquer coisa que acontece e oro a Deus para 
que eu nunca tenha, pois meu desejo  apenas pregar o Evangelho e ver 
almas salvas. Jesus, usa-me somente para a tua glria. Por teu amor, 
amm.
Naquele Natal, eu tinha muito que celebrar. Aos 22 anos, 
ministrara meu primeiro sermo e vira Deus confirmar a sua Palavra 
com sinais que se seguiram. E o problema de fala que me havia 
incomodado desde a infncia foi totalmente curado.
Louvado seja Deus, pois minha gagueira se foi!
Ele me tocou! Oh, Ele me tocou!
















CAPTULO 11

DUAS HORAS DA MANH


"Benny, cremos que Deus quer us-lo de um modo poderoso", 
Jim Poynter, meu amigo, disse para mim - falando para um grupo de 
pastores que haviam me pedido para realizar algumas reunies em 
Willowdale, um subrbio de Toronto. "Vamos alugar a cantina de uma 
escola pblica e deixar o resto com o Senhor."
Era fevereiro de 1975, dois meses depois de eu ter compartilhado 
pela primeira vez meu testemunho na igreja em Oshawa.
Isto confirmou a inconfundvel voz do Esprito Santo que me 
despertava dizendo que era tempo de comear a realizar reunies 
semanais em Toronto. O Senhor disse: "Siga-me. Oua a minha voz e 
muitos sero levados a Cristo."
Os pastores em Willowdale estavam se arriscando. Eu 
naturalmente no tinha currculo de evangelista. Era simplesmente um 
jovem que havia entregado totalmente a sua vida ao Senhor. Aqueles 
que se reuniram na cantina naquela noite no sabiam o que esperar, e 
nem eu!
Por causa das relaes de Poynter como metodista livre, as 
pessoas daquela denominao vieram em massa. Na realidade, alguns 
de seus pastores queriam que eu fosse ordenado por aquela igreja.
Em Willowdale, realizamos vrios cultos antes de eu ser levado a 
convidar  frente aqueles que precisavam de um toque de cura de Deus 
para que recebessem orao. Naqueles dias, eu formava uma "fila" e, 
pessoalmente, orava por aqueles indivduos que pediam orao. O 
Senhor comeou a fazer algumas coisas maravilhosas. As pessoas eram 
libertadas de srios vcios, famlias se reconciliavam e havia 
testemunhos de milagres. A nfase, no entanto, estava na salvao, e 
cada culto sempre inclua um convite para que as pessoas aceitassem 
Cristo.
Durante estes primeiros dias de ministrio, eu era extremamente 
ingnuo. E,  medida que as multides aumentavam, havia todos os 
tipos de pessoas com o desejo de fazer parte dos cultos. Por exemplo, se 
algum me dissesse: "O Senhor me deu uma msica para a reunio de 
hoje  noite," eu o deixava cantar. Ou, se algum tivesse "uma palavra 
de Deus," eu o deixava compartilh-la.
No demorou muito, no entanto, para que eu percebesse que 
alguns estavam ouvindo sua prpria voz e pedi ao Senhor que me desse 
discernimento.
A despeito de minha imaturidade, as multides aumentaram.
"Acho que precisamos encontrar um auditrio maior e continuar 
estes cultos," disse um dos pastores do grupo de apoio. Para minha 
alegria, ns nos mudamos para a Escola de Segundo Grau Georges 
Vanier, onde estudei antes - o mesmo prdio em que eu havia pedido ao 
Senhor para entrar em meu corao em uma reunio de orao liderada 
por alunos logo de manh cedo.
Muitas pessoas de diferentes origens tnicas participavam 
daqueles cultos de segunda-feira  noite em 1975, principalmente os 
letes.
Sou o primeiro a admitir que meus primeiros sermes tinham 
pouco contedo. Basicamente, eram meu testemunho da obra do 
Esprito - de como Ele se fez real para mim. Naquela poca, eu 
realmente no sabia muito sobre como organizar meus pensamentos e 
preparar uma mensagem. Eu simplesmente comunicava coisas que 
vinham do fundo do meu corao.
O ministrio comeou a espalhar-se rapidamente. Parecia que 
quase todos os dias eu era convidado para ir a uma igreja ou 
comunidade para ministrar. Os cultos eram totalmente liderados pelo 
Esprito, e eu ouvia com ateno a Sua voz. Eu me sentia no centro 
perfeito da vontade de Deus.

"ORE JIM, ORE!"
Em casa, ainda havia a terrvel tenso de eu no ter coragem para 
contar aos meus pais que estava de fato pregando Eles no faziam a 
menor idia. Manter isso em segredo por tanto tempo j era em si 
mesmo um milagre. Meus irmos e irms safem, mas no contavam 
para papai porque certamente seria o ma fim!
Alm disso, uma vez que havia to pouca comunicao na casa, 
minha me e meu pai no sabiam que eu havia sido curado de meu 
problema de fala. Sempre houve momentos em que eu conseguia falar 
por pouco tempo sem que um problema fosse notado - antes que 
alguma coisa fizesse a gagueira comear novamente.
Em abril de 1975, um anncio de jornal com minha foto apareceu 
no Toronto Star. Eu estava pregando em uma igrejinha pentecostal na 
parte ocidental de Toronto, e o pastorais atrair alguns visitantes.
Funcionou. Sem que eu soubesse, meus pais, Costandi e 
Clemence, folhearam o jornal e reconheceram o anncio-
Naquele domingo  noite, enquanto eu estava sentado no plpito, 
levantei os olhos durante o momento de louvor e no pude acreditar no 
que vi. Passando pela porta, l estavam minha me e meu pai - sendo 
conduzidos aos assentos dotando do auditrio.
Meu Deus!, pensei. O que vai acontecer comigo?
No me lembro de ter ficado mais apavorado em minha vida. Meu 
corao quase parou, e pude sentir o suor em minha testa. Meu pior 
pesadelo no podia se comparar a isso. Fiquei paralisado - assustado 
demais para rir e chocado demais para chorar.
Sentado ao meu lado no plpito estava meu fiel amigo, Jim 
Poynter. Inclinei-me em sua direo e sussurrei: "Ore, Jim. Ore!"
Ele ficou chocado quando eu lhe disse que minha me e meu pai 
estavam ali.
Imediatamente, mil pensamentos passaram por minha cabea, 
principalmente este: Senhor, saberei que realmente estou curado se eu 
no gaguejar esta noite. Durante os ltimos quatro meses nunca houve 
um momento em que fiquei to nervoso durante um culto - e a 
ansiedade sempre me fez gaguejar.
"Senhor, tu tens de me ajudar," orei ao me levantar no plpito 
para pregar. Ento, quando abri a minha boca, as palavras comearam 
a fluir como um rio. Eu me vi de fato "ouvindo" o que o Esprito me 
levava a dizer.
Devo dizer-lhe, no entanto, que no consegui olhar na direo de 
meus pais, nem que de relance.
Enquanto pregava, sabia que minha preocupao com a gagueira 
era intil. Deus havia me curado, e a cura era permanente.
Quando conclu minha mensagem, pude sentir o poder de Deus 
por todo aquele auditrio. Pedi queles que precisavam de uma cura 
que viessem  frente para receber orao. Continuei a perguntar para 
mim mesmo: O que ser que minha me e meu pai esto pensando de 
tudo isto?
Enquanto as pessoas vinham para o altar, notei meus pais se 
levantarem discretamente do banco e sarem pela porta dos fundos.
Terminado o culto, afundei em uma das cadeiras do plpito e 
disse: "Jim, voc realmente precisa orar. Voc percebe que, nas 
prximas horas, meu destino ser decidido?" Temendo o inevitvel 
confronto, eu lhe disse: "Talvez eu tenha de dormir em sua casa hoje."

OUVINDO, DESCRENTE
Fui para o estacionamento e entrei em meu Pontiac de duas 
portas - o primeiro carro que tive. Ele era branco e tinha um teto de 
vinil vermelho. Eu o havia comprado de meu irmo Willie.
Nas prximas horas, dirigi sem rumo por Toronto, determinado a 
esperar at, pelo menos, 2 horas da manh para ir para casa. Eu no 
suportava a idia de encarar meus pais e sabia que, por volta daquela 
hora, eles provavelmente estariam dormindo.
Tranqilamente, pouco depois das 2 horas, estacionei o carro em 
frente de casa e desliguei o motor. Ento, subi as escadas na ponta dos 
dedos e, lentamente, virei a chave na fechadura.
Quando abri a porta da frente, surpreendi-me com o que vi. Ali, 
na minha frente, sentados no sof, estavam minha me e meu pai. 
Entrei em pnico quando os vi entrar naquela igreja, mas esta cena foi 
muito pior. Meus joelhos comearam a tremer e, com isso, procurei um 
lugar para me sentar.
Meu pai foi o primeiro a falar, e ouvi, descrente.
"Filho," ele disse delicadamente, "como podemos ser como voc?"
Eu estava ouvindo o que pensei que estava ouvindo? Este era o 
mesmo homem que ficou to injuriado com a minha converso? O pai 
que havia terminantemente proibido que o nome de Jesus fosse 
mencionado em nossa casa?
"Ns realmente queremos saber," ele disse. "Fale-nos como 
podemos ter o que voc tem."
Olhei para minha querida me e vi lgrimas comearem a rolar 
por seu lindo rosto. No pude conter minha alegria naquele momento. 
Comecei a chorar. E, durante a hora seguinte daquela inesquecvel 
noite, abri as Escrituras e levei meus pais a conhecerem a salvao do 
Senhor Jesus Cristo.
Em um determinado momento, meu pai disse: "Benny, voc sabe 
o que me convenceu?" Ele me disse que, quando comecei a pregar, ele 
se virou para minha me e disse: "Aquele no  o seu filho. O seu filho 
no fala! O Deus dele deve ser real."
A maravilhosa converso de meus pais permitiu ao Senhor 
arrastar literalmente o restante da famlia. Mary, Sammy e Willie j 
haviam entregado o corao para Cristo, e agora isso acontecia com 
Henry, Rose e meu irmozinho, Mike. O ltimo a vir para o aprisco foi 
Chris. Se voc j ouviu falar em "salvao da famlia," aqui est!
Pela primeira vez, a casa dos Hinns se transformou em um "cu 
na terra"! E a mudana no foi passageira. Foi uma obra permanente do 
Esprito.

"Sou Eu!"
Em maio de 1975, o Senhor me convenceu a fazer algo que eu 
nunca havia feito antes. Naquela poca, os nossos cultos estavam sendo 
realizados no belo salo da comunidade da Igreja Anglicana de So 
Paulo, no centro de Toronto. Durante uma reunio com vrias centenas 
de pessoas presentes, passei os olhos pelo pblico e obedeci ao que o 
Senhor estava me dizendo. "Algum que tem um problema na perna 
est sendo curado," declarei.
Ningum se levantou, por isso, repeti as palavras. "Algum que 
tem um problema na perna est sendo curado neste exato momento! 
Por favor, fique em p."
Cerca de um minuto depois, uma jovem ruiva de cabelos longos 
ps-se em p e comeou a andar em direo ao plpito. "Sou eu!", ela 
exclamou. "Fui curada."
A partir daquele momento, Deus mudou a direo do ministrio. 
Culto aps culto, pessoas estavam sendo curadas e libertadas enquanto 
a reunio acontecia. No havia mais filas de pessoas em busca de cura, 
esperando a imposio de mos. O Senhor comeou a fazer a sua obra 
de um lado a outro do auditrio - e tantos eram tocados que j no 
havia mais tempo para todos os testemunhos.
As multides aumentaram cada vez mais at que tivemos de 
passar as reunies de segunda  noite do salo da comunidade para o 
grande santurio da Igreja Anglicana de So Paulo - o mesmo local que 
as Catacumbas usavam s quintas-feiras.

SEGUINDO PARA O NORTE
"Benny, estamos comprando uma passagem de avio para voc ir 
conosco para Sault Sainte Marie" - uma cidade ao noroeste de Ontrio, 
ao longo da fronteira da Pennsula Superior de Michigan.
"O que est acontecendo l?" perguntei.
"Uma conveno da ADHONEP (Associao dos Homens de 
Negcio do Evangelho Pleno), e ns falamos tudo sobre voc para os 
diretores," disse meu amigo John Arnott.
No incio daquele ano John havia sido convidado para a segunda 
reunio que realizei na Escola de Segundo Grau Georges Vanier e havia 
se tornado um maravilhoso amigo e um grande mantenedor de meu 
ministrio. Como John, mais tarde, disse para mim: "Sabamos que esta 
era a uno de Deus - era algo que desejvamos."
Quando Kathryn Kuhlman veio para o Canad naquele ano, 
John, sua amiga Sandy Fleming e eu nos oferecemos para cantar no 
coral. Ficamos sentados at o fim da reunio e choramos feito crianas - 
orando para que o Esprito fosse derramado sobre a nossa vida.
John e sua esposa tinham o corao de servos. Eles me levaram 
s reunies, ajudaram a arrumar as cadeiras e ele at levou minha 
bagagem. Costumvamos orar juntos quando viajvamos pelas estradas 
de Ontrio: "Oh, Jesus, no nos deixes descansar at que 
verdadeiramente te conheamos em toda a tua glria e poder."
Muitos anos depois, John Arnott realizou um avivamento mundial 
que ficou famoso como a "Bno de Toronto", e ele se tornou pastor da 
Toronto Airport Christian Fellowship.
Naquela poca, John era um empresrio bem-sucedido que tinha 
vrias fazendas e negcios no sul de Ontrio.
Enquanto seguamos para o aeroporto para pegarmos o avio 
para Sault Sainte Marie, em setembro de 1975, John disse: "Benny, 
voc precisa saber que esta viagem tem por objetivo apenas apresent-
lo  liderana da ADHONEP"
"Voc quer dizer que no vou ministrar? ", perguntei.
Eles confessaram que houve uma grande resistncia por parte de 
alguns da liderana. Na realidade, um diretor disse para John: "No, 
no queremos um novato no plpito."
Quando chegamos ao Holiday Inn, John convenceu o presidente 
da conferncia a deixar que eu desse um pequeno testemunho.
"Amigos," o lder do culto anunciou, "estamos felizes por termos 
um jovem de Toronto conosco hoje, e ns lhe pedimos que 
compartilhasse algo com vocs nos prximos minutos."
Nervoso, fui para o plpito, sem conhecer ningum no local -e 
eles naturalmente no me conheciam. Ento, assim que comecei, buml 
O poder de Deus atingiu aquele lugar como um furaco de nvel cinco. 
Durante uma hora e meia, as pessoas choraram, corpos ficaram 
prostrados diante do Senhor e milagres aconteceram por toda a sala.
Eu soube no mesmo instante que esta no seria minha ltima 
visita no norte do Canad.

PORCAS E PARAFUSOS
Na tarde seguinte, quando o furgo de cortesia do hotel estava 
para deixar o Holiday Inn para seguir para o aeroporto, o gerente do 
hotel parou-me e disse: "Sr. Hinn, eu gostaria que o senhor conhecesse 
um de nossos ministros locais. Este  o Reverendo Fred Spring."
Fred no estava ali para a reunio dos homens de negcios; ele 
estava participando da recepo de um casamento no mesmo local.
"Sou o pastor do Elim Pentecostal Tabernacle, um templo das 
Assemblias de Deus aqui," ele disse para mim. Ento, esse homem - 
que tinha as costeletas mais diferentes que j vi - disse algo com que 
at ele se surpreendeu. "Eu gostaria que voc viesse ministrar em 
minha igreja," ele me convidou.
Como Fred Spring me contou mais tarde: "Aquilo foi totalmente 
atpico de minha parte. Eu era muito exigente acerca de quem deixaria 
pregar em meu plpito. Seu nome era vagamente familiar, e eu j havia 
ouvido falar, em algum lugar, que voc era um evangelista novo, 
envolvido em um ministrio de cura; eu simplesmente fui levado a 
convid-lo."
Minha resposta ao convite do Pr. Spring foi: "Estarei l!"
Naquele outono, voltei a Sault Sainte Marie para realizar uma 
cruzada de trs noites com Fred Spring. No domingo  noite, as pessoas 
fizeram fila do lado de fora do Elim Pentecostal Tabernacule, esperando 
um assento.
"Benny, meu conselho est um pouco preocupado, mas quero que 
voc me prometa que voltar logo."  claro que o que estava 
acontecendo nos cultos era extremamente atpico. Deixou alguns 
veteranos balanando a cabea.
Fred tambm me contou que o homem que mantinha sua igreja 
estava preocupado. "Voc no pode impedir aquele rapaz de fazer 
aquilo?"
"Fazer o qu?", o pastor Spring quis saber.
"Bem, fazer com que todas aquelas pessoas caiam no Esprito nos 
bancos," ele respondeu.
"Qual  o problema?", indagou Fred.
"Alguns bancos esto se soltando do cho e teremos de arrancar 
os parafusos e troc-los."
Fred apenas sorriu. A obra que Deus estava por fazer em Sault 
Sainte Marie era mais importante do que algumas porcas e parafusos.























CAPTULO 12

UMA JORNADA DE MILAGRES


"Benny, acho que voc precisa voltar ao norte de Ontrio, pelo 
menos, trs ou quatro vezes por ano", Fred Spring disse para mim.
" um convite?", eu disse rindo.
Toda vez que eu visitava Sault Sainte Marie para realizar cultos, 
as multides aumentavam - tnhamos de sair da igreja e ir para o 
auditrio do White Pines Collegiate School.
Eu adorava estar no que chamvamos de "o pas do norte" com 
Fred e sua esposa, Bette. Fred tomava emprestado um carro e ns 
viajvamos o mximo possvel para o norte at quase acabarem as 
estradas, muitas vezes pregando em igrejinhas.
Ainda rio quando me lembro do culto que realizamos em um lugar 
chamado Wawa. O maravilhoso pastor dali havia sido piloto de avio 
nas Northland Missions, um projeto das Assemblias de Deus ao norte 
do Canad. Infelizmente, o homem havia perdido o brao em um 
acidente. Ele caiu de um ponto e seu brao foi decepado pela lmina 
da hlice do avio. Agora, ele usava prtese de um brao e de uma mo.
Tivemos uma reunio maravilhosa em uma igreja que estava 
superlotada. E quando o culto terminou, eu queria agradecer a todos 
que haviam participado. "Acho que deveramos dar uma grande slvia 
de palmas para o pastor", eu disse.
As pessoas comearam a rir - inclusive o ministro - e eu no 
sabia por qu. Virei-me para Fred e perguntei: "O que eu disse?"
"Voc pediu a eles que dessem ao pastor uma grande slvia de 
palmas", ele explicou, rindo.
Foi uma das poucas vezes em que fiquei constrangido no plpito.

O CACIQUE
Durante uma de nossas viagens at o norte, realizamos uma 
reunio na vila dos espanhis, em Ontrio, cerca de quinhentos e 
setenta quilmetros de Toronto. Era uma colnia indgena.
Os ndios eram um povo generoso, mas bastante austero, com 
rostos carrancudos e queixos proeminentes. Enquanto eu pregava sobre 
o poder de Deus de operar milagres, a maioria deles ficou sentada ali, 
de braos cruzados.
Quando eu estava para concluir, um ndio enorme se ps em p e 
comeou a atravessar lentamente o corredor com sua esposa e famlia. 
Ele andava de muletas. Seu rosto no tinha expresso enquanto ele 
vinha a frente. A medida que ele se aproximava cada vez mais, eu 
esperava que algum o detivesse, mas ningum se moveu.
Assim que ele chegou  frente do auditrio, todos os olhos se 
voltaram para ele.
"Senhor, como posso ajud-lo?", perguntei, relutante, enquanto 
ele subia ao plpito.
O homem olhou bem nos meus olhos e disse: "Voc diz que Deus 
cura."
"Sim, Ele cura", respondi.
O ndio ento continuou e contou para mim o que havia de errado 
com ele - e a lista de doenas era, de fato, longa. Ele continuou a 
explicar que estava aleijado havia vinte e oito anos, e que sua esposa 
estava com cncer. Ele tambm nos disse que sua filhinha sofria de 
uma doena de pele que fazia a superfcie sangrar terrivelmente - e que 
o bebezinho que sua esposa estava carregando nos braos tambm 
estava doente.
"Voc diz que Deus cura", ele repetiu. "Ento, prove!"
Enquanto olhava para o homem e sua famlia em p na minha 
frente, eu sabia que no havia nada que eu podia fazer por eles. 
Desesperado, ca de joelhos - e pedi que todos os pregadores e um 
sacerdote catlico que estavam no plpito fizessem o mesmo. Levantei 
as mos e disse: "Querido Jesus! No estou pregando o meu Evangelho. 
Estou pregando o teu Evangelho! Este homem est me pedindo para 
prov-lo. Este  o teu Evangelho -Tu o provas, querido Jesus!"
As palavras mal saam de meus lbios quando ouvi uma grande 
agitao. Abri os olhos e vi toda a famlia no cho ao meu lado -um em 
cima do outro. Todos eles caram debaixo do poder do Esprito Santo.
Fiquei surpreso com o que vi.
"Fui curado!", gritava o pai enquanto saltava. "Fui curado!" Ele 
estava saltando de alegria e com lgrimas. Ento, ele levantou a manga 
da blusa de sua filhinha, que revelou uma pele to perfeita como a de 
um beb. A doena de pele havia desaparecido e ela tambm estava 
curada! - e o mesmo aconteceu com sua esposa e a criancinha.
Como voc pode imaginar, o pblico ficou animado. Reprimidos e 
calados poucos minutos antes, eles agora estavam louvando a Deus 
pelos milagres que aconteceram.
O avivamento veio quela pequena comunidade - e Jesus recebeu 
todo o louvor.
At hoje fico profundamente emocionado toda vez que me lembro 
do que Deus fez na vila dos espanhis, em Ontrio.

A BORDO
 claro que Deus tinha um propsito ao permitir que eu 
conhecesse Fred Spring no norte do Canad. Foi o comeo de um 
relacionamento com um homem que estava para desempenhar um 
papel vital no futuro de nosso ministrio.
Naquele mesmo ano, quando organizamos a Associao 
Evangelstica Benny Hinn, Fred no s era membro do conselho, mas 
tambm se tornou diretor-executivo do ministrio. Ele viajava de avio 
para Toronto quase toda segunda-feira - em seu dia de folga - para 
cuidar de detalhes administrativos e coordenar minha agenda de 
ministraes.
O Senhor cercou-me de alguns maravilhosos homens de Deus. 
Nosso conselho inclua David Sturrie, Keith Elford, Frederick Browne - e 
Richard Green, diretor de uma importante firma de contabilidade de 
Toronto, cuidava das finanas.
Durante esta poca, eu realizava, pelo menos, cinco cultos por 
semana, no s no Canad; um nmero crescente de convites tambm 
chegava dos Estados Unidos.
John Arnott, que passava um tempo considervel na Flrida, 
organizou minha primeira viagem para ministrar no Sunshine State, 
incluindo reunies no Tabernacle Chureh, em Melbourne, onde Jamie 
Buckingham era pastor. Tambm preguei em uma igreja episcopal 
carismtica em Maitland e na Igreja Catlica de So Joo, em Orlando. 
Aquelas reunies ungidas abriram muitas portas.
Em Toronto, nossos cultos de milagres nas noites de segunda-
feira haviam passado para o espaoso Centro Evangelstico em York 
Mills Road. Todo culto ficava lotado, restando apenas lugar para ficar 
em p. Do lado de fora, a situao do estacionamento era descrita como 
"um verdadeiro caos." Em qualquer segunda-feira, era possvel 
encontrar um nibus cheio de catlicos de Quebec, um grupo de rabes 
do Egito ou pessoas que vinham de Michigan, Nova York ou Manitoba.
Em nossas reunies, eu sempre dizia  multido para que 
voltasse os olhos para o nosso maravilhoso Jesus. Eu lhes dizia que 
Deus no diz: "Eu tenho a cura". Ele sempre diz: "Eu sou o Senhor que 
cura". A cura  uma pessoa. Eu pregava que "o grande segredo para a 
cura  o Senhor Jesus"
Descobri que os novos convertidos - prontos para aceitar tudo o 
que Deus tinha para eles, tambm estavam abertos e mais preparados 
para receber a cura. E eles viram o poder da igreja do Novo Testamento 
em ao.

"SR. PENTECOSTES"
A toda hora, Deus estava me instruindo e moldando meu 
ministrio.
Eu vinha pregando h quase um ano quando fui convidado para 
ser um dos ministrantes em uma conferncia em Brockville, uma cidade 
ao leste de Ontrio, no St. Lawrence River. Foi ali que conheci um 
senhor a quem cheguei a respeitar como um gigante na f - David 
DuPlessis.
Milhes de pessoas de todas as partes do mundo conheciam e 
amavam este homem a quem chamavam de "Sr. Pentecostes". Foi ele 
quem introduziu o movimento carismtico na igreja catlica. Seus 
ensinos sobre o batismo no Esprito Santo foram usados poderosamente 
por Deus e influenciaram incontveis vidas.
A conferncia, realizada em um hotel, foi organizada por Maudie 
Phillips, uma mulher que trabalhava com Kathryn Kuhlman.
Depois de uma reunio com David DuPlessis, enquanto eu 
passava por um corredor, Maudie me chamou e perguntou: "Voc 
gostaria de acompanhar David at o quarto dele?"
Eu me enchi de alegria e pensei: Que privilgio ser chamado para 
acompanhar este servo de Deus at seu quarto de hotel.
Maudie apresentou-me ao Dr. DuPlessis e saiu. Sorri para o "Sr. 
Pentecostes" enquanto amos andando. Ainda me lembro da elegncia 
com que este homem extremamente baixo e grisalho estava vestido, 
carregando uma pasta impressiva. Eu estava emocionado com a chance 
de estar perto desse homem de Deus. Passando pelo corredor, minha 
mente estava confusa com as coisas que eu queria perguntar - mas eu 
no sabia como.
Por fim, ao decidir que no desperdiaria esta oportunidade 
perfeita, criei coragem, respirei fundo e perguntei: "Sr. DuPlessis, como 
posso agradar a Deus?"
No instante em que aquelas palavras saram de meus lbios, ele 
parou de andar pelo corredor, ps sua pasta no cho e se virou para 
mim. Colocando seu dedinho grosso em meu peito, ele me empurrou 
contra a parede. Ento, me examinou atravs de seus culos e, com 
uma voz sria, disse: "Nem tente". E acrescentou: "A capacidade no  
sua;  a capacidade de Deus em voc."
Com isso, ele prontamente disse: "Boa noite", deu um passo para 
trs, pegou sua pasta e desapareceu, entrando em seu quarto.
Fiquei ali, com as costas ainda prensadas contra aquela parede - 
sem palavras.
O que ele quis dizer?, perguntei para mim mesmo. Eu esperava 
uma resposta profunda e comprida deste gigante espiritual, e tudo o 
que ele disse foi: "Nem tente. A capacidade no  sua;  a capacidade de 
Deus em voc."
Levei vrios anos para compreender plenamente a grande lio 
encontrada naquelas palavras. Agora sei que no  necessrio tentar 
agradar a Deus com minhas prprias foras. Isso seria intil; pois Ele 
completou a obra na cruz quando disse: "Est consumado!"
Aprendi que tudo o que tenho de fazer  entregar-me ao Esprito 
Santo - e Ele far o restante. Era isso que David DuPlessis queria dizer.
Mais tarde, o Dr. DuPlessis e eu nos tornamos amigos ntimos e, 
por isso, tive a oportunidade de conversar com ele sobre as coisas do 
Esprito. Na verdade, pouco antes de sua morte, tive o privilgio de 
trabalhar com ele por pouco tempo juntamente com meus bons amigos 
Ronn Haus e Tommy Reid. Ele tinha um ministrio que se chamava 
"Joo 17.21", voltado para o perdo.


UMA REUNIO CANCELADA
No final de novembro de 1975, recebi um telefonema de Maudie 
Phillips. "Benny", ela disse, "sei que voc queria conhecer Kathryn h 
algum tempo e j preparei tudo. Na verdade, conversei com ela sobre 
seu ministrio. Voc pode estar em Pittsburgh na prxima sexta-feira de 
manh? Ela poder encontrar-se com voc logo depois do culto."
" claro que estarei a", respondi com grande entusiasmo. A idia 
de que eu, finalmente, teria a oportunidade de conhecer a senhorita 
Kuhlman era emocionante. Eu estava ansioso para expressar minha 
gratido pelo importante papel que ela havia desempenhado em minha 
vida.
Cheguei cedo na Primeira Igreja Presbiteriana. Como sempre, as 
pessoas, s centenas, faziam fila, esperando as portas se abrirem. 
Alguns minutos depois, um membro da equipe veio at mim e disse: 
"Sei que o senhor est aqui para se encontrar com a senhorita Kuhlman 
depois do culto. No entanto, ela no estar aqui hoje. Ela est doente e 
foi levada para o hospital."
Ningum se lembrava de nada parecido ter acontecido antes. 
Kathryn nunca cancelou um culto. Pouco depois, a mesma notcia foi 
dada a toda a multido que estava  espera. A notcia foi motivo de 
grande preocupao. As pessoas ficaram espantadas. Aos cochichos, 
elas perguntavam umas para as outras: "Eu gostaria de saber se  
realmente srio?", "Voc acha que eles vo dizer mais coisas para ns?"
No havia por que eu ficar ali. Deixei Pittsburgh e voltei para o 
Canad.
Trs meses depois, no dia 20 de fevereiro de 1976, Kathryn 
Kuhlman morreu por causa de um problema cardaco.
Quando a notcia de sua morte chegou aos meus ouvidos, enterrei 
a cabea em minhas mos e comecei a chorar. Embora eu nunca a 
tivesse conhecido, Kathryn era como um membro de minha famlia. Ela 
havia me apresentado um banquete espiritual e suas palavras haviam 
me inspirado imensamente. Inmeras lembranas passaram por minha 
mente e tudo o que pude fazer foi cair de joelhos e orar: "Senhor, 
obrigado pela senhorita Kuhlman. Obrigado por us-la para tocar a 
minha vida."
Muitas vezes, perguntam-me: "Benny, fale-me sobre a senhorita 
Kuhlman. Como ela era?"
Eles se surpreendem quando digo: "Oh, nunca tive a 
oportunidade de conhecer Kathryn pessoalmente." Relembrando minha 
viagem para Pittsburgh, creio que o que aconteceu naquele dia foi 
providncia de Deus.
Como eu disse para os membros de minha equipe recentemente, 
se eu tivesse conhecido Kathryn,  possvel que teria acreditado que ela 
passou a uno para mim, ou que Deus poderia t-la usado, de algum 
modo, para pass-la para mim. No, o Senhor queria que eu entendesse 
claramente que a uno vem dele, e no de alguma pessoa.
Creio piamente que Deus usa Seus servos para influenciar-nos a 
fim de que andemos em seus caminhos - at para levar-nos a uma 
atmosfera onde aconteam milagres. O Senhor no me deu nenhum 
poder ou dom especial por meio de Kathryn Kuhlman; pelo contrrio, 
Ele a usou para ajudar-me a encontrar a uno.

Os MILAGRES E A MDIA
A partir de 1976, a imprensa no Canad comeou a prestar 
ateno em nossas reunies. Havia histrias sobre as "Reunies de 
Milagres" que estvamos realizando na primeira pgina dos jornais.
O Toronto Globe and Mail enviou os reprteres Peter Whelan c 
Aubrey Wice ao culto na Sala de Reunies da Universidade de Toronto. 
Sob uma manchete que dizia: "Cura pela F: O Poder da F", eles 
descreveram os testemunhos de cura. E concluram o artigo com uma 
citao minha: "No estou interessado em engrandecer Benny Hinn. 
No estou e nunca estarei. Jesus  : Aquele... que deve ser 
engrandecido e exaltado. Queremos alcanar almas para o Senhor 
Jesus. Quero ver almas, almas, almas, almas, almas. Vocs entendem?"
O Toronto Star, em um artigo maior, trazia na manchete: "A Cura 
Pela F Realmente Funciona?" Um reprter apresentou quatro estudos 
de caso de pessoas que haviam sido curadas em nossos cultos. Ele 
falou sobre um funcionrio da fbrica da GM, em Oshawa, que tinha 
cncer de garganta. "Nesta semana, depois de um exame minucioso na 
clnica de tratamento de cncer, disseram para ele que no havia 
nenhum sinal da malignidade."
Ele tambm detalhou a histria de um caminhoneiro de 
Beaverton: "No freqentador da igreja, o homem que sofria de 
insuficincia cardaca congestiva e de um pequeno enfisema (pulmonar) 
havia sete anos, foi convencido pelos amigos a participar de uma 
cruzada de cura. 'Fui ao mdico trs dias depois, e ele me disse que no 
conseguiu encontrar nada de errado', ele diz. 'Deve ter sido Deus que 
fez isso'."
E os mdicos dessas pessoas ? O reprter citou um deles dizendo: 
o seguinte: "Veja, h mais coisas acontecendo neste mundo do que 
imaginamos."
As emissoras de televiso comearam a filmar documentrios; do 
que Deus estava fazendo. A CCT (Canadian Broadcasting Corporation ou 
Corporao Canadense de Transmisso), A Global; TV e a enorme 
emissora independente de Toronto, o Canal 9, fizeram novas 
reportagens. As histrias na mdia no eram relatos crticos, mas 
descries factuais do que estava acontecendo.

PARALISADO EM PITTSBURGH
H. Em 20 de fevereiro de 1977, fui convidado para ir a Pittsburgh 
H' para falar em uma cerimnia memorial em homenagem  senhorita B 
Kuhlman. O Carnegie Music Hall estava cheio.
Eu j estava pregando havia mais de dois anos, mas me senti um 
novato naquela noite. Enquanto o filme sobre seu ministrio estava 
sendo apresentado, espiei por detrs da cortina do palco e meus joelhos 
comearam a amolecer - meu estmago estava embrulhando. A maioria 
destas pessoas no me conhecia e nunca havia estado antes em minhas 
reunies.
Jimmie McDonald, h muito tempo solista de Kathryn Kuhlman 
nas cruzadas, apresentou-me e eu estava to nervoso que no 
conseguia falar. Simplesmente levei o pblico a cantar: "Jesus, Jesus, 
There's just Something About That Name" Jesus, Jesus, H Algo Neste 
Nome). Eles cantaram isso vrias vezes.
Depois do que parecia ser uma eternidade, finalmente lancei os 
braos para o alto e clamei em voz alta: "No posso faz-lo! Senhor, no 
posso faz-lo!"
Naquele exato momento, ouvi uma voz l no meu ntimo que 
dizia: Eu me alegro por voc no poder. Agora, eu posso.
No mesmo instante, a apreenso e o medo desapareceram. Meu 
corpo fsico relaxou. Comecei a falar coisas que eu no havia preparado, 
e o poder de Deus comeou a tocar as pessoas de um lado a outro do 
auditrio. Foi uma noite memorvel e emocionante.
Durante os trs anos seguintes, realizei cultos de milagres vrias 
vezes em Pittsburgh todos os anos, no Carnegie Music Hall e no 
Soldiers and Sailors Memorial Hall, subsidiados pela Fundao Kathryn 
Kuhlman.
No ano seguinte  morte de Kathryn Kuhlman, fui convidado por 
sua fundao para viajar a cidades por todo o Canad e Estados Unidos 
para realizar cultos de milagres especiais. Jimmie McDonald cantava, o 
filme sobre a reunio de Kathryn Kuhlman em Las Vegas era 
apresentado e eu ministrava. Na Catedral de Queensway, em Toronto, 
no McCormick Place, em Chicago, e em Vancouver, as pessoas estavam 
sendo curadas durante o filme, mesmo antes de eu subir ao plpito. A 
poderosa uno que Deus havia colocado sobre a vida dela ainda estava 
presente naquelas reunies.

A CONVERSA EM UM TXI AMARELO
Em 1976 e 1977, fui convidado para falar na Conferncia sobre o 
Esprito Santo em Jerusalm, patrocinada pela Logos International. Foi 
a primeira vez que voltei para minha terra natal desde que emigramos 
oito anos antes. O encargo que eu sentia pelo Oriente Mdio era forte. 
"Senhor", orei, "de algum modo, abre a porta para que eu possa, um 
dia, voltar e pregar a tua mensagem para o povo da Terra Santa."
Tanto no Canad como nos Estados Unidos, nosso ministrio 
estava se expandindo. Em 7 de dezembro de 1977, realizamos uma 
festa de aniversrio de trs anos no Sheraton Center, em Toronto. Mais 
de mil pessoas estavam presentes.
O Senhor estava abenoando grandemente o ministrio e algumas 
pessoas me encorajavam a comear um programa de televiso. 
Fechamos contrato para um programa em horrio nobre em uma 
grande emissora - aos domingos, s 22h, depois de 60 Minutes. O 
programa chamava-se Its a Miracle (E um Milagre).
Foi em Toronto que fui salvo, curado e tocado pelo poderoso 
Esprito de Deus. A imprensa no tinha outra coisa seno boas notcias 
para dar sobre o ministrio, mas, em meu corao, eu sentia que logo 
estaria deixando a cidade. Orei pela direo do Esprito Santo.
Eu sabia que o Senhor estava me levando a estabelecer um 
ministrio internacional, mas no sabia onde. Dois anos antes, 
enquanto eu estava em um txi amarelo em Pittsburgh, tive uma 
conversa com o Esprito Santo neste sentido. Ele claramente me 
mostrou que o ministrio "afetaria o mundo."
Eu me perguntei: Onde ser? Nova York? Los Angeles? Mais de 
90% de nosso ministrio estavam acontecendo nos Estados Unidos. Eu 
sentia que era para l que Ele estava conduzindo, mas a localizao 
exata no estava clara.
Por meio de alguns eventos, Deus revelaria o Seu plano.








CAPTULO 13

"ELA VAI SER SUA ESPOSA!"


Fiquei mais do que frustrado quando cheguei para fazer o check-
in no aeroporto e me informaram: "Sr. Hinn, o seu vo para Manila foi 
cancelado."
Era vero de 1978 e eu estava a caminho de uma Conferncia do 
Ministrio Joo 17.21, em Cingapura, liderada por David DuPlessis. 
Havia diversos amigos pastores que eu estava ansioso para ver - 
incluindo Ronn Haus, que, naquela poca, estava trabalhando com 
David.
Reservei um outro vo que pararia em Hong Kong, na Tailndia, e 
depois seguiria para Cingapura - fazendo com que a viagem ficasse 
muito mais longa. Mal cheguei para a ltima reunio da conferncia. 
Para piorar as coisas, minha agenda de ministrao estava to apertada 
que tive de voltar para Toronto quase que de imediato.
Havia uma surpresa  minha espera no vo de volta. Roy 
Harthern estava a bordo. Era um ingls que havia sido transferido, 
pastor de uma das maiores Assemblias de Deus dos Estados Unidos 
na poca - a Calvary Assembly, em Orlando, na Flrida. Eu j havia 
sido um dos pastores convidados em seu plpito (pregando cinco vezes 
em um domingo) e foi uma grande alegria v-lo. "Vamos pedir  
aeromoa que troque nossos lugares para que possamos passar estes 
momentos juntos," Roy sugeriu.
No fazia muito tempo que estvamos no ar quando ele puxou 
sua carteira e, com orgulho, disse: "Deixe-me mostrar para voc minhas 
filhas". No conheci toda a sua famlia, pois, quando estive em Orlando, 
suas filhas gmeas estavam estudando fora. Elas estavam cursando a 
Faculdade Evanglica, uma escola de cincias humanas das 
Assemblias de Deus em Springfield, Missouri.
Ele me mostrou as fotos de suas trs filhas, uma a uma, dizendo 
seus nomes e contando um pouco sobre elas. Segurou uma foto e disse: 
"Agora esta  Suzanne" - e eu me inclinei para ver melhor a foto.
No mesmo instante, algo dentro de mim estava dizendo: Ela vai 
ser sua esposa. No foi uma voz audvel, mas foi inconfundvel. Ela vai 
ser sua esposa.
"Posso ver esta foto de novo?", perguntei para Roy. E disse para 
mim mesmo: "Que bela jovem."
Ao mesmo tempo, pensei: Senhor, agora no  hora para me falar 
de uma esposa.

ELE ME PASSOU O TELEFONE
Durante aquele vero, eu estava enfrentando a primeira crise real 
desde o incio de nosso ministrio. Por causa das grandes despesas com 
os programas de televiso no Canad, estvamos sob o peso de uma 
grande dvida - algo que nunca pensei que aconteceria. Embora 
tivssemos encerrado os programas de televiso, as contas que ainda 
tnhamos eram espantosas.
No avio, Roy Harthern pegou sua agenda e disse: "Benny, vamos 
fechar uma data para voc voltar a Orlando neste outono." Definimos a 
data e eu voltei  sua igreja em setembro.
Uma tarde, durante a cruzada, eu estava no escritrio de Roy 
quando ele discou o nmero do telefone do dormitrio de sua filha na 
Faculdade Evanglica. No meio da conversa, ele disse: "Suzanne, h 
algum aqui que gostaria de dizer ol" - e me passou o telefone.
"Suzanne, aqui  Benny Hinn," eu disse com a minha voz mais 
afetuosa e amvel. "Ouvi algumas coisas maravilhosas a seu respeito. 
Na verdade, seu pai me mostrou sua foto enquanto estvamos voltando 
de avio de Cingapura juntos. Espero poder conhec-la um dia desses."
Ela respondeu, dizendo: "Ouvi coisas maravilhosas a seu respeito 
tambm."
Eu no sabia na poca, mas seu pai j havia lhe mostrado minha 
foto durante o vero e dito: "O que voc acha dele? Talvez ele seja seu 
tipo."
A resposta de Suzanne foi: "Seja o que Deus quiser!" E ela no 
pensou mais no assunto.
Em outubro, enquanto eu estava no Canad, Suzanne foi passar 
as frias do meio do semestre em casa, na Flrida. Certa tarde, 
enquanto estava andando de carro, sua me, Pauline, contou uma 
conversa que havia tido com a av de Suzanne, uma mulher de orao 
de Cardiff, em Wales. "Sua av perguntou para o Senhor: 'Com quem 
Suzanne se casar?' E o Senhor lhe disse: 'Benny Hinn " - e aquela 
querida mulher nunca me conheceu!
Aos 19 anos, Suzanne reagiu a isso como um comentrio de 
algum que estava ficando muito velha e que poderia facilmente estar 
confusa. Alm disso, ela estava interessada em seus estudos, e no a 
fim de ter um relacionamento srio.

MEUS JOELHOS AMOLECERAM
A medida que o Natal se aproximava, telefonei para Roy Harthern 
e perguntei: "O que voc acha de eu ir at a para passar alguns dias 
com vocs durante as festas?"
"Maravilhoso," ele respondeu. "Voc pode passar o Natal aqui?"
Eu nunca havia passado o Natal longe de minha famlia, mas algo 
estava me arrastando para o sul, e no era o sol da Flrida. Eu ainda 
me lembrava da foto que havia visto no avio e da reao que senti em 
meu corao.
Suzanne deixou a faculdade para passar as festas em casa e foi 
informada que um evangelista - o mesmo com quem havia falado ao 
telefone - passaria as festas na casa deles. "Tratem-no como se fosse da 
famlia," Pauline disse para as filhas.
Quando cheguei  casa dos Hartherns no sbado, Suzanne no 
estava em casa. Havia ido direto para a casa de algumas pessoas da 
igreja, onde todos havamos sido convidados para jantar. Ela me disse, 
muito mais tarde: "Eu no queria dar a impresso de que estava 
ansiosa para conhec-lo."
Logo depois que entrei naquela casa, Suzanne saiu da cozinha e 
entrou na sala de estar. Olhei para seus lindos olhos verde-azulados e 
meus joelhos amoleceram!

UMA CONFIRMAO EM COCOA BEACH
O Natal foi na segunda-feira, e os Hartherns se abriram para mim 
- e colocaram meu nome em presentes que estavam debaixo da rvore. 
Aps o jantar, eu disse para Suzanne: "Tenho alguns amigos em Cocoa 
Beach que gostaria de visitar nesta tarde. Voc gostaria de ir comigo?"
" claro. Por que no?", ela respondeu com um tom que dizia: "S 
estou sendo educada."
Fui para a casa de Maxine e Harry LaDuke, um maravilhoso casal 
de cristos que conheci na primeira vez em que estive na Flrida 
ministrando na igreja de Jamie Buckingham. Maxine era uma mulher 
muito religiosa - uma intercessora.
No fazia nem dois minutos que estvamos na casa deles quando 
Maxine me puxou para o lado e disse: "Benny, esta ser sua esposa! 
Quando vocs entraram, havia uma uno em vocs dois!" Para mim, foi 
outra confirmao do que eu j sentia.

"Vou SURPREEND-LO"
Durante estes dias, Suzanne e eu tivemos algumas conversas 
maravilhosas sobre o que significa viver de maneira crist. Cada vez 
mais, eu estava impressionado com sua simplicidade e pureza.
Voc precisa entender que eu havia estipulado padres 
extremamente altos para a mulher com quem me casaria - orei por 
algum que nunca tivesse rumado, nunca tivesse beijado um rapaz e 
ainda fosse virgem. Suzanne estava correspondendo a todas as 
expectativas. O mais importante ainda era que eu estava apaixonado.
Na quinta-feira, viajei de avio para San Jos, na Califrnia, para 
participar dos cultos de final de ano em uma grande igreja pastoreada 
por Kenny Forman. E, antes de partir, perguntei a Suzanne se havia 
uma foto dela que eu pudesse levar. Ela encontrou uma da escola.
Ronn Haus encontrou-me no aeroporto e me perguntou algo que 
estava passando a ser uma brincadeira normal: "Bom, Benny, voc j 
achou uma namorada?"
"Vou surpreend-lo, Ronn", respondi. "Na verdade, gosto da filha 
de Roy Harthern." Orgulhosamente, mostrei-lhe a foto.
De volta a Orlando, Suzanne, suas irms e a me comearam algo 
que se tornou uma tradio anual. Elas entraram em um perodo de 
jejum e orao para buscar a vontade de Deus para o ano que 
comeava.
Suzanne disse para mim, mais tarde, que comeou a perceber 
que algo estava acontecendo entre ns, e orou: "Senhor, se isto for de ti, 
confirme-o para mim. Que Benny telefone para mim hoje."
Ronn me pregou uma pea naquele dia, ligando para o meu 
quarto e me pedindo para ligar para Suzanne, dizendo: "Ela telefonou 
para mim e pediu para voc ligar para ela."
Ento, liguei - e tivemos uma conversa maravilhosa.
O Senhor usou a pequena travessura de Ronn para confirmar 
novamente para Suzanne que esta era a vontade dele.

UM TESTE DIFCIL
Eu estava to encantado com Suzanne que perguntei aos 
Hartherns se poderia voltar para l e ficar mais alguns dias.
Durante o tempo que passamos juntos, coloquei "velos" para ver 
se esta realmente era a garota com quem eu deveria me casar, e cada 
velo foi respondido. Pensei: Ser que isto  apenas coincidncia ou Deus 
realmente quer que eu me case com esta jovem?
Ento, pedi um ltimo sinal - um sinal muito difcil.
Na segunda-feira, dia de ano-novo, sentado no avio de volta para 
a Flrida, tive uma conversa com Deus. Eu disse: "Se ela realmente for 
a minha esposa, que me diga quando eu chegar: 'Fiz uma torta de 
queijo para voc. " Este foi o teste mais atpico em que pude pensar.
Suzanne encontrou-me no aeroporto de Orlando e as primeiras 
palavras que saram de sua boca foram: "Benny, fiz uma torta de queijo 
para voc." Em seguida, acrescentou: "No espere muita coisa. Nunca 
fiz uma torta de queijo antes!"
Uma vez que Suzanne estava se preparando para voltar para a 
Faculdade Evanglica, eu sabia que tinha pouco tempo a perder.


"NO VAI DEMORAR MUITO"
Na sexta-feira, os Hartherns levantaram-se cedo para se 
prepararem para uma reunio de orao na igreja chamada 
"Intercessores pela Amrica." Roy j havia sado de casa e Pauline 
estava se preparando para sair.
Quando perguntei: "Posso conversar com voc?", Pauline 
respondeu: "Tenho certeza de que voc quer falar comigo sobre 
Suzanne," facilitando as coisas para mim. Ela pensou que eu pediria 
permisso para namorar a filha deles.
Sabendo que ela estava com pressa para sair, eu disse: "No vai 
demorar muito."
A ss, naquela sala onde ningum poderia ouvir-nos, eu devo t-
la atordoado quando disse: "Quero me casar com Suzanne. Estou 
apaixonado por ela." Depois, acrescentei: "Fiz uma lista longa de coisas 
que estou procurando em uma esposa, e a sua filha corresponde a cada 
uma delas."
"Bem, bem", ela disse, hesitante, com seu ntido sotaque 
britnico, "voc precisa falar com o pai dela, e ele j foi para a reunio 
de orao. Voc ter de conversar com ele quando a reunio acabar."
Suzanne vestiu-se e foi para a igreja comigo - sem saber que esta 
conversa j havia acontecido.
Quando chegou  igreja, Pauline pediu ao marido para dirigir a 
reunio de orao. "Minha cabea no est no culto," ela lhe disse.
"O que foi?", Roy quis saber.
Pauline respondeu: "Se eu lhe disser agora, voc tambm ficar 
distrado."
Aps a reunio de orao, fui para o escritrio de Roy Harthern e, 
depois de uma rpida conversa, fui direto ao ponto. Eu disse: "Roy, eu 
gostaria de me casar com sua filha."
Eu soube que sua resposta era positiva quando ele sorriu, puxou 
seu calendrio e perguntou: "Quando voc acha que deve ser o 
casamento?" Ns dois tnhamos agendas extremamente apertadas.
Ento, ele disse: "Voc j conversou a respeito com Suzanne?"
"Bem, ainda no", respondi, envergonhado.
No mesmo instante, Roy encontrou Suzanne no prdio e pediu a 
ela que fosse ao seu escritrio. Na frente dos dois, perguntei: "Voc quer 
se casar comigo?"
Fiquei extremamente feliz ao v-la aceitar no mesmo instante.

O SEGREDO DE SUZANNE
Naquela noite, Suzanne disse para mim: "Benny, como fui criada 
na casa de um pastor, eu soube, desde que era muito jovem, que queria 
entregar minha vida ao ministrio. Eu sentia l no fundo que, algum 
dia, me casaria com um pregador." E ela me contou outro segredo: 
"Desde pequena, eu sabia que o homem com quem eu me casaria tinha 
cabelos e olhos escuros, e a pele meio esverdeada. Benny, voc  esse 
homem que Deus tem para mim."
No sbado de manh, fomos a uma joalheria local, comprei um 
anel de diamante e o coloquei em seu dedo l na loja.
Algumas noites depois, meu pai e meu irmo Sammy saram de 
Toronto para participar do jantar de noivado. O famoso professor de 
teologia, Derek Prince, que estaria falando no dia seguinte na Calvary 
Assembly, era um convidado especial.
Quando o anncio foi feito na congregao no domingo pela 
manh, toda a igreja comeou a bater palmas - e uma profecia foi 
entregue, dizendo que ns dois, juntos, teramos um ministrio 
frutfero.
O casamento entre as famlias Hinn e Harthern estava marcado 
para 4 de agosto de 1979.

"VAMOS CONVERSAR"
Antes de eu partir para Orlando, depois de um jantar com os 
Hartherns, Roy pediu-me para acompanh-lo  sala da famlia para 
termos uma conversa. "Vamos conversar", ele disse.
Uma vez que eu estava para me tornar seu genro, imaginei que 
ele quisesse saber de algumas coisas. "Fale-me de voc", ele comeou 
quando nos sentamos frente a frente.
No mesmo instante, comecei a falar sobre minha famlia e tudo o 
que parecia importante. Sem dvida, eu no queria falar sobre o fato de 
que, por causa de nosso projeto na televiso, nosso ministrio estava 
com uma grande dvida. Pensei: Se eu mencionar isso, ele pode duvidar 
deste homem que est para se casar com a sua filha.
Alguns minutos de conversa, ele mencionou o assunto do dzimo, 
e eu comecei a me contorcer. Sim, eu dava o dzimo nos ministrios de 
acordo com o que sentia, mas no era um dizimista fiel naquela poca - 
e Roy foi rpido para perceber aquele fato.
Ele se inclinou em minha direo e disse: "Nunca se esquea 
disso, Benny. A lei do dzimo  uma lei fixa que voc no pode mudar."
Naquele momento, compartilhei com ele o peso do encargo 
financeiro que eu estava carregando. Perguntei-lhe: "O que devo fazer?"
"Comece a pagar as contas de Deus", ele respondeu rapidamente.
Eu disse: "Roy, voc no entende. No tenho dinheiro suficiente 
para pagar as minhas contas."
Ignorando minhas palavras, ele continuou: "Benny, se voc pagar 
as contas de Deus, Ele pagar as suas."
Dois dias depois, Suzanne foi para Springfield, Missouri, para 
pegar seus pertences no dormitrio da Faculdade Evanglica.
Peguei um avio para Toronto - com as palavras de Roy Harthern 
ainda ecoando em meus ouvidos: "Se voc pagar as contas de Deus, Ele 
pagar as suas." Eu sabia que Deus estava falando comigo.
Fui direto do aeroporto para o escritrio de nosso ministrio, 
cerca de dez minutos de distncia. Assim que cumprimentei minha 
secretria, eu disse: "Marian, pegue o talo de cheques."
"Para qu?", ela perguntou.
"Apenas pegue-o", repeti. Ela pegou o talo de cheques do 
ministrio e o abriu sobre sua mesa.
"Quero que voc faa um cheque no valor de mil dlares para...", 
e, com isso, orientei-a para que enviasse quantias especficas para uma 
srie de ministrios e organizaes missionrias. Ela estava to nervosa 
que sua mo comeou a tremer enquanto preenchia os cheques.
Depois de preencher dois ou trs cheques, Marian parou e 
perguntou: "O que voc est fazendo?"
"S estou obedecendo a Deus", eu lhe disse.
"Voc tem certeza de que Deus est falando com voc?", ela quis 
saber.
"Absoluta", eu disse enfaticamente. "Absoluta."
Por fim, Marian soltou a caneta e disse: "Voc no pode fazer isto. 
Logo ficar sem dinheiro e o ministrio estar falido." Ento, ela olhou a 
lista e disse: "No entendo. Voc no deve dinheiro algum para estas 
pessoas."
"Eu sei", respondi. "Este  o dinheiro que devo a Deus, por isso, 
vamos obedecer-lhe."

UMA DIRETORIA PERPLEXA
Logo cedo, naquele dia, viajando para Toronto, calculei que devia 
a Deus mais do que devia  emissora de televiso, e estava decidido a 
obedecer.
Marian ainda estava tremendo quando preencheu o ltimo ' 
cheque. Ento, quando entrei em outro escritrio, ela telefonou para 
todos os membros do conselho - que agora eram nove.
Naquela mesma tarde, eles se reuniram no escritrio para uma 
reunio de emergncia. "O que voc est fazendo?", eles exigiram saber.
Respondi: "Estou obedecendo a Deus."
"Mas voc est endividado. No pode fazer isso," objetaram. 
"Temos contas para pagar."
Sem piscar os olhos, eu disse: "Estou obedecendo a Deus. Estou 
pagando as contas de Deus."
Nosso contador abriu a boca e disse: "Este ministrio estar 
acabado hoje se voc fizer isso." Ento, ele comeou a citar o nome de 
nossos credores.
Continuei: "Deus falou comigo, por meio de um de seus servos, 
que tenho de pag-lo primeiro."
Confusos, alguns dos membros de meu conselho se demitiram.
Ento, Fred Browne, um maravilhoso cristo que era dono de 
uma construtora, perguntou: "Voc tem certeza de que Deus falou com 
voc?."
"Sim", eu disse com plena confiana.
"Bom, se Deus falou com voc, estou do seu lado."
"Obrigado", respondi.
"Eu tambm", repetiu Fred Spring.
Naquela mesma semana, comeou a fluir dinheiro em nosso 
ministrio. Havia bilhetes escritos  mo presos a muitos dos cheques: 
"O Senhor me disse para lhe enviar isto."
Dentro de poucos meses, todas as nossas contas estavam pagas - 
e nunca deixamos de dizimar.

SMOKINGS BRANCOS
Com os eventos surpreendentes que aconteceram em dezembro e 
janeiro, eu no tinha mais dvidas com relao ao novo local para a 
Associao Evangelstica Benny Hinn. Na primavera de 1979, mudei-me 
para Orlando.
Durante estes meses, ainda mantive uma agenda apertada, mas 
passava todo momento possvel com minha noiva. Viajamos para 
Toronto e minha famlia abriu os braos para ela.
O casamento em 4 de agosto foi tudo o que imaginei - e mais.
Pauline Harthern escreveu uma cerimnia especial que era uma 
mistura dos casamentos ingls e norte-americano tradicionais -com 
uma bno do Oriente Mdio. Eu me esqueci de algumas das frases de 
meus votos, mas Suzanne apenas sorriu.
A irm gmea de Suzanne, Leanne, foi a dama que acompanhou a 
noiva, e minha irm mais nova, Mary, foi uma das damas de honra 
junto com Elizabeth, irm de Suzanne. Os primos de Suzanne vieram 
da Inglaterra e todos os meus irmos, alm do irmo de Suzanne, 
fizeram parte da cerimnia - com ar de elegncia nos smokings brancos. 
Minha sobrinha, Tina, filha de Rose, foi a daminha.
No dia seguinte, enquanto sobrevovamos o Oceano Pacfico, 
pensei no quo distante o Senhor havia me levado - Jaffa, Toronto, 
Orlando e, agora, ao Hava, para nossa lua-de-mel.




CAPTULO 14

UM DIA DE COROAO


Nosso primeiro ano de casados foi como um vendaval. Suzanne e 
eu participvamos de cultos desde Bfalo at Anaheim - alm de 
Sucia, Canad, Inglaterra, Alemanha e duas viagens a Israel. E nosso 
programa de rdio dirio estava sendo ouvido nas principais cidades, 
incluindo Los Angeles, Detroit, Phoenix, Tulsa, Denver, Miami e 
Orlando.
Como muitos casais, tivemos de fazer alguns ajustes. Embora 
estivesse decidida a ser uma esposa submissa, Suzanne revelava sua 
firmeza quando era necessrio. Percebi que eu tinha de abrandar 
algumas atitudes tpicas do povo do Oriente Mdio; do contrrio, teria 
havido um choque de culturas.
"Tenho uma notcia maravilhosa", ela me disse no outono de 
1981. "O mdico disse que estou grvida." As palavras no puderam 
expressar minha emoo.
Nossa primeira filha, Jessica, nasceu em 2 5 de maro de 1982. 
Que momento emocionante foi aquele. Ela se tornou a princesinha de 
nossa casa.

Foi ASSUSTADOR
Grande parte das reunies que realizei naqueles anos acontecia 
nas igrejas. No viajvamos com uma equipe - ramos somente eu e 
Suzanne, viajando de cidade em cidade. Com a responsabilidade de 
uma filha, no entanto, ela ficava perto de casa.
Nossa famlia em Orlando ficou ainda maior quando meus pais se 
mudaram do sul do Canad -junto com alguns de meus irmos.
Os planos de meu pai de se aposentar logo foram despedaados 
em setembro de 1982. Enquanto levantava uma caixa em sua casa, ele 
teve uma sensao estranha e desconfortvel - como se algo estivesse 
rasgando seus pulmes. Foi assustador, e ele sabia que algo estava 
errado.
Ele marcou uma consulta com um mdico e, depois de uma srie 
de exames, o mdico deu-lhe uma terrvel notcia. "Sr. Hinn", ele disse, 
"tenho de lhe dizer que o senhor est com cncer de pulmo."
Meu pai nunca ficou gravemente doente nem um dia em sua vida; 
no entanto, ele fumou muito, e este foi o resultado.
Sem acreditar, ele contou para minha me. "Aquele mdico est 
louco. Preciso conversar com outra pessoa."
Quando soube da notcia, fiquei arrasado. Liguei para o mdico e 
perguntei: "Como o senhor pode ter tanta certeza de que meu pai tem 
cncer de pulmo?"
"Deu no exame de sangue", ele respondeu.
Eu disse: "Papai, voc precisa receber um segundo diagnstico. 
V ao seu mdico no Canad e faa um exame com ele. Ele o conhece 
h muito tempo." Imediatamente, ele comeou a fazer os preparativos 
para a viagem.
Eu estava pregando em uma cruzada na Primeira Assemblia de 
Deus, em Pensacola, na Flrida, enquanto mantinha contato com 
minha me por telefone.
"Benny", ela me disse, certa noite, "seu pai no est muito bem. 
Vamos para Toronto amanh."
Fiz tudo o que estava ao meu alcance para encontrar um meio de 
ir para Orlando, mas parecia impossvel. O vo que planejei pegar foi 
cancelado. Por fim, encontrei o piloto de um avio monomotor 
particular que concordou em me levar at o aeroporto de Orlando.
Nosso avio pousou no momento em que o avio comercial que 
levava meu pai decolava. No consegui alcan-lo.
Assim que examinou meu pai, o mdico de nossa famlia em 
Toronto tomou as providncias para intern-lo no hospital.
Mais tarde, conversei com meu pai por telefone e percebi, pela 
sua voz, que ele estava perdendo a fora.
Quando cheguei a Toronto, ele j estava na unidade de 
tratamento intensivo, ligado a um aparelho de respirao artificial e 
recebendo medicamentos nas veias. Ele no pde conversar comigo ou 
me ver por causa dos fortes remdios. No entanto, quando entrei na 
sala, ele me ouviu e soube que eu estava ali.
Oramos para que Deus restabelecesse o seu corpo, mas olhamos 
para Deus e dissemos: "Se tu no o curares, por favor, leva-o para o lar, 
Senhor."
Duas noites depois, enquanto eu estava dormindo na casa de 
minha irm, tive um sonho e vi meu pai. Ele estava sorrindo de alegria 
e seu rosto resplandecia.
Naquele mesmo dia, quando acordei, havia um telefonema do 
hospital. "Sr. Hinn, lamentamos informar que o seu pai faleceu." Ele 
morreu com cncer de pulmo aos 58 anos.
Houve paz e certeza em meu corao de que ele agora estava no 
cu. Lembrei-me, mais uma vez, daquela noite de 1975 quando, s 2 
horas da manh na sala de estar de nossa casa, Costandi Hinn 
entregou seu corao para Cristo.

APENAS UMA CASCA
Uma vez que a maioria de nossos parentes ainda freqentava a 
Igreja Grega Ortodoxa em Toronto, minha me julgou conveniente que o 
culto do enterro de seu querido marido fosse realizado l.
Mame fez uma visita ao sacerdote e disse: "Quero que o senhor 
se encarregue da primeira parte do culto, e quero que meu filho Benny 
fale depois que o senhor tiver terminado."
Quando o sacerdote protestou, minha me disse: "Este culto  
nosso e  assim que o quero." Relutante, ele concordou.
Trezentos amigos e parentes reuniram-se no santurio decorado 
da Igreja Ortodoxa Grega, e o caixo de meu pai foi colocado diante do 
altar.
Aps o encerramento das cerimnias religiosas tradicionais, o 
sacerdote balanou a cabea para que eu fosse  frente.
Abri minha Bblia e comecei a pregar uma simples mensagem de 
salvao. Falei para a multido reunida: "Meu pai no est neste caixo 
- isto  apenas uma casca." Li o versculo que diz que "desejamos antes 
deixar este corpo, para habitar com o Senhor."
Naquele momento, aproximei-me do caixo e comecei a bater 
nele. "Meu pai no est aqui!", declarei. "Ele no est aqui! Ele se foi 
para estar com Jesus!"
Todos os presentes naquele santurio estavam com os olhos fixos 
em mim. Dei uma olhada para o sacerdote e percebi, pela sua 
expresso, que ele estava muito nervoso. Ele no sabia como reagir.
Em seguida, chamei minha me, Suzanne, meus irmos e minha 
irm  frente. Ns nos reunimos em volta do caixo e comeamos a 
adorar ao Senhor. Nossos olhos estavam fechados e nossas mos 
estavam estendidas para o alto. Espontaneamente, comeamos a 
cantar: "Ento minha alma canta a ti, meu Salvador Deus. Grandioso s 
Tu! Grandioso s Tu!"
Quando abri os olhos e olhei para a congregao, as pessoas 
estavam espantadas. Algumas estavam chorando. Naquele momento, 
senti-me compelido a fazer um apelo. "Se vocs quiserem conhecer este 
mesmo Jesus de quem estou falando, eu gostaria de orar com vocs 
neste momento," disse.
Vrios amigos de meu pai entregaram o corao para Jesus 
naquele dia - incluindo dois de meus primos.
Foi um dia de coroao!

RALPH OROU
Senti profundamente a perda de meu pai. Nos ltimos anos de 
sua vida, ficamos extremamente prximos. Foi um relacionamento 
amoroso de respeito mtuo, fortalecido pelos laos do Calvrio.
Quando ele se foi, meu corao ficou abatido.
Na semana que seguiu o funeral, fiquei em p atrs do plpito em 
Melodyland, em Anaheim, na Califrnia, e, para mim, foi difcil pregar. 
Aps o culto, andando de carro com meu amigo, o Pr. Ralph Wilkerson, 
e sua esposa, Aliene, eu disse: "Ralph, preciso que voc ore por mim. 
Estou realmente sentindo a perda de meu pai."
Ali naquele carro, Ralph comeou a orar em voz alta - e a 
presena do Senhor veio sobre mim naquela noite como um nascer do 
sol radiante. Seguindo pela auto-estrada, estvamos cantando e 
louvando ao Senhor!
Agradeo a Deus por pessoas como os Wilkersons, a quem Deus 
enviou para a minha vida em momentos especiais.

UM VO PARA PHOENIX
No dia em que mudamos a sede de nosso ministrio para 
Orlando, Deus comeou a tratar comigo no sentido de eu abrir uma 
igreja - um centro de cura e esperana que seria a base de um projeto 
mundial.
Pessoalmente, relutei contra a idia. "Senhor, no posso 
continuar a passar pelas portas que tu ests abrindo? Ser que 
realmente preciso da responsabilidade de pastorear uma congregao?"
Parecia que toda vez que eu orava, o chamado do Senhor ficava 
mais forte.
Em um determinado momento, eu disse: "Senhor, se tu queres 
que eu edifique uma igreja, por que precisa ser em Orlando? Por que 
no em uma outra cidade?" Eu at pensava seriamente em me mudar 
para Phoenix, no Arizona.
Decidi que, em minha prxima viagem para West Coast, pararia 
em Phoenix e examinaria a cidade. Algumas semanas depois, foi para l 
que segui.
No avio, eu estava sentado ao lado de um senhor de Orlando - 
um empresrio que, por acaso, era episcopal. Depois de conversarmos 
por alguns minutos, ele perguntou: "O que voc faz na vida?"
Quando eu lhe contei, ele perguntou: "Voc tem um carto?"
"No", respondi, "mas tenho um de meus boletins." E, no verso 
dele, estava a minha programao.
Ele o examinou e disse: "No sei por que estou lhe dizendo isto, 
mas voc precisa ficar em um lugar e deixar que algumas destas 
pessoas venham em seu lugar."
Eu lhe disse: "Estou viajando para Phoenix hoje porque estou 
pensando em mudar minha sede para l."
Usando palavras fortes, ele me disse: "No h comparao. 
Orlando vai arrebentar nos prximos anos.  l que voc precisa estar."

"DEUS O ENVIOU"
Depois de uma rpida estadia em Phoenix, continuei a viagem 
para San Jos para ministrar para meu amigo Kenny Forman, que 
recebeu uma palavra do Senhor para mim, dizendo: "Se voc no 
comear uma igreja em Orlando, estar em falta com Deus."
Dali fui para Tampa, na Flrida, e o Senhor me deu uma 
mensagem quase idntica por meio de outro homem. Ento, conversei 
com meu querido amigo Tommy Reid, de Bfalo, em Nova York, que 
disse: "Voc tem de obedecer a Deus e comear uma igreja em Orlando."
Enquanto isso, meu sogro, Roy Harthern, resignou o cargo de 
pastor da mega igreja Calvary Assembly, em Orlando. As pessoas me 
diziam: "Benny, isto naturalmente deixa as portas abertas para que 
voc comece uma nova igreja - e voc no estar competindo com 
algum da famlia."
Parecia que toda vez que orava, eu podia ver o horizonte de 
Orlando. Eu via o rosto de pessoas naquela cidade que estavam com 
mais fome de Deus. "Senhor, o que tu ests dizendo para mim?"
Eu disse para Suzanne: "No consigo tirar isto da cabea. O 
Senhor est realmente tratando comigo no sentido de comearmos uma 
igreja aqui. Isto no passar."
Certa noite, aps orar com fervor, fiquei em p, olhei para o cu e 
disse: "Tudo bem, Senhor, vou alugar um grande auditrio e fazer um 
culto em uma noite. Se tu encheres aquele lugar para mim, saberei que 
isto provm de ti e comearei uma igreja."

"CENTRO DE MILAGRES"
No final do outono, em 1982, reservamos o Auditrio da 
Tupperware, prximo a Kissimmee, um pouco distante de Orlando. No 
s o local encheu, como aquela foi uma das maiores reunies que j 
tivemos na cidade.
Nos prximos meses, comeamos a fazer planos para iniciar uma 
igreja que causaria um impacto em toda a regio central da Flrida. 
Alugamos o prdio da Youth for Christ (Juventude para Cristo) na Gore 
Street, no centro de Orlando, e anunciamos que no domingo, 20 de 
maro de 1983, o "Centro de Milagres" convocaria seu primeiro culto. 
Mais de quatrocentas pessoas compareceram.
Eu no tinha idia de quanto tempo seria pastor de uma igreja 
em Orlando. Poderia ser um ano, cinco anos, dez anos - ou at mais. 
Esta era a minha orao: "Senhor, s estou lhe obedecendo."
No final da dcada de 70 e no incio da dcada de 80, preguei 
muitas vezes em Jacksonville, na Flrida, em uma maravilhosa igreja 
pastoreada por Paul Zink. Ele estava deixando a igreja quase naquela 
mesma poca e um notvel grupo musical de sua igreja decidiu mudar-
se para Orlando e fazer parte de nosso ministrio. Meu irmo Willie, que 
estava me auxiliando no Centro de Milagres na poca, estava 
encantado. Ele, mais tarde, se casou com uma das jovens do grupo de 
louvor.
A igreja comeou com os cultos vespertinos de domingo, mas logo 
estvamos tendo reunies no domingo de manh, no domingo  noite e 
na quarta-feira  noite.
Em meados da dcada de 70, comecei a aparecer como convidado 
no programa Praise the Lord, que era o carro-chefe da Trinity 
Broadcasting Network. Paul e Jan Crouch, apresentadores do 
programa, haviam me feito o convite para participar do programa toda 
vez que eu estivesse no sul da Califrnia.
Quando Paulo Crouch, presidente da TBN, ficou sabendo que eu 
estava abrindo uma igreja, disse: "Benny, por que voc no grava em 
vdeo seus cultos de domingo? Eu os coloco em rede, gratuitamente. 
Tudo o que voc ter de pagar sero as despesas com a produo local e 
enviar-nos as fitas."
Imediatamente, reunimos uma equipe de televiso e comeamos a 
filmar os cultos matutinos de domingo em nosso prdio na Gore Street. 
De 1983 a 1990, eles transmitiram o programa todas as semanas - 
gratuitamente.
Conheo pessoas quase todas as semanas cuja vida foi tocada por 
aqueles programas de domingo.
Semana aps semana, a notcia do que Deus estava fazendo no 
Centro de Milagres comeou a se espalhar. E Satans deve t-la ouvido 
tambm.
Dois meses depois de comearmos nosso ministrio em Orlando, 
veio a tragdia. Em um momento inesperado, Suzanne e eu fomos 
impetuosamente lanados diante da face da morte.



CAPTULO 15

O ACIDENTE


"Estamos com problemas," disse o piloto.
Aquelas palavras despertaram-me de meu sono. Estvamos 
voando em um pequeno monomotor particular a cerca de trs mil e 
quatrocentos metros de altura, voltando de Naples para Orlando, na 
Flrida, em maio de 1983. Havia seis pessoas a bordo. Era uma hora da 
manh e o cu estava escuro como breu.
"Acho que estamos sem combustvel," disse o piloto, preocupado, 
enquanto o motor faiscava e parava.
Suzanne estava sentada ao meu lado, fazendo o possvel para 
permanecer calma, mas eu podia dizer que ela estava extremamente 
nervosa - pela dor que suas unhas estavam causando em meu brao 
enquanto ela o segurava firme.
Os prximos minutos, intensos, pareceram uma eternidade. Ns 
dois estvamos apavorados - eu podia sentir o meu corao bater 
contra o meu trax.
Pensei: Deus que ests no cu, eu poderia estar contigo a qualquer 
minuto. Ento, comecei a perguntar para mim mesmo: Estou 
preparado?
Nestes momentos, voc no faz idia do quanto esta pergunta  
forte. Minha resposta no deu lugar  dvida. Sim, estou preparado.
De repente, quando o avio estava caindo e o piloto, 
angustiadamente, procurava um lugar para fazer um pouso de 
emergncia, minha mente relembrou um evento que havia acontecido 
oito meses antes.

O ESQUEMA DE SATANS
No ms de setembro daquele ano, no velrio, pouco antes do culto 
memorial de meu pai, o administrador do local aproximou-se de mim e 
disse: "Reverendo Hinn, precisamos de uma gravata para seu pai. O 
senhor poderia arrumar uma para ele?"
Imediatamente, tirei a gravata que eu estava usando e a entreguei 
para o agente funerrio. Mais tarde, aps o culto de enterro, fiquei em 
p diante do caixo no cemitrio. Enquanto desciam  sepultura o 
caixo de meu querido pai, aconteceu algo que quase apaguei de minha 
lembrana. Mas ali, enquanto o avio estava em queda livre, me lembrei 
de tudo com muita clareza.
Enquanto os homens que carregavam o caixo continuaram a 
desc-lo, algo incomum comeou a acontecer. Eu havia dado minha 
gravata para meu pai, mas, de repente, senti algo apertando meu 
pescoo - como se minha prpria gravata estivesse me sufocando. Ao 
mesmo tempo, ouvi uma voz dizer: "Vou mat-lo dentro de um ano".
Imediatamente respondi em voz alta, dizendo: "No, voc no 
ir!". Eu sabia que, quando Satans fala, o melhor a fazer  responder 
com ousadia, mesmo que haja pessoas por perto.
Olhei para o cu e disse: "Senhor Jesus, o diabo no pode fazer 
isso!". No mesmo instante, ouvi a segurana confortante do Esprito 
Santo. Ele falou somente trs palavras, mas aquilo foi tudo o que eu 
precisava ouvir. O Esprito disse: "Ele no ir."
Agora, no avio, aquelas palavras de Satans ganhavam um tom 
ameaador: "Vou mat-lo dentro de um ano!" Graas a Deus, tambm 
me lembrei da voz do Esprito Santo.
Levou apenas um segundo para que toda a cena passasse em 
minha mente. Ento, a paz de Deus envolveu-me e ouvi a voz do Senhor 
novamente, que me disse: "Est tudo bem!"
Virei-me para Suzanne e para os passageiros assustados, e lhes 
garanti: "No se preocupem. Vamos ficar bem!"
Normalmente fico muito agitado, mas, naquele momento, fiquei 
totalmente calmo. Sem o ronco do motor, tudo estava misteriosamente 
calmo naquele avio. O piloto localizou uma pista de decolagem prxima 
ao Avon Park, na Flrida, e fez o possvel para manobrar a aeronave 
com problemas na direo da aeronave. Sem o motor funcionando, foi 
impossvel - e ele no conseguiu.

A MO DE UM ANJO
Fomos de encontro a uma rvore e o pequeno avio virou quatro 
vezes. Ficou totalmente destrudo - as rodas foram arrancadas e ficaram 
penduradas em uma rvore. A fuselagem ficou to danificada que um 
observador ficou a se perguntar se poderia haver algum sobrevivente. O 
motor foi arrancado de sua caixa e ns ficamos de cabea para baixo.
A porta do avio havia desaparecido e, com isso, sa me 
arrastando de dentro dele e percebi que no tinha um arranho no 
corpo. Eu estava intacto. Na escurido, desorientado, comecei a correr 
em crculos em busca de ajuda, sem saber onde eu estava, ou qual 
direo seguir. Conclu que estvamos no meio de uma fazenda. Ento, 
pensei: O que estou fazendo?  melhor voltar e ajudar Suzanne e os 
outros.
Corri em direo ao avio e descobri que eu era o nico que no 
estava ferido. O piloto estava emitindo sons horrveis enquanto eu 
tentava tir-lo do avio.
Em meio  escurido, vi Suzanne. Sua perna estava pendurada 
para fora da porta. No havia movimento, e fiquei curioso por saber se 
ela estava gravemente ferida. Desesperado para tir-la do avio, comecei 
a pux-la e, ao faz-lo, era como se a perna de Suzanne estivesse 
quebrada. Logo descobri que seu brao tambm estava dilacerado.
Milagrosamente, ningum estava morto. Enquanto a ambulncia 
vinha s pressas para o local do acidente - e parecia levar uma 
eternidade -, comecei a clamar:" Senhor, o diabo queria matar a todos 
ns, mas o teu anjo estava conosco!"
Mais tarde, descobri que, naquele exato momento, uma mulher 
na Califrnia havia sido despertada de seu sono. Ela me contou a 
histria de como Deus a despertou e disse: "Benny Hinn e sua esposa 
esto em perigo! Ore!" Ela me disse: "Jovem, o diabo queria acabar com 
a sua vida!"
Como eu sabia disso!
Eu tambm sabia que o Senhor no havia terminado a obra que 
tinha com Suzanne e comigo. O Esprito Santo havia me dado a certeza 
de que a proteo de Deus estava sobre a nossa vida por uma razo.

UMA BBLIA COLORIDA
Creio que estabelecer um ministrio em Orlando naquela poca 
de minha vida foi uma ordem divina. No s a vida das pessoas estava 
sendo milagrosamente tocada, mas tambm fui desafiado a examinar a 
Palavra de Deus, dia aps dia, para preparar-me para os cultos. De um 
lado a outro do auditrio, as pessoas estavam com a Bblia aberta, 
fazendo anotaes sobre a mensagem.
Em vrias ocasies, as pessoas olhavam para minha Bblia 
pessoal - a que estudo e uso para pregar - e comentavam: "Aquela  a 
Bblia mais colorida que j vi. O que so todas aquelas marcaes?"
Desde os tempos em Toronto, adquiri o hbito de colorir todos os 
versculos importantes que lia na Palavra. Na verdade, sempre tenho 
sete lpis comigo quando estudo a Bblia - cada um de uma cor 
diferente.  assim que marco as Escrituras:

Vermelho: Promessas.
Azul: Ensinamento - ou aprendizado.
Marrom: Muito importante.
Laranja: Mandamentos.
Verde: Profecias e seu cumprimento.
Roxo: Orao.
Amarelo: Coisas que, sobretudo, devem ser lembradas.

s vezes misturo duas cores. Por exemplo: Marrom e verde 
lembram-me que se trata de uma profecia muito importante.
Alm de dar cor s Escrituras, uso a verso bblica King James 
que tem uma margem ampla - com espao para anotaes.

" SEU!"
"O que vamos fazer?", perguntei para aqueles que estavam me 
ajudando a edificar o novo ministrio. "No temos espao."
A igreja tinha menos de quatro meses e s havia um espao fixo 
no Centro de Milagres. Com grande urgncia, comeamos a procurar 
um terreno no qual construiramos um prdio permanente.
Logo encontramos um grande pedao de terra, estrategicamente 
localizado na Forest City Road, ao norte de Orlando. Ficava junto a um 
lago - Lake Lovely.
Lembro-me do dia em que andei de um lado a outro daquele 
terreno, orando: "Senhor, reivindico este terreno para ti. Eu o reivindico 
em nome de Jesus!"
Conheci a idosa senhora que era proprietria do terreno e disse: 
"Deus me disse que este terreno seria nosso".
Aquilo no pareceu impression-la. "Bem, reverendo", ela 
comentou, "j temos outro comprador."
"Eu s estou lhe dizendo o que o Senhor me instruiu a falar", 
respondi.
O que no mencionei foi que no tnhamos um centavo para 
pagar por ele.
Algumas semanas depois, voltei  casa da mulher e repeti: "Deus 
me disse que este terreno seria nosso."
Desta vez, sua resposta foi totalmente diferente. Ela respondeu: 
"Bem, se vocs trouxerem o sinal, venderei o terreno para vocs". Em 
seguida, ela fez uma confisso. "Jovem, deixe-me lhe contar algo que 
talvez seja muito interessante para voc."
"O que ?", eu quis saber.
"Bem", ela comeou, "antes de meu marido falecer, ele me fez 
jurar que a nica coisa que seria construda neste terreno seria uma 
igreja." Depois, ela disse: " seu!"
No  preciso dizer que, no domingo seguinte, houve louvor na 
Gore Street.

"VAMOS!"
Alguns dias depois, eu estava em Miami, na Flrida, ministrando 
em uma igreja que havia sido iniciada por meu amigo Bill Swad, um 
empresrio cristo dinmico que tinha vrias agncias de automveis 
em Ohio. Aps o culto da manh, Bill disse: "Benny, sinto que 
precisamos visitar e orar por um homem que est no hospital. Voc vai 
comigo?"
Para ser sincero, eu no estava com vontade de ir. Era um dia 
extremamente quente e mido, e eu estava cansado por causa do culto 
e sentia que precisava descansar. Bill, no entanto, continuou a insistir 
para que fssemos e orssemos por este senhor.
Relutante, acompanhei Bill at o quarto de hospital em que 
estava o homem. Ele estava fazendo dilise - havia tubos por toda a 
parte. Seu nome era Floyd Mincy.
"Floyd, este  Benny Hinn", disse Bill. "Pedi a ele para vir e orar 
por voc."
O Sr. Mincy balanou a cabea, indicando que estava de acordo.
Rapidamente orei por ele, pedindo ao Senhor para cur-lo - e, 
sutilmente, fiz sinais para Bill que indicavam: "Vamos!"
Trs semanas depois, Floyd e sua esposa, Maryana, participaram 
de nosso culto de domingo pela manh no Centro de Milagres, em 
Orlando. Floyd testificou como o Senhor o havia curado, dizendo: "No 
momento em que voc saiu daquele quarto de hospital, fui 
completamente curado pelo poder de Deus. Completamente!"
Durante o culto, falei sobre a viso de construir uma igreja em 
um novo terreno - e compartilhei minha paixo de ganhar almas para o 
Senhor. Ao trmino da reunio, Floyd e Maryana aproximaram-se de 
mim e disseram: "Pastor Benny, o Senhor disse que devemos ajud-lo 
naquilo que Ele o chamou para fazer."
Foram Floyd e Maryana que, mais tarde, ajudaram a igreja a 
investir uma grande quantia de dinheiro no novo terreno.
Apesar de minha orao apressada naquele quarto de hospital, o 
Senhor foi fiel.
Deus continuava a abenoar a igreja por meio da vida de muitas 
pessoas extraordinrias - pessoas como Wes Benton e Emil Tanis, os 
primeiros membros do conselho e grandes mantenedores do ministrio.
No domingo, 17 de novembro de 1983, tivemos o culto de 
inaugurao no novo terreno e apresentamos planos para o novo Centro 
Cristo de Orlando.

Dois GRANDES EVENTOS
Uma vez que os nossos cultos matutinos de domingo estavam 
sendo transmitidos pela TBN em rede nacional e via satlite para vrios 
pases, quase sempre havia visitantes. "No viemos para Orlando s 
para ver Mickey Mouse", eles nos diziam. "Vemos voc toda semana pela 
televiso e no podamos esperar para estar aqui."
Sempre me lembrarei de 1984 por causa de dois grandes eventos 
que aconteceram. Primeiro, em 1o de maro, Suzanne e eu tivemos o 
orgulho de ser pais pela segunda vez - de uma bela garotinha a quem 
chamamos Natasha.
Segundo, ns nos mudamos para o novo auditrio com dois mil e 
trezentos assentos na Forest City Road. Foi o comeo de uma grande 
aventura espiritual para mim, para minha famlia e para as milhares de 
vidas que haviam sido salvas, curadas e libertas porque obedecemos a 
Deus.
Eu no tinha como saber que o "CCO" (Centro Cristo de 
Orlando), como era chamado, seria o trampolim para algo ainda maior 
que Deus estava preparando.
























CAPTULO 16

UMA ORDEM DO CU


"Benny, algumas pessoas extraordinrias esto vindo para 
trabalhar comigo e voc precisa conhec-las," disse meu irmo Henry, 
que, na poca, era evangelista itinerante. Foi em julho de 1986.
Depois de um culto de quarta-feira  noite em nossa igreja, Henry 
apresentou-me a Dave e Sheryl Palmquist, que haviam se mudado para 
Orlando para ser os administradores do ministrio dele. Antes, este 
talentoso casal havia feito parte da equipe da Souls Harbor Church, em 
Minepolis, Minnesota, e da Cathedral of Tomorrow, em Akron, Ohio.
Depois de ouvir Sheryl tocar piano e rgo pela primeira vez, pedi 
a ela que fizesse parte da equipe musical do Centro Cristo de Orlando. 
Eles se tornaram membros fiis de nossa igreja. Ento, em fevereiro de 
1987, quando Dave Palmquist e meu irmo Henry estavam me levando 
para o aeroporto, virei-me para Dave e disse: "Sabe, voc ser pastor no 
CCO -j discuti isto com Henry e ele deu a sua bno." O Senhor 
confirmou isto no corao de Dave e ele se juntou  nossa equipe no 
ms seguinte.

"O QUE VOC EST FAZENDO NA 
FLRIDA?"
Algumas semanas depois, dei um telefonema para um senhor que 
havia desempenhado um papel importante em meus primeiros dias no 
Canad - Fred Spring, pastor em Sault Sainte Marie que havia sido um 
dos membros fundadores de meu conselho.
Fred havia resignado o cargo na igreja do Canad e, depois de 
pastorear em Michigan e Ohio, mudou-se para Lakeland, na Flrida - 
incerto com relao ao seu futuro. Ainda no sei como o nmero de seu 
telefone veio a minha mente, mas telefonei para ele e disse: "Fred, o que 
voc est fazendo na Flrida? Eu estava a caminho do aeroporto e o 
Esprito Santo me levou a telefonar para voc."
Contente, Fred respondeu: "Benny,  to bom ouvir a sua voz."
Depois de algumas brincadeiras, eu lhe disse: "Sinto em meu 
esprito que voc deve se juntar  nossa equipe em Orlando. Voc no 
precisa me dar uma resposta agora."
Ele e a esposa, Bette, ficaram surpresos. No entanto, doze dias 
depois, aps orar pelo assunto, Fred e Bette se juntaram  equipe.

"CONHEO A PESSOA"
Naquele mesmo ano, eu estava na Califrnia, aparecendo na 
Trinity Broadcasting Network. Um dos convidados daquela noite era o 
cantor Big John Hall. Durante um intervalo do programa, virei-me para 
John e disse: "No v embora depois do programa. Preciso conversar 
com voc."
Quando, finalmente, falamos, perguntei: "John, em suas viagens, 
voc chegou a cruzar com algum que poderia ser um grande ministro 
de msica para a nossa igreja?" Estvamos procurando uma pessoa que 
tivesse o Esprito de Deus em sua vida e que pudesse levar nosso 
programa musical a um alto nvel.
John sorriu e respondeu: "Acho que conheo a pessoa. Seu nome 
 Jim Cernero. Ele era ministro de msica da Primeira Assemblia em 
North Hollywood, na Califrnia, e agora est em uma igreja na East 
Coast. Voc deve dar um telefonema para ele".
Big John Hall conseguiu o nmero do telefone e eu telefonei para 
Jim Cernero na manh seguinte. "Voc e sua esposa podem vir de avio 
para Orlando neste final de semana?", perguntei. Jim ficou muito 
surpreso, principalmente porque havia me visto na TBN na noite 
anterior.
"Sim", ele respondeu. "Estaremos a."
Naquele domingo de manh, Jim Cernero e sua esposa sentaram-
se no meio da platia. Eu nunca o havia visto dirigir um coral ou 
conduzir a platia em adorao, mas senti poderosamente que Deus 
queria que este homem fizesse parte integral de nossa igreja. No meio 
do culto, anunciei: "Jim, sinto que isto  do Senhor. Creio que voc vir 
e ser nosso ministro de msica."
Toda a congregao comeou a bater palmas espontaneamente.
Deus estava formando uma equipe - os Palmquists, Fred Spring e 
agora Jim Cernero. Nenhum de ns sabia quais milagres o amanh 
reservava.

ENTRANDO EM UMA NOVA ERA
Durante todo o ano de 1989, toda vez que orava, eu ouvia o 
Senhor falando de modo muito claro sobre o futuro. Deus estava me 
dirigindo claramente: "Voc realizar cruzadas para ministrao de cura 
por todo o mundo." Mais uma vez, assim como aconteceu quando 
entreguei meu corao para o Senhor em Toronto muitos anos antes, vi 
estdios enormes superlotados, com pessoas correndo  frente para 
aceitar Cristo.
Por alguma razo, eu relutava para orar para que isto de fato 
acontecesse. Eu me sentia to indigno de ser usado por Deus de tal 
maneira.
As pginas do calendrio viravam, mas eu evitava fazer aquela 
orao. Dia aps dia, eu sentia a urgncia de cair de joelhos e pedir a 
Deus para me dar um ministrio de cura espalhado por todo o mundo. 
Contudo, toda vez que orava, eu no chegava a pedir a Deus que me 
desse o que eu sabia que Ele havia prometido.
Por fim, a convico em meu corao falou mais alto. Fui para o 
meu estudo e abri meu corao: "Senhor", clamei, "estou me entregando 
completamente a ti. Estou disposto a seguir a tua direo." Naquele 
momento, o Senhor me deu uma viso por meio da qual confirmou sua 
vontade para mim.
Na semana seguinte, em um dos ltimos cultos de 1989, pus-me 
diante da congregao em Orlando e disse: "Estamos para entrar em 
uma nova era do ministrio - uma era que causar um impacto em 
nosso mundo por toda a eternidade! Fico cheio de expectativa e 
entusiasmo quando penso em ministrar na dcada de 90. Nunca senti 
esta agitao em minha alma, esta expectativa quanto ao que est para 
ser liberado sobre o povo de Deus." E continuei: "Tomei a deciso de 
estar na frente deste grande avivamento. Quero estar pronto para seguir 
quando Deus assim o disser, conquistando e possuindo a terra com 
ousadia, recuperando o que Satans roubou."


A FRMULA DE DEUS
No incio de 1990, viajei para Cingapura para ministrar em uma 
conferncia. Ali, enquanto estava sentado no plpito, antes de 
ministrar, Deus comeou a especificar exatamente o que eu faria 
quando voltasse para casa. Ento, Ele disse: "Leve ao mundo a 
mensagem de meu poder para salvar e curar por meio do programa de 
televiso dirio e de cruzadas para ministrao de cura."
Em seguida, o Senhor me deu a "frmula" daquilo que eu 
apresentaria naquele programa de televiso dirio. Como fui abenoado! 
Ele estava me dizendo o seguinte: "Eis aqui o que voc far e eis aqui 
como ir faz-lo."
O Senhor instruiu: "No programa, ore pelos doentes, d 
testemunhos de louvor e mostre o meu poder."
Ao mesmo tempo, Deus deu o sinal de que era tempo de agendar 
cruzadas maiores pelos Estados Unidos, bem como no exterior. Estas 
eram guas inexploradas - lugares aos quais eu nunca havia ido antes.
Quando as pessoas ficaram sabendo que eu comecei a pregar em 
1974, imaginavam que, desde o incio, eu estava envolvido em grandes 
reunies com uma equipe de parceiros. Longe disso. Com exceo dos 
cultos semanais que realizamos em Toronto, grande parte de meu 
ministrio consistia em convites de uma igreja local ou ministraes em 
conferncias.
Agora, as ordens que Deus nos dava para marchar estavam me 
levando para uma direo totalmente diferente - para agendar cruzadas 
mensais em grandes auditrios e estdios.
No instante em que voltei para Orlando, peguei o telefone e 
telefonei para Paul e Jan Crouch, que se tornaram meus amigos 
queridos. Desde 1983, a TBN havia transmitido nossos cultos de 
pregao dos domingos de manh e o acordo financeiro no havia 
mudado - A TBN me cedia gratuitamente o horrio em que o programa 
ia ao ar e ns pagvamos todas as despesas com a produo.
Eu j sabia de antemo que este encargo seria diferente. Haveria 
custos substanciais em questo, incluindo o pagamento pelo horrio de 
transmisso do programa. Eu tambm estava bem ciente de que no 
tnhamos os recursos para assumir o compromisso com um programa 
de televiso dirio.
"Paul, aqui  Benny Hinn", comecei, e fui direto ao ponto. "Sei que 
vai ser difcil para voc acreditar nisto, mas o Senhor me disse para 
telefonar para voc e pedir que me desse um programa dirio de meia 
hora na TBN."
"Bom, foi maravilhoso voc ter telefonado hoje," ele respondeu.
"Porqu?"
"Um programa que est em nossa rede h anos est saindo do ar 
e voc pode ficar com o mesmo horrio - 1 lh30, todos os dias."
Meu corao pulou. Obrigado, Senhor! "Isto  maravilhoso", 
respondi. "Paul, s h um problema. No tenho o dinheiro para pagar 
este horrio."
"Benny", ele disse, "no vou me preocupar com isso. Voc pode 
pagar quando o dinheiro entrar."
Eu estava andando nas nuvens. Deus no s havia me dado o 
projeto, mas tambm foi na minha frente, abrindo o caminho.

CAIXA POSTAL 90
Na primeira semana de maro de 1990, poucos dias antes de 
iniciarmos nosso programa de televiso dirio, pedi a Sheryl Palmquist 
que fosse ao correio de Orlando. Precisvamos de uma caixa postal que 
fosse fcil de ser lembrada pelos telespectadores - esperanosamente, 
uma que tivesse um ou dois dgitos.
"Consiga o melhor nmero que eles nos derem," eu lhe disse. "E 
certifique-se de que ser um nmero que no teremos de mudar."
Ela voltou e disse: "Pastor, podemos ficar com a Caixa Postal 90."
Naquele momento, o Senhor falou ao meu corao e disse que 
aquele seria o nosso endereo durante a dcada de 90 - at 1999 - e 
que, depois disso, haveria uma mudana. Eu s sabia qual era a ordem 
do Senhor para aquela dcada.
Havia apenas um dilema! A caixa postal no era grande; era o 
menor tamanho que eles nos ofereceram.
Sheryl conversou com o responsvel e disse: "Queremos ficar com 
a Caixa Postal 90, mas, caso recebamos mais correspondncias do que 
a capacidade fsica desta caixa, ainda poderemos usar a mesma caixa?"
"Bom, de quantas cartas a senhora est falando?", ele perguntou.
Sheryl respondeu: "Digamos que recebamos mil ou duas mil 
correspondncias por dia. Como vocs procedem neste caso?"
"O que leva a senhora a pensar que vocs vo receber este 
nmero de correspondncias?", ele indagou.
"Bom, voc nunca sabe."
O funcionrio do correio disse: "Se a senhora receber esta 
quantidade de correspondncias, no precisa se preocupar. Ns 
enchemos bandejas com elas e as colocamos em seu carro quando a 
senhora passar por aqui."

"VEJA ISTO!"
O primeiro programa dirio de This Is Your Day (Este  o Seu Dia) 
comeou na TBN em 5 de maro de 1990. Naquela poca, o programa se 
chamava Miracle Invasion (Invaso de Milagres).
O milagre foi que pudemos produzir o programa! No tnhamos 
um estdio. Aqueles primeiros programas foram gravados em fita em 
meu escritrio particular, enquanto Sheryl Palmquist, nossa organista, 
e Bruce Hughes, nosso pianista, faziam msica de fundo do plpito da 
igreja. Alm de mim, estavam Dave Palmquist e Kent Mattox.
Kent e a esposa comearam a freqentar nossa igreja vrios anos 
antes. Eles foram milagrosamente salvos, e ele se tornou pastor de 
nosso ministrio de solteiros.
Depois de o programa estar no ar h alguns dias, perguntei, 
ansioso: "Bom, o que o pessoal est dizendo nas cartas? Como as 
pessoas tm reagido ao programa?"
"No sabemos, pastor", disse Dave. "No passamos no correio."
"Bom,  melhor vocs irem l rpido", eu lhes disse.
Quando Dave e Kent pegaram as correspondncias, quase 
cinqenta cartas haviam chegado. "Veja isto!", eles disseram sorrindo 
enquanto abriam os envelopes. Havia pedidos de orao, testemunhos 
de cura, pessoas aceitando Cristo e alguns at haviam enviado cheques 
para ajudar a pagar os custos do programa.
No dia seguinte, eles voltaram com um nmero maior de cartas - 
e o que comeamos a receber foi sensacional.

St. Louis, Missouri: "Assisto ao seu programa todos os dias. 
Coloquei minhas mos na tela da televiso e recebi a cura de um 
problema no estmago."

Port Arthur, Texas: "Eu estava assistindo ao seu programa e o 
Senhor lhe deu uma palavra de conhecimento de que havia uma mulher 
chamada Alice que vinha orando para ser libertada da glutonaria. Essa 
mulher era eu. Louvado seja Deus, pois fui libertada do desejo 
compulsivo por comida."

Salt Lake City, Utah: "Fui curada de bursite e artrite em minha 
casa, assistindo ao seu programa de televiso. Posso fazer coisas agora 
que no podia fazer h anos. Eu estava usando um andador e uma 
cadeira de rodas... no uso mais! Se no fosse o seu ministrio de 
televiso, no sei o que teria acontecido comigo."

Bakersfield, Califrnia: "O Senhor curou minha lcera enquanto 
eu estava assistindo ao seu programa de televiso. Sou nova convertida 
e nunca o havia visto antes. Voc estava se preparando para orar pelos 
doentes. Minha lcera estava me incomodando. Ao orar, voc gritou: 
'lcera no estmago', e aquilo tinha a ver comigo. Estou curada. Graas 
a ti, Jesus!"

Evansville, Indiana: "Ontem, quando voc pediu s pessoas que 
aceitassem Cristo como Salvador, fiz a orao do pecador com voc. Sei 
que sempre me lembrarei disso como o melhor dia de minha vida."

Quando cartas como estas comearam a jorrar, eu soube que 
Deus estava confirmando a sua ordem. Montamos um estdio 
provisrio no salo principal do Centro Cristo de Orlando (que, depois, 
se chamaria Igreja da Misso Mundial) e comeamos a acrescentar 
emissoras de televiso  nossa rede.
Hoje, olhamos para trs e sorrimos, lembrando-nos do 
funcionrio do correio que zombou da idia de que receberamos talvez 
mil ou mais cartas por dia. Louvado seja Deus, pois ultrapassamos este 
nmero.
Agora, em mdia, recebemos algo em torno de vinte mil a trinta 
mil cartas por semana - alm de milhares de telefonemas todos os dias!










































CAPTULO 17

POTES DE GELIA E BBLIAS


O programa de televiso dirio era s uma parte da instruo de 
Deus. Ele tambm me orientou a comear cruzadas de milagres - 
primeiro, nos Estados Unidos, e depois em todas as partes do mundo.
Em maro de 1990, no mesmo ms em que o programa de 
televiso comeou, agendamos nossa primeira cruzada de dois dias em 
Phoenix, no Arizona, na Valley Cathedral com quatro mil assentos. Nos 
dias que se seguiram at o culto de abertura, orei: "Senhor, estou te 
levando por meio de tua Palavra. Estou comeando pela f. Por favor, 
ajuda-nos a encher este prdio para a tua glria."
Quando fomos para o auditrio, mal pude acreditar no que vi. As 
pessoas faziam fila em todas as portas, esperando para entrar. Mais de 
oito mil pessoas apareceram naquela noite e milhares no conseguiram 
entrar no local.
Depois do culto, pensei: Bem, este foi apenas um fenmeno que 
passou. Com certeza no se repetir amanh  noite!
Na manh seguinte, comeamos aquilo que passaria a ser uma 
caracterstica permanente de nossas cruzadas - um culto pela manh 
com nfase no ensino. O culto comeou s 10 horas. Por volta das 
13h30, eu disse: "Preciso parar.  hora de vocs, queridos, irem 
almoar."
Um homem que estava na primeira fila gritou: "Voc no vai 
parar! Viajei cerca de mil e seiscentos quilmetros para participar deste 
ensino e voc no vai parar!"
Toda a platia respondeu com um grito em sinal de concordncia. 
A partir daquela primeira reunio da manh, eu soube que as pessoas 
estavam com fome da Palavra de Deus. No ltimo culto, uma multido 
ainda maior tentou entrar no prdio.
Eu disse para minha equipe: "Parece que precisamos encontrar 
lugares maiores para estas reunies."
Dentro de pouco tempo, nossas cruzadas comearam a encher 
alguns dos grandes estdios e anfiteatros nos Estados Unidos - de 
Santo Antnio, passando por Charlotte at Long Beach.

ELE EST A CAMINHO!
Em casa, Suzanne segurava as pontas com Jessica, de 8 anos, e 
Natasha, agora com 6 anos. Naturalmente, eu ainda queria um menino 
- e sabia como iria cham-lo: Joshua.
Anos antes, Oral Roberts havia me ensinado a importncia do 
semear e do colher. Lembro-me dele dizendo: "Quando voc der a sua 
oferta, creia na colheita."
Todo domingo em nossa igreja, quando a salva chegava at mim, 
eu dizia em voz alta para que todos ouvissem: "Obrigado, Senhor, por 
meu Joshua." No era segredo para ningum que eu queria um 
garotinho.
No vero de 1990, em uma noite de domingo, pouco antes de eu 
subir ao plpito, Suzanne apareceu e colocou um par de sapatinhos no 
plpito. Amarrado a eles estava um bilhete que dizia: "Seu Joshua est 
a caminho."
Foi assim que descobri que ela estava grvida!
Joshua Hinn nasceu em 23 de maro de 1991.
E mais uma surpresa estava reservada. No ano seguinte, em 26 
de junho de 1992, o Senhor abenoou a nossa casa com uma linda 
garotinha, Eleasha.

A EQUIPE CRESCE
Desde o comeo de nossas cruzadas, Deus havia me cercado com 
uma incrvel equipe. O administrador de nossas cruzadas era Charlie 
McCuen, um homem talentoso e trabalhador que estava envolvido no 
ministrio de visitas de nossa igreja. Vi seu entusiasmo com Deus e 
disse: "Senhor, tu podes usar aquele zelo em nossas cruzadas." Mesmo 
no tendo ele feito de longe nada parecido com isto antes, o Senhor o 
usou grandemente. Hoje, Donald Dean, um senhor ungido e talentoso, 
est fazendo o mesmo trabalho. Donald e a esposa, Joanne, so uma 
grande bno para mim e nossa obra.
Nossa segunda cruzada aconteceu em Anaheim, na Califrnia, e, 
para isso, convidei um cantor chamado Steve Brock para ser o solista 
convidado. Eu o havia conhecido quando fui pregar em um avivamento 
de dois dias, patrocinado pela Trinity Broadcasting Network.
Na primeira noite em Anaheim, comecei a cantar o refro de uma 
msica, e atrs de mim, Steve comeou a improvisar. Desde o momento 
em que comeamos a fazer aquele dueto improvisado, senti em meu 
esprito que ele faria parte de nossa equipe.
No ms seguinte, telefonei para Alvin Slaughter, um cantor que 
havia inspirado nosso pessoal quando veio ministrar em nossa igreja. 
"Alvin, Steve Brock acabou de se juntar ao nosso ministrio de cruzadas 
e acho que voc tambm precisa fazer parte do que Deus est fazendo 
nestes cultos."
Juntos, Steve Brock e Alvin Slaughter tocaram a vida de milhes 
de pessoas. Hoje, estou convencido mais do que nunca de que a msica 
ungida leva as pessoas  presena do Senhor.
Em um momento em que eu precisava desesperadamente de uma 
ajuda administrativa, o Senhor enviou um homem chamado Gene 
Polino. Com cuidado, ele navegou pelas guas para conduzir-nos desde 
o nosso humilde comeo at onde estamos hoje. Embora no trabalhe 
mais com o nosso ministrio, Deus permitiu que Gene nos desse 
direo neste momento crtico.
No tempo perfeito de Deus, Joan Gieson veio trabalhar com nossa 
equipe de cura por sete anos.
Por causa do crescimento de nosso ministrio, o Senhor permitiu 
que algumas pessoas excepcionais se somassem  nossa equipe, 
incluindo Tim Lavender, nosso diretor operacional - ele estava antes 
com a organizao Promise Keepers. Tambm se juntou a ns Peter 
Ireland, nosso diretor financeiro. Estes homens so cristos 
maravilhosos e uma bno para mim e para este ministrio.
Alm disso, Deus enviou-nos Michael EUison da Ellison Media 
Company, em Phoenix, um precioso consultor - alm de Dennis Brewer 
e David Middlebrook, advogados cristos de Dallas, e Jim Guinn, um 
dos melhores contadores. Estes so alguns dos melhores profissionais 
no mundo dos negcios que se tornaram amigos queridos e ntimos.
Entre os que desempenharam papis de liderana esto John 
Wilson, que foi parceiro de nosso ministrio por muitos anos, Kurt 
Kjellstrom, que se tornou um amigo muito querido de minha famlia, 
Don Boss, que supervisiona o som em nossas cruzadas, Sue Langford 
em nosso ministrio de acompanhamento, R. J. Larson, lder de nossa 
equipe de segurana, e Nancy Prichard, que, com destreza, cuida de 
minha agenda e correspondncia pessoal. Agradeo ao Senhor todos os 
dias por estas mulheres e homens leais e comprometidos.
O trabalho no Centro Cristo de Orlando - e nosso projeto de 
cruzadas - avanou firmemente graas aos esforos de pessoas como 
Mike Thomforde, Steve Hill, Larry Muriello e Ayub Fleming.
Seria impossvel citar o nome de todas as pessoas que, ao longo 
dos anos, permitiram que o nosso ministrio fosse o que  hoje.
Ken Mattox, o jovem que se juntou  equipe de nossa igreja na 
dcada de 80, passou a ser meu brao direito em nosso ministrio de 
cruzadas. Deus no poderia ter enviado algum mais adequado do que 
Kent. Ele amava a vida e sabia quando eu precisava de encorajamento. 
O Senhor, por fim, conduziu Kent ao seu prprio ministrio, e ele 
sempre ser meu querido amigo.
Outra pessoa que no era to conhecida pelo pblico quanto 
Kent, mas que foi vital para os primeiros anos de cruzadas, foi David 
Delgado, da Cidade de Nova York. Filho de um pregador pentecostal 
porto-riquenho, Dave deixou a vida de viciado em drogas e se tornou 
meu assistente pessoal. Sua lealdade era inigualvel e ele era muito 
estimado por nossa equipe. Passados os anos, depois de ficar 
gravemente doente por causa de uma hepatite, ele morreu 
prematuramente. Sua morte foi um mistrio para sua famlia, para 
nossa equipe e para mim. Embora boatos de que ele havia tido uma 
recada tenham chamado a nossa ateno, conhecendo David como eu 
conhecia - e do quanto ele amava profundamente a Deus -, s posso 
deixar os motivos de sua morte nas mos do Senhor.
Por vrios anos, em meados da dcada de 90, Ronn Haus tornou-
se parceiro de evangelismo em nossa equipe. Eu conhecia Ronn havia 
muitos anos - foi ele que me apresentou para meu futuro sogro, Roy 
Harthern. Ronn apareceu em um momento em que eu precisava de uma 
forte fora espiritual ao meu lado. Ele ainda est ao meu lado no 
ministrio.
Por Sua bondade, Deus tambm permitiu que muitos notveis 
ministros do Evangelho se tornassem uma fonte de fora espiritual para 
mim - pessoas como Don George, pastor do Calvary Temple, em Dallas, 
no Texas; Tommy Barnett, pastor da Primeira Assemblia de Deus, em 
Phoenix, no Arizona; Jack Hayford, pastor da Church on the Way, em 
Van Nuys, na Califrnia; Dan Betzer, pastor da Primeira Assemblia de 
Deus, em Ft. Myers, na Flrida; Ralph Wilkerson, fundador e ex-pastor 
do Melodyland Christian Center, em Anaheim, na Califrnia, e Fred 
Roberts, pastor do Durban Christian Center, na frica do Sul.
Tambm fui influenciado por dois homens que j esto com o 
Senhor. Logo depois de minha converso em Toronto, comecei a 
participar de estudos bblicos ministrados pelo Dr. Winston I. Nunes - 
um dos grandes mestres de nossa gerao e um gigante na f. Ainda me 
admiro com o que aprendi com ele no incio de minha jornada 
espiritual.
Outro homem a quem respeito muito  o falecido Dr. Lester 
Sumrall - que deixou sua marca na igreja e no mundo. Continuamos a 
trabalhar com seus filhos enquanto eles carregam a tocha da grande 
obra do pai.
Sou grato pelo que estes servos de Deus significaram para a 
minha vida.

RIQUEZA ESPIRITUAL
Logo depois que comeamos nossas cruzadas de milagres 
mensais, eu me senti compelido a convidar Rex Humbard, o famoso 
evangelista e pioneiro dos programas de televiso cristos nos Estados 
Unidos, a ser um freqente ministrante de destaque nas reunies 
matutinas s sextas-feiras. Ele  um dos maiores ganhadores de almas 
na histria do evangelismo. Rex e a esposa, Maude Amiee, foram amigos 
ntimos de Kathryn Kuhlman.
Para mim e Suzanne, era uma honra passar tempo com estes 
servos humildes e generosos do Senhor. Muitas vezes, quando precisei 
de algum para compartilhar os encargos deste ministrio, Rex sempre 
se fez presente.
Tambm sou grato a Deus por enviar Oral e Evelyn Roberts  
nossa vida muitos anos atrs. O amor que eles ofereceram a mim e 
Suzanne foi impressionante.
Somente a eternidade revelar a riqueza espiritual que recebi de 
Oral - e no h nenhum homem na terra que tenha tido maior impacto 
em minha vida. Declarei muitas vezes: "Eu o amo como se fosse meu 
prprio pai."
Tambm apreciamos os momentos que passamos com seu filho e 
nora, Richard e Lindsey.
Que presente maravilhoso para este mundo foi a Universidade 
Oral Roberts! Ele j deixou a sua marca na histria. Deus usou Oral 
Roberts para lanar um poderoso alicerce para o ministrio de cura 
neste mundo. Milhes de vidas foram influenciadas por este homem. E 
o impacto de seu ministrio ser sentido pelas geraes que esto por 
vir. O doutorado honorrio que me foi dado na Universidade Oral 
Roberts tem um significado especial por causa do homem cujo nome a 
instituio leva.

"ISTO  QUASE IRREAL"
Desde o comeo, o impacto que os cultos de milagres estavam 
tendo em cidades pelos Estados Unidos era muitas vezes mais do que 
espiritual. Por exemplo, quando chegamos a Flint, em Michigan, em 
agosto de 1991, o Flint Journal noticiou na reportagem de primeira 
pgina o seguinte: "Eles vm de todas as partes de Michigan e de 
Indiana - at da Virgnia, do Tennessee e do Novo Mxico. De todas as 
partes do pas eles vieram, descendo no Estdio de Esportes IMA de 
Flint na quinta-feira  noite,  procura de um milagre." O artigo citava o 
porta-voz da Convention and Tourist Bureau, dizendo: "Todo hotel, 
hospedagem e pousada de Genesse estavam reservados para quinta-
feira e hoje  noite -cerca de dois mil e seiscentos quartos no total."
"Isto  quase irreal", disse o porta-voz. "Os telefones esto 
desligados e chega aos meus ouvidos que a situao no Estdio IMA  
ainda pior." As notcias diziam: "Alguns aficionados por cruzadas 
acamparam-se do lado de fora do estdio na noite de quarta-feira para 
que pudessem ser os primeiros da fila a pegar os primeiros lugares 
livres. Outros chegaram cedo na quinta-feira de manh, trazendo 
cobertores e cadeiras de descanso, caixas de isopor, potes de gelia e 
suas Bblias."
Reportagens do tipo comearam a aparecer depois das cruzadas 
pelos Estados Unidos.

MILAGRES NA CHUVA
A ordem de Deus para mim tambm inclua levar o Evangelho s 
naes do mundo - e no s uma visita simblica a uma cidade 
estrangeira. Ns nos preparvamos para grandes cruzadas nestes 
pases, como fazamos nos Estados Unidos, envolvendo um grande 
nmero de igrejas e missionrios locais, um coral para a cruzada, 
obreiros para trabalhar no plpito e um programa de acompanhamento 
de novos convertidos.
Na cruzada em Manila, nas Filipinas, em fevereiro de 1992, o 
Estdio Araneta ficou cheio - com outros milhares em p do lado de 
fora. As notcias eram de que muitos chegavam s 4 horas da manh s 
para esperar pelo culto da noite.
Quando voltamos para as Filipinas algum tempo depois, 
quinhentas mil pessoas participaram da primeira noite de reunies.
Muitas vezes, nossas viagens ao exterior so acompanhadas por 
algo inesperado. Em nossa cruzada de 1994, no Estdio do Huracn, 
em Buenos Aires, na Argentina, enquanto as multides se aglutinavam 
logo cedo, comeou a cair uma chuva - e a chuvarada continuou a tarde 
toda. Os funcionrios do estdio se recusaram a deixar que a reunio 
acontecesse naquela noite por causa do possvel risco  segurana 
provocado pelos fios eltricos desencapados no campo de futebol.
Naquela noite, Deus operou de um modo pouco comum. Foi-nos 
dado um tempo em uma grande rede comercial para realizarmos um 
culto de milagres ao vivo pela televiso do pas. A transmisso chegou  
maior parte da Argentina, alm de partes de trs pases vizinhos da 
Amrica do Sul. Milagres aconteceram com o pessoal do estdio e 
relatos de cura comearam a fluir de telespectadores.
Na noite seguinte, os cem mil lugares do Estdio do Huracn 
ficaram completamente ocupados. Milhares de pessoas ficaram no 
campo lamacento e encharcado pela chuva, louvando e adorando ao 
Senhor enquanto o coral cantava: "Nada Es Impossible" (Nada 
Impossvel ). Na manh seguinte, nove mil pastores encheram um 
estdio no centro da cidade enquanto eu pregava sobre o tema "No H 
Aposentadoria no Reino."
At hoje, ouvimos relatos de igrejas que ainda esto 
experimentando o avivamento por causa do derramar espiritual que os 
pastores receberam do Senhor naquela reunio. A Jesus pertence toda 
a glria.

UMA FRAGRNCIA, UM VENTO
Nas cruzadas nos Estados Unidos e no exterior, nunca deixo de 
me espantar com a demonstrao do poder de Deus.
Certa noite, em um culto em Detroit, a presena do Senhor foi to 
grande que foi possvel sentir a sua fragrncia - uma fragrncia que 
permeou o prdio de modo que milhares de pessoas testificaram t-la 
sentido. Estou convencido de que a presena de Deus se intensifica 
quando h uma total unio entre os cristos no culto.
Em Pretria, na frica do Sul, milhares de pessoas sentiram um 
vento que comeou na parte superior do prdio e passou por toda a 
platia.
Em Bogat, na Colmbia, a presena do Esprito Santo foi to 
tremenda que o Senhor falou comigo e disse: "Em uma hora vou andar 
neste lugar." Olhei para o meu relgio e faltavam dez minutos para as 8 
horas.
No mesmo instante, parei para falar para a multido o que o 
Senhor havia acabado de dizer. Depois, demos continuidade ao culto. 
Uma hora depois, faltando dez minutos para as 9 horas, o poder e a 
presena de Deus atingiram o lugar com tanta magnitude que as 
pessoas naquela construo circular comearam a cair de fora para 
dentro - todas na mesma direo -, como se uma onda gigante as 
tivesse acertado. Se puder, imagine um crculo, depois outro crculo 
dentro do primeiro e um crculo menor no meio. Quando o poder de 
Deus desceu, as pessoas caram em ondas perfeitas em volta daqueles 
crculos at, praticamente, todas as pessoas naquele lugar estarem no 
cho.
Foi um momento de grande emoo e as pessoas ficaram bastante 
abaladas com a experincia. Nunca testemunhei nada parecido antes.
Naquele mesmo culto, cerca de trinta minutos depois, o Senhor 
me interrompeu novamente e me instruiu a fazer com que as pessoas se 
aquietassem. Ele disse: "Diga a elas que, enquanto estiverem atentas, 
elas ouviro o canto dos anjos."
Foi exatamente isto o que aconteceu.

COM FOME DE UNO
As pessoas perguntavam para mim: "Benny, por que voc acha 
que seu ministrio de cruzadas explodiu no cenrio mundial com tanta 
fora no comeo da dcada de 90?"
Posso listar vrias razes. Acho que as multides comearam a 
freqentar as nossas reunies porque tinham fome da uno de Deus - 
e queriam estar em uma atmosfera onde houvesse essa uno.
Nestas cruzadas, no  raro ver centenas de ministros, no culto 
da manh, chorando, profundamente emocionados, em busca da uno 
do Esprito Santo.
O programa de televiso certamente contribuiu para as grandes 
cruzadas uma vez que, todos os dias, pessoas de todo o mundo podiam 
ver a manifestao do poder de Deus.
Em 1990, a Thomas Nelson Publishers lanou um livro que fui 
inspirado a escrever chamado Bom Dia, Esprito Santo. Para surpresa de 
todos os envolvidos no projeto - inclusive eu - o livro comeou a sumir 
das prateleiras. As lojas no conseguiam mant-lo em estoque, e ele 
rapidamente chegou ao topo das listas das livrarias crists. Ficou ali 
por dezesseis meses.
Milhes de exemplares foram vendidos nos Estados Unidos e o 
livro foi traduzido para mais de quarenta idiomas. A revista Christianity 
Today informou que  "um dos livros cristos mais vendidos de todos os 
tempos."
O presidente e diretor-executivo da Thomas Nelson Publishers, 
Sam Moore, e seu irmo Chuck Moore, dois senhores de origem 
libanesa, tornaram-se meus amigos queridos. Ao longo dos anos, eles 
tm sido grandes mantenedores deste ministrio.

DISTORCER AS ESCRITURAS?
Se Bom Dia, Esprito Santo tivesse tido um sucesso medocre, 
ningum teria dado muita ateno. No entanto, por causa de sua 
estrondosa ascenso, os crticos apelaram. Eles caram em cima dos 
originais como urubus - tentando encontrar algo para criticar 
duramente.
Uma organizao em particular, o Instituto Cristo de Pesquisa 
(ICP), em Irvine, na Califrnia, objetou muitos dos ensinos no livro. Para 
a maioria dos observadores, no entanto, o problema implcito era se 
uma pessoa cr que os dons espirituais esto disponveis para os 
cristos hoje.
No tive problema algum em revisar algumas passagens do livro 
para esclarec-las; no entanto, eu no mudaria aquilo em que cria 
acerca da obra do Esprito Santo.
Hank Hanegraff, presidente do ICP, acusou-me de "distorcer as 
Escrituras."
Quando ele comeou a citar meu nome em seu programa de 
rdio, percebi que seria importante encontrar-me com ele e conversar 
sobre algumas das questes que havia discutido. Ns nos encontramos 
em vrias ocasies.
Admito que houve momentos em que fiz uma declarao que 
estava incorreta. Uma vez que estamos continuamente crescendo no 
Senhor, pregadores e leigos devem igualmente estar abertos para a 
correo divina. No entanto, no creio que seja certo um ministro 
corrigir a sua teologia - ou seu ponto de vista sobre uma questo das 
Escrituras - e os crticos continuarem a trazer  tona aquela mesma 
questo.

"NO SEJAMOS TOLOS"
Uma vez que somos um ministrio bastante conhecido pelo 
pblico, cheguei a esperar um exame minucioso por parte da mdia - e 
certamente tnhamos a nossa parte nisso. Fomos o foco de reportagens 
investigativas de emissores de televiso do pas. Em todos os casos, 
essas reportagens ajudaram a fortalecer o ministrio.
O Senhor tambm abriu portas, permitindo-me aparecer em 
programas como Larry King Live, nos quais fui calorosamente recebido. 
Encontrei muitas pessoas nos meios de comunicao secular que foram 
justas ao fazerem suas reportagens sobre nosso ministrio. Eu disse 
para um reprter: "Tenho muito mais problema com extremistas 
religiosos que acreditam ser mensageiros de Deus."
Como posso criticar a imprensa quando ela atraiu centenas de 
milhares de pessoas para nossas cruzadas a fim de ouvirem a Palavra? 
Muitas dessas pessoas foram salvas de um modo maravilhoso e 
milagrosamente curadas. Graas a Deus, todas as coisas cooperam 
para o bem.


































CAPTULO 18

A EXPERINCIA DA CRUZADA


Algumas pessoas vem uma tenda em um estdio com o seguinte 
anncio: "Cruzada de Milagres de Benny Hinn" e, por engano, pensam 
que tenho algum tipo de poder de cura especial. Longe disso. O que 
acontece em nossas reunies no tem nada a ver comigo - tem tudo a 
ver com o fato de que o poder de cura do Esprito Santo est  disposio 
de todos.
E a obra do Esprito que traz cura, libertao e salvao.
Como eu me preparo para ser um instrumento do Senhor? 
Aqueles que conhecem o nosso ministrio - principalmente os membros 
de nossa equipe de cruzadas - entendem plenamente que eu, 
literalmente, me separo do mundo antes de subir quele plpito.
Nossa tpica cruzada inclui trs cultos: quinta-feira  noite, sexta-
feira de manh e sexta-feira  noite. Comeando s 14 horas na quinta-
feira, tudo com relao a minha vida muda. A equipe que trabalha 
diretamente comigo sabe que no deve haver telefonemas para meu 
escritrio nem interrupes de qualquer espcie.  assim que comeo a 
me preparar fsica, mental e espiritualmente para o primeiro culto. Peo 
a Deus para ajudar-me a me preparar em todos os sentidos. No quero 
deixar a desejar em nenhuma rea - sobretudo, espiritualmente.
Deus no pode usar um corao que est distrado nem um corpo 
que est cansado. Tenho de ser um vaso que Ele possa usar.
Esta  a razo por que no deixo que ningum me perturbe -
independentemente de quem seja. Talvez mais do que qualquer outra 
pessoa, minha esposa e meus filhos entendem perfeitamente e apreciam 
o modo como me sinto quando estou me preparando para um culto de 
milagres.
Sexta-feira  a mesma coisa. Sem interrupes. No deixo que 
nada contamine a minha mente, corpo ou esprito. Nada de rdio ou 
televiso. Nada de jornais. Nada de influncias externas.
Por que isto  to vital? Estou plenamente ciente do fato de que 
milhares de pessoas fizeram grandes sacrifcios e, muitas vezes, longas 
viagens para participarem destas reunies. Muitas esto sofrendo com 
doenas e enfermidades incurveis, orando para que este seja seu 
momento de cura. Posso fazer menos do que me preparar e me entregar 
totalmente ao Senhor?
Descobri h muitos anos que a nica maneira pela qual eu 
poderia ter um ministrio de sucesso era encontrar pessoas que fossem 
to ungidas em seus ministrios quanto eu no meu. Depois, preciso 
confiar que elas cuidaro de seus negcios para que eu possa estar livre 
para concentrar-me no ministrio. Se elas no puderem ser de 
confiana, ento  hora de mudarem.

UM SENSO DE EXPECTATIVA
Qualquer pessoa que chegar cedo para uma de nossas cruzadas 
perceber a f e a expectativa. Muitas vezes est chuviscando e ainda 
est escuro quando as pessoas comeam a formar filas para uma 
reunio que demorar doze ou catorze horas para comear. Essas 
pessoas esto com fome de Deus e dispostas a esperar para 
conseguirem os melhores lugares.
Algumas vm com sacolas cheias de salgadinhos, livros e outros 
itens que ajudam a passar o tempo. Elas passam o dia fazendo amizade 
com outras pessoas que esto na fila - conversando, lendo, cantando, 
orando e esperando a hora de as portas se abrirem.
Por volta do meio-dia, as filas esto consideravelmente grandes, e 
a maioria das pessoas sabe quais so as expectativas daqueles que 
esto a sua volta - eles esto esperando milagres.
L dentro, cerca de setenta e cinco voluntrios (de uma lista 
principal de quase duzentos fiis) esto a postos. So profissionais de 
todas as partes do pas que, as suas prprias custas, participam de 
nossas cruzadas mensais. Os voluntrios de sempre coordenam as 
atividades de centenas de pessoas locais que aparecem para ajudar - 
desde uma multido de porteiros queles que ajudaro a equipe na 
ministrao de cura.
Quando as portas finalmente se abrem e as pessoas correm para 
pegar seus lugares, o murmrio de vozes cria um rudo agitado por todo 
o local. O coral da cruzada j est no lugar e, quando os coristas 
comear a ensaiar, muitos espectadores cantam junto com eles. A 
atmosfera parece cheia de emoo, e a uno da presena de Deus j 
comea a descer.
No nvel principal, os obreiros da equipe de ministrao 
encorajam os doentes e compartilham testemunhos de cura. Enquanto 
o coral continua a ensaiar, os lugares se enchem rapidamente. Obreiros 
voluntrios correm para c e para l por todo o estdio, cuidando dos 
ltimos preparativos para o culto.
s 19 horas, as luzes escurecem e o rudo de vozes se transforma 
em um verdadeiro silncio enquanto a voz do apresentador d as boas-
vindas s milhares de pessoas que se reuniram para o culto de 
milagres. Luzes azuis lentamente contornam a silhueta de Bruce 
Hughes, sentado a um piano Steinway de quase 2,80 metros, tocando 
um hino clssico antigo com perfeio artstica. Um ltimo arpejo nas 
teclas sinaliza o fim do solo.
Aplausos calorosos recebem Jim Cernero, nosso diretor musical, 
enquanto ele ocupa seu lugar diante do coral de mil vozes. Enquanto 
eles cantam, a fora aumenta, e logo as pessoas se pem em p por todo 
o estdio quando o coral comea: "Ento minha alma canta a ti, 
Senhor/ Grandioso s Tu! Grandioso s Tu!"
As milhares de pessoas que enchem o estdio so levadas a um 
lugar de glorioso louvor e adorao.
No posso comear a descrever o que estou sentindo quando subo 
ao plpito naquele momento e continuo a conduzir o pblico em 
adorao. Tudo por que orei - tudo aquilo para que Deus preparou a 
minha vida - parece absorto naquele momento. E eu sei que o Esprito 
Santo est para descer com grande poder!
Steve Brock e outros solistas especiais cantam os clssicos das 
cruzadas e o amor de Deus se torna quase tangvel. No rosto de muitos 
vem-se os sinais de lgrimas enquanto pessoas de diversas origens se 
deleitam na presena de Deus. As expresses no rosto delas revelam 
para qualquer observador que Jesus Cristo  real, que as ama e est 
presente para toc-las e suprir suas necessidades.
Em um determinado momento do culto, fao um apelo: "Se vocs 
quiserem entregar seus coraes para Jesus Cristo, se quiserem 
conhec-lo como seu Salvador e Senhor, venham  frente do plpito 
para que eu possa orar por vocs." Fico deslumbrado toda vez que vejo 
as pessoas correndo  frente, enchendo todos os corredores. Enquanto 
o coral canta "Just As I Am" (Assim Como Eu Sou), milhares de pessoas 
entregam sua vida para Jesus Cristo. Depois, enquanto elas voltam 
para seus lugares, muitas vezes comeo a cantar uma bela cano de 
adorao e a multido me acompanha.

"OBRIGADO POR TUA MISERICRDIA!"
O tempo passa rpido e a adorao enche o estdio mais uma vez. 
O que parecia impossvel para alguns h apenas algumas horas, agora  
possvel. O Deus de milagres se faz presente.
Muitas vezes eu me encho, de repente, de uma ardente presena 
que me envolve e comeo a orar com autoridade, repreendendo a 
doena e a enfermidade. "Se Deus tocou em voc, forme uma fila a 
minha esquerda e a minha direita," peo. Muitos j esto l, ansiosos 
para testificar sobre o poder de cura de Deus em sua vida.
Ao lado do plpito, um membro de nossa equipe de ministrao 
de cura relata: "Pastor, esta senhora veio de Cincinnati, Ohio, crendo 
que Deus a curaria de cncer. Ela no tem mais dor!"
Naquele momento, tudo o que posso dizer : "Querido Jesus, 
obrigado por tua misericrdia!" O pblico comea a bater palmas e a 
louvar em gratido pelo que Deus fez.
Pessoas vm, uma aps a outra, para declarar que foram curadas 
pelo poder de Deus. Cncer, asma, doena cardaca, diabetes, enfisema, 
alcoolismo, vcio em drogas e mais.
O poder de Deus muitas vezes rebenta no estdio - e em todo o 
corao -, enquanto os espectadores se regozijam com cada pessoa que 
sobe ao plpito para falar do toque de Deus sobre sua vida.
Quando a ltima msica  cantada e a multido comea a se 
dispersar e esvaziar o auditrio, raramente tenho vontade de sair do 
plpito. Os rostos esto radiantes, reluzentes, cheios de vida e alegria. 
 visvel que eles experimentaram a presena de Deus de um modo que 
nunca imaginaram ser possvel. Oro para que, por causa desta 
experincia, eles nunca sejam os mesmos novamente.

CRUSADER I
Se voc for atrs do palco de uma cruzada e passar por um 
corredor com cortinas pretas, encontrar o Crusader I - nossa unidade 
mvel de ltima gerao para produo de programas de televiso. Este 
caminho personalizado com quase quinze metros de comprimento 
contm equipamentos de alta qualidade para capturar em vdeo cada 
detalhe do que se v no programa This Is Your Day!
Jeff Pittman, nosso produtor,  um dos melhores no ramo. Alm 
disso, ele se sente chamado por Deus para ficar ao meu lado na 
propagao da mensagem do Evangelho. Passamos centenas de horas 
juntos em todas as partes do mundo, e sei da dedicao com a qual ele 
desempenha sua tarefa. O objetivo de Jeff  capturar
a uno nos cultos e suprir a necessidade de uma pessoa - quer 
seja um cristo que est desanimado, um alcolatra que precisa de 
libertao, uma me cujo filho acabou de fugir de casa ou um marido 
cuja esposa simplesmente pegou os filhos e foi embora.
Trabalhando ao lado dele esto os diretores Truett Hancock e 
Gene Bailey - e a pessoa que anuncia o programa j h muito tempo, 
Keith Curtis.
Jeff e eu conversamos sobre cada aspecto do programa, desde 
uma msica especfica que usaremos ao testemunho de algum que foi 
curado. E, antes de cada programa, oramos para que os telespectadores 
sejam tocados pelo poder de Deus.
Toda vez que recebo uma carta que me diz: "Fui salvo ao assistir 
ao programa" ou "Fui curado por meio de seu ministrio de televiso," 
sei que isso no foi por acaso. Para nossa equipe de televiso, o 
trabalho deles  um ministrio.
Recentemente, consagramos nosso estdio World Media Center, 
em Aliso Viejo, na Califrnia. Nosso equipamento iguala-se ao de 
qualquer estdio de televiso em Los Angeles ou Nova York - e tudo  
para a glria de Deus.
Estou convencido de que devemos "[anunciar] paz s naes... at 
as extremidades da terra." (Zc 9.10). Meu objetivo , de algum modo, 
alcanar com o Evangelho cada lar em todos os pases. Estamos 
levando a mensagem de salvao e o poder de cura de Deus a cada 
nao que recebe a transmisso de nosso programa.
Muitos governos que h muito proibiam a mensagem crist agora 
esto sendo alcanados via satlite.
Este exclusivo projeto televisivo faz parte do chamado de Deus 
para a minha vida.

A MISSO DE MAX
Estacionado do lado de fora de cada estdio usado para as 
cruzadas, voc ver inmeros nibus - nibus usados por igrejas, 
nibus escolares, nibus fretados e nibus de viagem. Para muitas 
pessoas, este, por si s,  um ministrio.
Max Colver, de Indianpolis, envolveu-se no sentido de levar 
pessoas s nossas cruzadas quando ajudou sua me, j idosa, a sair de 
um estdio lotado em Chicago, aps uma Cruzada de Milagres, em 
1992. Enquanto eles viam as pessoas entrarem nos nibus, Max 
percebeu que aqueles que vinham de nibus j tinham um lugar 
garantido, antes do pblico geral. Foi o incio de um ministrio singular.
A primeira viagem que ele organizou foi para a nossa cruzada em 
Cincinnati alguns meses depois. E agora ele acompanhava mais de mil 
e duzentas pessoas a outras doze cruzadas. Alm disso, Max abriu uma 
igreja em Indianpolis chamada Living Word (Palavra Viva). Ele diz: "Ela 
nasceu graas  uno que recebemos nas reunies."
O pastor Colver e sua esposa concentram-se em tirar dos ombros 
dos idosos e doentes o peso de uma viagem, oferecendo segurana e 
conforto durante toda a experincia na cruzada.
Eles comeam a planejar a viagem dois ou trs meses antes de 
uma de nossas cruzadas. Ento, ele aluga os nibus e os quartos de 
hotel, e cobra cerca de cem dlares o pacote.
O que  importante para Max so os resultados. Ele nos disse que 
muitos que viajam de nibus vm esperando milagres. "Muitas pessoas 
aleijadas esto na viagem, e muitos dentre o nosso pessoal so 
curados", ele diz. "A longa viagem de nibus permite que uma atmosfera 
de f seja criada. Ficamos concentrados," disse o pastor Max. "A 
primeira coisa que digo todas as manhs : 'Louvado seja Deus! Este  o 
seu dia para receber um milagre!'"
Eles at assistem a um vdeo de um de nossos cultos durante a 
viagem. E muitos milagres realmente acontecem durante as viagens de 
nibus enquanto eles vo e voltam dos cultos de milagres. "Estvamos 
indo para Nashville e, na metade do caminho, ouvi um grito nos fundos 
do nibus. Algum havia sido curado," disse Max. "Enquanto 
voltvamos para Indianpolis, deixamos as pessoas darem seus 
testemunhos. E algumas so curadas a caminho de casa.  glorioso," 
ele diz.

MDICOS NO MINISTRIO
Quando iniciamos nossa igreja em Orlando, entre nossos 
primeiros membros estavam Donald Colbert, Doutor em Medicina, e sua 
esposa, Mary. Don  um mdico cheio do Esprito, de Longwood, na 
Flrida, que  meu mdico pessoal e tambm nos ajuda nas cruzadas.
Temos mdicos em nossas reunies para examinar aqueles que 
dizem ter sido curados durante os cultos. O trabalho deles  muito 
importante para ns. Por causa de seu treinamento mdico, os doutores 
que participam das cruzadas tambm podem realizar um exame 
superficial daqueles que foram tocados pelo poder de Deus. Eles 
ajudam a confirmar a cura de uma pessoa antes de a enviarem para o 
plpito para dar um testemunho.
Por que os mdicos voluntrios participariam de uma Cruzada de 
Milagres? Neste caso, eles compartilham uma perspectiva singular 
sobre o poder milagroso de cura de Jesus.
A Dra. Sydel Barnes, outra mdica de nossas cruzadas, tem sua 
clnica no interior da cidade de Tampa, na Flrida. H vrios anos, ela 
participou de uma de nossas cruzadas em Atlanta e disse: "Como 
mdica, foi uma experincia que superou qualquer coisa que pensei 
que, alguma vez, veria". E acrescentou:" Lembro-me, sobretudo, de um 
garotinho com paralisia cerebral. Eu estava sentada l no alto, em 
algum lugar da galeria, e estava olhando para ele. Enquanto algum 
orava pela criana, vi o Esprito de Deus vir sobre ele. Ele comeou a 
correr, quando antes no podia andar", ela disse. "Eu sabia que isto era 
algo que ia muito alm do conhecimento e racionalizao mdica."
A Dra. Barnes ficou emocionada com o que testemunhou na 
reunio. Ela comeou a orar: "Senhor, quero ser como um dos 
discpulos que andaram com Jesus. Quero ser parte destes milagres."
Ela reserva um tempo em sua agenda cheia para ser voluntria 
em grande parte de nossas cruzadas.
O Dr. Daniel Gorduek comeou a ajudar em nossas reunies 
depois que foi milagrosamente curado de cncer, em uma de nossas 
cruzadas em Porto Rico. Em 1996, ele recebeu o diagnstico de um 
cncer de prstata de um tipo agressivo que havia se espalhado para os 
ossos. No lhe foi dada esperana de vida. Hoje, ele est livre do cncer 
e investe seu tempo como mdico voluntrio nas cruzadas.
Voluntrios - equipes de televiso - ministrios com nibus -
mdicos nas cruzadas - so membros importantes de uma equipe que 
se dedica a alcanar o mundo para Cristo.

































CAPTULO 19

A MAIOR DDIVA


J era tarde da noite e eu estava relaxando, sentado em uma 
confortvel cadeira com meu filho, Joshua, esparramado em meu colo. 
Naquela mesma tarde, eu havia chegado de viagem de uma cruzada na 
West Coast, e meu filho, que estava com quase 5 anos na poca, ficou 
um tanto entusiasmado por ver o pai.
No corredor, pude ouvir os sons familiares de agitao de Jessica 
e Natasha se preparando para ir para a cama. Eleasha, nossa filha 
caula, j estava dormindo.
Quando a casa ficou em silncio, Joshua se aconchegou ainda 
mais em mim. Quando dei uma olhada para baixo, notei que ele havia 
dormido em meus braos. Ele parecia to sereno acomodado ali - quase 
angelical. Eu estava sentado em silncio, acariciando seus cabelos 
castanhos, curtindo o momento. Pensei: Que presente maravilhoso do 
Senhor.
Deus havia permitido que eu atravessasse o mundo, conhecesse 
lderes ilustres de muitas naes e fizesse muitas coisas, contudo, estas 
experincias perdiam o brilho quando comparadas aos momentos 
preciosos que eu passava com meus filhos. Como pai, no h nada que 
eu no faa por Jessica, Natasha, Joshua e Eleasha. Eu os amo.
Cada um de meus filhos  especial, e Deus fez deles indivduos 
nicos.

JESSICA
Jessica, nossa filha mais velha, transformou-se em uma jovem 
alta, formosa e confiante. s vezes eu a provoco dizendo que ela se 
parece comigo, e ela logo responde, piscando seus olhos escuros: 
"Lembre-se que tambm sou inglesa, como mame!"
E bvio que h uma certa presso sobre nossos filhos por causa 
da notoriedade de nosso ministrio, mas isso no parece incomod-los 
muito. Quando Jessica estava cursando o segundo ano do Colgio Lake 
Mary, ela foi o tema central de um artigo do Orlando Sentinel. Ela disse 
ao reprter: "Para mim, no  como se eu vivesse com algum famoso. 
Ele  apenas meu pai." E acrescentou: "Meu pai e eu somos muito 
prximos. Somos exatamente iguais."
Quando Jessica completou 16 anos, eu lhe dei um celular. Havia 
um motivo para o meu presente. Como ela disse para uma amiga: " 
surpreendente. Independentemente de onde meu pai esteja neste 
mundo, ele sempre sabe a hora em que devo estar em casa e, por isso, 
sei que o telefone vai tocar. Sem sombra de dvida,  meu pai."
Obrigado Deus pela tecnologia moderna!
Suzanne e eu ficamos emocionados em ver a fora de carter de 
Jessica e sua grande compaixo pelos outros.

NATASHA
Natasha, nossa segunda filha, enche a nossa casa de alegria e 
entusiasmo - ela est sempre fervendo. Por escolha, ela no chama a 
ateno para si publicamente, falando o mnimo possvel. Em 
particular, no entanto, ela no se contm muito! No momento em que 
entro em casa, sempre posso contar com ela para me dar uma opinio 
ou me dizer exatamente o que se passa em sua cabea.
"Tasha", como a chamamos,  extremamente autodisciplinada. 
Ela  a nica que chega da escola e cuida de sua lio de casa 
imediatamente - terminando todos os seus deveres antes de qualquer 
atividade de lazer.
Desde os primeiros anos da infncia, Natasha tinha uma paixo 
por misses, e falava sobre crianas que gostaria de ajudar em outros 
pases. Ela aproveitou a oportunidade de viajar para Zmbia e Mxico - 
no para participar de nossas cruzadas, mas para trabalhar e ministrar 
com outros jovens em passeios organizados pela igreja que meu irmo 
Sammy pastoreia em Orlando.

JOSHUA
Joshua? Bem, ele  um rapazinho. Mencione qualquer esporte e 
ele j est pronto para pratic-lo - basquete, futebol, carat e, 
principalmente, hquei. Fiquei impressionado a primeira vez que o vi 
correndo pelo piso de um ginsio enquanto jogava hquei sobre patins.
Meu Joshua  sempre cheio de surpresas e eu nunca tenho muita 
certeza quanto ao que esperar. Ele definitivamente no fica acanhado 
quando o convido para juntar-se a mim no plpito. Desde que tinha 3 
ou 4 anos, ele aproveitava a chance de agarrar o microfone para dizer 
"ol" ou para cantar uma msica. O "ol" , de longe, o mais previsvel. 
Lembro-me de lev-lo ao plpito em uma cruzada no ms de dezembro e 
ele querer cantar uma msica de Natal. "O que voc gostaria de 
cantar?", eu lhe perguntei.
"Dashing Through the Snow" (Lanando-me na Neve), ele 
respondeu.
Como era uma Cruzada de Milagres, eu esperava que ele, pelo 
menos, escolhesse: "Silent Night" (Noite Feliz) ou "Away in a Manger" (L 
longe em uma Manjedoura). No. Ele quis cantar "DashingThrough the 
Snow", e foi exatamente isso que as pessoas ouviram naquela noite!
Meu corao est cheio de expectativa com relao ao futuro de 
Joshua.

ELEASHA
Nossa filha caula  Eleasha, o "xod" da famlia, mas ela est 
crescendo muito rpido. Que amor ela  - uma criana to tranqila e 
uma alegria que temos por perto. Minha esposa, Suzanne, e eu 
dificilmente nos lembramos de alguma vez em que ela chorou por 
alguma razo. Independentemente das circunstncias, podemos confiar 
que Eleasha ser feliz.
Desde os primeiros anos de infncia, quando era hora de ir para a 
cama, ela se deitava, fechava os olhos e dormia. Sem protestos, sem 
choro, sem demora. Apenas um "boa-noite."
Ela est contente quer esteja brincando sozinha ou com outras 
crianas - isso parece fazer pouca diferena. Muitas noites, olho e a 
encontro em seu quarto, entretida em um livro ou fazendo um desenho.
Eleasha  a mesma coisa quando est em casa, fazendo aulas de 
bale, participando de uma aula de carat ou cantando no plpito com 
seu irmo, Joshua. Ela ama tudo - principalmente seu irmo. Eles so 
inseparveis.


ABRAOS, BEIJOS E CARTES
Algum recentemente me perguntou: "Qual foi o melhor presente 
de Natal que voc j recebeu de seus filhos?"
No precisei pensar muito para responder. Todo Natal e em nosso 
aniversrio, Suzanne e eu recebemos um carto especial de cada um de 
nossos filhos. A mensagem no  algo que eles compraram em uma loja, 
mas palavras que escreveram com o corao. Mais de uma vez, 
enxuguei uma lgrima de meu olho ao ler: "Feliz Natal para o melhor 
pai de todo o mundo" ou "Eu amo voc em seu aniversrio e em todos 
os dias do ano."
Abraos, beijos e cartes - estes so os presentes que sempre 
tero valor para mim.
Algumas pessoas se surpreendem quando passam, pela primeira 
vez, tempo com nossos filhos. Um amigo pastor comentou: "Estou 
chocado. Eles so to normais - to prticos."
Sorri e perguntei: "No  assim que eles deveriam ser?" Eles so 
crianas normais e ativas, cada um com um temperamento nico. 
Joshua e Jessica so mais enrgicos e impetuosos, enquanto Natasha e 
Eleasha tm uma personalidade calma e passiva. Agradecemos a Deus 
por todos eles serem crianas amorosas.

DECISES, DECISES
Suzanne e eu tomamos uma deciso, logo no incio de nosso 
casamento, de que, quando nos tornssemos pais, daramos a nossos 
filhos o amor, a segurana e a disciplina de que eles precisassem, mas 
no os isolaramos do mundo real. Por exemplo, em casos de notas 
baixas, nossos filhos foram para escolas crists particulares. No colgio, 
no entanto, Jessica e Natasha freqentaram escolas pblicas - e sua f 
e compromisso cristo continuaram fortes. Ficamos, sobretudo, 
satisfeitos com a aceitao que nossos filhos receberam em escolas 
pblicas.
Oh, houve momentos em que outras crianas os insultaram -por 
exemplo, rindo de pessoas que caam sob o poder de Deus.  
interessante notar, no entanto, que estas coisas aconteciam em uma 
instituio crist, e no em uma escola pblica.
Nossos filhos no so perfeitos. Como jovens, eles passam pelos 
conflitos normais da adolescncia. Mas Deus tem sido fiel e ns temos 
muito orgulho do modo como eles conduzem a sua vida.
Como pais, temos tentado dar diretrizes aos nossos filhos e deixar 
que eles sejam crianas; que aprendam com os seus erros e que 
cresam sozinhos. Suzanne cresceu sendo a "FP" - a "filha do pastor" - e 
sua me lhe dizia: "No espero que voc seja a melhor criana da igreja, 
mas, por favor, no seja a pior." Temos educado nossos filhos com a 
mesma filosofia.
Um dos grandes dilemas que tenho enfrentado  tentar obedecer 
ao chamado de Deus para a minha vida no sentido de um ministrio 
mundial e ser um marido e pai responsvel.
Houve muitas noites de insnia em que Suzanne se sentiu como 
se estivesse educando sozinha os filhos - e, s vezes, quase desmoronou 
sob o peso do fardo. Mais de uma vez, ela se firmou na promessa da 
Palavra de que Deus "seria um marido para mim e um pai para meus 
filhos." O Senhor nunca falhou.
Antes, falei sobre o tempo em que Suzanne e eu ramos recm-
casados e que ela viajava comigo para todas as nossas reunies. Ela  
uma mulher de orao e obedece  voz do Senhor.
Quando Jessica nasceu, Suzanne disse: "Benny, sei que voc 
quer que eu esteja ao seu lado nas reunies, mas sinto que Deus 
precisa de mim aqui - em casa, dando  Jessica toda a minha ateno." 
Ela aceitou aquilo como um chamado. Depois vieram Natasha, Joshua e 
Eleasha, e ela nunca vacilou em sua convico de ser uma ncora forte 
para nossa famlia. Agradeo a Deus todos os dias por Ele ter coberto de 
bnos Suzanne e nosso lar.
Agora, com nossos filhos mais velhos se tornando jovens adultos, 
Suzanne est ficando mais envolvida com nosso ministrio pblico, mas 
ainda acredita que os nossos filhos e eu somos suas prioridades. Como 
ela muitas vezes comenta: "O ministrio comea em casa."

ACONTECEU NO "THE POND"
Eu jamais poderia comear a contar as horas que passamos de 
joelhos em orao por nossos filhos.
"Senhor, eu lhe entrego Jessica", eu orava. "Protege-a do mal. Que 
ela sempre te ame."
"E agora Natasha, Senhor. Segura-a em teus braos de amor e 
nunca a soltes."
Depois eu orava por Joshua. "Deus, que ele se torne um homem 
de justia - e um guerreiro forte para ti."
"E Eleasha, Senhor. Entrego esta bela criana aos teus cuidados. 
Nunca deixes que ela se desvie de ti."
Ao longo dos anos que se passaram to rapidamente, pus-me em 
p nos plpitos pelo mundo e fiz a orao da f por milhes de pessoas. 
De Cingapura  frica do Sul, famlias inteiras receberam a uno de 
Deus e foram tocadas por Seu poder. Mas, e a minha prpria famlia? E 
os meus filhos? Orei para que eles, tambm, experimentassem a 
realidade do Esprito Santo. Em uma tenra idade, eles pediram ao 
Senhor que entrasse no corao deles, mas eu queria que 
experimentassem tudo que Deus tinha para eles.
Em 8 de outubro de 1998, estvamos realizando um culto de 
milagres em um estdio conhecido como "The Pond", em Anaheim, na 
Califrnia. Eu j havia realizado reunies no sul da Califrnia muitas 
vezes, mas, naquela noite, o Esprito de Deus foi como um fogo - as 
pessoas podiam sentir a uno se espalhando por todo o estdio.
Olhei para a primeira fila e l estavam Suzanne e nossos quatro 
filhos lindos, que haviam viajado de Orlando para estarem comigo. 
Enquanto as pessoas estavam adorando a Deus no Esprito, eu estava 
orando: "Senhor, toca em meus filhos nesta noite. Que eles conheam o 
teu grande poder."
Foi nesta poca que Jessica, no incio de seu penltimo ano no 
colgio, estava passando por aqueles ajustes tpicos da adolescncia, e 
ns, como pais, estvamos preocupados.
Naquela noite, senti-me compelido a pedir que meus filhos 
subissem ao plpito - eu iria apresent-los ao pblico. No entanto, 
Deus tinha algo mais em mente. No momento em que eles se 
aproximaram do centro do palco, a uno foi to forte que, quando me 
voltei para eles, meus quatro filhos caram no cho. L estavam Jessica, 
Natasha, Joshua e Eleasha, arrebatados no Esprito pelo poder de 
Deus. Foi uma bela viso, e comecei a chorar diante do Senhor. Quando 
algo deste tipo acontece com seus prprios filhos, a sensao  incrvel.
Deus fez uma obra maravilhosa naquela noite. Quando eles 
voltaram para Orlando, seu testemunho cristo se revestiu de uma 
ousadia que nunca havamos visto - e os efeitos daquela reunio ainda 
so visveis.
A histria de meus filhos ainda ser escrita. S posso orar para 
que cada captulo seja cheio de f, esperana e amor.























CAPTULO 20

UMA MILAGROSA PROFECIA SE CUMPRIU


No final da dcada de 70, ministrei em Dallas, no Texas, no 
instituto de treinamento ministerial, Christ for the Nations (Cristo para 
as Naes). Deixei o plpito com a diretora do ministrio, a Sra. Frieda 
Lindsay, uma maravilhosa amiga e esposa do fundador do CFN, Gordon 
Lindsay, j falecido. Ao meu lado, notei que um senhor grisalho estava 
nos seguindo.
"Jovem! Jovem!", ele disse, com uma voz forte e enrgica.
Quando olhei para trs, o homem comeou a profetizar: 'Assim 
diz o Senhor", ele disse. "Chegar o dia em que voc pregar o meu 
Evangelho no mundo rabe."
Olhei para a Sra. Lindsay e, calmamente, comentei: "Este homem 
est louco!"
Ela no respondeu, e eu continuei: "No h como eu ter 
permisso para entrar e pregar no mundo rabe - nem que eu quisesse. 
Meu passaporte diz: 'Nascido em Israel."
A Sra. Lindsay virou-se para mim e, com um olhar no rosto de 
quem sabe das coisas, disse: "Este homem nunca errou", e no pensou 
mais no incidente.

PERDENDO O AVIO
Pouco tempo depois, eu estava no aeroporto em Ottawa, no 
Canad, com Harald Bredesen, que estava para pegar um avio para 
outra cidade.
Bredesen  um dos servos escolhidos de Deus - um ex-ministro 
luterano que inventou a expresso "renovao carismtica."
Estvamos no restaurante do aeroporto e a garonete havia 
acabado de anotar nosso pedido. Perguntei para Harald: "A que horas 
seu avio sair?" Ele olhou para o seu relgio e percebeu que o vo 
sairia em dez minutos. Pegamos suas duas malas grandes e fomos 
direto para o porto - e acabamos por ouvir: "O senhor ter de ir ao 
guich principal para fazer o check-in."
Feito isso, Harald correu para pegar seu avio. Quase na metade 
das escadas, ele parou, virou-se e anunciou: "Mas, Benny, no terminei 
minha conversa com voc." Ento, ele calmamente desceu para a pista 
de decolagem.
Ele passeou pelo terminal - como se tivesse todo o tempo do 
mundo. Harald ento colocou as mos nos meus ombros e comeou a 
conversar: "Benny, Deus me deu uma palavra para voc."
"Estou pronto para receb-la", respondi, curioso.
"Deus me disse que Ele vai us-lo para alcanar o mundo rabe - 
comeando com os chefes de estado." E acrescentou: "Voc vai pregar 
para todo o Oriente Mdio."
Olhei pela janela a tempo de ver o avio de Harald decolando -
com sua bagagem a bordo. Aquilo no pareceu perturb-lo de modo 
algum. "Oh, no se preocupe", ele disse e sorriu. "Pegarei o prximo vo. 
Eu simplesmente senti que voc precisava ouvir isto."
Alguns meses depois, em 27 de maro de 1979, a manchete do 
Jerusalm Post dizia: "Israel e Egito Assinam Tratado de Paz Declarando 
Fim do Estado de Guerra de Trinta Anos." Foi o nico tratado de paz de 
Israel com um estado rabe vizinho e um cumprimento de Isaas 19.

EST NO MEU SANGUE
Muitas vezes perguntaram-me: "Benny, quais so os seus 
sonhos? Quais so os seus objetivos? Se houvesse alguma coisa que 
voc pudesse realizar que tivesse um significado especial, o que seria?"
Desde o meu chamado para o ministrio, eu tinha um desejo 
ardente de levar a mensagem de Jesus Cristo e o poder do Esprito 
Santo a minha terra natal - e s naes do Oriente Mdio. Embora 
distante de suas praias, ainda posso sentir a areia do Mediterrneo 
debaixo de meus ps. Jaffa ainda est no meu sangue e, toda semana, 
reservo um tempo para ler a edio internacional do jerusalem Post.
Durante vrias semanas pouco comuns, a profecia entregue pelo 
senhor em Dallas e por Harald Bredesen comeou a clarear.
Por meio da Voice of Hope (Voz da Esperana) - uma emissora de 
televiso fundada por George Otis no Lbano, e agora propriedade da 
CBN e operada por ela - e por meio do satlite, nosso ministrio havia 
desenvolvido uma audincia grande e leal em Israel e em vrios pases 
rabes vizinhos. Recebemos cartas de telespectadores da Sria, da 
Jordnia e do Egito, dizendo: "Minha vida foi transformada."
Turistas que ficam nos hotis de Jerusalm assistem ao programa 
This Is Your Day pela televiso a cabo - e o programa  visto em lares 
por todo o pas. Conseqentemente, quando tenho reunies em Israel, 
milhares de pessoas aparecem para ver o poder de Deus.
Creio que seja providencial o fato de eu ter nascido na terra da 
Bblia. Tanto no mundo judeu como no rabe, somos recebidos de 
braos abertos pelo povo e por muitos governos.
Adoro quando as pessoas da regio vem minha pele bronzeada e 
dizem: "Voc parece um de ns." Tenho orgulho deste fato.

UM CONVITE REAL
Em 1997, tive a honra de conhecer pessoalmente a Sua 
Majestade, o rei Hussein da Jordnia. Nossa conversa concentrou-se no 
processo e perspectivas de paz no Oriente Mdio e na paixo de seu 
corao - o cuidado e bem-estar dos filhos de seu pas.
Mais tarde, veramos em primeira mo o compromisso que o rei 
Hussein assumiu com os rfos de seu pas.
Tanto o rei como seu primognito, o prncipe Abdullah (que agora 
 seu sucessor), elogiaram nossa audincia na televiso e estenderam 
um convite pessoal para que visitssemos a Jordnia.
Por duas dcadas, levvamos milhares de parceiros e amigos 
conosco para Israel - enchendo seis Boeings 747 em uma viagem. E 
agora estvamos sendo convidados para levar um grande grupo para a 
Jordnia.
O Ministro do Turismo daquele pas foi a nossa cruzada em 
Nashville, no Tennessee, e se dirigiu ao nosso pblico com uma 
mensagem sobre a importncia de rabes e judeus aprenderem a 
conviver com harmonia.


DIAS AGITADOS EM AM
Am, na Jordnia,  bastante diferente da exuberante folhagem 
verde e do tempo muitas vezes quente e mido de Orlando, na Flrida. 
Da janela de meu hotel, eu estava absorto no cu azul claro - no se via 
nem uma nuvem. O ar era seco como o de um deserto. Os dias eram 
quentes - e as noites traziam um pouco de alvio. Prdios baixos de 
reboco branco espalhavam-se em direo s colinas levemente 
onduladas  distncia. A cor predominante era o marrom - em todas as 
suas diferentes nuanas - que, de vez em quando, era quebrada pelos 
verdes empoeirados da vegetao rasteira.
O convite do rei Hussein para que fssemos  sua nao e a 
permisso para que ministrssemos livremente agora eram uma 
realidade. Era setembro de 1998.
Mais de dois mil de nossos parceiros viajaram conosco para 
Israel, e a maioria estendeu a viagem a fim de incluir estes dias agitados 
na Jordnia. Esta  a terra pela qual Moiss, Elias, Eliseu e tantos 
personagens bblicos andaram. Fomos levados por guias do governo ao 
Monte Nebo, o local de onde Deus mostrou a Moiss a terra prometida, 
pouco antes de sua morte, e ao lugar recm- descoberto de onde Elias 
ascendeu ao cu. Tambm visitamos o tmulo de Aro, perto da Petra 
histrica.
Fomos escoltados at uma antiga residncia do rei Hussein -um 
belo palcio que ele pretendia transformar em um orfanato. At sua 
morte, o rei estava em contato, quase que diariamente, com estas 
crianas carentes. Ele as conhecia pelo nome e se preocupava com o 
futuro delas.
Em Am, ns nos encontramos com a princesa Rania (agora 
rainha da Jordnia) para presentearmos os necessitados do pas com 
mil e duzentas caixas de suprimentos mdicos e cirrgicos e cerca de 
vinte mil e quinhentos quilos de mantimentos sortidos -incluindo 
farinha, feijo e batatas. A distribuio de alimentos foi um esforo 
conjunto entre nosso ministrio e a LeSea, a contnua obra do falecido 
Dr. Lester Sumrall.
A princesa Rania coordenou a realizao do evento por meio da 
famlia real e, pessoalmente, ajudou-nos na distribuio dos alimentos 
a muitos jordanianos desprivilegiados.

A ORLA DAS SUAS VESTES
"Providenciamos para voc o Palcio da Cultura," um oficial do 
governo me informou. O prdio com quatro mil lugares  o maior 
auditrio em Am - um impressionante centro de reunies reservado 
para eventos e convidados especiais. Agora ele estava sendo aberto ao 
pblico para a nossa reunio. Disseram-me que a importncia dada a 
este convite no poderia ser exagerada.
Foi incrvel. Quando criana em Jaffa, nunca imaginei, nem por 
um segundo, que pisaria em um pas rabe. E agora eu me encontrava 
na capital da Jordnia, pregando no s como convidado do governo, 
mas protegido por soldados do pas. Surpreendente!
O local ficou lotado, e os oficiais de Sua Majestade estavam l 
para receber nossa equipe no pas. Por causa de nossa projeo pela 
televiso na regio, pessoas vieram de vrios pases rabes -Lbano, 
Egito, Sria e Iraque.
Ainda consigo falar em rabe o suficiente para me comunicar, 
mas, para este culto, usamos um intrprete para que eu pudesse estar 
livre para ministrar, como fao por todo o mundo. Minha mensagem 
naquela noite foi sobre a mulher que tocou na orla das vestes de Jesus, 
e eu disse s pessoas: "Se estenderem a mo e tocarem nele, vocs 
tambm podero ser salvos e curados."
Nos rostos por aquele auditrio, eu podia ver uma fome da 
Palavra de Deus. Ento, quando levamos as pessoas ao louvor e  
adorao, os milagres comearam a acontecer e as pessoas testificaram 
o que Deus estava fazendo.
No mudei minha mensagem simplesmente porque eu estava em 
outra cultura. Sem hesitar, pedi s pessoas que convidassem Cristo 
para entrar em seu corao - para se tornar seu Salvador pessoal. De 
todas as partes daquele local, elas vieram correndo  frente. Eu mal 
podia acreditar no que estava vendo. Pensei comigo mesmo: Estou 
realmente pregando o Evangelho em um pas rabe? Isto realmente est 
acontecendo?
Pedi s pessoas que repetissem em rabe o que eu estava 
dizendo: "Senhor Jesus, sou um pecador. Perdoa meus pecados. Entra 
no meu corao. Dou-te a minha vida. Eu te entrego tudo. Lava-me com 
teu sangue. Faze-me limpo, querido Jesus. Enche-me do teu Esprito. 
Vem e toca a minha vida neste momento. Amm."
O Senhor permitiu-me voltar para esta terra assolada pela guerra 
e passar por portas que somente Ele poderia abrir.
O cronograma de Deus para o Oriente Mdio ainda est se 
revelando. Pelos convites que continuamos a receber dos lderes do 
governo na regio, creio que naes inteiras vo conhecer o Prncipe da 
Paz.
Enquanto escrevo este livro, o Senhor j abriu as portas para eu 
ministrar em oito pases rabes.
A jornada apenas comeou.







CAPTULO 21

UM TOQUE QUE TRANSFORMA


Em 1972, quase simultaneamente  minha converso, Deus me 
disse que eu pregaria o evangelho e levaria as pessoas  cruz de seu 
querido Filho - que era minha principal responsabilidade.
Agora, depois de vinte e cinco anos de ministrio, estou dando, 
mais do que nunca, mais ateno ao ministrio de ganhar almas. 
Embora eu sempre tenha me concentrado na mensagem de salvao, o 
Senhor me convenceu da necessidade de uma nfase ainda maior. A 
colheita mais incrvel de almas que j vi aconteceu quando levamos 
nossa equipe para Trinidade, Jamaica, Nova Guin, Hungria, Ucrnia e 
Guiana.
Viajamos para Papua Nova Guin, atendendo ao convite oficial do 
primeiro-ministro, Bill Skate, que, pessoalmente, pediu que eu fosse 
ministrar  nao. Que momento glorioso! Mais de trezentas mil 
pessoas participavam dos cultos diariamente. Fui convidado para 
ministrar em um caf da manh com orao, especial, com o 
parlamento e orar pela liderana da nao. A primeira pgina do jornal 
do pas destacava a cruzada sob a manchete "O Poder da F."
 impossvel descrever como me senti quando o primeiro-ministro 
Skate se ps diante do grande pblico e declarou: "O primeiro-ministro 
deste pas no  outra pessoa seno Jesus Cristo!"
O mais importante foi que uma nao inteira foi tocada feio grande 
poder do Esprito Santo. Eu ainda estou louvando a Deus.
Algumas semanas depois, na Jamaica, mais de duzentas mil 
pessoas participaram de um culto - oficiais do governo disseram-nos 
que aquela foi a maior multido j reunida na histria do pas. Depois, 
em Kiev, na Ucrnia, quando fiz o convite s almas, as pessoas vieram 
correndo  frente, de todas as partes do estdio de futebol lotado - 
incluindo algumas que haviam assistido ao culto inteiro empoleiradas 
nos galhos das rvores. Elas eram como o Zaqueu dos tempos antigos, 
que desceu de um sicmoro em Jerico para conhecer Jesus.
Louvei a Deus e disse: "Obrigado, Senhor, pelo maior derramar 
nestes vinte e cinco anos de ministrio."
S nestas cruzadas internacionais, mais de trezentas e cinqenta 
mil pessoas aceitaram publicamente Cristo como seu Salvador - e ainda 
mais por meio de nosso programa de televiso dirio, This h Y)ur Day, e 
nas cruzadas pelos Estados Unidos. E, mais uma vez, ao nosso 
maravilhoso Senhor Jesus pertence toda a glria.

DE TODAS AS FORMAS
Em 4 de dezembro de 1998, cercado dos pioneiros de programas 
de televiso cristos e famosos ministros de todas as partes do mundo, 
consagramos nosso novo World Media Center, em Aliso Viejo, na 
Califrnia. Deste estdio de ltima gerao e centro de produes, 
podemos expandir nosso projeto de televiso global.
Por que estou to empenhado em alcanar os perdidos usando 
todos os meios possveis? Jesus disse: "Este Evangelho do reino ser 
pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e ento 
vir o fim" (Mt 24.14).
Alm da televiso e da palavra impressa, nossos parceiros pelo 
mundo permitiram-nos influenciar a vida dos necessitados -incluindo o 
auxlio a milhares de rfos em uma base regular.
Agradeo todos os dias ao Senhor por nossos parceiros. Sem eles, 
estas coisas no seriam possveis - e sei que, um dia, o prprio Senhor 
recompensar cada um deles. Estas pessoas queridas tm ofertado 
como sacrifcio - e continuam a ofertar - para ver almas salvas, corpos 
curados e multides libertadas do poder do inimigo.
Quando comecei este ministrio, depois da maravilhosa visitao 
que recebi do Senhor, eu me perguntava como Deus cumpriria a viso. 
Agora eu sei. Ele a est cumprindo por meio de seu maravilhoso povo. E 
para cada parceiro que est lendo este livro, digo do fundo do meu 
corao: "Obrigado! Obrigado! Obrigado!"

UMA NOVA ERA
Expliquei anteriormente a importncia da Caixa Postal 90 em 
Orlando. Na poca, Deus falou ao meu corao e disse que aquele seria 
o nosso endereo na dcada de 90 - at 1999 -, mas que, depois disso, 
haveria uma mudana.
Durante aquela dcada, Deus abenoou grandemente nosso 
ministrio, e nossa sede em Orlando estava a ponto de arrebentar. 
Obreiros espalhavam-se pelo complexo. E, depois de olhar para a 
situao, ficou claro que ns havamos crescido mais do que a 
propriedade poderia comportar.
Estvamos diante da perspectiva de terceirizar partes de nosso 
ministrio e transferir as pessoas para outros locais. Eu sabia que a 
permanncia em nosso presente local sufocaria e talvez at impediria 
nosso crescimento. "Senhor, tu ests falando comigo?", perguntei.
Ao longo dos anos, Deus havia me dirigido com sinais que ora 
eram vermelhos, ora verdes - nunca amarelos. Sua direo sempre foi 
clara.
Trs anos antes minha esposa, Suzanne, me surpreendeu quando 
me disse: "Benny, o Senhor falou comigo e disse que a sede do 
ministrio de cura iria mudar-se para Dallas, no Texas."
"Dallas?", respondi, espantado. "Bom, se Deus realmente est 
falando com voc, por favor, pea ao Senhor para falar comigo tambm." 
E encerrado o assunto.
Um ano depois, algo muito parecido aconteceu. O Senhor falou 
comigo sobre nossa famlia mudar-se para o sul da Califrnia, onde 
nosso estdio de televiso e o ministrio voltado para os meios de 
comunicao esto localizados. Quando compartilhei isto com Suzanne, 
ela disse: "Bom, se isto for importante, o Senhor falar com ns dois."
No vero de 1999, a direo de Deus ficou clara para Suzanne e 
para mim - os sinais ficaram verdes! Nossa famlia mudou-se para a 
Califrnia e ns anunciamos que a sede do ministrio de cura estava se 
mudando para Dallas.

A DECISO CERTA
Eu gostaria que voc estivesse presente na reunio de nossa dire-
toria quando discutimos o que estava para acontecer. Nunca vi um 
surto to grande de entusiasmo e criatividade. Houve tambm uma 
poderosa presena do Senhor quando renovamos nosso compromisso 
de alcanar o mundo para Cristo. Era bvio que, para realizar o que 
Deus nos havia chamado para fazer, esta era a deciso certa.
Nossos contadores, depois de uma considervel anlise, 
concluram: "Isto se chama boa administrao. A mudana para Dallas 
poupar milhes de dlares nos prximos anos."
Esta localizao central nos Estados Unidos, com seu grande 
aeroporto, cortar consideravelmente despesas com viagens e tornar o 
mundo mais acessvel para o nosso pessoal. Alm disso, a regio 
metropolitana tem os recursos de que precisamos para expandir nosso 
projeto e utilizar a tecnologia em voga para tocar os perdidos e as 
pessoas feridas de todo o mundo.
Por um bom tempo contamos com os servios de uma grande 
firma de contabilidade em Dallas. Agora, suas auditorias internas 
estaro a uma pequena distncia, em vez de envolver vos e 
hospedagens caras. Alm disso, a firma que usamos para representar-
nos legalmente tem sede em Dallas.
Estamos comeando os prximos vinte e cinco anos do ministrio 
com uma viso mais ampla do que qualquer oceano. Planos esto em 
andamento para um Centro de Cura Mundial e a Sede de Parceiros 
Internacionais. Foi projetado em um estilo arquitetnico do passado e 
finalizado com uma base de pedra semelhante quelas encontradas na 
Terra Santa. Ser de fato um belo cenrio que inspirar a todos que 
vierem visit-lo - um lugar de esperana e cura.
O Centro de Cura Mundial e a Sede de Parceiros Internacionais 
incluem:

Os Jardins de Cura - um lugar de especial beleza e tranqilidade 
onde a f poder ser fortalecida em meio a um cenrio exuberante de 
rvores, plantas, lagos e riachos. Ao andar pelas trilhas do jardim, voc 
ouvir histrias bblicas dos milagres do Antigo e do Novo Testamento 
em locais especiais, onde esttuas de bronze de tamanho natural 
retrataro esses eventos.

O Rio de Cura - correndo por todos os jardins e representando o 
rio de cura que flui do nosso Senhor. Ser um lindo riacho que emana 
da Fonte de Cura. A medida que ele passar pelos jardins, haver vrios 
lugares para se sentar e desfrutar da presena do Senhor.

A Fonte de Cura - uma rea onde as pessoas sero lembradas, por 
meio dos versculos bblicos inscritos em cada fonte, do poder que Deus 
tem de operar milagres.

A Catedral de Cura do Povo - o cone no topo do telhado, a parte 
externa de pedra e os vi trais ajudaro a criar um ambiente inesquecvel 
para os cultos especiais que sero realizados ali. O auditrio e o interior 
lembraro uma grande catedral que se v na Europa. Alm disso, 
haver cabines especiais para orao e cura em reas privadas da 
catedral destinadas ao ministrio pessoal.

O Centro de Parceiros Internacionais  onde os visitantes podero 
ver os diversos projetos do ministrio. Haver monitores de vdeo por 
todo o interior e, com o uso de sistemas audiovisuais, as pessoas 
podero ver e "fazer parte dos" cultos nas cruzadas e projetos 
internacionais.

O Hall da F - onde homenagearemos ministrios de milagres e 
evangelistas do passado e do presente. Ser um legado vivo do poder de 
cura de Deus e dos grandes homens e mulheres que responderam ao 
seu chamado. Haver tambm uma capela com animao que 
ministrar, sobretudo, na vida das crianas.

A Torre da Orao de Cura - um lugar onde a orao ser 
oferecida durante vinte e quatro horas por dia, nos sete dias da semana. 
Este projeto estender o poder de cura e salvao s pessoas que 
telefonarem ou nos visitarem de todas as partes do mundo.

A Chama da Cura Eterna  ficar acesa durante vinte e quatro 
horas por dia, nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, lembrando-
nos que o poder que Deus tem de operar milagres est sempre  nossa 
disposio.

Alm disso, haver um anfiteatro ao ar livre para eventos 
especiais, uma Biblioteca sobre Curas e muito mais.
O Centro de Cura Mundial e a Sede de Parceiros Internacionais 
vo ser lugares memorveis, ungidos pelo Senhor para tocar vidas por 
todo o mundo. Sero os pontos centrais de nosso ministrio e sero 
visitados por milhares de parceiros e visitantes de muitos pases.
Tudo o que temos planejado para esta propriedade tem por 
pretenso um objetivo - deixar que o mundo saiba que ainda h algum 
no cu que declara: "Eu sou o Senhor que te sara" (x 15.26) e que 
"Jesus Cristo  o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13.8).
O novo centro complementar os locais de produo de 
programas de televiso na Califrnia e os escritrios de nosso ministrio 
no Canad, na Gr Bretanha, na Austrlia e em outros pases.
O mais importante  que aquilo que impedia o nosso crescimento 
foi removido. Assim como senti que eu estava na perfeita vontade de 
Deus ao estabelecer uma igreja em Orlando na dcada de 80, sinto a 
mesma convico ao embarcarmos nesta nova aventura. Serei 
eternamente grato  congregao e  equipe da World Outreach Church 
- conhecida h muitos anos como Centro Cristo de Orlando. Seu amor 
para comigo e minha famlia no tem limites, e agradeo a Deus pelas 
vidas que foram tocadas porque respondemos ao chamado de Deus.
Aqueles de vocs que conhecem este ministrio sabem que ele 
envolve inmeros projetos em diversos lugares, mas tudo procede de 
um nico chamado - levar a mensagem do Evangelho de salvao e cura 
a toda nao da terra.

QUE JORNADA!
Houve muitos momentos especiais nestes vinte e cinco anos de 
ministrio - e recebi mais homenagens do que mereo. No entanto, nada 
tem mais sentido do que algo que me foi dito, certa noite, em um 
pequeno apartamento no segundo andar em Ramallah, Israel - do outro 
lado da rua onde meu falecido av tinha sua lanchonete.
Amal, minha querida av armnia, antes de passar desta vida, 
estava sentada ao meu lado no sof de sua humilde casa. Vrios de 
meus primos estavam reunidos a nossa volta. Esta senhora, que por 
tantos anos julgou ser impossvel entender minha converso espiritual, 
colocou suas mos envelhecidas pelo tempo sobre as minhas e, 
calmamente, disse: "Benny, agora voc  o patriarca de nossa famlia."
Aquelas so palavras que sempre respeitarei.  tambm uma 
responsabilidade que levo a srio.
Eu no fazia idia da drstica transformao que estava para 
acontecer quando entrei naquela reunio de orao dirigida por alunos 
na Escola de Segundo Grau Georges Vanier, em Toronto, tantos anos 
atrs. Que jornada tem sido!
Vinte e cinco anos atrs, em 7 de dezembro de 1974, eu estava 
em p no plpito de uma igrejinha em Oshawa, Ontrio. Naquela noite, 
Deus me tocou. Ele soltou minha lngua e nunca deixei de falar ao 
mundo do Deus de amor e milagres a quem sirvo.
Na ltima semana, enquanto eu, mais uma vez, estava em p no 
plpito de uma cruzada, meus olhos se encheram de lgrimas quando 
pensei no quo longe Deus me levou. Do fundo do meu corao, cantei:

Ele me tocou,
Oh, Ele me tocou.
E, oh, a alegria que inunda a minha alma.
Algo aconteceu, e agora eu sei.
Ele me tocou e me fez completo."

Este no  o fim da histria. Oro para que, se o Senhor tardar, os 
prximos vinte e cinco anos sejam melhores do que qualquer coisa que 
j imaginei - "Ora, quele que  poderoso para fazer tudo muito mais 
abundantemente alm daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o 
poder que em ns opera" (Ef 3.20). E oro para que a minha vida sempre 
glorifique o meu maravilhoso Senhor e Mestre, Jesus Cristo, o Filho do 
Deus vivo. Amm!

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* "He Touched Me" (Ele me Tocou), letra e msica de William J. Gaither. Copyright  
1963 William J. Gaither, Inc. Todos os direitos administrados por Gaither Copyright 
Management. Usado com permisso.
